Apesar de avanços tecnológicos que têm surgido, o papel do médico dermatologista ainda é fundamental para o diagnóstico de doenças que afetam pele, cabelos e unhas. Essa é a avaliação de especialistas no uso da telemedicina ao avaliar anúncio de lançamento de uma ferramenta pelo Google que ajudaria na identificação de lesões. O serviço, que se chama Derm Assist, pode entrar em operação até o fim do ano, nos Estados Unidos, mas ainda aguarda autorização da Food and Drug Administration (FDA), agência federal de saúde dos Estados Unidos. No Brasil, não há previsão de lançamento.
O coordenador do
Departamento de Teledermatologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD),
Daniel Holthausen Nunes, considera que esse tipo de mecanismo pode ser útil,
mas não substitui a atuação do médico no fechamento do diagnóstico sobre
eventuais problemas. Segundo ele, o objetivo do Derm Assist é útil ao
apontar possíveis doenças existentes, ficando a cargo do dermatologista
confirmar, ou não, a suspeita.
Software - O Google explica que
pelo Derm Assist o usuário poderá encaminhar fotos de sua erupção, lesão ou
mancha para análise do software abastecido com imagens de referência de 288
doenças de pele. Após buscar correspondências, a ferramenta indica possíveis
transtornos associados ao material enviado, mas não é capaz de fazer o
diagnóstico definitivo.
"Essa tecnologia
pode acelerar a ida ao consultório médico, facilitando diagnósticos precoces,
especialmente na triagem de lesões graves, como o câncer de pele, que normalmente
não causa sintomas evidentes nos primeiros momentos. Não é raro o paciente só
buscar por um dermatologista quando a situação já está avançada, com
prognóstico negativo", disse Daniel Holthausen Nunes.
Chao Lung Wen,
responsável pela Disciplina de Telemedicina do Departamento de Patologia da
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), reforça que a
novidade não substituirá os dermatologistas. "Esse mecanismo não invadirá
a responsabilidade e os cuidados médicos com os pacientes. Somente o médico
pode assumir as condutas terapêuticas e o tratamento, traçando um raciocínio
investigativo, a partir das informações clínicas de cada paciente, como o
biótipo", alerta.
Democratização - Questões éticas
devem ser consideradas quanto ao uso de plataformas desse tipo, ressalta Chao
Lung Wen. Na sua avaliação, a SBD pode assumir um papel importante, em nome da
segurança da população, analisando - quando possível - a beneficência e a
não-maleficência desta ferramenta, a partir dos preceitos da bioética.
O especialista
acredita que o médico moderno - com capacidade de análise crítica,
investigativa e de comunicação -, com o suporte da tecnologia, pode ser capaz
de aperfeiçoar sua relação de confiança com os pacientes, oferecendo
assistência e contemplando aspectos de segurança, eficiência e empatia.
"Assim, será viável promover maior comprometimento da população, por meio
dessas condutas, ajudando-a a conhecer melhor sua saúde, as doenças e os
autocuidados", finaliza.



