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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Saúde: IA acelera testes e aproxima pesquisa da prática clínica

Saúde digital avança no Brasil com assistentes virtuais que engajam pacientes, interpretam dados complexos e monitoram segurança dos medicamentos após aprovação

 

A busca por novos medicamentos é longa, cara e repleta de riscos. Em média, um fármaco leva até 12 anos para chegar ao mercado e custa mais de 2 bilhões de dólares, segundo a consultoria Deloitte. No Brasil, o processo pode ser ainda mais desafiador diante das burocracias regulatórias. Neste cenário, a inteligência artificial generativa surge como aliada para encurtar caminhos e reduzir custos. 

Instituições de referência já começaram a adotar a tecnologia. A Fiocruz lançou recentemente a Rebec@, a primeira IA generativa do mundo dedicada ao registro de pesquisas clínicas. A ferramenta funciona 24 horas por dia, com base em normas da Organização Mundial da Saúde, e tem como missão agilizar a análise de projetos e ampliar a transparência na ciência. O Instituto Butantan, por sua vez, estuda aplicações para otimizar protocolos de testes e gestão de processos internos relacionados à pesquisa e desenvolvimento. 

Para Fábio Tiepolo, fundador da StaryaAI, referência na criação de agentes de inteligência artificial generativa aplicada, a grande promessa está em transformar dados hoje dispersos em insights estratégicos. “Cerca de 80% das informações clínicas e operacionais estão em textos e relatórios não estruturados. A IA consegue interpretar esses dados em segundos, permitindo identificar padrões, reduzir erros e acelerar desde a triagem de voluntários até o monitoramento pós-lançamento de medicamentos”, afirma. 

Segundo ele, os agentes inteligentes já ajudam a reduzir taxas de desistência em testes clínicos, engajando pacientes por canais digitais, e têm papel crescente na farmacovigilância ativa, registrando efeitos adversos em tempo real. “Se no passado a indústria dependia de processos manuais e lentos, hoje conseguimos acompanhar milhares de interações de forma contínua. Isso aumenta a segurança e a eficácia dos tratamentos”, explica. 

O impacto pode ser significativo. Relatório da consultoria McKinsey estima que o uso da IA generativa na saúde pode gerar ganhos de até 150 bilhões de dólares por ano em eficiência no setor global. No Brasil, os primeiros projetos sinalizam uma mudança estrutural: de uma indústria guiada por etapas rígidas para um modelo mais ágil e dinâmico, em que a tecnologia atua como catalisadora da inovação. 

Apesar do otimismo, especialistas destacam que a aplicação exige cuidado, principalmente devido a questões regulatórias. Mas, se bem conduzida, a IA generativa pode representar um divisor de águas. “Estamos diante de uma oportunidade única: acelerar a descoberta e o monitoramento de medicamentos sem abrir mão da segurança. A tecnologia não substitui o cientista ou o médico, mas amplia radicalmente sua capacidade de atuar”, complementa Fabio Tiepolo.

 

Como exames de imagem são decisivos para rastreamento precoce do Alzheimer

Setembro marca o mês mundial de conscientização sobre a doença, que afeta cerca de 1,2 milhão de brasileiros

 

Setembro é reconhecido mundialmente como o mês de conscientização sobre a Doença de Alzheimer, tendo o dia 21 como marco principal. A data chama a atenção para os desafios crescentes dessa condição neurodegenerativa que, segundo estimativas da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), já atinge cerca de 1,2 milhão de brasileiros e tende a crescer com o envelhecimento da população. 

O diagnóstico precoce é considerado um dos principais aliados no enfrentamento da doença. Consultas regulares e o acompanhamento médico, aliados a exames de imagem, têm papel essencial no rastreamento de alterações cognitivas. Entre esses exames, a ressonância magnética (RM) tem capacidade de identificar mudanças no cérebro ainda nos estágios iniciais, possibilitando uma investigação detalhada e contribuindo para estratégias de intervenção mais eficazes. 

“A ressonância magnética permite avaliar estruturas como o hipocampo, região do cérebro diretamente ligada à memória e frequentemente afetada nos estágios iniciais do Alzheimer. Quanto mais cedo essas alterações são identificadas, maiores as chances de intervenção precoce e de estratégias para retardar a progressão da doença”. É importante atentar-nos para a utilização de sistemas multipacientes (SMP) com estudos científicos nas RM, o SMP Transfer-Fill é amplamente utilizado no Brasil e tem publicação científica, assim como o Patient-Set - um por paciente - explica a enfermeira e PhD Marcela Padilha, Coordenadora de Desenvolvimento de Produtos e Suporte Clínico da ALKO do Brasil, indústria farmacêutica especializada em diagnóstico por imagem. 

O exame se destaca por ser não invasivo, seguro e de alta precisão, fornecendo informações valiosas sobre atrofias, padrões de degeneração e até biomarcadores associados a quadros demenciais. Atualmente, diretrizes internacionais recomendam o uso da ressonância magnética como parte do protocolo de investigação de pacientes com queixas de perda de memória persistente ou comprometimento cognitivo leve. 

