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quinta-feira, 12 de março de 2026

Irregularidade no título eleitoral pode gerar restrições legais e multa, alerta especialista

Advogado especialista em Direito Eleitoral orienta eleitores sobre riscos de manter o documento irregular


Com a proximidade do calendário eleitoral, cresce a atenção para a regularização do título de eleitor. Quem deixa de votar e não justifica a ausência pode enfrentar uma série de consequências legais, que vão desde o pagamento de multa até restrições em serviços públicos e atos da vida civil.

Segundo o advogado especialista em Direito Eleitoral Newton Lins de Carvalho, manter a situação eleitoral regular é fundamental para evitar impedimentos que muitas pessoas desconhecem.

“Quem não resolve essa pendência pode continuar com o título irregular e, em alguns casos, até ter o documento cancelado. Na prática, isso pode impedir a pessoa de votar e trazer outros transtornos no dia a dia”, explica.

Além dessas limitações, a legislação eleitoral prevê multa para quem deixa de votar e não apresenta justificativa dentro do prazo determinado pela Justiça Eleitoral.

“Quem deixou de votar e não justificou a ausência normalmente precisa pagar multa para regularizar a situação. Hoje isso pode ser resolvido de forma mais simples, inclusive pelos canais digitais da Justiça Eleitoral”, afirma o especialista.

Outro ponto de atenção envolve quem deixou de votar em mais de um turno eleitoral. Segundo o advogado, muitas pessoas não sabem que cada turno é considerado uma eleição diferente pela Justiça Eleitoral.

“Para a Justiça Eleitoral, cada turno conta como uma eleição. Então, se a pessoa faltou ao primeiro e ao segundo turno, já são duas ausências. Se houver ausência em três eleições consecutivas, sem justificativa ou pagamento das multas, o título pode ser cancelado”, alerta.

A irregularidade também pode trazer restrições em diversos serviços e direitos civis.

“A pessoa pode ter dificuldade para tirar passaporte, tomar posse em concurso público, renovar matrícula em instituição oficial de ensino e obter documentos que exigem quitação eleitoral”, destaca.

Por isso, a recomendação é verificar a situação eleitoral com antecedência e evitar transtornos.

“A orientação é consultar a situação eleitoral nos canais oficiais da Justiça Eleitoral, como o portal do TSE, o Autoatendimento Eleitoral, o aplicativo e-Título ou diretamente no cartório eleitoral”, orienta.

Para o especialista, resolver a pendência o quanto antes pode evitar problemas futuros.

“O eleitor não precisa entrar em pânico porque está com uma pendência vinculada ao título, mas também não deve deixar para depois. Título irregular pode virar dor de cabeça justamente quando a pessoa precisa resolver outra questão da vida civil”, conclui.


Firmeza, emoção e a régua desigual que pune a fala das mulheres no trabalho


Em muitas empresas, existe uma conversa paralela que pesa mais do que a pauta da reunião e ela se trata sobre como uma mulher falou. Antes mesmo de o argumento ser analisado, avalia-se o “tom”, se foi firme demais, se foi emocional demais, se “passou do ponto”. O efeito é sutil, mas profundo e a liderança feminina passa a ser medida por um conjunto de expectativas contraditórias. 

Defendo que esse policiamento do “tom” não é um detalhe de etiqueta corporativa. Ele é, na verdade, um mecanismo de poder que restringe quem pode ocupar autoridade com naturalidade. E é por isso que a assertividade feminina costuma ser confundida com agressividade, por que a emoção vira atalho para questionar competência. 

Não é “sensibilidade” individual nem um mal-entendido pontual. É um viés cultural que atravessa a forma como avaliamos competência. Em muitas empresas, ainda se espera que a fala feminina seja mais doce, acolhedora e musicalizada. Ao mesmo tempo, o estilo considerado “profissional” e “assertivo” continua associado ao modelo masculino de autoridade. O resultado é uma régua desigual, pois o mesmo comportamento é lido de maneiras opostas dependendo de quem fala. 

Eu chamo de “mito do tom certo” a expectativa de que a mulher lidere sem jamais soar incisiva, como se firmeza e educação fossem incompatíveis quando vêm de uma voz feminina. Na prática, basta um “vamos decidir hoje” ou um “isso não faz sentido” para surgir o comentário paralelo: “Calma, não precisa ser agressiva”. O recado é claro: para ser ouvida, ela precisa se policiar; para ser respeitada, precisa não incomodar. 

Outro capítulo desse viés aparece quando a emoção entra na sala. Um homem que se emociona pode ser visto como “humano”, “verdadeiro”, “liderando com vulnerabilidade”. Já uma mulher que demonstra emoção corre o risco de virar pauta: “Será que aguenta pressão?”. O problema não é a emoção, é a autorização social para senti-la sem ser punida. E essa punição costuma vir justamente onde dói, em avaliações subjetivas, promoções e espaço de decisão. 

Diante disso, não surpreende que muitas profissionais tentem “masculinizar” a presença: engrossam a voz, endurecem gestos, adotam uma fala mais seca. Eu entendo a estratégia de sobrevivência, mas ela cobra caro, porque transforma a liderança em performance constante. Alguns dirão que “o problema é comunicação” e que basta a mulher “aprender a se colocar”. Eu discordo. A comunicação é parte do caminho, mas o centro do problema é o filtro com que a audiência interpreta a fala feminina. 

Minha posição é simples: não adianta pedir que mulheres “ajustem o tom” se a organização continua premiando um único estilo de autoridade. É preciso mexer no sistema de avaliação e no jeito como o feedback é dado porque, do contrário, a comunicação vira mais uma camada de exigência sobre quem já está tentando provar competência o tempo todo. 

