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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Doação de medula óssea: mitos, verdades e informações que salvam vidas

Semana de Mobilização Nacional acontece de 14 a 21 de dezembro

 

Entre os dias 14 e 21 de dezembro, o Brasil celebra a Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea, um período dedicado a informar, conscientizar e incentivar novos voluntários a se cadastrarem como possíveis doadores. A data chama a atenção para um gesto que pode representar a única chance de cura para milhares de pessoas acometidas por doenças oncológicas graves, como linfoma, leucemia e mieloma, e por enfermidades benignas, como anemia falciforme, entre outras.

Mesmo assim, ainda existem muitos mitos e receios que afastam potenciais doadores. Para esclarecer as principais dúvidas, a hematologista Camila Gonzaga, médica do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), responde às perguntas mais frequentes sobre o assunto.


1. Só é possível doar medula óssea para alguém da família?
 

Mito. Embora a compatibilidade entre familiares seja maior, doadores não aparentados também podem ser compatíveis por meio do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME). “A compatibilidade é verificada por meio de um exame de tipagem HLA, e a doação pode ser feita por um voluntário cadastrado em bancos de dados nacionais e internacionais”, explica a médica.


2. Qual é a idade ideal para se cadastrar?
 

A faixa etária ideal é entre 18 e 35 anos, pois as células-tronco de pessoas mais jovens tendem a ter melhor qualidade para o transplante. Segundo Dra. Camila, o limite varia conforme o tipo de doador: 

- Aparentado (familiar): Não há limite absoluto; pessoas de 60 ou até 70 anos podem ser consideradas se estiverem saudáveis.

- Não-aparentado (voluntário de registro): O limite prático é 60 anos para permanecer no REDOME.


3. A doação é dolorosa?

Muito menos do que as pessoas imaginam. Hoje existem dois métodos: 

- Punção direta da medula óssea: procedimento de cerca de 90 minutos, sob anestesia geral. Pode haver leve dor local nos dias seguintes, controlada com analgésicos.

- Aférese de sangue periférico (o método mais comum): semelhante a uma doação de sangue. O doador usa por alguns dias uma medicação que estimula a liberação de células-tronco. No dia da coleta, o sangue passa por uma máquina que separa essas células. 

“No caso da punção direta, nos dias seguintes, é comum sentir uma dor localizada leve, similar a um desconforto de uma queda ou de um esforço físico intenso, que é perfeitamente controlada com analgésicos comuns e desaparece em poucos dias. Já a medicação utilizada na aférese pode causar sintomas leves e temporários, como dores ósseas e musculares semelhantes aos de uma gripe. O procedimento em si é indolor, exceto pela picada da agulha”, afirma a hematologista. Ela ainda salienta que a escolha do método da coleta de medula óssea é baseada em características do doador e da doença do paciente que receberá a doação, sendo sempre compartilhada a decisão com o doador.

 

4. O doador precisa ficar internado ou afastado do trabalho? 

Depende do método:

- Punção direta: internação de 24 horas e afastamento por até uma semana para quem realiza atividades físicas intensas.

- Aférese: procedimento ambulatorial, dura de 3 a 4 horas, com retorno às atividades no dia seguinte.


5. A doação enfraquece o organismo do doador?

Não. A medula óssea tem alta capacidade de regeneração. “Em poucas semanas, a medula do doador está totalmente recuperada”, reforça a médica. Na punção direta, apenas uma pequena fração é coletada. Já na aférese, a medula nem chega a ser tocada, pois as células são retiradas do sangue.


6. Qual é a probabilidade real de ser chamado para doar depois do cadastro?
 

A probabilidade é baixa, de 1 em 100 mil a 1 em 400 mil, porque a compatibilidade HLA é extremamente específica. Por esse motivo, é raro uma pessoa ser doadora mais de uma vez. “Mas é justamente por isso que cada cadastro importa. Quanto mais pessoas no REDOME, maiores as chances de um paciente encontrar seu doador compatível”, finaliza a hematologista.

 

Passo a passo até a doação

  • Cadastro e coleta: O primeiro passo é o doador procurar um Banco de Sangue para preencher uma ficha. Neste momento também é feita a doação de uma amostra de sangue.
  • Análise: O sangue coletado passa por um exame de histocompatibilidade e já é feito o cadastro no REDOME (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea).
  • Procura por compatibilidade: O sistema procura algum paciente que possa ter a medula compatível.
  • Coleta: Com a compatibilidade assegurada, é feita a coleta.
  • Transplante: O paciente com compatibilidade recebe o material por via intravenosa.



Instituto de Oncologia de Sorocaba - IOS

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Dezembro Laranja 2025: no dia 13 de dezembro, Mutirão Nacional de Atendimento, oferece consultas gratuitas para prevenção do câncer de pele

 


No próximo sábado, 13 de dezembro, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) realiza o Dia do Atendimento Gratuito, uma das principais ações do Dezembro Laranja, campanha do câncer de pele. O mutirão, que acontece das 9h às 15h, contará com a participação de 2.000 dermatologistas voluntários em mais de 100 postos espalhados por todo o país. O atendimento será feito exclusivamente para avaliar lesões suspeitas de câncer de pele.

A ação visa identificar precocemente lesões suspeitas de câncer de pele e orientar a população sobre prevenção e cuidados essenciais. Para conferir os postos de atendimento, acesse: Link

“Lembro à população que o check-up das pintas com o dermatologista deve ser feito anualmente, e essa é uma excelente oportunidade para colocar esse cuidado em dia, diz Dr. Carlos Barcaui, presidente da SBD.

Desde 1999, a iniciativa já proporcionou mais de 600 mil consultas e possibilitou a identificação de mais de 75 mil casos de cânceres de pele, reforçando o compromisso da SBD com a prevenção e o diagnóstico precoce da doença.

