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quinta-feira, 10 de julho de 2025

É alergia ou resfriado? Sintomas confundem e levam a erros no tratamento durante o inverno

 

Especialista ensina como identificar sinais de alergias respiratórias e dá dicas práticas para evitar crises nas estações mais frias 

Quando as temperaturas caem, a frequência de espirros, tosses e nariz escorrendo sobe — e junto com esses sintomas, aumenta também a confusão: estou com uma gripe, um resfriado ou é “só uma alergia”?

Especialistas alertam para os riscos de ignorar ou minimizar as alergias respiratórias, especialmente no inverno. A estação mais fria do ano, além de nos manter mais tempo em ambientes fechados, também agrava a exposição a alérgenos como poeira, mofo e pelos de animais — e, claro, à poluição, que costuma disparar nas cidades brasileiras nesse período.

“No consultório, o que mais vemos no inverno são casos de rinite alérgica, asma, alergia a pelos de animais e mofo, além de reações causadas por ácaros”, explica a Dra. Cristiane Passos Dias Levy, otorrinolaringologista e especialista em alergias respiratórias do Hospital Paulista.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 400 milhões de pessoas no mundo sofrem de rinite alérgica e cerca de 300 milhões têm asma. No Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), cerca de 30% da população tem algum tipo de alergia respiratória — um índice que cresce a cada ano, especialmente nas grandes cidades.


Alergia ou infecção?

Distinguir uma crise alérgica de uma infecção respiratória, como um resfriado ou gripe, pode parecer difícil, mas é essencial para evitar tratamentos errados. Um erro comum é recorrer a antibióticos ou anti-inflamatórios sem prescrição — o que pode mascarar sintomas e causar efeitos colaterais desnecessários.

“A alergia costuma começar de forma súbita, com espirros, coriza clara, coceira nos olhos e nariz, mas sem febre. Já uma infecção geralmente vem acompanhada de febre, dor no corpo, mal-estar geral e tosse com secreção”, diferencia a especialista.

Além disso, os sintomas alérgicos podem variar conforme o ambiente. Se pioram em casa, no carro ou perto de animais, por exemplo, é um forte indicativo de alergia — e não de infecção.

 

Como controlar?

O controle das alergias respiratórias passa por uma série de cuidados práticos no ambiente doméstico e de trabalho. Confira algumas recomendações da Dra. Cristiane para respirar melhor neste inverno:

 

Em casa:

  • Limpeza regular com pano úmido para evitar levantar poeira.
  • Lavar roupas de cama com frequência em água quente para eliminar ácaros.
  • Evitar o acúmulo de objetos que juntam poeira, como tapetes e bichos de pelúcia.
  • Usar desumidificadores ou manter a umidade entre 30% e 50% para evitar mofo.
  • Manter os ambientes ventilados, mesmo no frio.

 

No trabalho:

  • Higienizar estações de trabalho com regularidade.
  • Usar máscaras e EPIs se houver exposição a poeira ou produtos químicos.
  • Evitar ambientes mal ventilados ou com ar-condicionado sujo.
  • Além disso, manter um estilo de vida saudável — com boa alimentação,
  •  hidratação, exercícios e sono — fortalece o sistema imunológico e ajuda na prevenção das crises.

 

Automedicação
 

Não trate alergia como algo menor ou inofensivo. Tomar medicamentos por conta própria pode trazer riscos, inclusive de reações graves. 

“A automedicação pode mascarar sintomas ou, pior, provocar efeitos colaterais e até levar a crises mais graves, como a anafilaxia”, alerta a Dra. Cristiane. “É fundamental procurar um especialista para identificar a causa e adotar o tratamento mais adequado.” 

O diagnóstico correto permite personalizar o tratamento, usar medicamentos apropriados (como antialérgicos ou corticoides, quando necessários) e orientar mudanças de rotina que realmente fazem diferença.

 

Respirar bem é viver melhor 

As alergias respiratórias não têm cura definitiva, mas com cuidado, informação e acompanhamento médico, é possível manter os sintomas sob controle e ter mais qualidade de vida. 

Então, se neste inverno você se pegar espirrando sem parar, com nariz entupido e olhos vermelhos, pare e pense: pode ser mais do que “tempo seco”. Pode ser alergia — e merece atenção. 

 

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

 

Vacina contra o vírus zika mostra resultados promissores em testes com camundongos

Lâminas histológicas com regiões do cérebro apresentando
pontos de necrose nos animais não vacinados e infectados com vírus zika
 (
imagem: Nelson Côrtes et al./NPJ Vaccines)
Imunizante está sendo desenvolvido por pesquisadores da USP e se baseia em tecnologia conhecida como “partículas semelhantes ao vírus” (VLPs, na sigla em inglês), que não utiliza material genético do patógeno

 

Uma nova vacina contra o vírus zika desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IMT-FM-USP) demonstrou ser segura e eficaz em testes com camundongos. Além de induzir a resposta imune contra o patógeno, o imunizante também protegeu os animais de danos cerebrais e testiculares associados à infecção viral. Os achados foram publicados na revista científica NPJ Vaccines e são um passo importante no avanço das estratégias de prevenção do zika. A pesquisa recebeu financiamento da FAPESP.

“São dez anos da epidemia de zika no Brasil e a doença continua sendo uma ameaça à saúde pública, especialmente para gestantes e seus bebês. No estudo conseguimos desenhar uma formulação capaz de neutralizar o patógeno e proteger os roedores tanto da inflamação no cérebro – uma das consequências mais preocupantes da infecção – quanto do dano testicular, algo que não foi observado em estudos epidemiológicos, mas é uma característica marcante da doença quando estudada em laboratório”, explica Gustavo Cabral de Miranda, pesquisador apoiado pela FAPESP responsável pelo projeto.

