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quinta-feira, 13 de março de 2025

Laqueadura e vasectomia aos 18? Psicóloga explica o que muda com julgamento do STF

Ação deve ocorrer nesta quarta (12) e pode reduzir idade mínima para esterilização

 

A possível mudança nas regras para laqueadura e vasectomia no Brasil levanta diversas questões sobre maturidade, planejamento familiar e direitos reprodutivos. Para esclarecer os principais pontos do debate, Rafaela Schiavo, psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline, responde às principais dúvidas sobre o tema. 


O Brasil tem um planejamento familiar eficiente?

No Brasil, mais da metade das gestações acontecem sem planejamento. A maioria das mulheres tem um, dois, três ou mais filhos sem planejar. Existe até a ideia de política nacional de planejamento familiar, que infelizmente não cumpre o papel de um planejamento efetivo. Muitas vezes, ela se resume à distribuição de preservativos, pílulas anticoncepcionais, laqueadura ou vasectomia. Falta diálogo verdadeiro sobre planejamento familiar.


A ausência de educação sexual contribui para gestações precoces?

A falta de educação sexual nas escolas para adolescentes ainda é um tabu para muitas famílias. Isso contribui para que muitas jovens engravidem antes dos 18 anos. Aproximadamente 20% das gestações no Brasil acontecem durante a adolescência, ou seja, antes de a pessoa completar a maioridade. Muitas vezes ocorre também a recorrência, adolescentes engravidam mais de uma vez antes dos 18 anos.


A renda e a escolaridade influenciam a gravidez não planejada?

Sim. Mulheres com menor escolaridade e baixa renda têm maior risco de enfrentar uma gravidez não planejada. A vulnerabilidade social impacta diretamente as chances de uma gestação indesejada.


Aos 18 anos, uma pessoa já tem maturidade suficiente para decidir pela laqueadura?

Alguns jovens conseguem ter clareza cedo sobre não querer filhos, mas não é possível generalizar. Estamos falando de um período em que prevalecem sentimentos de rebeldia e pensamentos mágicos, fantasiados, próprios da adolescência. Do ponto de vista psicológico, a maturidade cognitiva plena se dá aos 18 anos. Porém, apesar de alguns aspectos já estarem formados entre 12 e 18 anos, o pensamento realmente maduro, adulto e crítico ocorre após essa idade. Se já é complicada a pressão para um jovem escolher uma profissão e ingressar numa faculdade aos 18 anos, imagine tomar uma decisão definitiva sobre não ter filhos.

Claro que existem exceções. Há pessoas que atingem uma maturidade mais cedo devido às circunstâncias da vida, às dificuldades que enfrentaram ou às lutas que precisaram travar ainda na adolescência. Muitos jovens já têm maturidade suficiente e clareza sobre essa escolha, e é fundamental que sejam respeitados. No entanto, considerando a maioria, estabelecer a idade de 18 anos para realizar uma laqueadura ou vasectomia parece precoce.


Se a mulher já tem filhos antes dos 21 anos, a laqueadura deveria ser permitida?

Sim. Se a pessoa já tem filhos antes dos 21 anos, o cenário muda. Muitas mulheres com 18 anos já têm dois filhos, por exemplo, e têm total clareza sobre não querer mais engravidar. Para esses casos, a possibilidade da laqueadura deveria ser permitida, mesmo antes dos 21 anos. 


A sociedade impõe a maternidade às mulheres?

Sim. Vivemos em uma sociedade que impõe a maternidade compulsória, como se todas as mulheres tivessem que ser mães para se sentirem plenas e felizes com a maternidade. Quase nunca existe o questionamento real se a mulher quer ou não ser mãe. Ainda hoje, mulheres com 30 anos que não querem ter filhos são criticadas por suas decisões. Imagine mais jovens, com menos de 25 anos. Essas enfrentam ainda mais resistência e descrédito por parte da sociedade, que insiste em dizer que são muito novas para tomar essa decisão. 


A redução da idade mínima para esterilização pode afetar os direitos reprodutivos?

Precisamos discutir esse tema com sensibilidade e respeito, pois é uma decisão que envolve sobre a vida do outro com base em nossa própria visão. Do ponto de vista da psicologia, 18 anos ainda não representa uma maturidade cognitiva suficiente para uma decisão irreversível como essa. Já sobre a percepção social, é necessário urgentemente de políticas efetivas de planejamento familiar e educação sexual nas escolas. As pessoas precisam ter liberdade real para decidir sobre filhos sem sofrerem julgamentos. 


Exame que mapeia temperatura do corpo ajuda no diagnóstico de dores e inflamações

Termografia identifica áreas inflamadas e auxilia no tratamento de problemas musculoesqueléticos

 

Pacientes com dores crônicas e inflamações musculoesqueléticas podem se beneficiar da termografia, exame que detecta variações de temperatura no corpo e ajuda a identificar áreas com processos inflamatórios. A tecnologia, que utiliza câmeras térmicas para capturar padrões de calor, permite um diagnóstico mais preciso e complementa exames convencionais, como radiografias e ressonâncias magnéticas. 

De acordo com o Dr. Brasil Sales, especialista em medicina intervencionista da dor, a técnica tem sido utilizada para orientar tratamentos de forma mais personalizada e eficiente. “A termografia é um exame totalmente indolor, sem radiação e que possibilita visualizar de forma objetiva as regiões com alteração térmica, indicando possíveis inflamações ou disfunções musculares”, explica o médico. Segundo ele, o método é especialmente útil para avaliar dores crônicas na coluna, tendinites, lesões esportivas e até complicações pós-cirúrgicas.

Diferentemente de exames tradicionais que avaliam estruturas ósseas e articulares, a termografia foca na temperatura da pele, identificando padrões anormais de calor ou frio. O aumento da temperatura pode indicar inflamação ativa, enquanto a redução pode estar associada a problemas circulatórios ou neuropáticos.