Em 2024, 62,51% dos atendidos declararam se expor ao sol sem proteção, e apenas 31,63% afirmaram usar protetor solar regularmente. Outros dados também chamam a atenção: o carcinoma basocelular (CBC) foi detectado em 14,84% dos pacientes; pré-neoplasias representaram 11,51% dos casos; carcinoma epidermoide (CEC), 4,68%; melanoma maligno (MM), 2,31%; e outros tumores malignos, 1,21%. Outras dermatoses foram diagnosticadas em 41,22% dos atendimentos, enquanto 24,23% dos pacientes não apresentaram alterações.

“Os hábitos de exposição solar seguem sendo motivo de preocupação e reforçam a necessidade da adoção de medidas de fotoproteção adequadas, incluindo a aplicação de filtro solar diariamente nas áreas expostas, somada à utilização de proteção física (sombra, roupas e chapéus) nas exposições mais prolongadas, além do acompanhamento médico através de exame dermatológico completo anualmente” ressalta Dra. Bianca Costa Soares de Sá, coordenadora do Departamento de Oncologia Cutânea da SBD e responsável pela campanha deste ano.

Observe. Cuide. Previna. Sua pele fala, só o dermatologista entende.

A campanha de 2025 chama a atenção para a importância do autocuidado, do cuidado com o outro, e da realização do check-up anual com o dermatologista, medidas essenciais para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de pele.

Embora os cuidados devam acontecer de dezembro a dezembro, é durante a estação mais quente do ano que a SBD reforça os riscos da exposição solar e as medidas preventivas. Estimativa 2023 de Incidência de Câncer no Brasil, do INCA, revela que são esperados aproximadamente 220,49 mil novos casos de câncer de pele por ano no triênio 2023-2025.


Como participar

Qualquer pessoa poderá fazer uma avaliação da saúde da pele, especialmente quem possui fatores de risco para o câncer de pele, como histórico familiar, muitas pintas, sardas ou que tenha sofrido queimaduras solares severas.

Basta comparecer em um dos postos de atendimento, disponíveis em todas as regiões do país, levando documento de identidade.


Dezembro Laranja - Desde sua criação, a campanha Dezembro Laranja da SBD tem educado milhões de brasileiros sobre os riscos do câncer de pele. Em 2025, a ação continua a conscientizar o público sobre os hábitos preventivos e o diagnóstico precoce, abordando o tema de forma ainda mais personalizada, incentivando o autocuidado através da observação das próprias pintas e manchas no corpo, o cuidado com o outro, a vigilância constante e o check up anual com o Médico Dermatologista.



Serviço:

Data: 13 de dezembro

Horário: das 9h às 15h

Locais: Consulte a lista de postos de atendimento no site da SBD Link


5 dicas para aproveitar fim de ano sem dor e prevenir desconfortos

O final do ano é sinônimo de celebração e descanso, mas a alteração na rotina – viagens longas, má postura em praias, excesso de sol e mudanças na alimentação – frequentemente desencadeia um aumento nas queixas de dores de cabeça, dores musculares, lombares e desconfortos articulares. Para evitar que esses problemas ofusquem as festividades e as férias, o Dr. Lúcio Gusmão, médico especialista em dor e CEO da Rede Cade, rede de clínicas especializadas no tratamento de dor, lista orientações essenciais. 

Segundo o médico, fatores como desidratação, que contribui para dores de cabeça, e a prática de movimentos pouco habituais, que causam dores musculares e articulares, são comuns no período. Além disso, as viagens e o novo ambiente de sono podem levar a dores persistentes nas costas, pescoço e ombros. 

“É fundamental que as pessoas ouçam os sinais do corpo e entendam que as férias não significam ‘férias’ do autocuidado. O gerenciamento de dores, especialmente as crônicas, exige atenção redobrada em períodos de quebra de rotina,” afirma Dr. Gusmão. 

Para ajudar na prevenção e no bem-estar geral, Dr. Lúcio Gusmão, reuniu cinco orientações práticas para garantir férias mais leves e com segurança.
 

1. Priorize a hidratação e a ventilação: Evitar a desidratação é crucial para prevenir dores de cabeça e mal-estar súbito causados pelo calor. Mantenha a ingestão de água constante e busque ambientes frescos.
 

2. Mantenha o corpo em movimento (para viajantes): Em viagens longas, movimentos simples de alongamento e caminhadas curtas a cada poucas horas são essenciais para manter a circulação ativa e aliviar a tensão muscular causada pela má postura.
 

3. Gerencie a dor crônica: Para pacientes com dores crônicas, lombalgias ou dores articulares, é indispensável manter a rotina de medicação nos horários habituais e evitar qualquer esforço físico repentino ou exagerado.
 

4. Controle os exageros: O equilíbrio é chave também para a saúde mental e corporal. Controlar a alimentação, moderar a ingestão de álcool e garantir um sono de qualidade são medidas que impactam diretamente na prevenção de inflamações e desconfortos.
 

5. Não abandone a atividade física: Em vez de parar, substitua os exercícios de alta intensidade por formas de movimento mais leves e prazerosas, como caminhadas ou pedaladas. A rotina de exercícios leves ajuda a evitar a rigidez e o desconforto muscular.
 

O especialista em dor finaliza com um alerta importante sobre como diferenciar a dor leve e passageira daquela que exige atenção imediata. 

“Se a dor for uma rigidez pós-esforço e leve sensibilidade, repouso e movimentos suaves no local, sem uso excessivo de analgésicos, costumam resolver em 24h a 48h. No entanto, se a sensação for de estalo, queimadura ou ‘rasgo’, acompanhada de inchaço, perda de força ou dormência, a avaliação profissional deve ser imediata,” conclui Dr. Lúcio Gusmão.

