Durante o 10° Fórum de Controle dos Cânceres Femininos, FEMAMA e as 70 ONGs associadas, dedicadas à causa do câncer feminino, definiram as medidas prioritárias para conter a epidemia oncológica no Brasil, estabelecendo as cinco resoluções mais importantes para 2024 no sentido de proteger as mulheres, com medidas preventivas, e sensibilizar a esfera política para aprovação de leis e projetos em prol das pacientes
“Não
é mais possível negligenciar a condição alarmante na qual vivemos com relação
aos cânceres no Brasil”, alerta Maira Caleffi, Chefe do Serviço de Mastologia
do Hospital Moinhos de Vento, Fundadora e Presidente Voluntária da FEMAMA, e
Presidente do Conselho de Diretores do IGCC (Instituto de Governança e Controle
do Câncer), durante o 10° Fórum de Controle dos Cânceres Femininos. O evento,
organizado por FEMAMA – Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas em
Apoio à Saúde da Mama, durou dois dias e contou com os principais nomes da
saúde nacional relacionados à causa oncológica no Brasil. Ongs, Associações,
Federações, Instituições, médicos, pacientes e seus familiares se reuniram para
discutir sobre os cânceres femininos e para eleger as frentes de atuação de
FEMAMA para 2024 no intuito de reverter a curva ascendente da incidência e da
mortalidade no país. “Até 2035, a principal causa de mortalidade no mundo será
o câncer e não mais as doenças cardiovasculares como historicamente é há muitos
anos”, explica Abraão Dornellas,oncologista no Hospital Albert Einstein
e integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer, que
palestrou durante o Fórum.
Mamógrafos mal distribuídos
Mesmo
com a tendência da evolução da doença, a estrutura de atendimento no país ainda
é precária. “Há pacientes que precisam viajar mais de 500 km para fazer uma
mamografia. É inadmissível”, comenta André Sasse, médico oncologista da
Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica. E a disparidade não diz respeito
apenas às regiões do país mas também ao atendimento público e privado da saúde.
“Vou dar um exemplo: na saúde suplementar, acompanho pacientes que demoraram
apenas 7 dias entre a desconfiança do câncer e o início do tratamento. Já na
rede pública há mulheres que demoram até 555 dias, estamos falando de quase
dois anos”, completa André Sasse. Outra causa na qual FEMAMA se debruçará em
2024 é a liberação de mais medicações para o tratamento oncológico via SUS.
“Nos últimos anos tivemos muitas medicações incorporadas pelo SUS e isso é
muito bom. Porém, ainda temos um patamar inferior ao de outros países e
precisamos batalhar para conseguir mais”, incentiva Renata
Curi Hauegen, advogada, doutora em políticas públicas e diretora da Prospectiva
Public Affairs Latam, também palestrante do 10° Fórum.
Acompanhe
a seguir os principais eixos de trabalho de FEMAMA para 2024.
AS 5
RESOLUÇÕES DO 10° FÓRUM PARA REVERTER O CENÁRIO ONCOLÓGICO NO BRASIL
- Cobrar
o cumprimento das leis e pressionar pelo acesso à medicação
“As
leis podem ajudar a reduzir significativamente a mortalidade se saírem do papel
e forem aplicadas. Avançamos nas conquistas jurídicas, mas, falta a execução
efetiva das normativas para todos independentemente da condição socioeconômica
do paciente”, explica Maira Caleffi, fundadora e presidente voluntária de
FEMAMA. Nas últimas duas décadas, o Brasil atingiu um patamar jurídico melhor
com a aprovou da Lei dos 30 Dias (determina que exames para o diagnóstico sejam
realizados, no máximo, um mês após suspeita de câncer) e a Lei dos 60 dias
(exige que o tratamento seja iniciado 60 dias após confirmação da doença), mas
infelizmente a aplicabilidade das leis ainda é precária. É preciso que a
sociedade conheça essas leis e exija o cumprimento. É preciso também que o
governo crie instrumentos para monitorar e garantir a aplicabilidade.
Pleito1: Garantir o cumprimento dos direitos do paciente
oncológico, sobretudo no que se refere à disponibilização de medicamentos
incorporados pelo governo federal, garantindo pleno acesso aos usuários do SUS.
