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sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Estudo inédito mostra que aplicar menos de 1% do orçamento da saúde em cuidados oculares traria retorno anual de R$ 42 bilhões ao Brasil

Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira estima que até 90%
dos casos de cegueira e deficiência visual podem ser prevenidos ou tratados


  • Investimento de R$ 1,55 bilhão em seis pilares para prevenção, diagnóstico precoce e tratamento de doenças oculares renderia benefícios econômicos 27 vezes maiores;
  • Perda total ou parcial da visão está relacionada ao desemprego, à baixa escolaridade e à renda menor;
  • Ações também trariam benefícios socioemocionais para quem sofre com algum problema de visão, evitando 60 mil casos de depressão a cada ano.

A Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB) estima que até 90% dos casos de cegueira e deficiência visual possam ser prevenidos ou tratados. Neste Dia Mundial da Visão, celebrado em 9 de outubro, um estudo inédito revela o impacto potencial do investimento em saúde ocular no Brasil. De acordo com os dados, a destinação de R$ 1,55 bilhão para a promoção da saúde ocular – menos de 1% do orçamento público da saúde previsto para 2025 – poderia gerar um retorno anual de R$ 42 bilhões, o equivalente a R$ 27 para cada R$ 1 investidos. 

O relatório Valor da Visão foi produzido pela Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB), Fundação Seva e Fundação Fred Hollows. 

As consequências da perda de visão parcial ou total são muitas. Envolvem desemprego, baixa escolaridade, redução de renda, sobrecarga para os cuidadores, problemas de saúde mental e maior risco de acidentes e doenças – fatores que afetam diretamente a realidade socioeconômica do país. 

Assim, segundo o estudo, entre os principais benefícios da atenção à saúde ocular estariam ganhos de empregabilidade (R$ 16,8 bilhões) e de produtividade (R$ 9,36 bilhões). Além disso, o investimento em prevenção, diagnóstico precoce e tratamento de doenças oculares também traria benefícios sociais: evitaria 60 mil casos de depressão e quase 14 mil acidentes de trânsito, além de gerar um ganho em escolaridade de 139 mil anos. 

Lorrayne Compri, 36, analista de suporte de vendas, conhece bem os impactos positivos dos cuidados oculares. Moradora de São Carlos (SP), ela tinha estrabismo – doença caracterizada pelo desalinhamento dos olhos – desde os 8 anos e relata ter sofrido bullying por anos na juventude, com consequências graves para sua autoestima e saúde mental. 

“Eu sempre adorei tirar fotos, mas sempre olhava para baixo ou escondia os olhos com o cabelo, e só me sentia mais segura com óculos de lentes escurecidas”, conta ela, que viveu até os 30 anos sem acesso à cirurgia em razão dos altos custos do procedimento. 

Em 2019, ela pôde, enfim, corrigir gratuitamente o estrabismo, com o apoio do Instituto Verter. “Quando eu cheguei em casa depois da cirurgia e vi meus olhos no espelho, fiquei emocionada e falei para minha mãe ‘estão retinhos, estão retinhos’. Fui à praia comemorar e tirei muitas fotos sem óculos. A cirurgia mudou completamente a minha vida.” 

Para Caio Abujamra, presidente do Instituto Suel Abujamra, o investimento em saúde ocular é uma das decisões mais inteligentes que o Brasil poderia tomar. “O impacto vai muito além do financeiro. Quando melhoramos a visão, nós também prevenimos depressão, reduzimos acidentes e aliviamos os cuidadores. O ato de enxergar está relacionado à dignidade e às oportunidades tanto quanto à economia – e em um país onde as desigualdades sociais e econômicas são tão profundas, investir na saúde ocular pode fazer uma diferença decisiva”, diz. 

A pesquisa aponta seis áreas prioritárias para os governos prevenirem a perda da visão: detecção precoce por meio de exames nas comunidades – nas escolas, por exemplo –, distribuição de óculos de leitura, aumento da capacidade cirúrgica, melhorias na produtividade cirúrgica e das equipes, e remoção de barreiras ao acesso à saúde ocular – como custo, distância e estigma –, além do aprimoramento da cirurgia de catarata com técnicas inovadores, uso mais amplo de biometria e padrões mais rigorosos de cuidados pós-operatórios. 

Um exame simples e de rotina na escola foi responsável por alertar a família de Helena Abia Domingos Lucena, 12, de São Paulo, sobre a possibilidade de diagnóstico de um tumor (neoplasia) de conjuntiva. A lesão surgiu como uma mancha no olho direito quando ela tinha 8 anos. Desde então, a menina sente o olho irritado e a visão embaçada, causando dores de cabeça. 

A mãe, a especialista em compliance Carla Kate da Silva, 39, procurou orientação oftalmológica quando os primeiros sintomas apareceram, mas os profissionais indicaram que era apenas uma mancha e os demais sintomas poderiam ser cansaço. Após o alerta dos exames feitos na escola, Helena começou a ser acompanhada pelo Instituto Suel Abujamra. 

“Conversei na escola para que os professores deixassem que ela sentasse nas fileiras da frente para enxergar melhor a lousa. Fizemos um tratamento com colírios, o que amenizou os sintomas, tanto que ela ficou alguns meses sem se queixar das dores de cabeça e da coceira. Agora, fazemos o acompanhamento com o Instituto Suel Abujamra para saber como a mancha está se comportando”, assinala Silva. 

