Equipe de cardiologia do Einstein analisou
proteínas ligadas à inflamação sanguínea e calcificação das artérias; Ao todo,
170 pacientes participaram do estudo
De
forma simples, barata e com resultados rápidos, os exames de sangue conseguem
identificar uma série de alterações no funcionamento do nosso corpo que podem
interferir na saúde. É possível, por exemplo, medir o colesterol, identificar a
falta de vitamina D, analisar o funcionamento dos rins. Mas imagine só se a
análise em laboratório de alguns mililitros de sangue fosse capaz de
identificar bem precocemente placas de gordura e cálcio das artérias do
coração?
Um
estudo liderado pelo cardiologista da Sociedade Beneficente Israelita
Brasileira Albert Einstein Eduardo Pesaro com 170 pacientes mostrou que duas
proteínas encontradas no sangue podem ser capazes de identificar ainda em fase
inicial este tipo de lesão arterial, prevenindo assim doenças como o infarto do
miocárdio com boa antecedência. Dessa forma, no futuro, o diagnóstico poderá
ser feito por testes sanguíneos.
Polícia
e bandido
A
pesquisa foi dividida em duas partes e analisou oito proteínas ligadas à
inflamação sanguínea e calcificação das artérias – mecanismos ligados ao
entupimento das coronárias. Na primeira delas, foram verificados resultados de
exames de 100 pacientes com calcificação coronária e comparados com um grupo
controle (pacientes saudáveis) com o objetivo de descobrir quais proteínas
apareceriam em níveis elevados. Neste primeiro grupo, o estudo mostrou que o
aumento das proteínas MGP e RANKL no sangue indicam o risco até três vezes
maior de doença coronária. A RANKL é uma das proteínas responsáveis pela calcificação
das artérias. Já a MGP atua na remediação da quantidade de cálcio nas artérias.
“Para
ficar simples de entender: é como bandido e polícia onde a RANKL é o bandido e
a MGP atua como polícia em ralação à calcificação vascular. Se a polícia
aparece é porque há algo de errado nas coronárias. Não deveria haver cálcio nos
vasos”, explica Pesaro.
A
outra parte da pesquisa analisou exames de sangue de 40 pacientes que tiveram
infarto agudo do miocárdio. “Para este caso, a pergunta feita no estudo foi se
o aumento da inflamação sanguínea causada pelo infarto está relacionado à
elevação de algum biomarcador de calcificação. E a resposta, após análises de
todos os exames de sangue, foi sim”, diz Pesaro. O estudo comparou amostras de
sangue de pacientes que sofreram infarto recolhidas no terceiro dia pós evento
e 60 dias depois e verificou aumento de 23% na MGP nos exames realizados dois
meses depois. “Isso mostra que após um episódio inflamatório severo, há
elevação dessa proteína na tentativa de o organismo reduzir as consequências de
calcificação do vaso após o infarto”, afirma o cardiologista do Einstein
Atualmente
existem apenas duas formas de identificação das placas de gordura e cálcio nas
veias. A mais comum delas é o teste ergométrico. Também conhecido como teste de
esforço físico, ele identifica a obstrução das coronárias, arritmia, falta de
ar ou cansaço. “O problema é que ele não consegue identificar placas na fase
inicial, mas sim a partir de 70%, 80% de entupimento e acaba não sendo um exame
suficientemente preventivo”, explica Pesaro.
A
outra forma diagnosticar a doença na artéria é a tomografia de coronárias.
“Este é um exame moderno que consegue identificar bem no início as placas. Mas
ele é caro e tem radiação”, completa.
O
estudo foi publicado em setembro de 2018 na revista científica Plos One.
“É uma pesquisa que dá subsídio para testes em uma escala maior e, futuramente
aplicação”. Estamos no caminho certo para um check-up do coração mais barato e
que consiga prevenir com boa antecedência a aterosclerose”, diz o cardiologista
do Einstein.
Nenhum comentário:
Postar um comentário