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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Ciberataques expõem falhas na cadeia digital do sistema financeiro e impulsionam corrida por seguros e resiliência operacional

Casos recentes envolvendo fintechs e empresas de tecnologia evidenciam a vulnerabilidade de fornecedores e colocam a gestão de terceiros no centro da agenda de riscos, alerta Marta Schuh, Diretora de Seguros Cibernéticos e Tecnológicos na Howden Brasil 

 

Os recentes ataques cibernéticos a provedores de tecnologia que operam na cadeia de pagamentos e serviços financeiros no Brasil trouxeram à tona um ponto crítico, porém frequentemente negligenciado: a fragilidade na gestão de terceiros. Para Marta Schuh, Diretora de Seguros Cibernéticos e Tecnológicos da Howden, o episódio serve como um marco para que instituições brasileiras revejam seus modelos de avaliação de risco.

 

“Esse tipo de ataque deixa claro que não basta olhar apenas para os dados: o impacto atinge a continuidade do negócio, a reputação e até a estabilidade operacional do ecossistema financeiro como um todo”, afirma a especialista. Segundo Marta, o seguro cibernético, além de proteção financeira, é um instrumento importante de avaliação de maturidade e de indução à melhoria nos controles das empresas.

 

Na Europa, o Digital Operational Resilience Act (DORA) estabelece diretrizes claras para a gestão de riscos operacionais e de tecnologia, com foco especial em terceiros críticos. Para empresas brasileiras com operações na União Europeia, o DORA é um requisito imediato, e um modelo a ser seguido domesticamente. “A gestão de terceiros, como prevê o artigo 28 do DORA, é vital. O Brasil tem avançado com normas como a Resolução BCB 4.557, mas ainda há uma lacuna enorme na aplicação prática”, destaca Marta.


 

Seguro cibernético: barreira de entrada para fornecedores críticos


Segundo a diretora da Howden, algumas seguradoras já oferecem apólices que cobrem inclusive desvios monetários em ataques, mas exigem avaliação criteriosa da maturidade cibernética da empresa. “A seguradora faz uma checagem dos procedimentos de segurança e pode recomendar ajustes antes de emitir a apólice. Sem isso, muitas vezes o seguro não é viável — e isso força as empresas a amadurecerem seus controles, o que acaba elevando o padrão do mercado”, explica Marta.

 

Nesse cenário, executivos de tecnologia e GRC passam a considerar o seguro não apenas como uma proteção contratual, mas como um instrumento de governança. Incluir cláusulas obrigatórias de seguro em contratos com fornecedores críticos, com valores mínimos de cobertura, começa a ganhar força como boa prática de gestão de risco cibernético sistêmico.


 

Uma questão para conselhos e lideranças


A diretora da Howden alerta ainda que os recentes ataques mostram que a segurança digital não é mais um tema apenas técnico; é uma pauta estratégica para conselhos e lideranças.

 

Ela ressalta que o DORA e as normas do Banco Central indicam caminhos claros que devem ser seguidos. A gestão de fornecedores críticos precisa ser rigorosamente mapeada, com a exigência de certificações específicas e seguro cibernético como condição para contratação.

 

Marta destaca também a importância dos testes de resiliência previstos no Artigo 24 do DORA, que devem incluir os prestadores de serviço e estar alinhados com a Circular 4.090 do Banco Central, garantindo que a empresa esteja preparada para eventuais ataques.

 

Além disso, a diretora reforça que os planos de resposta a incidentes precisam contemplar todas as dependências externas. Indicadores como o MTTR devem refletir a capacidade real da empresa de responder rapidamente a crises que envolvam terceiros.


 

Recomendações práticas


Para CIOs, CISOs e líderes de risco, o momento exige ação concreta. As principais recomendações incluem mapear fornecedores críticos e subcontratados; exigir certificações (ISO 27001, PCI DSS) e apólices mínimas de seguro; atualizar contratos com penalidades por não conformidade em segurança; implantar testes de resiliência e monitoramento contínuo de terceiros

 

“A resposta não pode mais ser reativa. É hora de as empresas brasileiras tratarem a segurança cibernética como prioridade estratégica, e não como custo”, conclui Marta.


Revisão de atividades concomitantes ainda gera erros no INS

Reprodução
A revisão pode representar aumento no valor da renda mensal e até o recebimento de retroativos referentes aos últimos cinco anos. 

 

Mesmo após a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2021, sobre como deve ser o cálculo da aposentadoria de quem trabalhou em mais de uma função simultaneamente, muitos segurados seguem relatando diversos erros cometidos pelo INSS.Conhecido como atividade concomitante, a situação é comum para profissionais conciliam trabalho e sala de aula, como médicos que dividem seu tempo entre clínicas e universidades, por exemplo.

De acordo com o advogado Leandro Simões, especialista em Direito Previdenciário, a falha não é nova. “Durante muito tempo, o INSS deixava de considerar parte das contribuições ou aplicava uma regra que colocava uma atividade como principal e a outra como acessória. Na prática, isso reduzia o valor da aposentadoria de forma injusta”, explicou. "Isso reduzia injustamente o valor da aposentadoria ou da pensão, mesmo em casos de contribuições elevadas em ambas as atividades”.

