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sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

EXPOSIÇÃO GRATUITA COMIGO NINGUÉM PODE, A PINTURA DE JEFF ALAN, SEGUE NA CAIXA CULTURAL SÉ/ SP ATÉ 09/02

Jeff Alan por Shilton Araújo

Visitada por mais de 100 mil pessoas, a mostra gratuita que já passou por Olinda, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza, traz a São Paulo 40 obras que retratam as feições, texturas e tons retintos de personagens reais da periferia do Recife 

Visita mediada com o curador Bruno Albertim: dias 04/02, às 14h e 05/02, às 10h

A CAIXA Cultural São Paulo apresenta, de 06 de dezembro de 2024 a 09 de fevereiro de 2025, a exposição individual “Comigo Ninguém Pode - A pintura de Jeff Alan”, com 40 obras do artista visual pernambucano que destacam os traços e biotipos de crianças, jovens e adultos negros que entrecruzam o caminho do artista. Na programação também estão previstas visitas mediadas e uma oficina. O projeto tem patrocínio da CAIXA e do Governo Federal, curadoria do antropólogo Bruno Albertim e realização da Fervo Projetos Culturais.

 

Com pinturas expostas na França e na Inglaterra e uma residência artística em Portugal, Jeff Alan desponta como um dos principais nomes das artes visuais contemporâneas brasileiras. Comigo ninguém pode, sua mais nova exposição individual, estreou em Olinda e já passou por Recife, Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza, com um público de mais de 100 mil pessoas.

 

“Comigo Ninguém Pode é uma planta que me acompanha toda a vida, em todas as casas onde minha família morou. Eu a encontro com muita facilidade nas ruas do meu bairro e ela aparece na exposição como forma de memória, de proteção, e principalmente como um grito, um grito de quem se levanta todo santo dia, vai pra batalha e diz: ´Comigo Ninguém Pode!´. Isso me encoraja a acreditar nos meus sonhos e viver deles”, explica o artista.

 

Daltônico, Jeff pinta desde a infância, motivado por sua mãe, Lucilene Mendes. Começou nas ruas, tendo como suporte os grafites. “Eu costumava pintar em preto e branco, passei a inserir as cores no meu trabalho um pouco antes da pandemia, aí na série Olhar Para Dentro comecei a fazer vídeos e fotos das pessoas pretas, que depois se transformaram nas pinturas”, conta ele. Seu trabalho figurativo, de dimensões diversas, em acrílica sobre tela e desenho sobre papel, dão visibilidade às histórias e rostos dos moradores de sua comunidade no bairro do Barro, zona oeste da cidade do Recife. Personagens negros reais, de seu convívio, que são fotografados e depois pintados em cores saturadas e contrastadas.

“Quando ele pinta esses rostos, ele faz um trabalho de reescrita na história da arte brasileira. Se, como Gilberto Gil canta, ´a felicidade do negro é uma felicidade guerreira´, Jeff Alan põe em decomposição a figura do preto de subalternidade degradante naturalizado por Debret. Ao trazer seus contemporâneos, quase sempre tão periféricos porque pretos, quase sempre pretos porque periféricos, para o centro não apenas da composição, mas a lugares sociais historicamente negados, ele está pintando não apenas os personagens que estão ali, mas também todas as pessoas que os antecedem e que os sucedem”, analisa o antropólogo Bruno Albertim, que assina a curadoria da exposição. 

 

Para o artista, seu trabalho se comunica de forma direta com a população preta: “Quero que essas obras sejam vistas como espelhos, que possam despertar o sentimento de pertencimento”, diz ele. Animado a voltar a São Paulo, seu “primeiro destino de avião, o primeiro lugar onde levei minha arte”, ele conta que retornar à cidade com uma exposição individual em um equipamento de grande porte tem um sentido ainda mais especial: “É algo muito potente. Penso em fazer uma intervenção na Praça da Sé, falar sobre sonhos, abordar as pessoas que estão em situação de rua, que também são meu público na exposição”, diz ele. Fã dos Racionais Mc´s, sua obra “Recomeços” é inspirada na música “Um homem na estrada”. Outra se chama “Lave o rosto nas águas sagradas da pia, nada como um dia após o outro dia”, trecho da música “Jesus Chorou”. 


Serviço:

[Artes visuais] Exposição “Comigo Ninguém Pode – A pintura de Jeff Alan”

Local: CAIXA Cultural São Paulo - Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo/SP (próxima à estação Sé do Metrô).

Datas: De 6 de dezembro de 2024 a 9 de fevereiro de 2025.

Abertura com a presença do artista: dia 6 de dezembro, sexta, às 11h

Visitas mediadas com o artista: dias 14 de dezembro e 18 de janeiro de 2025, às 11h

Oficina com o artista: dia 17 de janeiro de 2025, às 14h

Visita mediada com o curador Bruno Albertim: dias 04 de fevereiro de 2025, às 14h e 05 de fevereiro de 2025, às 10h

Horário de visitação: De terça a domingo, das 9h às 18h. 

Entrada Franca

Classificação indicativa: Livre para todos os públicos.