Além do diagnóstico precoce, a ressonância magnética também é importante para descartar outras doenças que podem mimetizar sintomas de demência, como tumores, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e alterações metabólicas. 

“Em um cenário em que não há cura definitiva para o Alzheimer, investir em rastreamento e acompanhamento precoce é fundamental para oferecer qualidade de vida, planejamento familiar e melhor resposta aos tratamentos disponíveis”, acrescenta Padilha.


Setembro Amarelo e a cirurgia plástica: saúde mental, autoestima e responsabilidade médica

O mês de setembro é marcado pela campanha Setembro Amarelo, voltada à conscientização e prevenção do suicídio. Entre os diversos fatores que impactam a saúde mental, a autoestima e a percepção da própria imagem corporal ganham destaque e é nesse ponto que a cirurgia plástica entra como uma aliada, mas também como um campo que exige cautela e responsabilidade. 

Segundo o cirurgião plástico Dr. Hugo Sabath, da Clínica Líbria, a procura por procedimentos estéticos cresce a cada ano, e muitos pacientes chegam ao consultório movidos pelo desejo de melhorar a autoestima. Porém, é essencial diferenciar quando a cirurgia pode, de fato, contribuir para o bem-estar e quando há riscos ligados a questões emocionais não resolvidas. 

 “A cirurgia plástica pode ser transformadora quando realizada com indicação adequada, proporcionando melhora da autoconfiança e da qualidade de vida. Mas também pode ser um risco se o paciente apresenta expectativas irreais ou distorções da própria imagem. Por isso, a avaliação prévia é fundamental”, explica Dr. Sabath.

 

Autoestima e limites da cirurgia 

Estudos mostram que a melhora da aparência pode impactar positivamente no bem-estar emocional, mas os resultados variam conforme a motivação individual. O cirurgião alerta que, em alguns casos, a procura pela cirurgia é reflexo de uma condição conhecida como transtorno dismórfico corporal (TDC), quando o paciente enxerga defeitos inexistentes ou desproporcionais. 

 “Se percebemos sinais de que a cirurgia não vai trazer equilíbrio, mas sim alimentar uma insatisfação crônica, é nosso dever orientar e até encaminhar o paciente para apoio psicológico antes de qualquer intervenção”, completa Dr. Sabath.


A perspectiva jurídica

 

Nesse cenário, a responsabilidade do cirurgião também é acompanhada de implicações legais. A advogada Dra. Beatriz Guedes, especialista em Direito Médico, destaca que a ética deve prevalecer sobre a pressão estética ou comercial. 

 “O médico tem a obrigação legal e ética de recusar procedimentos quando identificar riscos à saúde do paciente, sejam eles físicos ou psicológicos. A cirurgia plástica não pode ser encarada como solução imediata para problemas emocionais. O profissional deve agir com prudência e registrar todas as orientações no prontuário”, explica Dra. Guedes. 

Segundo a especialista, quando há negligência na avaliação prévia ou promessas irreais de resultados, podem surgir ações judiciais por erro médico ou falha no dever de informação.

 

Dicas para pacientes que pensam em cirurgia plástica 

- Avalie sua motivação: reflita se o desejo de mudança vem de você ou de pressões externas.

- Busque profissionais qualificados: escolha médicos com título de especialista reconhecido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

- Tenha expectativas realistas: a cirurgia pode melhorar, mas não transformar completamente a vida.

- Considere apoio psicológico: em alguns casos, o acompanhamento emocional é tão importante quanto a cirurgia.



Conclusão 

O Setembro Amarelo reforça a importância de olhar para além da estética. A cirurgia plástica pode, sim, contribuir para a autoestima e a qualidade de vida, mas precisa ser conduzida com responsabilidade, ética e atenção à saúde mental. 

 “Nosso papel não é apenas operar, mas entender o paciente em sua totalidade. Quando estética e saúde emocional caminham juntas, os resultados são muito mais positivos e duradouros”, finaliza Dr. Hugo Sabath.




Dr. Hugo Sabath - Cirurgião Plástico – CRM 131.199/SP

 

84% dos brasileiros declaram que problemas financeiros afetam sua saúde mental, revela Serasa

  • 70% já perderam o sono preocupados com dívidas;
  • 65% afirmam se esforçar para esconder suas dificuldades financeiras;
  • 49% já deixaram de buscar ajuda por não conseguir pagar consultas ou terapias;
  • 45% sentem culpa ao pedir dinheiro emprestado.

 

As contas não pagas e a pressão financeira ultrapassaram a esfera econômica e estão comprometendo a saúde mental dos brasileiros. Em pesquisa da Serasa, realizada em parceria com o Instituto de Pesquisa Opinion Box, 84% dos brasileiros afirmam já ter tido a saúde mental afetada por problemas financeiros. 