 

Dr. Lúcio Gusmão - Sócio fundador do Centro Avançado da Dor e Especialidade (Rede CADE) e médico ortopedista especialista em dor crônica e em Medicina Regenerativa. O Dr. Lúcio foi o presidente do primeiro congresso do comitê de dor da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e atualmente faz parte da diretoria.



Mais precisão e recuperação rápida: cirurgia robótica se expande no Brasil

Divulgação
Cirurgião e pacientes comentam sobre técnica minimamente invasiva que agora também chega ao Sistema Único de Saúde (SUS) 

 

A cirurgia robótica vive um dos períodos de maior expansão no país. A tecnologia, antes restrita a poucos centros, tornou-se mais acessível e vem transformando a assistência em especialidades como urologia, ginecologia, cirurgia geral e tórax.

No Brasil, o avanço tem ritmo acelerado. Entre 2018 e 2022, foram realizadas 88 mil cirurgias robóticas, número 417% superior ao registrado entre 2009 e 2018 (17 mil procedimentos), segundo dados divulgados pela Associação Médica Brasileira (AMB). A expansão está ligada ao aumento da concorrência entre fornecedores: o país passou de 51 para 111 robôs cirúrgicos, reduzindo em 30% a 50% o custo dos procedimentos e ampliando a presença em diferentes regiões.

A primeira cirurgia robótica no país foi realizada há 16 anos, e desde 2022 o Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamenta a prática, estabelecendo critérios para capacitação profissional e exigência de centros habilitados para alta complexidade.


Especialista aponta benefícios claros para o paciente

Para o urologista e uro-oncologista Dr. Luís César Zaccaro, delegado da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional São Paulo e referência nacional na técnica, os benefícios são evidentes.

“A cirurgia robótica traz mais precisão, menos sangramento, menos dor pós-operatória e uma recuperação significativamente mais rápida”, afirma. “Ao preservar melhor nervos e estruturas vitais, ela impacta diretamente a reabilitação sexual e a recuperação da continência urinária, que são dois fatores muito importantes no tratamento do câncer de próstata”, completa.

O especialista destaca que a tecnologia combina visão tridimensional ampliada, instrumentos articulados e movimentos milimétricos. “Nosso objetivo é entregar ao paciente a mesma segurança oncológica da cirurgia tradicional, mas com menor trauma cirúrgico e mais qualidade no pós-operatório”, diz.


Pacientes relatam experiências positivas

Para muitos homens que enfrentam o diagnóstico de câncer de próstata, a possibilidade de uma cirurgia menos invasiva e com recuperação mais rápida tem sido determinante na escolha do método.

O gestor administrativo Ronilso Augusto da Silva, de 52 anos, morador em Jardinópolis (SP), diz que a comparação entre as técnicas o levou a optar pela plataforma robótica. “Percebi que a robótica oferecia uma recuperação muito mais tranquila, com menor risco de incontinência e impotência. Isso me deixou seguro para seguir com o procedimento”, relata. “O pós-operatório foi muito mais leve do que outras cirurgias convencionais que eu já tinha feito em outras partes do corpo. Com 14 dias eu já estava trabalhando”, comenta.

Já o analista de sistemas Humberto Rosado Ribeiro, de 62 anos, de Ribeirão Preto (SP), destaca o caráter minimamente invasivo da técnica. “Quando entendi as diferenças, vi que a cirurgia robótica trazia um processo muito menos agressivo. Fiz a cirurgia no sábado e tive alta no domingo, o que me surpreendeu pela rapidez”, conta. Ele acrescenta que, passando por um período de fisioterapia pélvica, o resultado funcional teve progresso constante. “Conheci pacientes que fizeram cirurgia convencional e ainda lidavam com incontinência depois de mais de um ano. No meu caso, a evolução foi muito mais rápida”, completa.


Cirurgia robótica avança também no SUS

Em movimento recente que reforça a consolidação da tecnologia na saúde pública, o Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) a prostatectomia radical assistida por robô para o tratamento de pacientes com câncer de próstata clinicamente avançado.

A prostatectomia radical é o procedimento de retirada completa da próstata e das vesículas seminais, podendo incluir linfonodos pélvicos. Trata-se de um tratamento com intenção curativa, especialmente eficaz nos estágios iniciais da doença. “A incorporação da versão robótica desse procedimento ao SUS representa um avanço importante, permitindo que pacientes da rede pública tenham acesso a uma técnica menos invasiva, potencialmente associada a menos dor, menor sangramento e recuperação funcional mais rápida”, destaca o médico Luís César Zaccaro.

  

Dr. Luís César Zaccaro - urologista, uro-oncologista e cirurgião robótico em Ribeirão Preto (SP). Mestre em Oncologia pelo Hospital de Amor de Barretos, é chefe do Ambulatório de Uro-oncologia da Santa Casa de Ribeirão Preto, delegado da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional São Paulo, diretor do GEURP – Grupo de Estudos em Uro-Oncologia de Ribeirão Preto e referência nacional em cirurgia robótica, atuando também como proctor e palestrante em congressos no Brasil e no exterior.


O peso invisível da dor crônica no Brasil

Condição afeta milhões de brasileiros, aumenta gastos em saúde e demanda tratamento adequado

 

Com a proximidade das festas de fim de ano, muitas pessoas intensificam compromissos sociais, viagens e mudanças na rotina, fatores que podem agravar quadros de dor persistente. No Brasil, estima-se que cerca de 40% da população conviva com dor crônica, condição que impacta o trabalho, o humor, o sono e a rotina diária. Em um período marcado por maior desgaste físico e emocional, reconhecer e cuidar desse problema torna-se ainda mais importante.

A dor crônica é definida como aquela que permanece por mais de três meses, mesmo após o tempo previsto de recuperação de um tecido ou lesão. Diferente da dor aguda, que funciona como um mecanismo de alerta do organismo, ela se transforma em uma condição própria, podendo ser contínua ou intermitente. Está frequentemente ligada a problemas musculoesqueléticos, artrite, lesões antigas, alterações da coluna e, em muitos casos, não tem uma causa única identificável. Seu impacto vai além do físico, afetando também a vida emocional, social e produtiva das pessoas.