Também defendo que treinamentos de comunicação sejam usados com um objetivo claro, o de dar repertório para que mulheres não precisem escolher entre ser respeitadas e ser “agradáveis”. Uma ferramenta simples é devolver o rótulo em forma de pergunta: “o que exatamente eu fiz que soou agressivo?”. Isso obriga o outro a sair do julgamento e entrar no campo do observável. 

Há, ainda, um ponto que quase não entra na conversa: diversidade também é diversidade de linguagem. Existem muitos jeitos de falar, discordar, argumentar e liderar entre mulheres e entre homens. Quando o ambiente corporativo espera que toda líder feminina soe igual, ele não está “padronizando”, está estreitando a ideia do que é competência. 

No fim, essa discussão não é sobre técnica vocal nem sobre “etiqueta” de reunião. É sobre poder. Quem pode ser direto, quem pode se emocionar, quem pode discordar sem ter a reputação corroída. Se empresas querem mesmo reter e promover mulheres, precisam parar de vigiar o “tom” e começar a vigiar seus próprios critérios. A pergunta que vale é: estamos avaliando resultados ou apenas punindo quem não se parece com o modelo antigo de autoridade?

 

Juliana Algodoal - Considerada uma das maiores especialistas em Comunicação Corporativa do país, Juliana Algodoal é PhD em Análise do Discurso em Situação de Trabalho – Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem e fonoaudióloga pela PUC/SP e fundadora da empresa Linguagem Direta. Ao longo de 37 anos de carreira, Juliana já apoiou quase 11 mil profissionais tendo como foco nos últimos seis anos a alta liderança. Com o desenvolvimento de projetos que buscam aprimorar a interlocução no ambiente empresarial, já atuou para a BASF, Porto Seguro, Novartis, Pfizer, Aché, Itaú, Citibank, Unimed Nacional, Samsung, dentre outras. É coautora do livro Thought Leadership: muito além da influência e membro do conselho de administração da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, que também já presidiu.



Gi Group abre 200 vagas para recenseadores em mais de 60 municípios do interior de São Paulo

Oportunidades são para atuação em campo em projeto ligado ao desenvolvimento regional; inscrições vão até 19 de março

 

 

A Gi Group, multinacional italiana de recursos humanos, está com 200 vagas abertas para recenseador em um projeto realizado para uma Fundação de Desenvolvimento, com atuação em mais de 60 municípios do estado de São Paulo. As inscrições estão abertas até 19 de março.

 

Os profissionais contratados irão atuar em campo, realizando visitas domiciliares em áreas urbanas e rurais, com o objetivo de coletar informações socioambientais relacionadas ao saneamento rural, contribuindo para o mapeamento de dados que apoiam políticas públicas e iniciativas de desenvolvimento regional.

 

As vagas estão distribuídas em municípios das regiões Centro-Oeste Paulista, Sudoeste Paulista, Vale do Paraíba/Serra da Mantiqueira e região de Sorocaba. Entre as cidades contempladas estão Águas de Santa Bárbara, Agudos, Alvinlândia, Bernardino de Campos, Duartina, Gália, Iaras, Lucianópolis, Paulistânia, Timburi, Ubirajara, Assis, Paraguaçu Paulista, Tarumã, Bastos, Quatá, Campos do Jordão, Lorena, Pindamonhangaba, São Bento do Sapucaí, Alumínio, Ibiúna, Piedade, Salto de Pirapora, Sarapuí, Tapiraí, entre outras.

 

Os profissionais selecionados serão responsáveis por realizar entrevistas com moradores, registrar informações em formulários digitais, coletar coordenadas geográficas, produzir registros fotográficos e garantir a qualidade e veracidade dos dados coletados. A função também envolve a utilização de aplicativos, GPS e dispositivos móveis, além da participação em treinamentos e reuniões do projeto.

 

A contratação é CLT, com carga horária de 40 horas semanais, de segunda a sexta-feira, e remuneração de R$ 2.055,48. O pacote de benefícios inclui vale-refeição de R$ 31 por dia (com 20% de desconto), vale-alimentação de R$ 174,10 sem desconto, assistência médica Amil sem desconto, assistência odontológica, vale-transporte conforme necessidade, além de tablet, uniforme e carro da empresa para profissionais habilitados.

 

Para participar do processo seletivo é necessário ter ensino médio completo. Entre os requisitos desejáveis estão CNH válida, disponibilidade para viagens, familiaridade com dispositivos móveis e aplicativos, noções de leitura de mapas e coordenadas geográficas, além de boa comunicação e organização. As vagas são extensivas a pessoas com deficiência.

 

Os interessados podem se inscrever pelo link:

https://linktr.ee/vagasgigroup6

 

Gi Group Holding
http://www.gigroupholding.com.br


Violência digital: Univali reforça papel da família e da educação

iStock / jakkapan21
Especialista do curso de Psicologia analisa dados do UNICEF e aponta caminhos para prevenir abusos na internet

 

O cenário da segurança digital no Brasil ganhou um novo e severo alerta com o lançamento do relatório "Disrupting Harm in Brazil: Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia". O estudo, realizado pelo Fundo das Nações Unidas pela Infância (UNICEF) em parceria com a organização internacional ECPAT e a Interpol, e financiado pela Safe Online, revela que um em cada cinco adolescentes brasileiros foi vítima de violência sexual em meios digitais no último ano.

Diante desse dado, que representa cerca de 3 milhões de jovens entre 12 e 17 anos, a professora Juliana Vieira, do curso e Mestrado em Psicologia da Univali, analisa que a vulnerabilidade nesse ambiente está ligada a necessidades emocionais típicas da idade, como a busca por pertencimento e validação social. Segundo a especialista, agressores utilizam a "desinibição online" para reduzir a percepção de risco das vítimas.