“A perda da visão é um problema universal que impacta todas as áreas da vida, mas temos soluções claras para ela. Grande parte dos casos pode ser prevenida com intervenções simples e acessíveis como expandir os testes de visão e melhorar a cirurgia de catarata. Neste Dia Mundial da Visão, convocamos governos, empresas, escolas e famílias a fazer da saúde ocular uma prioridade. A evidência é clara: ao investirmos na visão, investimos no futuro”, afirma Peter Holland, diretor-executivo da IAPB.
  


Agência Internacional de Prevenção à Cegueira – IAPB

 

Transforme o Dia das Crianças em momento de amor e propósito adotando um novo melhor amigo no Paseo Alto das Nações



Ação acontece no sábado, 11, em parceria com o Instituto Ampara Animal


Neste dia das crianças, mais do que brinquedos, um presente cheio de afeto e significado pode marcar a data de forma inesquecível com a chegada de um novo companheiro de quatro patas. O Paseo Alto das Nações, localizado na Chácara Santo Antônio e administrado pelo Carrefour Property, promove uma campanha de adoção de cães e gatos resgatados pelo Instituto Ampara Animal. A ação acontece no sábado, dia 11 de outubro, das 11h às 16h, no piso 1 do empreendimento, com pets já vacinados, vermifugados e castrados. 

Os interessados em adotar precisam ter mais de 21 anos, além de apresentar RG, CPF e comprovante de endereço originais. Após uma entrevista prévia, os aprovados assinam o termo de responsabilidade e podem levar o pet para casa no mesmo dia.

“Quando pensamos em presente para o Dia das Crianças, logo associamos a brinquedos, mas a chegada de um pet pode representar uma experiência única de convivência, aprendizado e afeto. A adoção responsável traz à tona valores como cuidado, empatia e responsabilidade, que fazem parte do crescimento de qualquer criança. Para o Paseo, é gratificante proporcionar um espaço onde famílias possam viver esse encontro especial”, ressalta Franklin Pedroso, coordenador de marketing do Paseo Alto das Nações.

Há 15 anos, o Instituto Ampara Animal atua de forma preventiva na proteção de cães e gatos em situação de vulnerabilidade, com foco na conscientização, castração e adoção. Defendendo o respeito e a dignidade dos animais, já facilitou a adoção de mais de 14 mil pets, distribuiu 1,8 milhão de quilos de ração e vacinou 175 mil cães e gatos.


Serviço

Evento: Evento de adoção no Paseo Alto das Nações
Data: 11 de outubro
Horário: 11h às 16h
Endereço: Av. das Nações Unidas, 15187 - Chácara Santo Antônio (Zona Sul), São Paulo - SP, 04794-000


Sobre o Paseo Alto das Nações

O Paseo Alto das Nações é um imponente centro de compras que faz parte do complexo multiuso com mais de 320 mil m² de área privativa, localizado no eixo Berrini/Chucri Zaidan, um dos mais importantes polos comerciais de São Paulo. Criado para ser um espaço de bem-estar, integrando tecnologia e tranquilidade, agilidade e afetividade, gerando as conexões que nos alimentam de cultura, de arte, de diálogo e de trocas. O centro comercial é composto por mais de 20 mil m² de ABL, mais de 40 lojas, sendo uma delas, a loja conceito hipermercado Carrefour. Além disso, complementarão o complexo, 1 torre comercial - a mais alta de São Paulo, 1 torre residencial e 1 torre mista, além de ums extraordinária praça com 32 mil m² de área verde, aberta ao público, incentivando a interação com o



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Obesidade infantil acende alerta: entenda os impactos hormonais e os riscos a longo prazo

Excesso de peso na infância pode antecipar a puberdade e comprometer a saúde ao longo da vida, comenta especialista da Atma Soma


O Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, que ocorre em 11 de outubro, chama atenção para um problema crescente: a obesidade infantil, que já afeta milhões de crianças e adolescentes no Brasil. Mais do que uma questão estética, o excesso de peso nessa faixa etária está diretamente associado a alterações hormonais que comprometem o crescimento, antecipam a puberdade e aumentam o risco de doenças crônicas na vida adulta. 

De acordo com dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), ligado ao Ministério da Saúde, entre 2014 e 2024 o número de crianças diagnosticadas com obesidade quase triplicou no país, passando de 394 para 1.168 registros. Entre adolescentes, os casos também cresceram: de 1.096 para 1.439 no mesmo período. Os números refletem uma tendência preocupante de avanço da obesidade juvenil, acompanhada do aumento da exposição a fatores de risco como sedentarismo, consumo excessivo de ultraprocessados e uso precoce de telas digitais. 

“A obesidade na infância provoca desequilíbrios hormonais importantes, como resistência à insulina, aumento da leptina e alterações nos níveis de IGF-1. Esses fatores podem antecipar a puberdade, acelerar a maturação óssea e comprometer a altura final. Além disso, elevam as chances de diabetes, doenças cardiovasculares e outras complicações metabólicas ao longo da vida”, explica Alessandra Rascovski, endocrinologista e diretora clínica da Atma Soma. 

Pesquisas apontam que crianças obesas frequentemente apresentam resistência à insulina ainda na infância, condição que afeta o metabolismo da glicose e pode evoluir para diabetes tipo 2. Também são observados níveis elevados de leptina, hormônio que regula apetite e saciedade, mas que em excesso perde sua eficácia. Já a conversão de andrógenos em estrógenos pelo tecido adiposo acelera o amadurecimento hormonal, principalmente em meninas, favorecendo quadros de puberdade precoce. 