Em 2021, o STJ fixou a tese do Tema 1070, determinando que todas as contribuições devem ser somadas integralmente no cálculo do benefício, respeitando apenas o teto previdenciário. A decisão abriu caminho para revisões de aposentadorias, pensões e auxílios concedidos com base em critérios anteriores.

“O que observamos na prática é que, embora o entendimento jurídico esteja consolidado, alguns benefícios concedidos recentemente ainda apresentam o mesmo erro. Por isso, segurados que acumulavam funções devem analisar se têm direito à revisão”, ressalta Simões.

A revisão pode representar aumento no valor da renda mensal e até o recebimento de retroativos referentes aos últimos cinco anos. Para isso, são necessários documentos como o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), carteira de trabalho, contracheques e a carta de concessão do benefício.

De acordo com o especialista, a revisão é especialmente relevante para benefícios concedidos antes da Reforma da Previdência, em novembro de 2019, mas ainda pode trazer impacto em situações posteriores. 



Leandro Ingrácio Simões -  Advogado Previdenciário - OAB PR 92322
(41) 3024-2656
Rua Visconde do Rio Branco, 1358, 10º andar - Ed. Hannover Empresarial - Curitiba/PR.
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Crédito e consultoria reduzem à metade o risco de encerramento de micro e pequenas empresas

Pesquisa realizada pelo Sebrae e Banco do Nordeste mostra que as empresas assistidas têm taxa de sobrevivência superior em seis pontos percentuais às demais 

 

As micro e pequenas empresas que têm acesso a crédito e contam com orientação financeira e de gestão reduzem pela metade o risco de encerramento. É o que aponta estudo realizado pelo Sebrae em parceria com o Banco do Nordeste, por meio de seu Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene). O levantamento analisou um grupo de empresas nascidas entre os anos de 2019 e 2024, e revelou que os negócios que recebem esse apoio simultaneamente (crédito e consultoria) diminuem em cerca de 50% as chances de fecharem as portas. 

O estudo indica também que a intensidade e a duração do apoio são fundamentais no resultado das MPE. Quanto mais tempo elas recebem crédito e consultoria, menor o risco de encerramento. 

As MPE que possuem crédito e consultoria apresentam a maior taxa de sobrevivência no período analisado. Entre as empresas que contaram com consultoria do Sebrae e crédito do BNB, a taxa de sobrevivência em seis anos desde a abertura da empresa foi de 89,5% (seis p.p. acima das MPE que não contaram com apoio). 

A falta de dinheiro e de conhecimento sobre a atividade são os principais motivos apontados pelos Microempreendedores Individuais (MEI) para o fim do negócio, segundo a pesquisa Perfil do MEI (2024). Já entre as MPEs, o encerramento ocorre, sobretudo, pela falta de retorno financeiro, aponta o estudo do Perfil MPE (2024). 

Para o presidente do Sebrae, Décio Lima, a parceria entre a instituição e o Banco do Nordeste privilegia dois aspectos estratégicos e sobre os quais os donos de Pequenos Negócios no país ainda apresentam carências significativas: a falta de orientação e de acesso a crédito. 

“O crédito orientado e o suporte do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), proporcionados pelo Sebrae, são duas estratégias que têm se mostrado extremamente eficazes para assegurar o futuro dos Pequenos Negócios. Queremos ampliar e fortalecer parcerias como a que realizamos com o Banco do Nordeste. Com esta política de crédito estamos apoiando os pequenos negócios a gerarem mais emprego e renda”, afirma. “Pequenos Negócios mais fortes são garantia de mais empregos, mais renda e crescimento econômico”, acrescenta Décio. 

O presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara, ressalta que o resultado da pesquisa reflete o foco do BNB no apoio aos pequenos e médios empreendedores, em sintonia com as diretrizes do Governo do Brasil. “O presidente Lula tem destacado a importância do crédito orientado para ampliar as chances de sucesso dos pequenos negócios. Essa pesquisa mostra, de forma concreta, que a combinação de crédito com consultoria gera impacto real na vida dos empreendedores e na economia da região”, afirma.

 

Glossário do empreendedor: o que é collab


divulgação

A colaboração entre marcas de segmentos distintos, como ocorreu entre a farmacêutica Cimed e a fabricante de doces Fini na produção do hidratante labial Carmed, pode aumentar significativamente as vendas. Mas a estratégia exige planejamento para não resultar em algo 'forçado', mas sim que revele autenticidade e entrega de valor

 

Nas redes sociais, a ação de compartilhar um post em parceria com outro perfil ficou conhecida como collab. A ação, que parece simples, pode fazer com que aquela postagem receba muito mais visualizações e engajamento. O motivo é simples: ao unir as forças de dois perfis, as chances de se alcançar mais seguidores aumentam.

Essa estratégia é cada vez mais comum entre grandes empresas do varejo. Um exemplo é a parceria entre a farmacêutica Cimed e a fabricante de doces Fini, que renovou o hidratante labial Carmed e resultou em vendas que somaram R$ 23 milhões em apenas um mês. 