Em meio a campanha de Setembro Amarelo, dedicada à promoção do cuidado com a saúde mental, o levantamento mostra que os impactos aparecem principalmente no humor e estabilidade emocional (48%) – na sequência, aparecem as consequências na autoestima (44%), na energia e disposição (32%) e na concentração no trabalho e nos estudos (30%). Além disso, 70% já perderam o sono preocupados com dívidas, e 65% afirmam se esforçar para esconder suas dificuldades financeiras de outras pessoas. 

Os brasileiros entrevistados afirmam já lidar com problemas de saúde mental, independentemente das dificuldades financeiras. Neste cenário, o estresse financeiro pode atuar como um gatilho preocupante.

 


Barreiras financeiras para tratamento psicológico 

O obstáculo fica maior quando o fator financeiro se torna barreira para o tratamento psicológico: 49% já deixaram de buscar ajuda por não conseguir pagar consultas ou terapias. 

Segundo Patricia Camillo, especialista da Serasa em educação financeira, a crise financeira não pesa apenas no bolso, mas limita escolhas importantes da vida das pessoas. “Quando quase metade dos brasileiros deixa de buscar ajuda psicológica por não conseguir pagar, fica evidente que a dificuldade financeira é hoje um dos maiores entraves para o bem-estar mental da população”, afirma. 

A pesquisa também mostra que os problemas financeiros afetam diretamente os relacionamentos pessoais: 45% sentem culpa ao pedir dinheiro emprestado, 41% evitam conversas sobre o tema e 29% acabam se isolando de amigos e familiares. 

Apesar do cenário desafiador, há um ponto de atenção positiva: 95% dos brasileiros reconhecem a saúde mental como tão importante quanto a saúde física – sendo que destes, 19% a consideram até mais relevante. 

“Saúde financeira e saúde mental caminham juntas. Cuidar das finanças é também uma forma de preservar o equilíbrio emocional e melhorar a qualidade de vida”, conclui a especialista.

 

Metodologia

Pesquisa realizada pela Serasa e Opinion Box entre 8 e 19 de agosto de 2025. Com 1.240 entrevistas realizadas em todo o país. Margem de erro de 2.8 pp.

 

Serasa
www.serasa.com.br
@serasa


Seis pilares para uma boa saúde cerebral ao longo da vida: evidências científicas apoiam adoção imediata

 

Neurologista aponta os principais cuidados para evitar doenças neurológicas ao longo da vida


A saúde cerebral, um conceito dinâmico e multifacetado, assume um papel central nas discussões contemporâneas sobre o bem-estar e o desenvolvimento humano. Longe de ser meramente a ausência de doenças, a Organização Mundial da Saúde (OMS) define a saúde cerebral como o estado em que o cérebro funciona de forma otimizada em domínios cognitivos, sensoriais, socioemocionais, comportamentais e motores, permitindo que uma pessoa realize seu pleno potencial ao longo da vida. Essa capacidade intrínseca do cérebro de se adaptar, crescer e construir conexões neuronais robustas, bem como de se recuperar ou compensar lesões, é fundamental para o nosso senso, pensamento, movimento e interação com o mundo.

A relevância de se abordar a saúde cerebral de forma proativa é inegável, especialmente diante do crescente ônus das condições neurológicas globais, transtornos neurológicos representam a principal causa de anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs) e a segunda principal causa de morte globalmente, sendo responsáveis por milhões de óbitos anualmente. Quase uma em cada três pessoas desenvolverá um transtorno neurológico em algum momento da vida, sublinhando a urgência de estratégias eficazes. Contudo, a resposta global ainda é insuficiente, com acesso inadequado e desigualmente distribuído a serviços e intervenções.

De acordo com o médico neurologista, Dr. Mateus Boaventura, a boa notícia é que a otimização da saúde cerebral não exige medidas complexas ou inacessíveis, mas sim a adoção consistente de hábitos cotidianos que, quando integrados, promovem um impacto profundo e duradouro. Baseando-se em diretrizes internacionais e evidências científicas robustas, identificamos seis pilares fundamentais para cultivar uma saúde cerebral resiliente e funcional ao longo de toda a existência:


ATIVIDADE FÍSICA

O exercício físico é um dos mais potentes e acessíveis aliados da saúde cerebral, atuando muito além da manutenção da saúde cardiovascular e metabólica. A prática regular de atividades físicas, conforme o documento da OMS salienta na seção sobre saúde física, está intrinsecamente ligada à neuroplasticidade – a capacidade do cérebro de formar e reorganizar conexões sinápticas. Ele estimula a liberação de fatores neurotróficos, como o Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF), essencial para o crescimento neuronal e a resiliência cerebral. Além disso, o exercício ajuda a amortecer a inflamação sistêmica, que pode ser prejudicial ao tecido cerebral. Estudos demonstram que a atividade física melhora a função cognitiva, incluindo memória e atenção, e pode reduzir o risco de desenvolvimento de demências e outras doenças neurológicas. A recomendação da OMS de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, como caminhada, dança, natação ou ciclismo, representa um investimento direto na longevidade e qualidade das funções cerebrais.