Essas alterações fazem com que muitas crianças obesas cresçam mais rapidamente nos primeiros anos, mas tenham sua estatura final comprometida devido à aceleração da idade óssea. A longo prazo, também apresentam maior risco de se tornarem adultos obesos, o que multiplica as chances de desenvolver doenças crônicas graves, como hipertensão, diabetes, câncer e problemas cardiovasculares.
De acordo com o Ministério da Saúde, uma das principais estratégias de prevenção é a adoção de hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida, com incentivo ao consumo de alimentos in natura ou minimamente processados e limitação de ultraprocessados, refrigerantes e doces. Fazer as refeições em família, sem distrações como telas, também contribui para a autorregulação da fome e da saciedade. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda ainda que crianças e adolescentes realizem ao menos 60 minutos diários de atividade física moderada a intensa, prática que melhora o metabolismo, auxilia na regulação hormonal e reduz o risco de obesidade e resistência à insulina. Além dos benefícios metabólicos, o exercício regular favorece o desenvolvimento motor, o sono, o humor e o desempenho cognitivo. 

Para Alessandra, o acompanhamento da saúde infantil desde cedo é imprescindível para prevenir a obesidade e suas consequências. “Cuidar da saúde das crianças é investir no futuro. Pequenas mudanças na rotina, como mais movimento, menos telas e uma alimentação mais natural e, sempre que possível, descascar mais e desembalar menos, podem transformar o desenvolvimento físico e emocional dessa geração. A prevenção é o caminho mais eficaz para que as crianças cresçam com saúde e qualidade de vida”, conclui a especialista.


Ansiedade atinge 70% dos brasileiros e alternativas naturais ganham espaço no cuidado com a mente

 

Dados da OMS mostram que o Brasil lidera os índices de ansiedade no mundo; diante disso, cresce a procura por alternativas seguras e integrativas para equilibrar corpo e mente 

 

A saúde mental se tornou um dos maiores desafios da atualidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com a maior taxa de transtornos de ansiedade no mundo: sete em cada dez brasileiros relatam sintomas frequentes como insônia, irritabilidade e crises de pânico. Esse cenário se reflete também no aumento do consumo de ansiolíticos e antidepressivos, que cresceu mais de 20% na última década, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Embora os medicamentos de tarja preta sejam essenciais em casos graves, especialistas alertam para os riscos da automedicação e da dependência química. É nesse contexto que ganham força as alternativas naturais e personalizadas, capazes de oferecer alívio aos sintomas de ansiedade e estresse sem os efeitos colaterais comuns dos controlados.

“A manipulação farmacêutica permite desenvolver fórmulas sob medida, combinando ativos naturais e vitaminas que atuam no equilíbrio da mente e na qualidade do sono. 

Entre os mais procurados estão o 5-HTP, a L-teanina, o magnésio, a melatonina e os adaptógenos como a ashwagandha. Cada paciente é único, por isso a personalização é essencial para garantir segurança e eficácia”, explica Fabiola Faleiros, farmacêutica da La Pharma. 

Além da visão técnica, a experiência de quem viveu os efeitos da ansiedade também ajuda a ampliar a discussão. O consultor e escritor Flávio Lettieri, autor do livro “Ansiedade: aprenda a conviver com ela e equilibrar bem-estar e produtividade”, lembra que o problema afeta diretamente a vida profissional e pessoal de milhões de brasileiros. 

“Durante anos, tentei silenciar os sinais do meu corpo até que precisei ser internado. Percebi que não se trata de eliminar a ansiedade, mas de aprender a conviver com ela, adotando hábitos que fortaleçam corpo e mente. Alternativas seguras, como terapias naturais e práticas de autocuidado, podem ser grandes aliadas nesse processo”, afirma Flávio. 

O avanço da ciência também reforça essa tendência. Pesquisas recentes apontam que compostos como a L-teanina, encontrada no chá verde, ajudam a reduzir a frequência cardíaca e promover sensação de calma, enquanto a melatonina atua na regulação do sono — outro pilar fundamental para a saúde mental. 

Mas, para além da abordagem bioquímica, é preciso compreender o fator emocional. A psicóloga e terapeuta integrativa Laura Zambotto reforça que o ritmo acelerado e o excesso de estímulos têm aumentado o número de mulheres em sofrimento psíquico. 

“A ansiedade é, muitas vezes, o sintoma visível de uma desconexão profunda com o próprio ritmo interno. Vivemos em constante estado de alerta, tentando atender expectativas externas — da carreira, da família, das redes sociais. O corpo, então, responde com sinais de tensão, insônia e medo. Com isso, é cada vez mais frequente receber mulheres com queixas de baixa libido, cansaço e pensamentos acelerados. É urgente aprender a desacelerar e se reconectar consigo mesma” explica Laura. 

Para Fabiola, o mais importante é enxergar a ansiedade não como um tabu, mas como um sinal de alerta que pode ser manejado com responsabilidade. 

“O primeiro passo é sempre procurar acompanhamento médico e farmacêutico. A partir daí, podemos traçar estratégias que unam a prescrição correta, a manipulação de fórmulas naturais e mudanças de estilo de vida. O resultado costuma ser mais equilíbrio e mais qualidade de vida para quem sofre com a ansiedade”, conclui. 

Com a busca crescente por soluções integrativas, a expectativa é que a personalização do cuidado mental se torne uma das principais tendências da saúde nos próximos anos — unindo ciência, prevenção e bem-estar.