Miranda explica que a estratégia utilizada na formulação se baseia em uma tecnologia conhecida como “partículas semelhantes ao vírus” (VLPs, na sigla em inglês de virus-like particles). “Diferente de estratégias mais tradicionais, que utilizam inoculação de vírus atenuado ou inativado, nessa formulação não usamos o material genético do patógeno, o que torna seu desenvolvimento muito mais seguro, econômico e sem a necessidade de substâncias que potencializam a resposta imune [adjuvantes]”, detalha o pesquisador.

Ele explica que a tecnologia costuma ser dividida, basicamente, em dois componentes: a partícula carreadora (VLP), cuja função é fazer o sistema imune reconhecer a presença de um vírus, e o antígeno viral, responsável por estimular o sistema imune a produzir anticorpos específicos – neste caso contra os zika vírus – que impeçam a entrada do patógeno nas células.

No caso da vacina desenvolvida pelos pesquisadores do IMT, foi utilizada como VLP uma plataforma já bem estudada pelos cientistas, denominada QβVLP. Ela imita a estrutura viral, permitindo que o sistema imune “reconheça” uma ameaça. Já o antígeno escolhido foi o EDIII, uma parte da proteína do envelope do vírus zika cuja função é se conectar a um receptor nas células humanas (leia mais em: agencia.fapesp.br/53819) .

“Inoculamos as VLPs, produzidas no laboratório da USP por meio de bactérias [Escherichia coli], conjugadas quimicamente ao antígeno. Essa estrutura combinada imita um vírus real, com o EDIII preso na parte externa da plataforma”, descreve Nelson Côrtes, primeiro autor do estudo. “Quando a formulação é injetada no organismo, essa combinação ativa uma forte resposta do sistema imune, incluindo anticorpos e células do tipo Th1, um subtipo de linfócitos T que desempenha funções cruciais na resposta imunológica.”

Os testes realizados em camundongos geneticamente modificados e mais suscetíveis ao vírus mostraram que a vacina induziu a produção de anticorpos que neutralizaram o vírus e também não permitiu a exacerbação da infecção e, por consequência, o surgimento de sintomas.

Os pesquisadores também investigaram os efeitos da infecção pelo vírus zika em diversos órgãos de camundongos – como cérebro, rins, fígado, ovários e testículos. “A vacina demonstrou capacidade de proteger camundongos machos contra danos testiculares”, diz Côrtes. “Isso é importante diante dos riscos conhecidos da transmissão sexual do vírus zika e de seu potencial para causar lesões nos testículos, o que pode afetar negativamente a espermatogênese e a saúde reprodutiva como um todo”, ressalta o pesquisador.


Mira calibrada

O vírus zika tem uma particularidade que torna o desenvolvimento de vacinas ainda mais desafiador: é muito parecido com os quatro sorotipos do vírus da dengue e cocircula no mesmo ambiente de transmissão. A semelhança faz com que os anticorpos possam “confundir” um patógeno com outro. É o que os cientistas chamam de reação cruzada, algo que em um primeiro momento pode até parecer bom – afinal o sistema imune reconhece um vírus semelhante.

No entanto, caso os anticorpos não sejam potentes o suficiente para evitar uma segunda infecção por outro sorotipo de dengue, por exemplo, ocorre um efeito bumerangue. Os anticorpos se ligam ao vírus e fazem a célula do hospedeiro englobar o patógeno com mais facilidade. Desse modo, o próprio organismo ajuda o agente patogênico a infectar as células.

“O imunizante não provoca reação cruzada, o que é muito positivo. Estudos anteriores do grupo já haviam analisado essa questão e o uso do antígeno EDIII permite que o sistema imune produza anticorpos mais específicos para o vírus zika, evitando o problema”, diz Miranda.

O artigo A VLPs based vaccine protects against zika virus infection and prevents cerebral and testicular damage pode ser lido em: www.nature.com/articles/s41541-025-01163-4.

 

Maria Fernanda Ziegler
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/vacina-contra-o-virus-zika-mostra-resultados-promissores-em-testes-com-camundongos/55272



Conheça as respostas para as principais dúvidas sobre a leucemia

A hematologista Renata Lyria, da Oncologia D’Or, esclarece importantes questões sobre este tipo de câncer, que este ano deve ser diagnosticado em mais de 11 mil brasileiros.

 

A leucemia é o décimo tipo de câncer mais comum entre os brasileiros, sem considerar os tumores de pele não melanoma. Só este ano deverão ser diagnosticados 11.540 casos1 desta enfermidade que acomete as células brancas do sangue, que passam a se proliferar de maneira desordenada na medula óssea. Assim, substituem as células sanguíneas saudáveis, levando à anemia, neutropenia e plaquetopenia. Essas células também migram para a corrente sanguínea, podendo causar leucocitose e infiltração de órgãos, como o fígado e o baço.

A doença é classificada em aguda e crônica, de acordo com a sua progressão. As agudas são mais agressivas. Evoluem de forma mais rápida e os sintomas aparecem em poucas semanas. “Os pacientes apresentam fadiga, astenia, febre, infecção e sangramento. Uma vez definido o diagnóstico, o tratamento quimioterápico deve ser iniciado prontamente”, explica a hematologista Renata Lyrio, da Oncologia D’Or. 

Já as leucemias crônicas são doenças indolentes e insidiosas. Os sintomas podem levar meses a anos para se manifestar. Muitos pacientes somente têm o diagnóstico após realizar um exame de rotina que evidencie leucocitose; nos casos mais avançados, podem apresentar, além da leucocitose, anemia e linfonodos, fígado e baço aumentados.


