É importante saber diferenciar a vertigem aguda por lesão periférica da vertigem aguda em um AVC
Neste 22 de abril
se comemora o Dia Nacional da Tontura. A data foi escolhida por ser o
aniversário de Robert Bárány, (Viena, 22 de abril de 1876 — Uppsala, 8 de abril
de 1936), um cirurgião austríaco que estudou a anatomia e fisiologia do
labirinto, recebendo inclusive o Prêmio Nobel em 1914.
Segundo a Dra.
Cristiana Borges Pereira, coordenadora do Departamento Científico de Distúrbios
Vestibulares e do Equilíbrio, da Academia Brasileira de Neurologia, o objetivo
da data é chamar a atenção da população e dos médicos para o tema da vertigem,
explicando sobre os sintomas e doenças, e quebrando o mito de que tontura é
sinônimo de labirintite.
A vertigem aguda é
uma vertigem com início súbito (de uma hora para outra), geralmente bastante
intensa. Há a sensação de que o corpo ou o ambiente está girando, mesmo quando
não há movimento real. Pode ser acompanhada de tonturas, náuseas, vômitos,
perda de equilíbrio ou instabilidade.
“Existem várias
doenças que podem causar a vertigem aguda. As mais importantes são a neurite
vestibular (por ser a mais comum, nesta situação), e o AVC (por ser o mais
grave). A neurite vestibular é a inflamação do nervo vestibular (como é chamado
o nervo do labirinto)”, destaca a Dra. Cristiana.
A tontura é um
sintoma comum, que pode estar associado a doenças com menor ou maior gravidade,
e pode ser sinal de mais de 60 doenças.
É uma das queixas
mais comuns em consultas médicas, perdendo apenas para a dor e a fadiga. A
tontura pode ser causada por problemas no ouvido, doenças neurológicas ou
condições clínicas e cardiológicas, como anemia ou até problemas cardíacos.
Como é
feito o diagnóstico?
Na maioria dos casos
de tontura o diagnóstico pode ser estabelecido por meio da história e do exame
clínico dos pacientes. Nos casos de vertigem aguda, há testes clínicos
específicos que devem ser feitos, e cujos resultados podem confirmar ou afastar
a possibilidade de AVC.
“Se houver a
suspeita de AVC, é necessário confirmar com exame de imagem, que, neste caso,
deve ser a ressonância”. Uma pessoa com vertigem aguda, deve procurar um médico
de pronto-socorro. Se ele não conseguir resolver ou tiver dúvida, deve pedir
avaliação do neurologista ou otorrino.”
Qual o
papel do neurologista no tratamento da vertigem aguda?
Tanto o
neurologista como o otorrino são capacitados para acompanhar e tratar pacientes
com vertigem. E, uma vez que a vertigem aguda pode ser causada por um AVC, o
neurologista tem um papel fundamental, tanto no diagnóstico como no tratamento.
O tratamento de toda crise de vertigem tem dois objetivos: tratar os sintomas, ou seja, reduzir o desconforto que o paciente sente, e tratar a causa. O tratamento dos sintomas é feito com antivertiginosos, ou seja, medicamentos que inibem a função do labirinto e, consequentemente, diminuem a sensação de vertigem. O tratamento específico depende da causa.
Os medicamentos antivertiginosos devem ser prescritos na crise de vertigem. “É importante salientar que estas medicações não devem ser usadas a longo prazo, uma vez que são inibidoras do labirinto. Devem ser usadas apenas para diminuir os sintomas da crise e depois devem ser suspensas, dando lugar ao tratamento específico da causa daquela crise”, alerta a Dra. Cristiana.
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