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terça-feira, 13 de maio de 2025

Pandemias e os desafios do futuro: o que aprendemos com a COVID-19

Coordenador da UTI do Hospital Unimed Araxá aponta avanços em protocolos e gestão de saúde pública

 

No último dia 26 de fevereiro completaram-se cinco anos desde o primeiro diagnóstico de COVID-19 no Brasil. Desde então, já foram confirmados em nosso país pouco menos de 40 milhões de casos e pouco mais de 716 mil óbitos dessa doença, de acordo com dados do Ministério da Saúde. A principal marca da pandemia foi essa enorme perda de vidas humanas em tão curto espaço de tempo (a maior parte dessas mortes ocorreu em aproximadamente dois anos). Ficaram também, no entanto, lições importantes que nos poderão ser muito valiosas quando a próxima pandemia ocorrer.

 

Na dimensão dos profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas etc.) destacam-se os aprendizados acerca do tratamento de síndromes respiratórias graves, da ventilação mecânica, das medidas de controle de infecção, do cuidado multidisciplinar e da prática baseada em evidências científicas e protocolos clínicos. Além disso, a pandemia evidenciou o impacto do cuidado centrado no paciente e na equipe, ressaltando a importância do apoio psicológico e do bem-estar mental dos profissionais de saúde.

 

Já os gestores de saúde aprenderam a necessidade de fortalecer a capacidade de planejamento estratégico e melhorar a comunicação entre diferentes setores e níveis de atenção. Além disso, um dos maiores desafios foi a otimização dos recursos (infraestrutura, equipamentos, insumos, medicamentos e pessoal treinado). Também ficou claro o valor de processos flexíveis frente a uma doença cujo diagnóstico, prevenção e tratamento mudaram constantemente à medida que avançavam as descobertas científicas.

 

No nível da alta gestão de saúde pública (secretarias de saúde e Ministério da Saúde), a pandemia também ressaltou a importância de tornar transparentes e disseminar informações confiáveis e de fácil compreensão, tanto para as equipes técnicas quanto para a população geral. Também se evidenciou a necessidade de medidas de saúde pública coordenadas e organizadas entre os diversos níveis do sistema de saúde. Em especial, no caso da pandemia de COVID-19, ressalta-se o esforço de vacinação em massa e em escala nacional, que em última instância possibilitou o fim da emergência sanitária.

 

Não sabemos quando ocorrerá a próxima pandemia, mas a história nos ensina que ela invariavelmente ocorrerá. Esperamos que, com essas lições aprendidas, possamos enfrentá-la com maior eficiência, rapidez e flexibilidade do que o fizemos com a pandemia iniciada há 5 anos.

 

Dr. Luiz Felipe de Ávila Daher - coordenador da UTI do Hospital Unimed Araxá

Uso excessivo de telas eleva em 37% risco de enxaqueca, aponta estudo

19 de maio traz conscientização sobre as dores de cabeça e a importância da iluminação adequada


No dia 19 de maio é comemorado o Dia Nacional de Combate à Cefaleia, popularmente conhecida como dor de cabeça. A condição pode afetar toda a parte superior do corpo, incluindo o couro cabeludo, a região superior do pescoço, o rosto e o interior da cabeça. As causas são diversas e, por isso, as cefaleias são classificadas em dois grandes grupos: primárias e secundárias.

As cefaleias primárias são aquelas em que não há alterações estruturais no cérebro. Nesse caso, a dor de cabeça é o próprio problema, como acontece na enxaqueca. Já as cefaleias secundárias são causadas por outras doenças ou condições clínicas, como infecções bacterianas ou virais, a exemplo da sinusite.

Entre as cefaleias primárias, a mais comum está relacionada ao estresse do dia a dia. Outros fatores, como a exposição prolongada a luzes intensas e artificiais, também podem desencadear ou agravar as crises. De acordo com um estudo com 4.927 participantes publicada no PubMed, jovens adultos que passam mais tempo diante de telas têm um risco 37% maior de desenvolver enxaqueca, especialmente sem aura. 

A especialista em iluminação saudável Adriana Tedesco alerta sobre os malefícios do excesso de brilho gerado por luminárias inadequadas, sem difusores ou filtros. “A luz intensa, sem acessórios antiofuscantes como aletas ou acrílicos, provoca esforço excessivo do sistema óptico, levando à fadiga visual e, consequentemente, à dor de cabeça”, explica Adriana.

