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segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Novembro – mês de conscientização da DPOC: médicos alertam que uso do cigarro eletrônico pode antecipar diagnóstico da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, hoje mais comum em idosos

 

Unsplash

Considerando que 90% dos pacientes diagnosticados com DPOC são ou foram fumantes, pneumologistas acreditam que o vaper será a principal causa da doença no futuro; enfermidade respiratória não tem cura, mas pode ser controlada com terapias inovadoras


Entre 1989 e 2021, a taxa percentual de fumantes acima dos 18 anos de idade no Brasil sofreu uma queda relevante, passando de 34,8% para 9,1%, de acordo com dados da Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN) e do Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), respectivamente1. Simultaneamente a este expressivo resultado, o país registra um aumento da procura por dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), os famosos vapers, os cigarros eletrônicos, utilizados por 1 a cada 5 jovens entre 15 e 24 anos2. 

Em função dos efeitos da fumaça de cigarro nos pulmões, o tabagismo é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), uma enfermidade que atinge cerca de 210 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo em torno de 6 milhões apenas no Brasil3. A seguir, os pneumologistas Dr. Clystenes Odyr Soares, professor da UNIFESP, e Dr. José Roberto Megda Filho, avaliam as consequências dessa mudança de comportamento para a saúde dos brasileiros no futuro. 

O Brasil estava caminhando muito bem no controle do tabagismo e, infelizmente, o cigarro eletrônico veio de modo avassalador. Tudo o que se ganhou, certamente, estamos perdendo agora, porque o vaper é tão nocivo ou até mais do que o cigarro convencional. Não podemos deixar de mencionar que um fumante passivo pode desenvolver a doença na mesma intensidade de um fumante ativo: existem pessoas que nunca fumaram e adoecem pela exposição”, afirma Soares. 

Proibidos no Brasil desde 2009 pela Anvisa e alertados pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) pelo fato de não haver comprovação científica de que esses produtos sejam inofensivos à saúde, os cigarros eletrônicos poderão vir a ser a principal causa de DPOC segundo Megda, visto o contato precoce com a irritação causada pelos elementos químicos presentes4,5. "São substâncias que se modificam quando expostas a altas temperaturas e irritam as vias respiratórias, alterando o sistema imunológico do pulmão e aumentando o risco de infecções, o que, por sua vez, facilita a penetração de vírus e bactérias. Essas inflamações e irritações crônicas podem fazer danos irreversíveis nas paredes dos alvéolos, é um quadro muito semelhante ao enfisema ocasionado pelo cigarro comum", explica.
 

Novo perfil de pacientes

Atualmente, a DPOC é uma doença que se manifesta majoritariamente após os 40 anos de idade, sendo 90% dos casos em indivíduos com histórico de tabagismo6. A opinião de ambos os especialistas é unânime ao se discutir a possibilidade de mudança do perfil destes pacientes. “É fundamental considerar que o desenvolvimento total de um pulmão ocorre aos 25 anos. Considerando que adolescentes de 15 anos de idade têm contato com cigarros eletrônicos, é possível que tenhamos pacientes com casos DPOC aos 35, fugindo do estereótipo do idoso que fumou por décadas”, destaca Soares. 

Megda ressalta, ainda, que o fato de a fumaça ser menos irritativa que o cigarro comum, a presença das essências que dão diversos sabores faz com que se perca a consciência do quanto se está fumando. “A pessoa começa a fumar em ambientes inclusive fechados, em situação que não fuma o cigarro normal, como perto da família, em ambientes que com o cigarro normal seria criticado, como rodinha de trabalho, e começa a fumar mais. Ainda não é possível estabelecer em quanto tempo o vaper criará uma lesão no pulmão, mas é fato que as substâncias tóxicas podem sim causar injúrias respiratórias de alta gravidade”, conclui.
 

Sobre a DPOC

A DPOC está associada à exposição ao fumo, poluição e gases tóxicos, que provocam alterações progressivas na estrutura e função do pulmão, como o enfisema pulmonar e a bronquite crônica3. Entre os principais sintomas da DPOC, estão a dispneia: falta de ar aos esforços que pode progredir até para atividades simples do dia a dia, como tomar banho; e a tosse crônica: geralmente produtiva, com expectoração de muco ou catarro3. 

Apesar de não ter cura, a DPOC pode ser controlada. Através do exame de espirometria é possível fechar o diagnóstico e determinar a gravidade da doença, fatores chaves para a escolha terapêutica adequada. Existem tratamentos disponíveis no SUS6 que atuam para retardar a progressão da doença, controlando os sintomas e reduzindo as complicações. Em caso de sintomas, busque seu médico.

 


Referências:

Governo Federal: Dados e números do Tabagismo. Disponível em: Link. Acesso em outubro de 2023.
Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas não Transmissíveis em tempos de pandemia – Covitel. Disponível em: Link. Acesso em outubro de 2023.
Sociedade Paranaense de Tisiologia e Doenças Torácicas. Sociedade Paranaense de Tisiologia e Doenças Torácicas: Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. Disponível em: Link. Acessado em 10/07/2023.
Governo Federal, Anvisa. Disponível em: Link. Acesso em outubro de 2023.
Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Perguntas e respostas: vapes e outros cigarros eletrônicos. Disponível em: Link. Acesso em outubro de 2023.
Ministério da Saúde. PCDT Resumido. Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica: Portaria conjunta SAES/SCTIE/MS nº 19. de 16 de novembro de 2021. Disponível em: Link. Acesso em 12 de julho de 2023.
DRAUZIO VARELLA. Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Disponível em: Link. Acesso em junho de 2023.

Lapsos de memória em pacientes jovens: quais as causas?

O Dr. Custódio Michailowsky Ribeiro, neurologista do Hospital Albert Sabin, fala sobre esse distúrbio tão comum na vida cotidiana atribulada.

 

Os lapsos de memória são breves momentos em que uma pessoa esquece algo que normalmente se lembraria. Esses períodos de esquecimento são normais, contudo, mais recorrentes com o passar dos anos.

“Os lapsos podem ser positivos ou negativos, pois, as informações que armazenamos e não evocamos são esquecidas para que o cérebro abra mais espaço para novas memórias”, explica o Dr. Custódio Michailowsky Ribeiro, neurologista do Hospital Albert Sabin (HAS).