Hoje existem tratamentos para todos os tipos de leucemia

Leucemias mieloides e linfoblásticas

A doença pode se desenvolver em dois tipos de células. Uma delas é a célula mieloide, que forma a medula óssea e produz os glóbulos brancos, as plaquetas e as hemácias. A outra é a célula linfoide, que constitui o sistema linfático, responsável pela defesa do organismo. 

O diagnóstico da Leucemia Mieloide Aguda (LMA) e da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) exige a realização de exame de medula óssea com coleta de material para imunofenotipagem de medula óssea e análise genética. Já o diagnóstico da Leucemia Mieloide Crônica (LMC) e Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) pode ser realizado pela coleta de sangue periférico. 

O tratamento depende do tipo da leucemia e da idade do paciente. Nas agudas, o mais comum é a quimioterapia. Pessoas jovens ou com doenças de alto risco genético podem precisar do transplante alogênico de medula óssea, que consiste na retirada de células-tronco de um doador para serem transplantadas no paciente. 

Nas leucemias crônicas, o tratamento consiste em terapia-alvo, um medicamento que atinge um ou mais pontos específicos do organismo. Esta terapia apresenta boa efetividade, sendo menos tóxica que a quimioterapia convencional. 

As leucemias provocam muitas dúvidas nas pessoas. A seguir, a hematologista Renata Lyrio, da Oncologia D’Or, explica as principais delas. Confira:

 

1.A anemia causa leucemia?

A anemia não causa nem vira leucemia. A leucemia é uma doença do sangue, na qual a medula óssea produz células sanguíneas anormais. Já a anemia é uma condição que ocorre quando há uma redução na quantidade de glóbulos vermelhos.
 

2. Quais são os sinais da leucemia?

Os sintomas inicialmente são leves e se agravam com o decorrer do tempo, podendo ser confundidos com doenças comuns, como viroses. Cansaço excessivo, palidez, febre persistente, sangramento e manchas pelo corpo são sinais de alerta.
 

3. O histórico familiar favorece o surgimento da doença?

A maioria dos casos de leucemia não está ligada a fatores hereditários. Qualquer pessoa pode desenvolver a doença.
 

4. Quais são os efeitos colaterais do tratamento?

Os efeitos colaterais variam conforme o tipo de leucemia e o protocolo utilizado. Nem todos os tratamentos causam queda de cabelo. Existem terapias mais modernas mais eficazes e com menos efeitos colaterais.
 

5. Existe cura para a leucemia?

Existem tratamentos para todos os tipos de leucemia. Alguns pacientes podem alcançar remissão completa e ganho de sobrevida, enquanto outros ficam curados.
 

Oncologia D'Or


Referências
Instituto Nacional de Câncer (Brasil). Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2022.



Entre metas e exaustão, o burnout vira parte do expediente


A exaustão emocional deixou de ser uma exceção no ambiente de trabalho e passou a ser a regra silenciosa que compromete a produtividade, o engajamento e, sobretudo, a saúde mental de profissionais em diferentes setores. Em um cenário em que jornadas extensas, cobranças constantes e a falta de limites claros se tornaram padrão, a prevenção ao burnout precisa deixar de ser discurso genérico e passar a integrar a rotina de forma prática e intencional. 

Estudos recentes confirmam o que muitos profissionais já sentem na pele: o Brasil está entre os países com maior prevalência de burnout no mundo. Segundo levantamento da International Stress Management Association (ISMA-BR), cerca de 32% dos brasileiros sofrem com a síndrome, e outros 30% estão em risco de desenvolvê-la. A Organização Mundial da Saúde (OMS), que reconheceu o burnout como um fenômeno ocupacional em 2019, alerta que ele está relacionado ao “estresse crônico no trabalho que não foi administrado com sucesso”. 

Pequenas mudanças de comportamento podem ter efeitos significativos na redução do esgotamento crônico — e um dos hábitos mais eficazes é estabelecer limites com firmeza. Saber dizer “não” a tarefas ou convites que extrapolam a capacidade real de entrega é uma forma de preservar energia mental e garantir um desempenho sustentável. Pesquisas mostram que a assertividade está associada a menores níveis de estresse ocupacional e maior bem-estar psicológico (Linehan et al., 2015, Journal of Occupational Health Psychology). Apesar da resistência cultural ao ato de recusar, profissionais assertivos tendem a manter melhor equilíbrio emocional ao longo do tempo. 

Outro ponto-chave está nas pausas ao longo do expediente. Interrupções breves e deliberadas — mesmo de apenas alguns minutos — ajudam a reduzir o nível de estresse acumulado e restauram o foco. Estudo da University of Illinois demonstrou que pausas curtas durante tarefas cognitivas prolongadas ajudam a manter a atenção e o desempenho ao longo do tempo (Ariga & Lleras, 2011, Cognition). Caminhar, respirar profundamente ou simplesmente sair por instantes da lógica de produtividade contínua pode parecer contraproducente, mas representa um investimento direto na capacidade de manter a mente ativa e saudável. 

Há também uma diferença fundamental entre descansar e se recuperar. O tempo livre, muitas vezes preenchido por distrações passivas como redes sociais, não necessariamente resulta em renovação emocional. Segundo estudo do National Institutes of Health (NIH), atividades de lazer ativas — como hobbies criativos, contato com a natureza ou prática de esportes — estão mais fortemente associadas à sensação de bem-estar e recuperação do estresse do que o descanso passivo. 