Ela destaca que ambientes com pouca iluminação podem causar o mesmo efeito, já que a falta de luz ou a presença de reflexos também sobrecarregam os olhos e podem causar cefaleia.

Outro fator preocupante é o uso excessivo de dispositivos eletrônicos. Na era digital, o tempo prolongado diante de telas pode sobrecarregar os músculos oculares, que se contraem e relaxam continuamente para manter o foco, aumentando o risco de dor de cabeça.
Por isso, a especialista reforça a importância de uma iluminação planejada, principalmente em ambientes de trabalho e estudo. A luz deve ser adequada à atividade, sem contrastes excessivos ou ofuscamento, combinando iluminação direta e difusa.

Como medida preventiva, Adriana recomenda ainda o uso de óculos com filtro laranja, que reduzem os efeitos nocivos da luz azul emitida por aparelhos eletrônicos. “Esses óculos não substituem os óculos de grau, mas podem ser usados por cima, inclusive por crianças, para minimizar a supressão da melatonina, hormônio essencial para o sono e o equilíbrio neurológico”, conclui.

 

Adriana Tedesco - tem como missão projetar ambientes luminosos saudáveis, trazendo experiências da natureza para dentro de nossos espaços, permitindo que o corpo humano reconheça e se sincronize com os ciclos naturais. Seu trabalho visa proporcionar bem-estar e qualidade de vida, transformando a iluminação em uma ferramenta de cura e reconexão com a própria essência. Ela é titular do Studio Guido Projetos de Iluminação Integrativa, referência no setor, onde lidera o desenvolvimento de projetos que aliam luz e saúde. Seu escritório é um dos poucos especializados nessa abordagem inovadora, que considera os impactos da iluminação no ser humano. Como especialista em design biofílico, Adriana une diferentes áreas do conhecimento para criar uma metodologia própria na projeção da iluminação nos ambientes construídos. Sua abordagem humanizada coloca as pessoas no centro dos projetos, minimizando os impactos negativos da luz artificial e promovendo um ambiente mais harmônico e equilibrado. O Studio Guido Projetos de Iluminação Integrativa está localizado na Rua Guaiaó, 66 - sala 809 - Praiamar Corporate - Santos - SP. Telefone: (13) 3234-3445.

 

Refrigerante e Pedras nos Rins: A Dupla Que Está Silenciosamente Destruindo Sua Saúde


Após a retirada de 35 pedras da bexiga de um homem que bebia 3 litros de refrigerante por dia, o alerta é claro: esse hábito pode custar muito caro aos seus rins.

 

Recentemente, um vídeo viralizou nas redes sociais mostrando um caso impressionante: um paciente que consumia de dois a três litros de refrigerante por dia precisou passar por cirurgia para remover 35 pedras da bexiga. A cena chocante expôs não apenas a gravidade da situação, mas também a urgência de repensarmos o consumo dessas bebidas aparentemente inofensivas.

 

Para o urologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Dr. Alexandre Sallum Bull, o caso é emblemático e serve de alerta para todos que ainda acreditam que tomar refrigerante “só de vez em quando” não faz mal.

 

“Refrigerante é uma das bebidas mais agressivas para o sistema urinário. Ele altera o pH da urina, estimula a perda de minerais pelos rins, favorece a cristalização de substâncias como cálcio, fosfato e oxalato — e isso, com o tempo, vira pedra. E pedra vira dor, infecção e, nos casos mais graves, cirurgia.”

 

O que há de tão perigoso no refrigerante?


Por trás do sabor adocicado e da sensação refrescante, o refrigerante esconde um coquetel de substâncias prejudiciais ao trato urinário: 

  • Ácido fosfórico: Presente especialmente nos refrigerantes à base de cola, altera o equilíbrio ácido-base da urina e aumenta a excreção de cálcio pelos rins, um dos principais componentes das pedras. 
  • Açúcar em excesso: Altas doses de glicose afetam o metabolismo do cálcio e podem aumentar a produção de urina rica em minerais cristalizáveis. 
  • Cafeína: Presente em muitos refrigerantes, tem efeito diurético leve, que pode aumentar a desidratação, reduzindo o volume urinário e favorecendo a concentração de sais na urina. 

E isso sem mencionar os refrigerantes zero ou diet, que embora não contenham açúcar, mantêm o ácido fosfórico e adoçantes artificiais, também suspeitos de afetarem a microbiota intestinal e o metabolismo renal. 