Contudo, a rotina mecânica e a quantidade de informações absorvidas no uso excessivo de redes sociais podem ser algumas das causas desses lapsos, sobretudo, em pessoas com 30 a 40 anos de idade, além de outros fatores como:

  • Uso de substâncias ilícitas;
  • Tabagismo;
  • Alcoolismo;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Falta de sono.

“É importante salientar que esses lapsos em pacientes dessa faixa etária, não tem ligação com doenças neurodegenerativas como Alzheimer, demência e outras”, adverte o neurologista do HAS.

O Dr. Ribeiro cita um estudo inicial que identifica 25 tipos de genes que podem desenvolver demência e Alzheimer, contudo, não há um fator genético diretamente ligado aos distúrbios de memória. “O importante é a epigenética, ou seja, mudanças na expressão gênica que podem ser herdadas e que não alteram a sequência do DNA”, diz. 

Resumindo, mudanças dos fatores de risco e ambiente podem evitar que a doença se desenvolva, pois, com hábitos saudáveis, os genes não se expressam.

Apesar da aparente normalidade, quando existe um desgaste mental e/ou esses lapsos de informações básicas do dia a dia afetem o bem-estar do paciente, deve-se procurar um profissional para identificar doenças como depressão, TOC, ansiedade ou insônia, descartando-se assim a possibilidade de doenças neurodegenerativas. Uma avaliação neurológica, com o apoio de exames de imagem como a ressonância magnética, também se faz necessária, pois, dessa forma o neurologista poderá identificar lesões estruturais que podem causar tais distúrbios.

“No mais, para evitar os lapsos, o melhor a se fazer é manter hábitos saudáveis, boa alimentação, como uma dieta rica em frutas vermelhas, e praticar atividades físicas. O sono também é fundamental, pois, pacientes que sofrem de insônia absorvem uma “tempestade” de informações durante a madrugada, geralmente em redes sociais, prejudicando o cérebro no armazenamento das informações necessárias para o dia a dia”, finaliza o Dr. Custódio. 

 

Hospital Albert Sabin - HAS
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UPA Zona Leste alerta para aumento de casos de pneumonia no litoral de Santos

De janeiro à outubro de 2023, houve um salto de 104 casos, em comparação com o mesmo período do ano anterior 

 

A pneumonia é uma doença respiratória provocada por diferentes agentes infecciosos, como bactérias, vírus e fungos, causando inflamação dos pulmões. Maior causa infecciosa de mortes em adultos e crianças, a doença pode ser adquirida pelo ar, saliva e secreções.

 

Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil registra mais de 600 mil internações por pneumonia anualmente. Não à toa, o alto índice de infecções também ocorre na região litorânea de Santos.

 

De acordo com a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h Zona Leste, localizada em Santos (SP), o atendimento de pacientes com pneumonia não especificada passou de 21 casos de janeiro a outubro de 2022, para 125 no mesmo período de 2023.

 

No Dia Mundial da Pneumonia (12/11), a UPA Zona Leste, pertencente à Prefeitura de Santos (SP) e gerenciada pela Pró-Saúde, alerta para a importância da conscientização sobre a doença.

 

“Neste período, a maioria dos casos que atendemos foram de Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC), ou seja, quando é desenvolvida fora do ambiente hospitalar”, explica Gisele Abud, diretora Técnica da unidade.

 

Gisele alerta, ainda, que “com necessidade de internação, ou não, é importante ressaltar que nesse caso, os pacientes precisaram fazer uso de antibióticos, sob prescrição médica”, completa a profissional.

 

O alerta e válido para o uso indiscriminado de antibióticos por conta própria. Isso porque, quando usado sem indicação profissional, há o risco de desenvolvimento de resistência bacteriana, dificultando o tratamento tanto em casos não especificados, quanto em casos onde a pneumonia é causada por uma bactéria.

 

Quais são as formas de prevenção?

 

Os principais tipos de penumonia são baseados no agente infecioso, sendo elas: viral, bacteriana, fúngica e adquirida no hospital, que geralmente expõe o paciente a diferentes tipos de bactérias que podem ser mais resistentes aos antibióticos.

 

“A prevenção dessa doença ocorre através de atitudes simples, como lavar as mãos, não fumar, não ingerir bebidas alcoólicas, evitar aglomerações de pessoas e manter a vacinação em dia”, destaca Gisele. 

A vacina pneumocócica 10 protege contra pneumonias e é oferecida gratuitamente no Sistema Único de Saúde para crianças com dois e quatro meses de idade, com reforço aos 10 meses. Já a vacina pneumocócica 23, também disponível no SUS, protege contra um número maior de pneumonias e é aplicada a partir dos cinco anos de idade, mediante prescrição médica.

 

Dia Mundial do Diabetes: casos podem aumentar em 75,8% até 2040; tecnologia auxilia pessoas que sofreram amputação devido à doença

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Diabetes pode causar feridas nas extremidades dos membros, principalmente os inferiores, o que pode resultar na necessidade de cirurgias de retirada de pés e pernas 


Pelo menos 62 milhões de pessoas no continente americano convivem com a diabetes. O número, de 2022, é da Organização Panamericana de Saúde (OPAS), mas pode ser ainda maior. Isso porque, de acordo com a instituição, muitas pessoas não sabem que têm a doença. Até 2040, os países da região devem ter, juntos, 109 milhões de diabéticos, aumento de 75,8%. No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, 13 milhões vivem com a doença, ou seja, 6,9% da população. O alto número de casos mostra a importância com os cuidados da saúde em geral para que a doença não evolua, além do fornecimento de tratamentos e tecnologias que sejam aliadas para quem sofre as consequências do diabetes. 

Segundo a médica fisiatra Andrea Thomaz Viana, o diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina pelo organismo, hormônio responsável pela entrada da glicose nas células do corpo. A doença pode se desenvolver de duas modos: o tipo 1, identificado principalmente na infância e adolescência, é causado por alteração genética que provoca a produção de insulina insuficiente. No tipo 2, o organismo começa a produção insulina com menor quantidade. Nas duas formas, o excesso de glicose, se não for tratado, pode resultar em problemas para o organismo. Comportamentos e outras doenças, como tabagismo e obesidade, podem agravar a situação. 