A exemplo do que acontece nas redes sociais, com as collabs as empresas somam seus atributos para entregar algo único, que dificilmente existiria isoladamente, explica Patrícia Cotti, professora da FIA Business School. Para ela, "essas parcerias geram desejo nos consumidores por ser algo exclusivo e possuir uma narrativa cultural."


Saiba mais sobre o termo:

Quando surgiu - Collab é a abreviação de collaboration, em inglês, ou colaboração. Embora a colaboração entre empresas exista desde sempre, a conceituação de collab ganha força nos anos de 1990 para definir a soma de esforços de empresas de segmentos diferentes ou complementares - e não concorrentes - para ganhar mercado. Na origem, era mais comum na indústria da moda internacional, com parcerias entre redes de luxo e populares, destaca Patrícia.

Um grande marco do conceito aparece em 2004, quando o estilista Karl Lagerfeld, diretor criativo de marcas como Chanel e Fendi, fechou uma parceria com a empresa sueca Hennes & Mauritz, conhecida como H&M. A junção entre um dos estilistas de luxo mais aclamados e uma rede de moda conhecida por vender produtos relativamente acessíveis abalou o varejo. Essa collab tornou possível que diversas pessoas adquirissem peças de um dos designers mais famosos do mundo, quebrando as barreiras entre luxo e massa. 

Embora a definição de collab tenha se disseminado a partir dos anos de 1990, há casos anteriores, inclusive no Brasil. Por aqui, uma das primeiras a realizar parceria do tipo foi a empresa de calçados Melissa, com um projeto com o estilista francês Jean Paul Gaultier, em 1983. O resultado foi a criação de sapatos vazados. Esse conceito ganhou força no país com outra parceria, esta entre a Farm e a Adidas, que já completa dez anos e resultou em 160 estampas.

Com o passar do tempo, a estratégia de colaboração evoluiu para além do varejo de moda, entrando no ramo alimentício, explica Patrícia, que exemplifica com a parceria entre a Cacau Show e a Disney.


Vantagens e desafios - Aumento nas vendas imediatas e melhora da percepção da marca são as principais vantagens para as empresas envolvidas na parceria, segundo a professora da FIA Business School. Além disso, a inovação gerada pelas collabs pode atrair novos consumidores ao criar pertencimento, uma vez que o cliente tem acesso a algo exclusivo. 

Segundo Patrícia, os consumidores brasileiros encaram as collabs não apenas como uma compra, mas como a chance de fazer parte de uma história compartilhada, ou até mesmo de um movimento cultural.

Já o principal desafio é alinhar os valores e posicionamentos das marcas. “Se a parceria soa forçada, o consumidor percebe rapidamente e rejeita”, diz. Além disso, é preciso tomar cuidado ao organizar a operação dos itens, definindo como será a produção, distribuição e comunicação, uma vez que esses fatores exigem sincronia entre as marcas.

Outro desafio é o risco de saturação, menciona Patrícia, já que a todo momento surgem novas collabs no varejo. “Há um certo cansaço com collabs que parecem apenas a soma de logotipos, sem uma proposta real de inovação. Isso é ainda mais delicado no Brasil, onde o consumidor é altamente conectado e crítico nas redes sociais, o que amplifica eventuais falhas”, diz.

Entre exemplos de collabs que ficaram negativamente conhecidas, Patricia cita a parceria entre a Target e a Missoni, que gerou frustração pelo excesso de demanda e falhas logísticas. “No Brasil, collabs entre grandes redes e designers receberam críticas de consumidores pela qualidade inferior. Isso mostra que, quando não há autenticidade ou entrega de valor, a colaboração pode rapidamente ser alvo de críticas."


Cases atuais 

Um exemplo de empresa que tem apostado em collabs para aumentar sua participação no mercado é a Nutty Bavarian, que fechou parceria com a Criamigos, uma empresa que produz bichinhos de pelúcia. A parceria resultou na criação de um esquilo de pelúcia (mascote da Nutty Bavarian), que o consumidor pode pendurar onde quiser, e que vem acompanhado de cones de chocolate com nozes. 

“As collabs não necessariamente são para os produtos de ponto de venda. Já fizemos colaborações com a Biscoitê, nas quais eles produziram cookies com a nossa marca. Também com a Santa Mônica, que criou um aroma de café com a Nutty Bavarian”, diz André Farias, COO da Nutty Bavarian. Segundo ele, sinergia, qualidade de produtos e até mesmo a reputação da marca são fatores importantes ao decidir pela collab.


Parceria entre a Nutty Bavarian e a Criamigos resultou no mascote de pelúcia da franquia de nozes glaceadas

 

“Apesar de nossa parceria com a Criamigos parecer improvável, por unir comida com pelúcia, na realidade é algo que fortalece as duas marcas”, explica Adriana Auriemo, CEO da Nutty Bavarian, que menciona que, ao apostar em uma marca conhecida no mercado para fazer a pelúcia de seu mascote, o produto final é mais valorizado pelos consumidores.

Além disso, como a Nutty Bavarian trabalha com monoproduto, a colaboração amplia seu portfólio, fornecendo novidades para os clientes e ampliando as vendas.