“A saúde mental, muitas vezes negligenciada, precisa ser discutida abertamente no ambiente corporativo. Quando as empresas abraçam essa questão, promovendo um ambiente de transparência e apoio, elas não apenas ajudam seus colaboradores, mas também moldam um futuro mais sustentável e saudável para toda a organização”, afirma Andre Purri, CEO da Alymente. 

Em vez de soluções complexas ou intervenções grandiosas, a prevenção ao colapso mental pode começar com escolhas simples: respeitar limites, desacelerar com intenção e recuperar a energia de forma consciente. Em tempos de cansaço crônico normalizado, adotar esses hábitos é mais do que autocuidado — é uma estratégia de sobrevivência profissional. 

Caso tenha interesse na pauta, basta nos avisar que faremos a ponte com o executivo/especialista para uma entrevista.

 

Andre Purri - CEO e cofundador da Alymente, Andre Purri vem revolucionando o mercado de benefícios corporativos. Formado em Administração de Empresas pela ESPM e com mais de 10 anos de experiência no setor de meio de pagamentos e benefícios, Andre iniciou sua carreira como Líder Comercial na Stone Pagamentos, onde desenvolveu habilidades estratégicas e de liderança. Movido pelo propósito de inovar, fundou a Alymente para oferecer soluções flexíveis que transformam a gestão de benefícios, gerando impacto positivo para empresas e colaboradores. Sua visão empreendedora reflete compromisso com inovação e excelência.


Estudo detalha avanços na compreensão da Síndrome de Noonan e reforça importância do diagnóstico precoce

Divulgação
 MF Press Global
Uma nova revisão científica, liderada pelo neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela, explora a complexa base genética da Síndrome de Noonan, as suas variadas manifestações clínicas e as abordagens terapêuticas que podem melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.


Um estudo de revisão abrangente, publicado na revista

Ciencia Latina Revista Científica Multidisciplinar, aprofunda o conhecimento sobre a Síndrome de Noonan (SN), uma das desordens genéticas mais prevalentes, com uma incidência estimada de 1 em cada 1.000 a 2.500 nascidos vivos. A investigação, conduzida pelo Dr. Fabiano de Abreu Agrela e pelo pesquisador Hitty-ko Kamimura, do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH) , destaca que, embora não exista cura, o diagnóstico precoce e uma abordagem multidisciplinar são cruciais para o manejo da condição.

A Síndrome de Noonan é uma condição genética com uma expressão fenotípica muito variável, que afeta múltiplos sistemas do corpo. A sua causa reside em mutações em genes da via de sinalização RAS/MAPK, que é fundamental para a regulação do ciclo, proliferação e diferenciação das células. O estudo detalha os principais genes envolvidos:

  • PTPN11: É o gene mais frequentemente afetado, sendo responsável por cerca de 50% dos casos. As mutações neste gene estão muitas vezes associadas à estenose pulmonar, um tipo de cardiopatia.
  • SOS1: Responde por 10-15% dos casos e está frequentemente ligado a características faciais marcantes.
  • RAF1: Encontrado em aproximadamente 10% dos pacientes, este gene tem uma forte correlação com a cardiomiopatia hipertrófica, uma condição cardíaca grave. A probabilidade de desenvolver esta condição com uma mutação no RAF1 ultrapassa os 90%.
  • KRAS: Mutações mais raras, mas associadas a um quadro clínico mais severo e a um maior risco de desenvolvimento de malignidades.

O diagnóstico da síndrome é primordialmente clínico, baseado em sinais como anomalias faciais (olhos afastados, pálpebras caídas), defeitos cardíacos e baixa estatura. No entanto, devido à grande variabilidade dos sintomas, muitos indivíduos podem não apresentar o quadro clássico, o que torna o teste genético uma ferramenta fundamental para a confirmação.

"O manejo da Síndrome de Noonan é um desafio que exige uma abordagem integrada e contínua ao longo da vida do paciente", explica o Dr. Fabiano de Abreu, Pós-PhD em Neurociências e membro de diversas sociedades científicas internacionais. "Não se trata apenas de tratar os sintomas visíveis, como as cardiopatias ou a baixa estatura, para a qual a terapia com hormônio do crescimento pode ser uma opção. É crucial oferecer suporte para as dificuldades de aprendizagem e para as questões de saúde mental, como a depressão e a ansiedade, que podem surgir na vida adulta ".

O tratamento é sintomático e requer uma equipa multidisciplinar. O aconselhamento genético é também vital, pois a síndrome segue um padrão de herança autossômica dominante, o que significa que um progenitor afetado tem 50% de chance de transmitir a mutação a cada filho. Entre 50% e 80% dos indivíduos com a síndrome apresentam alguma forma de cardiopatia congênita.

Embora terapias futuras, como a edição genética com CRISPR-Cas9, ofereçam esperança, elas ainda se encontram em fases iniciais de desenvolvimento. Atualmente, conclui o estudo, as intervenções precoces e o acompanhamento contínuo são as ferramentas mais eficazes para mitigar os riscos e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes com Síndrome de Noonan.


O artigo "SÍNDROME DE NOONAN: UMA REVISÃO SOBRE ETIOLOGIA GENETICA, DIAGNÓSTICO E ABORDAGENS CLÍNICAS" foi publicado na edição de janeiro-fevereiro de 2025 da Ciencia Latina Revista Científica Multidisciplinar.

 

Hospital Ortopédico AACD realiza primeira cirurgia no Brasil com haste intramedular motorizada para alongar o fêmur

Procedimento visa igualar os membros da criança que teve uma parada prematura no crescimento de um dos joelhos

 

O Hospital Ortopédico AACD realizou a primeira cirurgia do Brasil para correção de deformidade e alongamento do fêmur com uma haste intramedular motorizada, comandada pelo ortopedista pediátrico Dr. Rafael Yoshida. O procedimento visa igualar membros de uma paciente de 11 anos que teve um fechamento prematuro da fise de crescimento do fêmur distal e tíbia proximal após artrite séptica (infecção na articulação do joelho).