ESTIMULAÇÃO COGNITIVA CONSTANTE: MANTENDO O CÉREBRO EM CRESCIMENTO PERPÉTUO

A mente, assim como o corpo, prospera com o desafio. A estimulação cognitiva constante é vital para a manutenção e aprimoramento das funções cerebrais em todas as fases da vida. Conforme o relatório da OMS discute sob a ótica do aprendizado e da conexão social, atividades que engajam o raciocínio, a criatividade e a resolução de problemas promovem a neurogênese (nascimento de novos neurônios) e fortalecem as redes neurais existentes, contribuindo para a "reserva cognitiva". Essa reserva age como um amortecedor contra o declínio, permitindo que o cérebro funcione eficientemente mesmo diante de algum dano ou envelhecimento. Aprender um novo idioma, resolver quebra-cabeças complexos, explorar novas habilidades artísticas ou intelectuais, e até mesmo engajar-se em profissões que exigem alto estímulo cognitivo, demonstraram estar associadas a um menor risco de demência. O documento da OMS referencia estudos que mostram que pessoas com empregos cognitivamente estimulantes tinham um risco menor de desenvolver demência, com insights sobre a proteção contra a degradação de proteínas associadas a doenças neurodegenerativas. É um lembrete de que o aprendizado é um processo contínuo e um dos pilares mais poderosos para a saúde cerebral.


ALIMENTAÇÃO INTELIGENTE: NUTRIÇÃO PARA UM CÉREBRO RESILIENTE

A relação entre dieta e saúde cerebral é profunda e bidirecional. A nutrição adequada, ou a ausência dela, influencia a estrutura e o funcionamento do cérebro desde a fase intrauterina até a idade avançada. Dietas ricas em frutas, vegetais, grãos integrais, oleaginosas e peixes gordurosos, como a Dieta Mediterrânea, têm sido consistentemente associadas a um menor risco de doenças neurodegenerativas, incluindo Alzheimer e outras demências. O documento da OMS enfatiza a importância de uma nutrição balanceada para a saúde cerebral ao longo da vida, citando que deficiências nutricionais, especialmente na vida adulta e na velhice, estão ligadas ao início do declínio cognitivo. Por outro lado, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares, gorduras saturadas e sódio, pode induzir estresse oxidativo e inflamação crônica, favorecendo a degeneração neuronal e contribuindo para o desenvolvimento de condições como diabetes e obesidade, que são fatores de risco para a saúde cerebral. Cuidar do que comemos é cuidar das nossas conexões sinápticas.


CONEXÕES SOCIAIS: O LAÇO HUMANO QUE PROTEGE O CÉREBRO

A interação social, as conversas e os laços afetivos são muito mais do que meras atividades de lazer; são verdadeiros "treinos" para o cérebro e determinantes cruciais da saúde cerebral. A OMS reconhece a conexão social como um pilar fundamental, destacando que a qualidade dos apegos e do suporte social ao longo da vida impacta diretamente a estrutura e a função cerebral. Maiores redes sociais, por exemplo, estão associadas a volumes maiores de múltiplas estruturas cerebrais no córtex cerebral, e a qualidade dessas conexões está ligada a áreas cerebrais importantes para a memória. A socialização ativa múltiplas redes cognitivas simultaneamente e é um fator protetor contra o declínio mental. Em contrapartida, a solidão e o isolamento social, particularmente na idade adulta avançada, são fatores de risco modificáveis significativos para o desenvolvimento de comprometimento cognitivo e demência. Construir e manter relacionamentos significativos não é apenas gratificante, mas essencial para a vitalidade cerebral.

SONO DE QUALIDADE: O REPOUSO REPARADOR PARA A MENTE

O sono não é um estado de inatividade cerebral, mas sim um período crucial de intensa atividade reparadora e reorganizadora. Durante o sono profundo, o cérebro realiza uma "limpeza" metabólica vital, removendo subprodutos tóxicos acumulados durante a vigília e consolidando memórias e aprendizados. O documento da OMS enfatiza que a quantidade e a qualidade do sono têm um impacto profundo na saúde cerebral ao longo de toda a vida. A privação crônica de sono, definida como menos de 6 horas por noite em adultos, tem sido associada a um risco significativamente maior de demência. Além disso, distúrbios do sono podem levar ao aumento da inflamação sistêmica, impactando negativamente a saúde cerebral. Buscar entre 7 e 9 horas de sono de qualidade por noite é um dos investimentos mais eficazes na prevenção de doenças neurodegenerativas e na otimização do desempenho cognitivo.