“A inflamação gera um aumento do fluxo sanguíneo na região afetada, o que se reflete na elevação da temperatura. Já em casos de compressão nervosa ou distúrbios circulatórios, podemos observar uma redução térmica”, explica.

O exame dura poucos minutos e pode ser utilizado para acompanhar a evolução do tratamento. Em muitos casos, a termografia permite detectar problemas antes que eles se tornem mais graves, possibilitando uma abordagem preventiva.


Indicações e vantagens do exame

A termografia tem sido cada vez mais empregada na ortopedia, na fisioterapia e na medicina esportiva. Entre as principais indicações estão dores na coluna, síndrome do impacto no ombro, lesões musculares, hérnias de disco, neuropatias e disfunções articulares.

Estudos publicados na European Journal of Applied Physiology indicam que o exame pode auxiliar no diagnóstico de inflamações musculoesqueléticas com alta precisão, permitindo intervenções mais rápidas e assertivas.

Entre as vantagens da termografia, estão a ausência de radiação, a possibilidade de repetir o exame quantas vezes forem necessárias sem riscos ao paciente e a capacidade de detectar padrões térmicos que não aparecem em outros exames de imagem.

“O grande diferencial da termografia é que ela nos permite avaliar funcionalmente o organismo. Muitas vezes, um paciente sente dor, mas a ressonância ou o raio-X não mostram alterações. A imagem térmica pode revelar um padrão inflamatório que justificaria os sintomas”, destaca o ortopedista.


Limitações e perspectivas futuras

Embora a termografia seja uma ferramenta valiosa, ela não substitui outros exames de imagem. O método deve ser utilizado de forma complementar para ampliar a precisão diagnóstica.

“Não podemos dizer que a termografia sozinha fecha um diagnóstico, mas ela nos dá um direcionamento importante para avaliar a origem da dor e planejar o tratamento de forma mais eficiente”, afirma Dr. Brasil Sales.

Com o avanço da tecnologia, novas aplicações da termografia estão sendo estudadas, incluindo seu uso na identificação precoce de patologias articulares e na monitorização de processos inflamatórios em atletas de alto rendimento.

“A medicina está cada vez mais focada em técnicas não invasivas para melhorar o diagnóstico e o acompanhamento das doenças musculoesqueléticas. A termografia se encaixa perfeitamente nesse contexto, trazendo mais precisão e segurança para o paciente”, conclui o especialista.




Dr. Brasil Sales - ortopedista, acupunturista e especialista em medicina intervencionista da dor, com formação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Realizou residência em Ortopedia e Traumatologia no Núcleo Hospitalar Universitário (UFMS) e especialização em Cirurgia de Joelho na Clínica Ortopédica Cidade Jardim, em São Paulo. É membro de diversas sociedades médicas, incluindo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e o Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA). Atua em Tangará da Serra/MT, oferecendo tratamentos como viscosuplementação, infiltração de pontos-gatilho, mesoterapia, acupuntura, eletroestimulação e terapia por ondas de choque. Seu compromisso é proporcionar cuidados de saúde especializados e acessíveis, visando o alívio da dor e a melhoria da qualidade de vida de seus pacientes.
https://www.instagram.com/dr.brasilsales/


O que acontece no sistema digestivo de quem come comida estragada, médico explica


Comer um alimento estragado pode parecer, à primeira vista, apenas um pequeno contratempo gastrointestinal. No entanto, os efeitos no sistema digestivo podem ser muito mais severos, dependendo do tipo de contaminação envolvida. O cirurgião do aparelho digestivo Dr. Rodrigo Barbosa, explica que os problemas vão desde um simples desconforto até infecções graves que podem colocar a saúde em risco. 

Assim que um alimento contaminado é ingerido, ele percorre o trato digestivo, onde os microrganismos presentes podem se multiplicar rapidamente. Segundo o Dr. Rodrigo Barbosa, algumas bactérias, como a Salmonella, Escherichia coli e Clostridium botulinum, liberam toxinas que causam desde náuseas e vômitos até infecções severas, que podem levar à desidratação e à necessidade de internação hospitalar. “O organismo tenta eliminar o agente nocivo rapidamente, o que resulta em sintomas como diarreia intensa, cólicas abdominais e febre. Em casos mais graves, dependendo do tipo de bactéria ou fungo ingerido, pode ocorrer até uma septicemia, que é quando a infecção se espalha pela corrente sanguínea”, alerta o especialista. 

Além das bactérias, alguns fungos podem produzir micotoxinas, substâncias tóxicas que podem levar a danos hepáticos e neurológicos a longo prazo. Segundo o médico, alimentos com mofo visível, especialmente grãos e derivados, devem ser evitados a todo custo. “As micotoxinas são resistentes ao calor e podem permanecer nos alimentos mesmo após o cozimento, tornando o consumo altamente perigoso”, ressalta. 

Embora sintomas leves possam ser tratados em casa com hidratação e repouso, o Dr. Rodrigo Barbosa alerta para sinais que exigem atenção médica imediata: diarreia com sangue, febre alta persistente, vômitos incontroláveis e sinais de desidratação, como boca seca e tontura. “Crianças, idosos e pessoas com imunidade baixa devem ter um cuidado redobrado, pois podem sofrer complicações mais graves”, enfatiza o médico que ainda ensina a evitar intoxicações alimentares sempre ao armazenar e preparar os alimentos. “Lavar bem frutas e verduras, respeitar os prazos de validade e evitar consumir alimentos com cheiro ou aparência alterados e sempre evitar deixar comida fora da geladeira por longos períodos”, finaliza.

 

Dr Rodrigo Barbosa - Cirurgião Digestivo sub-especializado em Cirurgia Bariátrica e Coloproctologia do corpo clínico dos hospitais Sírio Libanês e Nove de Julho. CEO do Instituto Medicina em Foco e coordenador do Canal ‘Medicina em Foco’ no Youtube Link


BOLETIM DAS RODOVIAS

Tráfego é lento nos dois sentidos da Castello Branco

 

A ARTESP - Agência de Transporte do Estado de São Paulo informa as condições de tráfego nas principais rodovias que dão acesso ao litoral paulista e ao interior do Estado de São Paulo na tarde desta quinta-feira (13).