"Crianças e adolescentes estão em uma fase do desenvolvimento marcada pela busca de pertencimento, validação social e construção da identidade. No ambiente digital, essas necessidades podem ser exploradas por agressores que utilizam estratégias de aproximação emocional, elogios e promessas de amizade ou apoio", destaca a professora.

 

O desafio do silêncio e o "Grooming"

A pesquisa aponta que um terço das vítimas não contou o ocorrido a ninguém, principalmente por vergonha ou medo de não ser acreditada. Juliana explica que o processo de aliciamento, conhecido internacionalmente como grooming, ocorre de forma gradual e muitas vezes sob a promessa de uma "relação especial". Para a docente, o combate a essa manipulação exige que as famílias construam um ambiente de escuta ativa e confiança mútua.

"A principal estratégia é construir um clima de confiança antes que o problema aconteça. Isso envolve conversas regulares sobre internet, relacionamentos e limites, sem julgamento ou punições precipitadas. Quando a criança ou adolescente percebe que será ouvido com respeito, aumenta a probabilidade de procurar os pais diante de situações difíceis", afirma Juliana.

 

Formação profissional na Univali

A Univali atua diretamente no enfrentamento dessa nova configuração de violência, integrando o tema à formação de seus acadêmicos. De acordo com a professora, o papel da Psicologia é central na compreensão dos impactos do trauma e das dinâmicas de interação digital.

Atualmente, Juliana coordena um projeto de pesquisa da FAPESC que capacita professores como multiplicadores do uso consciente da tecnologia, reforçando que a proteção da infância depende de educação digital e políticas públicas eficientes.

"A psicologia tem um papel central tanto na prevenção quanto no atendimento às vítimas. Isso envolve compreender os processos de desenvolvimento, os impactos psicológicos do trauma e as dinâmicas de interação digital. No contexto universitário, é fundamental integrar conteúdos sobre saúde mental, violência, comportamento online e ética profissional", conclui a docente.

 


Thiago Toscani - Analista de Comunicação. Gerência de Marketing e Comunicação
Bloco B7, Sala 102 | Campus Professor Edison Villela (Itajaí)
(47) 3341-7889 | toscani@univali.br

 

Banco Master e STF: o conflito entre a legalidade formal e a legitimidade moral


O recente escândalo envolvendo o Banco Master e o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), recolocou no centro do debate público um tema estrutural do Estado brasileiro: a necessidade de códigos de conduta claros, objetivos e vinculantes para membros do Judiciário, especialmente para a Mais Alta Corte do País. 

A controvérsia não se limita à análise estrita da legalidade. Mesmo que determinada conduta não configure crime ou infração formal, há situações em que a mesma afronta princípios elementares da ética pública. 

No caso em questão, a discussão sobre vínculos financeiros com instituição que figura em processos sob relatoria do ministro evidencia um problema clássico do Direito Público contemporâneo: o conflito entre legalidade formal e legitimidade moral. 

No âmbito do Estado Democrático de Direito, a validade das decisões judiciais não decorre apenas da competência constitucional do órgão julgador. Ela depende, também, da confiança social na imparcialidade objetiva e subjetiva de seus membros. Quando um magistrado atua em processo envolvendo instituição com a qual mantém relações financeiras, ainda que posteriormente se declare impedido ou seja afastado, instala-se um dano institucional difícil de reparar. 

O Supremo, embora tenha normas internas e esteja submetido à Lei Orgânica da Magistratura, não dispõe de um código de conduta próprio, detalhado e publicamente estruturado nos moldes de Tribunais Constitucionais de outras Democracias consolidadas. A ausência de parâmetros objetivos sobre conflitos de interesse, investimentos financeiros, participações societárias e relações privadas de ministros abre margem para interpretações casuísticas – e, pior, para suspeitas recorrentes. 

O debate não deve ser personalizado, mas, sim, institucional. O problema não é apenas um ministro do STF ou um episódio específico. Trata-se de compreender que o desenho constitucional brasileiro, fundado na tripartição dos poderes, exige mecanismos efetivos de freios e contrapesos. Quando o Judiciário se apresenta como instância última de controle dos demais poderes, sua responsabilidade ética é redobrada. 

A inexistência de um código de ética robusto para ministros do Supremo fragiliza o sistema de accountability institucional. Em qualquer Democracia madura, conflitos de interesse são tratados preventivamente, com regras claras de transparência patrimonial, impedimentos automáticos e protocolos objetivos de afastamento. Não se trata de criminalizar relações privadas legítimas, mas de evitar que comprometam – ou aparentem comprometer – a neutralidade decisória. 

Além disso, escândalos envolvendo instituições financeiras e autoridades judiciais afetam a credibilidade do País, a segurança jurídica e a confiança do mercado. A leniência ou a percepção de impunidade em casos de potencial conflito de interesses corrói a autoridade moral do Judiciário e alimenta o descrédito nas instituições. 

É importante frisar: o fortalecimento de códigos de conduta não enfraquece o STF; ao contrário, o protege. Regulamentos não são instrumentos de perseguição, mas de blindagem institucional. Eles resguardam o magistrado de suspeitas e preservam a Corte de crises recorrentes de legitimidade. 

Em última análise, a credibilidade do Judiciário é um dos pilares da Democracia. Sem confiança na imparcialidade das decisões, se enfraquece o próprio pacto constitucional. E, em matéria de ética pública, prevenir é sempre mais eficaz, e menos custoso, do que remediar.