Acesso a pessoas com deficiência 

Informações: (11) 3321-4400 | https://www.caixacultural.gov.br

Patrocínio: CAIXA e Governo Federal

Realização: Fervo Projetos Culturais 

 

Parque Ibirapuera dá boas-vindas a 2025 com programação de férias durante todo o mês de janeiro

 Imagem: crianças no Parque Ibirapuera
 Divulgação Urbia Parques
 

Cronograma inclui atividades como Estação Biodiversidade, Circuito Ambiental e oficinas diverti
das 

 

Em janeiro, a programação do Parque Ibirapuera, administrado pela Urbia, será ampliada, com uma agenda de atividades que acontecerão não apenas aos finais de semana, mas também de segunda a sexta-feira. O espaço convida as famílias a aproveitarem a temporada de férias com um cronograma educativo e lúdico, que inclui atrações para todas as idades, como: Circuito Temático Ambiental, Estação Biodiversidade, Sextou no Ibira, caça ao tesouro, entre outras experiências ao ar livre. Essa é a oportunidade perfeita para os visitantes aprenderem sobre o meio ambiente, de forma divertida e interativa, garantindo conexão com a natureza e práticas sustentáveis. Confira o cronograma completo a seguir:

 

Férias no Ibira: Conexão Verde 

Data: 22, 28 e 29 de janeiro

Horário: das 14h às 17h

Local: parquinho em frente às quadras esportivas

Descrição: a partir da segunda semana deste mês, a equipe educativa da Urbia conduzirá uma verdadeira investigação em meio as árvores do Parque Ibirapuera. Durante a atividade, os participantes receberão desafios e jornadas divertidas, como: caça ao tesouro, confecção de jogos caseiros com materiais recicláveis, jogo de arremesso de argolas, entre outros.

Público: livre

Atividade gratuita 

 

Sextou no Ibira: Dia da Kokedama 

Data: 24 de janeiro

Horário: das 14h às 16h

Local: área de piquenique ao lado da Ponte de Ferro Pôr do Sol

Descrição: o Sextou no Ibira deste mês, programação socioambiental oferecidas às sextas-feiras no Parque Ibirapuera, contará com uma oficina prática gratuita que ensina a técnica japonesa kokedama ou “bolas de musgo”. Essa é uma forma criativa e inspiracional de cultivar plantas em casa e em apartamentos sem a necessidade de vasos ou outros recipientes. Os visitantes são convidados a construírem suas próprias “bolinhas vivas” e levarão suas kokedamas para casa. 

Público: livre

Atividade gratuita

 

Estação Biodiversidade: Colorindo o Ibira com Biotintas 

Data: 25 e 26 de janeiro

Horário: das 14h às 17h

Local: parquinho em frente às quadras esportivas

Descrição: na Estação Biodiversidade: Colorindo o Ibira, a equipe educativa da Urbia apresentará algumas espécies de fauna e flora que habitam o Parque e ensinará como produzir biotintas, a partir de elementos encontrados na natureza, como solos, sementes e raízes. A turma produzirá trabalhos manuais a partir das biotintas inspirados na biodiversidade do espaço.

Público: livre

Atividade gratuita 

 

Sextou no Ibira: Manutenção da horta e da composteira da Central de Reciclagem 

Data: 31 de janeiro

Horário: das 15h às 16h30

Local: Portão 4

Descrição: o último Sextou no Ibira de janeiro será na horta do Parque Ibirapuera, localizada na Central de Reciclagem, que recebe 100% dos resíduos produzidos no espaço. O local é formado por uma cenografia totalmente sustentável, além de contemplar infográficos educativos, painel de jogo temático, composteira e uma horta diversa. Nesta atividade, a Urbia convida os visitantes a conhecerem mais profundamente sobre as hortaliças, experimentar, colher e investigar de perto as primeiras etapas do processo de reciclagem. Haverá também um bate-papo sobre temas da contemporaneidade que colaboram com os esforços de conservação da biodiversidade e consumo responsável.

Público: livre

Atividade gratuita 

 

Circuito Temático Ambiental: a Biodiversidade no Coração de São Paulo 

Data: 25 e 26 de janeiro

Horário: 10h30

Local: Centro de Visitantes, próximo ao Planetário Ibirapuera

Descrição: em celebração ao 471° aniversário de São Paulo, a Urbia preparou o Circuito Ambiental: a Biodiversidade no Coração de São Paulo. Localizado na capital paulista, o Parque Ibirapuera contempla uma rica biodiversidade, com aproximadamente 500 espécies de árvores e arbustos, incluindo plantas nativas exóticas, além de 314 espécies de animais, entre borboletas, aves, peixes e outros elementos naturais. Para compor seu cenário, há um conjunto de edificações projetado por Oscar Niemeyer, uma das principais figuras da arquitetura moderna. Durante a caminhada, os visitantes passarão pelas ruas, alamedas, bosques e áreas ajardinadas do Parque e terão a oportunidade de se encantar com a biodiversidade, histórias e curiosidades do local.