 

Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI)

Operação 5x5 - Tráfego normal, sem congestionamento.

 

Sistema Anhanguera-Bandeirantes

Tráfego normal, sem congestionamento.

 

Sistema Castello Branco-Raposo Tavares

Tráfego normal nos dois sentidos da Rodovia Raposo Tavares (SP-270). Na Rodovia Castello Branco (SP-280), sentido capital, há lentidão do km 14 ao km 13+700, no sentido interior, o tráfego é lento do km 21 ao km 24.

 

Rodovia Ayrton Senna/Carvalho Pinto

Há lentidão do km 18 ao km 13+700 no sentido capital, no sentido interior o tráfego é normal.

 

Rodovia dos Tamoios

Tráfego normal, sem congestionamento.


SP-294 registra redução de acidentes após obras de duplicação

As melhorias implementadas incluem a construção de
 10 quilômetros de vias marginais e sete quilômetros de ciclovias
(Divulgação/Eixo SP)

O número de feridos nas ocorrências teve queda significativa de 68%

Entregue em agosto de 2024 pela concessionária Eixo SP, a duplicação da Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), entre Marília e Oriente, avançou no quesito segurança para os usuários que utilizam o acesso, com a redução de 28% nos índices de acidente.

 

Nos seis meses que antecederam o início das obras, foram registradas 46 ocorrências. Já nos seis meses após a conclusão do projeto, ocorreram 33 acidentes. A queda foi ainda mais expressiva no número de feridos, que passou de 37 para 12 (-68%). Diariamente, passam pelo trecho nove mil veículos.  

 

Com investimento de mais de R$ 220 milhões, os 19 quilômetros que ligam os dois municípios contemplam uma série de melhorias, como, por exemplo, a construção de quatro dispositivos de acesso e de retorno, que estão localizados no km 461+050, na ligação com a Avenida República, em Marília; no km 464+060, no acesso ao distrito de Padre Nóbrega; no km 465+980, em Marília; e no km 474, no trecho de Oriente. A Eixo SP, também, implantou cinco passagens inferiores nos kms 461+050, 463+200, 464+060, 465+980, e no km 474.

 

Para a travessia segura de pedestres, foram instaladas duas novas passarelas, uma no km 462+400, próximo ao Posto Ecológico, e outra no km 463+600, na interligação entre as avenidas Pedro Antônio Redondo e Trieste Cavichiolli. Foi realizada, ainda, a readequação total de uma terceira estrutura, já existente, no km 472, entre os bairros Parque das Árvores e Jardim Lucimar, em Oriente. 


Passarelas foram instaladas durante a duplicação
(Divulgação/Eixo SP)

 

Para conscientizar os moradores sobre a importância de utilizar as passarelas para a travessia da rodovia, a Eixo SP, por meio do setor de Segurança Viária, reforçou as abordagens em pontos de grande movimentação para orientações diretas aos usuários e distribuição de folhetos.



Sudão: Médicos Sem Fronteiras faz relato de uma catastrófica "guerra contra a população" ao Conselho de Segurança da ONU

Secretário-geral de MSF apela pelo fim de ataques a civis e por aumento da ajuda

 

Nova York — O secretário-geral de Médicos Sem Fronteiras, Christopher Lockyear, fez hoje um relato ao Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a catástrofe humanitária causada pela Guerra no Sudão. Ele apelou pelo fim da violência contra civis e por um novo compromisso para permitir a entrega de ajuda que possa salvar vidas.

"A guerra no Sudão é sobretudo uma guerra contra a população”, disse Lockyear. As Forças Armadas Sudanesas têm bombardeado de forma reiterada e indiscriminada áreas densamente povoadas. Seus oponentes das Forças de Apoio Rápido e de milícias aliadas têm levado a cabo uma campanha de brutalidade, marcada por violência sexual sistemática, sequestros, massacres, pilhagem de ajuda humanitária e ocupação de instalações de saúde. Os dois lados realizaram cercos a cidades, destruíram estruturas civis vitais e bloquearam o ingresso de ajuda humanitária.

Médicos Sem Fronteiras (MSF) provê cuidados médicos em 11 Estados do Sudão em áreas dominadas pelos dois lados do conflito, de acordo com princípios humanitários. Equipes de MSF que estão no país têm alertado para os níveis alarmantes de desnutrição em muitas áreas, ao mesmo tempo em que cresce a incidência de doenças infecciosas e preveníveis com vacinação. A proximidade da estação chuvosa aumenta a urgência para que pessoas afetadas pela guerra recebam comida e suprimentos médicos.

A mensagem de MSF ao Conselho é a de que a guerra no Sudão não pode continuar a ser travada com desrespeito total a vidas de civis. Após mais de dois anos, a resposta internacional tem sido até agora limitada demais devido a obstruções das partes em conflito e por falta mecanismos de responsabilização, recursos e liderança.

"No momento em que pronunciamentos são feitos nesta sala, civis continuam invisíveis, desprotegidos, bombardeados, vivendo sob cerco, sendo vítimas de estupro, deslocados, privados de comida, cuidados médicos e de dignidade", afirmou Lockyear. "A resposta humanitária é titubeante, debilitada pela burocracia, pela insegurança, pela hesitação e pelo que ameaça ser o maior desinvestimento na história da ajuda humanitária internacional."

Lockyear apelou para que, ao invés disso, seja firmado um novo compromisso de proteção a civis e atendimento às necessidades humanitárias. "A crise no Sudão carece de uma mudança fundamental em relação às abordagens fracassadas do passado", afirmou ele. "Milhões de vidas dependem disso."