Uma das principais complicações da doença é a amputação de membros causada pelo pé diabético, uma condição em que ocorre o aparecimento de feridas, geralmente nas extremidades dos membros inferiores, pela alteração de sensibilidade nessas regiões, conforme explica a médica. "Nesses casos, percebe-se dificuldade de cicatrização nas feridas em decorrência da má oxigenação dos tecidos, o que aumenta o risco de infecções e de amputação dos membros", afirma Andrea. 

Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) mais da metade dos casos de amputações de membros no país feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) envolvem pessoas com diabetes, dentro de um universo de 282 mil cirurgias de retiradas de membros que ocorreram no Brasil entre janeiro de 2012 e maio de 2023.


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 Tecnologia como aliada para amputados 

Pessoas que sofreram amputações por diabetes necessitam do retorno às suas atividade e melhoria na autoestima, devido às mudanças causadas pela cirurgia. Por isso, o desenvolvimento de próteses com tecnologia adequada para dar independência e qualidade de vida, torna-se essencial. "Passar pelo procedimento de retirada de um membro é uma mudança de vida significativa para uma pessoa. Por isso, o equipamento precisa atender a uma pessoa de maneira que possa colocá-la, da melhor forma possível, de volta a sua rotina familiar, de trabalho, esportes e lazer", explica o diretor de academy da Ottobock na América Latina, Thomas Pfleghar. A empresa trabalha na pesquisa e desenvolvimento de tecnologias voltadas para melhorar a mobilidade de pessoas com deficiência. 

A Ottobock avalia que entre 30% e 40% das pessoas atendidas pela empresa tenham passado por amputação de membros inferiores em decorrência do diabetes. A prótese utilizada por uma pessoa que passa pelo procedimento depende do tipo da amputação que ela sofre, conforme explica Pfleghar. São dois níveis de cirurgias dos membros inferiores: transtibial (quando é retirada parte da perna abaixo do joelho) ou transfemoral (para as amputações acima do do joelho).

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A importância do cuidado pós-amputação 

Na opinião do diretor de academy da empresa, a chegada da pessoa para fazer a protetização, ou seja, utilizar o equipamento, é só o primeiro passo depois do atendimento médico e da cirurgia. "É importante que a pessoa passe por sessões de fisioterapia, terapia ocupacional e demais acompanhamentos para se adaptar ao uso da prótese. Sem o olhar sensível de uma equipe multidisciplinar, a tecnologia sozinha e o paciente, mesmo com sua determinação, não conseguem superar possíveis dificuldades", afirma. A Ottobock, por exemplo, possui uma rede de clínicas no Brasil que realiza esse tipo de acompanhamento aos usuários. 

A médica fisiatra alerta ainda para a necessidade de atenção dos pacientes diabéticos para a vigilância sobre a doença mesmo após a amputação de um membro. Um dos fatores que deve ser considerados é a estabilização do paciente. "A pessoa precisa entender a importância do controle da glicemia e como as medicações devem ser usadas para a continuidade do tratamento", diz. 

A especialista ainda aponta que a pessoa precisa fortalecer os cuidados com o membro residual (a parte que ainda resta da perna, por exemplo, após a cirurgia) e de outros membros do corpo, para que novas feridas não apareçam. "É fundamental evitar que outros eventos como esse aconteçam, pois podem resultar em novas infecções. Afinal, já que o diabetes não tem cura, a pessoa permanece com a doença", alerta. A médica indica que os pacientes devem olhar diariamente os membros e usar calçados e palmilhas adequados (que permitam a distribuição mais uniforme das pressões e prevenção de surgimento de novas feridas).

 

Ottobock


Diabetes e saúde mental: os desafios invisíveis das doenças crônicas

Pessoas com diabetes chegam a tomar 180 decisões por dia para o seu tratamento. Em meio ao Dia Mundial do Diabetes, é essencial falar sobre a saúde emocional dos pacientes.

 

Muitos sabem que o diabetes é uma doença crônica que afeta milhões de brasileiros, é caracterizada pelo excesso de açúcar na corrente sanguínea e ocorre devido a uma produção insuficiente ou pelo mau funcionamento da insulina. Mas você sabia que o paciente com diabetes chega a tomar 180 decisões por dia relacionadas à condição? Seja sobre medicação, alimentação, hora de dormir, quantidade de insulina para injetar, entre todas as outras decisões que uma pessoa precisa tomar normalmente. É com essa reflexão que o Dr. Fabiano Moulin, especialista em Neurologia Cognitiva e do Comportamento e membro titular da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), convida as pessoas, com diabetes e sem, a refletir sobre um dos aspectos mais negligenciados das doenças crônicas: a saúde mental. 

“É importante entender que toda decisão humana é tanto racional quanto emocional, e esse é um dos vários motivos pelos quais o diabetes pode ter um peso e uma sobrecarga emocional que vai ter impacto no cuidado e na evolução da doença”, afirma o Dr. Moulin. Estudos mostram que pessoas com diabetes têm duas vezes mais chance que a população geral de sofrer depressão. Segundo o neurologista, a saúde mental inade uada pode prejudicar os níveis de hemoglobina glicada e de glicemia dos pacientes. De acordo q com um estudo australiano de 2021, 8 em cada 10 pessoas com diabetes dizem se sentir julgadas, culpadas, envergonhadas ou tratadas de forma diferente por conta da condição. 

O momento de descoberta é um dos mais importantes na jornada das pessoas com diabetes, como narra o jornalista Tom Bueno, idealizador do canal Um Diabético. “Com 22 anos de idade, quando eu fui diagnosticado com diabetes tipo 1, eu achei que eu não ia ter mais minha carreira e que meus dias estavam contados”. Tom lembra das diferentes “fases do luto” que enfrentou na época. “Primeiro, começou pelo medo. Depois com a revolta, e em seguida, a negligência. E depois a busca pelo conhecimento e entender que, na verdade, eu poderia ter uma vida saudável, mesmo tendo diabetes”. 