 

O caminho até a formação das pedras


Nos rins, substâncias como cálcio, oxalato e ácido úrico são naturalmente excretadas pela urina. Quando estão em equilíbrio e diluídas, tudo funciona bem. Mas quando a concentração aumenta e a urina está mais ácida ou em menor volume, esses cristais se aglomeram e nascem os temidos cálculos renais.

 

“Beber refrigerante em excesso é como despejar ácido sobre um sistema que deveria ser equilibrado. Com o tempo, os rins reagem da única forma que sabem: formando pedras para tentar conter o excesso de toxinas e sais,” explica Dr. Alexandre Sallum.

 

Sintomas de quem está formando pedras nos rins


A formação de cálculos pode ser silenciosa no início, mas conforme as pedras crescem ou se movimentam, os sintomas aparecem e costumam ser intensos: 

  • Dor lombar forte, em cólica, que pode irradiar para a virilha;
  • Urina com sangue ou turva;
  • Urgência urinária e sensação de bexiga cheia;
  • Náuseas e vômitos;
  • Infecções urinárias recorrentes. 

No caso do paciente que viralizou, as pedras não estavam nos rins, mas acumularam-se na bexiga, gerando um quadro raro, mas grave, que exigiu cirurgia aberta.

 

Quem consome refrigerante está mais propenso a ter pedras?


Sim. Estudos mostram que o consumo frequente de refrigerantes está associado a um aumento de até 33% no risco de formação de cálculos urinários. E o risco é ainda maior em pessoas que: 

  • Têm histórico familiar de pedra nos rins;
  • Bebem pouca água;
  • Têm dietas ricas em sódio, proteínas animais e alimentos industrializados;
  • São sedentárias ou com sobrepeso.

 

Prevenção: o que realmente funciona


A boa notícia é que formar pedra nos rins não é inevitável. Com cuidados simples e consistentes, é possível prevenir o problema, mesmo em pessoas predispostas.

 

1. Beba bastante água:

Manter-se hidratado é a forma mais eficaz de diluir a urina e impedir a formação de cristais. A meta? Pelo menos 2 a 2,5 litros de água por dia, ou até mais se o clima estiver quente ou você praticar atividades físicas.

 

2. Evite refrigerantes e bebidas adoçadas:

Troque refrigerante por água com limão, chás naturais (sem açúcar), água de coco, kombucha ou sucos naturais.

 

3. Reduza o sal e os embutidos:

Dietas com excesso de carne vermelha e embutidos aumentam a excreção de ácido úrico, o que também favorece o surgimento de cálculos.

 

4. Inclua alimentos protetores:

Frutas cítricas, como limão, laranja e acerola, aumentam o citrato urinário, um composto que impede a formação de cristais.

 

5. Consulte um urologista:

Se você já teve pedra nos rins ou infecções urinárias, vale investigar o tipo de cálculo, os hábitos alimentares e, se necessário, fazer exames para personalizar sua prevenção.

 

O caso das 35 pedras retiradas da bexiga de um paciente que abusava do refrigerante não é uma história de azar é consequência de um hábito tóxico, mantido por anos, sem escuta nem orientação.

Você não precisa chegar a esse ponto.

 

“Quando você elimina o refrigerante da sua rotina, não está apenas cortando uma bebida calórica. Está fazendo um gesto de respeito com seu corpo, com seus rins e com a sua saúde a longo prazo.” — Dr. Alexandre Sallum Bull.

 

 

Dr. Alexandre Sallum Bull CRM 129592 - Médico Urologista. Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)


Perda auditiva súbita: um alerta que não pode ser ignorado

Surdez repentina pode ter causas variadas e exige diagnóstico rápido para evitar sequelas permanentes; especialistas explicam sinais, prevenção e tratamentos

 

Imagine acordar em um dia qualquer e perceber que sua audição simplesmente sumiu, sem aviso prévio. A surdez súbita, uma condição pouco falada, mas altamente impactante, pode ocorrer de forma inesperada, afetando uma ou ambas as orelhas. Esse problema, conhecido como surdez súbita neurossensorial, pode ter causas variadas e, se não tratado corretamente, pode resultar em sequelas permanentes. Embora, em muitos casos, a recuperação aconteça espontaneamente, é crucial agir rápido e procurar ajuda especializada.

Otorrinolaringologista do Hospital Paulista, Dr. José Ricardo Gurgel Testa chama a atenção para a necessidade de buscar atendimento médico, o quanto antes, quando o paciente apresenta surdez súbita. O objetivo é realizar um audiograma, teste auditivo realizado por um fonoaudiólogo para ajudar em sua identificação. “O diagnóstico acontece quando há uma perda em mais de três frequências em uma intensidade de 30 decibéis ou por um período de até 72 horas”, explica o especialista.