CONTROLE DOS FATORES DE RISCO VASCULAR E EMOCIONAL: PROTEGENDO O CÉREBRO DE DENTRO PARA FORA

O cérebro é intrinsecamente ligado à saúde do corpo. Fatores de risco vascular, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e obesidade, são frequentemente citados no documento da OMS como determinantes da saúde cerebral, pois afetam diretamente o suprimento sanguíneo e a integridade dos vasos cerebrais. Essas condições aumentam substancialmente o risco de acidente vascular cerebral (AVC) e demência, entre outras patologias neurológicas. O tabagismo e o consumo excessivo de álcool também são extremamente prejudiciais, contribuindo para danos diretos e indiretos ao tecido cerebral. A OMS detalha que o tabagismo está associado a um risco aumentado de AVC, demência e esclerose múltipla, enquanto o uso nocivo de álcool pode levar a atrofia cortical e degeneração cerebelar.

Além disso, a saúde emocional e mental desempenha um papel inseparável na saúde cerebral. Condições como depressão e estresse crônico podem levar a alterações na estrutura cerebral, como a hiperativação da amígdala e do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), que modulam a resposta ao estresse. O relatório da OMS aponta que a adversidade socioeconômica, por exemplo, pode influenciar o risco de doenças cardiovasculares por meio de cascatas de estresse direcionadas pelo cérebro. Gerenciar essas condições por meio de check-ups regulares, acompanhamento médico e psicológico, e a adoção de estratégias de redução de estresse, como técnicas de mindfulness ou ioga, são essenciais para proteger a integridade cerebral. A perda auditiva, embora por vezes subestimada, também é reconhecida como um fator de risco para a saúde cerebral, sendo responsável por uma parcela significativa da prevalência global de demência. Cuidar da saúde física e mental é, portanto, cuidar da saúde cerebral em sua totalidade.


Evidências Concretas e o Impacto do Investimento Precoce

A importância da abordagem multifacetada para a saúde cerebral é corroborada por uma vasta base de evidências. O estudo conduzido por Liu e colaboradores, publicado na revista Neurology, que avaliou mais de 29 mil idosos chineses, reforça de forma contundente essa perspectiva. Ao demonstrar que a adesão a apenas quatro a seis hábitos de vida saudáveis está associada a uma redução drástica de até 90% no risco de demência, a pesquisa consolida a ideia de que pequenas e consistentes mudanças no estilo de vida podem gerar efeitos duradouros e transformadores. Estes dados são um testemunho da capacidade de resiliência e adaptação do cérebro, mesmo na idade avançada.

O impacto da otimização da saúde cerebral estende-se muito além da redução da incidência de doenças neurológicas. A OMS salienta que esse otimismo se traduz em benefícios sociais e econômicos amplos: desde a diminuição dos custos com saúde e a redução de incapacidades, até o aumento das taxas de retenção escolar, a redução da gravidez na adolescência e das taxas de encarceramento, e um incremento na produtividade e na riqueza individual e social. O conceito de "capital cerebral", emergente nos campos da economia e ecologia, reflete o imenso impacto do funcionamento cerebral nas sociedades e busca quantificar as perdas potenciais caso a saúde cerebral seja negligenciada.

Investimentos em desenvolvimento infantil precoce, por exemplo, podem trazer ganhos substanciais ao longo da vida, com retornos significativos. A "Curva de Heckman" ilustra que os maiores retornos financeiros para intervenções sociais ocorrem na primeira infância e na fase pré-escolar, dada a extraordinária neuroplasticidade do cérebro nessa etapa. Embora as intervenções precoces sejam mais custo-efetivas, o suporte contínuo ao longo da infância, adolescência e vida adulta ainda oferece ganhos substanciais, reforçando que nunca é tarde para adotar hábitos protetores.

Em suma, a saúde cerebral é um bem inestimável que deve ser valorizado, promovido e protegido em todas as fases da vida. Sua otimização exige uma colaboração multissetorial e um compromisso integrado de toda a sociedade – abrangendo saúde, educação, legislação, finanças, emprego, infraestrutura e meio ambiente. Conforme enfatiza o Dr. Mateus Boaventura, "É essencial promover uma cultura de cuidado cerebral desde a juventude. Cuidar do cérebro é cuidar de quem seremos no futuro".

  

Dr. Mateus Boaventura de Oliveira - Médico Neurologista, professor e pesquisador, o Dr. Mateus Boaventura de Oliveira é tem formação em Neurologia e doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), com formação em esclerose múltipla no renomado Cemcat – Hospital Vall d’Hebron, em Barcelona. Atua no Hospital Sírio-Libanês e possui vasta experiência em Esclerose Múltipla. É detentor do título de especialista pela Academia Brasileira de Neurologia e dedica-se ativamente à pesquisa científica e ao acompanhamento de pacientes com EM. O Dr. Mateus Boaventura também mantém canais dedicados à disseminação de informações sobre a Esclerose Múltipla e outras doenças neurológicas, oferecendo conteúdo didático e acessível ao público.