Para o Dr. Fabiano Moulin, encarar e entender as próprias emoções é fundamental para o autoconhecimento e equilíbrio das pessoas com doenças crônicas. “A raiva, o medo, a ansiedade tem motivos para existir, sobretudo no caso de um diagnóstico de diabetes. Mas não há motivo para essas emoções permanecerem e ‘sequestrarem’ a vida dos pacientes. A validação e o reconhecimento das emoções é o primeiro passo para o gerenciamento da saúde mental e, consequentemente, da condição”, explica o neurologista. O médico destaca a importância de contar tanto com o apoio de uma equipe multiprofissional, com apoio psicológico inclusive, quanto com apoio da comunidade, familiares e amigos. 

Tom Bueno, que trabalhou durante 15 anos como repórter e apresentador de TV e se destacou à frente de grandes emissoras, diz que já foi alvo de discriminação. “Eu fui demitido três meses depois do meu diagnóstico. Eu era repórter na época, e me tiraram da rua por conta do diabetes. Uma situação desagradável, mas que me deu forças para mostrar do que eu sou capaz. É claro que existem algumas limitações, mas eu preciso ter essa responsabilidade, e não deixar os outros dizerem o que eu posso ou não fazer”. 

Com o passar dos anos, Tom foi se adaptando à rotina de autocuidado. “O dia a dia é de medições de glicose, de glicemia, de atividade física e de tomadas de decisões, para vários aspectos”. Atualmente, o tratamento do diabetes pode consistir tanto no uso de medicamentos e dispositivos médicos, quanto por meio de uma rotina balanceada e saudável. E o aspecto emocional tem entrado cada vez mais em pauta, segundo o Dr. Moulin. “As emoções são tão importantes hoje que, felizmente, nos estudos científicos, é tão importante considerar a hemoglobina glicada quanto o que a gente chama de ‘desfecho relacionado ao paciente’, ou seja, a sua satisfação, qualidade de vida e bem-estar.” 

Além disso, o neurologista Fabiano Moulin corrobora a importância do acesso à informação de qualidade. “Informação e conhecimento são essenciais para reduzir as incertezas e a ansiedade, que impactam na autonomia e liberdade dos pacientes”.

Com o objetivo de ampliar o acesso à informação de qualidade, promovendo mais alívio e qualidade de vida para as pessoas com a condição, a Roche criou o portal Tipo Você, que disponibiliza conteúdos informativos de acordo com o tipo de diabetes e o momento da jornada de cada um.

Em linha com a campanha do Dia Mundial do Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF) deste ano, que ressalta importância da saúde mental para as pessoas com a condição, a Roche promoveu um evento em seu escritório na zona sul de São Paulo, no dia 31 de outubro, onde pacientes, médicos e especialistas falaram sobre os desafios visíveis e invisíveis do diabetes. “Nossa missão é trabalhar para levar mais alívio e qualidade de vida para as pessoas com diabetes, tanto pelo desenvolvimento de tecnologias inovadoras quanto ao fomentar o acesso à educação e informação de qualidade sobre a condição”, afirma Ana Tuñón, presidente da Roche Diabetes Care Brasil. “Falar de saúde mental é falar sobre o bem-estar das pessoas com diabetes e suas redes de apoio, sendo realista sobre os seus desafios, mas otimista sobre o seu futuro”, completa a executiva. Com o objetivo de a


Gestantes que precisam viajar para o parto enfrentam um risco maior de mortalidade infantil

Mães do Norte e Nordeste possuem maior risco de mortalidade ao terem que viajar longas distâncias em comparação às mães do Sul e Sudeste, que possuem mais acesso a polos hospitalares e melhores condições socioeconômicas

 

Diariamente inúmeras gestantes precisam viajar para realizar consultas médicas, exames e até para o parto. Essas viagens, que muitas vezes são voltadas para prevenir e cuidar da saúde da gestante e do bebê, podem ter um impacto mais grave do que se imagina. Uma pesquisa do Centro de Estudos Empíricos em Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV CEEE) constatou uma chance maior de mortalidade, ao analisar o impacto que viagens para o parto podem ter em desfechos de saúde nos bebês recém-nascidos. O estudo também alerta para a necessidade de criar políticas públicas que venham a melhorar esta situação. 

A pesquisa constatou que 31% das mães do Brasil viajam uma média de 59 km para realizarem o parto. Devido a esses trajetos, a probabilidade de mortalidade é 0,5 ponto percentual maior para crianças cujas mães viajaram para dar à luz. A pesquisa também demonstra que distância percorrida pelas mães vem aumentando nos últimos anos, ao comparar o período de 2006 a 2017, conforme demonstra o gráfico abaixo:



Além disso, a probabilidade de mortalidade é cerca de 2 pontos percentuais maior para crianças cujas mães percorreram mais de 100 km, quando comparadas com aquelas que viajaram não mais que 50 km. De acordo com o levantamento, o mais preocupante nesta situação, é que esse risco aumenta progressivamente. Estima-se que, entre as mães que viajaram para o parto, a cada 10 km adicionais de deslocamento, há um incremento na taxa de mortalidade em torno de 0,10 mortes por mil nascidos vivos.  

Para encontrar esses resultados, o projeto utilizou diversas bases de dados administrativas de saúde do Brasil juntamente com modelos de regressão para dados de painel, com o objetivo de investigar o efeito da distância percorrida para o parto sobre a mortalidade infantil.  

 

Barreiras de acesso

O coordenador do FGV CEEE Valdemar Pinho Neto, quem liderou o estudo, contextualiza que cerca de 30% do total dos nascimentos no Brasil acabam acontecendo em municípios diferente do município da mãe. “Esses dados ilustram um problema de saúde pública, tendo em vista que algumas mortes ocorridas devido aos longos trajetos poderiam ter sido evitadas”.  

Ainda que a disponibilidade de estabelecimentos de saúde do SUS, adequada para atenção perinatal, tenha melhorado entre 2007 e 2021, Pinho Neto é categórico ao afirmar que o Sistema Único de Saúde tem como princípio ofertar um serviço igualitário, porém a geografia do país dificulta que o acesso aos serviços de parto ocorra de maneira equitativa.  

“Não há hospitais disponíveis em uma localização próxima dessas mães, que acabam tendo menos condições de acesso em relação a outras. Além disso, nossa pesquisa constatou duas questões relevantes, a primeira é que os nascimentos têm acontecido cada vez mais em estabelecimentos do SUS com maior capacidade tecnológica e infraestrutura, e a segunda é que distância para esses estabelecimentos de saúde é muito maior do que a distância para os demais estabelecimentos. Então, o desafio do SUS não é somente garantir que as mães acessem aos serviços de saúde, mas que esses serviços tenham os recursos necessários para brindar uma atenção de qualidade”.