Público: livre

Atividade paga: R$ 35

Link: Urbiapass

Vagas limitadas a 25 pessoas por circuito 

 

Ubia Gestão de Parques
Para mais informações, acesse: Site | Instagram | Facebook | Linkedin


Norovírus: Sintomas, tratamento e prevenção de infecção por vírus que causou surto na Baixada Santista


A transmissão do norovírus é feita principalmente pelo consumo de água e alimentos contaminados, afirma o Pós PhD em neurociências e licenciado em biologia, Dr. Fabiano de Abreu Agrela

 

O Instituto Adolfo Lutz (IAL), referência em análises laboratoriais no estado de São Paulo, confirmou na quarta-feira (8) a presença de norovírus em amostras fecais humanas da Baixada Santista.

Esse vírus já é bastante conhecido por causar surtos de doenças gastrointestinais, especialmente em locais com grande aglomeração de pessoas, o que explica o grande aumento de casos registrados no litoral paulista.

 

O que é o norovírus?


O norovírus é um agente infeccioso que provoca gastroenterite, causando sintomas intensos como vômitos, diarreia e dores abdominais. Ele se espalha facilmente, especialmente em locais lotados, como praias no verão, onde o contato entre pessoas aumenta e ambientes como água e alimentos compartilhados favorecem a contaminação. 


Nos Estados Unidos, o norovírus é a principal causa de doenças alimentares, sendo responsável por 58% das infecções desse tipo, segundo o CDC. 

A infecção pode ocorrer várias vezes ao longo da vida devido à variedade de tipos do vírus, como os genogrupos 1 e 2 identificados na Baixada Santista. Além disso, a imunidade adquirida após a infecção por um tipo não protege contra outros. 

Infecção por norovírus pode causar enjoo,
 vômitos e dor de barriga
FreePik

Os sintomas

De acordo com o Pós PhD em neurociências e licenciado em biologia Dr. Fabiano de Abreu Agrela, os primeiros sintomas se manifestam poucos dias após a infecção.

 

“Os sintomas do norovírus costumam ser mais fortes nos primeiros 2 ou 3 dias, mas geralmente passam em até uma semana. Nos dois primeiros dias, é comum ter várias idas ao banheiro com diarreia líquida, o que pode causar desidratação, além de náuseas e vômitos”, explica.

Sintomas mais comuns:

  • Sensação de enjoo (náusea)
  • Fezes líquidas (diarreia)
  • Vômitos
  • Temperatura alta (febre)
  • Dor de cabeça
  • Dores nos membros (braços e pernas)

 

Como é feito o tratamento?


O norovírus, como outras diarreias virais, geralmente se resolve sozinho, com recuperação completa na maioria dos casos. Porém, idosos e bebês são mais vulneráveis devido ao risco de desidratação causada por diarreia e vômitos.

“O mais importante nesses casos é descansar e manter a hidratação, a recuperação costuma ocorrer em 1 a 3 dias. Não há medicamentos específicos para tratar o vírus, o tratamento é baseado no acompanhamento e controle de sintomas”, explica Dr. Fabiano.

 

O norovírus no sistema nervoso


De acordo com o Dr. Fabiano, a infecção pelo vírus também pode causar efeitos no sistema nervoso do paciente.

“A contaminação pelo vírus, por afetar diretamente o sistema gastrointestinal, também gera efeitos para o sistema nervoso, pois essa inflamação causa irritabilidade e estresse, mexendo com a homeopatia do cérebro”.

“Esse impacto pode provocar mudanças no humor, dificuldades para se concentrar e até aumentar a ansiedade, mostrando como o intestino e o cérebro estão conectados”, explica.

 

Dicas para prevenir a virose por norovírus:


- Lave as mãos com frequência, especialmente antes de manusear alimentos e após usar o banheiro ou trocar fraldas;

 

- Higienize alimentos crus, como frutas e vegetais;

- Consuma água filtrada, mineral ou fervida;

- Verifique a validade e o armazenamento adequado dos alimentos;

- Feche a tampa do vaso ao dar descarga para evitar contaminação pelo ar;

- Use máscaras ao trocar fraldas de bebês com diarreia;

- Evite aglomerações em praias durante a alta temporada.

  

Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues MRSB é Pós-PhD em Neurociências, eleito membro da Sigma Xi - The Scientific Research Honor Society (mais de 200 membros da Sigma Xi já receberam o Prêmio Nobel), além de ser membro da Society for Neuroscience nos Estados Unidos, da Royal Society of Biology e da The Royal Society of Medicine no Reino Unido, e da APA - American Philosophical Association nos Estados Unidos. Mestre em Psicologia, Licenciado em História e Biologia, também é Tecnólogo em Antropologia e Filosofia, com diversas formações nacionais e internacionais em Neurociências e Neuropsicologia. Dr. Fabiano é membro de prestigiadas sociedades de alto QI, incluindo Mensa International, Intertel, ISPE High IQ Society, Triple Nine Society, ISI-Society e HELLIQ Society High IQ. Ele é autor de mais de 280 estudos científicos e 26 livros. Atualmente, é professor na PUCRS no Brasil, UNIFRANZ na Bolívia e Santander no México. Além disso, atua como Diretor do CPAH - Centro de Pesquisa e Análises Heráclito e é o criador do projeto GIP, que estima o QI por meio da análise da inteligência genética. Dr. Fabiano também possui registro de jornalista, tendo seu nome incluído no livro dos registros de recordes por conquistar três recordes, sendo um deles por ser o maior criador de personagens na história da imprensa. Professor Convidado e Orientador acadêmico da Faculdade FAEV.



