CROSP destaca a importância do diagnóstico precoce por meio, inclusive, de alterações orais
No mês de prevenção ao HIV/AIDS, o CROSP alerta
sobre as várias manifestações associadas à AIDS, entre as quais, as alterações
orais, que são frequentes e impactam significativamente a qualidade de vida dos
pacientes. Reconhecer tais manifestações é muito importante para um diagnóstico
precoce e um plano de tratamento eficaz. O diagnóstico de algumas lesões pode
ainda ser fundamental para a descoberta da infecção pelo vírus da
imunodeficiência humana (HIV).
Antes de pontuar as manifestações da doença,
sobretudo orais, é preciso lembrar que a AIDS é a doença causada pela
infecção do HIV. Esse vírus ataca o sistema imunológico, que é o responsável
por defender o organismo de doenças.
De acordo com a Cirurgiã-Dentista e secretária da
Câmara Técnica de Patologia do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo
(CROSP), Dra. Ana Lia Anbinder, as lesões mais comuns, associadas à AIDS são a
candidose, leucoplasia pilosa, o sarcoma de Kaposi, o eritema gengival linear,
a gengivite necrosante, a periodontite necrosante e o linfoma não Hodgkin.
“Nenhuma das lesões descritas é exclusiva de pacientes com HIV/AIDS; no
entanto, todas elas apresentam uma prevalência e gravidade mais elevadas em
comparação com pacientes sem HIV, em alguns casos, associadas ao uso de terapia
antirretroviral“.
Dra. Ana explica que com o surgimento de terapias
antirretrovirais (medicamentos utilizados para o tratamento de infecções por
retrovírus, especialmente o vírus da imunodeficiência humana), a
prevalência de algumas manifestações orais relacionadas ao HIV diminuiu,
especialmente aquelas associadas a contagens mais baixas de células CD4, como
candidose, leucoplasia pilosa e sarcoma de Kaposi.
Por outro lado, segundo ela, houve um
reconhecimento maior do papel de condições comuns, como cárie e doença
periodontal, associadas à xerostomia, por exemplo, e consequentemente uma maior
atenção ao cuidado odontológico de rotina e preventivo para pacientes com HIV.
Apesar de ter sua prevalência reduzida com o uso da
terapia antirretroviral, o sarcoma de Kaposi continua sendo a neoplasia maligna
oral mais frequente associada ao HIV. É uma neoplasia vascular causada
pelo herpes vírus humano 8, que é transmitido durante o sexo, ou através de
sangue e saliva.
“Suas características clínicas variam de acordo com
seu estágio, progredindo de pápulas a placas vermelho-arroxeadas, as quais
podem ulcerar. Em estágios avançados, a lesão pode se manifestar como múltiplos
nódulos roxos e ulcerados, levando à mobilidade e perda dentária. O diagnóstico
é baseado nas características clínicas e histopatológicas”, esclarece a
Cirurgiã-Dentista.
Dra. Ana informa, ainda, que a terapia
antirretroviral é recomendada para as pessoas com sarcoma de Kaposi associado
ao HIV, pois essas lesões frequentemente regridem com este tratamento. Quando
isso não acontece, o tratamento adicional pode envolver uma combinação de
radioterapia, quimioterapia ou excisão cirúrgica.
“O diagnóstico precoce das manifestações orais em
pacientes com AIDS é crucial para garantir a eficácia do tratamento e melhorar
a qualidade de vida. Cirurgiões-Dentistas desempenham um papel fundamental ao
realizar exames bucais regulares e ao estar cientes das manifestações
associadas à infecção pelo HIV”, finaliza ela.
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