Outro exemplo de collab recente aconteceu entre a marca de cosméticos Flora, com sua linha OX, e a influencer Mari Maria, que possui uma empresa de cosméticos com o mesmo nome. Na collab, as duas marcas criaram a linha para cabelos OX Vita Glow. Para a Flora, a parceria fez com que a empresa ampliasse o número de consumidores no longo prazo e, consequentemente, as vendas. Já para a Mari Maria, a collab ofereceu a oportunidade de entrar no segmento de produtos para cabelo. 

Em uma das ações da marca para promover o produto no PDV do Pão de Açúcar, no bairro do Jardim Paulista, que contou com a participação da influenciadora, houve um crescimento de 500% nas vendas do produto. 

 


Rebeca Ribeiro
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/glossario-do-empreendedor-o-que-e-collab



Vagas de estágio somam mais de 3 mil oportunidades no Brasil, aponta levantamento do Infojobs

Posições espalhadas por todo Brasil abrem espaço para novos profissionais no segundo semestre
 

Mais de 3.900 vagas de estágio estão abertas em todo o Brasil, de acordo com levantamento do Infojobs, site e aplicativo de empregos mais usado do país segundo a Kantar. As oportunidades estão distribuídas em diferentes formatos de trabalho, períodos e áreas de atuação, abrangendo profissionais de perfis variados. 

O modelo presencial predomina, com mais de 3.500 vagas, mas há espaço para formatos mais flexíveis: são mais de 240 vagas no modelo híbrido e mais de 70 para atuação totalmente remota (home office). 

Apenas no último mês, mais de 700 novas vagas de estágio foram abertas no país, com remunerações que variam do salário mínimo até R$ 3 mil por mês. 

Quanto ao período de atuação, o regime integral concentra mais de 1.300 vagas. Em seguida, aparecem as oportunidades para o período da manhã, com mais de 1.600 vagas, e para o período da tarde, com mais de 700 posições.

Entre as áreas com maior número de oportunidades estão:

  • Administração – mais de 800 vagas
     
  • Comercial/Vendas – mais de 400 vagas
     
  • Engenharia – 400 vagas
     
  • Contábil, Finanças e Economia – mais de 200 vagas
     
  • Educação e Idiomas – mais de 200 vagas
     
  • Área Jurídica – mais de 180 vagas
     
  • Marketing – mais de 180 vagas
     

Todas as oportunidades estão disponíveis gratuitamente no site www.infojobs.com.br ou no aplicativo do Infojobs para Android e iOS.


Por que muitas mulheres não se veem como empreendedoras — e como mudar essa mentalidad

Especialista defende que crenças limitantes, insegurança e falta de representatividade impedem mulheres de avançarem nos negócios e no digital
 


O Brasil reúne hoje mais de 30 milhões de empreendedores, segundo o Sebrae. Mas, quando o olhar se volta para o recorte de gênero, a desigualdade é evidente: apenas 34% dos negócios têm mulheres à frente, proporção que permanece praticamente estagnada nos últimos anos. No ambiente digital, o desafio ganha outra camada. Muitas mulheres ainda não se reconhecem como empreendedoras por falta de referências e por carregarem crenças limitantes sobre seu potencial de realização. Especialistas alertam que o problema não está apenas no acesso a crédito ou políticas de apoio, mas sobretudo em um fator menos visível: a mentalidade. 

“Mentalidade é como um solo. Se ele não for fértil, nada vinga. Você pode plantar a melhor semente do mundo no concreto, que ela não vai florescer. Por isso, antes de qualquer estratégia, precisamos preparar o solo — a cabeça — para que ele esteja aberto ao crescimento”, explica Bettina Rudolph, fundadora do Grupo Líbertas, que já formou mais de 100 mil alunos em educação digital. 

Para Bettina, mudar a mentalidade não é um exercício abstrato, mas uma prática diária que envolve três movimentos fundamentais. O primeiro é sair da posição de vítima e assumir protagonismo, reconhecendo que resultados não dependem de sorte, herança ou circunstâncias externas, mas de escolhas e atitudes consistentes. “Enquanto a pessoa acreditar que o sucesso está nas mãos de fatores que ela não controla, vai continuar paralisada”, destaca. Na prática, isso significa abandonar justificativas que travam o crescimento, como a ideia de que “o mercado é injusto”, “não tenho tempo” ou “não tenho o perfil para empreender”, e substituir por atitudes proativas, ainda que pequenas, mas consistentes. 

O segundo movimento é adotar a chamada mentalidade fazedora, sustentada pela ação. Para Bettina, muitas mulheres permanecem travadas esperando o “momento perfeito” ou o plano sem falhas, quando, na realidade, é a execução contínua que gera aprendizado e evolução. É a aplicação prática do princípio de que feito é melhor que perfeito. “O mundo é de quem faz. Quem começa imperfeito e melhora a cada dia sai na frente de quem nunca saiu do lugar”, explica. 

