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quarta-feira, 10 de setembro de 2025

O mito da criatividade das inteligências artificiais ameaça o futuro humano

Orlando Pavani alerta para impactos na saúde, nas relações e na governança tecnológica

 

A criatividade, tradicionalmente compreendida como uma habilidade exclusivamente humana, não pode ser atribuída à inteligência artificial (IA). Essa é a avaliação de Orlando Pavani, antologista dos Referenciais de Exemplaridade da Primazia da Gestão (REPG) e especialista em Inteligência Comportamental e Cultura Organizacional. Segundo ele, chamar as máquinas de criativas é um exagero. “Uma IA pode gerar soluções inéditas a partir de uma base de dados conhecida, mas isso não é criatividade. Trata-se apenas de combinações matemáticas que ainda não haviam sido exploradas”, afirma. 

Apesar das possibilidades oferecidas pela tecnologia, Pavani faz um alerta: depender apenas da IA pode enfraquecer a capacidade humana de reflexão complexa e, a longo prazo, até aumentar riscos de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. “Não podemos abdicar de nossa capacidade de pensar criticamente. Esse deve ser um cuidado coletivo”, completa. 

Outro ponto levantado pelo especialista é o impacto da IA nas relações humanas. A facilidade de interação com “companheiros sintéticos”, que se mostram menos tóxicos e mais compreensivos do que pessoas reais, já influencia negativamente os vínculos interpessoais. “No Japão, jovens estão literalmente se casando com animes artificiais. Isso evidencia um cenário assustador de substituição das relações humanas por artificiais”, observa. 

Para Pavani, a questão ultrapassa a tecnologia e entra no campo da identidade e da sobrevivência da humanidade. Ele lembra o alerta feito por Yuval Noah Harari em sua obra Nexus: “As IA’s vieram para ficar, mas precisamos tomar cuidado com os riscos desta utilização indiscriminada. O que está em jogo é a sobrevivência da humanidade”, enfatiza. 

O especialista também defende que o desenvolvimento humano, especialmente sob o ponto de vista comportamental, deve ser prioridade no século XXI. “Trata-se de uma questão de saúde pública, mas pouco debatida em ambientes acadêmicos, que ainda se concentram apenas em evoluções técnicas”, destaca. 

No ambiente corporativo, a corrida pelo uso da IA já é uma realidade, mas Pavani chama atenção para outro desafio: a falta de atenção à governança e à legislação. Ele cita iniciativas como o Projeto de Lei nº 21/20, o Projeto de Lei nº 2.338/2023 e a ISO/IEC 42001:2023, que busca padronizar a gestão da inteligência artificial. “Nosso foco, a partir dos REPG, mais especificamente no SRT 10, é cuidar da governança de IA para evitar aberrações que podem se multiplicar”, conclui.

 

 

Orlando Pavani - reconhecido antologista dos Referenciais de Exemplaridade da Primazia da Gestão (REPG) e um especialista em Inteligência Comportamental e Cultura Organizacional. Como idealizador do Método Olho de Tigre de Desenvolvimento Humano, Pavani dedica sua carreira a ajudar pessoas a atingirem sua plenitude, promovendo o empreendedorismo protagonista, e a apoiar empresas na busca pela excelência em sua gestão. Essa visão norteia sua trajetória de mais de três décadas como consultor, mentor e educador. Atualmente, Pavani é Diretor Presidente da HOLDING PAVANI, que administra a Gauss Consulting Group e a Olho de Tigre. Além disso, é Consultor Certificado CMC® pelo IBCO/ICMCI e detém outras certificações internacionais em áreas como Business Process Management (CBPP®), Metodologias Ágeis (HCMBOK® to AGILE) e coaching. Pavani também ocupou cargos de destaque, incluindo a presidência do IBCO (2017-2020), consolidando-se como uma referência no cenário da consultoria organizacional no Brasil. Como autor e coautor, contribuiu para a literatura de gestão e desenvolvimento humano com obras como As 30 Leis do Olho de Tigre, Mapeamento e Gestão por Processos/BPM e Consultoria Organizacional. Essas publicações refletem sua profunda compreensão sobre os desafios enfrentados por líderes e organizações, além de seu compromisso em disseminar metodologias inovadoras e eficazes. Sua atuação como examinador e instrutor em programas como PNQ e PQGF evidencia sua capacidade de alinhar a teoria à prática para fomentar a excelência organizacional. Com sólida formação acadêmica, Pavani possui duas titulações de mestrado – uma em Administração Integrada pela Universidade São Francisco e outra em Administração e Desenvolvimento Empresarial pela FACECA –, além de pós-graduações em Economia Empresarial e Medicina Comportamental. Ele complementa sua expertise com certificações em áreas como neurociência aplicada, coaching e Programação Neurolinguística (PNL). Sua trajetória multifacetada é marcada pela busca contínua por conhecimento e pela vontade de transformar vidas e organizações por meio de métodos inovadores e uma visão humanista da gestão.

 

Turismo de aventura cresce 10% ao ano e atrai viajantes ativos na América do Sul

  Com crescimento de mais de 10% ao ano, turismo de aventura combina trekking, natureza e experiências imersivas; Civitatis destaca cinco roteiros ideais para o fim de 2025.

