Última exposição do ano na instituição cultural paulistana tem parceria com o Malba - Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires.
Em cartaz até 18
de fevereiro de 2024
O Instituto Tomie Ohtake encerra 2023 fortalecendo
seus laços com o Malba - Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, ao
trazer para São Paulo Yente – Del Prete. Vida venturosa,
mostra organizada e apresentada no museu argentino em 2022, mesmo ano em que
receberam a retrospectiva de Anna Maria Maiolino, organizada originalmente pela
instituição cultural paulistana.
Focada no casal de artistas Eugenia Crenovich
(Eugenia Crenovich, Buenos Aires, Argentina, 1905-1990), conhecida como Yente,
e Juan Del Prete (Vasto, 1897 - Buenos Aires, 1987), a presente exposição, com
curadoria da pesquisadora e curadora-chefe do Malba María Amalia García,
ressalta a sinergia criativa do casal e o vínculo amoroso como uma forma de
abordar o fazer artístico.
Durante mais de 50 anos, Yente e Juan Del Prete não
só compartilharam a vida de casal, mas também trocaram diariamente ideias sobre
arte. Realizaram inúmeras exposições individuais e participaram de diferentes
coletivas, porém nunca expuseram juntos. Esta exposição reúne-os pela primeira
vez com uma seleção de mais de 150 obras, entre pinturas, esculturas,
tapeçarias, desenhos e livros de artista, abrangendo a ampla gama de suas
carreiras, das décadas de 1930 a 1980.
Existem dois elementos constantes na produção do
casal: o trânsito entre figuração e abstração, abrangendo diversos estilos e a
experimentação marcante de materiais. Na paixão pelo fazer, Yente e Del Prete
se apropriaram das múltiplas correntes da arte moderna através de diversas
referências, sempre usando os materiais como meios de experimentação.
Nas palavras de García: “A transição entre
figuração e abstração foi uma constante no casal, abrangendo vários estilos
(cubismo, surrealismo, abstração, expressionismo, entre outros), bem como uma
marcada experimentação, tanto com materiais de arte (suportes diversos,
têmperas, tintas, tintas a óleo trabalhadas com pincel e espátula; extensos
empastamentos e gotejamentos), bem como com uma vasta gama de elementos de
bricolagem e materiais descartados. Yente e Del Prete, na sua paixão
irreprimível pelo fazer, apropriaram-se do cânone da arte moderna através de
diversas referências, correntes e representações”, destaca a curadora.
As peças expostas são provenientes principalmente
da Coleção Yente – Del Prete, dirigida por Liliana Crenovich (sobrinha da
artista) e de importantes coleções privadas e públicas argentinas, como o Museu
de Arte Moderna de Buenos Aires e a Coleção Amalita, entre outros.
Embora a abstração tenha sido um caminho de
exploração criativa que os uniu de maneira fundamental, a mostra não se limita
a esse recorte, percorrendo ambas as trajetórias e abrangendo o arco completo
de suas ricas experimentações. Vida Venturosa é organizada em dois
grandes núcleos: A união na abstração e Voracidade, que são divididos em
subnúcleos, atravessando mais de cinquenta anos de produção.
Apesar das diferenças entre si – ele, um imigrante
italiano instalado no bairro de La Boca e formado sob tutela dos pintores do
bairro; ela, de Buenos Aires, graduada em filosofia e a caçula de uma família
judia abastada de origem russa – o casal percorreu um caminho conjunto de
pesquisa artística através de diversas linguagens e materiais.
Se conheceram no inverno de 1935, quando Del Prete
já havia passado três anos na Europa, onde dedicou-se à experimentação com a
colagem e à abstração, expondo em companhia da vanguarda construtivista
parisiense. De volta a Buenos Aires, realizou duas exposições emblemáticas,
onde apresentou fotomontagens, pinturas abstratas, colagens com cordões e
chapas metálicas, esculturas em gesso esculpido e projetos de decoração,
gerando rejeição e incompreensão na cena artística portenha.
Paralelamente a seus estudos de filosofia, Yente
realizava retratos familiares e caricaturas e ilustrações para revistas. No
início dos anos 30 ampliou sua formação plástica em passagem pelo Chile. Depois
do encontro com Del Prete, começou sua pesquisa na abstração e por volta de
1937 produziu composições biomórficas: núcleos arredondados e coloridos que às
vezes apresentam elementos figurativos. Nos anos 40 seguiu com propostas mais
construtivas, escolha que a levou a destruir sua obra anterior, ação em
consonância com as sistemáticas destruições de Del Prete, em seu caso
justificadas pela falta de espaço. Contudo, a produção aniquilada de Yente não
foi documentada como a dele. O casal não escapou aos papéis de gênero vigentes
à época, e a carreira de Del Prete foi privilegiada.
Nada do entorno do casal parece ter ficado sem
exploração em seus trabalhos. Para além de posição crítica diante das modas,
Yente e Del Prete tiveram empatia e flexibilidade para se deixarem atrair pelas
diversas possibilidades que a visualidade abria. Segundo García, “Em um
constante ir e vir entre figuração e abstração, durante os anos 50 e 60
abraçaram a experimentação pictórica, a colagem, a montagem de objetos e os
têxteis. Ainda que de maneiras diferentes, foram vorazes apropriadores de
estilos, materiais e técnicas. As anedotas da arte argentina remetem à “gula”
de Del Prete para se referir a sua desenfreada produção. Yente, embora mais
moderada em seus procedimentos, não foi por isso menos voraz. Sua obra se
desdobrou em diversos suportes: não apenas se dedicou ao desenho, à pintura,
aos relevos e à escultura, mas também expandiu seu trabalho aos têxteis, aos
livros de artista e ao trabalho de arquivo”, completa.
Exposição:
Yente - Del Prete. Vida
Venturosa
Abertura: 14 de dezembro de 2023, às 19h
Em cartaz até 18 de fevereiro de 2024
De terça a domingo, das 11h às 19h – entrada franca
Imagens: https://encurtador.com.br/dlprH
Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropé, 88) -
Pinheiros SP
Metrô mais próximo - Estação Faria Lima/Linha 4 –
amarela
Fone: 11 2245 1900

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