Burnout em alta: como identificar os sinais e saber a hora de buscar ajuda profissional

Especialistas do CEJAM apontam sintomas, tratamentos e orientam como o cuidado com a saúde mental pode ser realizado com o apoio do Sistema Único de Saúde (SUS)


O início de um novo ano costuma ser um convite à reflexão sobre objetivos, desafios e escolhas para os próximos meses, incluindo a trajetória profissional. Em um mercado de trabalho que frequentemente exige alta performance, o esgotamento físico e emocional pode ser um sinal de alerta de que algo não está indo bem.

A Síndrome de Burnout, caracterizada por exaustão extrema, estresse crônico e esgotamento físico relacionados ao trabalho, é um fenômeno em ascensão. O Brasil ocupa o segundo lugar em índices globais de burnout, atrás apenas do Japão, segundo a International Stress Management Association (ISMA-BR). Dados da organização revelam, ainda, que 72% dos brasileiros enfrentam estresse no ambiente profissional.

No Brasil, a partir desse ano, o transtorno passa a ser oficialmente reconhecido como uma doença ocupacional pela Classificação Internacional de Doenças, com o CID-11. Antes da nova classificação, a síndrome era tratada de forma genérica, o que dificultava diagnósticos e tratamentos precisos.    

“É preciso se atentar aos sinais. Os principais são cansaço excessivo, baixo desempenho, alteração do apetite, insônia e isolamento social, assim como sinais físicos como dores musculares e pressão alta”, afirma Renata Correia da Fonseca, psicóloga da UBS Jardim Aracati, gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.

A profissional explica que sobrecarga de tarefas, um ambiente extremamente competitivo, a falta de suporte emocional, assim como desequilíbrio entre a vida pessoal e profissional, são apenas alguns dos fatores que podem desencadear a doença.

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), do Ministério da Previdência Social, divulgou que, em 2023, 421 pessoas foram afastadas do trabalho por burnout, o maior número dos últimos dez anos no país.

“É importante saber diferenciar o transtorno de outros com sintomas parecidos, como ansiedade e depressão. O burnout está relacionado à sobrecarga no trabalho e desequilíbrio entre a vida profissional e pessoal, já a ansiedade e a depressão podem ter diferentes motivações e são tratadas com terapia, exercício físico e cuidados medicamentosos. O burnout, no entanto, além dessas estratégias de cuidado exige a mudança do ambiente de trabalho e equilíbrio”, aponta Renata.

Se a incerteza desse início de ano é sobre a necessidade de uma mudança de emprego, a especialista sugere que existem indícios que podem esclarecer essa questão. "A gente sabe que chegou a hora de buscar novas oportunidades quando estamos desmotivados com as tarefas atuais, estagnados na carreira, estressados e com um sentimento persistente de frustração".


Terapia como melhor amiga

O papel do psicólogo para enfrentar o burnout é de suma importância, pois o profissional pode ajudar na identificação da síndrome, orientar a desenvolver formas de enfrentamento e auxiliar em como lidar com os sentimentos.

No país, é possível ter acesso à terapia a partir do Sistema Único de Saúde (SUS) de forma gratuita.   O CEJAM, que administra algumas unidades em parceria com o poder público, possui uma linha de cuidado dedicada exclusivamente à saúde mental. Essa iniciativa tem um impacto significativo no atendimento oferecido nos três níveis de assistência à saúde.

A partir desse olhar, a equipe de atenção primária possui a expertise necessária para avaliar cada caso individualmente e determinar o ponto mais adequado da rede de saúde para acompanhar o paciente, levando em consideração suas necessidades específicas.

“Em casos de burnout, se alguém precisa de ajuda, deve procurar a equipe da unidade básica de saúde mais próxima. Entre os profissionais disponíveis estão psicólogos que podem avaliar o caso e determinar se o paciente pode ser acompanhado pela equipe da UBS ou se necessita de apoio especializado em saúde mental”, complementa Laina Ramos, uma das gerentes responsáveis pela linha.

Caso seja necessário tratamento mais especializado, o paciente pode ser encaminhado para o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS Adulto, para indivíduos maiores de 18 anos). Em situações de crises extremas, o atendimento segue pela Rede de Urgência e Emergência, com as Unidades de Pronto Atendimento (UPAS) ou Pronto Socorros de Psiquiatria.

Crises agudas são caracterizadas por sintomas intensos, alto grau de sofrimento e potencial risco à vida do indivíduo. Pensamentos persistentes de morte com planejamento, crises de ansiedade com alterações cardíacas e respiratórias significativas, ou prostração severa com alterações importantes na alimentação, sono e higiene são alguns exemplos dessas situações.


