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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Banalização na indicação de hormônios é realidade no Brasil e pode trazer mais riscos que benefícios



Médicos revelam preocupação com "boom" de prescrição hormonal que vem alimentando um mercado milionário e chamam atenção para o exercício ilegal da endocrinologia


Solicitar exames de dosagem hormonal em pacientes saudáveis para justificar a indicação de hormônios com fins estéticos – antienvelhecimento, ganho de massa muscular, redução da celulite, perda de peso e aumento de libido –, se tornou uma perigosa realidade no país. Muitas vezes são os próprios pacientes que buscam e se deixam seduzir pela chamada “modulação hormonal” ou o implante do “chip da beleza”, prática condenada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), devido aos efeitos adversos que isso pode gerar.

O tema foi debatido por alguns dos principais especialistas do país, durante o Simpósio de Gônadas, dentro da programação do EndoSul 17 – Congresso de Endocrinologia e Metabologia da Região Sul, organizado pela SBEM - Regional Paraná.  

Mas o que norteou os debates foi a preocupação com “boom” de prescrição hormonal que vem alimentando um mercado milionário. “Vivemos um momento muito preocupante, com o exercício ilegal da endocrinologia, no que se refere aos tratamentos chamados de modulação hormonal. Eles não apenas fogem à ética profissional, mas representam também um risco à saúde pública, razão pela qual criamos a Comissão de Ética e de Defesa Profissional para tratar e penalizar estes casos, que são uma verdadeira aberração”, afirmou a presidente da SBEM-PR, endocrinologista Silmara Leite.

A endocrinologista Dolores Pardini, vice-presidente do Departamento de Endocrinologia Feminina da SBEM e chefe do Ambulatório de Menopausa da UNIFESP lembrou que a reposição hormonal é recomendada para mulheres que entram na menopausa e que apresenta sintomas. A especialista
atacou a quantidade de exames que têm sido solicitados em pacientes saudáveis, para justificar a reposição indiscriminada. “Isso é uma banalização da terapia hormonal, que tanto a SBEM quanto o Conselho Federal de Medicina são enfaticamente contrários. É preciso ter comedimento para fazer a reposição quando o hormônio está em falta, pelos riscos pode trazer”, afirmou a especialista.

Dentre os perigos que o uso indiscriminado de hormônios pode  trazer à saúde estão o aumento do risco cardiovascular, a elevação da resistência à insulina, que pode desencadear um diabetes melitus, além de eventos cardiovasculares, principalmente se for uma pessoa obesa, com colesterol elevado e tiver alguma predisposição para hipertensão arterial.

Alheio aos riscos, muitos pacientes chegam ao consultório buscando a reposição hormonal, com base em informações encontradas na internet. “Pessoas que buscam hormônios para obter benefícios estéticos têm que ser orientados a não fazê-lo. Os benefícios podem parecer sedutores, mas trazem uma série de malefícios, desde uma simples acne até alterações mais graves no fígado e no coração”, explicou o endocrinologista Alexandre Holh, vice-presidente da SBEM. “Saímos de uma situação em que o paciente não tem doença diagnosticada e simplesmente vai para uma doença criada porque o uso do hormônio foi inadequado”, alertou o especialista.

A falta da testosterona pode ter várias causas, como obesidade, diabetes, uso de medicamentos, doenças específicas e até tumores do sistema endócrino. Por isso é fundamental uma investigação adequada, para tratar não somente a falta do hormônio, mas também a causa desta falta. “O endocrinologista é o médico mais adequado para avaliar esse quadro e indicar o tratamento seguro. Então alertamos ao paciente para que procure em sua região médicos sérios”, finaliza Holh.

A SBEM-PR e o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) incentivam os pacientes a consultarem a lista atualizada dos endocrinologistas do estado na página www.sbempr.org.br.






Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Paraná | SBEM-PR
E-mail: sbempr@endocrino.org.br
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