Para a médica Simone Kushida, é preciso tratar o tema com seriedade. “A dor crônica precisa ser encarada como uma doença, não como um sintoma isolado. Sem tratamento adequado, ela gera um ciclo que compromete a função física, o estado emocional e aumenta de forma relevante a busca por serviços de saúde”, afirma. “É um problema silencioso, mas com enorme impacto na vida do paciente.”

Embora seja comum, a dor crônica não deve ser negligenciada. A médica reforça que buscar avaliação médica é fundamental para identificar a causa e interromper o ciclo de dor. “O acompanhamento adequado permite definir tratamentos individualizados e evita que o quadro se agrave ao longo do tempo”, conclui.

 

Cellera Farma



Verão sem sustos: cuidados com alinhadores, aparelhos e placas de bruxismo durante as férias

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Especialistas explicam como proceder diante de quebras, extravios e deformações de dispositivos odontológicos durante as viagens — e como agir em cada situação

 

 

Com a chegada das férias de verão – e a combinação de rotina mais leve, viagens e alimentação fora do habitual - cresce o número de pacientes que enfrentam imprevistos com aparelhos ortodônticos e dispositivos odontológicos. Os casos vão desde alinhadores que desaparecem no hotel até braquetes que se soltam durante um mergulho.

Segundo o especialista Marcelo Moreira, cirurgião dentista da clínica Ateliê Oral, a regra número um é evitar retrocessos no tratamento. “Mesmo durante as férias, é fundamental manter a higiene bucal e o uso correto dos dispositivos, respeitando o tempo recomendado”, explica.

No caso dos alinhadores, o especialista reforça que o paciente deve sempre levar o par anterior na mala e, no caso do alinhador atual quebrar, trincar ou sumir, utilizar o conjunto anterior até conseguir orientação do ortodontista. “É uma medida de contingência simples que evita perda de semanas de avanço no tratamento”, diz Moreira.

Já para quem utiliza aparelho fixo, a recomendação é redobrar os cuidados com alimentos duros, pegajosos ou crocantes, que aumentam o risco de deslocar braquetes ou entortar o arco. Caso um braquete se solte, o ideal é não tentar recolocá-lo em casa. A orientação é usar cera ortodôntica – um material à base de silicone ou parafina que cria uma barreira protetora entre o aparelho e a mucosa – para reduzir o incômodo e procurar ajuste profissional assim que possível.

As placas de bruxismo merecem atenção especial durante as férias. Moreira faz um alerta sobre a exposição ao calor: “quando uma placa de bruxismo é exposta ao calor excessivo, como acontece com frequência durante viagens e períodos de férias, o material pode amolecer e sofrer deformações que comprometem sua adaptação. Uma placa deformada altera o encaixe da mordida e pode provocar dor na articulação temporomandibular, aumento do apertamento, tensão muscular e ferimentos na gengiva. Nesses casos, a orientação é suspender imediatamente o uso e aguardar a avaliação presencial do dentista, evitando dormir com o dispositivo deformado para não intensificar dores ou agravar desalinhamentos. Por isso, na hora de arrumar a mala, sempre viajar com o estojo rígido.

Para todos os casos, Moreira reforça que é importante não tentar soluções caseiras. Existem, em situações de urgência, canais de atendimento remoto disponíveis para orientar o paciente à distância. “Aqui na Clínica, por exemplo, disponibilizamos nosso número e mantemos um profissional de plantão durante os feriados de fim de ano. Além disso, participamos de um grupo global com 300 dentistas parceiros de diferentes países. Assim, caso o paciente esteja viajando, conseguimos acionar um bom profissional o mais próximo possível de sua localidade para que, se necessário, sejam enviados exames digitais imediatamente por aplicativo”, complementa o especialista.


Pesquisa inédita da USP aponta riscos do uso de canetas emagrecedoras por pessoas sem indicação clínica

Artigo alerta para a falta de evidências sobre eficácia e segurança do uso por indivíduos sem obesidade


Um estudo internacional liderado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e da Faculdade de Saúde Pública (FSP-USP), publicado recentemente na revista científica Obesity, revela um cenário que avança com rapidez em diversos países: o uso de medicamentos desenvolvidos para tratar diabetes tipos 2 e obesidade por pessoas sem diagnóstico ou condições metabólicas associadas às doenças. A pesquisa, que reúne especialistas do Brasil, Estados Unidos, Dinamarca e Japão, explora os impactos sociais, culturais, emocionais e comportamentais desse novo padrão de consumo das chamadas “canetas emagrecedoras”.

Conduzida pelos professores Dra. Fernanda Scagliusi e Dr. Bruno Gualano, do Centro de Medicina do Estilo de Vida (CMEV) da FMUSP, a análise mostra que os agonistas de GLP-1 — substâncias que imitam a ação de um hormônio ligado ao controle do apetite, da saciedade e da glicose — deixaram de ser vistos exclusivamente como tratamentos médicos. Nos últimos anos, também passaram a ser usados como ferramentas de otimização corporal.


A MEDICALIZAÇÃO DA MAGREZA

O uso off-label, termo em inglês que se refere ao consumo de medicamentos para finalidades não previstas na bula aprovada por órgãos reguladores, é uma prática aceita em contextos médicos específicos e exige acompanhamento adequado, justificativa clínica e avaliação rigorosa dos riscos.

Apesar desses critérios, a ascensão das canetas emagrecedoras entre o público estudado está fortemente ligada à dinâmica das redes sociais. Plataformas digitais, influenciadores e celebridades têm impulsionado a popularização desses medicamentos, reforçando a ideia de que a magreza é sinônimo de sucesso, disciplina e autocuidado.

