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quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Calor excessivo pode impactar no ciclo menstrual e na saúde da região

Altas temperaturas e a exposição da pele da região íntima podem desregular os ciclos e pedem cuidados extras. Mariana Betioli, obstetriz especialista em saúde íntima fala sobre alguns cuidados essenciais 

 

À medida que as temperaturas sobem, muitas mulheres notam mudanças em seus ciclos menstruais. Ao longo dos anos e do aumento das temperaturas, estudos surgiram para comprovar como o calor excessivo pode prejudicar a saúde de órgãos como rins e coração. Como a menstruação, não é diferente, altas temperaturas podem influenciar diretamente o equilíbrio hormonal, afetando a regularidade e intensidade do período menstrual. 

Segundo Mariana Betioli, obstetriz especialista em saúde íntima e CEO da Inciclo, "O calor extremo pode desencadear alterações no sistema endócrino, além de vasodilatação e desidratação, resultando em desequilíbrios hormonais que afetam o ciclo menstrual. Algumas mulheres podem experimentar ciclos mais curtos, enquanto outras podem enfrentar períodos mais intensos e desconfortáveis", conta. 

A relação entre o clima quente e a menstruação é complexa e extensa. Além da influência do calor nos ciclos, ele também pode afetar a saúde da região. “A região íntima pede cuidados redobrados no verão. Como a temperatura é mais alta, é ainda mais importante cuidar para que a região fique mais arejada. Fungos e bactérias gostam de lugares quentes e úmidos, então temos que cuidar para manter a vulva mais fresca e seca”, explica a especialista. 

Hábitos como uso de roupas de banho molhadas por longas horas, de roupas apertadas ou calcinhas com tecidos inadequados, e até mesmo o uso prolongado de absorventes descartáveis são desaconselhados e podem, segundo Mariana, levar ao desenvolvimento de doenças como a candidíase e a vaginose bacteriana. “No caso dos absorventes descartáveis, há outros pontos de atenção para a saúde íntima. Os modelos externos, como são feitos de materiais plásticos, evitam a circulação de ar na região, o que além de favorecer a proliferação de bactérias, causa mau cheiro e até infecções. Já os absorventes internos pedem atenção redobrada nas trocas, que devem ser feitas de 4 em 4 horas. O uso prolongado desse tipo de absorvente pode favorecer à proliferação de bactérias na região interna na vagina, o que pode desencadear uma doença chamada Síndrome do Choque Tóxico, que pode ser fatal”, alerta. 

Embora o combo menstruação e verão não seja muito celebrado, Mariana explica que há maneiras de lidar com o sangue que podem minimizar o desconforto. O coletor ou disco menstrual são opções recomendadas pela especialista, que destaca os itens como possibilidades de manter a vulva arejada e, portanto, diminuem o risco de infecções vaginais. Além disso, podem ser usados por até 12 horas seguidas, o que facilita em caso de longos períodos fora de casa ou em viagens. Para quem prefere o uso de absorventes externos, a recomendação da especialista é por modelos reutilizáveis ou calcinhas menstruais, produzidos em tecidos respiráveis e sem plástico.

O contato com a água também pode gerar desconforto para quem está menstruada. “O uso de absorventes descartáveis na água não é recomendado pelo fato deles serem feitos para absorver fluidos e, portanto, perderem sua função em pouco tempo após o contato com a água. Biquinis com tecido absorvente também podem causar acidentes e provocar vazamentos. O ideal para quem quer ficar na água são as opções internas como disco ou coletor”, pontua a especialista. Menstruada ou não, a recomendação é de trocar a roupa de banho molhada sempre que possível, evitando o contato por longas horas do tecido úmido com a pele da região.

Outras secreções vaginais que deixam a região úmida também pedem cuidados; o ideal na visão da obstetriz para quem tem secreções em maior quantidade, é trocar de calcinha ao longo do dia ou usar uma calcinha absorvente que não tenha camadas plásticas. “Protetor diário não é indicado porque abafa a região e aumenta o risco de infecção”, explica. 

O aumento da frequência de banhos também pode influenciar na saúde íntima. Embora a recomendação seja manter a região sempre higienizada, deve-se ter atenção aos produtos utilizados na região. O sabonete íntimo deve ser o mais natural possível, com pH semelhante ao da vagina, para evitar alergia e não causar irritação. Produtos com álcool podem irritar e ressecar a região e devem ser evitados. “Lembrando que devemos lavar somente a vulva. Dentro da vagina não se lava nunca, nem com água e nem com sabonete”, alerta Mariana.

Na hora de dormir, ficar sem calcinha é uma excelente recomendação para a saúde íntima. “O hábito deixa a região arejada, sequinha, além de equilibrar a temperatura”, recomenda.  

A hidratação também é destacada por Mariana como cuidado essencial para a saúde íntima durante a estação. “A hidratação é importante para a saúde sempre. No verão, deve-se redobrar a atenção pois há mais risco de desidratação por conta do calor. Além de essencial para o funcionamento do organismo como um todo, manter-se hidratada ajuda a equilibrar os níveis hormonais e garantir o fluxo sanguíneo adequado, evitando possíveis alterações no ciclo”, finaliza.

 

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