Inscrições abertas para residência médica e áreas de atuação em pediatria

Crédito: Wynitow Butenas
Os interessados têm até 20 de outubro para inscrever-se, e as provas serão aplicadas presencialmente, em Curitiba (PR), no dia 9 de novembro


 

O Hospital Pequeno Príncipe está com inscrições abertas, até 20 de outubro, para o processo seletivo dos programas de residência médica e áreas de atuação em pediatria, bem como da Residência em Medicina de Família e Comunidade. A prova objetiva será realizada no dia 9 de novembro.Os processos seletivos são desenvolvidos em parceria com a Faculdades Pequeno Príncipe.

 

Referência na formação de especialistas

52 anos, o Pequeno Príncipe é reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) como instituição formadora em residências médicas. Desde a década de 1930, a instituição recebe estudantes de Medicina; à época, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal. 

“A história da pediatria do Paraná está presente na história do Complexo Pequeno Príncipe.Considerado um Hospital especializado, oferece programas em 16 áreas distintas, com destaque para a pediatria, um dos mais procurados do Brasil, além de especialidades cirúrgicas como ortopedia e cirurgia pediátrica. A excelência do ensino atrai médicos de todo o país e também do exterior. São mais de cem anos no ensino da medicina da criança e do adolescente”, reforça o médico pediatra e diretor de Ensino e Bioética do Hospital Pequeno Príncipe, Donizetti Dimer Giamberardino Filho.

 

Conhecimento compartilhado

“O Pequeno Príncipe representa a base da minha formação como médica. Aqui, não só aprendi sobre a medicina, mas também sobre carinho e resiliência. Cada dia é uma nova oportunidade de aprender e crescer, e isso é o que mais valorizo na minha trajetória”, conta Evelise Tissori Vargas, que fez residência em Pediatria e Nefrologia no Pequeno Príncipe. Além de exercer a pediatria no Hospital, Evelise atua como preceptora, orientando e acompanhando o processo de aprendizagem de residentes. 

Em 2024, foram ofertados 15 programas de residência e 11 programas de especialização, que juntos capacitaram 146 profissionais médicos em pediatria. Já pelos programas de estágio passaram 1.080 estudantes de medicina.

 

Residência médica e cursos oferecidos

Entre os programas de residência, cujo tempo de duração varia de um ano a três anos, estão pediatria, cirurgia pediátrica, oncologia pediátrica, ortopedia e traumatologia, psiquiatria da infância e adolescência e medicina de família e comunidade. 

Já entre os programas de residência para áreas de atuação em pediatria, com dois anos de duração, estão as especialidades de cardiologia, gastroenterologia pediátrica, medicina intensiva pediátrica, nefrologia pediátrica, neonatologia, neurologia pediátrica, nutrologia, pneumologia e reumatologia pediátrica.

 

Fique atento!

As inscrições para a especialização em Saúde da Criança e Adolescente com Área de Ênfase em Ortopedia Pediátrica, Cirurgia da Mão Pediátrica e Cirurgia da Coluna Vertebral, e para os cursos de especialização em Saúde da Criança e do Adolescente, começam no dia 15 de setembro e vão até o dia 2 de fevereiro de 2026. Há vagas para anestesiologia, cirurgia cardíaca pediátrica I e II, cirurgia geniturinária, transplante renal e videoendourologia, radiologia pediátrica, otorrinolaringologia pediátrica, transplante de medula óssea pediátrico, emergência pediátrica, oftalmologia pediátrica, eletrofisiologia e transplante hepático pediátrico.

 

Para acessar os editais na íntegra e as páginas de inscrição, clique nos links abaixo.

Residência médica e áreas de atuação em pediatria

Residência em Medicina de Família e Comunidade

Cursos de especialidades

 

Nova esperança contra a depressão grave: entenda como age a quetamina

Estudos mostram que a quetamina pode reduzir ideação suicida em até 80% dos pacientes nas primeiras 24 horas após aplicação

 

A campanha Setembro Amarelo, dedicada à prevenção do suicídio e à valorização da vida, chama atenção para a depressão, um dos transtornos mentais mais prevalentes e frequentemente associado ao risco de autoextermínio. Anualmente, cerca de 332 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de depressão, o que representa aproximadamente 5,7% da população adulta global segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Brasil, o Ministério da Saúde estima que 11,3% da população adulta recebeu diagnóstico médico do transtorno no último ano, com prevalência maior entre mulheres (14,7%) do que entre homens (7,3%). Esses números reforçam a importância de reconhecer tempestivamente os sintomas, como tristeza persistente, perda de prazer, isolamento social, alterações no sono e apetite, e sentimento de desesperança, pois, quando não tratados, podem evoluir para quadros críticos.

Nesse cenário, tratamentos inovadores têm se mostrado aliados importantes. Entre eles está a quetamina, medicamento que vem sendo estudado e aplicado em ambiente clínico controlado para casos de depressão grave e resistente, especialmente quando há risco de suicídio.