Quando a desatenção é mais que distração


Na semana em que celebramos o Dia das Crianças e o Dia dos Professores, vale refletir sobre um tema que conecta saúde e educação de maneira direta: os transtornos de aprendizagem e atenção. Muitos pais e educadores já se depararam com a dúvida: será que a criança está apenas distraída ou desinteressada, ou existe algo além disso? 

O déficit de atenção e a dislexia (transtorno específico de aprendizagem que afeta a capacidade de ler, escrever e reconhecer palavras com fluência) são condições frequentemente identificadas no ambiente escolar, mas nem sempre de forma clara. É comum que sinais como perda de objetos, esquecimento de tarefas, dificuldade para manter o foco ou erros frequentes na leitura sejam interpretados como “birra” ou “preguiça”. No entanto, quando esses comportamentos se repetem em diferentes contextos e começam a prejudicar a rotina, podem indicar a necessidade de investigação especializada. 

Outro ponto importante é que nem sempre a causa está apenas no cérebro da criança. Problemas de audição, distúrbios de linguagem ou até alterações no sono podem simular sintomas de desatenção. Uma criança que dorme mal em função de apneia, por exemplo, pode apresentar cansaço durante o dia e ter queda de rendimento escolar. Já dificuldades linguísticas podem exigir tanto esforço cognitivo para compreender as aulas que resultam em aparente desinteresse. 

No caso da dislexia, os primeiros indícios surgem cedo. Crianças em idade pré-escolar que apresentam atraso de fala, dificuldades em brincar com rimas, em formar frases ou em expandir o vocabulário já merecem acompanhamento. Não é incomum que essas crianças sejam mais tímidas ou busquem interações com adultos em vez dos colegas, justamente porque sentem dificuldade de acompanhar os pares em atividades de linguagem. Aqui, o professor exerce papel fundamental: por estar em contato diário, tem condições privilegiadas de perceber e orientar a família a procurar ajuda. 

É nesse ponto que a atuação multidisciplinar se mostra indispensável. O foniatra, médico especializado em comunicação humana, avalia não apenas o aspecto neurológico, mas também possíveis distúrbios auditivos, respiratórios ou motores que podem impactar no desenvolvimento escolar. Uma investigação completa permite diferenciar entre TDAH, dislexia, distúrbios da linguagem e outros quadros que exigem abordagens específicas. 

Mais do que o diagnóstico, entretanto, a parceria entre família e escola é o que sustenta o processo de aprendizagem. Planos educacionais individualizados, adaptações de avaliação, uso de recursos multissensoriais e ambientes mais organizados são medidas que fazem diferença. No dia a dia, atividades simples como conversas, leituras em conjunto, jogos de palavras e interações em grupo também fortalecem as habilidades de linguagem e atenção. 

Se há uma lição que podemos tirar, é que aprender exige muito mais do que a capacidade de estar atento. Exige sono reparador, audição adequada, linguagem bem estruturada, acolhimento emocional e apoio constante de professores e familiares. Reconhecer os sinais e agir cedo pode transformar a vida de uma criança — e garantir que ela alcance todo o seu potencial.

  

Dr. Gilberto Ferlin - otorrinolaringologista e foniatra do Hospital Paulista, referência nacional em saúde de ouvido, nariz e garganta.

 

Musculação ou Cardio? Ranking revela preferência dos brasileiros nas buscas do Google

 Frequência na pesquisa aponta que brasileiros preferem variabilidade nos movimentos na hora de se exercitar



Crédito:FG Trade

iStock

 

O momento de escolher entre a musculação e os exercícios aeróbicos, popularizados como cardio, pode ser difícil, principalmente para quem não tem afinidade com o assunto. Isso porque cada estilo tem sua característica e atende objetivos específicos de hipertrofia, resistência física e gasto calórico.


Para entender o interesse dos brasileiros que praticam atividades físicas, a Growth Supplements, empresa líder em suplementação, nutrição e moda esportiva, conduziu um estudo na base de buscas do Google. Durante todo o mês de agosto, foram observadas as variações de consultas entre cardio e musculação, e o primeiro foi o mais pesquisado.


No volume total, o termo “cardio” apareceu 42 mil vezes, e “musculação”, 29 mil. A diferença entre as modalidades foi próxima a 31%. Esse dado é relevante porque, embora as estatísticas e a quantidade de exercícios aeróbicos sejam superiores, os treinos de força tiveram um bom desempenho no quadro geral, o que demonstra certo equilíbrio.




 

Quais os benefícios do cardio?

 

O propósito define a meta a ser atingida com a prática de atividades físicas. Nas situações em que se busca emagrecimento, fortalecimento do sistema cardiorrespiratório e maior resistência, as atividades aeróbicas são mais indicadas.

Integram a lista de “cardio” aquelas atividades que provocam, em um período prolongado, o aumento da frequência cardíaca e da respiração. Assim, existem opções indoor (nas academias) e ao ar livre, como no caso de esportes, corrida, ciclismo e natação.


Uma revisão literária da Universidade Estadual Paulista (UNESP), publicada neste ano, mostrou evidências científicas sobre a prática de exercícios aeróbicos e o funcionamento do cérebro. Resumidamente, a constância beneficia as funções cognitivas e a saúde mental.

 

Não por acaso, as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam que adultos façam de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica em nível moderado ou vigoroso.