De acordo com o Dr. Testa, a surdez súbita tem causa desconhecida, mas pode estar atrelada a diversos processos infecciosos, virais, inflamatórios autoimunes, tumorais e vasculares. “Infecções no ouvido, doenças como caxumba, sarampo ou catapora; doenças autoimunes, como HIV ou lúpus e até uso de remédios anti-inflamatórios ou antibióticos podem causar a perda de audição de forma repentina.”


Outras causas de surdez

Uma outra condição é ainda mais comum com relação a mudanças na audição, como alerta a fonoaudióloga Sabrina Figueiredo: a diminuição auditiva, que tem a exposição a ruídos altos e a idade como principais causadores.

Segundo a especialista, o problema pode ser percebido quando a pessoa encontra dificuldade em compreender conversas em locais barulhentos ou com muitas pessoas falando ao mesmo tempo. Além disso, é perceptível a necessidade de aumentar muito o volume da TV ou quando o paciente pede para repetirem o que é dito frequentemente.

Qualquer perda auditiva traz algum impacto na comunicação e qualidade de vida, e, normalmente, o prejuízo é proporcional ao grau da perda auditiva. A falta de informações auditivas impõe a condição de privação sensorial no sistema nervoso central, provocando uma reorganização cortical auditiva inadequada pela falta de sons.

“Além desse impacto, a falta de audição faz com que o sujeito tenha dificuldade de socialização, restrição de participação nas atividades do dia a dia e impactos emocionais, e consequentemente piora na qualidade de vida”, explica Sabrina.

A pandemia acabou trazendo à tona várias discussões sobre o tema, pois as pessoas passaram a perceber a dificuldade de ouvir os outros em função do uso de máscaras. “Com o uso das máscaras, muitas pessoas passaram a perceber dificuldades de comunicação, já que, sem a possibilidade da leitura labial, era mais difícil compreender o que era dito”, explica Sabrina.


Prevenção

Os especialistas alertam que a maior parte das perdas auditivas podem ser prevenidas no dia a dia, evitando hábitos como o uso excessivo de fones de ouvido com volume alto, a utilização de hastes flexíveis ou outros objetos que podem provocar lesões e infecções.

Traumas acústicos como shows musicais, explosões, exposições prolongadas a ruídos sem a proteção auricular e o uso de medicamentos tóxicos para os ouvidos também podem causar a perda auditiva em vários níveis, do mais leve ao mais profundo.


Tratamentos

Para a surdez neurossensorial severa ou profunda, além dos casos de discriminação vocal muito baixa, um dos tratamentos indicados é o implante coclear, uma cirurgia que consiste na inserção de um aparelho para a reabilitação capaz de ajudar, inclusive, os pacientes que não têm benefícios evidentes com uso de aparelhos auditivos de amplificação individual.

“Geralmente o implante é indicado em casos bilaterais, mas em algumas situações de perdas unilaterais com zumbido, ele também pode ser usado”, orienta o Dr. Testa.

O Hospital Paulista é considerado centro de referência para esse tipo de cirurgia, que apesar de contar com certa complexidade, tem o diferencial de possuir o rigoroso acompanhamento pós-cirúrgico, juntamente com a terapia fonoaudiológica, que juntos são capazes de permitir uma reabilitação eficaz.

Segundo Sabrina Figueiredo, é comum as pessoas perceberem que têm algum grau de perda auditiva, mas não buscarem ajuda profissional. A questão é preocupante, já que o atraso no diagnóstico pode agravar a maioria dos casos.

“A perda auditiva pode ter seu surgimento e evolução progressivas, por isso, é importante sempre serem feitos checkups da audição. Se você desconfia que sua audição está piorando procure uma avaliação. E se a piora for súbita, a busca por um serviço de referência deve ser imediata”, finaliza a especialista.

 

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia


A gestão eficaz da segurança ocupacional e a contribuição para melhorias operacionais e financeiras no corporativo

Médica especialista da Howden Brasil destaca a importância do investimento na saúde e proteção dos colaboradores, como caminho para redução de afastamentos, aumento da produtividade e fortalecimento da cultura organizacional

 

 

Em 2024, o Brasil registrou quase meio milhão de afastamentos do trabalho por motivos de saúde, o maior número em pelo menos uma década. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, foram mais de 472 mil pedidos, praticamente o dobro do que foi registrado em anos anteriores. O aumento de mais de 60% em relação a 2023 acende um alerta para a importância de investir em segurança e saúde no ambiente de trabalho.