Pesquisas, como a conduzida pela Universidade Columbia e publicada no American Journal of Psychiatry, revelam que a substância pode reduzir a ideação suicida em até 80% dos pacientes nas primeiras 24 horas após a aplicação.

“A quetamina possui um mecanismo de ação único, diferente dos antidepressivos tradicionais, pois atua sobre o glutamato, neurotransmissor fundamental para o sistema nervoso central. Essa ação rápida pode oferecer uma ‘janela terapêutica’, permitindo que o paciente engaje melhor em psicoterapia e outras intervenções”, explica o psiquiatra Dr. Ricardo Sbalqueiro, do grupo ViV Saúde Mental e Emocional.

Segundo o especialista, a indicação ocorre principalmente em dois contextos: depressão grave com risco de suicídio e depressão resistente ou refratária, quando o paciente não responde a pelo menos dois antidepressivos de classes diferentes. A administração pode ser feita por via intravenosa, subcutânea ou intranasal, com protocolos que geralmente iniciam em duas sessões semanais, ajustando a frequência ao longo do tempo.

Os efeitos colaterais costumam ser passageiros e desaparecem no mesmo dia, e o risco de dependência é mínimo quando o uso é feito em ambiente médico seguro. Antes do início do tratamento, é realizada uma triagem cuidadosa para avaliar histórico, perfil clínico e possíveis contraindicações.

Para o Dr. Sbalqueiro, a campanha Setembro Amarelo é uma oportunidade de ampliar o debate sobre acesso a tratamentos eficazes e, sobretudo, sobre a necessidade de buscar ajuda.

“A quetamina não é uma cura milagrosa, mas é uma ferramenta valiosa quando usada no contexto certo. O mais importante é que pacientes e familiares reconheçam os sinais da depressão e saibam que existem recursos terapêuticos capazes de oferecer alívio rápido em situações de alto risco”, reforça.

 


ViV Saúde Mental e Emocional


Cirurgia bariátrica no Brasil: novas diretrizes ampliam acesso e reforçam segurança

O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, em maio de 2025, a Resolução nº 2.429/25, promovendo mudanças significativas nas diretrizes para a realização da cirurgia bariátrica e metabólica no Brasil. As atualizações visam ampliar o acesso ao procedimento e reforçar a segurança dos pacientes, refletindo avanços científicos na compreensão da obesidade como uma doença crônica e multifatorial.


Principais mudanças nas diretrizes

A nova resolução estabelece que pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) entre 30 e 34,9 kg/m² podem ser elegíveis para a cirurgia, desde que apresentem comorbidades graves, como diabetes tipo 2 de difícil controle, apneia obstrutiva do sono ou esteatose hepática avançada.

Além disso, adolescentes a partir de 14 anos com obesidade grave (IMC acima de 40 kg/m²) e complicações clínicas podem ser submetidos ao procedimento, desde que haja avaliação de uma equipe multidisciplinar e consentimento dos responsáveis legais.

A resolução também especifica que a cirurgia deve ser realizada em hospitais de grande porte, com capacidade para cirurgias de alta complexidade, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e equipe multidisciplinar disponível 24 horas. 

O Dr. Rafael Pires Resende, cirurgião bariátrico dos hospitais Mater Dei Santa Clara e Mater Dei Santa Genoveva, ressalta que a cirurgia bariátrica é um procedimento médico destinado ao tratamento da obesidade grave, promovendo a perda de peso significativa e a melhora de diversas condições de saúde associadas.


Crescimento do número de cirurgias

Entre 2020 e 2024, o Brasil realizou 291.731 cirurgias bariátricas, sendo 260.380 por meio de planos de saúde e 31.351 pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar do aumento, o número ainda é considerado insuficiente frente à demanda existente.


Avanços tecnológicos e eficácia do procedimento

O médico lembra que a cirurgia bariátrica é reconhecida como uma ferramenta eficaz, duradoura e econômica para o tratamento da obesidade. Avanços tecnológicos, como a videolaparoscopia e a cirurgia robótica, têm tornado o procedimento mais seguro, menos invasivo e com recuperação acelerada.


Importância do acompanhamento multidisciplinar

Especialistas destacam a importância do acompanhamento contínuo com equipe multiprofissional, incluindo reeducação alimentar, manutenção da atividade física regular e suporte psicológico, para garantir o sucesso a longo prazo da cirurgia bariátrica.

“Com as novas diretrizes, espera-se que mais pacientes possam se beneficiar do procedimento, contribuindo para a redução das taxas de obesidade e melhoria da qualidade de vida dos pacientes”, conclui o Dr. Rafael.

 

Combinação de exercício físico e ômega-3 reduz gravidade de infecção na raiz do dente

Pesquisador da Unesp explica que, para saber se o mesmo efeito seria obtido
em humanos, é preciso um estudo clínico com um número significativo
de pacientes. Trabalho, no entanto, traz mais uma evidência dos benefícios dos
 exercícios físicos e do consumo de ômega-3
(imagem: 
Brgfx/Freepik)

 Ratos submetidos a atividade física que tomaram suplemento do ácido graxo tiveram melhor resposta às bactérias e ao processo inflamatório da periodontite apical

 

Estudo publicado na revista Scientific Reports indica que a prática de exercício físico, aliada à suplementação com ômega-3, melhora consideravelmente a resposta imune e diminui a gravidade da periodontite apical crônica.