 

Desigualdade entre as regiões do Brasil

De acordo com o pesquisador, essa questão relacionada ao deslocamento das mães é ainda mais crítica se forem observadas as desigualdades por regiões, visto que a frequência de mães que precisam sair de seus municípios, devido ao parto, é ainda maior no Nordeste do país. Em Pernambuco, por exemplo, cerca de metade das mães do Estado costumam sair da cidade onde moram e parir em outra cidade.  

No Norte embora o deslocamento seja menos frequente, é necessário olhar a situação tendo em vista que os estados nortistas costumam ter grandes municípios, e como o próprio Pinho Neto alerta, a distância percorrida chega a ser absurdamente alta.  

“Se uma mãe mora a cerca de 150 km de um hospital, ela e o gestor de saúde local precisam decidir se realizam o parto no município com as condições mais básicas que possuem, ou tomam a decisão de viajar, algo que pode também trazer consequências não só sobre o nascimento da criança, mas também para a saúde materna. Esses padrões demonstram uma complexidade inerente que nos exige olhar para todas as dimensões”.  

Por outro lado, as viagens para o parto costumam ter trajetos menores para as gestantes do Sul e Sudeste, que contam com uma rede, em geral, mais estruturada e com direcionamentos dentro das microrregiões de saúde estabelecidas, que recebem pacientes dos municípios arredores.  

“Nessas duas regiões, as redes hospitalares de maternidade estão melhor distribuídas e as pessoas não costumam viajar tanto”, disse o professor ao complementar que esta é uma reflexão importante, visto que a estrutura do SUS foi criada para atender a todos os brasileiros de forma igualitária, mas que a distância geográfica é um dos fatores que impedem este ideal de ser concretizado por completo.  

O estudo demonstrou também que a proximidade dos estabelecimentos do SUS com melhor infraestrutura reduz a mortalidade infantil em gestações de alto risco, mesmo depois de isolar efeitos de outros fatores de risco e sociodemográficos. Pinho Neto acredita que a relação entre as distancias percorridas pelas mães e a mortalidade infantil, no Brasil, é complexa, mas pesquisas como esta podem alertar e orientar a criação de políticas públicas.

 

Risco adicional

“Se por um lado, viajar 50 km geralmente não é o suficiente para se deslocar até outro município no Norte, do outro, há polos hospitalares que permitem que mães tenham um melhor acesso em determinadas regiões. É preciso que gestores públicos levem esses dados em consideração na hora de tomar suas decisões e repensar políticas para diminuir mortes infantis que poderiam ser evitadas”.  

Dados recentes sobre a mortalidade infantil demonstram que a maior parcela das mortes ocorre até um ano de vida, configurando cerca de 11 mortos, por 1000 nascidos vivos. “A maioria dessas mortes acontecem nos primeiros dias de vida e por causas evitáveis”, destacou Pinho Neto. 

O professor também comenta que os longos trajetos realizados pelas gestantes costumam ser acompanhados de situações de estresse, esperas e filas, na busca pelo tratamento adequado. Este fator faz do próprio deslocamento um risco adicional, mesmo em gestações e partos que, a princípio, possam ser de baixo risco.  

“Em nossas conversas com gestores de saúde e mães que precisaram se deslocar, já ouvimos diversos tipos de relatos. Algumas mães, por exemplo, viajam na véspera do parto para outro município, outras se hospedam em casa de amigos ou conhecidos, e além dessas condições, algumas ainda costumam esperar começar as contrações para iniciar a viagem”, detalhou Pinho Neto.

 

Desigualdades socioeconômicas

Além da desigualdade geográfica, a pesquisa também analisou o padrão socioeconômico das mães que realizam esses percursos para hospitais em outros municípios. O estudo constatou que em lugares com maior grau de desenvolvimento humano, melhores condições de vida e acesso à educação, as mães viajam distâncias relativamente menores.  

Já se a mães residirem em municípios mais pobres, e com menores níveis de educação, as distâncias percorridas são, em geral, maiores. Na perspectiva do pesquisador, melhorar condições de acesso a hospitais nas regiões em que se encontram as populações em maior vulnerabilidade seria uma medida para tentar alcançar o ideal de equidade do SUS.  

A pesquisa reforça que as mães das regiões que já sofrem com condições socioeconômicas mais precárias, precisam enfrentar também os fatores adversos impostos pelas distâncias percorridas até a maternidade, aumentando os potenciais efeitos negativos dos deslocamentos sobre a saúde materna e da criança.  

Há municípios como Itaeté, na Bahia, com R 224 reais de renda per capita, na qual a distância média para serviços de parto é 57 km. Já em Minas Gerais, por exemplo, há municípios como Botelhos, que possui renda per capita de R 630, onde as gestantes precisam percorrer cerca de 35 km para o parto. Ambos os municípios contam com população perto dos 15 mil habitantes. 

“Os municípios nos quais as gestantes costumam se deslocar mais para o hospital do parto são aqueles com os piores contextos socioeconômicos, ou seja, a distância que elas percorrem reforça ainda mais as desigualdades em nosso país, presentes também de forma evidente no acesso à saúde”, declarou Pinho Neto. Para ele, este ponto é relevante pois apesar de este projeto analisar o papel das distâncias, não é um fator isolado que vai afetar a chance de mortalidade infantil.  

“Os quilômetros percorridos possuem sim influência, mas todas as outras questões socioeconômicas, demográficas, entre outras, precisam ser consideradas de forma conjunta. Se você não melhora as condições de acesso aos hospitais, você piora a qualidade de vida dessas pessoas que já estão vulneráveis”.

 

Distância dos equipamentos

Uma parte deste projeto também se dedicou a olhar não somente a distância percorrida por mulheres para os hospitais, mas também as condições desses hospitais, no que diz respeito a leito de UTI, profissional da saúde especializado, equipamentos médicos, entre outros atributos dos hospitais que sejam relevantes para o atendimento materno e neonatal. Foi constatado que quanto mais distante a gestante de risco estiver de um nível de atendimento necessário, maior é a chance de seu bebê vir a óbito.  