Quais os benefícios da musculação?


A musculação, por sua vez, costuma ser indicada para quem tem foco em força e no fortalecimento dos músculos. Os exercícios, também chamados de treinamento de força ou resistidos, proporcionam maior ganho de massa. Algumas sessões comuns incluem agachamentos, flexões, remada curvada, supino, cadeira extensora e barra fixa.


Cada exercício trabalha um grupo muscular principal, o que em si denota a importância de acompanhamento profissional, especialmente na elaboração da rotina. No processo de hipertrofia, especificamente, o rigor ultrapassa o planejamento dos treinos e alcança a organização do tempo de descanso, alimentação, suplementação e hidratação.


É comum para quem está inserido nesse contexto o uso de ferramentas capazes de garantir mais confiabilidade no processo, como balança, calculadora de creatina e relógios esportivos que monitoram a performance, por exemplo.



Como combinar cardio e musculação?


Combinar cardio e musculação é uma estratégia eficiente para quem busca resultados equilibrados entre resistência cardiovascular e ganho de força. A prática integrada pode melhorar a saúde do coração, otimizar a queima calórica e, ao mesmo tempo, favorecer a hipertrofia muscular. No entanto, a ordem e a intensidade dos treinos são fatores determinantes para o sucesso.


O foco deve ser ajustado de acordo com o objetivo principal. Para quem deseja emagrecer, o cardio pode ser priorizado antes da musculação, enquanto aqueles que buscam ganho de massa tendem a se beneficiar iniciando pelo treino de força e deixando o aeróbico para depois. A periodização ajuda a evitar o chamado “interferência do treino concorrente”, quando um método prejudica o outro.



Como melhorar a performance na musculação e no cardio?


Os resultados conseguidos através dos exercícios físicos dependem de critérios multifatoriais que envolvem desde nutrição até horas dormidas. Para ter um desempenho melhor, é importante fazer ajustes na dieta, suplementar e não pular o pré-treino.


Mais do que energia, o pré-treino pode auxiliar no ganho de massa muscular, especialmente quando há alimentos proteicos. Nesses casos, a indicação é de 1,4 a 2 gramas de proteína por quilo corporal. Intercalar exercícios de musculação e aeróbicos é outra alternativa que costuma beneficiar os mais diferentes objetivos.

Fazer a atividade aeróbica antes da sessão do treino de força ajuda a aumentar a resistência e perder mais peso. Já o cardio após os exercícios de musculação reduz as chances de lesões e contribui no ganho de massa. A intensidade e a periodicidade dos exercícios se alternam conforme o perfil de cada praticante.


Dia do Médico: com o envelhecimento da população, cresce a importância do geriatra

SBGG reforça a importância do especialista que acompanha o envelhecimento e atua na prevenção, diagnóstico e promoção da qualidade de vida da pessoa idosa.

 

No próximo dia18 será celebrado o Dia do Médico. Entre todas as especialidades, uma, em especial, vem ganhando cada vez mais espaço, graças ao envelhecimento da população: o médico geriatra. Mas, afinal, qual é o papel dele? 

Dados do Censo Demográfico Brasileiro de 2022 mostram que a população idosa, de 60 anos ou mais, teve um aumento de 56% em relação ao Censo Demográfico de 2010. São cerca de 32.113.490 pessoas que estão nesta faixa-etária, que representam 15,6% da população do Brasil, que gira em torno de 203.080.756. 

À medida que esta parcela considerável da população cresce, aumenta a preocupação em relação à saúde e ao bem-estar. Mas, para ser ter a tão sonhada longevidade com qualidade de vida, a ajuda de um médico que conheça o estado clínico geral do paciente e entenda o processo de envelhecimento é muito importante. E o profissional capacitado para esta função é o geriatra que, além de especialista no envelhecimento humano, realiza também prevenção, diagnóstico, tratamento, gerenciamento das condições clínicas e múltiplas doenças do idoso. “O geriatra tem um papel importante na saúde dos indivíduos, dos mais jovens aos mais idosos. Começamos a envelhecer por volta dos 30, 35 anos e para essa população o geriatra acaba ajudando na tomada de decisões ao longo da vida, que influenciarão como essas pessoas chegarão à terceira idade”, afirma o geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Dr. Leonardo Oliva, ao comentar que aproximadamente 20% de como a pessoa envelhecerá sofre influência da parte genética, 20% está relacionado ao ambiente em que se vive e os 60% restantes serão reflexo das escolhas tomadas ao longo da vida.  

Além de identificar e manejar doenças clínicas, que em muitos casos necessitam de atenção integrada e não fragmentada, o médico geriatra

também é capaz de diagnosticar precocemente uma doença e traçar planos de cuidados; do idoso plenamente funcional aos mais dependentes, incluindo os que estão em cuidados paliativos. “O geriatra é responsável por acompanhar a saúde da pessoa idosa como um todo, identificando alterações normais do envelhecimento e condições clínicas frequentes nesta fase da vida. O trabalho desse especialista é complementar e auxiliar a população 60+ no gerenciamento da complexidade dos problemas médicos que podem surgir ao envelhecer.” 

Segundo Dr.Oliva, para um bom acompanhamento de saúde, é importante haver individualização nos cuidados, entendendo que as pessoas envelhecem de maneira diferente, não havendo um “pacote fixo” de atitudes e de exames que devem ser realizados por todos. Ele explica que existem avaliações mais comuns, chamadas de exames de rotina, que devem ser realizados de forma periódica a depender da idade e das condições clínicas do paciente. Muitas vezes fazem parte dessa avaliação exames cardiovasculares e exames voltados para prevenção e detecção precoce de doenças oncológicas. 