Outros aliados tão importantes quanto o auxílio psicológico

Além da terapia, outras estratégias podem auxiliar no bem-estar de pessoas com burnout. A prática de atividades físicas para a liberação de endorfinas, a escrita sobre sentimentos para ressignificar e compreender melhor os eventos vividos, a higiene do sono para reduzir o estresse e melhorar a cognição, assim como uma rede de apoio e a realização de atividades prazerosas, são medidas eficazes. 



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
cejamoficial


Como a toxina botulínica ajuda no tratamento de dores crônicas e condições musculares


Muito além do universo estético, a toxina botulínica – popularmente conhecida como Botox – pode ser usada como uma poderosa ferramenta terapêutica para fins medicinais. Sua aplicação em pequenas doses pode aliviar dores e promover grande auxílio na reabilitação de pacientes acometidos por cefaleias crônicas (dor de cabeça), bruxismo, espasticidade (rigidez muscular) e distonias (contrações involuntárias). 

A toxina botulínica é produzida pela bactéria Clostridium Botulinum e funciona no organismo bloqueando a liberação de acetilcolina, uma substância que se liga a receptores nas células musculares, fazendo com que o músculo se contraia. Ao ser aplicada, a toxina botulínica impede a contração muscular, aliviando tensões. 

A médica fisiatra e especialista em bloqueios neuroquímicos, Dra. Prof.ª Matilde Sposito, de Sorocaba (SP), explica que a substância promove benefícios significativos para muitos pacientes. “É um procedimento seguro e altamente eficaz, quando realizado por especialistas. Aliviar dores agudas e crônicas, além de melhorar a mobilidade, impactando diretamente no bem-estar emocional e na qualidade de vida, aspectos que são igualmente importantes na recuperação”, afirma a médica fisiatra. 

Na Fisiatria – especialidade médica que estuda a funcionalidade do corpo e se dedica à prevenção, diagnóstico e tratamento de distúrbios relacionados às deficiências físicas – a aplicação da toxina botulínica é usada, principalmente, quando os tratamentos convencionais, como medicamentos analgésicos e preventivos, não trazem alívio. 

A cefaleia crônica, como a enxaqueca, e o bruxismo – condição de ranger involuntariamente os dentes – estão entre as condições tratadas com toxina botulínica. Nesses casos, a substância atua na prevenção das crises, ao reduzir a tensão de grupos musculares relacionados ao problema, proporcionando alívio e maior conforto ao paciente. 

Outro uso frequente está relacionado à espasticidade, condição que pode surgir como sequela de doenças neurológicas, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC). “O objetivo é restaurar a capacidade motora, reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida”, afirma Prof.ª Dra. Matilde Sposito. “Dentre as abordagens terapêuticas que podem ser indicadas nesses casos também, estão: acupuntura, sessões de fisioterapia, hidroterapia, RPG, pilates, cinesioterapia e aplicações”, acrescentou. 

Prof.ª Dra. Matilde reforça que cada caso deve ser avaliado pelo médico de forma individualizada, considerando as características específicas do paciente e as condições a serem tratadas. “O acompanhamento médico especializado é essencial para garantir a eficácia e a segurança do tratamento, respeitando sempre as necessidades e os objetivos de cada pessoa”, conclui a especialista. 

Para saber mais sobre o universo da Fisiatria, acesse o site: www.dramatildesposito.com.br; as redes sociais @dramatildesposito ou ligue para: (15) 3229-0202 ou WhatsApp (15) 98812-2958. O consultório da Prof.ª Dra. Matilde Sposito fica localizado na clínica Ápice Medicina Integrada, situada na Rua Eulália Silva, 214, no Jardim Faculdade, em Sorocaba/SP.

 

Câncer de colo de útero: mitos e verdades, vírus HPV e a importância da vacina

 Imunização está disponível nas unidades públicas de saúde do país, e as doses são indicadas a meninas e meninos de 9 a 14 anos e a homens e mulheres imunossuprimidos até 45 anos

 

O câncer de colo de útero é causado por uma infecção persistente, provocada por alguns tipos do Papilomavírus Humano (HPV). Mas, você sabia que nem todas as mulheres que têm contato com esse vírus vão desenvolver tumores? E que essa é uma neoplasia possível de ser prevenida, inclusive através de vacina? Para esclarecer algumas das principais dúvidas relacionadas à doença, Andreia Melo, oncologista da Oncoclínicas Rio de Janeiro, respondeu a cinco frases frequentes em relação à doença, explicando o que é mito e o que é verdade.

 

Importante saber 

:: No Brasil, o câncer de colo de útero está na terceira posição entre as neoplasias mais incidentes na população feminina, atrás dos tumores de mama e colorretal (sem contar os de pele não melanoma). O dado é do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que estima 17.010 novos casos no país para cada ano do triênio 2023-2025. Somente no Rio de Janeiro, mais de 1,5 mil mulheres serão diagnosticadas com a doença em 2025. 