O terceiro, e talvez mais transformador, é desenvolver a antifragilidade — a habilidade de transformar críticas, obstáculos e até fracassos em combustível para crescer. Bettina usa a própria história como exemplo. Após virar meme nacional e ser acusada de mentir sobre seu patrimônio, ela enfrentou uma onda de ataques e foi processada. Em vez de recuar, escolheu sustentar sua verdade, apresentou todas as provas e venceu o processo. O episódio que poderia ter colocado fim à sua carreira acabou reforçando sua convicção e servindo como um divisor de águas para sua trajetória. “Ser antifrágil não é apenas resistir às pedras do caminho, mas aprender a se manter de pé e seguir construindo mesmo sob ataque”, resume. 

Essa visão não surge por acaso. Bettina estuda o tema da mentalidade há anos e tem se aprofundado cada vez mais na área. A dominação desse aspecto resultou na construção do Grupo Líbertas, ecossistema de negócios digitais que já impactou mais de 80 mil alunos. Casos como o da médica Juliane Stall mostram na prática o impacto desses pilares de mentalidade. Ao enfrentar burnout e depressão, ela encontrou no digital uma oportunidade de reinvenção e decidiu assumir o protagonismo da própria carreira. Com disciplina e ação, a mentalidade fazedora, aplicou o método do programa Do Zero ao Digital (ZD) e faturou R$ 150 mil em apenas dois meses, superando o que recebia em um ano de plantões. Já Bella Franceschini, que deixou o emprego formal para empreender, ilustra a antifragilidade. Mesmo diante das incertezas de abandonar o CLT, transformou os desafios em motivação para crescer e alcançou R$ 1 milhão de faturamento no primeiro ano. 

As trajetórias de Juliane, Bella e milhares de outras mulheres formadas pelo Líbertas reforçam que mentalidade não é detalhe, mas o fundamento do empreendedorismo feminino. “Quando uma mulher acredita que pode e se coloca em movimento, ela constrói sua liberdade e inspira outras a seguirem o mesmo caminho. Esse efeito multiplicador é o que vai transformar a representatividade nos negócios”, conclui Bettina.


Estupro de vulnerável: por que a defesa é um desafio jurídico?


 

 

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Muitos processos chegam ao julgamento com provas insuficientes que não comungam com a versão da vítima 

 

No Brasil, foram registrados 87.545 casos de estupro e estupro de vulnerável em 2024, o maior número da série histórica iniciada em 2011 — o equivalente a uma vítima a cada seis minutos. Desses, 76,8% envolveram menores de 14 anos ou pessoas incapazes de consentir, e 61,4% das vítimas tinham até 13 anos. A maioria dos casos (65,7%) ocorreu dentro de casa, e 45,5% dos agressores eram familiares.

Segundo o advogado criminal Júlio Pires, da
Julio Pires Sociedade Advocatícia, a defesa nesses casos exige atuação técnica sólida diante da presunção legal de violência. “Não se trata de concordar com a conduta, mas de garantir que o acusado tenha julgamento justo, com respeito às garantias legais”, afirma.
A jurisprudência recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirma a aplicação rígida da presunção jurídica prevista na Súmula 593, mas admite exceções restritas (distinguishing), como pequenas diferenças de idade ou relações consensuais aceitas pela família, desde que comprovadas — casos tratados como exceção, e não regra geral.

Além disso, diversos tribunais têm concedido absolvições quando a acusação não apresenta provas incontestáveis da vulnerabilidade — como laudos toxicológicos ou sexológicos conclusivos ou relatos claros sobre a incapacidade de resistência.

A defesa em casos de estupro de vulnerável enfrenta barreiras jurídicas e processuais que vão muito além do clamor social. Uma das maiores dificuldades é a presunção legal rígida prevista no artigo 217‑A do Código Penal e reafirmada pela Súmula 593 do STJ, que considera configurado o crime independentemente do contexto ou consentimento. Segundo Júlio Pires, “a lei não abre margem para discutir nuances de cada caso, e isso exige que a defesa explore ao máximo as possibilidades legais para garantir um julgamento justo”.



Pontos críticos desta defesa


O advogado explica que, embora o STJ admita exceções conhecidas como distinguishing, elas são extremamente restritas. “Só em situações muito específicas — como pequenas diferenças de idade, relações consensuais aceitas pelas famílias ou provas de que não houve efetiva violação da liberdade sexual — é possível afastar a presunção. E, mesmo assim, é uma batalha difícil”

Outro ponto crítico é a produção e a qualidade das provas. Muitos processos chegam ao julgamento com provas insuficientes que não comungam com a versão da vítima para casos de menores de 14 anos ou com perícias incompletas e laudos que não confirmam a vulnerabilidade, no caso de vítimas maiores de 14 anos.

“Quando não há laudo toxicológico, exame sexológico conclusivo ou testemunhos consistentes, o risco de uma condenação injusta aumenta. É papel da defesa questionar e suprir essas falhas com laudos complementares de assistentes técnicos forenses”, afirma Pires.

O advogado destaca ainda o perigo da chamada “perda de chance probatória”, que ocorre quando a defesa não consegue apresentar contraprovas a tempo. “Se o processo avança rápido demais e a defesa não obtém acesso a documentos, registros ou testemunhas cruciais, o contraditório fica prejudicado. É por isso que insisto tanto na investigação defensiva desde o inquérito: é o momento de agir, colher evidências, identificar contradições e proteger o direito de defesa”

Para o advogado, atuar nesses casos não significa aprovar o crime, mas sim garantir que a verdade seja apurada e que eventuais penas sejam aplicadas de forma proporcional. “O sistema de Justiça só funciona quando todos — inclusive os acusados — têm seus direitos respeitados. Uma acusação sem provas sólidas pode arruinar vidas para sempre”, conclui.