Os pesquisadores definem esse fenômeno como uma “economia moral da magreza”, na qual perder peso é percebido como virtude, enquanto não emagrecer é interpretado como fracasso pessoal. “Nas redes, vemos narrativas muito sedutoras que apresentam esses medicamentos como soluções simples e rápidas, sem mencionar riscos ou limitações. Tudo isso pressiona as pessoas a recorrerem a estratégias farmacológicas mesmo sem necessidade clínica, apenas para atingir um ideal estético amplificado digitalmente”, aponta a Profa. Dra. Fernanda Scagliusi, primeira autora do estudo.


FENÔMENO CRESCE MAIS RÁPIDO QUE AS EVIDÊNCIAS

“Há uma lacuna importante de conhecimento. Sabemos que esses medicamentos são eficazes para pessoas com obesidade, mas ainda faltam estudos que avaliem segurança, impacto psicológico e efeitos de longo prazo em indivíduos sem indicação clínica. Isso torna o uso estético especialmente preocupante”, afirma o Prof. Dr. Bruno Gualano, presidente do Centro de Medicina do Estilo de Vida da FMUSP.

Entre as incertezas, a pesquisa identificou possíveis alterações no comportamento alimentar, dependência emocional do medicamento, medo de recuperar peso e mudanças significativas na relação com o corpo e com a alimentação.


DIFERENÇAS ENTRE PAÍSES: O PESO DA CULTURA

O uso off-label não ocorre de forma homogênea no mundo, e as motivações variam de acordo com valores culturais, normas sociais e características dos sistemas de saúde.

No Brasil, a busca por esses medicamentos está fortemente associada a padrões de beleza atravessados por questões de raça, gênero e classe. Nos Estados Unidos, prevalece um discurso centrado na responsabilidade individual, produtividade e autocontrole. No Japão, a preocupação se aproxima mais da vigilância em saúde, enquanto na Dinamarca o consumo se insere em um contexto de maior confiança institucional e controle regulatório.

“É uma tendência mundial, mas não existe uma explicação única para ela. Cada país oferece pistas diferentes sobre como cultura, economia e saúde se entrelaçam nesse novo uso das canetas emagrecedoras”, conclui a Profa. Dra. Fernanda Scagliusi.
 

O estudo completo está disponível na Obesity (clique aqui)*
 

 

Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP


Além do câncer: Instituto Ronald McDonald alerta para comorbidades que agravam o tratamento infantojuvenil

Divulgação
Instituição alerta para a atenção às comorbidades e para a saúde física, emocional e social das famílias em tratamento

 

O câncer infantojuvenil permanece como a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 8 mil novos casos são diagnosticados anualmente no país. Mas, por trás dessas estatísticas, existem histórias de vida que revelam desafios muito maiores do que o enfrentamento do tumor. Além dos impactos diretos do tratamento oncológico, muitas crianças desenvolvem comorbidades como diabetes, desnutrição e imunossupressão, condições que agravam o quadro clínico e exigem uma abordagem ainda mais ampla e integrada. Por isso, o Instituto Ronald McDonald reforça a importância do cuidado integral, que considera não apenas a saúde física, mas também o bem-estar emocional e social das crianças e de suas famílias ao longo de toda a jornada contra o câncer. 

Estudos internacionais apontam que até 30% das crianças com câncer no mundo podem desenvolver algum tipo de distúrbio metabólico durante o tratamento, o que reforça a necessidade de atenção multidisciplinar, envolvendo médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores e assistentes sociais. No Brasil, essa realidade é agravada pelas desigualdades regionais. Enquanto o índice de sobrevida média no Sul chega a 75%, na região Norte esse número cai para 50%, segundo dados INCA. 

“Tratar o câncer é também tratar o ser humano em todas as suas dimensões, física, emocional e social. Quando olhamos para a criança como um todo, conseguimos reduzir o sofrimento, melhorar a adesão ao tratamento e aumentar as chances de cura”, afirma Bianca Provedel, CEO do Instituto Ronald McDonald. 

Há mais de 26 anos, a instituição atua no enfrentamento do câncer infantojuvenil e na promoção de atenção integral à saúde, apoiando projetos que vão desde a capacitação de profissionais até o acolhimento das famílias em situação de vulnerabilidade. Entre os projetos apoiados em 2025, temos os que são voltados diretamente à atenção integral, garantindo alimentação balanceada, transporte, suporte psicossocial e atividades educativas durante o tratamento. 

Nas unidades dos Programas Casa Ronald McDonald e Espaço da Família Ronald McDonald, o cuidado acontece de forma concreta: as famílias encontram hospedagem, refeições, transporte até o hospital, acompanhamento nutricional e atividades de lazer e aprendizado para as crianças e para o tutor. “O acolhimento é parte do tratamento. Uma mãe descansada, uma criança alimentada e um ambiente acolhedor ajudam o corpo e a mente a responderem melhor”, destaca Bianca. 

Os dados confirmam o impacto social desse modelo de atenção. Pesquisas realizadas com as famílias atendidas mostram que 78% vivem com renda de até 1 salário-mínimo, e 84% afirmam que não teriam onde se hospedar se não fosse o apoio do Instituto. Além disso, 51% vivem abaixo ou na linha da pobreza e 37% relatam ter ao menos uma necessidade básica não atendida, como alimentação, transporte ou moradia. 

Para Bianca, a atenção integral é um passo essencial na luta pela equidade na saúde infantil. “Ainda enfrentamos um país de contrastes, em que o CEP muitas vezes define o destino de uma criança. Nossa missão é garantir que cada uma delas, onde quer que nasça, tenha acesso ao cuidado completo, digno e humano.”, finaliza.



