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| Resultados mostram que algumas regiões, como os recifes do Rio de Janeiro e as ilhas oceânicas, funcionam como “ilhas genéticas” |
Um estudo assinado por cientistas integrantes do Projeto Budiões foi publicado na revista científica Marine Environmental Research e lança novas luzes sobre a conservação dos budiões (Sparisoma frondosum e S. axillare), peixes-papagaio exclusivos da costa brasileira e fundamentais para a saúde dos recifes.
A pesquisa analisou amostras coletadas em diferentes pontos do litoral, do Maranhão a Santa Catarina, além das ilhas oceânicas de Trindade e Martim Vaz. Por meio de ferramentas genéticas, os cientistas investigaram como as populações dessas espécies estão conectadas entre si.
Os resultados mostram que algumas regiões, como os recifes do Rio de Janeiro e as ilhas oceânicas, funcionam como “ilhas genéticas”, com menor troca de indivíduos com outras áreas. Essa baixa conectividade indica que, caso essas populações locais desapareçam, dificilmente seriam repostas por outras.
Segundo os autores, a descoberta reforça a necessidade de políticas de conservação integradas e direcionadas para regiões críticas. “A conectividade entre populações é como uma rede de segurança ecológica. Onde essa rede é mais frágil, a atenção à conservação precisa ser redobrada”, resume a pesquisadora Karis Itchel Tuñón Valdés, que liderou o trabalho.
O artigo completo está disponível aqui.
Sobre o Projeto Budiões
Criado em 2020, o Projeto Budiões atua ao longo dos mais de 7 mil quilômetros da costa brasileira com o objetivo de conciliar conservação marinha e desenvolvimento sustentável nas comunidades costeiras. Patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o projeto busca reduzir a pesca predatória, estimular alternativas econômicas sustentáveis e apoiar políticas públicas voltadas para a gestão eficiente dos recursos naturais.
A
iniciativa reúne cientistas de seis universidades brasileiras e monitora
populações de budiões em 12 estados do país. Esses peixes, conhecidos
popularmente como peixes-papagaio, são fundamentais para a saúde dos recifes de
corais, já que controlam o crescimento de algas. Entre eles, o budião-azul (ou
bico-verde) figura na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção desde
2014.


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