 

O turismo de aventura está se consolidando como uma das principais tendências para 2025 e 2026, especialmente na América do Sul. Segundo a Fortune Business Insights, o mercado global de turismo de aventura, que estava em US$ 804 bilhões em 2024, deve crescer mais de 10% neste ano, chegando a US$ 896 bilhões em 2025, com expectativa de quase dobrar em 2032, chegando a US$ 1,68 trilhão. 

Para Alexandre Oliveira, Country Manager da Civitatis Brasil, o movimento é reflexo da busca dos viajantes por experiências mais autênticas e ativas. 

“Atividades como rafting, trekking, mergulho e escalada atraem cada vez mais viajantes que buscam sair da zona de conforto. A evolução do lazer ao ar livre, acompanhando o crescimento do fitcation (viagem que combina lazer e prática de atividades físicas), rotas de trekking cada vez mais acessíveis, e acesso fácil às informações impulsionam esse mercado globalmente, e na América do Sul não é diferente. A região reúne alguns dos cenários mais impressionantes para o turismo de aventura”, afirma Alexandre. 

Pensando nisso, a Civitatis, plataforma que oferece passeios guiados em mais de 160 países, separou cinco roteiros na América do Sul que combinam natureza, adrenalina e experiências inesquecíveis para o final de 2025.


1. Monte Roraima, Brasil e Venezuela

Monte Roraima fica na fronteira de Brasil e Venezuela


Inicie sua jornada em Boa Vista, Roraima, e atravesse a fronteira para a Venezuela. A trilha de 10 dias pelo Monte Roraima da Civitatis é uma das mais emblemáticas da região, desafiando os aventureiros a explorar paisagens surreais e a rica biodiversidade local. 

Durante o percurso, os viajantes acampam em meio à natureza e conhecem a biodiversidade e a cultura dos povos indígenas da região, um roteiro indicado para aventureiros que buscam desafio e imersão total.

 


2. Patagônia, Argentina e Chile

O trekking pelo glaciar Perito Moreno leva os viajantes para caminhar no gelo

A Patagônia combina montanhas, lagos e glaciares, oferecendo experiências de trekking únicas. No Trekking pelo glaciar Perito Moreno, saindo de El Calafate, os visitantes podem fazer a trilha pelo Glaciar Perito Moreno, com passarelas que permitem chegar próximo ao imenso bloco de gelo. 

Já no lado chileno da Patagônia, a trilha de 5 dias pelo Parque Nacional Torres del Paine passa por pontos como o Valle del Francés, o Glaciar Grey e as próprias Torres del Paine, roteiro ideal para quem busca contato direto com a natureza e cenários impressionantes.

 


3. San Pedro de Atacama, Chile

 

Vista do vulcão Cerro Toco, no Deserto do Atacama


No deserto mais seco do mundo, San Pedro de Atacama oferece trilhas que exploram formações rochosas, lagunas altiplânicas e o Valle de la Luna, perfeitas para quem busca paisagens únicas e um céu estrelado incomparável. 

Para os aventureiros que buscam altitudes desafiadoras, a trilha pelo vulcão Cerro Toco, na Civitatis, permite alcançar 5.100 metros e contemplar o vulcão Licancabur e as lagoas Blanca e Verde em uma experiência de cerca de cinco horas, incluindo paradas estratégicas para aclimatação e fotos.

 


4. Mendoza, Argentina

Cordilheira dos Andes, na região de Mendoza


Não é só de vinhedos que vive Mendoza: a cidade do norte da Argentina também é um excelente ponto de partida para explorar a Cordilheira dos Andes. Disponível na Civitatis, a excursão de alta montanha pelos Andes - Mendoza oferece vistas deslumbrantes do Aconcágua e da fronteira argentina-chilena. 

O roteiro contempla trajetos por rios e diques da região, além de mirantes com paisagens marcantes, uma experiência que combina natureza, cultura local e aventura em altitude.

 


5. Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro

Trilha no Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro


Aqui pertinho também tem opções de trekking na natureza: no Rio de Janeiro, a trilha pelo Parque Nacional da Tijuca oferece contato direto com a floresta urbana, incluindo cachoeiras, mirantes panorâmicos e pontes suspensas na mata atlântica. 

A atividade inclui transfer de ida e volta ao hotel e acompanhamento de guia em português, além de opções de baixa dificuldade (4,5 quilômetros) e dificuldade média (6 quilômetros), tornando a aventura acessível e segura para diferentes perfis de viajantes.


Setores de energia e educação são os mais visados em ataques contra backups corporativos

Ameaças cibernéticas quase dobram a chance de pagamento de resgate e elevam os custos de recuperação em até oito vezes, segundo análise da ISH Tecnologia 


Pesquisadores da ISH Tecnologia apontam que os backups se tornaram o novo alvo prioritário dos grupos de ransomware, ampliando de forma significativa os danos financeiros e operacionais às organizações. De acordo com o levantamento, 94% das empresas atingidas em 2024 relataram tentativas de comprometimento de cópias de segurança, índice que chega a 99% em setores governamentais e de mídia/entretenimento. 

Os ataques não apenas miram dados primários, mas buscam neutralizar a última linha de defesa das vítimas. A estratégia tem se mostrado altamente eficaz: 57% das tentativas de comprometimento funcionaram, alcançando 79% no setor de energia e 71% em educação.