No Nordeste e no Norte essas distâncias também costumam ser muito maiores em comparação com as outras regiões. As gestantes nordestinas, em média, moram a 45 km de distância dos equipamentos necessários nos atendimentos perinatais intermediários, como ultrassom. No Norte esta distância média chega a 73 km. Para alguns itens como leito de UTI neonatal essas distâncias costumam ser ainda maiores.  

Em alguns casos, Pinho Neto afirma que a distância para equipamentos específicos pode ser tão grande, que até desincentive a demanda, por ser praticamente inacessível. “Se uma gestante está a 500 km de distância de um equipamento ou serviço, é provável que ela não vá ser atendida naquele local, seja por não conhecer ninguém na região, ou por não ter os devidos meios de chegar até lá em tempo hábil e de forma segura”.  

Além disso, a parcela de gestantes que viajam até outro município para realizar o parto se agrava quando elas ou os bebês apresentam fatores de risco, pois todos esses efeitos somados podem potencializar o risco de mortalidade. “Se a gestante tem uma determinada condição que precisa de um tratamento específico e para este tratamento ela precisa de um equipamento que esteja muito distante, entra em jogo a intenção de tratar a condição em primeiro lugar, somada pela disponibilidade do equipamento próximo”, concluiu. 

Este e outros resultados da pesquisa foram apresentados em um evento que ocorreu em em Brasília, com a presença de representantes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Bill e Melinda Gates, financiadores deste estudo.

 

Neuropediatra explica os obstáculos que acompanham pessoas com DMD, doença rara e degenerativa que afeta meninos
 

Desde a virada do século, a distrofia muscular de Duchenne (DMD), tem apresentado diversos avanços em relação a protocolos de manejo da doença, bem como na redução da jornada do diagnóstico, proporcionando aos pacientes maior longevidade e mais qualidade de vida. Apesar disso, ainda há desafios enfrentados pela comunidade de DMD. “Na década de 1980, a expectativa de vida de um menino com Duchenne não passava de 20 anos, hoje temos pacientes de 30 e, até mesmo, 40 anos. Essa maior expectativa de vida gera novos obstáculos, como a necessidade de médicos capacitados para atender esse grupo de pacientes que, na fase adulta, demandam cuidados diferentes”, explica a neuropediatra Alexandra Prufer, professora da Faculdade de Medicina da UFRJ, que coordenou a atualização das recomendações do consenso brasileiro para distrofia muscular de Duchenne, junto com outros 15 médicos.

A DMD é uma doença rara que afeta meninos e causa enfraquecimento e degeneração muscular devido à falta da proteína distrofina, resultando em dificuldade motoras para caminhar, pular e se levantar, por exemplo.[1] No que se refere aos cuidados com a DMD, a abordagem terapêutica varia conforme a fase da doença.[2],[3]A neuropediatra explica que é essencial desde o início um acompanhamento fisioterapêutico voltado para questões motoras, com foco na prevenção de deformidades articulares do tornozelo por meio de órteses e alongamento. Isso desacelera a progressão dessas deformidades, frequentemente associadas à perda da capacidade de locomoção. Além disso, o paciente requer uma equipe multidisciplinar, incluindo cardiologistas, ortopedistas, pneumologistas e outros especialistas, para cuidados com o coração, ossos e sistema respiratório.2

Essas abordagens têm sido fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes com DMD, permitindo que alcancem níveis educacionais e desfrutem de uma vida social. “Nesse novo cenário de pacientes adultos, enfrentamos o desafio de encontrar médicos, especialmente cardiologistas, pneumologistas e fisioterapeutas respiratórios, que estejam familiarizados com a doença e possam determinar o melhor tratamento. No mais, é crucial preparar tanto o jovem que está entrando na fase adulta quanto sua família para lidar com um paciente que exigirá cuidados contínuos devido à natureza progressiva da doença, enquanto os pais também estão envelhecendo”, afirma a especialista.

Outro ponto de atenção em relação a DMD é o diagnóstico que, de acordo com a neuropediatra, no Brasil leva em média oito anos, o que causa sérios impactos na qualidade de vida da criança, já que muitas vezes é diagnosticada em um estágio avançado da doença. Além disso, a médica ressalta que há implicações no planejamento familiar. Casais portadores da mutação genética têm dificuldade em realizar aconselhamento genético antes de ter outros filhos, aumentando a possibilidade de terem outros casos na família.

A fim de suprir as antigas e novas demandas da comunidade de Duchenne, médicos reuniram, no novo consenso brasileiro para a DMD, as principais atualizações em relação a compreensão e manejo da doença, criando assim um padrão de atendimento. Prufer conta sobre algumas das mudanças. “Devido ao aumento nos pedidos de testes genéticos para DMD, a recomendação é que os médicos conheçam os testes mais apropriados, saibam interpretar os resultados, forneçam aconselhamento pós-teste adequado e, se necessário, recorram a um médico geneticista ou especialista em doenças neuromusculares. Já no âmbito do cuidado cardiológico, era definido iniciar a cardioproteção desde a primeira consulta se o paciente tiver menos de 10 anos de idade. No entanto, novos estudos sugerem que poderia ser benéfico ainda mais cedo ou a qualquer momento se os testes forem anormais”.

Alexandra Prufer destaca a importância da conscientização sobre a doença e chama a atenção para a necessidade de investigar atrasos no desenvolvimento, como na fala, que podem ser erroneamente associados ao autismo. Ela propõe o uso da caderneta de saúde infantil como uma ferramenta valiosa para identificar precocemente sinais de atraso no desenvolvimento, permitindo encaminhamentos adequados. “Esta seria uma forma de realizarmos um encaminhamento mais precoce, pois em uma consulta de rotina, o médico, ao perceber algum atraso no desenvolvimento, já poderia solicitar um simples exame de CPK, enzima que quando elevada sugere uma doença muscular, ajudando assim na indicação do encaminhamento especializado”, explica ela, reforçando que, para se conquistar mais avanços nos cuidados com pessoas com DMD, é necessário aumentar o nível de conscientização dos pais, bem como de capacitação de profissionais da saúde, para que possam oferecer cuidado personalizado em todas as fases da doença.