A linguagem como ferramenta de exclusão


A linguagem é um dos pilares fundamentais da construção social. Ela não apenas reflete a realidade, mas também a molda, influenciando percepções, comportamentos e relações humanas. Quando utilizada de forma errônea ou mal-intencionada, a linguagem pode se tornar uma ferramenta poderosa para perpetuar desigualdades, aprofundar barreiras sociais e reforçar preconceitos e estereótipos. 

Esse fenômeno tem se manifestado de maneira alarmante em diversos contextos políticos, especialmente nos círculos extremistas, onde discursos excludentes e retrógrados ganham espaço, muitas vezes sob o pretexto de "liberdade de expressão" ou "eficiência produtivista". O governo argentino, liderado por Javier Milei; e figuras como Elon Musk, com suas conexões com o governo Trump, são exemplos de como o uso inadequado da linguagem e a imposição de ideologias produtivistas podem ampliar a exclusão e a desumanização. 

O caso do governo argentino, que tentou alterar a denominação das pessoas com deficiência mental para termos pejorativos e arcaicos, é emblemático. Tais termos, há mais de um século em desuso, não apenas ferem individualmente, mas também reforçam estereótipos prejudiciais. Ao associar pessoas com deficiência a ideias de incapacidade e improdutividade, o discurso oficial perpetua um entendimento reducionista que ignora a diversidade e a potencialidade desses indivíduos. Essa prática não é apenas um retrocesso linguístico, mas também um retrocesso social, pois reforça barreiras já existentes e dificulta a inclusão plena dessas pessoas na sociedade. 

A linguagem, nesse contexto, funciona como um mecanismo de poder. Ao resgatar termos pejorativos, o governo argentino não apenas desrespeita a dignidade humana, mas também legitima uma visão de mundo que marginaliza e exclui. Esse tipo de discurso, quando adotado por figuras públicas e governos, tem o potencial de normalizar preconceitos, tornando-os parte do senso comum e, consequentemente, dificultando a luta por direitos e igualdade. 

Paralelamente, a mentalidade produtivista, defendida por figuras como Elon Musk e amplamente adotada por movimentos radicais, reduz a individualidade humana à mera capacidade de gerar riqueza monetária. Essa perspectiva, que ignora outras dimensões da existência humana, como a criatividade, a solidariedade e a diversidade, é profundamente excludente. Ao valorizar apenas a produtividade econômica, essa ideologia despreza aqueles que, por diversas razões, não se encaixam nesse modelo, sejam eles pessoas com deficiência, idosos, artistas ou quaisquer indivíduos cujas contribuições para a sociedade não possam ser medidas em termos estritamente monetários. 

Essa mentalidade pseudo-eficiente, que está na gênese do materialismo, seja ela trumpista, bolsonarista, anarcocapitalista ou representada por partidos políticos como a AfD na Alemanha, o Chega em Portugal ou o Vox na Espanha, têm raízes em uma visão de mundo que prioriza o lucro em detrimento do bem-estar humano. Ao impor uma lógica produtivista, esses movimentos e líderes políticos não apenas reforçam desigualdades, mas também promovem uma cultura de descarte, onde aqueles que não são considerados "úteis" são marginalizados e excluídos. 

Não é exagero lembrar que o desdobramento ideológico dessa postura já causou tragédias imensuráveis para a humanidade. O descarte de seres humanos nas câmaras de gás, campos de concentração e massacres em massa durante o regime nazista é um exemplo extremo, mas não isolado, das consequências de uma visão de mundo que desumaniza e exclui. A linguagem desempenhou um papel crucial nesses contextos, sendo utilizada para desumanizar grupos inteiros, justificando atrocidades em nome de uma suposta "eficiência" ou "pureza". 

Hoje, embora não estejamos enfrentando exatamente os mesmos horrores, o uso errôneo da linguagem e a imposição de ideologias excludentes continuam a ter consequências profundas. A exclusão social, a miséria e o aniquilamento de possibilidades criativas e humanas são resultados diretos dessas práticas. Quando a linguagem é usada para reforçar estereótipos e preconceitos, ela contribui para a construção de uma sociedade mais desigual e menos solidária. 

Diante desse cenário, é fundamental estar atento e resistir à onda retrógrada que avança em diversos países. A luta social contra o uso errôneo da linguagem e as ideologias excludentes é uma luta pela dignidade humana e pela construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Isso implica não apenas denunciar práticas e discursos prejudiciais, mas também promover uma cultura de respeito e valorização da diversidade. 

A linguagem tem o poder de transformar realidades, e é nosso dever utilizá-la de forma responsável e consciente. Só assim poderemos barrar o retrocesso baseado no ódio e no egoísmo, e construir um futuro em que todas as pessoas, independentemente de suas características individuais, sejam valorizadas e respeitadas. A luta contra o extremismo radical e suas práticas excludentes é, portanto, uma luta pela própria Humanidade.



André Naves - Defensor Público Federal formado em Direito pela USP, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social; mestre em Economia Política pela PUC/SP. Cientista político pela Hillsdale College e doutor em Economia pela Princeton University. Escritor e professor (Instagram: @andrenaves.def).
 

Descubra se você está num falso coletivo e reduza pela metade a mensalidade do plano de saúde

No Brasil, os planos de saúde individuais e familiares têm reajustes anuais regulados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e são assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor.

Já os planos coletivos por adesão e empresarial podem sofrer atualização dos valores muito além do teto máximo da ANS, porque usam como base de cálculo o aumento do uso dos serviços hospitalares, a inflação médica e a mudança no perfil do grupo. Além disso, a cobertura pode ser rescindida a qualquer momento pela operadora sem muitas justificativas.

Quando o contrato coletivo é formado por mais de 30 pessoas, esse grupo tem força para negociar diretamente com a operadora um reajuste justo para os seus beneficiários. O problema é que mais de 6 milhões de brasileiros estão em contratos coletivos com até 5 vidas, como indica um levantamento feito pela Agência Nacional de Saúde Suplementar. E todas essas pessoas estão pagando mais do que deveriam, porque podem estar em um falso coletivo.