 

O método inédito consiste na implantação de uma haste no canal medular do fêmur, dispositivo que conta com um receptor localizado no subcutâneo da coxa e ativado por radiofrequência através de um dispositivo externo à pele. O paciente ou responsável ativa o dispositivo a cada oito horas, estimulando o crescimento na haste em cerca de 1 milímetro por dia. “O fêmur é um osso bem indicado para esse tipo de procedimento em pacientes jovens (já no fim do crescimento) e adultos, pois promove maior conforto e adaptação para terapias durante o alongamento. Nesse caso, não há necessidade de fixação externa”, explica o Dr. Yoshida.

 

A previsão é que seja possível aumentar o comprimento do osso da paciente em até 6 centímetros. O médico indicou reabilitação motora complementar durante o acompanhamento pós-operatório. A expectativa é que, após dois anos de uso e remodelação óssea, a haste possa ser removida.

 

De acordo com o ortopedista pediátrico, para casos similares a cirurgia pode substituir o uso do fixador externo para alongamento ósseo que é colocado do lado de fora da pele. “A nova técnica, já feita fora do Brasil, representa um avanço no pós-operatório em termos de conforto para terapias, mobilidade e ausência de infeção superficial de pinos presente nos fixadores”, completa. 

A indicação é para pacientes com ossos maduros ou em fase final de crescimento. A cirurgia pode ser realizada em casos de deficiências adquiridas do osso por sequelas de traumas, tumores ósseos ou infecções tratadas e deficiências congênitas que levam a diferenças entre o tamanho e alinhamento dos membros. Além disso, assim como é feito no exterior, o procedimento pode ser usado para fins estéticos, como intervenções voltadas exclusivamente para aumento de estatura, sem outra condição médica associada. 



Hospital Ortopédico AACD
Saiba mais no site.


Setor produtivo não pode pagar o preço de disputas ideológicas de ambos os lados, diz FecomercioSP

  Tarifaço deflagrado pelos Estados Unidos desestabiliza relação comercial construída há décadas 



A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), entidade que representa o setor terciário do Estado mais rico do Brasil, expressa profunda apreensão diante da decisão anunciada pelo governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras. A medida fere os princípios elementares do comércio internacional e penaliza, de forma injusta, empresas comprometidas com a produção, a geração de empregos e o crescimento econômico do País. O setor privado brasileiro, responsável por sustentar a atividade econômica e criar milhões de postos de trabalho, não pode ser transformado em instrumento de retaliação política ou alvo de embates ideológicos (de ambos os lados), que estão fora de sua esfera de atuação.

Além de fragilizar o Comércio entre os dois países, a FecomercioSP considera inadmissível que decisões estratégicas e de alto impacto sejam tomadas à margem do diálogo diplomático e da construção de consensos. A ruptura de pontes comerciais não apenas compromete as cadeias produtivas, como também deteriora o ambiente de confiança entre nações e a disposição das empresas para investir, gerar valor e ampliar trocas no mercado internacional.

A Entidade reafirma a convicção de que o caminho para o desenvolvimento sustentável passa pela abertura e pela diversificação de mercados, bem como pelo respeito às regras internacionais e pela valorização do entendimento diplomático entre países. Em vez de rupturas, o Comércio mundial requer relações construídas com base no diálogo, na previsibilidade e em políticas que promovam o equilíbrio e a prosperidade.


Abertura comercial é necessária

Como a Federação vem afirmando nos últimos meses, as medidas norte-americanas são danosas, mas também abrem uma janela de oportunidade para o País ampliar a presença nas cadeias globais de valor e se inserir com mais força no jogo de trocas internacionais, fazendo, justamente, o movimento oposto ao dos Estados Unidos: diminuindo tarifas e burocracias.

Isso acontece porque, há quase meio século, a participação brasileira no mercado internacional é pequena, flutuando em torno de 1,5% de toda a corrente do Comércio internacional. Além disso, dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) referentes ao ano de 2023 (último dado disponível) mostram que o Brasil é apenas o 24º maior exportador do mundo e o 27ª colocado no ranking de importações.

Reduzir as tarifas de importação, simplificar a regulamentação e promover mais integração com a economia do planeta são princípios que norteiam as propostas da FecomercioSP para uma agenda de abertura comercial [veja as propostas aqui]. A longo prazo, isso contribuiria substancialmente para o crescimento econômico sustentável e para a melhoria do padrão de vida da população.



FecomercioSP
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Bill Gates e a produtividade no Brasil

Ninguém menos do que Bill Gates, o fundador da Microsoft, alerta: a carência de engenheiros e cientistas nos Estados Unidos representa um sério risco para a liderança global do país em inovação e produtividade. Em palestras e até em seu depoimento na Câmara dos Deputados dos EUA, ele tem destacado a disparidade entre as oportunidades de emprego na área de computação e o número de pessoas formadas nessa área. 

A preocupação de Gates é reforçada por dados oficiais. O Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA prevê que até 2026 haverá uma falta de 6 milhões de engenheiros formados no mercado de trabalho. E os números se referem a um país em que o trabalhador tem produtividade 4 vezes maior que a dos brasileiros.