 

Boa parte desses afastamentos têm origem em doenças relacionadas à saúde mental, como ansiedade e depressão, reforçando que os riscos ocupacionais vão muito além dos riscos físicos, biológicos e químicos. Para a Dra. Silvia Prinholato, Diretora Médica da Howden Brasil, corretora especializada em seguros de alta complexidade, o bem-estar do colaborador está diretamente ligado à forma como ele se relaciona com o ambiente de trabalho. “O indivíduo é único, e tanto o ambiente pessoal quanto o profissional impactam diretamente na sua saúde. O trabalho deve ser algo prazeroso, mas pode apresentar riscos. Cabe às organizações identificar e cuidar desses riscos para que o indivíduo não adoeça em função da sua atividade”, afirma a especialista.

 

O Dia Mundial da Saúde comemorado recentemente, traz à tona a conscientização da população e as companhias sobre a importância de cuidar da saúde e do bem-estar. Entre os desacertos mais comuns cometidos pelas empresas estão a ausência de treinamentos, a má qualidade ou falta de equipamentos de proteção, falhas na comunicação e a negligência com fatores psicossociais. Esses problemas se refletem diretamente nos indicadores do negócio, aumento de afastamentos, processos trabalhistas, queda de produtividade e perda de talentos.

 

A Dra. Silvia destaca que criar um ambiente seguro começa com a avaliação contínua dos riscos, mapeando áreas críticas e definindo estratégias de prevenção. “Além disso, é essencial oferecer equipamentos de proteção individual (EPIs) de qualidade, acompanhados de orientações claras sobre seu uso correto, uma etapa muitas vezes negligenciada, mas que fazem toda a diferença”.

 

Treinamentos constantes também são fundamentais, desde a utilização dos EPIs até procedimentos de emergência, como simulações de evacuação. A ergonomia deve ser observada com atenção especial, por meio de blitz no ambiente de trabalho para ajustar posturas, prevenir lesões e promover pausas adequadas. No caso de manipulação de substâncias perigosas, o cuidado precisa ser redobrado, com treinamento específico e sistemas de ventilação eficientes.

 

A saúde mental dos colaboradores também exige uma abordagem ativa. “É essencial promover um ambiente acolhedor, com treinamentos e ações que levem em conta as diferentes percepções de como o trabalho impacta cada pessoa. A prevenção de riscos psicossociais precisa fazer parte da estratégia de segurança ocupacional”, reforça a especialista.

 

Para ela, “Empresas que deixam de investir nessas práticas estão mais expostas a afastamentos, processos trabalhistas, aumento de custos operacionais e até perda de talentos. Embora os seguros não atuem diretamente na mitigação dos riscos, podem ser uma ferramenta estratégica de suporte e proteção, especialmente quando aliados a uma cultura organizacional voltada para o bem-estar”.

 

Garantir um ambiente saudável e seguro não é apenas uma exigência legal, mas uma escolha inteligente. “Companhias que investem em segurança ocupacional constroem uma cultura mais sólida, evitam prejuízos e promovem um ambiente mais produtivo, engajado e humano”, finaliza.

 

 

Howden Brasil

 

Saiba como evitar a doença periodontal, que afeta 35% da população mundial

A professora de Odontologia Flaira Rita dos Santos Albino alerta que higiene adequada e consultas ao dentista são as melhores formas de prevenção 

 

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 35% da população mundial sofre com doença periodontal. Entre os adultos, o número é ainda mais alarmante: com estimativa de que até 50% seja afetado. As infecções atingem os dentes, gengivas e os ossos, podendo chegar a casos graves, mas que podem ser prevenidos. 

 

Já o Ministério da Saúde afirma que, de acordo com dados do último levantamento Nacional de Saúde Bucal, esse é um dos principais motivos de perdas de dentes em adultos no país. A situação começa de forma sutil, e passa a ser visível, principalmente, a partir de sangramento gengival ao passar fio dental, por exemplo. Além disso, há o inchaço e mudança na cor e na textura da gengiva. Em casos extremos, o problema pode causar a perda dos dentes.