Instituto Ronald McDonald
www.institutoronald.org.br

 

 

O NATAL ESTÁ NO AR: FELIZCIDADE REACENDE A MAGIA NATALINA EM SÃO PAULO

Inspirado nas tradicionais paradas norte-americanas, o projeto traz um mega desfile de balões para o Minhocão, com direção artística do carnavalesco Jorge Freitas

 

A trajetória de celebrações de final de ano em São Paulo está pronta para um novo capítulo, que promete resgatar a tradição e todo o encantamento do Natal. É que a cidade vai sediar a primeira edição do FelizCidade, um grande desfile de balões, inspirado nas clássicas paradas natalinas dos Estados Unidos. 

O evento acontecerá no dia 13 de dezembro no Minhocão (Elevado Presidente João Goulart) e é uma produção da agência Joia | Experiências que Transformam, comandada por Flávia Morizono e Daniela Helena Sanzone. A ideia nasceu durante uma viagem das executivas a Nova York. “Fomos conhecer a maior parada de Natal do mundo e decidimos trazer esse encanto pra cá, somando o calor, a criatividade e o ritmo do brasileiro, em parceria com grandes nomes do nosso carnaval”, conta Flávia Morizono, diretora de planejamento e operações da Joia. “Mais do que um espetáculo, o FelizCidade é um movimento para resgatar tradições e criar novas memórias afetivas”, complementa Daniela Sanzone, sócia-diretora da agência. 

Com produção da Joia | Experiências que Transformam e direção de Jorge Freitas, premiado cenógrafo, artista plástico e carnavalesco, o FelizCidade invadirá o Minhocão com balões gigantes, alegorias, personagens, dançarinos, músicos e o próprio Papai Noel, em um espetáculo que une a magia do Natal à energia contagiante do Carnaval. 

Reconhecido por unir o luxo dos desfiles carnavalescos à sensibilidade das montagens cênicas, Jorge Freitas imprime sua assinatura artística ao projeto. “O FelizCidade é mais do que um desfile: é uma travessia poética entre o sonho e a realidade. Estamos trazendo para o Natal brasileiro o mesmo encantamento das grandes paradas internacionais, mas com o tempero da nossa cultura: o ritmo, o brilho, o sorriso do nosso povo”, explica o carnavalesco. 

Ele destaca que a ideia é criar um espetáculo de rua que emocione o público de todas as idades. “Queremos que cada pessoa volte a sentir o espírito do Natal, que volte a acreditar na alegria coletiva. É sobre devolver à cidade a esperança em forma de arte”, conclui Freitas. 

O desfile será gratuito e aberto ao público, porém com controle de acesso para até 5 mil pessoas. O projeto prevê ao todo quatro alas, com 56 integrantes, quatro balões, três grandes alegorias e uma banda com 24 músicos. A ideia é que o público acompanhe o cortejo ao longo do trajeto, com duração de duas horas, das 16h às 18h, no sentido centro-bairro do elevado. 

A expectativa da organização é que o evento se torne parte do calendário oficial de eventos da cidade, devolvendo ao Natal o protagonismo nas celebrações paulistanas.

 

Serviço:

FelizCidade – Desfile de Balões

Data: 13 de dezembro (sábado)

Horário: Das 16h às 18h

Local: Elevado Presidente João Goulart (Minhocão) – Sentido Centro-Bairro

Entrada: Gratuita- Com controle de acesso para até 5 mil pessoas

Evento Petfriendly

 


Como usar o 13º salário de maneira inteligente?

Especialista do Centro Universitário Integrado recomenda
usar o 13º salário para quitar dívidas, montar reserva de emergência
 e se preparar para despesas como IPTU, IPVA e matrícula escolar 
Freepik
Especialista orienta como administrar o dinheiro extra; veja como evitar erro mais comum, fazer a gestão de dívidas e se planejar para o início do ano

 

A data final para os trabalhadores receberem a segunda parcela do 13º salário é 20 de dezembro. Mas para que esse “dinheiro extra” não vire uma dor de cabeça, ele deve ser utilizado com inteligência e não em compras impulsivas ou desnecessárias. 

“O 13º não é um ‘bônus’ e sim uma parte do salário que chega concentrada no fim do ano. Em um cenário de juros ainda elevados, essa quantia precisa ser tratada como recurso estratégico e não para consumo imediato”, explica o especialista em Finanças e diretor de Operações do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), Alan Sales da Fonseca.

O alerta ganha ainda mais relevância com a inadimplência do país. Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice de famílias com algum tipo de dívida a vencer chegou a 79,5% em outubro. Dessas, 30,5% têm débitos em atraso e 13,2% afirmam que não conseguirão pagar o que devem.

 

Erro mais comum x mapa de prioridades

O erro mais comum, segundo o especialista, é utilizar o dinheiro como sendo “extra” e gastar com presentes, festas e viagens sem considerar dívidas ou contas típicas do início de ano como IPTU, IPVA, matrícula e material escolar. 

No entanto, quando o trabalhador usa o 13º para ‘blindar’ essas contas, ele entra em janeiro e fevereiro com muito mais tranquilidade. “A função do 13º salário deve ser a de proteger o orçamento e reduzir a dependência ao crédito. Antes de tomar qualquer decisão, responda três perguntas básicas: Quanto eu devo?; Quais são minhas principais contas de início de ano?; Tenho alguma reserva para emergências?”, enfatiza.

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Com esse ‘mapa’ em mãos, é possível definir prioridades para organizar dívidas caras (cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal); reservar uma parte para as despesas já previstas no início do ano; e se sobrar, construir ou reforçar uma reserva financeira.

 

Dívidas e negociação

Para Fonseca, a aplicação mais inteligente do 13º salário é no combate às dívidas de juros altos. “Especialmente cartão de crédito rotativo, cheque especial e empréstimos pessoais. Financeiramente, essa atitude é equivalente a um investimento de alto retorno onde o trabalhador ‘ganha’ a taxa de juros exorbitante que deixará de pagar”, detalha. 