O que é falso coletivo? O termo falso coletivo se refere a uma modalidade de plano de saúde que é comercializada como um plano coletivo, mas que, na prática, funciona de forma muito semelhante a um plano individual ou familiar.

A contratação do falso coletivo é feita através de uma pessoa jurídica verdadeira ou fictícia, com o objetivo de beneficiar membros de uma família. No início, o valor é convidativo; depois esse pequeno grupo fica vulnerável à cláusulas e mensalidades abusivas praticadas pelas operadoras.



Como pagar a metade do preço? O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconhece que o contrato coletivo por adesão ou empresarial que possui um número pequeno de participantes pode ser revertido para o plano individual ou familiar. Esse entendimento do falso coletivo alivia o bolso do consumidor. Como vê abaixo, o desconto pode chegar a 50% em todas as mensalidades pagas no ano.

Reajuste médio aplicado aos contratos coletivos, segundo dados da ANS, nos últimos três anos:

2024: 13,80%
2023: 14,25%
2022: 11,54%


Reajuste aplicado aos contratos individuais e familiares, limitados pela ANS, nos últimos três anos:

2024: 6,91%
2023: 9,63%
2022: 15,5%


É possível recuperar o que foi pago indevidamente? Sim. Ao entrar com ação na Justiça para reconhecer o falso coletivo como plano de saúde individual ou familiar, é possível pedir indenização e recuperar tudo o que foi pago nos últimos três anos.

Além disso, o consumidor também tem o direito de procurar o Poder Judiciário para reexaminar cláusulas contratuais, revisar o reajuste por faixa etária que não segue os critérios definidos pela ANS e a discutir a rescisão ou suspensão de cobertura de forma unilateral.

Se tiver dúvidas ou suspeitas sobre o custo ou cobertura do seu plano de saúde, consulte um advogado de sua confiança ou a OAB da sua cidade.




Fabricio Posocco - professor universitário e advogado no Posocco & Advogados Associados
www.posocco.com.br


6 passos para aproveitar as ofertas do Dia do Consumidor sem entrar no vermelho

Descubra como não deixar o barato sair caro; planejamento e consciência são a chave para não se perder nas promoções e gastar além da conta

 

O Dia do Consumidor, uma das datas mais aguardadas para quem busca descontos e promoções, pode ser uma excelente oportunidade para economizar naquele produto que já estava no radar. No entanto, se não houver planejamento, pode ser também um risco para as finanças pessoais. 

“Com pesquisa e consciência, é possível aproveitar as vantagens do Dia do Consumidor sem colocar o planejamento da família em risco. As promoções devem ser aliadas do bolso, não um impulso ou motivo para entrar no vermelho”, destaca Thaíne Clemente, executiva de Estratégias e Operações da Simplic, fintech especializada em crédito pessoal online. 

Para ajudar os compradores a aproveitar as ofertas sem comprometer o orçamento, Thaíne elenca seis passos essenciais para não se perder nas promoções. Confira:

 

1. Faça um planejamento financeiro antecipado

Antes de mergulhar nas ofertas, faça uma avaliação da sua situação financeira atual. Ter clareza sobre quanto pode ser gasto sem comprometer outras obrigações é o primeiro passo para evitar dívidas. “Defina um orçamento realista para gastar com as promoções, considerando suas receitas e despesas fixas. Isso evita surpresas desagradáveis no final do mês”, recomenda Thaíne.

 

2. Liste prioridades e evite compras por impulso

Diante da grande variedade de promoções disponíveis, é fácil se deixar levar pelo entusiasmo e acabar adquirindo itens desnecessários. Para evitar arrependimentos e manter o orçamento sob controle, o ideal é definir prioridades antes de começar a comprar. 

“Faça uma lista com os produtos que realmente precisa ou que já deseja há algum tempo e concentre-se neles. Dessa forma, você reduz o risco de compras impulsivas que podem comprometer suas finanças”, orienta a especialista.

 

3. Pesquise preços e compare ofertas

Nem sempre o desconto anunciado é o melhor disponível no mercado; por isso, sempre pesquise antes para comparar preços em diferentes lojas e plataformas. Às vezes, o mesmo produto pode estar mais barato em outro site, mesmo sem estar na promoção. 

Outra dica é monitorar os preços dos produtos que deseja alguns dias ou semanas antes da data, para verificar se as promoções realmente oferecem descontos reais. Muitas vezes, as lojas aumentam os preços dias antes para criar a ilusão de um grande desconto. Ao se antecipar, você pode garantir que está aproveitando uma oferta genuína.

 

4.Cuidado com o parcelamento

O parcelamento pode parecer tentador, principalmente nas datas em que é possível parcelar mais vezes sem juros. Mas é importante analisar se as prestações cabem mesmo no orçamento mensal. Prefira pagamentos à vista ou em poucas parcelas, sempre dentro do que você pode pagar, para não gerar problemas financeiros futuros.

 

5. Fique atento ao valor das parcelas

Se utilizar o crédito para realizar compras, verifique o valor das parcelas e como elas se encaixam no orçamento, considerando eventuais encargos. Evite ultrapassar o limite do seu cartão, já que isso pode gerar ainda mais custos. “Uma dica adicional é verificar se existem abatimentos nas formas de pagamento alternativas, como o Pix, que muitas vezes pode garantir descontos extras e parcelas mais vantajosas”, orienta.


6. Reserve uma parte do orçamento para imprevistos

Mesmo com planejamento, imprevistos podem surgir. Deixe uma margem no seu orçamento para cobrir possíveis gastos extras, como frete ou taxas adicionais. Isso evita que você precise recorrer a empréstimos ou créditos emergenciais.