 

De acordo com a professora de Odontologia da UniSociesc, Flaira Rita dos Santos Albino, os pacientes buscam o atendimento odontológico apenas quando já sentem sinais, o que é um erro. “Vão ao dentista para tratar o mau hálito, pelo amolecimento dos dentes, em casos mais graves. Ou ainda por abcessos periodontais, que causam dor e desconforto, às vezes até febre. Um nível de inflamação que a pessoa não consegue desenvolver as atividades diárias normalmente”, explica. 

 

Apesar dos desconfortos, é possível prevenir a doença periodontal. Conforme Flaira, unir limpeza com ao menos uma visita por ano ao dentista são as melhores maneiras de evitar problemas nos dentes, gengivas e em toda região bucal. 

 

“Interessante ter um diagnóstico precoce, o que é favorável para ter o controle da doença. É recomendado usar escovas macias, com a cabeça pequena, as cerdas retas, sem curvaturas. Fazer uma escovação cautelosa, com atenção e sem força. Por fim, a complementação com o fio dental. Ele é o melhor amigo da prevenção da doença periodontal”, orienta. 

 

Mesmo que a doença periodontal tenha cura, a professora ressalta que algumas consequências podem ser irreversíveis Quando o problema afeta o osso, pode não ser possível repor aquele osso afetado ou perdido, por exemplo. Por isso, é recomendado fazer um raio-x panorâmico anualmente para acompanhar o que não é possível visualizar clinicamente. 

 

Má higiene, tabaco e alcoolismo agravam situação 

A principal causa para o desenvolvimento do problema periodontal é o acúmulo constante de biofilme dental na superfície dos dentes, que popularmente pode ser classificado como placa bacteriana. Ou seja, quando partes dos dentes com difícil acesso da escova ficam com sujeira. 

 

“Se a gente faz aquela escovação apurada, sem muitos detalhes, pode ser que esse biofilme dental tome conta do local. A presença constante da placa gera inflamação na gengiva, podendo causar gengivite e até periodontite, quando ocorre da doença chegar no osso”, sinaliza Flaira.

 

Outros elementos que podem causar o avanço é o tabagismo, sendo um dos principais. Conforme a professora de Odontologia da Unisociesc, o cigarro “esconde” sintomas, como o sangramento gengival. Isso acontece porque o calor das toxinas do tabaco afastam os vasos sanguíneos, criando uma ilusão no paciente. 

 

Além disso, o alcoolismo, diabetes, questões cardíacas, pulmonares e até o período de gestação podem impactar no agravamento da situação. “Ser gestante não é uma causa, mas pode agravar o problema durante o período gestacional por causa das alterações hormonais e da multiplicação celular. As doenças de forma geral podem agravar a condição periodontal”, alerta.

 

Como tratar

 

Fazer o tratamento dessa condição pode não ser simples, mas também não é a tarefa mais difícil. A situação vai mudar conforme o paciente e o estágio do problema. O tratamento deve ir além de serviços odontológicos “iniciais”, como a limpeza com escova e pasta, mas que inclui até exames que avaliam profundamente todos os dentes. 

 

A primeira linha de tratamento costuma ser o básico, principalmente para casos mais leves. Depois, nos mais graves, pode contar com enxerto gengival e enxerto ósseo para fazer a reconstrução do tecido perdido. Para evitar danos e dores, a recomendação principal da professora Flaira é fazer a higiene corretamente e ir ao dentista com periodicidade. 

 

Sinais que exigem atenção 

  • Sangramento ao escovar os dentes ou usar fio dental
  • Gengivas inchadas, vermelhas e sensíveis
  • Mau hálito persistente (halitose)
  • Alterações na textura e no formato da gengiva

 

UniSociesc

 

Mesmo com queda nos homicídios no Brasil, assassinatos de mulheres crescem

Divulgação
Dados do Atlas da Violência 2025 mostram que o país registrou 3.903 homicídios de mulheres em 2023. Psicanalista alerta: “Estamos diante do colapso de referências sobre o que é ser homem e como lidar com o desejo do outro”

O número de homicídios caiu no Brasil, mas não para todo mundo. Em 2023, enquanto a média nacional de assassinatos registrou a menor taxa em 11 anos, os crimes contra mulheres voltaram a subir — e escancararam uma ferida racial e estrutural que ainda está longe de cicatrizar.

O Atlas da Violência 2025, divulgado nesta segunda-feira (12) pelo Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que 3.903 mulheres foram assassinadas no Brasil em 2023 — o maior número desde 2018. A média é de 10 assassinatos por dia. Quase 70% dessas vítimas eram negras. 