  



Júlio Pires Sociedade Advocatícia

Dr. Júlio César Pires = Advogado Criminal – OAB/PR 68179
(41) 3408-3470
advocaciajpires@gmail.com
https://advogadocriminalpr.com.br/
R. Padre Anchieta, 2204 - Bigorrilho, Curitiba/PR.

 

Governo mira pequenas e médias empresas para fechar rombo fiscal


Em meio às dificuldades para cumprir a meta de superávit no próximo ano, o governo decidiu mirar em um alvo sensível: as pequenas e médias empresas. O Projeto de Lei Complementar (PLP 182/2025), apresentado pelo líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), prevê um aumento de 10% nos percentuais de presunção da base de cálculo do Lucro Presumido para empresas que faturam acima de R$ 1,2 milhão por ano.

 

A medida é parte de um pacote que busca reforçar a arrecadação em aproximadamente R$ 19,8 bilhões e reduzir renúncias fiscais vistas como “distorções” no sistema.

 

O impacto na prática

 

Atualmente, empresas de serviços calculam IRPJ e CSLL sobre 32% da receita bruta. Com a proposta, esse percentual saltará para 35,2% na parcela que exceder o limite de R$ 1,2 milhão anual. No comércio, o ajuste é de 8% para 8,8%. Embora os números pareçam pequenos, especialistas alertam que a carga efetiva sobre o faturamento sobe de forma significativa.

 

“O governo vende a ideia de que é um ajuste técnico, mas para o empresário o efeito é direto: pagar mais imposto sobre o mesmo faturamento”, explica André Charone, contador tributarista e professor universitário.

 

Charone destaca que, para muitas empresas, o Lucro Presumido é uma alternativa de sobrevivência. “Migrar para o Lucro Real exige contabilidade mais complexa e custos elevados de compliance. Ao encarecer o Presumido, o governo empurra pequenas e médias para um modelo que elas não têm condições de arcar. Isso pode significar menos investimentos e até fechamento de postos de trabalho.”

 

O argumento do governo

 

O Planalto defende que a medida corrige distorções. Para a equipe econômica, muitas empresas de médio porte se beneficiam de um regime simplificado, pagando menos tributos do que deveriam caso estivessem no Lucro Real. O líder do governo na Câmara afirma que não se trata de penalizar empresários, mas de buscar “justiça fiscal”.

 

Charone rebate: “Chamar isso de justiça fiscal é ignorar a realidade das pequenas e médias empresas brasileiras. O problema não é apenas pagar mais, mas a previsibilidade. O empresário planeja seus custos com base em regras que mudam de uma hora para outra. Essa insegurança afasta investimentos e trava a expansão dos negócios.”

 

Resistência e riscos

 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já manifestou oposição, alegando que a proposta pode reduzir a competitividade das empresas brasileiras. Especialistas em política fiscal avaliam que a medida deve enfrentar resistência no Congresso, mas reconhecem que, diante da pressão para equilibrar as contas públicas, o tema dificilmente será retirado da pauta.

 

Na avaliação de Charone, o impacto vai além do caixa das empresas: “Estamos falando do segmento que mais gera empregos no Brasil. Penalizar esse grupo é apostar contra a própria recuperação econômica. O governo deveria olhar para o corte de gastos e para a eficiência da máquina pública antes de escolher esse caminho fácil de aumentar a arrecadação.”

 

Próximos passos

 

O projeto aguarda despacho do presidente da Câmara e deve tramitar em comissões antes de ir a plenário. Caso aprovado, entrará em vigor apenas após respeitar os prazos de anterioridade tributária, o que significa que os efeitos só se sentirão a partir de 2026.

 

Para André Charone, a mensagem que fica é preocupante. “O governo sinaliza que, para fechar suas contas, está disposto a transferir a conta para quem mantém a economia real em funcionamento. Isso cria um ambiente de desconfiança que, no fim, pode sair muito mais caro para o país do que os R$ 19 bilhões que se pretende arrecadar.”

 



André Charone - contador, professor universitário, Mestre em Negócios Internacionais pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA). É sócio do escritório Belconta – Belém Contabilidade e do Portal Neo Ensino, autor de livros e centenas de artigos na área contábil, empresarial e educacional. Seu mais recente trabalho é o livro "Empresário Sem Fronteiras: Importação e Exportação para pequenas empresas na prática", em que apresenta um guia realista para transformar negócios locais em marcas globais. A obra traz passo a passo estratégias de importação, exportação, precificação para mercados externos, regimes tributários corretos, além de dicas práticas de negociação e prevenção contra armadilhas no comércio internacional.
Disponível em versão física: https://loja.uiclap.com/titulo/ua111005/
e digital: https://play.google.com/store/books/details?id=nAB5EQAAQBAJ&pli=1
Instagram: @andrecharone

 

A importância de um primeiro imóvel para promoção da qualidade de vida

Adquirir o primeiro imóvel vai muito além da realização de um sonho: é uma conquista que promove estabilidade, segurança e autonomia — elementos fundamentais para o bem-estar de qualquer família. Embora o processo envolva etapas que exigem atenção, como a pesquisa, o financiamento e a mudança em si, o impacto dessa decisão é transformador, tanto emocional quanto no aspecto financeiro.

