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sábado, 6 de setembro de 2025

Desmistificando a hipnoterapia

Entenda como funciona alternativa de tratamento que tem sido cada vez mais utilizada para os mais diferentes distúrbios físicos, mentais e comportamentais

 

A hipnoterapia aos poucos tem se popularizado e sido usada como alternativa de tratamento para uma série de distúrbios e males psicológicos, físicos e comportamentais, incluindo quadros de ansiedade, depressão e medos diversos. Apesar de ganhar popularidade, ela ainda é cercada de dúvidas e receios de muitas pessoas, medos que são facilmente desmistificados. 

“Para entender como a hipnose funciona, é muito importante também entender como a mente funciona, em seus três distintos e separados níveis – consciente, subconsciente e inconsciente -, cada um com suas ações”, explica a hipnoterapeuta e psicanalista Yafit Laniado. 

Yafit descreve as diferenças: “a mente inconsciente tem funções de controle do sistema imunológico e controle das funções vitais e automáticas do corpo. A mente consciente, por sua vez, é onde passamos a maior parte do tempo e é responsável por quatro ações: analisar e tomar decisões; dar a razão pela qual nos comportamos de determinada forma; nos injetar força de vontade, aquele empurrãozinho que precisamos em algumas situações; e garantir a memória funcional, aquela que precisamos diariamente.” 

Na hipnoterapia, o nível trabalhado é o subconsciente. “Se quisermos acessar o nosso ser real, é preciso ir a esse nível abaixo do consciente. É ali que todos nós somos, na mente subconsciente. Como um computador, ela é abastecida por permanentes bancos de memórias criadas desde o nosso primeiro dia de vida. É nesse nível que também se encontram guardadas as emoções, assim como as experiências e sensações negativas, e, ali, especialmente reservada, a nossa parte protetora, nos preservando dos perigos reais ou imaginários”, detalha a hipnoterapeuta. 

A hipnose é o caminho utilizado para se chegar a todo esse gigantesco banco ali intacto, preservado e pronto para ser acessado. “Na hipnose, o trajeto até este banco de memórias e sentimentos é feito por meio do relaxamento físico e do alerta mental, num estado 100% consensual. Isso, aliás, é algo fundamental, uma vez que, para acessar o nível subconsciente é necessário, por parte do paciente, a atitude mental em nível consciente, que permita a sugestão de acesso a esse computador interno”, explica. 

Diferentemente do que muitas pessoas pensam, nos níveis profundos de hipnose, a nossa consciência pode ficar até 300 vezes mais alerta do que no momento consciente, com os cinco sentidos muito mais apurados. Este, aliás, é um dos pontos mais recorrentes a ser desmistificado. 

“As pessoas acham que quem está sendo hipnotizado está dormindo em sono profundo. Erro grande, como dissemos, o estado de hipnose leva a pessoa para um dos momentos de maior alerta. Tanto que não existe acordar da hipnose. O termo correto é emergir. Aí, a qualquer momento que desejar, o paciente pode emergir, basta o menor pensamento de não querer mais estar nesse estado e, instantaneamente, estará fora dele”, diz Yafit. 

Outro conceito errado e muito divulgado é que a hipnose pode ser usada para controlar ações de outra pessoa. “Se assim fosse, a hipnose seria possível em todos, mesmo naqueles que não se permitem viver a experiência, algo que não acontece. A atitude mental de cada um é que vai mostrar se e como será a hipnose.” 

Aos poucos, mais pessoas recorrem a esse tipo de tratamento, com bons resultados e superações de dificuldades. Bem aplicada, a hipnose pode servir para fumantes que desejam deixar seus vícios, ajudar pacientes na perda de peso e até mesmo a controlar fobias. 

“Trata-se de uma alternativa para diversas idades, inclusive para o público infantil, onde é possível superar de medo de cachorro a desvios comportamentais mais graves. Essa é uma maravilhosa forma de mudar vidas”, conclui a hipnoterapeuta.

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