“Esse movimento mostra uma mudança clara no campo de batalha digital. Ao inviabilizar a restauração, os criminosos ampliam a pressão pelo pagamento do resgate e aumentam drasticamente seus ganhos”, explica Hugo Santos, Diretor de Inteligência de Ameaças da ISH Tecnologia. 

O impacto financeiro acompanha a escalada: quando backups são comprometidos, a chance de pagamento quase dobra (67% contra 36%), o valor mediano de resgate sobe de US$ 1 milhão para US$ 2,3 milhões e os custos de recuperação podem ser oito vezes maiores. O caso da subsidiária da UnitedHealth Group ilustra essa realidade: US$ 872 milhões em perdas no primeiro trimestre de 2024, combinando custos diretos de resposta e perda de produtividade. 

Além do prejuízo imediato, especialistas alertam para riscos regulatórios e de reputação. Sem medidas de proteção, empresas ficam vulneráveis não apenas à paralisação das operações, mas também a sanções legais e danos à confiança do mercado. 

Para mitigar os riscos, a ISH recomenda que organizações adotem práticas como:

- Arquitetura de backup resiliente, baseada no modelo 3-2-1-1-0, com cópias imutáveis e isolamento lógico/físico.

- Controle de acesso rigoroso, com autenticação multifator e princípio do menor privilégio.

- Monitoramento contínuo, incluindo detecção de alterações em snapshots e exfiltração camuflada.

- Testes regulares de restauração, validados em ambientes isolados para garantir integridade.

“O cenário atual exige que backups sejam tratados como ativo estratégico, e não apenas como rotina operacional. A resiliência nesse ponto pode ser a diferença entre a continuidade ou a falência após um ataque”, conclui Santos.
 

ISH Tecnologia


Congresso analisa projeto de lei que define novos critérios para calcular o valor da pensão alimentícia

Se aprovada, medida passa a considerar valores indenizatórios em caso de ausência do genitor em relação ao filho;

Especialista em Direito de Família e Sucessões avalia impactos da proposta e alerta para aumento dos conflitos judiciais


O Congresso Nacional analisa um projeto de lei que propõe considerar o abandono afetivo e a sobrecarga do guardião no cálculo da pensão alimentícia. 

A medida, se aprovada, entende que a pensão não se limita apenas a aspectos financeiros, mas também envolve responsabilidades emocionais e práticas da parentalidade, alterando significativamente as relações jurídicas e familiares entre pais, mães e filhos. 

Para a advogada Ariadne Maranhão, especialista em Direito de Família e Sucessões, a proposta que tramita traz um novo elemento de análise para o cálculo do valor da pensão que não consideraria apenas os gastos com alimentação da criança. “Hoje, o valor da pensão alimentícia considera a possibilidade de quem paga e a necessidade de quem recebe. Se este projeto for aprovado, passa a existir, além da obrigação alimentar proporcional, um valor indenizatório quando ficar configurada a ausência proposital e injustificada do genitor em relação ao filho”, explica. 

O texto, aprovado recentemente pela Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família, foi o substitutivo elaborado pela relatora, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), para o Projeto de Lei 2121/2025, da deputada Maria Arraes (Solidariedade-PE). 

A advogada alerta, no entanto, que o tema pode gerar conflitos judiciais e trazer novos desafios para a comprovação do abandono ou da sobrecarga. 

“É fundamental que haja critérios claros para evitar disputas intermináveis nos tribunais. Essa proposta trata a indenização como uma sanção pela ausência do pai ou da mãe e isso precisará ser provado. A gente precisa considerar também que a não presença de um dos responsáveis pode ser provocada pela alienação parental, o que dificulta ainda mais uma eventual avaliação do Judiciário sobre o caso”, alerta Ariadne.

O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, a medida precisa ser aprovada por deputados e senadores.

 


Ariadne Maranhão - advogada especialista em Direito das Famílias e Sucessões com uma trajetória de mais de 20 anos de atuação na área. Formada em Direito pela Universidade Gama Filho (UGF) em 1999, é membro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ) desde 2000. Ao longo de sua carreira, especializou-se em temas fundamentais para a gestão de patrimônios e litígios familiares, destacando-se como uma referência em Planejamento Patrimonial e Sucessório, Mediação Familiar e Direito das Sucessões. Além de sua carreira jurídica, Ariadne é uma mulher multifacetada: atleta de ultramaratona, vegetariana estrita e defensora incansável dos direitos dos animais. Seguindo os princípios do Espiritismo Cristão, ela é comprometida com causas sociais e humanitárias.


Empresas familiares: como alinhar expectativas na contratação?

 

Empresas familiares carregam em seu DNA uma história, um legado e, muitas vezes, uma cultura que, ao mesmo tempo que pode ser uma força inestimável, também pode se tornar um desafio gigante na hora de atrair e reter executivos que não carregam o mesmo sobrenome. A desconexão entre o que é prometido em um anúncio de vaga e a realidade vivida no dia a dia é uma das maiores causas de insatisfação e rotatividade, o que pode ser resolvido através de uma palavra-chave: transparência.