 

Paulo Serra - especialista em Gestão Governamental e em Políticas Públicas, pela Escola Paulista de Direito; e em Financiamento de Infraestrutura, Regulação e Gestão de Parcerias Público-Privadas (PPPs), pela Universidade de Harvard (Estados Unidos); cursou Economia, na Universidade de São Paulo (USP); é graduado em Direito, pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo-SP; professor universitário no curso de Direito, também é 1º vice-presidente da Executiva Nacional do PSDB e presidente do Diretório Estadual do PSDB de São Paulo; foi prefeito de Santo André-SP de 2017 a 2024.



Armadilhas da redução da jornada

 

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“A lei não é atenta à economia moderna, acaba propondo trocar trabalho ruim por tempo livre pior” 

 

A capacidade que a política tem de estragar uma ideia boa é assustadora. Dizer que é pesquisa de opinião perguntar a alguém se quer trabalhar menos e ganhar mais, sem indagar qual a consequência da resposta, é abuso do privilégio de mensurar. Crença, necessidade e desejo, na sociedade digital de imitação que vivemos, não é ideia nova, mas estímulo para embarcar em ideia pronta. Defender uma lei para outros cumprirem é hipnotismo da justiça sobre a liberdade, diante das consequências econômicas e psicológicas diversas.

A lei não é atenta à economia moderna, acaba propondo trocar trabalho ruim por tempo livre pior. Aumentando o superpoder do patrão digital das nuvens para usar, de forma gratuita, informações pessoais em aplicativos e redes sociais. A economia digital quer todos de tempo livre para ampliar a soberania cognitiva sobre as pessoas.

Quem só tem o tempo para vender recebe menos. Quem se prepara melhor, recebe mais. Justiça é melhorar o emprego concedendo tempo disponível para maior qualificação profissional, com o apoio público e privado.

A retórica não pode ser maior do que a análise de dados. O excesso de fundamentação simbólica dos debates enfraqueceu o legislador e fez prevalecer o fiscal da lei sobre a própria lei. Alienação agravada pela constitucionalização de quase tudo. Leis mal feitas deram ao Judiciário a coparticipação ativa na vigilância da liberdade, fez de juízes legisladores, sem ter poder originado do voto popular.

A Constituição de 1988 é clara em seu Art. 7º, Inciso XIII: Duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho.

Reduzir jornada e definir escala já é lei. Novas práticas de trabalho em busca de menor exaustão e mais produtividade é a meta do bom emprego. Não tem sentido piorar o que está previsto poder melhorar. Há uma lista de armadilhas com consequências previstas: Um, a camuflagem humanista do debate esconde que o trabalhador não apita o jogo. Dois, nada justifica impor uma superestrutura escandinava a outra realidade econômica que não suporta homogeneamente tal projeção. Três: quem dá o tom é a lógica das plataformas, prejudicando a formação do capital industrial, comercial e agrícola que nos trouxe até aqui. Quatro, é violada a autonomia dos sindicatos de trabalhadores e patronais, roubando-lhes prerrogativas e responsabilidades. Cinco, a lei é cega à dinâmica da economia que migrou para o e-commerce, fora do mercado de trabalho. É o lucro do trabalho sem emprego que fecha lojas e empresas e faz o indivíduo livre disponível, desprotegido, barato, ou não remunerado pelo capital digital.

Não é boa a lei que desiste de melhorar, por negociação coletiva, a qualificação no ambiente do emprego estável, regular e original.

A massificação da distração e a limitação da liberdade pela educação precária, má qualificação profissional e a improdutividade aumentarão com a redução da jornada. Tornará ilícito querer trabalhar mais, levando ao “bico” e a mais informalidade. Por que não estimular, no emprego, o aperfeiçoamento da relação trabalhador-empregador para melhor amalgamar satisfação e produtividade?

Estranha ideia associar liberdade com ausência no emprego e desdém pelo papel do trabalho. Sem educação para o trabalho e o emprego, a aparência justa da lei vai iludir e alienar, ao não entregar o que promete. Oferecer e privar será o resultado de um mesmo ato improvisado e mal feito. 

 

Paulo Delgado -  Sociólogo; foi Deputado Constituinte em 1988

Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/armadilhas-da-reducao-da-jornada

 **As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio**


Praticidade vira novo luxo e impulsiona busca por imóveis prontos para morar

Com o mercado imobiliário de alto padrão em expansão, cresce a procura por imóveis decorados e completos, refletindo a preferência de compradores por soluções que aliam praticidade e conveniência

 

O mercado imobiliário brasileiro vive um momento de expansão e também de mudança no perfil de consumo. Em 2025, foram vendidos mais de 206 mil imóveis apenas no primeiro semestre, movimentando cerca de R$ 123 bilhões, um crescimento de 9,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. 

No segmento de alto padrão, o desempenho foi ainda mais expressivo. Imóveis avaliados acima de R$ 2 milhões movimentaram cerca de R$ 52,2 bilhões nas capitais brasileiras, com alta aproximada de 35% na comparação anual. 

Dentro desse cenário aquecido, uma tendência tem ganhado força entre compradores de alto padrão e investidores: a procura por imóveis decorados, mobiliados e prontos para morar. O modelo, conhecido internacionalmente como turnkey property, permite que o comprador ocupe o imóvel imediatamente após a compra, sem a necessidade de reformas, obras ou da etapa de decoração. 

Segundo Adriana Moura, consultora de imóveis de alto padrão e personal organizer, essa preferência reflete uma mudança no comportamento do consumidor. “O comprador contemporâneo valoriza cada vez mais praticidade, economia de tempo e experiências completas, em vez de processos longos de obra e montagem da casa”, afirma. 