Simplic

 

Especialista explica a importância da tradução juramentada para quem pretende estudar no exterior

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Gabriel Del Bello, CEO da Gold Traduções, fala como esse processo facilita a aprovação internacional


Ingressar em uma instituição de ensino estrangeira é um sonho para muitos estudantes brasileiros, mas o processo de admissão exige uma série de documentos que precisam ser traduzidos de forma precisa e oficial. Neste cenário, a tradução juramentada desempenha um papel fundamental, garantindo que históricos escolares, diplomas e outros documentos acadêmicos tenham validade legal perante universidades e órgãos internacionais. 

De acordo com Gabriel Del Bello, CEO da Gold Traduções e especialista em imigração, a tradução juramentada é essencial para evitar contratempos no processo de candidatura. “Muitas instituições exigem que toda a documentação seja traduzida por um tradutor juramentado, que é um profissional habilitado a conferir autenticidade e reconhecimento legal aos documentos. Sem isso, há o risco de o candidato ter sua inscrição rejeitada ou sofrer atrasos na análise”, explica Del Bello. 

A importância da tradução juramentada vai além da mera conversão linguística. Diferente de uma tradução simples, a versão juramentada possui fé pública e é reconhecida por universidades, consulados e órgãos governamentais em diversos países. Esse tipo de tradução garante que informações como notas, cargas horárias e certificações sejam corretamente interpretadas pelas instituições estrangeiras. 

A falta de uma tradução precisa pode resultar em erros na avaliação do histórico acadêmico do estudante. “Já tivemos casos de clientes que precisaram refazer todo o processo porque a tradução não estava de acordo com os padrões exigidos pela universidade de destino. Por isso, contar com um serviço especializado é fundamental para evitar frustrações e garantir que os documentos sejam aceitos sem questionamentos”, destaca Del Bello. 

Além dos históricos escolares e diplomas, outros documentos frequentemente exigidos incluem cartas de recomendação, certificados de proficiência em idiomas, declarações de experiência profissional e até mesmo documentos financeiros que comprovem a capacidade do estudante de se manter no exterior.
 

Planejamento e prazos 

Outro ponto crucial para quem deseja estudar fora é o planejamento adequado. As traduções juramentadas devem ser feitas com antecedência, considerando os prazos de envio das aplicações para cada universidade. “O ideal é que o estudante se informe sobre os requisitos com pelo menos seis meses de antecedência, garantindo tempo hábil para solicitar os documentos originais, realizar as traduções e submetê-los corretamente”, alerta Del Bello. 

“Nosso objetivo é facilitar esse processo, garantindo que a tradução seja feita com qualidade e dentro dos prazos exigidos pelas universidades. Sabemos que cada detalhe conta e que uma documentação bem preparada pode ser decisiva para a aprovação”, conclui o CEO da empresa. 

Com a crescente busca por oportunidades acadêmicas internacionais, contar com o suporte de especialistas no assunto se torna um diferencial estratégico para quem deseja estudar no exterior sem imprevistos.


Caso Ingrid Guimarães: quais são os direitos dos passageiros diante de um downgrade forçado?


Especialista em Direito explica os limites dessa prática e as medidas cabíveis para passageiros que enfrentam situações semelhantes
 


Na última sexta-feira (7), a atriz e comediante Ingrid Guimarães passou por uma situação constrangedora durante um voo da American Airlines de Nova York com destino ao Rio de Janeiro. A artista, que havia adquirido um assento na classe Premium Economy, já estava acomodada quando foi informada pela tripulação de que precisaria ceder seu lugar a um passageiro da classe executiva, cujo assento apresentava problemas técnicos. Sem mais explicações, ela foi direcionada para a classe econômica. 

Segundo relatos da atriz, ao questionar a mudança, foi ameaçada de ser banida da companhia caso não cooperasse. Além disso, funcionários da American Airlines teriam anunciado pelo sistema de som que o atraso no voo se devia à sua recusa em trocar de assento, expondo-a diante dos demais passageiros. Guimarães também afirmou que sua irmã e cunhado tentaram intervir, mas foram silenciados pela equipe de bordo. 

Após ceder à pressão e se realocar na classe econômica, a atriz recebeu como compensação um crédito de US$ 300 para futuras viagens com a companhia. O incidente ganhou grande repercussão nas redes sociais, especialmente no Brasil, onde Ingrid Guimarães possui uma vasta base de fãs. Em resposta, a American Airlines declarou que está em contato com a cliente para entender melhor o ocorrido e resolver a situação. 

Mas afinal, quais são as prerrogativas de cada uma das partes diante da situação? É o que explica Bruno Amazan Avelar de Araújo, mestre em Direito e professor do curso de Direito do UniBH: 

"Embora não haja uma normatização específica sobre o downgrade - prática que gera consequências semelhantes ao overbooking (conduta das companhias aéreas de vender mais passagens que o número de assentos disponíveis no avião), ele pode ser permitido às companhias aéreas por motivos operacionais, como questões relacionadas às saídas de emergência e à segurança da tripulação. No entanto, em outros casos, como no da atriz Ingrid Guimarães, seria necessária a concordância livre e consciente do passageiro para que a conduta fosse legítima”, destaca. 

Nessas circunstâncias, o passageiro pode escolher entre ser realocado em outro voo da mesma companhia ou de outra, sem custo adicional, ou receber reembolso integral, conforme o artigo 12 da Resolução 400/2016 da ANAC. “Caso opte por manter a viagem no voo contratado, ele deve receber abatimento proporcional no preço e reembolso imediato da diferença, podendo, inclusive, cobrar esse valor em dobro, conforme interpretação do parágrafo único do artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Se a reacomodação ocorrer para uma classe superior, não pode haver cobrança adicional. Além disso, a companhia aérea pode ser responsabilizada por danos materiais e morais, de acordo com os artigos 734 e 737 do Código Civil, 6º e 14 do CDC e 251-A do Código Brasileiro de Aeronáutica”, detalhou. 