Para quem vive de aluguel, é comum conviver com a sensação de incerteza. O morador não pode fazer melhorias no imóvel sem autorização, vive à mercê da vontade do proprietário e pode ser obrigado a se mudar a qualquer momento. Além disso, compromete parte significativa da renda mensal com um bem que nunca será seu. Isso gera desgaste emocional e limita o planejamento de longo prazo.

Diante disso, o imóvel se mantém como uma constante preocupação, que exige dos inquilinos mais energia para lidar com questões ligadas ao proprietário e à imobiliária. Assim, além do aluguel tomar uma boa parte da renda familiar, ainda gera tensões e ansiedade que prejudicam o bem-estar dos moradores.

Ser proprietário da residência onde você e sua família vivem traz mais segurança e estabilidade. Com o fim do aluguel, é possível direcionar recursos financeiros para outras áreas, como educação e saúde, garantindo que até mesmo as futuras gerações tenham melhores oportunidades profissionais e mais qualidade de vida. Além disso, é um investimento em patrimônio que, a longo prazo, pode trazer grandes vantagens financeiras, além de ser um bem intergeracional – as próximas gerações terão o direito de desfrutar do espaço com todas as vantagens que ele oferece.

Do ponto de vista psicológico, a estabilidade e a liberdade são pilares fundamentais para o desenvolvimento humano, pois nos permitem direcionar nosso foco e nossa energia para aspectos da vida que realmente despertam nosso interesse. É como se, em vez de lutar por sobrevivência, passássemos a buscar formas de viver com mais plenitude. E do ponto de vista socioeconômico, isso abre portas para diferentes transformações na família, como o investimento nos estudos e a possibilidade de alcançar melhores postos de trabalho, proporcionando melhores condições de vida como um todo.

Sabemos que, para muitas pessoas, o processo de aquisição pode parecer distante ou burocrático. Mas hoje, o setor da construção e incorporação tem investido fortemente em alternativas viáveis, com projetos acessíveis e soluções de crédito adaptadas a diferentes perfis de renda. Programas como o Minha Casa, Minha Vida e linhas como o SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) têm desempenhado papel fundamental nesse processo, ampliando o acesso à moradia de qualidade.

Por isso, mais do que um bem material, o primeiro imóvel representa um passo simbólico rumo à autonomia. O lar é o ponto gravitacional que oferece às famílias senso de pertencimento e identidade, e ao garantir que o espaço esteja mais protegido contra imprevistos, é possível que a família cresça e se desenvolva em melhores condições. A casa própria continua sendo uma das maiores ferramentas de transformação social que temos — e é nossa responsabilidade tornar esse sonho cada vez mais possível para todos.

 


Marcos Vinicius - sócio-fundador da Habras, construtora e incorporadora especializada em empreendimentos para programas habitacionais

 

Sem filhos, Armani deixa plano sucessório sólido — alerta serve para o empresariado naciona

Caso do estilista italiano mostra como regras claras de sucessão podem preservar não apenas herdeiros, mas também o valor de empresas e marcas globais

 

 

A morte de Giorgio Armani reacendeu o debate sobre a importância do planejamento sucessório em grandes negócios familiares. Apesar de não ter filhos, o estilista deixou clara sua intenção de manter o império sob controle de familiares próximos, estabelecendo regras que preservam tanto a continuidade da marca quanto a estabilidade da empresa.

Especialistas lembram que esse não é um tema restrito ao mundo da moda ou a bilionários estrangeiros. Também no Brasil, muitas companhias familiares enfrentam riscos significativos quando o planejamento sucessório é deixado de lado.
“O caso Armani é um ótimo exemplo aos empresários brasileiros que ainda relutam em iniciar um planejamento para a sucessão do seu negócio, seja ele de pequeno ou grande porte”, afirma Jônia Barbosa de Souza, sócia da área Societária e de M&A do Duarte Tonetti Advogados.

O impacto vai além da estrutura familiar. No mercado financeiro, sucessões empresariais mal resolvidas geram instabilidade e podem comprometer investimentos e valor de mercado. Em contrapartida, empresas que estruturam governança e regras sucessórias sólidas transmitem confiança a investidores e parceiros comerciais.
“Fica claro que boas regras de governança e a certeza da solidez na gestão dos negócios contribuem para manter a tranquilidade dos investidores. O mercado responde positivamente quando confia que haverá transições seguras”, explica a advogada.

Segundo levantamento do IBGE, cerca de 90% das empresas brasileiras têm perfil familiar, mas apenas uma minoria conta com regras sucessórias formalizadas. Essa lacuna ajuda a explicar por que a ausência de planejamento é uma das principais causas de litígios e até de falência de negócios após a saída de fundadores.