 

Características

Embora essa especialidade não seja nova e é parte do vocabulário da grande maioria dos brasileiros, ainda existem muitas dúvidas sobre a área de atuação destes profissionais. De acordo com o presidente da SBGG, nenhuma outra especialidade desenvolveu tantos programas abrangentes e bem-sucedidos que melhoram a qualidade de vida da pessoa idosa. Ele revela que o geriatra é um profissional médico importante para garantir a qualidade de vida da pessoa idosa, pois é capaz de avaliar e tratar de doenças buscando entender os fatores biopsicossociais que estão influenciando em cada caso, além de lidar com doenças como demências, hipertensão arterial, diabetes e osteoporose. “O geriatra traz uma forma diferente de raciocínio clínico, entendendo que algumas situações comuns na população idosa podem ser oriundas de múltiplas causas, necessitando de atuação multiprofissional. Seriam exemplos tonturas, confusão mental e declínio cognitivo, incontinência urinária, instabilidade postural e quedas, entre outros. Os cuidados seguem até o final da vida do indivíduo, onde a visão dos cuidados paliativos se torna fundamental.”  

 

Anote aí

Confira as atribuições do médico geriatra:


Acompanhamento

Acompanha a pessoa idosa para promover um envelhecimento bem-sucedido, atuando na prevenção de doenças e prevenção da perda de funcionalidade, além de tratar doenças já existentes.


Reabilitação

Atua na reabilitação de várias doenças ou condições físicas da pessoa idosa.


Tomada de decisões

Auxilia o paciente e sua família na tomada de decisões importantes sobre a qualidade de vida e o bem-estar do idoso.


Preservação da autonomia

Trabalha para preservar e recuperar a independência e a autonomia funcional dos idosos.


Atendimento integral

Realiza uma abordagem ampla da pessoa idosa, considerando o envelhecimento natural, as doenças e as demandas psicossociais.


Trabalho em equipe

Atua em conjunto com profissionais de outras áreas da saúde para garantir que os cuidados à pessoa idosa sejam completos e integrados.


Tratar diferentes doenças

Avalia, faz o diagnóstico e trata diferentes doenças, entre elas o Alzheimer e demais demências; Parkinson; Tremor Essencial; Alterações de Memória e Cognição; AVC; Depressão; Confusão mental, chamada Delirum; Osteoartrite, Osteoporose, Perda da Massa Muscular; Instabilidade da postura e quedas; Vertigens e Tonturas; Diabetes: Hipertensão Arterial; Insuficiência Cardíaca; Colesterol e Triglicerídeos altos; Insuficiência Cardíaca; Hipotireoidismo; Incontinência urinária ou fecal; Insônia; Perda da audição ou visão; Deficiência de vitaminas e nutrientes, Insônia e Câncer.

“O médico geriatra também é capaz de avaliar e identificar complicações causadas pelo uso de medicamentos inapropriados para a idade ou em excesso, orientar sobre medidas de prevenção de idades e perda de funcionalidade; orientar sobre vacinação e uso de suplementos”, finaliza.


Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG


Prematuridade e saúde mental: quando o nascimento vem antes do tempo e o emocional também precisa de cuidados

Freepik 


Dia Internacional da Saúde Mental (10/10) mobiliza esforços em apoio à questão; ONG Prematuridade.com atua no acolhimento de famílias de prematuros

 

O Dia Mundial da Saúde Mental é comemorado em 10 de outubro todos os anos, com o objetivo de sensibilizar a comunidade global sobre agendas críticas de saúde mental através da colaboração com vários parceiros para tomar medidas e criar mudanças duradouras. Reconhecendo os desafios emocionais que afetam as famílias de bebês prematuros, a ONG Prematuridade.com - única organização sem fins lucrativos dedicada, em âmbito nacional, à prevenção do parto prematuro e à garantia dos direitos dos prematuros e de suas famílias – faz um trabalho especial de apoio e acolhimento junto a esse público. 

O parto antes do tempo costuma vir acompanhado de sentimentos intensos como medo, culpa e impotência. A internação em uma UTI neonatal, que pode se estender por semanas ou meses, impõe uma rotina de incertezas e um desgaste emocional profundo, especialmente para as mães. Diante do cenário, desde 2022 a ONG conta com um Núcleo de Saúde Mental, que oferece atendimentos psicológicos gratuitos e grupos de apoio virtuais, permitindo que famílias de diferentes regiões do país recebam acolhimento especializado. As ações têm como objetivo reduzir o isolamento emocional e fortalecer os vínculos afetivos entre pais e filhos durante e após a internação. 

“O nascimento de um bebê prematuro desperta uma mistura de emoções e é fundamental que exista um espaço de escuta e acolhimento, onde os pais possam compartilhar seus sentimentos sem medo de julgamento”, fala Simone Dantas, psicanalista e coordenadora do Núcleo de Saúde Mental da ONG Prematuridade.com. “Nos grupos de apoio, incentivamos o compartilhamento de experiências e criamos um ambiente seguro, de empatia e compreensão mútua”, completa. 