Amazan esclarece, ainda, que a empresa pode buscar voluntários para esse procedimento, mas, “caso ocorra uma imposição unilateral, especialmente com ameaça, pressão ou constrangimento, configura-se prática abusiva, nos termos do artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor (CDC), já que o passageiro tem direito ao cumprimento exato do contrato, conforme os artigos 30 e 35 do mesmo diploma legal”. 

A forma como a situação foi conduzida pela American Airlines levantou debates sobre o treinamento e preparo das equipes para lidar com imprevistos, além de destacar a importância de um atendimento respeitoso e transparente aos passageiros. Em casos de coação semelhante ao que Ingrid Guimarães descreveu, o professor sugere algumas medidas que a vítima deve tomar em busca da garantia dos seus direitos:

  1. Solicitar imediatamente aos comissários de bordo ou ao comandante, que é a autoridade máxima a bordo, uma justificativa por escrito da decisão tomada. Se essa solicitação for negada, deve registrar o máximo de detalhes possíveis, como horário, local, nomes da tripulação, além de tirar fotos e gravar vídeos que comprovem os fatos.
  2. Anotar os nomes, telefones e endereços de possíveis testemunhas que tenham presenciado a situação.
  3. Utilizar os canais de reclamação da empresa aérea, como SACs via aplicativo ou telefone, para registrar a ocorrência o mais rápido possível.
  4. Ao desembarcar, procurar o balcão de atendimento da companhia aérea e formalizar novamente sua insatisfação.
  5. Registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.) em qualquer posto policial ou por meio da Delegacia Virtual da Secretaria de Segurança Pública do seu Estado.
  6. Apresentar uma reclamação junto à ANAC, que possui canais para denúncias e pode aplicar sanções administrativas, como multas às companhias aéreas.
  7. Buscar o PROCON ou outro órgão de defesa do consumidor, que pode intervir extrajudicialmente e aplicar penalidades à empresa.
  8. Caso necessário, ingressar com uma ação judicial com auxílio de um advogado especializado, solicitando indenização por danos materiais e morais, desde que devidamente comprovados.

De redução de perdas às vendas, tecnologias de IA estão cada vez mais presentes no varejo

As tecnologias de inteligência artificial (IA) começaram a ganhar espaço no varejo brasileiro principalmente a partir da década de 2010, embora algumas iniciativas tenham surgido antes disso. Mas o processo de adoção e implementação da IA tem se acelerado nos últimos anos, tornando-se em um motor de transformação no setor.

O início do uso de IA no varejo foi muitas vezes relacionado ao uso de Big Data e análises preditivas para melhorar as estratégias de vendas, personalização de ofertas e gestão de estoque. Algumas grandes redes de supermercados e lojas de departamento começaram a integrar dados de consumidores para entender melhor o comportamento de compra e fazer previsões mais precisas sobre demanda.

Agora, entre os seus múltiplos impactos, um dos mais significativos é a maneira como as tecnologias baseadas em IA têm revolucionado a prevenção de perdas, ao mesmo tempo que impulsionam as vendas e a eficiência operacional das empresas. Para os varejistas, a combinação de redução de perdas e aumento das receitas é um caminho promissor para a competitividade e a rentabilidade.

 

  1. Redução de perdas com análise preditiva

A IA é capaz de analisar grandes volumes de dados para identificar padrões de comportamento que podem ser indicadores de potenciais perdas. Por meio de algoritmos de machine learning, sistemas de IA preveem e detectam fraudes em tempo real, seja no processo de vendas ou em transações financeiras. Isso ajuda a prevenir desde furtos até erros operacionais que poderiam resultar em perdas significativas para os varejistas.

Além disso, tecnologias como câmeras de segurança inteligentes e sensores integrados a sistemas de IA permitem monitoramento contínuo, com detecção de comportamentos suspeitos em áreas como estoque e pontos de venda. A capacidade de reconhecimento facial e a análise de movimento são exemplos de como as câmeras modernas, equipadas com IA, conseguem identificar ações atípicas, evitando danos antes que aconteçam.

 

  1. Otimização do estoque e prevenção de perdas

Uma das principais fontes de perdas no varejo está associada à gestão ineficaz do estoque. Ferramentas baseadas em IA ajudam a prever a demanda de produtos de forma mais precisa, otimizando o processo de reabastecimento e minimizando excessos ou faltas de mercadoria, o que pode gerar desperdícios ou até mesmo oportunidades perdidas de vendas.

Ao integrar IA com sistemas de gestão de inventário, os varejistas conseguem não apenas prever a demanda, mas também ajustar rapidamente as estratégias de reposição e logística. Esses sistemas são fundamentais para a automação de inventários, reduzindo erros humanos e garantindo que os dados de estoque estejam sempre atualizados, minimizando perdas por falhas no processo de controle.

 

  1. IA para prevenção de fraudes no pagamento

A fraude no momento do pagamento é outra área crítica onde a IA tem sido eficaz. Tecnologias como deep learning analisam em tempo real as transações financeiras, verificando padrões e comportamentos suspeitos. Eles são capazes de identificar cartões de crédito roubados, transações fraudulentas ou até mesmo compras realizadas em locais e horários incomuns, bloqueando ou sinalizando as transações para análise manual.

Além disso, a implementação de sistemas de IA com biometria (como reconhecimento de voz ou impressão digital) nas etapas de pagamento também assegura que apenas clientes legítimos finalizem as compras, o que reforça ainda mais a prevenção de perdas.

 

  1. Ampliação de vendas com experiência do cliente

Embora a prevenção de perdas seja um aspecto importante, a IA também tem um papel fundamental no aumento das vendas. Com a análise de grandes volumes de dados dos consumidores, ela é capaz de oferecer uma experiência de compra mais personalizada, ajustando ofertas e recomendações de compra de cada cliente.

Ao entender os padrões de consumo, a IA pode sugerir produtos que atendam às preferências individuais do cliente, criando uma experiência de compra mais relevante e, consequentemente, aumentando as chances de vendas adicionais e cruzadas. Isso não só melhora as taxas de conversão, mas também fideliza o consumidor, que percebe o valor das recomendações.