:: A melhor maneira de prevenção do contágio pelo HPV ainda é a vacinação. Desde 2014, a imunização é oferecida nas unidades públicas de saúde, e as doses são indicadas a meninas e meninos de 9 a 14 anos e a homens e mulheres imunossuprimidos até 45 anos. 

:: Apesar do acesso facilitado, houve queda da cobertura vacinal contra o HPV nos últimos anos, segundo o Ministério da Saúde. Em 2019, 87,08% das meninas brasileiras entre 9 e 14 anos de idade receberam a primeira dose. Em 2022, a cobertura caiu para 75,81%. Entre os meninos, houve redução de 61,55%, em 2019, para 52,16%, em 2022. 

Vale reforçar que mesmo as mulheres vacinadas devem fazer o exame preventivo periodicamente. 

Veja, a seguir, o que é mito ou verdade em relação ao câncer de colo de útero: 

 

Câncer de colo de útero não tem prevenção. 

Mito. Essa é uma das neoplasias que podem ser prevenidas. A maior parte dos tumores epiteliais do colo do útero tem relação com a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), e existe uma vacinação contra o vírus, um cuidado primário e muito eficaz. Existe ainda a possibilidade de fazer rastreio e diagnóstico precoce dessa doença, por meio da colpocitologia oncótica, que é o exame periódico, também conhecido como papanicolau. E, mais recentemente, o governo tem discutido a incorporação do teste molecular para detecção do HPV. Em caso positivo e, dependendo do subtipo verificado, a mulher será encaminhada para um exame chamado colposcopia, por meio do qual é possível verificar determinados tipos de áreas suspeitas. O material coletado passa por biópsia e, conforme o diagnóstico, o tratamento pode ser relativamente simples, com procedimentos que trazem pouca morbidade e alta chance de resolução. Mas, se for constatado câncer, ela será encaminhada ao tratamento adequado. 

 

Qualquer mulher sexualmente ativa pode ter HPV. 

Verdade. Independentemente da orientação sexual. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 80% da população sexualmente ativa em algum momento já teve contato com o HPV. E, mesmo após uma infecção, a imunização é necessária, pois pode ajudar mulheres e homens contra outros subtipos do vírus. A vacina é capaz de reduzir em até 80% as chances de retorno da infecção, segundo uma revisão da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Mulheres sexualmente ativas com até 45 anos podem se beneficiar do imunizante contra o HPV, já que muitas têm resultado negativo para o vírus ou são positivas para apenas um subtipo. 

 

Toda mulher com HPV terá câncer do colo do útero. 

Mito. Mais de 80% da população sexualmente ativa já teve contato com o vírus, e a maior parte dessas infecções pelo HPV são autolimitadas, ou seja, são resolvidas sem manifestações importantes. No entanto, em alguns casos a infecção pode se tornar persistente e levar ao desenvolvimento de neoplasias. Existem vários subtipos do vírus, mais de 100, incluindo os classificados como de baixo risco para o desenvolvimento de tumores. Esses possuem mais relação com os condilomas, também conhecidos como verrugas na região genital. Os de alto risco, principalmente os subtipos 16 e 18, são os que têm maior relação com o surgimento de neoplasias relacionadas ao HPV. E não é apenas câncer de colo de útero, há outros, como os de vagina, vulva, canal anal, orofaringe e pênis. 

 

Preservativos impedem a transmissão do HPV.

 Parcialmente verdade. O uso de preservativo é muito importante, previne a maior parte das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), mas não impede totalmente a infecção pelo HPV, pois o vírus pode estar presente em áreas não protegidas pela camisinha, como a vulva e a região perineal pubiana. 

 

Quem toma vacina contra o HPV não precisa usar camisinha. 

Mito. Quem toma vacina precisa, sim, usar camisinha, já que ela protege contra a maioria das ISTs. Além disso, o imunizante não abrange todos os subtipos do vírus do HPV existentes, mas oferece proteção aos principais associados ao câncer de colo de útero. Por isso, mesmo vacinado, é necessário manter o uso dos preservativos nas relações sexuais, realizar as consultas periódicas e os exames regulares, como o Papanicolau

 

Oncoclínicas&Co
www.grupooncoclinicas.com



Risco das concussões: pancadas em jogos de futebol podem causar sequelas graves

Ferroviário de 45 anos foi salvo de danos irreversíveis graças à agilidade no atendimento; sonolência, vômito e confusão mental são sinais de alerta


“A última lembrança que eu tenho é de colocar gelo na cabeça ainda no gramado e de acordar dois dias depois no hospital”, conta o ferroviário Cleverson Machado, de 45 anos. Durante uma partida de futebol com os amigos, ele bateu a cabeça em um jogador do time adversário enquanto disputava a  bola. Apesar de não lembrar dos acontecimentos, antes de despertar  na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR), Cleverson dirigiu até sua casa, conversou com a esposa — que o orientou a buscar atendimento — e seguiu de carro até o hospital. “Não lembro de ter ido pra casa, dirigido até o hospital, estacionado o carro ou passado pela triagem do Pronto Atendimento. Só entendi a gravidade do meu caso quando acordei na UTI e o médico me explicou que, se eu demorasse mais para buscar atendimento, poderia ter ficado com sequelas graves ou até mesmo morrido”, relata. 