O cenário também acompanha a expansão do mercado residencial brasileiro, que movimenta centenas de bilhões de reais por ano e apresenta projeções de crescimento contínuo nos próximos anos, impulsionado tanto pela demanda por moradia quanto pelo interesse de investidores. 

Nesse contexto, os imóveis decorados surgem como uma solução especialmente atrativa para diferentes perfis de compradores. Executivos ou famílias que precisam se mudar rapidamente encontram nesse formato uma alternativa prática. Investidores conseguem colocar o imóvel em locação quase imediatamente após a aquisição. Há ainda consumidores que buscam evitar o desgaste e o tempo envolvidos em reformas e projetos de interiores. 

Para Adriana, esse movimento também revela uma transformação cultural na forma como as pessoas encaram a compra de um imóvel. Segundo ela, muitos consumidores não procuram apenas um novo endereço, mas uma experiência completa de moradia. 

“Muitos compradores não querem passar meses resolvendo obra, escolhendo móveis ou aguardando marcenaria. Eles querem abrir a porta, entrar e viver”, explica. 

A especialista destaca ainda que a organização da mudança passa a assumir um papel estratégico nesse processo. Quando o imóvel já está pronto para uso, as etapas de transição entre casas são reduzidas, permitindo uma mudança mais rápida, organizada e com menos estresse para os moradores.


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Estudo aponta piora na qualidade da água do Rio Camboriú nos últimos 20 anos


 

Divulgação Univali

Artigo derivado da pesquisa foi publicado em revista científica internacional

 

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) identificou uma piora na qualidade da água do Rio Camboriú e da baía próxima ao longo das últimas duas décadas. Os resultados foram publicados, recentemente, em um artigo científico disponibilizado pela Regional Studies in Marine Science, revista mantida pela editora internacional Elsevier. 

A pesquisa teve origem em um trabalho de conclusão do curso de Oceanografia da Univali. O artigo, intitulado Fatores hidrodinâmicos que influenciam o transporte de nutrientes e a qualidade da água em um sistema costeiro estuário-baía: uma evolução temporal”, tem como autora principal a egressa Júlia Abrão Teixeira, responsável pelas análises. Também assinam o trabalho, como coautores, os professores Mauro Michelena Andrade e Jurandir Pereira Filho, além do egresso do curso Ricardo Utzig Nardi. 

Coordenador do projeto, o professor Mauro Michelena Andrade destaca que a revista possui reconhecimento internacional e critérios rigorosos para seleção de trabalhos científicos. Segundo o docente, a publicação amplia o alcance dos resultados da pesquisa. “A divulgação em uma revista internacional permite que o estudo seja consultado por estudantes, cientistas e demais interessados em diferentes países, contribuindo para a literatura científica e para novas pesquisas sobre o tema”, afirma.

 

O que revelou a pesquisa 

O estudo avaliou processos hidrodinâmicos no estuário do Rio Camboriú, região em que a água doce do rio se mistura com a água salgada do mar, e seus efeitos na dinâmica de nutrientes e na qualidade da água na baía adjacente. 

Para isso, foram coletadas amostras de água da superfície e do fundo, com o objetivo de medir concentrações de nutrientes, clorofila-a, carbono orgânico particulado (COP), material particulado em suspensão (MPS) e coliformes. As análises também consideraram variáveis ambientais como vazão do Rio Camboriú, nível do mar, salinidade, temperatura, turbidez e oxigênio dissolvido. 

A pesquisa comparou amostras coletadas em 1999 e 2020 com uma nova campanha realizada em 2022. Todas as coletas ocorreram durante maré de sizígia, período em que a diferença entre marés altas e baixas é mais acentuada e os fluxos de água são mais intensos. A condição é considerada a mais adequada para o monitoramento das dinâmicas costeiras.

 

Resultados indicam degradação ambiental 

Os dados mais recentes, de 2022, indicaram altas concentrações de nutrientes, matéria orgânica e coliformes, principalmente durante a maré baixa. Segundo os pesquisadores, esse resultado pode estar associado ao lançamento de efluentes não tratados ou parcialmente tratados no sistema estuarino. 

Também foram registrados episódios severos de baixa concentração de oxigênio na água, condição que pode indicar processos de eutrofização e degradação da qualidade ambiental, segundo os especialistas. 

De acordo com Júlia Abrão Teixeira, responsável pelas análises, a eutrofização ocorre quando há excesso de nutrientes no ambiente aquático. “Esse processo pode provocar impactos significativos, como a morte de espécies nativas e a proliferação de algas e cianobactérias, algumas delas capazes de produzir substâncias prejudiciais à saúde”, explica. 

A comparação entre os dados coletados ao longo do período analisado indicou aumento nas concentrações de nutrientes e piora na qualidade da água entre 1999 e 2022, evidenciando um processo de degradação ambiental progressiva no estuário do Rio Camboriú e na baía próxima de sua foz.

 

Monitoramento ao longo de décadas 

Parte dos dados utilizados no estudo teve origem em pesquisas anteriores realizadas por cientistas da própria Univali, incluindo o professor Jurandir Pereira Filho, que também assina o artigo como coautor. 

Segundo Michelena, as campanhas de coleta exigiram monitoramento contínuo das condições da água. “Nos anos de 1999, 2020 e 2022, as coletas exigiram dos cientistas 25 horas seguidas de acompanhamento das variações ambientais e hidrodinâmicas”, explica. 

O artigo completo está disponível gratuitamente na plataforma Science Direct sob o título Hydrodynamic drivers of nutrient transport and water quality in a coastal estuary–bay system: A temporal Evolution. 

A pesquisa de 2022 contou com apoio da Marina Tedesco e financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), por meio do edital 2021TR001722.



