Na variação
mensal, os preços de seis dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados
tiveram alta em novembro. A maior variação (0,63%) e o maior impacto (0,13
p.p.) vieram de Alimentação e bebidas. Os grupos Habitação (0,48%) e
Transportes (0,27%) também influenciaram a alta.
A alimentação no
domicílio subiu 0,75% em novembro, influenciada pelas altas da cebola (26,59%),
batata-inglesa (8,83%), arroz (3,63%) e carnes (1,37%). Esse grupo tem peso de
16% no IPCA, portanto, as quedas nas variações mensais de preços desse grupo
até setembro foram importantes para o desempenho brando do índice de inflação.
Em 12 meses, o grupo ainda sustenta deflação.
Os analistas estão
de olho na possibilidade de alta nos preços agropecuários na virada do ano
devido ao fenômeno climático El Niño. Os meteorologistas da agência americana
alertam que o fenômeno pode afetar as condições climáticas no Brasil, causando
chuvas acima da média no Nordeste e Sul do país, e secas no Centro-Oeste e
Sudeste.
No grupo Habitação
(0,48%), os preços da energia elétrica residencial (1,07%) subiram, por conta
dos reajustes em quatro áreas: Goiânia (6,13%); Brasília (4,02%); São Paulo
(2,80%), de 6,79% em uma das concessionárias pesquisadas; e Porto Alegre
(0,91%), de 1,41% em uma das concessionárias pesquisadas.
No grupo dos
Transportes (0,27%), o resultado foi influenciado pelo aumento nos preços da
passagem aérea (19,12%), os preços da gasolina (-1,69%) e do etanol (-1,86%)
caíram.
Apesar dessas
observações de alta, o qualitativo do IPCA segue positivo, com média dos núcleos
abaixo do esperado. Ou seja, grupos de preços que são acompanhados atentamente
pelo Banco Central – que tem menos volatilidade e estão atrelados ao desempenho
da atividade econômica – parecem compatíveis com a convergência para meta de
inflação. Entretanto, isso não significa que o Banco Central irá acelerar o
ritmo de corte de juros nesse momento.
Nos últimos meses, a elevação dos juros norte-americanos e a incerteza quanto à meta fiscal para 2024 embalaram o tom de cautela nos documentos do Banco Central sobre a perspectiva da Selic. Embora as projeções para IPCA estejam ao redor de 4,5% em 2023 e 3,9% em 2024, um cenário favorável, muitos economistas passaram a projetar que a Selic não teria condições de cair para o patamar abaixo de 10% no próximo ano. No Focus as projeções para Selic 2024 ainda estão em 9,25%.
O cenário
inflacionário e as condições para manutenção do corte de juros precisam ser
acompanhados atentamente, dia após dia, sendo difícil vislumbrar os juros ao
fim do ciclo.
Camila Abdelmalack - economista chefe da Veedha Investimentos

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