Um bom salário já deixou, há muito tempo, de ser o único fator relevante considerado em um processo seletivo. O propósito no que se faz, a valorização pelos esforços e um ambiente acolhedor e inspirador vêm se tornando características estratégicas nesse sentido – mas que, nem sempre, são claramente alinhadas entre as partes desde o primeiro contato.

Quantas vezes já não vimos, por exemplo, uma empresa contratar um diretor, mas não lhe dar a autonomia necessária para executar suas responsabilidades? Essa falta de clareza e transparência sobre o que se espera do novo contratado e da própria maturidade corporativa abre margem para frustrações e choques de cultura com os times, vendendo uma organização que não reflete sua realidade. Isso não apenas dificulta a retenção das equipes, como também pode prejudicar a imagem da marca no mercado e, consequentemente, o interesse de novos executivos em fazerem parte daquele ambiente.

Essas dificuldades fazem com que, segundo dados do Banco Mundial e do IBGE, apenas 30% das empresas familiares consigam chegar à terceira geração, além de somente 15% sobreviverem à sucessão de três gerações – o que evidencia a complexidade de manter o negócio familiar ao longo do tempo.

Empresas que escondem sua verdadeira cultura, sua estrutura interna ou as reais demandas de uma posição, estão fadadas a atrair executivos desalinhados e a enfrentar um alto turnover que, certamente, impactarão seu crescimento e destaque competitivo. Por isso que a transparência não pode mais ser vista como um mero detalhe, mas sim como algo urgente e necessário para quebrar esse ciclo e garantir contratações mais assertivas.

Comece olhando para dentro. Quais habilidades sua empresa está precisando para sanar alguma dor ou problema enfrentado? Há alguém que se encaixe nesses requisitos internamente, ou é necessário procurar este talento externamente? Caso haja a necessidade de abrir um processo seletivo, além de ser essencial contratar alguém que tenha fit cultural com a marca, a grande pergunta que deve ser feita, neste momento, é se a empresa busca alguém que dê continuidade ao que já vem sendo feito internamente, ou se a preferência é por um executivo que, de certa forma, desafie o status quo, trazendo provocações pertinentes que alavanquem essa transformação e profissionalização das operações.

Mas, não adianta trazer esse líder do mercado, se não oferecer um local onde ele possa aplicar, devidamente, seu know how aos processos internos, elevando a empresa a um novo patamar. Essa “dificuldade em soltar o osso” não pode existir nessas situações, para que tenham a autonomia necessária para melhorar esses resultados e alavancar as operações. Saiba delegar e passar o bastão, enxergando-os como um reforço positivo ao time, e não como uma ameaça.

Essa nova mentalidade de governança será fundamental para a evolução dessas empresas, como mostra uma pesquisa da Fundação Dom Cabral, a qual identificou que 77% das empresas familiares no Brasil possuem entre 50 e 499 funcionários, e grande parte (55%) tem um acordo de sócios formalizado, o que contribui para a longevidade.

A transparência nesses pontos é a ponte que conecta as expectativas dos executivos com a realidade dessas empresas, minimizando frustrações e maximizando o engajamento. Essas ações, no dia a dia, são o que farão a diferença para a prosperidade desses negócios, para que não só atraiam aqueles que realmente se encaixem, mas que também cultivem um ambiente de confiança mútua desde o primeiro contato, construindo um verdadeiro legado no mercado.

  


Jordano Rischter - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.


Wide
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Turismo nacional cresce 6,9% no primeiro semestre e fatura 108 bilhões


 
Setor bate recorde para o período, impulsionado por alojamento e transporte aéreo
 

O Turismo brasileiro bateu recorde e faturou R$ 108 bilhões no primeiro semestre, registrando crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O levantamento é da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O avanço representa um incremento de R$ 7 bilhões no setor [gráfico 1].

 
[GRÁFICO 1]
Faturamento do Turismo 2025 – acumulado no ano (jan-jun)

(Em R$ bilhões)
Fonte: FecomercioSP


 

Segundo a FecomercioSP, o mercado de trabalho aquecido, a inflação em patamares mais baixos e a queda no preço médio das passagens aéreas devem sustentar o bom desempenho das atividades turísticas no segundo semestre — especialmente no segmento de lazer.
 
“Mesmo que algum item específico pese mais no bolso do consumidor, o Turismo oferece diversas alternativas. Se a viagem de avião fica cara, opta-se pelo ônibus; se o hotel está caro, escolhe-se uma pousada ou reduz-se o tempo de estadia, mas, normalmente, não se deixa de viajar”, afirma o presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, Guilherme Dietze.
 
No Turismo corporativo, o cenário também tende a permanecer positivo, impulsionado por eventos e compromissos já programados. No entanto, a Entidade ressalta que fatores como uma possível desaceleração econômica e os efeitos do tarifaço podem afetar negativamente o setor, levando ao cancelamento ou adiamento de viagens de negócios. Ainda assim, a expectativa é de continuidade no crescimento do Turismo nacional.


 
Alojamento puxa crescimento semestral

Todos os segmentos analisados pelo levantamento apresentaram aumento no faturamento. A atividade de alojamento, por exemplo, registrou alta de 12,7% e movimentou R$ 13,6 bilhões [tabela 1]. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a tarifa média subiu quase 10% no país, o que contribuiu para o resultado, mesmo com a taxa de ocupação apontada pelo Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) sendo inferior à de 2024: 53,5% contra 57,6%.
 