Projeto que ensina de graça defesa pessoal atende mais de 1.000 mulheres em São Paulo

Colocado em prática pelos Institutos Pró-Vítima e “Paulo Kobayashi”, “Defenda-se” também ofereceu, de graça, em 2025, atendimento psicológico, sessões de Fisioterapia para reabilitação física, e orientação jurídica a vítimas de violência doméstica

 

Num País que bateu recorde em número de feminicídios em 2025, com 1.470 mortes, saber se desvencilhar de agressores pode salvar vidas. Com este intuito, o projeto “Defenda-se” atendeu 1.130 mulheres em São Paulo-SP - somente no ano passado. Colocada em prática pelo Instituto Brasileiro de Atenção e Proteção Integral às Vítimas (Pró-Vítima) e pelo Instituto “Paulo Kobayashi”, a iniciativa, voltada à proteção feminina, empoderou mulheres por meio de técnicas de autodefesa, conhecimentos sobre direitos, acolhimento psicológico e reabilitação àquelas que sofreram algum tipo de violência.  

Com meta inicial de atender 640 mulheres, entre abril e dezembro de 2025, o programa superou a marca em 76% e fechou o ano com 1.130 atendimentos. Para aprender Defesa Pessoal, foram 279 as inscritas. As aulas foram ministradas, de graça, no 2º andar do Centro Educacional “Dom Orione” (rua Treze de Maio, 478 - Bela Vista, São Paulo), capitaneadas pela mestre em Taekwondo Débora Lima. 

De acordo com a presidente do Pró-Vítima, a promotora de Justiça do Ministério Público (MP) de São Paulo Celeste Leite dos Santos, o curso compartilhou técnicas de autodefesa que podem ser utilizadas em diversas situações, não somente em casos de violência doméstica, mas, também, face à proteção à violência urbana, como assaltos, tentativas de estupro e sequestros. Além disso, as aulas tiveram o objetivo de restabelecer a autoconfiança do público feminina: 

“Com altos índices de feminicídios e de agressões envolvendo parceiros e ex-companheiros, a autoproteção é ferramenta muito importante para a mulher. Saber como se defender e sair de uma situação de risco pode ser determinante para a sobrevivência”, analisa Celeste, que é doutora em Direito Civil e Mestre em Direito Penal.

 

Direitos e acolhimento

De forma integrada, ao longo de 2025, o “Defenda-se” também disponibilizou outras modalidades de atendimento. Na área jurídica, 442 mulheres recorreram a orientações. Sessões com psicólogo alcançaram 143 inscritas, mesmo número que frequentou aulas de alongamento. Na Fisioterapia, foram 39 os acolhimentos. 

O levantamento do programa aponta, ainda, 67 participantes em ações de cunho operacional. Outras 673 capacitações jurídicas, divididas em duas oficinas virtuais e um seminário na modalidade híbrida, também integram o roll de atividades do projeto em 2025. Para completar, o “Defenda-se” participou de 17 eventos relacionados aos Direitos das Mulheres no Brasil e em outras partes do mundo. 

Os números, como enfatiza a presidente do Pró-Vítima, sinalizam que a missão foi cumprida: 

“A parceria do Pró-Vítima com o Instituto ‘Paulo Kobayashi’ foi imprescindível para a execução do ‘Defenda-se’. Os atendimentos superaram as expectativas. O projeto atingiu seu objetivo ao acolher mulheres, de todas as idades, ofertando acesso gratuito aos seus direitos, e tudo de forma humanizada e com profissionais de alto nível”, avalia a promotora de Justiça do MP-SP.

 

Artistas podem se cadastrar para integrar a programação cultural do Sesc-MT

Banco de dados é utilizado como referência para futuras contratações nas áreas de música, teatro, dança, circo, audiovisual, artes visuais, literatura e patrimônio cultural 

 

O Sesc Mato Grosso mantém aberto o cadastro para artistas, grupos e profissionais interessados em fazer parte da programação cultural da instituição. Os inscritos podem ser chamados para integrar as programações culturais nas unidades do Sesc de Cuiabá, Alta Floresta, Cáceres, Poxoréu, Rondonópolis e Sinop. 

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pela internet, no site cadastroartistico.sescmt.com.br 

O cantor cuiabano, Thiago Maia, se apresenta no Sesc-MT há pelo menos sete anos, e destaca que os eventos culturais da instituição ajudaram a alavancar sua carreira. “O Sesc deu upgrade na minha carreira, a banda cresceu muito depois que começamos a nos apresentar pela instituição. A experiência de realizar apresentações artísticas pelo Sesc é sempre muito boa, somos muito bem recebidos pelo público e as unidades são muito prestativas, sempre de braços abertos para os nossos shows”, afirma Thiago. 

Por meio de sua experiência nos palcos do Sesc-MT, Thiago Maia deixa um recado para quem ainda não participa do banco de propostas para apresentações artísticas nas unidades da instituição. “Pare de perder tempo e vem para o Sesc-MT você também”, concluiu. 

Cantora há mais de 20 anos, Karola Nunes destaca o incentivo do Sesc-MT como porta de entrada para seu trabalho autoral. “Meu primeiro show autoral foi em um projeto que acontecia no Sesc Arsenal, o ‘Estreia’. O incentivo à cultura é fundamental para promover os artistas locais. O palco do Sesc-MT, sem dúvidas é o melhor local para um artista estar”, acrescentou Karola.  

O Banco de Propostas Artísticas é realizado mediante edital lançado pelo Sesc-MT e é usado como base para futuras contratações. Podem se inscrever artistas nas áreas da música, teatro, dança, circo, audiovisual, artes visuais, literatura e patrimônio cultural.  