Entre as iniciativas do Núcleo estão os grupos “Famílias de UTI”, voltado a quem ainda vive a rotina hospitalar, e “Histórias de Afeto”, destinado às famílias que enfrentaram a perda de seus bebês. Para a ONG Prematuridade.com, cuidar da saúde mental dos pais é um gesto de cuidado que se reflete no desenvolvimento saudável do bebê e fortalece o vínculo afetivo que une família e recém-nascido.




Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros – ONG Prematuridade.com


Autistas Brasil alerta para retrocessos na reforma da Lei dos Planos de Saúde e denuncia interferência econômica em direitos fundamentais

 

A Autistas Brasil – Associação Nacional para Inclusão das Pessoas Autistas manifesta profunda preocupação e repúdio diante das informações divulgadas pelo colunista Lauro Jardim, em O Globo (08/10/2025), segundo as quais o deputado Duarte Jr. (PSB-MA) teria sido substituído da relatória do projeto que reforma a Lei nº 9.656/1998 (Planos de Saúde) por resistir em retirar do texto a proibição da rescisão unilateral de contratos pelas operadoras.

Segundo a entidade, caso as razões noticiadas sejam verdadeiras, o episódio ultrapassa o campo técnico e representa um grave atentado ao interesse público, à autonomia parlamentar e ao direito fundamental à saúde, evidenciando a ingerência de interesses privados sobre o processo legislativo.

“Não é possível admitir que o processo legislativo, cuja razão de ser é o interesse público, seja tensionado por pressões econômicas que buscam enfraquecer o direito fundamental à saúde. Quando grandes grupos tentam influenciar decisões políticas em detrimento da vida e do cuidado, o Estado de Direito se vê posto à prova. A Constituição não foi escrita para proteger o lucro, mas para resguardar a dignidade da pessoa humana”, afirma Guilherme de Almeida, presidente da Autistas Brasil.
 

Prática abusiva e inconstitucional

A organização destaca que a rescisão unilateral de contratos é abusiva, discriminatória e contrária à Constituição Federal, afetando de forma especialmente cruel pessoas autistas, com deficiência ou doenças crônicas — para as quais a continuidade do cuidado é essencial à sobrevivência e à dignidade.
 

Permitir que operadoras rompam contratos no momento em que o paciente mais precisa de assistência, após anos de contribuição, seria, segundo a nota, uma afronta direta à boa-fé contratual e à dignidade humana. Tal prática “transforma o direito à saúde em um negócio de risco moral, onde a vulnerabilidade do paciente se converte em critério econômico”, critica a entidade.
 

Defesa do interesse público

A Autistas Brasil ressalta que o deputado Duarte Jr., ao defender a proibição da rescisão unilateral, cumpria o dever constitucional de proteger o interesse público. Sua eventual substituição, por essa razão, “configura grave precedente de punição à integridade ética e à fidelidade ao mandato constitucional de defesa da pessoa humana”. 

O artigo 196 da Constituição estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado, com acesso universal e contínuo. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD) reforçam que o Estado deve garantir acesso não discriminatório aos serviços de saúde, vedando qualquer exclusão baseada em deficiência, custo assistencial ou cronicidade.
 

Risco de retrocesso e desamparo

A nota alerta que permitir a rescisão unilateral significaria legalizar o abandono de quem depende de cuidados contínuos, violando o princípio da dignidade da pessoa humana e o direito à continuidade terapêutica. Tal retrocesso, afirma a Autistas Brasil, “afetaria famílias inteiras, sobrecarregaria o SUS e ampliaria a exclusão das pessoas com deficiência”. 

A entidade lembra que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já consolidou jurisprudência reconhecendo a ilegalidade da interrupção de terapias prescritas, especialmente em casos que envolvem pessoas com deficiência.
 

Democracia em risco

Para a Autistas Brasil, a substituição de um parlamentar fiel à Constituição “envia o pior dos sinais”: o de que a defesa de direitos pode custar o exercício do mandato. Isso, segundo a entidade, representa “uma perigosa distorção democrática, em que a força do dinheiro se sobrepõe à força do direito”. 

“O poder econômico pode influir em mercados, jamais em direitos. Quando o lucro tenta escrever a lei, a democracia corre risco, e o povo perde sua voz. É nesse instante que a sociedade precisa reafirmar que o direito à saúde e ao cuidado é irrenunciável, porque é nele que se funda a própria ideia de humanidade”, conclui Guilherme de Almeida, presidente da Autistas Brasil.
 

Chamado à vigilância

A Autistas Brasil luta para que o Congresso Nacional mantenha a proibição da rescisão unilateral e assegure transparência e participação social na tramitação do projeto. A entidade também conclama o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública da União, o Conade e o Conselho Nacional de Saúde a exercerem vigilância rigorosa sobre o processo. 

“O que está em jogo não é apenas uma lei: é o caráter civilizatório do país”, afirma a nota. “A reforma da Lei dos Planos de Saúde não pode se converter em instrumento de exclusão e desamparo.” 

A Autistas Brasil reforça que permanecerá vigilante, articulada e mobilizada para assegurar que nenhum interesse privado se sobreponha à vida, à inclusão e aos direitos humanos.
 

Sobre a Autistas Brasil

A Autistas Brasil atua desde 2020 na defesa dos direitos das pessoas autistas, com foco em autodefensoria, educação inclusiva e inserção no mercado de trabalho. Fundada por lideranças autistas, tem como grande diferencial a autorrepresentação: pessoas autistas falando por si, com protagonismo e empoderamento. A associação atua de forma propositiva e não assistencialista, valorizando potencialidades individuais e transformando a visão social sobre o autismo.