Outra variação relevante foi observada no transporte aéreo, que faturou R$ 27,3 bilhões — um crescimento de 10,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O aumento no fluxo de passageiros, impulsionado pela combinação entre maior oferta e queda média nos preços, foi o principal fator para esse desempenho.
 
Também registraram variações positivas no semestre os seguintes segmentos: alimentação (6,9%), outros tipos de transporte aquaviário (6,5%), agências e operadoras de viagens (6,3%), transporte rodoviário de passageiros (2,4%) e atividades culturais, recreativas e esportivas (0,5%).

 
[TABELA 1]
Faturamento do Turismo 2025 — junho
Fonte: IBGE — Elaboração: FecomercioSP
(*) a preços de jun/25


No mês de junho, especificamente, o faturamento do Turismo nacional alcançou R$ 17 bilhões — um aumento de 5,6% em relação ao mesmo mês de 2024, configurando um recorde histórico para o período [gráfico 2]. O transporte aéreo registrou a alta mais expressiva, com variação de 12% e faturamento de R$ 4,45 bilhões, seguido pelo setor de alojamento, que cresceu 8,5% na comparação anual, movimentando R$ 1,7 bilhão [tabela 1]. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), foram transportados 8,2 milhões de passageiros no mês — o maior volume já registrado em um mês de junho.
 
Na hotelaria, o desempenho foi impulsionado mais pelos preços do que pela demanda. De acordo com o FOHB, a taxa média de ocupação manteve-se praticamente estável em relação a junho do ano passado, enquanto a diária média subiu 8,4%. Em algumas regiões, como Centro-Oeste, Norte e Sudeste, houve recuo na ocupação.
 
Outros destaques do mês foram o transporte rodoviário de passageiros, com crescimento de 6,1% e faturamento próximo de R$ 3 bilhões, além de agências e operadoras de viagens (2,9%), transporte aquaviário (2,4%), locação de meios de transporte (1,6%) e alimentação (1,5%). Apenas o grupo de atividades culturais, recreativas e esportivas registrou recuo, com variação negativa de 0,2% [tabela 1].

 
[GRÁFICO 2]
Faturamento do Turismo 2025 — meses de junho
Fonte: IBGE — Elaboração: FecomercioSP

 

Resultados regionais


Dentre os Estados, o Rio Grande do Sul foi o que apresentou a maior alta em junho — quase 40%. O resultado foi influenciado pela base de comparação, devido às enchentes ocorridas em maio de 2024. Na sequência, o Amazonas cresceu 13,5% e o Pará avançou 6%, possivelmente por causa dos investimentos e pela preparação para a 30ª Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP30) da Organização das Nações Unidas (ONU), em novembro.
 
O Estado de São Paulo registrou faturamento de R$ 4,3 bilhões, alta de 2,9%. Nove Estados tiveram queda no faturamento em junho, com destaque para Rondônia (-11,3%), Minas Gerais (-7,2%) e Alagoas (-6,2%) [tabela 2].
 
Os dados são elaborados pela FecomercioSP com base em informações do IBGE. Embora as magnitudes das variações possam divergir entre as duas fontes, as tendências observadas são semelhantes.



Nota metodológica

O estudo baseia-se nas informações da Pesquisa Anual de Serviços (PAS), mediante dados atualizados com as variações da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), ambas do IBGE. Os valores são corrigidos mensalmente pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e foram escolhidas as atividades que têm relação total ou parcial com o Turismo. Para as que têm relação parcial, foram utilizados dados de emprego ou de entidades específicas para realizar uma aproximação da participação do setor no total. Em relação aos dados regionais, a base continua sendo a PAS, mas foi adotado um procedimento estatístico distinto, de uso da proporcionalidade nacional, para encontrar a receita das atividades nos Estados e, na sequência, uma estimativa setorial para chegar na receita operacional líquida. Embora tenham sido feitas estimativas segmentadas, a divulgação ficará restrita ao total, pois o objetivo é obter uma dimensão geral do setor e acompanhar o desempenho mensal. A correção monetária é realizada pelo IPCA, e não pelo índice específico, tal como ocorre no volume de serviços, pelo IBGE. O total do faturamento dos Estados não coincide com o total nacional do levantamento da FecomercioSP, por não contabilizar o setor aéreo. Pelo fato de não haver clareza sobre como o IBGE trabalha o dado de transporte aéreo de passageiro, optou-se por não o usar neste momento. Quando houver uma indicação mais clara, haverá, certamente, uma atualização.
 


FecomercioSP
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Setor de alimentação fora do lar apresenta retração de 7,5%, aponta IFB

Dados mostram que aumento de 8,5% no ticket médio sustenta faturamento, mas não evita queda real 

 

O Instituto Foodservice Brasil (IFB) divulgou os resultados do Índice de Desempenho do Foodservice (IDF) referentes a julho de 2025. O setor registrou crescimento nominal de 0,8% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. No entanto, ao desconsiderar o efeito da inflação, medida pelo IPCA de alimentação fora do lar, o resultado aponta para uma queda real de 7,5%.  

Os números confirmam a tendência já observada ao longo do ano. De janeiro a julho de 2025, o foodservice acumula crescimento nominal de 4,5%, mas, em termos reais, o desempenho segue negativo, com retração de -3,8%. Nos mesmos empreendimentos, a situação é ainda mais crítica, com queda real acumulada de -6%. 