Para participar, é necessário que o artista possua CNPJ ativo ou seja representado por pessoa jurídica com sede no estado de Mato Grosso. Propostas de pessoas físicas ou de fora do estado não serão aceitas. Os inscritos poderão realizar apresentações, oficinas, cursos e outras ações alinhadas às áreas artísticas contempladas pelo edital.  

As propostas são avaliadas por uma comissão técnica com base em critérios como qualidade artística, clareza, originalidade e alinhamento com os objetivos institucionais do Sesc Mato Grosso. Além disso, há uma etapa de análise contábil da documentação apresentada. A inclusão no banco de propostas não garante contratação, mas os artistas cadastrados podem ser convidados de acordo com a demanda e a programação do Sesc.   

O objetivo do Sesc-MT, em parceria com a Fecomércio-MT e a Confederação Nacional do Comércio (CNC), é valorizar a cultura local, dar visibilidade a artistas do estado e ampliar o acesso público mato-grossense às diversas linguagens artísticas.   

Mais informações podem ser solicitadas pelo e-mail: cadastroartistico@sescmt.com.br. 

 

Cinco melhores destinos do mundo para desenvolver sua carreira profissional

Contratações de brasileiros no exterior crescem 53% e impulsionam busca por destinos estratégicos de carreira 

 

A busca por crescimento profissional tem levado cada vez mais brasileiros a considerarem oportunidades no exterior. Relatórios divulgados ao longo de 2025 mostram que houve um aumento de 53% nas contratações de brasileiros por empresas internacionais, segundo relatório da Deel, com destaque para profissionais da geração Z, consolidando o Brasil como um dos principais polos de talentos globais. 

Os Estados Unidos lideram as contratações de brasileiros, com alta demanda em diversas áreas e salários em dólar bastante valorizados frente ao Real. Outros países que oferecem possibilidades interessantes são Alemanha, com vagas em setores como engenharia, tecnologia da informação e saúde, Emirados Árabes Unidos, com destaque para tecnologia, Itália, que também tem portas abertas para o setor de turismo, e China, que conta com grandes polos de inovação.

Os dados indicam que esses e outros destinos se destacam não apenas pela remuneração, mas também por fatores como qualidade de vida, estabilidade econômica e caminhos estruturados para residência permanente.

O movimento acompanha um fenômeno estrutural: segundo o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), cerca de 4,9 milhões de brasileiros viviam no exterior em 2023 — o maior número já registrado, evidenciando a consolidação da mobilidade internacional como estratégia de vida e carreira.

Além disso, mais da metade dos brasileiros (53,65%) utiliza o LinkedIn para buscar vagas internacionais remotas, conforme levantamento da TechFX.

Para Leonardo Freitas, CEO da HAYMAN-WOODWARD, multinacional especializada em mobilidade global com presença em oito países, há uma mudança relevante no perfil do profissional brasileiro que busca uma carreira internacional. “Não se trata mais apenas de emigrar, mas de planejar estrategicamente uma trajetória profissional fora do país, com base em critérios objetivos como valorização de carreira, qualidade de vida e perspectivas de crescimento profissional e pessoal”, afirma.


Mobilidade global como estratégia de carreira 

O mercado de trabalho globalizado ampliou as oportunidades para profissionais qualificados. Enquanto alguns países enfrentam déficit crítico de talentos em setores estratégicos, brasileiros com alta capacitação encontram nesses mercados a chance de acelerar a carreira, com remuneração mais competitiva, benefícios robustos e, em muitos casos, possibilidade de residência permanente.

“Profissionais de tecnologia, engenharia, saúde e ciências exatas lideram esse movimento, atraídos por países que oferecem não apenas melhores salários, mas também ambientes favoráveis à inovação e ao desenvolvimento de longo prazo”, analisa Freitas..

Ao mesmo tempo, o ambiente migratório internacional tem passado por ajustes relevantes. Em mercados como os Estados Unidos, o debate político recente reforça a priorização de imigração qualificada, com maior rigor para situações irregulares e foco crescente em vistos baseados em mérito, experiência técnica e contribuição econômica. Esse movimento sinaliza uma tendência clara: a mobilidade internacional está cada vez mais vinculada a planejamento estruturado e enquadramento legal adequado.

Dados recentes mostram que, apenas em 2024, os Estados Unidos emitiram mais de 1,15 milhão de vistos para brasileiros, mantendo o Brasil entre os três países que mais receberam autorizações americanas no período.

Dentro das categorias de trabalho qualificado, aproximadamente 1.947 vistos H-1B foram concedidos a brasileiros em 2024, além de 2.302 vistos EB-2 e 491 vistos EB-1, voltados a profissionais com habilidades excepcionais e formação avançada.

Segundo Leonardo, o cenário global está mais criterioso. “O mundo não está necessariamente fechado para imigrantes, mas está mais seletivo. Países estão priorizando profissionais que gerem impacto econômico real, inovação e geração de empregos. Isso exige preparo técnico e enquadramento migratório adequado.”

Ele ressalta ainda que o profissional brasileiro precisa olhar além dos destinos tradicionais. “Hoje existe uma competição global por talentos. Quem não encontrar espaço em um país específico pode ter oportunidades extremamente estratégicas em outros mercados que estão crescendo e precisam de mão de obra qualificada.”


Cinco destinos promissores para quem deseja dar um salto na carreira

Com base na demanda por talentos, políticas migratórias e condições de trabalho, o fundador e CEO da  HAYMAN-WOODWARD selecionou alguns dos destinos que mais têm atraído profissionais brasileiros.