O novo relatório escancara uma ferida que já vinha sendo denunciada por especialistas: a violência de gênero não apenas persiste como se concentra nas mulheres mais vulneráveis. Segundo o levantamento, 35% dos homicídios ocorreram dentro de casa, e a maior parte foi cometida por parceiros ou ex-companheiros.

Para a psicanalista Camila Camaratta, esses dados revelam mais do que uma epidemia de violência física. Eles apontam um colapso simbólico nas formas de lidar com o outro, com o desejo, com a perda e com os papéis de gênero.

“Quando essa capacidade de elaboração falha, o sujeito age — age para destruir, calar, eliminar aquilo que não consegue elaborar. O feminicídio é justamente isso: uma passagem ao ato que denuncia uma falência profunda na possibilidade de lidar com o outro”, explica Camaratta.

Ela destaca que, além do feminicídio tipificado — que chegou a 1.450 casos em 2024, o maior número desde 2015 —, muitos homicídios de mulheres ainda não são corretamente classificados, o que pode ocultar a real dimensão do problema.

“É mais que um dado criminal. É um fenômeno psíquico, histórico e cultural que expõe o desamparo do sujeito frente à perda de referências sobre o que é ser homem, o que é ser mulher e como coexistir com o desejo do outro”, afirma.


O feminino como ameaça

A pergunta que ecoa nos noticiários e assombra famílias de vítimas — “por que tantos homens ainda matam mulheres?” — ganha contornos ainda mais densos à luz da psicanálise. Segundo Camaratta, há uma profunda dificuldade simbólica em lidar com a autonomia feminina.

“É como se o sujeito dissesse: ‘não suporto que o outro exista sem ser meu’. Quando falta a capacidade de elaboração da perda do ser amado, falta também a mediação. O impulso vira ação sem filtro, e o feminino vira ameaça concreta a ser eliminada.”

Essa lógica é reforçada por comunidades misóginas online, como os incels e grupos redpill, que disseminam a ideia de que a mulher deve obediência ao homem. Esses discursos ajudam a sustentar uma masculinidade frágil, que responde à frustração com agressividade.

“Essa construção ideológica produz sujeitos vulneráveis à angústia do abandono, da frustração, do não saber lidar com o desejo do outro. Ao invés de elaborar o luto pelo desenlace, eles agem”, pontua a especialista.


 O papel das instituições e dos vínculos primários

Camila Camaratta lembra que a civilização, segundo Freud, atua como freio das pulsões destrutivas. Mas quando instituições como família, escola e cultura falham em oferecer contornos simbólicos, essas pulsões escapam.

“A destrutividade e o ódio não são uma falha de caráter. São parte do que nos constitui humanos. O que nos civiliza é a capacidade de simbolizar e conter esses impulsos. Sem isso, sobra o ato bruto.”

A teoria do pediatra e psicanalista Donald Winnicott também ajuda a compreender esse cenário. Quando o ambiente falha nos primeiros vínculos afetivos, o sujeito pode crescer sem recursos psíquicos para tolerar frustrações. Isso, segundo Camaratta, é uma bomba-relógio.

“O feminicídio, então, surge como um gesto radical para reestabelecer um suposto controle que na verdade nunca existiu.”

A historiadora e psicanalista Élisabeth Roudinesco, em obras como A Família em Desordem, também relaciona essa violência ao vazio simbólico deixado pelo declínio do patriarcado. Sem novas formas de subjetivação, gerações de homens permanecem sem referências sólidas.

“A ausência de novas narrativas para a masculinidade gera um vazio perigoso. Sem uma resignificação simbólica, o sujeito se defende da angústia com atos concretos — como o assassinato. O feminicídio é a encenação trágica de uma subjetividade em ruínas”, interpreta Camaratta.


 Punição é essencial — mas não suficiente

Apesar de avanços como o veto do STF ao uso da “legítima defesa da honra”, o julgamento dos feminicídios ainda sofre influência de preconceitos de gênero. Muitos casos são levados a júri popular, onde estereótipos ainda pesam.

“É uma bomba-relógio que estoura quando nenhuma instância simbólica — nem social, nem afetiva, nem psíquica — funciona como barreira.”

Camila reforça que a mudança não depende apenas da legislação, mas da cultura.

“Precisamos criar espaços de escuta, de elaboração e ressignificação simbólica de novos sentidos. A psicanálise nos ensina que o sintoma carrega uma mensagem. Escutá-lo é o primeiro passo para mudar.”

Mesmo que os números oscilem, o impacto emocional permanece. “O número pode cair, mas o trauma continua atravessando gerações”, conclui a psicanalista.

