Cardiologista
Dr. Neif Musse aponta que hábitos como jantar tarde e não tomar café da manhã
podem ser fatores cruciais para doenças cardiovasculares também em pessoas
saudáveis
Dr.
Neif Musse aponta que hábitos alimentares irregulares podem aumentar risco de
infarto também em pessoas saudáveis - Créditos: Dr. Neif Musse
Hábitos
irregulares como jantar tarde ou não tomar o café da manhã podem aumentar o
risco de óbito em pacientes acometidos com infarto agudo com
supradesnivelamento do segmento ST (IAMCST). Isso é o que diz estudo realizado
pelo médico e mestrando Guilherme Neif, da Faculdade de Medicina da Unesp
(Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho").
A
pesquisa coletou dados de 113 pacientes, atendidos na Unidade de Terapia
Intensiva Coronariana (UTI-UCO) do Hospital das Clínicas da Faculdade de
Medicina de Botucatu (HC-FMB). Desse total de pacientes, seis deles vieram à
óbito, sendo quatro enquanto estavam hospitalizados e dois após alta.
A
pesquisa, realizada entre agosto de 2017 e agosto de 2018, constatou que desse
universo de pacientes que morreram, 51,3% jantavam tarde e 57,5% não tomavam
café da manhã. Além disso, 40,7% deles combinavam os maus hábitos, ou seja,
jantavam fora de hora e tiravam o café da manhã da dieta. A análise foi feita com
pacientes durante a internação e após 30 dias da alta hospitalar.
A
pesquisa é considerada pioneira, pois até então, estudos sobre hábitos
alimentares irregulares foram realizados apenas com pacientes saudáveis, e
avaliaram que não tomar café da manhã e jantar tarde aumentavam também o risco
para diabetes mellitus tipo 2, circunferência abdominal e pressão arterial.
Dieta
irregular: risco de infarto em pessoas saudáveis
Jantar tarde e não tomar o café da manhã também pode ser um fator de risco
primordial para infarto agudo do miocárdio em pessoas saudáveis. Um estudo
americano publicado na revista científica Circulation, em 2013, concluiu que
participantes saudáveis que não tomavam café da manhã tiveram risco relativo
27% maior de apresentarem doenças cardiovasculares independente da estratégia
dietética adotada.
Outros
estudos ainda apontaram a relação da dieta inadequada com problemas como
obesidade e síndrome metabólica, que é o conjunto de doenças cuja base é a
resistência à insulina.
O
cardiologista e geriatra Dr. Neif Musse indica que uma dieta irregular para
pacientes e pessoas saudáveis é um fator crucial para o surgimento de doenças
cardiovasculares. “Em questões de dieta, não existe uma fórmula perfeita. Mas,
o mais indicado seria adotar a dieta do Mediterrâneo, muito rica em vegetais,
legumes, carnes brancas, oleaginosas, frutas e carboidratos integrais”,
concluiu o cardiologista.
No Brasil, de todas as doenças cardiovasculares, o infarto é a segunda
com mais casos de morte, 85,9 mil, ficando atrás
apenas do AVE (Acidente Vascular Encefálico), com 100 mil casos. No mundo, em
2020, o infarto será responsável por 32% dos óbitos.
DR. NEIF MUSSE - Formado
em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e mestre pela
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Neif Sathler Musse completou 34 anos
de profissão em 2018. Com especialização em cardiologia e geriatria e
gerontologia, tem forte vivência em docência médica, sendo criador da
"Escola de Aperfeiçoamento Médico" e de um método diferenciado para o
ensino de eletrocardiografia, que já capacitou mais de 15 mil profissionais de
Saúde no Brasil, a maioria deles nas áreas de cardiologia, medicina intensiva,
anestesiologia e clínica médica. Dentre os cursos ministrados pelo Dr. Neif
estão em destaque: "Eletrocardiograma teórico-prático",
"Preparatório para plantões médicos" e "Radiografias e
tomografias do tórax para os clínicos", que acontecem em Belo Horizonte,
Juiz de Fora e no Rio de Janeiro. Ainda em 2018, lançou o curso on-line de
eletrocardiograma, em que o aluno tem à disposição o download de material
didático inédito com mais de 3 mil laudos individuais. Além das aulas, o médico
realiza atendimentos em consultórios no Rio de Janeiro e Juiz de Fora e faz
questão de manter visitas regulares, em domicílio, aos pacientes idosos, por
acreditar na importância da relação próxima entre o médico e o paciente como
fator decisivo no processo terapêutico. A agenda se completa com plantões
semanais em unidade cardiointensiva.
O
médico ainda divide o tempo com a produção de livros e já publicou as obras
"Casco vazio de ser humano – Crônicas sobre a morte" e "Estou
infartando. E agora?". Para 2019, prepara o lançamento de “O Pacto do
futuro médico”.

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