Diariamente, uma verdadeira teleaula de
Política nos mostra que o presidencialismo legado pela CF 88 é um sistema de
governo onde o Presidente só tem uma possibilidade de levar a cabo o programa
que lhe garantiu a eleição. E acrescento: se você tiver alguma dúvida sobre a
correção do que afirmarei a seguir, peça confirmação a José Dirceu. Garanto que
ele dará a mesma resposta.
O
discurso que assegurou a vitória eleitoral de Bolsonaro cativou a maioria dos
eleitores, indignada, entre outros fatores, com a desordem reinante no país,
com o politicamente correto, com a insegurança, com a corrupção e a impunidade,
com a decadência dos valores morais e do patriotismo, com os ataques à
instituição familiar e com a hegemonia esquerdista imposta através da Educação
e dos meios culturais.
Numa
democracia para valer, a consagração, nas urnas, de um programa de governo é
tão legítima quanto a consagração eleitoral do governante. No entanto, resultou
ingênuo esperar a aprovação das correspondentes medidas pelo Congresso Nacional
que assumiu em fevereiro deste ano. Para implementar seus objetivos de modo
qualificado, o governo reuniu um grupo de profissionais de competência
reconhecida em suas áreas de atividade. Descartou a prática corrente, que
repartia o governo em fatias para, no instante seguinte, elas se tornarem
feudos partidários obedientes ao governo, mas com proveitos próprios. Se
Bolsonaro fizesse o mesmo, tudo ficaria como antes, numa degradação iniciada lá
atrás com Sarney e agravada a partir de 1995 com FHC, Lula e Dilma.
Os
longos anos pós-constituinte de 1988 encontraram seu ápice nas estratégias
estabelecidas por José Dirceu. A organização criminosa que ele e Lula montaram
com eloquente testemunho de Palocci, comprou a maioria do Congresso, atraindo,
à base, partidos tão desafinados doutrinariamente com o PT quanto rendidos às
tentações das negociatas. Nasciam ali o mensalão e a formalização da corrupção
na gestão das obras e serviços da administração direta, indireta e das empresas
estatais. Com a compra pelos governos de esquerda dos partidos de
centro-direita e direita, que poderiam dar expressão às suas ideias, os
conservadores e liberais brasileiros (aí me incluo) passaram um quarto de
século pregando no deserto enquanto a esquerda se tornava hegemônica no país.
Escrevo
este artigo na manhã de quinta-feira (10/10). Ontem, ficamos sabendo que mesmo
um mísero comercial (creio que o primeiro em nove meses do governo!),
reforçando uma das mensagens eleitoralmente consagradas (o combate ao crime),
foi proibido pelo Tribunal de Contas da União. Nem isso é permitido ao governo!
Nem isso! Nada contra o crime consegue aprovação nas instituições da República.
Em 2018, a alcateia perdeu. As tropas
da esquerda, a grande mídia, os corruptos de variados perfis, os habitantes do
olimpo jurídico instalado no STF pelos garantistas e esquerdistas – todos
perderam a eleição. Mas continuam a mandar no país através do Congresso e do
STF, a impor a impunidade geral, a pressionar por favores, a lutar contra a
Lava Jato, contra a responsabilidade fiscal e a impedir o governo de governar.
No presidencialismo pós-1988, o
Presidente não é o mais forte. Fortes são os outros dois lados da Praça. Eles
se valem da lei, mudam a lei, inventam leis, desrespeitam a lei e até importam
firulas jurídicas alemãs para proteger bandidos. É a Lei do Lobo vigorando
contra a nação. La Fontaine, na fábula do Lobo e o Cordeiro, mostra que o mais
forte dispensa as razões da razão. Chamar a isso democracia é eufemismo, claro.
Percival Puggina - membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
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