Embora os hotéis brasileiros sejam o principal alvo, as atividades desse grupo se estenderam também para Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, México e Espanha
Quem se hospedou recentemente em um hotel da América
Latina ou Espanha pode ter tido os dados do seu cartão de crédito roubados.
Entre junho e agosto de 2025, a Equipe Global de Pesquisa e Análise da
Kaspersky (GReAT) descobriu uma nova onda de ciberataques realizados por um
grupo RevengeHotels, que ataca hotéis para roubar informações de cartões de
crédito dos hóspedes. O grupo, ativo desde 2015, tinha passado os últimos anos
sem apresentar novidades até o registro dessa nova campanha – que marca seu
reaparecimento com melhorias em seus métodos, como o uso de Inteligência
Artificial para tornar os ataques mais eficazes e expandi-los para outras
regiões.
Embora
os hotéis brasileiros sejam o principal alvo da nova campanha, a atividade
também se estendeu a países de língua espanhola como Argentina, Bolívia, Chile,
Costa Rica, México e Espanha. No início deste ano foi observada outra campanha
do mesmo ator direcionada a hotéis na Rússia, Bielorrússia, Turquia, Malásia,
Itália e Egito.
O
grupo utiliza e-mails maliciosos (phishing) disfarçados de pedidos de
reserva para realizar a infecção dos sistemas dos hotéis. As mensagens de phishing
são enviadas geralmente para os endereços de reservas publicados nos sites das
empresas. Em alguns casos recentes, observou-se também o uso de falsos pedidos
de emprego, nos quais os atacantes enviam currículos para tentar explorar
possíveis vagas nos hotéis-alvo. Para realizar a infecção, os atacantes
recorrem a serviços de hospedagem legítimos, frequentemente registrando
domínios com temática em português.
Exemplo de phishing usando a confirmação de reserva
como disfarce
Quando
um funcionário abre esses e-mails, um trojan de acesso remoto chamado VenomRAT
é instalado nos sistemas do hotel, dando aos atacantes acesso aos dados de
pagamento (cartões de crédito) dos hóspedes e a outras informações sensíveis. O
VenomRAT é distribuído em fóruns da dark web, com licenças vitalícias que podem
chegar a 650 dólares. Os e-mails costumam ser convincentes e, de acordo com a
análise dos especialistas da Kaspersky, o malware mais recente do RevengeHotels
inclui códigos que provavelmente foram gerados por ferramentas de inteligência
artificial.
“Os
cibercriminosos estão usando cada vez mais a IA para criar novas ferramentas e
tornar seus ataques mais eficazes. Isso faz com que até mesmo métodos já
conhecidos, como e-mails de phishing, sejam mais difíceis de detectar pelas
pessoas comuns. Para os hóspedes de hotéis, isso significa um risco maior de
roubo de dados de cartões e outras informações pessoais, que serão vendidos na
dark web”, comenta Lisandro
Ubiedo, analista sênior de segurança da Kaspersky.
Para
que os hóspedes possam se proteger, os especialistas da Kaspersky recomendam:
- Antes de fazer uma reserva, verifique se o hotel cumpre os
principais padrões de segurança, como ISO ou PCI DSS.
- Utilize uma solução de segurança confiável em todos os seus
dispositivos, como o Kaspersky Premium, que protege dados pessoais e de
pagamento durante transações bancárias online.
- Faça uma pesquisa rápida na internet por avaliações ou notícias
recentes sobre o hotel onde você vai se hospedar. Isso pode ajudar a
conhecer como o estabelecimento lida com a segurança dos dados.
- Considere usar um endereço de e-mail e um número de telefone
secundários apenas para suas viagens, a fim de manter privados seus
contatos principais.
- Prefira usar um cartão de crédito com limite menor ou use cartões
virtuais sempre que possível; eles são mais fáceis de pausar ou cancelar
se necessário.
Para
os hotéis, os especialistas da Kaspersky recomendam:
- Verificar se a infraestrutura do hotel cumpre padrões
internacionais de segurança digital e privacidade de dados.
- Implementar sistemas de pagamento com autenticação avançada, como
3D Secure, tokenização ou gateways seguros para reduzir fraudes em
transações online.
- Monitorar avaliações, fóruns e notícias relacionadas ao hotel ou à
rede para antecipar riscos de desinformação ou ataques à reputação.
- Utilizar contas de e-mail e linhas telefônicas distintas para
operações internas, reservas corporativas e uso pessoal de colaboradores,
a fim de limitar a exposição.
- Evitar o uso de software obsoleto em processos críticos, já que
sistemas desatualizados representam portas de entrada fáceis para ataques
de ransomware ou roubo de dados.
- Instruir o pessoal para que pergunte e reporte atividades
suspeitas, como e-mails estranhos, solicitações incomuns de dados de
clientes ou comportamentos anômalos nos sistemas.
Para
saber mais sobre a investigação da Kaspersky, acesse o blog post técnico no Securelist.
Para mais informações acesse o site.

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