A inflamação no ápice do dente, como é chamada a ponta da raiz, e na região em volta dele tem como causa principal a cárie. Quando a cárie não é tratada, as bactérias chegam ao canal radicular do dente e o atravessam até o ápice, causando a periodontite apical. Essa condição leva à perda óssea na região.

O trabalho demonstra que exercício físico moderado com suplementação de ômega-3 melhora significativamente a condição inflamatória induzida pela periodontite apical. A combinação limitou a progressão bacteriana, reduziu a perda de tecido ósseo, modulou a liberação de citocinas pró-inflamatórias e estimulou a atividade de fibroblastos, células que criam e mantêm o tecido.

Se não for tratada, a infecção pode levar à perda do dente. Além disso, existe uma relação bidirecional entre a periodontite apical e alterações sistêmicas do paciente. Diabetes, síndrome metabólica, arteriosclerose e doenças renais, entre outras, podem piorar o quadro da periodontite apical. Ao mesmo tempo, a infecção no ápice pode piorar quadros dessas doenças.

“É uma condição que o paciente pode nem saber que tem devido ao seu caráter crônico, mas que pode evoluir, levando à destruição óssea e mobilidade do dente. Além disso, em situações específicas, como uma queda de imunidade, pode tornar-se aguda, então, o paciente passa a sentir dor, forma-se pus no local, o rosto pode ficar inchado”, explica Rogério de Castilho Jacinto, professor da Faculdade de Odontologia de Araçatuba da Universidade Estadual Paulista (FOA-Unesp) apoiado pela FAPESP, que orientou o estudo.

“Em ratos, o exercício físico isolado trouxe uma melhora sistêmica, regulando a resposta imune local. Além disso, quando associado à suplementação, diminuiu ainda mais o quadro destrutivo causado pela patologia endodôntica”, explica Ana Paula Fernandes Ribeiro, primeira autora do estudo, realizado durante doutorado na FOA-Unesp.


Menor inflamação

Os pesquisadores induziram a periodontite apical em 30 ratos, divididos em três grupos. No primeiro não foi feita nenhuma intervenção. O segundo e terceiro grupos foram submetidos a uma rotina de natação durante 30 dias.

O terceiro grupo também recebeu uma suplementação alimentar com ômega-3, um ácido graxo poli-insaturado conhecido pelos efeitos terapêuticos em doenças crônicas inflamatórias.

O grupo que apenas praticou natação teve desfechos mais favoráveis do que o controle, sem tratamento. Mas a suplementação com ômega-3, aliada ao exercício físico, regulou ainda mais a resposta imune e o controle da infecção.

As análises imuno-histoquímicas, que avaliam como o sistema imune atua diante de infecções, mostraram diferentes níveis das citocinas interleucina 17 (IL-17) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), que indicam a intensidade da resposta inflamatória.

Enquanto os ratos que não receberam nenhum tratamento tiveram níveis moderados dessas citocinas, os que fizeram exercícios físicos tiveram níveis menores, e os que tomaram suplementação, os mais baixos.

Além da menor quantidade dessas citocinas, o grupo que fez atividade física apresentou menor presença de osteoclastos, células que reabsorvem o tecido ósseo e, assim, indicam perda óssea. Os resultados foram ainda melhores no grupo que consumiu ômega-3, com diferenças estatísticas significativas em relação aos animais que não receberam tratamento.

Microtomografias das maxilas mostraram que os animais que praticaram natação tiveram menos perda de volume de osso alveolar, que recobre os dentes, do que os do grupo-controle. No grupo suplementado, a perda foi ainda menor.

Para os autores, o estudo traz novas evidências sobre os benefícios da atividade física e do ômega-3 para o sistema imune, agora com repercussões ainda mais evidentes sobre a saúde bucal.

“Para saber se o mesmo se daria com humanos, seria preciso um estudo clínico com um número significativo de pacientes. No entanto, somada aos inúmeros benefícios já comprovados da prática de exercícios físicos e do consumo de ômega-3, essa é mais uma evidência importante”, afirma Jacinto.

O trabalho contou com apoio da FAPESP por meio de bolsas de Iniciação Científica para Michely de Lima Rodrigues (20/13089-3 e 22/04884-0), outra coautora do estudo.

O artigo Physical exercise alone or combined with omega-3 modulates apical periodontitis induced in rats pode ser lido em: www.nature.com/articles/s41598-025-90029-9.
 


André Julião

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/combinacao-de-exercicio-fisico-e-omega-3-reduz-gravidade-de-infeccao-na-raiz-do-dente/55792



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