Testosterona, o hormônio da vez


No dia a dia do consultório, é praticamente impossível não nos depararmos com uma dosagem aleatória de testosterona entre exames de rotina, em pacientes que desejam melhorar sintomas como cansaço ou que pretendem aumentar a massa muscular e a libido. O tema é bastante controverso, embora respaldado por vasta literatura e pareceres de consagradas instituições médicas. Muitas vezes, a simples realização da dosagem laboratorial induz à prescrição da testosterona. Mas será realmente necessária a reposição? Seria ela a tábua de salvação dos problemas do nosso século? Afinal, quem não gostaria de melhorar sua performance, não é mesmo?

Na endocrinologia, a prescrição ou não de um hormônio é baseada na presença de sintomas e sinais clínicos comprovados por dosagem laboratorial e testes diagnósticos. Na avaliação da testosterona, esse cenário não é diferente. 

A testosterona é o principal hormônio masculino circulante, sendo essencial na função reprodutiva, no estabelecimento e na manutenção das características ditas masculinas, além de desempenhar papel importante nos músculos e ossos. No homem, o chamado hipogonadismo é diagnosticado por meio de sintomas e sinais consistentes com a deficiência de testosterona (T) e concentrações séricas inequívocas e consistentemente baixas desse hormônio. 

A diminuição significativa da ação androgênica está associada a uma síndrome que envolve osteoporose, fraqueza, redistribuição de gordura corporal, anemia, diminuição da libido e da função sexual, mal-estar e anormalidades cognitivas.

 

Hipogonadismo 

Pacientes com hipogonadismo geralmente apresentam diminuição dos níveis de testosterona, contagem de espermatozoides ou ambos, juntamente com aumento na concentração de dois outros hormônios produzidos pela hipófise: o hormônio folículo-estimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH). 

Outras doenças também podem interferir na função hormonal masculina, como hemocromatose, doença falciforme, alcoolismo, tratamento com glicocorticoides e, ainda, a própria idade. Além disso, qualquer doença aguda ou crônica, uso de medicamentos, obesidade, desnutrição e exercícios excessivos podem diminuir os níveis de testosterona. 

A definição de deficiência androgênica não é simples. Definir níveis plasmáticos de testosterona abaixo do limite inferior do normal para idade e sexo é dificultado pelo fato de que os níveis de andrógenos caem naturalmente com a idade, e tal alteração não é necessariamente anormal nem requer correção. 

Sua dosagem requer expertise na solicitação e interpretação laboratorial. Como a testosterona apresenta ritmo circadiano, deve ser colhida em jejum, até as 10 horas da manhã, após uma boa noite de sono. O diagnóstico nunca deve ser baseado em apenas uma dosagem: são necessárias duas coletas para confirmação, pois, no mesmo paciente, valores podem variar em até 30% entre dias diferentes.

 

Testosterona nas mulheres 

Nas mulheres, com base nas últimas recomendações da Endocrine Society, o diagnóstico de deficiência androgênica em pacientes saudáveis não deve ser feito, pois ainda não há dados que correlacionem os níveis de andrógenos com sinais ou sintomas específicos. Níveis hormonais baixos de testosterona não são preditivos de função sexual diminuída. 

Essa questão é ainda agravada pela falta de ensaios padronizados e precisos para dosar andrógenos nos baixos níveis encontrados nas mulheres e pela ausência de intervalos de referência válidos. A dosagem de testosterona com o método utilizado na maioria dos laboratórios pode subestimar o nível hormonal, levando ao falso diagnóstico de deficiência.

 

Libido 

Atualmente, não é infrequente a prescrição de testosterona para mulheres na menopausa, na tentativa de recuperar ou melhorar a libido. No entanto, a libido feminina não é dependente exclusivamente da testosterona. O desejo sexual envolve um conjunto de fatores orgânicos, psicológicos, relacionais e motivacionais. 

A utilização da terapia androgênica na pós-menopausa é um tema controverso e exige cautela por parte dos profissionais médicos. Muitas vezes, nas fases de transição da menopausa, as queixas se relacionam a alterações no desejo sexual e à dispareunia (dor durante a relação sexual), sendo necessária atenção à reposição sistêmica, quando não contraindicada, dos hormônios femininos (como o estradiol). 

A indicação para reposição de testosterona na população feminina é bastante específica: restringe-se a pacientes diagnosticadas com transtorno do desejo sexual hipoativo, que solicitam tratamento e não apresentam contraindicações.

A quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), da Associação Americana de Psiquiatria, combina desejo/interesse e excitação subjetiva/física em sua definição de transtorno de excitação e interesse sexual. Esse diagnóstico inclui a presença de interesse reduzido na atividade sexual e ausência de excitação diante de estímulos eróticos externos. 

O diagnóstico é feito clinicamente por meio de questionários validados, que também são usados para monitorar a resposta ao tratamento. Entretanto, nem todas as mulheres respondem à reposição. No Brasil, até o presente momento, não existe formulação medicamentosa contendo androgênios aprovada para uso específico em mulheres.

Formulações contendo testosterona e seus derivados, destinadas ao uso masculino, devem ser desencorajadas para prescrição feminina, devido ao grande risco de superdosagem e à dificuldade de monitoramento terapêutico.




Dra. Maria Augusta Karas Zella - endocrinologista/metabologista e professora de Semiologia e Endocrinologia da Faculdade Evangélica Mackenzie Paraná (FEMPAR).


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