Sobre a distrofia muscular de Duchenne1,[4],[5]

Afetando os meninos, a distrofia muscular de Duchenne (DMD) é uma doença genética rara e fatal que resulta em fraqueza muscular progressiva desde a primeira infância e leva à morte prematura na casa dos vinte anos, devido à insuficiência cardíaca e respiratória, quando não tratada. É um distúrbio muscular progressivo causado pela falta da proteína funcional distrofina. Ela é fundamental para a estabilidade estrutural de todos os músculos, incluindo os esqueléticos, diafragma e coração. Em fases avançadas da doença, as pessoas com DMD passam a necessitar de ajuda para realizar as atividades de vida diária. Em todos os casos a força muscular piora ao longo do tempo, mas a velocidade desta piora varia caso a caso. Em média, cerca de 90% dos meninos estarão na cadeira de rodas por volta dos 15 anos. Para obter informações adicionais sobre a doença e conhecer histórias de meninos com Duchenne, visite o hub Movimento Duchenne.


Referências

[1] Flanigan KM. Duchenne and Becker muscular dystrophies. Neurol Clin 2014; 32: 671–688
[2] Bushby K, Finkel R, Birnkrant DJ, Case LE, Clemens PR, Cripe L, et al.; DMD Care Considerations Working Group. Diagnosis and management of Duchenne muscular dystrophy, part 1: diagnosis, and pharmacological and psychosocial management. Lancet Neurol. 2010 Jan;9(1):77-93.
[3] Moreira ASS, Araújo APQC. Não reconhecimento dos sintomas iniciais na atenção primária e a demora no diagnóstico da distrofia muscular de Duchenne. Rev Bras Neurol. 2009 Jul-Set;45(3):39-43.
[4] Birnkrant DJ, Bushby K, Bann CM, Apkon SD, Blackwell A, Brumbaugh D, Case LE, Clemens PR, Hadjiyannakis S, Pandya S, Street N, Tomezsko J, Wagner KR, Ward LM, Weber DR; DMD Care Considerations Working Group. Diagnosis and management of Duchenne muscular dystrophy, part 1: diagnosis, and neuromuscular, rehabilitation, endocrine, and gastrointestinal and nutritional management. Lancet Neurol 2018;17(3):251-267.
[5] Araujo APQC, Carvalho AAS, Cavalcanti EBU, Saute JAM, Carvalho E, França MC Junior, Martinez ARM, Navarro MMM, Nucci A, Resende MBD, Gonçalves MVM, Gurgel-Giannetti J, Scola RH, Sobreira CFDR, Reed UC, Zanoteli E. Brazilian consensus on Duchenne muscular dystrophy. Part 1: diagnosis, steroid therapy and perspectives. Arq Neuropsiquiatr 2017;75(8):104-113.

 

Número de dias com ondas de calor passou de 7 para 52 em 30 anos

Dados fazem parte do estudo do Inpe que analisou dados climáticos dos últimos 60 anos, a pedido do MCTI 

Fonte: Inpe Anomalia WSDI (onda de calor) é um dos indicadores de extremos climáticos observados nos últimos 60 anos. No período referência, entre 1961 e 1990, o número de dias com ondas de calor (WSDI) era de sete e ampliou para 52 dias no período entre 2011 e 2020


Como o clima está mudando no Brasil? Para responder a essa pergunta, os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) avaliaram os dados sobre as mudanças do clima observadas no Brasil nos últimos 60 anos. O estudo permite reconhecer as tendências nas séries de precipitação, temperatura máxima e mais três índices derivados que são considerados extremos climáticos: dias consecutivos secos (CDD), precipitação máxima em 5 dias (RX5day) e ondas de calor (WSDI). 

O estudo foi realizado a pedido do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para subsidiar as discussões para a atualização do Plano Clima - Adaptação. De acordo com os especialistas, conhecer as mudanças climáticas é fundamental para caracterizar a ameaça e, por consequência, analisar os possíveis impactos, vulnerabilidades e adaptação. Os dados corroboram com o exercício executado para a Quarta Comunicação Nacional do Brasil à Convenção do Clima

Os cálculos foram efetuados para todo o território brasileiro e consideraram o período de 1961 a 2020. Os especialistas estabeleceram 1961 a 1990 como período de referência, e efetuaram análises segmentadas sobre o que aconteceu com o clima para três períodos: 1991-2000, 2001-2010 e 2011-2020. 

Entre 1991 e 2000, as anomalias positivas de temperatura máxima não passavam de cerca de 1,5°C. Porém, atingiram 3°C em alguns locais para o período de 2011 a 2020, especialmente na região Nordeste e proximidades. No período de referência, a média de temperatura máxima no Nordeste era de 30,7°C e sobe, gradualmente, para 31,2°C em 1991-2000, 31,6°C em 2001-2010 e 32,2°C em 2011-2020. 

As anomalias de precipitação acumulada também são observadas nos três períodos avaliados, contudo destacam-se duas regiões contrastantes entre 2011 e 2020. Enquanto houve queda na taxa média de precipitação, com variações entre –10% e –40% do Nordeste até o Sudeste e na região central do Brasil, foi observado aumento entre 10% e 30% na área que abrange os estados da região Sul e parte dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
 

Extremos climáticos

O aumento e a redução nos índices de precipitação repercutem na ocorrência de extremos climáticos que são estabelecidos por dois indicadores: dias consecutivos secos (CDD) e pela precipitação máxima em 5 dias (RX5day). 

No período de referência, entre 1961 e 1990, os valores de CDD eram, em média, de 80 a 85 dias. O número subiu para cerca de 100 dias para o período de 2011 a 2020 nas áreas que abrangem o norte do Nordeste e o centro do país. 

Os mapas demonstram que a região Sul vem sendo a mais afetada pelas chuvas extremas ao longo das últimas décadas. No período de referência, a precipitação máxima em cinco dias era de cerca de 140 mm. O número subiu para uma média de 160mm.
 

Ondas de calor (WSDI)

Os dados indicam que houve aumento gradual das anomalias de ondas de calor ao longo dos períodos analisados e para praticamente todo o Brasil. Exclui-se a região Sul, a metade sul do estado de São Paulo e o sul do Mato Grosso do Sul. No período de referência, o número de dias com ondas de calor não ultrapassava sete. Para o período de 1991 a 2000 subiu para 20 dias; entre 2001 e 2010 atingiu 40 dias; e de 2011 a 2020, o número de dias com ondas de calor chegou a 52 dias. 