O especialista ainda destaca que a renda extra pode ser uma ‘poderosa moeda de negociação’. “Quando a pessoa chega ao banco ou ao credor dizendo: ‘Tenho X reais para pagar à vista se me derem desconto’, ela muda o jogo. A dica é não ter medo de pedir redução nos juros, multas, encargos e sempre solicitar a simulação por escrito antes de fechar o acordo”, enfatiza.

 

Proporções e prioridades

Embora não exista uma regra única para dividir o 13º salário, Alan Sales da Fonseca oferece uma referência que pode ser adaptada à realidade de cada um: 

·         Para quem está bastante endividado: 60% a 80% para dívidas caras; 10% a 20% para gastos de início de ano; e 10% para iniciar uma reserva de emergência.

·         Para quem tem dívidas sob controle: 40% a 50% para reduzir dívidas; 20% a 30% para despesas sazonais; e 20% a 30% para poupança/investimentos.

·         Para quem está com as contas equilibradas: 30% a 40% para objetivos de médio prazo (viagem, curso); 30% a 40% para investimentos; e 20% a 30% para consumo planejado. 

“Mais importante que a proporção exata é a intencionalidade: o 13º salário deve ter destino definido antes de cair na conta. Quando o dinheiro entra sem plano, ele some. Quando entra com propósito, ele vira ferramenta de melhora de vida”, ressalta.

 

E para quem está com tudo em dia?

Para aqueles que estão com as finanças organizadas, o 13º salário deixa de ser uma ‘tábua de salvação’ e se transforma em uma alavanca para o futuro. Nesse caso, o diretor de Operações do Centro Universitário Integrado indica quatro caminhos promissores: 

1.       Reforçar a reserva de emergência: essa proteção contra imprevistos evita o retorno ao crédito caro.

2.       Investir em si mesmo: cursos, certificações e cuidados com a saúde são vistos como investimento em “capital humano”.

3.       Construir patrimônio de longo prazo: aplicar em previdência ou outros investimentos para garantir autonomia financeira no futuro é uma ótima alternativa.

4.       Planejar lazer, sem culpa: destinar uma parte para o lazer, uma experiência em família ou um passeio, mas de forma controlada, e não impulsiva. 

“Para quem está equilibrado, o 13º não é só um alívio de fim de ano; é uma alavanca. Pode aproximar objetivos, fortalecer segurança financeira e, ao mesmo tempo, proporcionar qualidade de vida”, complementa Alan Sales da Fonseca.

 


Centro Universitário Integrado


Fim de ano no varejo: quais canais digitais investir para aumentar as vendas?

 

O clima de final de ano – com suas luzes, presentes e ceias – também carrega uma forte tradição de consumo. Para os varejistas, a época é um verdadeiro banquete de oportunidades para alavancarem suas vendas e, ainda, atrair a atenção e fidelização de consumidores mesmo após as festividades. Conquistar esses resultados, contudo, não depende apenas de ter um bom produto ou serviço, mas sim de todas as estratégias de comunicação construídas ao longo do ano, de forma que entendam quais canais digitais investir nesse período para que convertam mais leads em vendas e experiências de sucesso.

Segundo a pesquisa de “Intenção de Compras para o Natal 2025”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), a estimativa é de que esse setor movimente cerca de R$ 84,9 bilhões na economia, com 76% dos consumidores que planejam dar algum presente neste Natal.

O cenário é extremamente favorável para a colheita de grandes resultados pelos varejistas, desde que já tenham investido em campanhas e estratégias de construção de marca nos 11 meses anteriores. Afinal, a concorrência do mercado atual é cada vez maior, o que torna a atração de clientes uma verdadeira batalha dentre tantos anúncios e ofertas que cada um recebe constantemente.

Empresas que reforçam esse relacionamento com seu público-alvo a todo o momento chegam nessa época do ano com poucos ajustes a serem feitos, adequando sua comunicação ao que o consumidor busca de suas marcas favoritas nesse período. Em contrapartida, quem não fez essa lição de casa ao longo do ano tem que correr atrás para que consigam ganhar visibilidade.

Quando o varejista colhe dados de seus consumidores em todos os meses de operação, compreendendo, com clareza, suas demandas, necessidades e preferências de compra, conseguem ter maior êxito ao calibrar suas ofertas nessa época, desenvolvendo ações bem mais assertivas que atinjam, em cheio, essas expectativas. Do contrário, acabam aplicando promoções em praticamente todos os seus itens, sem entender se fazem sentido para seu público-alvo.

Ao invés de reforçarem ofertas gerais em tudo que vendem, focar tempo e energia em poucos produtos pode trazer muito mais retorno, mesmo que acabem não atingindo grandes resultados lucrativos. Isso porque, mesmo que um cliente acabe não tendo interesse em um item específico, pode passar a se atentar mais às comunicações enviadas pela marca, por já ter tido uma experiência confiante e confortável aos seus desejos.

Em meio a um mercado cada vez mais dinâmico, os canais digitais se tornaram essenciais nesse sentido, capazes de fortalecer o relacionamento entre as partes e transmitir mensagens com autenticidade e impacto. E, dentre tantas opções disponíveis, o WhatsApp é, de fato, um dos mais famosos e utilizados no Brasil. Em dados da pesquisa Panorama de Marketing, como prova disso, foi identificado que 74% das empresas do varejo utilizam esse canal regularmente para vendas, atendimento comercial e pós-venda.

Ao mesmo tempo, por também ser um dos meios de comunicação pessoal mais predominantes, há muitos que preferem se relacionar com as marcas por outras vias, se sentindo até incomodados quando são contatados neste ambiente. Apostar todas as fichas em um único canal só diminui as chances de grandes retornos, além de aumentar os custos de investimento.