O neurocirurgião do Hospital São Marcelino Champagnat, Carlos Mattozo, estava de plantão quando o ferroviário chegou ao Pronto Atendimento. “A perda de memória é bem comum em traumas extradural, como o caso do Cleverson. Durante o atendimento inicial, ele apresentou sonolência e vômito, sinais de alerta nesses casos, porque, nesse período, a artéria estava esguichando sangue e comprimindo o cérebro. Outro sinal clássico são as pupilas dilatadas”, explica o médico. “Nós o levamos  imediatamente ao centro cirúrgico, mas ele entrou em coma logo em seguida. Se o atendimento tivesse demorado mais alguns minutos, poderia ter evoluído para uma parada cardiorrespiratória ou até um quadro neurológico irreversível. Mesmo com a cirurgia, ele poderia nunca se recuperar e permanecer em estado vegetativo”, alerta Mattozo. 


O Risco das Pancadas 

Pancadas na cabeça nas partidas de futebol são tão comuns que há  um protocolo específico para concussões, estabelecido pela International Football Association Board (IFAB), órgão que regula as regras do esporte. No Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) adotou de forma integral o protocolo da entidade neste ano, com o objetivo de prevenir danos irreversíveis à saúde dos jogadores. O Sport Concussion Assessment Tool (SCAT) avalia a resposta do atleta em aspectos como  capacidade de reconhecimento, visão dupla, fraqueza, dor de cabeça intensa, crises convulsivas, perda da consciência, vômitos e agitação psicomotora. O objetivo é identificar a gravidade do quadro e determinar se há necessidade de internação hospitalar.

“Uma pancada na cabeça deve ser levada a sério. Nem todos os casos exigem atendimento médico, mas é fundamental observar como a pessoa reage após o impacto. Se ela perdeu os sentidos, apresenta confusão mental, sonolência ou vômitos, a agilidade na busca por socorro é primordial”, ressalta o neurocirurgião. 

 

Hospital São Marcelino Champagnat



Estudo comprova benefícios do exercício físico para pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica

O efeito anti-inflamatório do treinamento físico é bem estabelecido
em adultos saudáveis: a atividade física suprime a inflamação
sistêmica por meio da liberação muscular local de miocinas
 foto: Simona Robová/Pixabay 


Pesquisadores da USP avaliaram 20 pacientes com DPOC; no grupo que praticou atividade física houve aumento da força muscular e da quantidade de células de defesa com ação anti-inflamatória, além de redução da falta de ar e das células que promovem inflamação

 

Pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), em geral, não toleram fazer exercícios físicos – o cansaço, a falta de ar constante e a fraqueza muscular associados à condição são fatores que, muitas vezes, desestimulam a prática rotineira de atividades físicas.

O exercício regular, no entanto, é considerado a conduta mais efetiva na reabilitação pulmonar desses pacientes. Agora, um novo estudo brasileiro, coordenado pela professora Fernanda Degobbi Lopes e apoiado pela FAPESP, ressalta os benefícios do exercício físico também na resposta imune das pessoas com DPOC grave, mostrando diminuição dos fatores inflamatórios, maior ganho de massa muscular, diminuição da dispneia e melhora da qualidade de vida dessas pessoas.

O trabalho inédito foi conduzido durante o pós-doutorado de Juliana Tiyaki Ito-Uchoa no Laboratório de Terapêutica Experimental, do Instituto dos Laboratórios de Investigação Médica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC/FMUSP), com colaboração do Departamento de Fisioterapia, do Serviço de Reabilitação Pulmonar, do Serviço de Pneumologia do Instituto do Coração (Incor) e do Laboratório de Dermatologia e Imunodeficiências. Os resultados foram publicados na revista Pulmonology.

Há cerca de dez anos, Lopes e seu grupo de pesquisa vêm estudando a resposta imune na DPOC. Eles demonstraram tanto em estudos clínicos como em experimentais que os indivíduos fumantes que desenvolvem a DPOC apresentam uma falha na resposta imune mediada por um tipo específico de células reconhecidas por controlar o processo inflamatório.

A DPOC, como o próprio nome diz, é uma doença crônica do pulmão que tem como principal agente causador o tabagismo. É uma doença multifatorial complexa, que provoca um processo inflamatório crônico dos brônquios, causa a destruição das paredes alveolares e leva a efeitos sistêmicos, como comorbidades cardiovasculares, perda de massa muscular, maior fragilidade óssea, além de contribuir para o descondicionamento físico.

Sua principal característica é a limitação do fluxo aéreo pulmonar, associada a uma resposta inflamatória anormal à inalação de partículas ou gases nocivos (especialmente vindos do cigarro). Isso se reflete justamente na redução da aptidão física, gerando prejuízo das atividades laborais e da vida diária. Por isso, a doença é considerada uma das principais causas de morte e de incapacidade física no mundo.