 

Camila Camaratta - psicanalista, especialista em Psicologia Clínica, com atuação voltada à escuta de sujeitos em situação de violência e sofrimento social.

 

Governo de SP ultrapassa R$ 5 bilhões destinados à Tabela SUS Paulista para ampliar acesso à saúde

Por meio do programa pioneiro, 800 instituições filantrópicas estão ampliando atendimento à população em todas as regiões do Estado

 

Criada pela gestão Tarcísio de Freitas para corrigir a defasagem histórica nos repasses às entidades filantrópicas conveniadas ao Sistema Único de Saúde, a Tabela SUS Paulista atingiu, neste mês, o valor histórico de R$ 5,1 bilhões em repasses a santas casas e instituições conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), no Estado de São Paulo. 

 

Liderado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP), o programa beneficia 800 instituições e remunera até cinco vezes mais quando comparado à tabela nacional, com recursos 100% do Tesouro Estadual repassados para os procedimentos realizados via SUS.

 

“Esse repasse histórico mostra o compromisso do Governo de São Paulo desde o primeiro dia desta gestão. A Tabela SUS Paulista está fortalecendo o SUS Paulista, ampliando atendimentos e garantindo mais dignidade no cuidado com a população”, destacou Eleuses Paiva, secretário de Estado da Saúde.

 

Resultados com o programa

 

Entre 2022 e 2024, o Estado registrou aumento de 30% na realização de cirurgias de alta complexidade. As cirurgias do aparelho da visão tiveram crescimento de 40% com 7.227 pacientes a mais sendo atendidos. As cirurgias de mama aumentaram 30%, com 786 mulheres a mais que realizaram o procedimento. Já as cirurgias oncológicas cresceram 25%, com 6.306 pacientes a mais atendidos pelo SUS.


O secretário de Estado da Saúde ressaltou que os objetivos do programa estão sendo atingidos. “Quando anunciamos a Tabela SUS Paulista, em 2023, falamos que queríamos mudar a vida de cada cidadão paulista e o curso da história da saúde pública de São Paulo, e os resultados já demonstram que estamos no caminho certo: diminuindo filas, produzindo mais e, principalmente, atendendo com qualidade a população perto de casa, sem a necessidade de percorrer grandes distâncias”, comentou.

 

Aumento nas internações

 

As Santas Casas e instituições filantrópicas do Estado registraram a expansão nos números de internações quando comparado a 2022, garantindo atendimento qualificado mais próximo às comunidades. 

Confira as 10 instituições que mais aumentaram o número de internações SUS entre 2022 e 2024:

 


 

Fazendo a diferença

 

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto que é beneficiado pelo programa, ampliou em 35% a oferta de serviços, que incluem atendimentos, internações e cirurgias.

 

A instituição registrou o maior aumento de internações via SUS. Foram 13.185 a mais no ano passado, se comparado a 2022, o que representa um repasse de R$ 136.374.549,62 para o hospital. A unidade também conseguiu abrir 160 leitos que estavam desativados.

 

“A atualização dos valores de remuneração é extremamente importante, porque o custo em saúde, tanto na questão de equipe, quanto de equipamentos e medicamentos, aumenta. Por meio da Tabela SUS Paulista, isso garante que o atendimento não seja reduzido e até pode ampliar os serviços disponíveis”, afirma o superintendente do HC Ribeirão, Ricardo Cavalli.

 

Na região central do Estado, a Santa Casa de Araraquara ampliou seus serviços por meio do programa, com investimentos em tecnologia, materiais e medicamentos, fortalecendo a oferta de assistência de alta complexidade para os pacientes.

 

A Tabela SUS Paulista também teve impacto na Baixada Santista. O Hospital Santo Antônio  conseguiu ampliar em 20% o quantitativo de vagas para o tratamento da alta complexidade.

 

Na Santa Casa de Presidente Prudente, na região oeste do estado, os repasses da Tabela SUS Paulista possibilitaram a ampliação dos atendimentos, beneficiando não apenas a instituição, mas toda a população. Além disso, houve aumento no número de internações mensais e a expansão da oferta de serviços.

 

Mais transparência 

O Governo de São Paulo disponibiliza a qualquer cidadão o acesso a todos os valores pagos, detalhados por instituição filantrópica, referentes à Tabela SUS Paulista, mostrando o compromisso da gestão com a transparência. Para acessar os dados, basta acessar https://nies.saude.sp.gov.br/ses.


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