 

  1. Automação e eficiência operacional

A automação de processos também contribui para a redução de perdas e aumento de vendas. Desde o processo de checkout até a reposição de estoque, a IA oferece soluções que não apenas otimizam o tempo e reduzem erros humanos, mas também criam um ambiente mais seguro e eficiente. Isso permite que os colaboradores se concentrem em atividades de maior valor agregado, enquanto a IA cuida de tarefas repetitivas e administrativas.

A implementação de caixas de autoatendimento, por exemplo, permite que os consumidores realizem compras de forma rápida e sem erros, enquanto o sistema de IA monitora e valida as transações. Além disso, a análise preditiva aplicada ao comportamento do consumidor pode melhorar a jornada de compra, garantindo que produtos desejados estejam disponíveis e ao alcance do cliente, o que eleva a experiência geral de compra.

As tecnologias baseadas em inteligência artificial estão não apenas transformando a maneira como os varejistas lidam com a prevenção de perdas, mas também criando um ambiente mais lucrativo e eficiente. A inteligência artificial está, sem dúvida, moldando o futuro do varejo de forma disruptiva e positiva.

 

Thiago Artacho - CEO da Green Tech Solutions
https://greenretailsolutions.com.br



Em um ano, TDV gera R$ 15,3 milhões em economia às pessoas e aos cofres públicos

Aplicativo do Detran-SP que permite a transferência digital de veículos em minutos foi usado quase 50.000 vezes desde março de 2024, quando foi destaque em três premiações


Nesta quarta-feira, 12 de março, a Transferência Digital de Veículos (TDV), aplicativo baseado em hiperautomação para otimizar as transações entre comprador e vendedor lançado pelo Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), completa um ano. Além de destaques em premiações, neste período a TDV soma 46.570 operações e uma significativa economia para os cidadãos e os cofres públicos – foram R$ 14,3 milhões para as pessoas e R$ 1 milhão para o Estado, num total de R$ 15,3 milhões, de acordo com números da Prodesp, empresa de tecnologia do governo paulista que assina o desenvolvimento da ferramenta. Os dados são referentes à última segunda-feira, dia 10.   

O cálculo da economia para o cidadão leva em conta desde o custo com deslocamento – a TDV pode ser feita de qualquer lugar, em qualquer dia da semana, das 6h às 22h, via celular – até a contratação de intermediários que, segundo levantamento interno, era feita em 60% dos casos. Considera também o tempo médio gasto em um ponto de atendimento físico e os valores investidos em reconhecimento de firma em cartório.   

No caso dos cofres públicos, o cálculo contempla os gastos do Estado com infraestrutura e mão de obra – com funcionários que faziam atendimento ou conferiam documentos em papel e que, após a TDV, foram deslocados para outras frentes. Na infraestrutura, entram valores como aluguel de espaço, energia e equipamentos.   

Se em doze meses, e quase 50.000 operações, poupou-se R$ 15,3 milhões, pode-se falar em uma economia média mensal de R$ 1,275 milhão e de R$ 328 por transferência realizada com a hiperautomação. 

 

Ano novo, meta nova 

De acordo com Vinicius Novaes, diretor de Veículos Automotores do Detran-SP, a meta para o segundo ano é chegar a 70.000 transferências por mês, com uma economia anual de R$ 192,72 milhões. “Em 2025, com a conexão entre a TDV e o Renave, o aplicativo ganha uso em larga escala pelas revendedoras de automóveis, e deve alcançar números e economia ainda mais expressivos”, diz Novaes, citando o Registro Nacional de Veículos em Estoque, hoje obrigatório para lojistas.   

“Apenas para o cidadão, a economia seria de R$ 174,24 milhões, quantia que poderia ser direcionada para investimentos pessoais e profissionais. Da parte do Estado, haveria mais recursos disponíveis para creches e hospitais ou obras de infraestrutura”, afirma Fábio Williams, da Prodesp. Ligado ao projeto desde o início, o executivo acompanhou a trajetória do aplicativo pelas premiações em 2024.  

Ao longo do ano passado, o ineditismo da ferramenta rendeu indicações e prêmios. No final de setembro, a TDV foi a vencedora da premiação internacional Gartner Eye on Innovation Awards for Government (Gartner de olho na inovação entre os governos, em tradução livre), promovida pela consultoria Gartner. No último ano, a premiação teve número recorde de inscritos, segundo a empresa. A escolha foi feita por especialistas.  O Brasil não conquistava um troféu na competição desde 2021, edição que destacou uma ferramenta da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul.  

Um mês antes, a TDV havia faturado o segundo prêmio na categoria Órgãos Estaduais, da premiação Agilidade Brasil, do Agile Trends GOV 2024, o maior evento de inovação e agilidade voltado para o setor público no País. Ao todo, 200 casos de todo o Brasil disputaram troféus na competição. Em junho, o aplicativo já havia chamado a atenção de outra premiação, o Troféu HDI 2024, da qual foi finalista na categoria Iniciativa de TI ao Cidadão. A cerimônia de premiação aconteceu durante o Expogov Brasília 2024, evento de serviços de TI com foco no setor público. 

 

TDV para exportação 

Inédita no País, a TDV está disponível para ser expandida para outros órgãos de trânsito de todo o Brasil. O Detran-SP, órgão vinculado à SGGD, tem sido procurado por pares de outros estados interessados em adquirir a tecnologia ou mesmo aprender com as suas soluções, como Minas Gerais, Amapá, Mato Grosso, Pernambuco e Rondônia. 

O projeto traz inúmeros benefícios, pois permite que o processo seja concluído em cerca de cinco minutos, sem a necessidade de ir ao cartório, uma vez que a autenticidade digital dispensa o reconhecimento de assinaturas. Além disso, o pagamento da taxa de transferência e de débitos pendentes pode ser via PIX, sem sair do aplicativo, garantindo segurança e praticidade. 


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