 

O que dizer então da situação do Brasil, que enfrenta as mesmas dificuldades lembradas por Bill Gates, mas em uma proporção infinitamente maior? Os números mostram que temos motivos de sobra para ficar em alerta. O Brasil ocupa o 78º. lugar no ranking de produtividade que abrange 131 países. Estamos abaixo até de países com nível de desenvolvimento considerado, a princípio, inferior ao nosso, como os vizinhos Uruguai, Argentina e Chile, e ao lado de Mongólia e Venezuela.

 

Se planejamos construir um país melhor não podemos aceitar passivamente esses dados. A mudança precisa acontecer e sem demora, sob pena de ficarmos ainda mais para trás quando se trata de produtividade – e, portanto, de geração de riqueza.

 

Não existe fórmula mágica para mudar esse quadro, mas um bom começo seria olhar com atenção para o que tem sido feito no mundo por países que têm conseguido aumentar sua produtividade.

 

Quando se observa o que deu certo nesses casos, salta aos olhos a ênfase à melhoria do ensino superior. Esse é um dos principais alicerces para os ganhos de produtividade em uma ampla gama de nações. E não é difícil entender porquê: profissionais mais bem preparados nas escolas e universidades, com capacitação em linha com as necessidades do mercado, são diretamente responsáveis pela maior qualidade da produção.

 

No Brasil, estamos bem distantes dessa realidade. Na verdade, vivemos um aparente paradoxo: o número de pessoas com nível superior de ensino tem crescido, mas a produtividade não dá sinais de melhoria.

 

Os dados nos ajudam a entender o que acontece. De acordo com o IBGE, a proporção de pessoas com 25 anos ou mais com nível superior completo cresceu 2,7 vezes entre 2000 e 2022. No entanto, há crescente desconexão entre o que se ensina nas universidades e as necessidades do mercado de trabalho – um sinal claro de que a qualidade do ensino precisa melhorar. Resultado: a correlação entre produtividade e ensino superior fica seriamente prejudicada.

 

Lembrando mais uma vez de Bill Gates, temos no Brasil significativa redução do número de engenheiros formados, com prejuízos para setores fundamentais para o país como infraestrutura, energia e tecnologia. Estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostra que há um déficit de 75 mil engenheiros no país, ao mesmo tempo em que aconteceu redução de 44,5% nas matrículas em cursos presenciais de engenharia nas universidades entre 2014 e 2020, de acordo com levantamento do Semesp (Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior).

 

Entre as origens desse descompasso está a crescente resistência às Ciências Exatas e também a errônea visão de que Matemática e Física são “muito difíceis” de aprender. O erro, na verdade, está na metodologia utilizada no ensino dessas matérias, desde a educação básica. A falta de aplicação prática e a abordagem rígida adotadas nas escolas levam os jovens a perder o interesse pela engenharia. É necessário valorizar o ensino de ciências exatas e modernizar os currículos universitários.

 

Para não deixar que o problema se agrave, precisamos agir. Ciente dessa necessidade, o CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola) reuniu representantes do Instituto Mauá, Mackenzie, FEI e Poli-USP no Instituto de Engenharia, em São Paulo, para assinar um Memorando de Entendimentos (MOU) que formaliza a colaboração entre essas entidades para definir ações de combate à falta de engenheiros.

 

Além disso, lançamos a Jornada CIEE, que ajuda a aumentar o interesse pela matemática já nos primeiros anos escolares. Nesse programa, em um ambiente gamificado na ilha fictícia de Mátika, os estudantes são desafiados a resolver problemas matemáticos para ajudar seus habitantes e obter pistas necessárias para restaurar uma inteligência artificial que controlava todos os cálculos da ilha. É uma contribuição que certamente se seguirá de várias outras visando a qualificação da mão de obra com foco em habilidades técnicas e digitais. Em seus 61 anos de existência, o CIEE já ajudou 6 milhões de jovens a entrar no mercado de trabalho e está colocando sua experiência à disposição da sociedade, sempre trabalhando em conjunto com outras entidades.

 

Embora as comparações com outros países mais desenvolvidos devam ser sempre relativizadas, não se pode deixar de reconhecer que existem muitas semelhanças entre a análise de Bill Gates e o que acontece no Brasil, guardadas as devidas proporções. O fato é que nós precisamos unir forças para acabar com o círculo vicioso que nos coloca em posição tão desfavorável em relação à produtividade. É uma demanda da sociedade, para que o país consiga alcançar o desenvolvimento sustentável. A responsabilidade é de todos nós. Não temos o direito de procrastinar. É hora de pôr as mãos à obra! 





Humberto Casagrande - CEO do Centro de Integração Empresa-Escola - CIEE. É engenheiro de Produção pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCAR e Mestre em Administração de Empresas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP. Acumula ampla experiência no mercado financeiro, tendo sido conselheiro da Bolsa de Valores de São Paulo – BOVESPA. Atuou como diretor de diversas instituições bancárias como Sudameris, Fator, Citibank e Banespa. É ex-presidente e fundador da APIMEC Nacional – Associação Brasileira dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais.



Férias de julho: como descansar sem perder o foco no vestibular

Veja 5 dicas para manter os estudos no período das férias, sem abrir mão do merecido descanso 



As férias escolares são um período muito aguardado pelos estudantes e, mais ainda, pelos vestibulandos. Para esses alunos, o mês de julho chega como um ‘respiro’ necessário após um semestre de intensa preparação para as provas. No entanto, mesmo sendo importante aproveitar esse intervalo para descansar e curtir momentos de lazer, o ideal é manter o cérebro ativo de forma leve, revisando conteúdos já vistos e reforçando pontos que ainda geram dúvidas, sem sobrecarregar a rotina.