“Essas informações são a fonte que podemos reportar como fidedignas daquilo que está sendo sentido no dia a dia da sociedade. Estamos deixando de perceber para conhecer. Esse é um diferencial de termos essa fonte de dados robusta”, afirmou o diretor do Departamento para o Clima e Sustentabilidade do MCTI, Osvaldo Moraes. “São dados relevantes para fazer a ciência climática dar suporte à tomada de decisão. Estamos deixando a percepção de lado para aprofundar o conhecimento”, complementou.
 

Para o estudo, foram considerados dados observacionais de 1.252 estações meteorológicas convencionais, sendo 642 estações manuais e 610 automáticas para construir as séries de temperatura máxima, e um total de 11.473 pluviômetros para os dados de precipitação.
 

A partir dessas informações críticas foram analisados três extremos climáticos. O número de dias consecutivos secos (CDD) foi calculado estimando-se o número de dias seguidos com precipitação inferior a 1mm. O RX5day registra a maior quantidade de precipitação em 5 dias. O WSDI representa a soma de dias de ondas de calor no ano. Caracteriza-se como onda de calor o mínimo 6 dias consecutivos em que a temperatura máxima superou um limiar de ao menos 10% do que é considerado extremo, comparado ao período de referência.
 

Os pesquisadores destacam a importância de observar o conjunto das informações e não apenas indicadores isolados. De acordo com os dados, o clima já está mudando e afeta o país de múltiplas formas, dado que o Brasil tem dimensões continentais. Enquanto em algumas regiões há aumento de temperatura, em outras observa-se aumento da precipitação ou ocorrência de seca.
 

“O mais recente relatório do IPCC destacou que as mudanças climáticas estão impactando diversas regiões do mundo de maneiras distintas. Nossas análises revelam claramente que o Brasil já experimenta essas transformações, evidenciadas pelo aumento na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos em várias regiões desde 1961 e irão se agravar nas próximas décadas proporcionalmente ao aquecimento global”, ressaltou o pesquisador do Inpe Lincoln Alves, que coordenou os estudos.

 

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)
Esplanada dos Ministérios - Bloco E, 4º andar/sala 446
CEP 70067-900 - Brasília/DF


Inteligência artificial pode ser maior aliada dos professores brasileiros


Nos últimos meses, a Inteligência Artificial (IA) tem se estabelecido como uma ferramenta valiosa na área da educação. Nos Estados Unidos, por exemplo, dados recentes da Walton Family Foundation indicam que cerca de 50% dos professores já estão utilizando IA, incluindo soluções como o ChatGPT, em suas práticas de ensino. Esse número é maior do que o percentual de alunos usando a ferramenta, por exemplo. Mas o que isso significa para os professores brasileiros? E como as ferramentas de IA podem não apenas melhorar o ensino, mas também permitir que os educadores no Brasil liderem uma verdadeira transformação educacional?

O Brasil tem uma oportunidade gigante de aproveitar a IA para revolucionar a nossa educação. Nossos educadores estão sobrecarregados. Os docentes brasileiros têm em média o dobro de estudantes que seus colegas de profissão nos Estados Unidos e Japão, revela pesquisa recente realizada em parceria entre a FCC (Fundação Carlos Chagas), a D3e (Associação Dados para Um Debate Democrático na Educação) e o Itaú Social. Além disso, metade do tempo dos professores é gasto fora da sala de aula, seja corrigindo tarefas, preparando aulas, ou criando materiais didáticos.

Outra pesquisa dos mesmos institutos mostra que 20% dos docentes que lecionam para as séries iniciais trabalham em mais de uma escola ao mesmo tempo. No Japão por exemplo, este número é de apenas 1,7%. Combinando a baixa remuneração, a necessidade de lecionar em mais de uma escola simultaneamente e o grande número de estudantes por professor, falta tempo para a preparação pedagógica. A IA pode ser a chave para dobrar o tempo dos professores, permitindo que eles se concentrem mais na interação direta com os alunos e no desenvolvimento de habilidades de vida.

Enquanto os professores dos EUA usam ferramentas de IA como o ChatGPT, há uma notável diferença que merece destaque: no Brasil, temos nossas próprias ferramentas de IA de ponta, que oferecem soluções especializadas que não são meras aplicações diretas do ChatGPT, mas construídas com o ensino em mente. Elas têm a capacidade de auxiliar os professores em tarefas como correção de provas, preparação de aulas completas em poucos cliques e personalização do ensino para atender às necessidades de cada aluno. A primeira solução de IA para professores nasceu no Brasil - e podemos liderar essa revolução com soluções customizadas para a realidade dos nossos professores.

A própria estrutura do ensino precisa mudar com IA. Diversas preocupações legítimas surgem com IA na educação - como “cola” dentro de sala de aula, tempo de computador, e como se adaptar às habilidades do futuro. A reação inicial de Nova York foi proibir o uso do ChatGPT em sala de aula. Mas, poucos meses depois, essa decisão foi substituída por iniciativas de trazer IA para a sala de aula. Uma lição importante surge aqui: a solução não é travar inovação, mas sim garantir que uma nova educação surja com professores usando IA, alunos usando IA (nos momentos corretos, com responsabilidade), e portanto projetos e materiais que sejam atualizados com novas metodologias. 

A revolução da IA na educação é uma realidade global e traz várias dúvidas, mas os professores brasileiros têm a oportunidade de liderar esse movimento. Nossas dores e dificuldades são maiores e reais - e nossos professores, mais criativos e inovadores. Diversas empresas brasileiras já trouxeram inteligência artificial a níveis melhores do que ChatGPT à realidade nacional - a Teachy é uma delas. Essas ferramentas têm a capacidade de auxiliar os professores em todas as tarefas que “tiram” metade de seu tempo fora de sala de aula, onde eles trazem seu maior impacto. Apoiar em preparação pedagógica, criação de provas e listas de exercícios, correções e acompanhamento dos estudantes. O tempo dos professores é valioso e com IA, eles podem dobrar o tempo fazendo o que fazem de melhor: inspirar, educar e moldar as mentes do futuro.

 

Pedro Siciliano - CEO e fundador da Teachy

 

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