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| Reflexo branco no fundo do olho é a característica mais visível e evidente de retinoblastoma Shutterstock |
Doença hereditária se manifesta ainda na primeira infância; isso demonstra importância de submeter os bebês a exames oftalmológicos logo após o nascimento
A retirada de um dos globos oculares por um retinoblastoma (câncer na retina), quando tinha apenas um ano e meio, fez a educadora e consultora de pais Franciane Wazen, 40 anos, lidar com situações difíceis na infância: a aceitação da própria identidade e o preconceito. Mas os tempos e a medicina eram outros. Ela superou. Cresceu, formou-se, casou e está feliz à espera do sexto filho.
A sorte de Franciane foi que, apesar de não haver muita informação sobre isso na época, seus pais desconfiaram do reflexo esbranquiçado no olho da filha. Ela fez a enucleação (retirada do globo ocular) de um dos olhos, o que a curou. “Foi um câncer invasivo. Mas os avanços da medicina mostram que hoje não há motivo para temer, nem para desistir de ter filhos por medo da hereditariedade”.
A história de Franciane se cruza com a da analista de RH Betânia Watanabe, 46 anos, que também fez a enucleação aos dois anos e meio de idade. Ambas utilizam próteses oculares. Mas no caso de Betânia, o câncer já havia atingido o nervo ótico e descolado a retina. Depois da cirurgia, foram 72 sessões de radioterapia e mais 12 de quimioterapia. Memórias que ainda trazem dor à família.
Betânia seguiu a vida. Casou e teve um filho, que hoje está com 8 anos. Ciente do risco, ela fez o mapeamento genético e outros exames e tranquilizou-se ao saber que seu filho não herdou a doença. “Hoje a medicina traz um leque de possibilidades. Mesmo que a criança tenha retinoblastoma, se for diagnosticado cedo, tem tratamentos menos invasivos e desfechos mais tranquilos”.
Os relatos de Franciane e Betânia são exemplos de que, já
naquela época, a doença tinha cura e podia trazer qualidade de vida ao paciente.
E hoje, com as novas tecnologias, a criança pode crescer sem sequelas graves e,
na vida adulta, nem lembrar que passou por isso. O retinoblastoma também não é
barreira para quem deseja ter filhos.
O
que é retinoblastoma?
O retinoblastoma é um tumor maligno da retina, a camada mais interna do olho, formado a partir de células nervosas ainda na fase embrionária. É um tipo de câncer ocular infantil que geralmente aparece antes dos três anos, podendo inclusive estar presente já ao nascimento. Embora raro, é extremamente grave quando não diagnosticado a tempo.
Segundo a oftalmologista pediátrica Dra. Pérola Grupenmacher Iankilevich, do Eco Medical Center, os primeiros sinais podem ser sutis.
“O
retinoblastoma pode se manifestar como uma visão baixa desde cedo ou um brilho
diferente no olhar da criança. Ele dá um aspecto conhecido como ‘olho de gato’,
ou de ‘gato amaurótico’, quando em fotos com flash aparece um reflexo branco,
no lugar do reflexo vermelho normal”, explica.
A
importância do diagnóstico precoce
O tumor pode afetar apenas um olho ou ser bilateral, e em alguns casos até se estender para o sistema nervoso central. Justamente por isso, o diagnóstico precoce é determinante.
“Quando o retinoblastoma é detectado ainda dentro do olho, a chance de cura é bastante alta. Temos tratamentos com quimioterapia, laser, radioterapia e, em alguns casos, cirurgia, até a retirada do globo ocular. Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a possibilidade de preservar a visão e evitar a propagação do tumor para outras partes do corpo”, ressalta a médica, alertando que ele pode levar metástases inclusive ao cérebro, pela continuidade e origem do tecido nervoso.
O
teste do olhinho, realizado ainda na maternidade, é a principal ferramenta de
rastreamento inicial. Mas ele deve ser repetido periodicamente: aos três meses,
aos seis meses e depois anualmente, pois não identifica apenas o
retinoblastoma, mas também outras alterações visuais graves que podem
comprometer o desenvolvimento infantil, entre elas a catarata congênita.
Herança
genética e acompanhamento familiar
O retinoblastoma tem origem hereditária em parte dos casos, o que exige atenção especial de famílias com histórico da doença. Avaliações genéticas e acompanhamento oftalmológico frequente são fundamentais para filhos de pacientes que já tiveram o tumor.
“Hoje
temos adultos que foram tratados do retinoblastoma na infância, que se tornaram
pais e cujos filhos são perfeitamente saudáveis, como os casos da Franciane e
da Betânia. Isso mostra como o acompanhamento genético e as consultas regulares
fazem diferença”, afirma a Dra. Pérola.
Campanha
“De Olho no Olhinho”
Neste
mês de setembro, a campanha “De Olho no Olhinho” reforça a importância de levar
os bebês e crianças pequenas ao oftalmologista. E o Eco Medical Center - centro
médico com mais de 45 especialidades em Curitiba - apoia a campanha. O objetivo
é conscientizar sobre a necessidade de avaliações regulares desde os primeiros
dias de vida, garantindo que doenças silenciosas como o retinoblastoma sejam
identificadas e tratadas a tempo.

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