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| iStock Crédito: Andrea Obzerova |
À medida que as festas de final de ano se aproximam,
a alegria e a apreensão permeiam as famílias atípicas diante dos típicos
barulhos festivos, luzes cintilantes, cheiros intensos e estímulos táteis. Para
algumas crianças autistas, essas celebrações representam desafios
significativos devido à sobrecarga sensorial, gerando desconforto. A
sensibilidade sensorial é uma característica comum em pessoas com autismo, influenciando
diretamente suas experiências diárias. Pode manifestar-se de diversas formas,
desde desconforto causado por estímulos excessivos até preferências sensoriais
relacionadas a atividades prazerosas, estimulantes ou calmantes.
Segundo
Cristiane Oliveira, Terapeuta Ocupacional da Clínica Médica MedAdvance, as
diferenças sensoriais abrangem uma ampla gama, incluindo hipersensibilidade a
odores, sabores, texturas de alimentos, toques, ruídos altos, luzes intensas e
até mesmo sensibilidade à luz solar ao ar livre. "As festas de final de
ano representam um desafio para os pais atípicos e crianças autistas com
hipersensibilidade auditiva. Os fogos, característicos do Réveillon, podem
causar desconforto, levando a criança a mostrar-se assustada e até apresentar
dores físicas devido ao barulho", ressalta a especialista.
As
ramificações dessas diferenças são tão variadas quanto suas manifestações. É
crucial destacar que, dada a singularidade de cada pessoa com autismo, as
formas de vivenciar estímulos sensoriais e seus impactos diários variam
consideravelmente. "A intensidade dessas influências depende do grau de
autismo e da rotina individual de cada pessoa. Crianças com autismo
frequentemente experimentam essa sensação de desregulação, episódios de sobrecarga
sensorial, que podem ser intensos. É preciso atenção a isso, especialmente no
final do ano, pois muitas vezes, isso pode ser confundido com as famosas
'birras'", explica a terapeuta ocupacional da MedAdvance.
Miguel
Ferreira, 5 anos, tem autismo moderado e é hipersensível a sons específicos,
como fogos de artifício e eletrodomésticos. Sua mãe, Auricélia Ferreira,
compartilha que, para as festas de fim de ano, as comemorações ocorrem dentro
de casa ou na casa de amigos, onde o barulho é menor. "Mas já houve
momentos em que ele ficou extremamente desconfortável, agitado, passou mal, sem
conseguir expressar o que estava sentindo, pedindo para parar com o som de uma
furadeira, por exemplo", relata.
Para
possibilitar a participação das crianças autistas na temporada festiva,
Cristiane Oliveira, Terapeuta Ocupacional da MedAdvance, sugere estratégias
simples para reduzir estímulos excessivos e criar um ambiente mais acolhedor,
tais como: usar máscara para os olhos, tampões ou fones de ouvido em situações
de muito barulho; fornecer óculos escuros e bonés para momentos de muita
claridade; escolher lugares mais tranquilos para festejar, evitando
aglomerações, e oferecer a opção de afastar a criança, por alguns instantes,
para um ambiente mais sossegado, permitindo que ela se autorregule.

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