Apesar da manutenção do faturamento em campo positivo, o setor sofreu uma queda de -6,1% nas transações totais em julho, em comparação ao mesmo mês de 2024. Isso reforça que o crescimento está sendo sustentado principalmente pelo aumento do ticket médio, que avançou 8,5%, passando de R$ 41,40 para R$ 44,90. 

Em contrapartida, o número de estabelecimentos praticamente não evoluiu, com alta de apenas 0,5% na base instalada, o que limita a capacidade de expansão do setor. Foram abertas 34 unidades e fechadas 21, refletindo uma expansão líquida modesta. Os quiosques tiveram ligeira alta de 2%, alcançando 3.652 pontos no país. 

Regionalmente, o desempenho foi heterogêneo. A região Norte registrou crescimento de 5,7% no faturamento, seguida pelo Centro-Oeste (3,6%) e Sul (1,8%). Já Sudeste e Nordeste ficaram praticamente estáveis, com 1,6% e -0,1%, respectivamente. 

“Os números mostram que, embora o setor mantenha crescimento nominal, a inflação e a queda nas transações seguem pressionando a rentabilidade. O grande desafio é transformar esse faturamento em ganho real, sustentável e com margem para investimento”, Ingrid Devisate, Diretora-executiva IFB. 


Comportamento do consumidor 

Segundo Cristiane Amaral, sócia de Consultoria da EY-Parthenon, os dados reforçam que o foodservice vive um paradoxo: cresce nominalmente, mas perde força em termos reais. A executiva explica que, em um cenário de inflação elevada e renda comprimida, o consumidor passou a ser muito mais seletivo em suas escolhas. Hoje, antes de decidir onde e quanto gastar, ele compara preços, avalia a qualidade percebida e busca conveniência ou experiências que realmente compensem o desembolso. 

Esse comportamento cria um ambiente em que o valor se torna central na decisão de compra. O aumento do ticket médio mantém o faturamento positivo em termos nominais, mas não reflete necessariamente uma expansão saudável do mercado. Pelo contrário, revela que muitos consumidores estão gastando mais por refeição, muitas vezes por efeito de reajustes de preços, ao mesmo tempo em que visitam menos estabelecimentos. 

“O consumidor pressiona por valor e desafia o setor a entregar mais qualidade, serviço e inovação sem elevar ainda mais os preços. A queda no fluxo de clientes mostra que a busca por equilíbrio entre preço e benefício virou prioridade. Isso representa um desafio estrutural para a sustentabilidade do setor, que precisa encontrar novos caminhos para se manter relevante em um mercado cada vez mais exigente”, destacou Cristiane em apresentação conjunta com o IFB. 

Amaral também ressaltou que os próximos meses exigirão estratégias de adaptação mais consistentes, sobretudo no uso de dados, digitalização e inovação nos modelos de negócio. “O setor precisa equilibrar preços, experiência e conveniência para não depender apenas de reajustes de cardápio como motor de crescimento”, completou.  

 

Instituto Foodservice Brasil (IFB)

 

Levantamento mostra despreparo de empresas para atender público 50+

Freepik
Segundo estudo do Data8, 40% dos brasileiros acima de 55 anos não encontram produtos e serviços voltados para eles, principalmente no segmento de Vestuário, calçados e acessórios

 

Na contramão do imaginário de que o consumo está concentrado nas mãos dos jovens, o protagonismo dos consumidores 50+ vem ganhando força no Brasil. Pessoas acima dos 50 anos devem movimentar R$ 3,8 trilhões do PIB do Brasil em 2044, estima estudo do Data8, hub de pesquisa, tendência e inovação especializado no mercado de longevidade.

Mesmo com a ascensão, o público maduro ainda enfrenta dificuldades na hora de comprar. Segundo o estudo, 4 em cada 10 brasileiros acima de 55 anos não encontram produtos e serviços voltados para eles. Vestuário, calçados e acessórios estão entre os itens com maior lacuna, afirmam 56% dos respondentes.

"As marcas precisam pensar em um produto, não só no nível visual, estético, como também na funcionalidade de recortes específicos das roupas para cada idade", afirma Lívia Hollerbach, head de inteligência de dados e comportamento do Data8.

O estudo aponta que a falta de oferta de soluções não reflete escassez de recursos financeiros ou demanda. Prova disso é que 7 em cada 10 pessoas acima de 50 anos se mantêm financeiramente com os próprios rendimentos. Já 3 em cada 10 ainda ajudam filhos e netos, segundo dados da pesquisa.

Michelle Queiroz, professora associada da Fundação Dom Cabral (FDC) e coordenadora do programa FDC Longevidade, avalia que o novo cenário é resultado de uma combinação de fatores do que ela chama de "revolução da longevidade". As principais razões incluem o aumento da expectativa de vida, o crescimento demográfico acelerado no país e a queda na taxa de fecundidade.

Na Nordestesse, plataforma que reúne 70 marcas dos segmentos de vestuário e design da Região Nordeste, a maioria dos clientes é 50+, calcula a fundadora Daniela Falcão. Embora apenas uma empresa da rede tenha sido criada exclusivamente para o público maduro, a empresária pondera que boa parte das marcas consegue atrair esse perfil por ter o quesito conforto como prioridade.


