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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Dia Mundial da Alimentação Saudável: marketing destinado ao público infantil

Segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar, realizada entre 2008-2009 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, uma em cada três crianças brasileiras, com idade entre cinco e nove anos, está com peso acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde.
Dados mais recentes serão divulgados após término das coletas e avaliações das informações de uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde neste ano com crianças menores de 5 anos de idade. A pesquisa de campo está sendo coordenada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e foi encomendada pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Também participam a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Estudos estimam que 95% dos casos de excesso de peso em crianças estariam relacionados à má alimentação, os outros 5% seriam resultado de fatores orgânicos. Em função de sua crescente influência e autonomia na escolha dos produtos adquiridos pela família, as crianças estão assumindo um papel cada vez mais importante nas decisões de consumo, o que as tornam um segmento de mercado cada vez mais visado nas estratégias de marketing das empresas de produtos manufaturados.
Estudos revelam ainda que as crianças brasileiras influenciam cerca de 80% das decisões de compra da família. As categorias de produtos mais suscetíveis à influência infantil são os produtos alimentícios industrializados. Destes, estão no topo da influência a compra de biscoitos e bolachas (87%), refrigerantes (75%), salgadinhos (70%), seguidos de achocolatados, balas, chocolates, iogurtes, macarrão instantâneo, cereais e sorvetes.
Os alimentos industrializados induzem ao consumo excessivo de calorias, pois apresentam alta densidade energética, alta palatabilidade, baixo custo, fácil acesso e alto marketing. Aliás, os índices de crianças com sobrepeso acompanham o crescimento do volume investido no marketing infanto-juvenil pela indústria alimentícia.
A alta ingestão de energia desencadeia o desenvolvimento da obesidade e, eleva o risco de diversas outras doenças, como as cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de câncer. A análise dos ingredientes de alguns produtos mostra a presença de conservantes e edulcorantes (adoçantes) em sucos industrializados e gelatinas, que não é indicado para crianças que não apresentam diabetes.
Analisando os rótulos, é possível perceber que o sódio está presente em quantidades excessivas nas porções de bolos e sucos industrializados, achocolatados, cereais matinais, empanados, salgadinhos, macarrão instantâneo e fast foods. Com relação ao biscoito recheado, se nos basearmos na rotulagem nutricional obrigatória recomendada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para crianças de sete a dez anos, a ingestão de todo o pacote fornece 96% da quantidade recomendada diária para sódio.
Nota-se ainda alta densidade energética nas porções de bolos, biscoitos industrializados, cereais matinais, frangos empanados, salgadinhos, macarrões instantâneos, fast foods, normalmente consumidos em quantidades superiores às porções apresentadas em suas tabelas de informações nutricionais. A densidade energética é definida como a caloria disponível por unidade de peso.
A rotulagem nutricional dos alimentos permite o acesso às informações nutricionais e aos parâmetros indicativos de qualidade e segurança do consumo. Apesar da legislação brasileira de rotulagem de alimentos ser abrangente, há necessidade de maior fiscalização para cumprimento das normas estabelecidas. Outro ponto a ser discutido é a adequação da informação nutricional presente nos rótulos à idade do público-alvo ao qual o alimento se destina.


Flávia da Silva Santos - professora do curso de Nutrição da Anhanguera de Niterói

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