Pesquisar no Blog

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Em uma mão o giz, na outra, outros talentos


O que fazem os professores fora do colégio? Corrigem provas ou atuam? Preparam as aulas ou tocam violão? 



A figura do professor está quase sempre associada àquele profissional sério, que faz a chamada, explica a disciplina, ‘passa ponto na lousa’, aplica e corrige provas. Mas, por trás desta figura estereotipada estabelecida no imaginário coletivo, escondem-se talentos inimagináveis para alunos, pais e a comunidade escolar em geral.

A professora de português do Ensino Fundamental II da Escola Internacional de Alphaville - instituição bilíngüe localizada em Barueri na Grande São Paulo, Juliana Jurisberg, cursa teatro há cinco anos, já apresentou uma peça e participou de shows de improviso. Ela conta que o estudo das artes cênicas complementa seu trabalho com alunos do 6º e 7º ano. “É por meio das técnicas do teatro que consigo aprimorar minhas aulas, a contação de história, a interpretação e análise de narrativas e textos descritivos e poéticos. Além disso, consigo prepará-los melhor para apresentações de palco, como saraus e exposições orais (debates e seminários).”

O futebol faz parte da vida de Heloísa Pereira, professora de Língua Portuguesa do ensino Fundamental I da Escola Internacional de Alphaville, desde os 12 anos de idade. Ela já treinou em um grande clube e chegou a participar de várias competições e campeonatos como lateral direita. Não levou a carreira adiante, mas continua batendo sua bolinha aos domingos com um time de futebol society. “Já joguei com os meus alunos em momentos de recreação e eles sempre ficam espantados com minha habilidade com a bola. Ainda gosto muito do futebol”, brinca.

O professor de Ciências e Biologia da Internacional, Fernando Lauretti, é também doutor. Ele se divide entre as duas profissões – à tarde, também cuida da saúde bucal de seus pacientes em seu consultório dental. Seus alunos se encantam com o fato de ter um professor atuante em outra profissão. “Ser dentista funciona como um grande chamariz para a área de biologia, do qual dou aula. É possível ligar a aplicabilidade da profissão ao conhecimento”, explica. “Hoje tenho ex-alunos que são meus clientes”.

No Colégio Pio XII, que fica no bairro do Morumbi, em São Paulo, não faltam bons e curiosos exemplos. É o caso da professora de Ciências e Biologia, Suzana Maluhy, que se orgulha em dizer que dos diversos concursos em que se inscreveu junto com o grupo de dança flamenca que integra há nove anos, sempre esteve entre as primeiras classificações.
Já a professora de matemática Anamaria Andolfato, antes de se dedicar à matemática, tirou suas melhores notas no piano de sua mãe. “Tinha onze anos e sem nenhum conhecimento teórico aprendi a canção Eu sei que vou te amar, do Vinícius de Moraes”, conta. Do piano foi para o violão e até hoje tem na música popular brasileira um de seus grandes prazeres.

Essas habilidades na dança e na música são mostradas aos alunos quase sempre ocorre durante eventos como o ‘Sarau’ e o ‘Sábado Cultural’, atividades organizadas pelos educadores para promover a integração e disseminar importantes referências culturais. Quando as alunas de Suzana a viram dançar o flamenco no colégio foi um choque. “Hoje, muitas meninas compartilham o nervosismo da véspera de suas apresentações comigo. Cria-se uma afinidade maior”, comenta.

Após mostrar aos seus alunos sua habilidade com o violão, a música da professora Anamaria se tornou um elo muito forte com seus alunos. Por conta disso, uma de suas alunas a convidou para ser madrinha de seu casamento e outra colocou seu nome na filha. No entanto, a via não é única. “A primeira vez que toquei violão na frente deles foi emocionante e a surpresa também foi minha. Não podia imaginar que eles me acompanhariam na bossa nova e eu não ia precisar tocar o que não sei - o rock and roll, para me aproximar”, finaliza.

Já no Colégio Mary Ward, localizado no bairro do Tatuapé, o professor Fausto Gobbo se divide entre duas profissões: ministra aulas de Biologia e participa de eventos como culinarista. “Comecei a gostar de cozinhar ainda pequeno, por ser neto de italianos, minha avó materna, uma doceira me transmitiu as técnicas e receitas, influenciando assim o gosto pela culinária,” conta. 

A gastronomia também é aproveitada em aulas para o ensino infantil e fundamental I, onde transmite para os alunos a importância de uma boa alimentação e um modo de vida mais saudável. “Observando e preocupado com o aumento da obesidade infantil no Brasil tento ajudar meus alunos, por meio de um blog, onde dou orientações, dicas e receitas aos pais, ensinando-os como introduzir alimentos saudáveis na alimentação dos filhos sem que este as rejeite”.  

O professor Ricardo Mattiello, coordenador do ensino fundamental II no Colégio Franciscano Nossa Senhor do Carmo (FraNSCarmo), realiza trabalhos voluntários em diversos eventos esportivos como Jogos Panamericanos, Copa do Mundo, Copa das Confederações, Olimpíadas e Sulamericanos.  

Ricardo iniciou o trabalho como voluntário nos jogos Panamericanos no Rio de Janeiro, em 2007, em seguida participou dos Jogos de Guadalajara, em 2011. Este ano, esteve na Copa das Confederações, em Belo Horizonte. “Tenho o DNA de voluntariado no sangue para isso disponibilizo meu tempo, esforço e talento para causas de interesse social, esportivo. E isso contribui com a melhora da minha qualidade de vida e de outras pessoas” conta.    

Hoje, o professor está inscrito e aprovado para participar dos Jogos Sulamericanos do Chile, em 2014; e da Copa do Mundo, em São Paulo; além dos Jogos Panamericanos de Thoronto, em 2015.  “O trabalho como voluntário me possibilita representar o país em eventos nacionais e internacionais, e agrega experiência, conhecimento e cultura. Em alguns eventos sou contrato e remunerado, em função da experiência adquirida. Contudo, sou coordenador pedagógico trabalho este que tenho muito prazer em realizá-lo”, finaliza. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados