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sábado, 22 de abril de 2017

CONTROLE DA HIPERTENSÃO ARTERIAL AINDA É NEGLIGENCIADO NO PAÍS



Entre 12% e 15% dos pacientes hipertensos apresentam
quadros mais graves, com resistência a medicamentos.
Doença cresce entre jovens


A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares, com a possibilidade de ser "controlado ou modificado".

"Dados do Ministério da Saúde mostram que, no Brasil, a hipertensão arterial é responsável por 50% dos infartos, 80% dos acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e 25% dos casos de insuficiência renal", destaca o Prof. Dr. Roberto Kalil Filho, diretor do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês.

Em um estudo da American Heart Association, publicado em 2015, sobre o número de mortes causadas por hipertensão arterial, o Brasil ocupa o sexto lugar, entre os 190 países analisados. O tratamento adequado da hipertensão arterial reduz a morbi-mortalidade por doenças cardiovasculares.

No entanto, embora mais de 35,5 milhões de brasileiros apresentem quadro de hipertensão arterial, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, o controle da doença, que varia de acordo com a região, precisa ser aprimorado no País. Estima-se que somente 20% dos pacientes hipertensos em tratamento medicamentoso apresentam valores de pressão arterial dentro das metas estabelecidas.

Como resultado, dados de 2015 apontam que as doenças cardiovasculares corresponderam a cerca de 33% dos óbitos e 13,4% das internações de adultos com idade igual ou superior a 20 anos.

Em países como Canadá e Finlândia, que desenvolveram programas específicos de prevenção e controle da hipertensão arterial, a taxa de controle da doença atingiu 70% e foi associada a significativa redução da mortalidade por doenças cardiovasculares. Nesses programas, além do envolvimento de instituições de saúde, sociedades científicas e entidades governamentais, a participação de cada indivíduo é fundamental.

 "A necessidade de alertar a população a respeito da importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado é urgente", ressalta Kalil.

Além disso, entre 12% e 15% do total dos pacientes hipertensos brasileiros poderão apresentar quadros mais graves, denominados Hipertensão Arterial Resistente (HAR), quando não há resposta ao tratamento, mesmo após o uso de três medicamentos diferentes.

Outro aspecto que tem alertado os especialistas é o crescimento entre a população mais jovem, revelado por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, nos Estados Unidos. O estudo mostra que aproximadamente 20% dos indivíduos entre 24 e 32 anos têm hipertensão arterial - e metade deles não sabe disso.

No Brasil, dados iniciais também sugerem haver crescimento da população de hipertensos, quando avaliada a faixa da população com menos de 35 anos. Entre os fatores possivelmente associados a este cenário estão a hereditariedade, hábitos alimentares inadequados, sedentarismo e obesidade.

A hipertensão arterial é mais prevalente e causa mais lesão em órgãos alvo na raça negra. Este fato deve ser considerado como relevante pelas autoridades de saúde no Brasil, visto que os negros representam 54% da população brasileira, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ações no Dia Nacional de Combate à Hipertensão Arterial

Em resposta a este cenário nacional preocupante, o Hospital Sírio-Libanês iniciou uma série de ações: criou o Serviço de Hipertensão Arterial do Centro de Cardiologia e promove uma campanha para alertar a população em geral e os seus pacientes, aproveitando o Dia Nacional de Combate à Hipertensão Arterial, que será comemorado no próximo dia 26 de abril.

Nesta quinta-feira (20/4), realizou um talk show com a presença do cantor e compositor Gilberto Gil e participação de especialistas que integram o novo Serviço de Hipertensão Arterial. O evento, gratuito e aberto ao público, aconteceu no Anfiteatro do Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa, com transmissão ao vivo pela página do Hospital Sírio-Libanês no Facebook, na qual os internautas formularam perguntas aos médicos integrantes da mesa redonda.

"Queremos divulgar informações sobre a importância do controle precoce da Hipertensão Arterial como medidas de promoção de saúde e prevenção de complicações cardiovasculares. Para dar maior visibilidade a esta campanha, convidamos o Gilberto Gil para ser o nosso 'embaixador' na divulgação desta iniciativa, que visa alertar a população sobre essa doença silenciosa e preocupante, que atinge mais pessoas a cada dia e precisa ser diagnosticada e tratada em tempo hábil", destaca Kalil.

talk show marcou o lançamento do Serviço de Hipertensão Arterial do Centro de Cardiologia, destinado especialmente ao diagnóstico e tratamento da Hipertensão Arterial de Difícil Controle, ou Hipertensão Arterial Resistente (HAR). Além da abordagem clínica, o objetivo é investigar as potenciais causas dos quadros mais graves e desenvolver linhas de pesquisa que proporcionem avanço nas opções de terapia hoje existentes.

O novo Serviço vai atuar com os casos que precisam de um outro tipo de acompanhamento, pois já não respondem aos tratamentos mais tradicionais.




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