Renda

O perfil de renda dos usuários, a maioria nas classes A e B, também contribui para conquistar esse público, segundo a empreendedora. Uma peça na grife Marina Bitu, por exemplo, chega a ultrapassar R$ 3 mil. "Mesmo com uma queda de renda decorrente da aposentadoria, ainda sobra dinheiro e tempo. Eles não entram no shopping só para comprar, eles querem saber a história da loja e as marcas autorais permitem isso", diz Daniela.

Segundo Thais Farage, pesquisadora em consumo e gênero, até os anos 60 e 70, o ideal de referência era o mais velho. No entanto, após esse período a tendência passou a ser mapeada a partir dos jovens entre 18 e 24 anos sob a justificativa de "sacar mais o espírito do tempo". Hoje, o contexto é outro. "As mulheres 50+ chegaram a essa idade melhor do que imaginavam. Continuam no mercado, ganhando bem e com filhos crescidos", afirma.

A pesquisadora avalia que as mulheres dessa faixa etária consomem de lojas que oferecem produtos que acompanham a vida ativa. Daniela Falcão concorda que a figura da "velha ridícula" na moda caiu em desuso e as marcas precisam acompanhar essa mudança. "A mulher 50+ é um ser altamente produtivo que continua trabalhando e consumindo", diz.

O estudo conduzido pelo Data8 confirma que o cliente "premium" está na geração prateada. "O mercado de luxo está nas mãos deles, que querem exclusividade, personalização e prezam, e muito, por qualidade", sugere um dos insights do estudo.


Hábitos

Assim como o setor de moda e de vestuário, outros segmentos do mercado seguem desatentos aos novos hábitos do consumidor 50+, afirma Michelle Queiroz, da FDC. "Para as marcas, há uma desconexão completa entre quem é o meu público consumidor e quem é a imagem refletida na propaganda que deveria vender esse produto para o grupo prateado", observa.

A professora cita que a maneira como a indústria brasileira enxerga o consumidor 50+ ainda é "infantilizada" e que a mudança começa pelo básico: escutar o público prateado e desenvolver mais pesquisas de mercado.

Entre as grandes empresas que têm apostado na beleza como vetor de inclusão e estratégia de mercado para o público 50+, o Grupo Boticário se destaca com o Pacto Prateado, iniciativa para combater o etarismo e valorizar a diversidade etária.

O movimento também reflete na produção de produtos específicos. A marca Botik, por exemplo, ampliou o portfólio voltado para mulheres na menopausa, com testes feitos com consumidoras de até 70 anos de diferentes regiões do Brasil. 



Estadão Conteúdo

Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/levantamento-mostra-despreparo-de-empresas-para-atender-publico-50



Black Friday: um perigo para o varejista que vai na "onda" para acompanhar concorrente

Estamos a dois meses da Black Friday, mas quero lembrar. Desconto não é estratégia, é sangramento disfarçado de oportunidade. E o Brasil precisa parar de romantizar prejuízo. Você, varejista, está mesmo ganhando ou apenas sobrevivendo à data? 

Em novembro a loja pinta a vitrine com letras garrafais, o e-commerce aquece os servidores e as redes sociais viram um frenesi de “compre agora ou perca pra sempre”. Tudo parece festa, mas nos bastidores o que existe é outro cenário: líderes esgotados, equipes no limite, logística implorando reforço, produtos encalhados sendo vendidos como “exclusividade” e margens evaporando em nome de um faturamento ilusório. 

E uma pergunta ignorada por quase todos: “Vale a pena?” Na maioria dos casos, não vale e sobre isso que ninguém quer falar. 

A Black Friday nasceu nos Estados Unidos como um movimento para impulsionar vendas após o Dia de Ação de Graças. Chegou ao Brasil sem contexto, sem cultura, sem maturidade e virou uma distorção.

Aqui, o que chamamos de “Black Friday” é, na verdade, uma mistura de queima de estoque mal-feita, desespero por caixa, manipulação de preços pré-evento e tentativa frustrada de parecer competitivo com gigantes globais. 

O resultado? Milhares de empresas pequenas e médias sacrificando o mês de dezembro, o primeiro trimestre do ano seguinte, e o próprio posicionamento de marca — por 48 horas de euforia e seis meses de ressaca. 

Em minha experiência, vivenciei vários casos emblemáticos na Black Friday, como um em que a empresa que bateu recorde e quase faliu. Acompanhei uma loja de móveis planejados que preparou sua Black Friday por três meses. 

A companhia criou kits com 40% de desconto, investiu pesado em mídia e bateu o maior faturamento em 12 anos de operação. Mas, não conseguiu entregar. O prazo médio de montagem dobrou, clientes cancelaram, custos com retrabalho, logística reversa e ações judiciais explodiram. O resultado foi um prejuízo de aproximadamente R$ 1,1 milhão. Tudo porque esqueceram do básico: lucro não se mede pelo que entra, mas pelo que sobra. 