“Na ausência de um plano de sucessão, o negócio tende a sofrer o impacto da falta de seu fundador. A consequência financeira de tal impacto é normalmente o motivo para os desentendimentos e disputas judiciais entre os familiares”, ressalta Jônia.

Para a especialista, o exemplo de Armani deve servir como alerta: sucessão empresarial não é apenas um tema de família, mas também de governança, estabilidade de mercado e preservação de legados.  




Jônia Barbosa de Souza - advogada e sócia da área Societária e de M&A do Duarte Tonetti Advogados. Especialista em Direito Societário e com MBA em Gestão Empresarial pela FGV-SP, atua na reestruturação e regularização de empresas, além da implementação de práticas de governança e planejamento estratégico.


Empreender na nova indústria: cinco caminhos para transformar desafio em crescimento

No Brasil, a indústria ainda é sinônimo de progresso e isso se transforma, inevitavelmente, em um convite à reflexão - especialmente para quem deseja empreender em um setor que representa 24,7% do PIB nacional e emprega 11,5 milhões de trabalhadores formais, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

De acordo com dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada recentemente pelo IBGE, a passagem de março para abril, a produção industrial do país variou 0,1%, quarto mês consecutivo de resultados positivos. No índice acumulado para o primeiro quadrimestre de 2025, o setor avança 1,4%.  

Mas quando falamos em indústria, muitas vezes nos esquecemos de um dos seus braços mais tradicionais e, ao mesmo tempo, inovadores: o setor alimentício - e, dentro dele, a panificação. Só em 2024, a indústria de alimentos e bebidas no Brasil faturou R$ R$ 1,277 trilhão, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA). 

Desse total, a panificação e confeitaria respondem por uma fatia significativa: mais de R$ 153,3 bilhões em 2024, com crescimento de 10,9%, o melhor resultado da década, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria (ABIP). Esse desempenho não ocorre por acaso: o setor de panificação é resiliente, essencial e, acima de tudo, adaptável. 

Com a digitalização, a ascensão do consumo consciente e a busca por experiências personalizadas, o tradicional pãozinho nosso de cada dia passou a representar muito mais do que alimento: ele simboliza inovação, afeto, eficiência e identidade cultural. 

Na Fornalha Mineira, empresa familiar especializada na produção de pão de queijo, essa transformação é vivida na prática desde 2014. Começamos pequenos, com poucos colaboradores e um sonho grande; hoje, além da expansão da nossa capacidade produtiva, nos deparamos diariamente com o desafio - e a oportunidade - de repensar processos, produtos e relações com base nas novas exigências do consumidor e do planeta.

 

Por onde começar? Cinco frentes essenciais para quem quer empreender no setor industrial alimentício 

Para quem deseja empreender com sucesso nesse cenário, algumas direções são praticamente obrigatórias. Abaixo, compartilho cinco pilares que considero fundamentais:

 

1. Inovação tecnológica e automação: muita gente trava quando escuta “automação” ou “inovação tecnológica”, mas não precisa ser um bicho de sete cabeças. O mais importante é entender o que realmente faz sentido para o seu processo. Às vezes, uma pequena automação em uma etapa crítica já melhora muito a produtividade. Claro, exige investimento e adaptação da equipe, mas, quando a mudança é bem-planejada, o retorno vem.

 

2. Sustentabilidade e economia circular: falar em práticas sustentáveis virou tendência, mas o desafio está em transformar isso numa rotina viável dentro da fábrica. Nem sempre dá para fazer tudo de uma vez. O ideal é traçar um plano: onde dá pra reduzir desperdício? Dá pra usar embalagens mais conscientes? O importante é começar com metas realistas e ter clareza do impacto, tanto no meio ambiente quanto nas contas.

 

3. Personalização e customização de produtos: a personalização deixou de ser um diferencial e virou uma exigência para muitos consumidores, e atender a essas expectativas requer jogo de cintura na produção. É preciso acompanhar o comportamento do seu público, entender o que ele valoriza e estar preparado para adaptar sabores, formatos, ingredientes ou até embalagens com agilidade.

 

4. Digitalização e comércio eletrônico: hoje, não dá mais pra depender só da vitrine física, mas também não adianta jogar seus produtos em um site e esperar que as vendas aconteçam. Uma operação online eficiente começa com uma boa plataforma, passa por uma logística redonda e precisa de estratégia de marketing digital para atrair e manter o cliente. É um ecossistema complexo - e precisa funcionar bem.

 

5. Parcerias e colaborações estratégicas: fazer parcerias estratégicas é uma das formas mais inteligentes de acelerar resultados. Seja com fornecedores que te ajudem a inovar, distribuidores que ampliem seu alcance, startups com soluções tecnológicas ou instituições de pesquisa, tudo isso agrega ao seu negócio. O segredo? Transparência, alinhamento de valores e acordos bem amarrados desde o começo.

 

Empreender no setor industrial alimentício exige visão de futuro. Com planejamento e foco em inovação, é possível construir negócios sólidos, escaláveis e alinhados com os novos tempos, como tem sido o nosso caminho na Fornalha Mineira.

 

Samuel Almeida - sócio-proprietário na Fornalha Mineira


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