- Possibilitar o acesso ao
diagnóstico avançado
O câncer de mama possui 95% de chances de cura se diagnosticado
precocemente. Essa porcentagem cai vertiginosamente com o avançar do tempo. “O
câncer é uma doença crono-dependente, cada dia sem o diagnóstico é um prenúncio
de agravamento. Cerca de 1/3 das mortes poderiam ser evitadas com ações
preventivas mais efetivas”, afirma Ricardo Caponero, oncologista e diretor do
comitê científico de FEMAMA. A federação e a sua rede de ongs têm como meta
para 2024 reforçar a importância da aprovação dos testes genético e genômico pelo
SUS. O primeiro identifica se a mulher obtém o gene que favorece o
desenvolvimento do câncer, possibilitando medidas preventivas para proteger
essa paciente. O genômico auxilia, principalmente, a entender por que o câncer
está crescendo e dá pistas de como optar pelo tratamento mais eficaz.
Pleito 2: Incentivar a inclusão da
testagem genética e genômica para prevenção e detecção precoce de cânceres de
mama e ovário no SUS através da aprovação de Lei Federal.
- Qualificar os profissionais da
saúde
Há um consenso em FEMAMA e suas associadas de que o câncer tem de
ser um assunto da saúde básica. “Não é possível esperar que a mulher seja
encaminhada para um especialista para ter o diagnóstico do câncer de mama. Os
exames preventivos deveriam ser uma obrigatoriedade para todas as mulheres que
passam na saúde básica no SUS. É como a vacina. A pessoa passa no SUS e é
vacinado, sem burocracia. Queremos que isso aconteça com a mamografia. Foi ao
médico no SUS tem que sair com um pedido de mamografia, como um exame de rotina
principalmente para as mulheres a partir dos 50 anos”, comenta Maira Caleffi.
Para tanto, é preciso um novo entendimento do governo com relação à saúde da
mulher mas também é necessário preparar os profissionais da saúde para atender
essa mulher e ter conhecimento sobre o diagnóstico precoce dos cânceres
femininos e as medidas de contenção dessa epidemia. FEMAMA tem como objetivo o
letramento em câncer (ensinar sobre a doença, a prevenção, o diagnóstico e o
tratamento) em todas as esferas brasileiras, dos profissionais de saúde à
população.
Pleito 3: Acompanhar e apoiar a
qualificação dos profissionais da Atenção Primária em Saúde, contribuindo para
a conscientização sobre o câncer em todos os níveis do sistema público de
saúde.
- Mobilizar o governo
A qualidade de vida de um paciente com câncer e sua sobrevida
dependem em muito das decisões do legislativo e executivo nas esferas
municipal, estadual e federal. Portanto é fundamental sensibilizar a classe
política quanto às causas oncológicas e criar efetivamente um espaço de diálogo
entre a população e os políticos que definem as ações de políticas públicas de
saúde no Brasil. A possibilidade dessa troca interfere efetivamente nos planos
de contenção da doença e nos atendimentos aos pacientes. Um exemplo é a
aprovação do senado, no final de novembro, de dois projetos fundamentais para
os pacientes com câncer e também para redução da incidência da doença no país.
Eles são: a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer e o Programa
Nacional de Navegação da Pessoa com Diagnóstico do Câncer. FEMAMA, ongs
associadas e muitos atores públicos atuaram para engajar os senadores nessas
causas e o resultado foi muito positivo.
Pleito 4: Ampliar as ações em prol da
participação social da população e sobretudo de pacientes oncológicos nos
espaços de decisão dos poderes executivo e legislativo, nos níveis municipal,
estadual e federal.
- Envolver a população nas causas
para controle do câncer
“A mobilização social ajuda efetivamente nas políticas públicas em
prol ao paciente com câncer”, afirma Renata Curi Hauegen, advogada, doutora em
políticas públicas e diretora da Prospectiva Public Affairs Latam, que
palestrou no 10° Fórum. A aprovação para que os Inibidores de Ciclina fossem
disponibilizados pelo SUS é um exemplo de como o apoio da população interfere
nas decisões. O público participou por meio de campanhas nas redes sociais,
acompanhando audiências públicas, elaborando abaixo-assinados e, depois desse
rol de ações, essa droga foi incorporada. Uma das principais metas de FEMAMA
para 2024 é ampliar a visibilidade das causas oncológicos no país, mobilizando
mais pessoas e organizações para fortalecer o controle dos cânceres femininos.
Pleito 5: Ampliar as ações de visibilidade da causa dos pacientes oncológicos, mobilizando mais pessoas e organizações para fortalecer a Rede FEMAMA no enfrentamento e controle dos cânceres femininos.
FEMAMA - Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama
femama܂org܂br
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