![]() |
| Reprodução Independent |
Brasil lidera com 3,3 milhões de cirurgias e aposta em clínicas premium para competir no turismo estético de luxo
Passageiros
em voo de retorno da Turquia após procedimentos estéticos, com curativos na
cabeça, imagem que se tornou símbolo do turismo médico no país.
Cirurgia plástica já não se
resume ao bisturi: em polos globais, ela virou produto de luxo que envolve hotéis
cinco estrelas, experiências de bem-estar e pacotes turísticos completos. O
Brasil se prepara para entrar em um mercado bilionário que movimenta mais de
US$ 80 bilhões ao ano: o turismo estético de luxo. Estima-se que 24 milhões de
pessoas viajem anualmente em busca de cirurgias e procedimentos, um fluxo que
alimenta hospitais, hotéis, transporte e serviços de bem-estar. Turquia, Coreia
do Sul e Tailândia consolidaram-se como referências globais ao transformar a
cirurgia em produto turístico. Agora, o Brasil busca espaço nesse mapa com
clínicas que investem em serviços premium para atrair pacientes internacionais.
Na Turquia, prevalece o modelo all-inclusive, que cobre da cirurgia à
hospedagem em hotéis cinco estrelas, com tradutores disponíveis. O país recebe
mais de 1,2 milhão de estrangeiros por ano, movimenta US$ 3 bilhões e é
mundialmente conhecido pelos transplantes capilares, cerca de 1.500 por dia,
além de rinoplastia, lipoaspiração e aumento de mamas. A Coreia do Sul aposta
em tecnologia de ponta e no apelo da K-Beauty. Em 2024, recebeu 1,2 milhão de
pacientes estrangeiros, atraídos por preços até dez vezes menores que nos
Estados Unidos e pela reputação de Seul como “capital mundial da cirurgia
plástica”. O governo criou incentivos como reembolsos de impostos, facilitação
de vistos e serviços de concierge especializados. Já a Tailândia integra saúde
e hospitalidade, com hospitais que lembram resorts de luxo. Pacientes se
recuperam em suítes VIP com spa e gastronomia de alto padrão, estendendo a
viagem para praias e retiros de bem-estar.
O Brasil aparece nesse cenário com uma credencial de peso: é líder mundial em
cirurgias plásticas, segundo a ISAPS, com mais de 3,3 milhões de procedimentos
realizados recentemente. Desse total, mais de 460 mil foram em pacientes
estrangeiros, número em crescimento. Técnicas como o Brazilian Butt Lift, lipo
HD, aumento de mamas e rinoplastia já atraem americanos, europeus e
latino-americanos em busca de resultados reconhecidos pela naturalidade. O
desafio é transformar esse potencial em uma experiência comparável à oferecida
pelos grandes polos internacionais, algo que exige excelência médica,
confiança, atendimento bilíngue, infraestrutura e hospitalidade.
Nesse ponto surgem iniciativas como a Revion International Clinic, com
inauguração prevista para dezembro em São Paulo. Criada para o público
internacional, a clínica aposta em um modelo integrado que inclui protocolos
baseados em ciência de dados, atendimento multilíngue e concierge no padrão
cinco estrelas. “O novo perfil de paciente internacional não busca apenas
preço, mas confiança, reputação médica e uma experiência de alto padrão”,
afirma o CEO da marca, Dr. Leandro Faustino. A Revion simboliza essa virada ao
trazer para o Brasil um conceito já competitivo em Istambul, Seul e Bangkok,
mas com a assinatura de um país que une tradição em cirurgia plástica e
lifestyle reconhecido mundialmente.
Se o Brasil consolidar esse movimento, o impacto vai além da medicina. Cada
paciente estrangeiro significa receita em moeda forte, ocupação hoteleira,
movimentação turística e reforço da imagem do país como destino de excelência.
Especialistas alertam, porém, que o crescimento exige padrões rigorosos de
qualidade, prevenção contra riscos do turismo médico de baixo custo e
posicionamento no segmento de alto valor, voltado a quem prioriza confiança e
experiência premium. No novo mapa global da cirurgia, vencerá quem souber
transformar bisturi em experiência e hospital em destino de luxo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário