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sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Saúde Bucal para crianças: mais da metade dos brasileirinhos com 5 anos de idade estão livres de cárie, apontam estatísticas oficiais

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Sistema Conselhos de Odontologia, composto pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) e os 27 Conselhos Regionais de Odontologia (CROs) de todo país, destaca a importância da preservação dos sorrisos durante a infância.

 

Mais da metade das crianças brasileiras, um total de 53,17%, chegam aos 5 anos de idade completamente livres da doença cárie, conforme indicou a mais recente edição da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil), conduzida pelo Ministério da Saúde no ano de 2023. O número representa um avanço em relação ao levantamento de 2010, quando 46,6% das crianças nessa faixa etária tinham a totalidade dos dentes sem lesões cariosas no país. 

Embora o atual índice ainda esteja distante do ideal, a redução de 6,5 pontos percentuais deve ser comemorada, uma vez que reflete a ampliação de políticas públicas de prevenção em Saúde Bucal, como a fluoretação das águas, ações de educação dentro das escolas e ainda ampliação do atendimento preventivo na rede primária de atendimento. Por este motivo, nesta Semana da Criança, o Conselho Federal de Odontologia destaca a importância da preservação dos sorrisos durante a infância. 

“A doença cárie na infância é evitável, sendo fundamental para isso ações de prevenção e conscientização dos cuidadores, assim como das próprias crianças, sobre a importância da Saúde Bucal. A visita a um cirurgião-dentista deve começar antes de o bebê completar o primeiro ano de vida, com a erupção dos primeiros dentinhos”, destaca o secretário do CFO, Roberto de Sousa Pires, especialista em Saúde Pública pela Universidade Estadual do Pará (UEPA).

 

Cuidados essenciais

Apesar de as estatísticas apontarem para a redução da cárie entre as crianças brasileiras, ela ainda está entre as doenças mais comuns na infância. Dados da SB Brasil 2023, mostraram que, entre as crianças com experiência de cárie, a média é de 2,14 dentes cariados. Além disso, 37,17% das crianças de 5 anos nunca foram ao dentista e 45,85% não procuraram atendimento odontológico no ano que antecedeu a pesquisa. 

Por esse motivo, o CFO reforça a importância das ações de educação em Saúde Bucal junto à primeira infância, impactando também familiares e cuidadores, que são os responsáveis pela rotina de higienização. A recomendação é que a escovação seja realizada por um adulto até 5 a 6 anos e, depois, passe a ser monitorada até pelo menos os 8 a 9 anos. Estas idades estão relacionadas ao completo desenvolvimento da motricidade fina, que é exigida para escovação dental.

 

Entre os principais cuidados recomendados estão: 

- Início do acompanhamento odontológico: o ideal é levar o bebê ao cirurgião-dentista após o nascimento ou até a erupção do primeiro dentinho, antes de completar o primeiro ano de vida; 

- Higiene oral na infância: após o nascimento dos primeiros dentes, recomenda-se o uso de escova de dentes infantil com cerdas macias e cabeça pequena. A escovação deve ser feita por um adulto, pelo menos duas vezes ao dia, sendo uma delas preferencialmente antes de dormir; 

- Uso adequado do creme dental: O creme dental fluoretado deve ser introduzido a partir da erupção do primeiro dentinho, sendo utilizado em uma pequena quantidade de acordo com a faixa etária recomendada, para prevenir a cárie de forma eficaz. 

- Alimentação saudável: as crianças devem manter bons hábitos alimentares, sendo que o açúcar não deve ser oferecido antes de dois anos de idade para combate ao desenvolvimento da cárie. 

- Acompanhamento odontológico periódico: visitas regulares ao cirurgião-dentista garantem a correta orientação para cada faixa etária e permitem o diagnóstico precoce de problemas bucais.

 

A importância da Odontopediatria

A Odontopediatria, especialidade da Odontologia voltada ao atendimento de bebês, crianças e adolescentes, tem papel fundamental na prevenção de problemas bucais. Muito mais do que a realização dos tratamentos, o odontopediatra atua na prevenção, orientação e promoção da saúde bucal desde os primeiros anos de vida, garantindo não apenas a saúde do sorriso, mas também o correto desenvolvimento das funções orofaciais, como a mastigação, deglutição, respiração e fala. 

O conselheiro do Conselho Federal de Odontologia e odontopediatra Ataíde Mendes Aires destaca que entre os benefícios do acompanhamento com o odontopediatra estão o monitoramento do crescimento dos maxilares, da troca dos dentes e de possíveis problemas ortodônticos. Além disso, o profissional atua na orientação sobre a importância da higiene oral e de hábitos saudáveis que tendem a durar por toda a vida. 

“O cirurgião-dentista odontopediatra é especializado em lidar com o público infantil, utilizando técnicas que tornam a consulta uma experiência positiva e que ajudam a criar na criança uma cultura de bons hábitos de higiene oral. Ao garantir sorrisos mais saudáveis na infância, o profissional também assegura que esse paciente se torne um adulto com melhores condições de saúde bucal e, portanto, com mais qualidade de vida”, afirma.


Turismo capilar: preços baixos atraem pacientes, mas riscos à saúde aumentam

Procedimentos estéticos em clínicas internacionais ganham popularidade, mas especialista alerta para complicações graves 

 

O fenômeno conhecido como turismo capilar vem crescendo em todo o mundo, com pacientes buscando transplantes capilares em países como a Turquia, atraídos por preços mais acessíveis e pacotes completos. No entanto, especialistas alertam que o procedimento, se feito por profissionais não habilitados ou em clínicas sem credenciamento adequado, pode gerar riscos sérios à saúde e resultados insatisfatórios.

 

De acordo com a Associação Brasileira de Cirurgia de Restauração Capilar (ABCRC), 12% dos especialistas atendem pacientes que precisaram corrigir transplantes realizados por profissionais não qualificados, e 15% dos casos exigiram a repetição do procedimento, gerando custos adicionais e desgaste emocional.

 

A ABCRC destaca que preço baixo não deve ser o fator decisivo. Antes de realizar um transplante capilar, é essencial verificar credenciais do cirurgião, credenciamento da clínica, condições de higiene e acompanhamento pós-operatório.

 

O cirurgião plástico e membro titular da sbcp- Sociedade brasileira de cirurgia plástica, Dr. Cleber Stuque, reforça que os interessados em realizar transplante capilar no exterior devem redobrar os cuidados na escolha da clínica e do profissional.

 

“Em primeiro lugar, é fundamental fazer uma consulta — que pode ser online — e, de preferência, uma avaliação presencial um ou dois dias antes da cirurgia. O ideal é se programar para permanecer pelo menos uma semana no Brasil após o procedimento”, orienta.

 

Segundo ele, é importante verificar se o médico é cirurgião plástico ou dermatologista, se possui registro de qualificação de especialista (RQE) e se faz parte da ABCRC. “Esses são requisitos básicos que garantem segurança e qualidade nos resultados”, completa. 


Apesar da popularidade do turismo capilar, o especialista reforça que a segurança e a saúde capilar devem ser prioridade. Pacientes que buscam resultados naturais e proteção à própria saúde devem sempre recorrer a profissionais qualificados e clínicas devidamente certificadas.

 

Pessoas magras também podem ter gordura no fígado? Hepatologista Explica

Doença silenciosa, a esteatose hepática não atinge apenas quem está acima do peso: até pessoas magras podem desenvolver o problema, que pode evoluir para cirrose e até câncer de fígado
 

A gordura no fígado, conhecida como esteatose hepática, não é exclusividade de pessoas com excesso de peso. Apesar da crença popular, até quem está magro pode desenvolver a doença, que muitas vezes evolui de forma silenciosa e só é descoberta em estágios avançados.

A gastroenterologista e hepatologista Dra. Lilian Curvelo reforça o alerta: “Há um senso comum de que apenas pessoas acima do peso correm risco, mas, isso não poderia estar mais distante da realidade. Pessoas magras também podem desenvolver gordura no fígado, principalmente quando apresentam alterações no colesterol, triglicérides, diabetes ou hipertensão. É uma doença silenciosa, que pode evoluir para fibrose, cirrose ou até câncer de fígado”, explica.

O alerta ganha força com a recente pesquisa do Instituto Datafolha em parceria com a farmacêutica Novo Nordisk, que revelou que 62% dos brasileiros estão preocupados com a gordura no fígado, mas 61% nunca realizaram ou não sabem quais exames identificam a condição. Apenas 7% dos entrevistados já receberam diagnóstico formal.

A chamada Doença Hepática Gordurosa Não-Alcoólica (DHGNA) é caracterizada pelo acúmulo de triglicerídeos no fígado e afeta cerca de 30% da população mundial. Fatores como genética, desequilíbrio da microbiota intestinal, baixa massa muscular e hábitos de vida pouco saudáveis aumentam o risco, independentemente do peso.

Segundo a especialista, a rotina moderna tem grande impacto nesse cenário.

“Alimentos ultraprocessados, industrializados e ricos em gordura fazem parte do dia a dia de muitas pessoas. Além disso, o sedentarismo aumenta a vulnerabilidade da população. Para proteger o fígado, precisamos resgatar hábitos simples: cozinhar em casa, fazer compras na feira, manter uma boa relação com a comida e praticar atividades físicas diariamente”, orienta a Dra. Lilian.

Outro ponto crucial é a prevenção médica. Testes de sangue em exames de rotina podem detectar a gordura no fígado e, quando necessário, a ultrassonografia confirma o diagnóstico.

“O mais importante é lembrar que saúde e qualidade de vida não dependem de medidas mirabolantes. Atitudes simples e consistentes, aliadas a consultas médicas regulares, podem evitar complicações graves e salvar vidas”, conclui a especialista.

 

DRA. LILIAN CURVELO - Gastroenterologista e Hepatologista - CRM 78.526/SP - RQE 84418 - Formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com especialização e doutorado em Gastroenterologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e pós-doutorado em transplante de fígado pela Universidade Erasmus-MC na Holanda.


Dia da Saúde Mental: Especialistas alertam que crise emocional aumenta riscos no volante

 

Deterioração da saúde mental cria um ciclo perigoso nas vias.

Aumento da ansiedade e do estresse compromete habilidades fundamentais para uma direção segura: a atenção, a tomada de decisão e o tempo de reação

 

Neste 10 de outubro, Dia Mundial da Saúde Mental, um dado alarmante coloca em perspectiva a segurança nas ruas e estradas brasileiras: 52% da população já considera a saúde mental o principal problema de saúde do país. O número, de uma pesquisa recente do instituto Ipsos, representa um salto dramático em relação aos 18% registrados em 2018 e acende um alerta para um perigo muitas vezes invisível: o estado emocional de quem dirige. 

A psicóloga Adalgisa Lopes, presidente da Associação das Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans-MG), explica que a conexão é direta. O aumento da ansiedade e do estresse – apontado como preocupação por 33% dos brasileiros – compromete as habilidades fundamentais para uma direção segura: a atenção, a tomada de decisão e o tempo de reação. "Um motorista que está lidando com preocupações não está com sua atenção 100% na via. A carga cognitiva de quem dirige enquanto gerencia um diálogo interno desgastante é tão perigosa quanto a de quem usa o celular ao volante", alerta a especialista. 

A análise é complementada por Giovanna Varoni, psicóloga especialista em trânsito e diretora da Actrans-MG. Para ela, a crise que se manifesta no trânsito é reflexo de um problema mais profundo. "O país ainda se depara com barreiras estruturais: a oferta de serviços especializados é insuficiente, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) sofrem com a falta de recursos, e o acesso à rede de saúde mental é desigual. Soma-se a isso o estigma histórico que muitas vezes impede as pessoas de buscarem ajuda", pontua Giovanna. 

A deterioração da saúde mental cria um ciclo perigoso nas vias brasileiras. Condutores com transtornos mentais não tratados têm maior propensão a comportamentos agressivos no trânsito, desrespeito às normas de segurança e tomada de decisões impulsivas. Além disso, sintomas como fadiga mental, irritabilidade e dificuldade de concentração, comuns em quadros de desequilíbrio emocional, podem ser tão prejudiciais quanto dirigir sob efeito de álcool, aumentando exponencialmente as chances de acidentes e colocando em risco não apenas o condutor, mas todos os usuários das vias públicas.
 

Atenção holística

Giovanna destaca que compreender a crise requer reconhecer a complexidade do ser humano. “Somos seres biopsicossociais, o que significa que corpo, mente e ambiente estão profundamente interligados. A saúde mental não pode ser dissociada das condições de vida, das relações e do contexto. Cuidar da mente é também cuidar das condições sociais e emocionais que sustentam o equilíbrio”. 

A diretora da Actrans explica que a solução passa por uma abordagem multifacetada. "Cuidar da saúde mental requer olhar o indivíduo de forma integral. Também é necessário ampliar o investimento em prevenção, educação emocional e formação de profissionais capacitados para atuar em diferentes contextos, inclusive no trânsito, no trabalho e nas escolas”, afirma Giovanna.
 

Uma prioridade social e política

As especialistas concordam que o tema precisa ultrapassar as campanhas pontuais. Para Giovanna Varoni, a discussão deve ser elevada a um novo patamar. "Promover saúde mental é promover dignidade, acolhimento e acesso equitativo ao cuidado. É entender que não existe qualidade de vida sem equilíbrio emocional e que o bem-estar coletivo depende de uma sociedade que valorize a escuta, o respeito e o suporte", alerta.

Em um país de dimensões continentais e desafios complexos, a mensagem deste Dia Mundial da Saúde Mental é clara: tratar o tema como prioridade social e política não é apenas uma questão de saúde pública, mas também um pilar fundamental para a construção de um trânsito e de uma sociedade mais seguros para todos.

 

Artrite Reumatoide - SBR alerta sobre a importância da conscientização para o diagnóstico precoce da doença que atinge dois milhões de brasileiros

A Artrite Reumatoide afeta duas vezes mais mulheres do que homens, sendo a maior incidência, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), entre mulheres na faixa dos 30 aos 55 anos, mas também atinge pessoas de ambos os sexos e de todas as idades, inclusive crianças. 

 

O Dia Mundial de Conscientização da Artrite Reumatoide é celebrado em 12 de outubro. A data foi criada com objetivo de conscientizar a população sobre essa doença autoimune crônica, que afeta mais de 2 milhões de brasileiros e que, em casos mais graves, pode levar até a perda de mobilidade.

A artrite reumatoide é uma doença inflamatória, autoimune, crônica e progressiva, com causa ainda desconhecida, que provoca dor, rigidez e inchaço nas articulações, desgaste nas cartilagens e nos ossos, além de deformidade nas mãos e nos pés.

A doença afeta duas vezes mais mulheres do que homens, sendo a maior incidência, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), entre mulheres na faixa dos 30 aos 55 anos, mas também atinge pessoas de ambos os sexos e de todas as idades, inclusive crianças.

A forma juvenil da doença – Artrite Idiopática Juvenil ou Artrite Reumatoide Juvenil - tem início antes dos 16 anos e acomete número menor de articulações. As principais  manifestações clínicas são caracterizadas por dor, inchaço e aumento de temperatura de uma ou mais articulações. A dor pode ser mínima ou inexistente.

“Apesar de não ter cura, a artrite reumatoide tem tratamento e pode ser controlada”, afirma o reumatologista José Eduardo Martinez, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). A doença pode afetar ainda outros órgãos como pulmões, coração e vasos sanguíneos.

A adesão ao tratamento e o acompanhamento contínuo de um reumatologista, segundo o especialista, são essenciais para controlar os sintomas, minimizar a progressão da doença e reduzir o risco de danos irreversíveis às articulações, tecidos e órgãos. “A conscientização é fundamental para o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, evitando assim complicações mais sérias”, ressalta o presidente da SBR. 

“Além de medicamentos imunossupressores e anti-inflamatórios, terapias ocupacionais e fisioterapia, é muito importante que o paciente faça adaptações ao seu estilo de vida, adquirindo o hábito de fazer exercícios físicos de forma regular e ter uma alimentação equilibrada. Esses fatores contribuem para a manutenção de uma vida com qualidade e produtiva”, conclui Martinez. É sempre bom lembrar que em caso de dúvida o paciente deve procurar um médico reumatologista.

A SBR disponibiliza gratuitamente em seu site (www.reumatologia.org.br) uma cartilha informativa, elaborada pela comissão científica de Artrite Reumatoide da entidade, com linguagem simples e acessível para a população. A cartilha traz desde o que é a artrite reumatoide até o tratamento e cuidados pessoais necessários.

 


Sociedade Brasileira de Reumatologia - SBR
www.reumatologia.org.br
@sociedadereumatologia
@reumatologinsta

 

Doenças psicossomáticas avançam entre brasileiros e revelam peso das emoções no corpo

 OMS aponta que até 30% das consultas de atenção primária não possuem causa clínica.


Psicólogo alerta que dores físicas e vícios podem estar ligados a traumas emocionais 

Insônia, dores musculares, crises de ansiedade e comportamentos compulsivos, cada vez mais comuns entre brasileiros, têm reforçado o avanço das chamadas doenças psicossomáticas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 30% das consultas em atenção primária no mundo envolvem sintomas sem causa clínica clara. 

No Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que uma em cada quatro crianças de 6 a 12 anos apresenta sinais de angústia crônica, enquanto a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) registra alta de 25% nos diagnósticos de transtornos de ansiedade entre 2020 e 2023.

Ansiedade, que afeta 9,3% dos brasileiros segundo a OMS, depressão, presente em 10% da população de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a fibromialgia, que atinge 2,5% da população mundial, sobretudo mulheres, estão entre os transtornos psicossomáticos mais frequentes. Além deles, novos comportamentos preocupam especialistas, como a dependência de jogos digitais como o “jogo do tigrinho” fez as buscas por apostas online aumentarem 90% em 2024, e já impacta 3,5% dos adolescentes, segundo a consultoria Decode e a Fiocruz.

Para o psicólogo, pesquisador e professor Jair Soares dos Santos, fundador do Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT) e doutorando em Psicologia na Universidade de Flores (UFLO), na Argentina, o fenômeno das doenças psicossomáticas vai além da dimensão biológica. “A dor física ou o sintoma emocional são muitas vezes formas de expressão de experiências antigas que não foram elaboradas. O corpo fala quando a mente não consegue mais sustentar”, explica o especialista e também criador da Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG).


Sinais de alerta

A medicalização precoce e, muitas vezes, desnecessária  é outra preocupação. Levantamento da ONG Acorda Sociedade com 2.300 estudantes de ensino médio em seis capitais revelou que quatro em cada cinco jovens já fizeram uso de psicotrópicos pelo menos uma vez, enquanto a Fiocruz aponta que o consumo de antidepressivos por adolescentes entre 13 e 17 anos cresceu 30% na última década. O Brasil ocupa hoje a 5ª posição no ranking global de consumo de antidepressivos, atrás apenas de Estados Unidos, Islândia, Austrália e Canadá, segundo a consultoria IQVIA.

Soares alerta que os sinais iniciais de adoecimento emocional, como isolamento, irritabilidade, distúrbios de sono, dores difusas e queda de energia muitas vezes são normalizados pela família, escola ou ambiente de trabalho. “É comum que sintomas graves se escondam atrás de comportamentos socialmente valorizados, como a produtividade excessiva ou a tentativa de controle. Mas, internamente, essas pessoas estão em constante estado de alerta, como se revivessem perigos do passado”.


Metodologia aplicada

O psicólogo destaca que a TRG, metodologia criada por ele e aplicada por cerca de 70 mil terapeutas em todos os continentes do mundo, tem se mostrado eficaz para reprocessar memórias traumáticas de forma segura, sem exigir que o paciente verbalize detalhes dolorosos. “Não buscamos ressignificar, porque isso mantém a dor ativa. O objetivo é permitir que o cérebro reorganize o registro emocional e libere o corpo da necessidade de manifestar sintomas”, explica. Segundo ele, essa abordagem tem apresentado resultados promissores em pesquisas conduzidas na UFLO, na Argentina, voltadas ao tratamento de ansiedade e depressão.

A compreensão das doenças psicossomáticas é um passo fundamental para mudar o olhar da sociedade sobre o sofrimento emocional. “Ainda existe a ideia de que sentir dor sem causa clínica é frescura ou fraqueza. Na verdade, cada sintoma é um pedido legítimo de ajuda do inconsciente. Quando conseguimos escutá-lo e reprocessar sua origem, abrimos caminho para uma vida mais equilibrada”, conclui Soares. 



Jair Soares dos Santos - psicólogo, terapeuta, hipnólogo, pesquisador e professor, além de ser o fundador do Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT). Criador da Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG), sua trajetória é marcada por desafios pessoais que o motivaram a buscar soluções eficazes para o sofrimento emocional. Após enfrentar episódios de depressão e insatisfação com abordagens terapêuticas tradicionais, Jair dedicou-se ao desenvolvimento de uma metodologia que pudesse proporcionar alívio real e duradouro aos pacientes. Sua formação inclui graduação em Psicologia pela Faculdade Integrada do Recife e especializações em áreas como hipnoterapia e análise comportamental. Atualmente é doutorando em Psicologia pela Universidade de Flores (UFLO) na Argentina, onde desenvolve uma pesquisa com a TRG em pessoas com depressão e ansiedade, alcançando resultados promissores com a remissão dos sintomas nestes participantes. Há mais dois doutorados com a TRG a serem desenvolvidos neste momento.
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Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas - IBFT
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Câncer de mama: Fisioterapia ajuda a restaurar funções do corpo e prevenir sequelas do tratamento

Câncer de mama: Acompanhamento com fisioterapeuta prepara
o organismo para o impacto do procedimento cirúrgico
 
Divulgação

Intervenção precoce da fisioterapia reduz sequelas físicas e auxilia na retomada da rotina das mulheres em tratamento oncológico 

 

Durante o Outubro Rosa, o alerta para o diagnóstico precoce do câncer de mama ganha força, mas além da prevenção, é fundamental falar sobre o cuidado no tratamento e na reabilitação. A fisioterapia tem papel essencial nesse processo, contribuindo para restabelecer funções do corpo e prevenir complicações que comprometem a qualidade de vida das mulheres.

Segundo a Dra. Daniella Leiros, especialista em fisioterapia na saúde da mulher, o trabalho fisioterapêutico deve começar logo no início do tratamento. “A fisioterapia tem o poder de ajudar a pessoa a restabelecer a função corporal. O câncer de mama afeta funções respiratórias, circulatórias e posturais, e o fisioterapeuta atua para reorganizar o corpo desde a fase preventiva até a reabilitativa”, explica.

 

A importância do acompanhamento desde o pré-operatório

Ela ressalta que o acompanhamento pré-operatório é o mais indicado, pois prepara o organismo para o impacto do procedimento cirúrgico. “Podemos organizar o corpo para a própria cirurgia, deixando-o propício e fortalecido, para que o procedimento não traga tanto desconforto nem malefícios ao corpo”, destaca.

No pós-operatório, o foco da fisioterapia é reduzir dores, evitar retrações e aderências de cicatrização, melhorar a amplitude de movimento dos ombro e pescoço, e prevenir o linfedema - inchaço que pode ocorrer após a retirada dos gânglios linfáticos. “O linfedema é o edema causado pela retirada dos gânglios, e podemos minimizá-lo com técnicas de drenagem linfática manual, enfaixamento, compressas e, principalmente, com exercícios orientados. Nem sempre é possível evitar, mas é possível controlar e reduzir seus efeitos”, afirma Daniella.

 

Reabilitação ativa e retomada da autonomia

Outro ponto de destaque é o envolvimento ativo da paciente no processo de recuperação. “Orientamos a automassagem para que a mulher participe do processo reabilitativo, se toque, se conheça e não dependa apenas das consultas. É fundamental que ela esteja ativa no próprio tratamento”, comenta.

Além de restaurar funções físicas, a fisioterapia contribui para que a paciente retome sua autonomia e se reintegre à rotina. “O objetivo é que essa pessoa se sinta novamente parte da sociedade, apta à sua função e à sua vida, não apenas como alguém que sobreviveu ao câncer, mas como alguém que vive plenamente após o tratamento”, conclui a especialista.

 

Estudo internacional indica que mastectomia pode reduzir 35% risco de morte por câncer de mama

Para mulheres com mutação genética e que tiveram câncer mama, a cirurgia de remoção das mamas e dos ovários, reduz significativamente risco de morte
 

Um estudo internacional com participação de pesquisadores gaúchos e pacientes do Hospital Moinhos de Vento demonstrou que pacientes jovens com histórico de câncer de mama e mutação nos genes BRCA (genes supressores de tumor que, quando mutados, perdem a capacidade de reparar o DNA das células, o que pode aumentar o risco de desenvolvimento de neoplasias) podem ter ganhos de vida com cirurgias preventivas. A mastectomia bilateral esteve associada a uma redução de 35% no risco de morte, enquanto a ooforectomia (remoção dos ovários e trompas) diminuiu esse risco em 42%. Ambas as intervenções também reduziram em 32% a probabilidade de recidiva da doença. 

A pesquisa contou com a participação de 109 centros em cinco continentes e analisou os dados de 5.292 mulheres com até 40 anos diagnosticadas com câncer de mama e mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, entre 2000 e 2020. “É o maior levantamento já realizado na área, e tem implicações diretas na indicação de cirurgia redutora de risco em pacientes mutadas após o diagnóstico de câncer de mama”, destaca o oncologista e pesquisador clínico Dr. Gustavo Werutsky, coautor do estudo. Os resultados foram publicados na revista The Lancet, uma das mais prestigiadas publicações científicas do mundo. 

Werutsky também aponta que o achado responde a uma pergunta que ainda gerava controvérsias na prática clínica: “Já se sabia que essas cirurgias eram eficazes como forma de prevenção em mulheres com mutações genéticas, mas ainda não havia evidências robustas sobre o benefício quando realizadas após o diagnóstico do câncer. Agora temos dados mostrando que elas também ajudam na sobrevida nesse cenário”. 

O Núcleo da Mama do Hospital Moinhos de Vento, coordenado pela mastologista Dra. Maira Caleffi, foi um dos centros participantes da pesquisa. “Atuamos há mais de 20 anos numa abordagem multidisciplinar e integrada de acordo com as necessidades da paciente e características de cada tumor. Esse cuidado personalizado nos levou a entender a necessidade de identificar famílias de alta predisposição genética para o câncer. Com vários trabalhos já publicados na área, fomos convidados a participar desse estudo internacional e multicêntrico”, relata a especialista. 

O estudo indicou que as mulheres que realizaram a mastectomia tiveram uma redução de 35% no risco de morte, enquanto aquelas que realizaram a ooforectomia tiveram uma redução de 42%. Além disso, ambas as intervenções diminuíram em 32% a chance de o câncer de mama voltar ou de surgir um novo tumor. 

Os resultados se mantiveram consistentes mesmo após ajustes para variáveis como tipo de tumor, presença de linfonodos comprometidos e idade ao diagnóstico. Outro dado relevante é que os benefícios foram observados em pacientes com diferentes subtipos tumorais, incluindo os tipos mais agressivos, como o câncer de mama triplo negativo. 

A mastologista Dra. Maira Caleffi alerta que o mapeamento genético ainda não é uma realidade para todas as mulheres no Brasil. O exame não foi incorporado ao SUS, e mesmo em estados onde há leis que garantem a testagem, o acesso segue limitado. Já na rede privada, testes e painéis genéticos estão disponíveis há mais de 15 anos. 

Para os pesquisadores, este estudo reforça a necessidade de uma estratégia de tratamento adequada para cada paciente. Uma abordagem de aconselhamento genético é vital para mulheres jovens com diagnóstico de câncer de mama, pois muitos aspectos devem ser levados em conta, como a vontade de ter filhos, a qualidade de vida, uma menopausa precoce, além das questões ligadas à imagem corporal.


Hospital Moinhos de Vento
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Dia Mundial da Trombose: Como se prevenir? Médico aponta cinco caminhos

Campanha educacional do Saber da Saúde, portal da Boston Scientific, destaca a importância de um estilo de vida ativo e do conhecimento dos sinais de alerta para combater essa condição séria

 

A trombose, condição caracterizada pela formação de coágulos sanguíneos que podem obstruir vasos e impedir a passagem do sangue, é uma doença séria e que exige atenção. No mês dedicado à conscientização sobre a trombose, o Dr. Clayton de Paula, especialista em cirurgia vascular e endovascular, destaca a importância da prevenção e do reconhecimento precoce dos sintomas para evitar complicações graves.

"A trombose é uma condição que, na maioria das vezes, ocorre por alterações na nossa homeostase, ou seja, no equilíbrio do nosso corpo. Fatores como a imobilidade e certas doenças predispõem à sua formação. É fundamental que a população esteja informada para identificar os riscos e buscar ajuda médica quando necessário", afirma o médico.

Com o objetivo de orientar a população, o especialista compartilhou cinco dicas essenciais para prevenir a trombose e entender melhor a doença:

1. Conheça os sinais de alerta e busque ajuda médica imediatamente
Saber identificar os sintomas da trombose é crucial para um diagnóstico e tratamento precoces. "Sempre que houver suspeita de trombose, procure um médico. Os sintomas mais comuns incluem inchaço (edema), geralmente assimétrico, e dor na perna, principalmente na panturrilha", alerta. Histórico de viagens longas ou imobilidade recente (como pós-cirúrgico ou fraturas) são fatores que aumentam a urgência da avaliação médica. A trombose pode evoluir para uma embolia pulmonar, que é uma condição grave e potencialmente letal.


2. Entenda a sequela e a importância do acompanhamento
A trombose venosa profunda, em particular, pode deixar sequelas a longo prazo, como dor e inchaço crônicos, e em casos mais extremos, úlceras venosas. "Uma trombose maltratada pode levar a uma úlcera venosa que pode permanecer por anos ou décadas. Por isso, o acompanhamento com um angiologista ou cirurgião vascular é essencial para determinar o melhor tratamento e minimizar esses

malefícios", enfatiza o especialista.


3. Combata a imobilidade e movimente-se regularmente
A imobilidade é um dos maiores fatores de risco para a trombose, pois o sangue parado tende a coagular. "Em intervalos regulares, a cada uma ou, no máximo, duas horas, as pessoas devem se levantar e caminhar. Se não for possível, faça movimentos com os pés para cima e para baixo, como se estivesse pisando no acelerador, para movimentar as panturrilhas", orienta. Essa recomendação é crucial para quem passa longos períodos sentado, seja no trabalho, em viagens de carro, ônibus ou voos.


4. Hidrate-se adequadamente
A desidratação pode levar a uma condição de hipercoagulabilidade, aumentando o risco de trombose. "A hidratação é extremamente importante. Pessoas desidratadas tendem a ter maior risco para trombose", explica. Manter-se bem hidratado, principalmente com água, é uma medida simples e eficaz.


5. Adote um estilo de vida ativo
A atividade física é um pilar fundamental na prevenção da trombose. "Ter uma musculatura forte e se movimentar é uma das coisas mais importantes para prevenir a trombose", destaca. O tipo de exercício é menos importante do que a regularidade. "Mais importante do que o tipo de exercício é aquele que você vai fazer com mais frequência, numa quantidade moderada", complementa.


Avanços no tratamento e o papel da tecnologia
O Dr. Clayton ressalta que o diagnóstico e o tratamento da trombose evoluíram significativamente. "Hoje, o ultrassom Doppler é um exame acessível e eficaz para o diagnóstico. Além disso, os tratamentos mudaram muito, com medicamentos mais modernos e, em casos indicados, dispositivos que dissolvem o trombo, tanto na perna quanto no pulmão, em casos de embolia pulmonar", explica.

A indústria tem um papel fundamental nesse avanço. "As novas tecnologias vieram para mudar o panorama da doença tromboembólica de uma maneira muito radical, reduzindo a morbidade e a mortalidade. Dispositivos que dissolvem o trombo minimizam de maneira importante o risco de morte e de complicações. Na minha prática clínica, posso dizer que as tecnologias salvam vidas e melhoram a qualidade de vida", conclui.

Para chancelar a importância da conscientização, a Boston Scientific, líder em dispositivos médicos, promove uma campanha sobre a trombose, além de conteúdos didáticos no portal Saber da Saúde, reforçando seu compromisso em educar a população e oferecer soluções inovadoras que auxiliam médicos e pacientes no manejo dessa condição. A empresa investe continuamente em pesquisa e desenvolvimento para trazer ao mercado tecnologias que salvam vidas e melhoram a qualidade de vida, sempre com a mais alta ética e comprovação científica.


Para saber mais acesse:
Saber da Saúde | Especialidade | Trombose

 


Saber da Saúde
www.saberdasaude.com.br


Boston Scientific
www.bostonscientific.com.br
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Uso indiscriminado de ‘canetas emagrecedoras’ é prejudicial à saúde

Cresce uso de ‘canetas emagrecedoras’; especialistas sugerem areeducação
 alimentar a prática de exercício físico para o emagrecimento saudável
Freepik
Especialistas advertem que emagrecer deve ser entendido como um processo de cuidado e não apenas de aparência estética 

 

Com a promessa de resultados rápidos, as ‘canetas emagrecedoras’ se tornaram objetos de desejo nos consultórios médicos, clínicas estéticas e sites de busca da internet. Segundo dados do Google Trends, o termo já superou até mesmo a palavra ‘dieta’ em número de pesquisas. 

Nos últimos seis anos, as vendas desses produtos cresceram mais de 660%. “A palavra dieta continua associada à restrição, disciplina e tempo. Já as canetas oferecem a ideia de emagrecimento sem sofrimento, sem mudança de hábitos; um tipo de solução rápida para um problema complexo, como a obesidade”, alerta a coordenadora do curso de Nutrição do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), Janaiara Moreira Sebold Berbel.

 

Regulamentação e cuidados

As canetas emagrecedoras disponíveis no mercado brasileiro são medicamentos regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Elas foram desenvolvidas originalmente para o tratamento de Diabetes Mellitus tipo 2 ou obesidade. O preço varia de R$ 600 a R$ 1.800 por unidade. 

Quando injetam substâncias que imitam hormônios intestinais, elas promovem a saciedade e retardam o esvaziamento gástrico. A sensação de ‘estômago cheio’ diminui o apetite e, consequentemente, o peso. “Elas são consideradas fármacos de uso controlado, que exigem prescrição médica e acompanhamento especializado. Não são suplementos ou produtos de beleza”, ressalta Janaiara. 

“O endocrinologista é quem vai determinar a dose, o princípio ativo e o tempo do tratamento. Fazer uso desses remédios sem acompanhamento pode trazer graves problemas de saúde; seja por efeitos colaterais, reganho de peso ou emagrecimento ineficiente”, alerta a professora do curso de Nutrição do Integrado, Camila Frazão.

 

Quem consome e por quê?

Segundo Janaiara, quem mais consome as canetas emagrecedoras são as mulheres jovens e adultas. “A cobrança pelo corpo ideal ainda recai de forma mais intensa sobre elas. Muitas já tentaram várias dietas e métodos convencionais sem sucesso. Por isso, recorrem a uma solução aparentemente definitiva”, explica. 

A nutricionista alerta que a proximidade do verão faz a procura aumentar ainda mais. “O fator estético ganha pessoa adicional nesta época do ano. Muitas mulheres querem perder de 5 a 10 quilos em poucos meses e alcançar o chamado ‘corpo de praia’, mas isso pode colocar a própria saúde em risco”, adverte.

 

Perigos do uso indiscriminado

Apesar da popularidade, as canetas emagrecedoras não podem ser compradas livremente nas farmácias, drogarias e internet. Por serem de uso controlado, exigem receita médica, que fica retida no estabelecimento. 

Embora apresentem benefícios à saúde, quando bem indicadas, as canetas emagrecedoras podem causar efeitos colaterais como náuseas, vômitos, diarreia, constipação e dores abdominais. Em situações mais raras, podem ocorrer pancreatite e hipoglicemia. 

“Emagrecer deve ser entendido como um processo de saúde, de cuidado e não apenas como uma questão de aparência estética. Quando a pressa supera o cuidado, o risco aumenta”, destaca a especialista e nutricionista.

 

Não existe solução mágica

Camila Frazão reforça que os injetáveis não substituem bons hábitos de vida, como a prática de atividade física e a reeducação alimentar. 

“Quando isso acontece e o tratamento farmacológico é realizado com acompanhamento médico regular e multidisciplinar - envolvendo nutricionistas, psicólogos e educadores físicos especializados - o emagrecimento é mais eficiente, preserva a massa magra e garante maior estabilidade ao metabolismo”, explica. 

Segundo as especialistas, o medicamento deve ser visto como uma ferramenta auxiliar, mas não como solução mágica. “O foco é garantir saúde e qualidade de vida. Não há atalhos seguros para o emagrecimento verdadeiro e sustentável, que passará pela mudança de hábitos e pelo cuidado contínuo com o próprio corpo”, conclui Janaiara Moreira Sebold Berbel.

  

Centro Universitário Integrado


Intoxicação por metanol: o que você precisa saber diante do surto que atinge o país

Saiba mais sobre sinais de contaminação, prevenção, tratamento e o papel dos antídotos

 

O Brasil enfrenta uma onda de intoxicações por consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. Hoje (9), o país soma 259 notificações, sendo 24 confirmações, que chegaram a causar sequelas graves nas vítimas, incluindo 5 óbitos. O estado de São Paulo concentra a maioria dos casos, com 181 registros até o momento. 

Diante desse cenário, o Dr. Ademar Simões, médico emergencista e Coordenador do Serviço de Emergência do Hospital Mater Dei Salvador, esclarece as principais dúvidas em relação às intoxicações por metanol na população, abordando sintomas, efeitos da contaminação, possibilidades de tratamentos e a chegada de antídotos contra a substância. Confira:

 

Quais são os principais sinais de intoxicação por metanol?

Os sintomas iniciais costumam ser parecidos com uma “ressaca forte”: náusea, vômito, dor abdominal e mal-estar. Além disso, a pessoa pode sentir dor de cabeça, tontura e fraqueza. Conforme a intoxicação progride, podem surgir alterações na visão (embaçamento, visão turva ou até cegueira), falta de ar, confusão mental e sonolência intensa. Em casos graves, pode evoluir para convulsões e coma.

 

Como o metanol age no organismo após a ingestão?

O perigo não é exatamente o metanol em si, mas os produtos de sua transformação no fígado. Quando metabolizado, ele se transforma em formaldeído e depois em ácido fórmico, substâncias extremamente tóxicas que afetam o sistema nervoso, a visão e a capacidade do corpo de manter o equilíbrio ácido-base.

 

Como a substância acaba afetando a visão e o sistema nervoso, podendo até mesmo induzir coma?

O ácido fórmico atinge principalmente o nervo óptico, que leva as informações dos olhos ao cérebro, causando visão borrada ou perda visual. Além disso, ele prejudica o funcionamento das células do sistema nervoso, levando a confusão mental, sonolência, convulsões e, nos casos mais graves, coma.

 

Existem diferenças de efeitos entre homens e mulheres?

Não existem diferenças significativas na forma como o metanol age entre homens e mulheres. O que muda é a quantidade ingerida em relação ao peso corporal: como, em média, mulheres têm menor peso, podem ser mais afetadas por doses menores da substância.

 

Pessoas com doenças pré-existentes (como fígado ou rins comprometidos) correm mais risco em caso de intoxicação?

Sim. O fígado é o órgão que transforma o metanol em suas formas tóxicas, e o rim é responsável por eliminar os resíduos. Pessoas com doença hepática ou renal têm mais dificuldade em lidar com a substância e podem evoluir mais rápido para quadros graves. Idosos e pessoas com doenças crônicas também estão em maior risco.

 

Como o etanol funciona no tratamento e por que ele é usado?

O etanol (o mesmo álcool presente em cerveja, vinho e destilados) compete com o metanol no fígado. Ou seja, quando o fígado está ocupado metabolizando o etanol, o metanol fica “em espera” e demora mais para ser transformado em suas formas tóxicas. Isso dá tempo para o corpo eliminar parte da substância pela urina e permite que o paciente receba tratamento hospitalar adequado.

 

Qual a diferença do etanol para o antídoto específico contra o metanol que está chegando aos hospitais brasileiros?

O antídoto específico chama-se fomepizol. Ele bloqueia diretamente a enzima responsável por transformar o metanol em ácido fórmico, sendo mais eficaz e seguro do que o etanol. Enquanto o etanol é uma alternativa útil e disponível, o fomepizol é a opção de primeira linha nos países onde está disponível.

 

Enquanto o fomepizol não é disponibilizado de forma geral no Brasil, quais medidas imediatas podem salvar a vida do paciente?

Além do uso de etanol em ambiente hospitalar, é fundamental o suporte intensivo: hidratação venosa, correção do desequilíbrio ácido do sangue e, nos casos mais graves, hemodiálise para remover rapidamente o metanol e seus derivados tóxicos do organismo.

 

Existe algum tempo crítico entre a ingestão e o início do tratamento que aumenta as chances de sobrevivência? O que deve ser feito para mitigar as consequências neste caso?

Sim. Quanto mais cedo o tratamento começar, maiores as chances de evitar sequelas e salvar a vida. Os sintomas podem demorar de 6 a 24 horas para aparecer, o que atrasa a busca por ajuda. O ideal é que qualquer suspeita de ingestão de bebida adulterada leve a pessoa imediatamente ao hospital. Não esperar os sintomas surgirem é a medida mais importante para mitigar as consequências.

 

Como se prevenir contra intoxicações por metanol?

Neste momento de incertezas, o melhor é evitar ingestão de bebidas destiladas, em especial em estabelecimentos duvidosos, que não garantam a procedência da bebida. 

 

Rede Mater Dei de Saúde

 

Câncer de mama não tem idade: diagnóstico e cuidado exigem olhar individual para cada mulher

 

Segundo especialistas do Hospital Santa Catarina – Paulista, 40% dos diagnósticos estão

concentrados em mulheres com menos de 50 anos; na outra ponta, cresce o número de diagnósticos

em pessoas idosas, o que reforça a importância do olhar individualizado

 

Tipo que mais acomete as mulheres no Brasil, o câncer de mama requer estratégias cada vez mais específicas. A avaliação individualizada permite rastrear de forma precisa, personalizar o tratamento e equilibrar eficácia e qualidade de vida ao considerar o contexto da paciente de forma ampla, para além do tipo biológico do tumor e o histórico genético. 

“Na prática, trata-se de um olhar integral sobre a mulher e não apenas sobre o tumor”, explica o Dr. Isaac Fermann, mastologista do Hospital Santa Catarina - Paulista. Para ele, seja na fase de rastreio ou de tratamento do câncer de mama, é preciso considerar as características da mulher: “Há casos em que o rastreio deve ser feito antes mesmo da idade indicada, por exemplo”. 

O corpo clínico do Hospital Santa Catarina - Paulista segue as diretrizes da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), e das entidades médicas internacionais, que recomendam o rastreamento anual do câncer de mama por mamografia a partir dos 40 anos, defendendo essa posição devido à alta incidência da doença nesta faixa etária. 

“Há um grande potencial de redução da mortalidade com a detecção precoce. Por isso, a partir dos 40 anos, é preciso discutir individualmente essa possibilidade com o médico. Uma mulher que tem risco elevado, com histórico familiar, no entanto, deve ter sua situação avaliada de forma diferente de quem está fora da zona de perigo”, afirma o especialista. 

Além da observação atenta aos fatores de risco, qualquer alteração suspeita na mama deve ser investigada de forma rápida, garantindo diagnóstico e tratamento adequados. A detecção precoce é a principal arma contra a doença. “A mamografia pode identificar tumores até 10 anos antes de serem palpáveis. Quanto mais cedo temos o diagnóstico, maior a chance de cura”, reforça Dr. Isaac Fermann.
 

Estratégia para além da idade 

Dr. Aumilto Augusto da Silva Júnior, oncologista do Hospital Santa Catarina - Paulista, reforça que o câncer de mama não tem idade e requer estratégias para além da faixa etária. “Hoje, 40% dos diagnósticos estão concentrados em mulheres com menos de 50 anos, mais do que se vê nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo”, afirma. 

Ao passo em que o câncer de mama aparece cada vez mais cedo, cresce também o número de diagnósticos em pessoas idosas, uma tendência que acompanha a curva de envelhecimento da população brasileira. Neste aspecto, a lógica do tratamento é diferente: a idade cronológica tem menos peso do que a funcionalidade da paciente. 

“Com apoio da oncogeriatria, que tem por foco as pessoas 60+, cabe avaliar não apenas a expectativa, mas a qualidade e o estilo de vida dessa idosa. O rastreio em idade superior aos 60 anos é essencial, mas o principal é o olhar individualizado para a paciente e seu histórico”, afirma o profissional do Hospital Santa Catarina - Paulista.

 

Tratamentos personalizados e menos agressivos 

Medicina personalizada e novos marcadores moleculares permitem decisões mais precisas e terapias sob medida para cada perfil de paciente. Hoje, é possível preservar mais a integridade física e emocional da paciente sem perder eficácia no tratamento. Para mulheres acima dos 70 anos, por exemplo, alternativas como a hormonioterapia podem ser eficazes e menos agressivas. 

“Os avanços da oncologia e a abordagem inclusiva oferecem mais chances de cura e tratamentos menos invasivos. Há pacientes que respondem melhor a terapias-alvo; outras, a hormonioterapia; e em alguns casos, podemos até evitar tratamentos mais intensos sem comprometer o resultado clínico”, avalia o Dr. Aumilto Augusto. 

Essas mudanças caminham junto ao conceito de medicina de precisão, que combina dados clínicos, genéticos e ambientais para que o cuidado seja planejado de forma individual. A incorporação de testes genômicos, como os de expressão gênica, permite ajustar a indicação de quimioterapia, especialmente em tumores iniciais, e assim reduzir efeitos adversos.

 

Prevenção primária 

A prevenção consiste em reduzir os fatores de risco modificáveis e ter hábitos que aumentem a proteção. Prática de atividade física, manutenção do peso corporal adequado, alimentação saudável e redução do consumo de bebidas alcoólicas estão associadas a menor risco de desenvolver câncer de mama. 

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 73,6 mil novos casos de câncer de mama em 2025, o que mantém a doença como a mais incidente entre as mulheres e a primeira causa de morte por câncer feminino no país. 


Sinais e sintomas

  • Caroço (nódulo), geralmente endurecido, fixo e indolor;
  • Pele da mama avermelhada ou parecida com casca de laranja, alterações no bico do peito (mamilo) e saída espontânea de líquido de um dos mamilos;
  • Pequenos nódulos no pescoço ou na região embaixo dos braços (axilas).

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