Itália

A Itália tem ganhado relevância entre brasileiros, especialmente aqueles com direito à cidadania europeia por descendência. Além da facilidade documental para quem possui ascendência italiana, o país tem ampliado iniciativas para atrair profissionais qualificados em tecnologia, engenharia, turismo e indústria de manufatura especializada.

Cidades como Milão e Roma concentram polos corporativos e startups inovadoras, enquanto o sul do país tem lançado programas de incentivo à fixação de profissionais e empreendedores estrangeiros.

“A Itália oferece uma combinação estratégica entre acesso ao mercado europeu, qualidade de vida e oportunidades para quem deseja empreender ou atuar em multinacionais dentro da União Europeia”, explica Leonardo.


Estados Unidos

Os Estados Unidos seguem como um dos principais destinos para carreiras de alto impacto, especialmente nos setores de tecnologia, saúde, engenharia e energia renovável.

Áreas como desenvolvimento de software, cibersegurança e saúde concentram grande parte das vagas abertas, impulsionadas pela transformação digital e pela transição energética. Ajustes recentes nas políticas migratórias indicam a manutenção do objetivo na atração de profissionais qualificados, com base em mérito, experiência e impacto econômico.

Apesar de mudanças nas políticas migratórias e maior rigor no debate sobre permanência irregular, o país mantém programas estruturados para atração de profissionais altamente qualificados, com foco em mérito, experiência comprovada e impacto econômico.

“Profissionais altamente qualificados continuam encontrando caminhos legais e estruturados para construir carreiras sólidas no país, mesmo com os ajustes políticas migratórias que estão acontecendo no país”, reforça o CEO da HAYMAN-WOODWARD. 


Alemanha

A maior economia da Europa enfrenta um déficit significativo de profissionais qualificados, com centenas de milhares de vagas não preenchidas. Áreas como engenharia, tecnologia da informação, saúde e ciência de dados concentram a maior demanda.

Dados recentes indicam que profissionais estrangeiros qualificados, incluindo brasileiros, têm alcançado rendimentos acima da média nacional. Com iniciativas como o Chancenkarte (Cartão de Oportunidades), o país facilita a entrada de profissionais mesmo sem oferta formal de emprego, desde que atendam aos critérios de pontuação. “O objetivo do governo alemão é atrair talentos que contribuam diretamente para a sustentabilidade econômica do país”, explica.


China

A China tem se consolidado como uma alternativa estratégica para profissionais que desejam atuar em mercados de alta escala e inovação industrial. O país investe fortemente em tecnologia, inteligência artificial, manufatura avançada, comércio internacional e infraestrutura.

Grandes centros como Xangai, Shenzhen e Pequim concentram empresas globais e ecossistemas robustos de inovação. Além disso, a presença crescente de multinacionais e acordos comerciais com diversos países ampliam oportunidades para estrangeiros qualificados.

“A Ásia vem ganhando protagonismo na atração de talentos. Países como a China oferecem oportunidades em setores estratégicos e podem representar uma alternativa extremamente competitiva para brasileiros com perfil técnico ou executivo”, afirma Leonardo.


Emirados Árabes Unidos

Os Emirados Árabes Unidos, especialmente Dubai e Abu Dhabi, emergem como destino estratégico para profissionais qualificados, com destaque para o setor de tecnologia. Segundo a Câmara de Comércio de Dubai, centenas de companhias brasileiras já estão registradas na cidade. O país abriga mais de 5,6 mil startups, sendo que 86% das que captaram investimento estão sediadas em Dubai, conforme dados do Dubai International Financial Centre (DIFC).

O diferencial está nas zonas francas (free zones), que permitem propriedade 100% estrangeira, isenção fiscal e alfandegária, além de processos simplificados para abertura de empresas e aprovações de visto ágeis. Com localização estratégica,  a sete horas de voo de dois terços da população mundial, e comércio bilateral não petrolífero com o Brasil que cresceu 35% em 2024, atingindo US$ 3,8 bilhões, os Emirados reforçam seu papel como hub global de inovação.

Além disso, o país oferece vistos específicos para nômades digitais e programas de residência que facilitam a entrada de profissionais remotos e empreendedores tech, consolidando-se como polo complementar aos destinos tradicionais da América do Norte e Europa.

Outro fator que tem atraído brasileiros é a previsibilidade regulatória e a clareza dos processos migratórios, especialmente em comparação com mercados que vêm endurecendo regras para permanência irregular.

"Dubai combina tributação favorável, processos migratórios eficientes e um ecossistema de inovação em plena expansão, características que atraem cada vez mais profissionais brasileiros qualificados", destaca Leonardo.



Planejamento é fator-chave para o sucesso internacional

O especialista em mobilidade global ressalta que uma carreira internacional bem-sucedida exige planejamento. “Entender os requisitos de cada país, validar diplomas, dominar o idioma e compreender a cultura local são etapas fundamentais para evitar riscos e frustrações”, pontua.

Diante de um cenário internacional mais criterioso e competitivo, a regularização migratória adequada e a escolha estratégica do destino tornam-se diferenciais decisivos para quem busca estabilidade e crescimento sustentável fora do Brasil.

Nesse contexto, encontros e eventos especializados têm se mostrado importantes fontes de informação prática. Iniciativas voltadas à orientação personalizada permitem que profissionais tirem dúvidas sobre vistos, reconhecimento profissional, investimentos e adaptação ao mercado de trabalho internacional, ajudando a transformar o desejo de trabalhar fora em um plano viável e estruturado. 

"Cada conversa importa. Nosso propósito é trazer clareza sobre o que fazer, quando fazer e como tornar realidade o sonho de viver no exterior", destaca o especialista.  



HAYMAN-WOODWARD
https://haymanwoodward.com/

 

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