Outra situação marcante foi um e-commerce que prometeu demais e colheu caos. Uma loja de produtos eletrônicos lançou uma campanha de “Frete Grátis + 70% off” em 2024. O que aconteceu? O servidor caiu, pedidos duplicaram, teclados esgotaram, mas continuaram sendo vendidos. No Reclame Aqui, a empresa saltou de 4,1 para 2,3 em reputação em 12 dias e o SAC virou linha de guerra, com devoluções que custaram o triplo da economia oferecida ao cliente. Quatro meses depois, no ano seguinte, a empresa fechou duas unidades físicas para recompor o caixa. 

Quem ganha dinheiro real na Black Friday? Quem tem controle absoluto sobre margem líquida real, não “sentimento de margem”; curadoria de estoque (e não só estoque sobrando); experiência de entrega impecável; time treinado em pós-venda e recuperação de confiança; campanha com objetivo claro: lucratividade ou aquisição de novos clientes — nunca os dois ao mesmo tempo.

 Quem lucra é quem vende com consciência. Quem finge lucrar é quem vende com desespero. 

Do outro lado, temos o consumidor. Na teoria, ele está ganhando. Mas, na prática, muitas vezes está sendo vencido por estratégias psicológicas pensadas para desencadear impulso. Escassez, urgência, contagem regressiva, “só mais 4 unidades”, “última chance”. 

Tudo isso combinado com um boleto no dia 10 e uma falsa sensação de “merecimento”. A Black Friday explora a ansiedade financeira, o medo de ficar para trás e o prazer momentâneo da compra como fuga emocional. 

Resultado? Em geral, até 45 % dos brasileiros admitem já terem comprado pela internet por impulso e se arrependido depois e apenas 8 % compraram por impulso em promoções que realmente prezavam pela necessidade, o que indica que impulsividade existe, mas não domina os números. 

Importante trazer um último exemplo que com certeza alguém vai se identificar, que foi a armadilha das parcelas invisíveis. Na última Black Friday, um amigo decidiu aproveitar uma promoção “imperdível” de ar-condicionado, notebook e smartwatch em um determinado marketplace. Comprou tudo parcelado em 12 vezes no cartão de crédito e em março do ano seguinte, não conseguiu manter as parcelas e entrou no cheque especial. O que era “promoção” virou endividamento em três meses. 

Em resumo, a Black Friday pode ser um perigo para o varejista que acompanha a “onda” para fazer frente aos seus concorrentes. Portanto, cuidado, o que pode parecer uma oportunidade de crescimento, na verdade, pode ser um cenário de grandes prejuízos. 

 

Anderson Ozawa - CEO da AOzawa Consultoria, especialista em Prevenção de Perdas e Governança, consultor com mais de 40 programas de prevenção de perdas implantados com sucesso, palestrante, professor da FIA Business School e autor do livro “Pentágono de Perdas: Transformando Perdas em Lucros”


Setores de energia e educação são os mais visados em ataques contra backups corporativos

Ameaças cibernéticas quase dobram a chance de pagamento de resgate e elevam os custos de recuperação em até oito vezes, segundo análise da ISH Tecnologia 


Pesquisadores da ISH Tecnologia apontam que os backups se tornaram o novo alvo prioritário dos grupos de ransomware, ampliando de forma significativa os danos financeiros e operacionais às organizações. De acordo com o levantamento, 94% das empresas atingidas em 2024 relataram tentativas de comprometimento de cópias de segurança, índice que chega a 99% em setores governamentais e de mídia/entretenimento. 

Os ataques não apenas miram dados primários, mas buscam neutralizar a última linha de defesa das vítimas. A estratégia tem se mostrado altamente eficaz: 57% das tentativas de comprometimento funcionaram, alcançando 79% no setor de energia e 71% em educação.

“Esse movimento mostra uma mudança clara no campo de batalha digital. Ao inviabilizar a restauração, os criminosos ampliam a pressão pelo pagamento do resgate e aumentam drasticamente seus ganhos”, explica Hugo Santos, Diretor de Inteligência de Ameaças da ISH Tecnologia. 

O impacto financeiro acompanha a escalada: quando backups são comprometidos, a chance de pagamento quase dobra (67% contra 36%), o valor mediano de resgate sobe de US$ 1 milhão para US$ 2,3 milhões e os custos de recuperação podem ser oito vezes maiores. O caso da subsidiária da UnitedHealth Group ilustra essa realidade: US$ 872 milhões em perdas no primeiro trimestre de 2024, combinando custos diretos de resposta e perda de produtividade. 

Além do prejuízo imediato, especialistas alertam para riscos regulatórios e de reputação. Sem medidas de proteção, empresas ficam vulneráveis não apenas à paralisação das operações, mas também a sanções legais e danos à confiança do mercado. 

Para mitigar os riscos, a ISH recomenda que organizações adotem práticas como:

- Arquitetura de backup resiliente, baseada no modelo 3-2-1-1-0, com cópias imutáveis e isolamento lógico/físico.

- Controle de acesso rigoroso, com autenticação multifator e princípio do menor privilégio.

- Monitoramento contínuo, incluindo detecção de alterações em snapshots e exfiltração camuflada.

- Testes regulares de restauração, validados em ambientes isolados para garantir integridade.

“O cenário atual exige que backups sejam tratados como ativo estratégico, e não apenas como rotina operacional. A resiliência nesse ponto pode ser a diferença entre a continuidade ou a falência após um ataque”, conclui Santos.
  


ISH Tecnologia


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