As células de defesa

O processo inflamatório causado pela DPOC provoca uma resposta imune do organismo tanto na resposta inata (das células que residem no tecido e estão de “prontidão” para responder a qualquer fator exógeno) quanto na resposta adaptativa (que acontece quando a pessoa continua exposta ao tabagismo, intensificando o processo inflamatório, o que leva à condição de cronicidade e ativação de outros mecanismos de defesa mais específicos).

No caso da DPOC, alguns estudos clínicos e experimentais desenvolvidos pelo grupo coordenado por Lopes, também com apoio da FAPESP (Auxílios à Pesquisa 16/17817-8 14/15819-8), demonstraram que a doença induz um desequilíbrio nas células de defesa Th17 e Treg (dois tipos de linfócitos), o que contribui para uma falha no controle da inflamação e na consequente progressão da doença.

As células Treg são consideradas anti-inflamatórias e são responsáveis por ativar a produção da interleucina 10 (IL10), que ajuda a diminuir a resposta inflamatória no organismo. Em contraste, as células Th17 são pró-inflamatórias, ou seja, quando seus níveis estão aumentados, elas são associadas à progressão e piora da doença.

Os estudos do grupo demonstraram o aumento da resposta mediada pelas células Th17 no desenvolvimento e na progressão da DPOC. Demonstraram ainda que fumantes que se tornam DPOC apresentam uma redução da resposta anti-inflamatória mediada pelas células Treg, que estão diminuídas ou inativadas, ou seja, não conseguem trabalhar corretamente.

“As células Treg estão presentes nos tecidos, mas elas precisam de uma ‘sinalização’ para serem ativadas e produzirem a interleucina 10, que vai atuar na diminuição da inflamação. Nas pessoas que fumam e têm DPOC, esse mecanismo não é ativado”, explicou Lopes, autora principal do estudo.


O impacto do exercício

O efeito anti-inflamatório do treinamento físico é bem estabelecido em adultos saudáveis: a atividade física suprime a inflamação sistêmica por meio da liberação muscular local de miocinas (proteínas produzidas pelos músculos quando contraídos), responsáveis pelo aumento da interleucina 10, por exemplo. Em pessoas com DPOC, o treinamento físico é fundamental para a reabilitação pulmonar, mas ainda não se conhecia o mecanismo envolvido na resposta imune anti-inflamatória.

Para chegar à conclusão, a equipe avaliou 20 pessoas com DPOC grave, que tinham entre 50 e 80 anos, estavam sob tratamento médico, clinicamente estáveis (pelo menos 30 dias sem exacerbação) e eram fisicamente inativas. Elas foram divididas em dois grupos: o grupo exercícios físicos e o grupo-controle.

O programa de treinamento no grupo de exercícios foi realizado em 24 sessões, três vezes por semana, com cada sessão durando uma hora. As sessões foram divididas em exercícios aeróbicos (teste de esteira) e treinamento de resistência (musculação), supervisionados por um fisioterapeuta.

Após esse período de treinos, o grupo que fez exercícios apresentou um aumento nas células Treg “ativadas”, ou seja, com capacidade de efetuar a ação anti-inflamatória, concomitantemente com uma redução nas células Th17 (pró-inflamatórias). Além disso, o grupo ativo também apresentou melhora na força muscular e diminuição da dispneia (falta de ar).

“Além de corroborar os achados sobre os efeitos benéficos da atividade física para atenuação e prevenção de diferentes doenças, esses resultados apresentam pela primeira vez que o treinamento físico inibe a resposta Th17 e promove aumento de células Treg com atividade anti-inflamatória em indivíduos com DPOC, mesmo em estágios avançados da doença. Isso significa melhora da resposta imune e consequente atenuação dos sintomas respiratórios”, conta Lopes.

Na prática, diz a pesquisadora, os benefícios da atividade física podem ser estendidos para qualquer pessoa com DPOC, mesmo que não seja um paciente grave. “A gente sabe que a maioria não faz atividade física por causa da falta de ar, do cansaço. À medida que a doença progride, a pessoa perde cada vez mais sua capacidade respiratória. Mas esse estudo traz resultados que vão impactar a vida dessas pessoas. É essencial que elas entendam que, aos poucos, o exercício físico vai melhorar a aptidão física, melhorar a força muscular e ainda diminuir a inflamação”, ressaltou a pesquisadora.

A doença no Brasil

Nos países industrializados, estima-se que entre 5% e 10% da população adulta sofra de DPOC. No Brasil, um estudo realizado com pessoas com mais de 40 anos mostrou uma prevalência de 15,8% na Região Metropolitana de São Paulo.

De acordo com dados da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) baseados na metodologia Global Burden of Disease (GBD), por aqui a DPOC é a quinta causa de morte entre as doenças crônicas não transmissíveis em todas as idades. Nas últimas décadas, foi a quinta maior causa de internação no Sistema Único de Saúde (SUS) entre pacientes com mais de 40 anos.

O artigo Effect of exercise training on modulating the TH17/TREG imbalance in individuals with severe COPD: A randomized controlled trial pode ser lido em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39764722/.

 

Fernanda Bassette
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/estudo-comprova-beneficios-do-exercicio-fisico-para-pessoas-com-doenca-pulmonar-obstrutiva-cronica/53660

 

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