“O recomendado é não abandonar totalmente os estudos, mas sim reduzir o ritmo. As férias devem ser um momento de equilíbrio, em que o estudante recarrega as energias e mantém uma rotina menos árdua para revisões de materiais, leituras menos densas e organizações de tópicos ou assuntos importantes para a reta final”, afirma Luã Marins, Diretor de Ensino da Inspira Rede de Educadores.

Confira a seguir cinco recomendações da Inspira Rede de Educadores para continuar a preparação para os vestibulares de forma saudável durante esse período:


Mantenha uma rotina de estudos leve, mas consistente

Mesmo durante o recesso, vale estabelecer um horário fixo para estudar, ainda que por pouco tempo. Reservar uma ou duas horas por dia, com metas realistas, ajuda a manter o hábito e evita a sensação de recomeçar do zero no retorno às aulas. “Nesse momento, a constância importa mais do que a intensidade. Mesmo em ritmo reduzido, manter algum contato com os conteúdos evita a perda de rendimento no segundo semestre”, aponta Luã.


Revise seus próprios materiais e faça anotações

Revisar conteúdos já estudados, reler redações anteriores, revisitar marcadores e corrigir exercícios antigos são formas eficazes de consolidar o aprendizado. Esse tipo de revisão é estratégica, pois permite perceber quais temas ainda geram dúvidas. Além disso, rever produções próprias, como anotações e mapas mentais, ajuda a fixar o conteúdo com base na lógica e linguagem que o próprio estudante utiliza, tornando o estudo mais natural.


Aproveite o tempo livre para enriquecer o repertório

As férias também são um ótimo momento para consumir conteúdos culturais que dialogam com temas cobrados na redação e em questões interdisciplinares. Assistir a filmes, documentários, visitar exposições e ouvir podcasts são formas prazerosas de ampliar o olhar crítico e contextualizar conteúdos que podem cair no vestibular - um lazer construtivo.

“Um bom filme, uma exposição interessante, uma música mais crítica e expressiva, ou um livro de ficção facilmente podem virar argumento na redação. O repertório cultural vai muito além do que se aprende na escola. Quanto mais referências o aluno tiver na prática, mais facilidade ele vai ter para construir um ponto de vista consistente”, explica Luã.


Priorize o descanso e o bem-estar

Dormir bem, se alimentar com qualidade, praticar atividades físicas e passar tempo com pessoas queridas são cuidados essenciais. O descanso físico e mental é parte importante da preparação, especialmente em um ano tão desafiador. Respeitar o próprio tempo e desconectar-se por algumas horas do ritmo de estudos é fundamental para evitar esgotamento e ansiedade.



Organize-se para o segundo semestre

Aproveitar esse período mais tranquilo das férias para estruturar o planejamento dos meses seguintes pode trazer mais segurança na reta final. Montar um cronograma de estudos, revisar o calendário de simulados e provas, separar os materiais nos quais precisa se aprofundar ainda mais nas semanas seguintes, e estabelecer metas claras são formas de começar o semestre com foco e menos estresse. “Ter um plano bem definido ajuda a reduzir a ansiedade típica do segundo semestre. Com uma boa organização, o estudante consegue equilibrar estudo e qualidade de vida até a chegada das provas”, conclui Luã.

Como a inteligência artificial está redesenhando o futuro da previsão climátic

Enchentes devastadoras, deslizamentos de terra, ondas de calor e rajadas de vento, eventos climáticos extremos estão deixando de ser exceção para se tornarem parte do cotidiano. Entre vários exemplos, esses extremos causam diversos transtornos para o desenvolvimento das atividades do dia a dia e para o planejamento estratégico de vários setores. O agravamento da crise climática global escancarou uma verdade incômoda: nossos modelos tradicionais de previsão do tempo não estão à altura da complexidade do mundo real.

 

Por décadas, dependemos de sistemas que enxergam o clima como um fenômeno de larga escala — útil para prever frentes frias ou mudanças sazonais, mas pouco eficaz para entender como esses fenômenos afetam o bairro onde moramos, a estrada que percorremos ou a lavoura que alimenta cidades inteiras. A maioria dos modelos ainda opera com resoluções espaciais que beiram os 25 km. Traçando uma analogia, isso significa tentar montar um quebra-cabeça de 1000 peças com apenas 50.

 

Mas e se fosse possível “ver” o clima com resolução de rua, quase como se tivéssemos uma estação meteorológica a cada 30 metros do território? Foi com essa ambição — e senso de urgência — que desenvolvemos o MIA-Climap na MeteoIA, um modelo de previsão climática guiado por inteligência artificial que busca transformar como lidamos com os riscos do tempo.

 


Ao integrar dados de satélites, sensores, modelos atmosféricos e séries históricas, o MIA-Climap atua como um sistema de visão computacional do clima: agregando as características de terreno, vegetação, relevo, umidade do solo e até a temperatura dos oceanos. Com o suporte de redes neurais profundas, consegue aprender padrões complexos e gerar previsões localizadas com um nível de detalhe avançado em comparação com os modelos atuais.

 

Esse avanço tecnológico não é apenas uma conquista de engenharia — é uma revolução prática. Governos podem agora mapear com meses de antecedência áreas suscetíveis a enchentes. Gestores de energia conseguem antecipar vulnerabilidades na rede diante de ventos extremos. Seguradoras aprimoram a subscrição de apólices, ajustando prêmios com base no risco climático real de cada ativo. E especialistas em saúde pública podem prever regiões com maior concentração de poluentes no ar já para o dia seguinte.