Qual a solução? Diversificar. Investir em diferentes canais de comunicação durante todo o ano para que, quando cheguem nessa época festiva de Natal e Ano Novo, consigam analisar o histórico de comportamento de seus clientes e compreender onde cada um se sente mais confortável em se relacionar com a marca e que tendem a ter um maior engajamento para conversão de vendas.

Não existe um canal perfeito, mas o ideal para cada cliente ou nicho. Quando essas particularidades são entendidas e calibradas nesse momento de final de ano, as chances de criarem boas experiências com os consumidores – mesmo que não comprem nada de imediato – serão bem maiores, gerando relacionamentos recorrentes à longo prazo que ganhem a atenção e fidelidade com o varejista.

 


Luiz Correia - Head Comercial da Pontaltech.

Pontaltech

 

A produtividade perdida da construção civil — e por que isso exige uma nova cultura


O setor de construção civil no Brasil está em um ponto crítico. Enquanto muitos outros segmentos abraçaram a digitalização, o planejamento estratégico e a tecnologia de forma acelerada, a construção segue presa a práticas que hoje se mostram obsoletas. Para os líderes empresariais que querem liderar — e não apenas reagir —, entender esse hiato de produtividade é fundamental para sair do ciclo de mediocridade.


A produtividade que não avança

Um dos relatórios mais robustos sobre o tema, da McKinsey Global Institute, mostra que globalmente o crescimento da produtividade no setor de construção foi, em média, apenas 1 % ao ano nas últimas duas décadas — enquanto a economia como um todo cresceu 2,8 % ao ano no mesmo período.

No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor em 2022 produziu valor bruto de R$415,6 bilhões em obras e serviços, com emprego de cerca de 2,3 milhões de pessoas — mas o crescimento ainda continua moderado e os desafios, numerosos.

Somamse os estudos da consultoria especializada que apontam que, com a adoção de soluções digitais adequadas — modelagem BIM, automação, planejamento integrado —, o setor teria potencial de ganho de produtividade de até 50 a 60 %.

Esses números não são apenas estatísticos — são sinais de alerta para quem dirige empresas e precisa tomar decisões estratégicas.

Esse cenário se torna ainda mais desafiador diante da nova dinâmica do mercado de trabalho. De acordo com dados recentes do IBGE e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a taxa de desemprego no Brasil está em torno de 7,5% — o menor nível desde 2015.

Em teoria, trata-se de uma boa notícia. Mas, na prática, menos desemprego significa menor oferta de profissionais disponíveis, e o impacto é amplificado na construção civil — um setor historicamente caracterizado por alta rotatividade e forte dependência de mão de obra técnica.

Funções como engenheiros, mestres de obra, técnicos de segurança e operadores especializados estão cada vez mais escassas, e a formação desses profissionais leva tempo. O resultado é que os custos sobem, os prazos se alongam e os investimentos se retraem, justamente quando o setor mais precisa acelerar.


Nesse contexto, a capacitação das lideranças e a transformação cultural deixam de ser temas secundários: tornam-se a única estratégia viável para sustentar crescimento e produtividade.


Porque essa defasagem persiste:

1. Cultura do imediatismo e “resolver na obra”
O pensamento prevalente de que “planejar custa tempo” e que o “jeitinho resolve” afasta o foco no projeto, no cronograma estrutural e na eficiência. Isso mina a competitividade.


2. Resistência à tecnologia e falta de capacitação profissional

Mesmo com tecnologias maduras — como pré-fabricação, montagem otimizada, plataformas digitais de gestão —, o setor esbarra na falta de mão de obra preparada e na mentalidade de que “sistema = burocracia”. Essa combinação impede a inovação.


3. Ambiente econômico instável e pouca disposição para investimentos estruturais

A instabilidade macroeconômica, alta variabilidade no custo de insumos e a sensação de risco elevado fazem muitas empresas retraírem capex, mantendo processos tradicionais que já não funcionam bem no contexto atual.


Por que isso interessa ao líder de empresa

Para os gestores que buscam crescer, ganhar mercado ou simplesmente manter relevância, essas defasagens significam: 

● Custo mais alto: menores índices de produtividade elevam o custo por m² e incham orçamentos.

● Prazo mais longo: a entrega se torna imprevisível, gerando insatisfação de clientes e risco reputacional.

● Qualidade inferior: falta de planejamento, mão de obra despreparada e tecnologias subutilizadas comprometem o resultado final.

● Perda de oportunidades: empresas concorrentes que adotaram abordagem mais moderna ganham vantagem — e o mercado de construção civil está cada vez mais competitivo.


Caminhos para virar o jogo

A quebra desse ciclo passa por três movimentos estratégicos:

● Projeto antes da obra: dedicar tempo e recursos ao planejamento é um investimento, não um custo. Estudos mostram que obras bem modeladas com ferramentas digitais têm redução relevante de retrabalho e desperdício.

● Capacitação e cultura de tecnologia: contratar ou formar profissionais preparados para operar novas plataformas, substituir planilhas por sistemas ágeis e promover um ambiente em que inovações sejam aceitas e valorizadas.

● Estrutura de governança e gestão de dados: adotar KPIs de produtividade, digitalizar processos, monitorar performance, integrar equipes técnicas, comerciais e operacionais. Essas medidas geram transparência e previsibilidade — fatores decisivos para atrair investidores ou contratos de maior escala.

O setor de construção civil está em uma encruzilhada: pode continuar caminhando na mesma velocidade ou acelerar e abraçar uma nova lógica de execução.

Para os líderes que optarem por transformar seus modelos, o diferencial não estará apenas em máquinas ou softwares — estará na cultura, no pensar antes de construir, no treinar antes de montar.

A decisão, para quem dirige empresas, é simples: manter a inércia ou liderar a mudança. A escolha define quem estará competitivo no mercado do futuro.


Daniela Lopes - Chief Sales Officer da We Are Group, empresa especializada na execução de ambientes corporativos e comerciais de alto padrão. Mais informações no site.

 

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