 

A precisão do MIA-Climap em detectar eventos extremos tem sido validada empiricamente. Seu desempenho tem sido considerado superior em comparação aos métodos tradicionais. Um exemplo marcante ocorreu em fevereiro de 2025, quando o sistema conseguiu antecipar com acurácia as rajadas de vento que atingiram uma unidade da Petz, em Curitiba. Essa capacidade de previsão hiperlocal pode significar a diferença entre uma resposta preventiva e uma tragédia anunciada.

 

A comunidade científica tem reconhecido esse avanço. O MIA-Climap foi destaque em sessões sobre aprendizado profundo na American Meteorological Society Annual Meeting, chamando atenção pela maneira como traduz dados massivos em insights concretos — um exemplo de como a IA pode servir ao bem comum.

 

Vivemos um tempo em que o clima deixou de ser apenas assunto de conversa e se tornou uma questão de sobrevivência. Nesse novo cenário, precisamos de ferramentas que combinem precisão técnica com aplicabilidade social. A inteligência artificial, quando bem usada, pode ser essa ferramenta. 

 

Gabriel Perez - sócio-fundador da MeteoIA. PhD em ciências do clima pela University of Reading, United Kingdom, MSc e BSc em ciências atmosféricas pelo IAG/USP.


Parque Capivari inaugura primeira Floresta Líquida do Brasil dentro de um parque de diversões

Iniciativa inédita no Brasil, a Floresta Líquida do Parque Capivari simula 
a fotossíntese com microalgas para capturar CO₂ 
e liberar oxigênio em tempo real Divulgação

Instalação com cinco árvores tecnológicas purifica o ar com eficiência equivalente a 200 árvores naturais; projeto alia ciência, turismo e educação ambiental em pleno coração da Serra da Mantiqueira 

 

O Parque Capivari, principal atrativo turístico de Campos do Jordão (SP), inaugurou nesta quarta-feira, 09 de julho, a primeira Floresta Líquida do Brasil instalada em um parque de diversões. O projeto é inédito no país e reúne ciência, sustentabilidade e experiência turística em um mesmo espaço, com cinco árvores tecnológicas que purificam o ar de forma contínua e silenciosa.

A instalação, composta por cinco Árvores Líquidas de alta tecnologia, é uma proposta inovadora que une conscientização ambiental e ciência para ajudar na purificação do ar e no combate às mudanças climáticas. Juntas, as cinco estruturas têm a capacidade de desempenhar o trabalho equivalente a até 200 árvores convencionais.

“Nosso compromisso com a sustentabilidade é constante e prático. A instalação da Floresta Líquida reforça a intenção do Parque Capivari de ir além do entretenimento e contribuir efetivamente com o meio ambiente, por meio de ações reais e mensuráveis”, afirma Rafael Montenegro, diretor geral do Parque Capivari.

As estruturas simulam o processo de fotossíntese por meio de microalgas cultivadas em fotobiorreatores. Cada árvore é capaz de capturar dióxido de carbono (CO) da atmosfera e liberar oxigênio em tempo real. Segundo dados técnicos, uma única árvore líquida equivale a 150 árvores convencionais em capacidade de captura de carbono.

Além da purificação do ar, o sistema produz biomassa que pode ser utilizada como matéria-prima para biocombustíveis e fertilizantes. A operação é alimentada por energia elétrica ou fotovoltaica, e os dados de desempenho são monitorados em tempo real por sensores integrados.

“Diferente do que se possa imaginar, a Floresta Líquida não tem o objetivo de substituir árvores naturais ou florestas verdes. Pelo contrário: ela surge como uma aliada nessa causa, somando esforços à preservação da natureza e ampliando o debate sobre soluções urbanas e tecnológicas para os desafios ambientais atuais”, esclarece Montenegro.

A iniciativa integra a estratégia ESG do Parque Capivari e contempla três frentes de atuação: Ambiental (com captura de CO, liberação de oxigênio e geração de biomassa), Social (com ações de educação ambiental para visitantes e escolas) e Governança (com dados transparentes e auditáveis).

“Campos do Jordão recebe cerca de quatro milhões de turistas por ano e a visibilidade que temos aqui é uma oportunidade para ampliar a conscientização ambiental em grande escala. O impacto vai muito além dos limites do parque”, destaca o Diretor do Parque.

O projeto se baseia em pesquisas que demonstram que cerca de 54% do oxigênio atmosférico é produzido em ambientes aquáticos, especialmente por organismos como microalgas e fitoplânctons. A tecnologia das árvores líquidas replica esse processo natural de forma controlada e eficiente, utilizando luz artificial com espectro específico e um sistema interno de borbulhamento que realiza a troca gasosa com o ar.

A necessidade de soluções sustentáveis no combate ao excesso de carbono é urgente. De acordo com a Agência Internacional de Energia, o CO representa cerca de 75% das emissões globais de gases de efeito estufa. A concentração atmosférica do gás atingiu 419 partes por milhão em 2023, o maior índice dos últimos 800 mil anos, segundo a NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos).

“Se quisermos encontrar soluções para o futuro, precisamos olhar com mais atenção para o que a própria natureza já faz com maestria. A Floresta Líquida é uma resposta a esse olhar. Trata-se de uma síntese entre biotecnologia e respeito aos ciclos naturais”, diz Montenegro.

Além da função ecológica, a Floresta Líquida no Parque Capivari será também um espaço de educação ambiental e inspiração para visitantes de todas as idades. “A partir de agosto, a Floresta Líquida também passará a funcionar como sala de aula ao ar livre para estudantes de Campos do Jordão e de toda a região da Serra da Mantiqueira”, finaliza Rafael Montenegro.

 

 Serviço:

Rua Engenheiro Diogo José de Carvalho, 1291 – Capivari, Campos do Jordão
Site: www.parquecapivari.com.br
Instagram: @parquecapivari

 

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