Tumor de mama foi o
mais prevalente, mas os de traquéia e próstata vêm sendo cada vez mais comuns
entre pessoas com menos de 50 anos; Estudo internacional publicado no final de
2023 alerta para a necessidade de políticas de conscientização e diagnóstico
precoce
Cada vez mais
jovens são diagnosticados com câncer em todo o mundo: segundo um estudo
publicado recentemente na revista britânica BMJ Oncology, o aumento foi de 79%
em novos casos entre pessoas com menos de 50 anos nas últimas três décadas
(1990-2019), com mais de 1,8 milhões de diagnósticos. E o tumor de mama foi o
mais incidente, embora os tipos de traqueia e da próstata tenham aumentado mais
rapidamente desde 1990, revela a análise. Os cânceres que causaram o maior
número de mortes e que mais comprometeram a saúde entre os adultos mais jovens
foram os de mama, traqueia, pulmão, intestino e estômago.
A análise serve
como um alerta em especial aos países em desenvolvimento, como o Brasil, que
vêem seus casos de câncer aumentarem exponencialmente ao longo dos últimos
anos. Diante disso, as medidas chave estão nas políticas de conscientização
sobre a importância do acompanhamento médico periódico e realização de exames
de rotina para detecção precoce do câncer. “Elas são a solução para diminuição
dos impactos gerados pela doença em aspectos que extrapolam o debate
epidemiológico, devendo ser considerado ainda o impacto dessa realidade nos
custos - tanto do ponto de vista financeiro quanto humano”, explica Carlos Gil
Ferreira, diretor médico da Oncoclínicas&Co e presidente do Instituto
Oncoclínicas.
Para ele, é
preciso estimular a conscientização da população em geral sobre como é feita a
detecção precoce de tumores e disponibilizar os serviços necessários, que
incluem médicos, exames e tecnologias. “Quanto mais cedo descoberta a doença,
melhor o prognóstico, com resultados positivos às terapias e maiores chances de
cura”, enfatiza.
Vale lembrar que,
de acordo com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) a
incidência global de tumores malignos deve saltar de 20 milhões de novos casos
(2022) para 35 milhões em 2050, um aumento que equivale a 77%. Além disso,
cerca 53,5 milhões de pessoas atualmente estão vivendo com câncer, considerando
o período de prevalência da doença no período de cinco anos.
Diferenças
regionais são fundamentais para entender a doença
Embora o câncer
venha sendo progressivamente diagnosticado em pessoas com menos de 50 anos,
poucos estudos focaram nas importantes diferenças regionais e nacionais. Para
entender melhor o panorama, a pesquisa se baseou em dados do Estudo Global
Burden of Disease 2019, que avaliou 29 tipos de câncer em 204 regiões de
diferentes países.
Países de
rendimento baixo a médio, como o Brasil, o câncer precoce teve um impacto muito
maior nas mulheres do que nos homens, tanto em termos de mortes como de
problemas de saúde subsequentes. Isso pode estar conectado, por exemplo, às
dificuldades de acesso de exames diagnósticos e medidas preventivas, como a
vacina contra o HPV.
“Além dos fatores
genéticos e hábitos de vida, a doença tem um componente grande socioeconômico,
e o olhar para as diferenças regionais são fundamentais para sabermos onde
precisamos melhorar e para onde precisamos ir. Em muitos locais, a sobrevida de
alguém pode ser influenciada por acesso a uma vaga em um hospital, um simples
transporte, vacinação ou mesmo uma renda que dê para um suporte necessário em
tratamentos mais agressivos, como uma nutrição adequada”, descreve Carlos Gil.
Mais de 1 milhão
de pessoas com menos de 50 anos morreram em decorrência de tumores em 2019, um
aumento de pouco menos de 28% em relação aos números de 1990. Com base nas
tendências observadas nas últimas três décadas, os investigadores estimam que o
número global de novos casos de início precoce e de mortes aumentará mais de
31% e 21%, respectivamente, em 2030.
Panorama do
Câncer no Brasil
De acordo com o
Instituto Nacional do Câncer (Inca), são esperados 704 mil novos diagnósticos
de cânceres a cada ano do triênio de 2023 a 2025 - uma soma que resultará em
mais de 2 milhões de novos casos da doença ao longo desses 36 meses. Entre os
tipos de tumor mais comuns no Brasil, o câncer de pele do tipo não melanoma
continua na liderança.
No recorte por
gênero, a neoplasia de mama entre as mulheres e a de próstata nos homens
permanecem como pontos de atenção, figurando no topo da lista quando observada
essa divisão da população. No topo do ranking de incidência no país aparecem
ainda tumores de pulmão e intestino, ambos com fatores de risco ligados a
hábitos de vida pouco saudáveis, como dieta rica em gordura e tabagismo. O mais
recente estudo do INCA levou em conta mais de 21 tipos de cânceres,
considerando, pela primeira vez, também os tumores de pâncreas e fígado.
“Apesar do cenário
exigir atenção da população e dos órgãos de saúde, é preciso reforçar que o
acompanhamento médico periódico e realização de exames de rotina para detecção
precoce do câncer, aliados às novas frentes avançadas de tratamento da doença,
são a chave para que os índices de incidência não levem também ao aumento das taxas
de letalidade”, afirma o diretor médico da Oncoclínicas.
Segundo o
especialista, a mensagem central que deve ser repetida é que precisamos
estimular a conscientização da população em geral sobre a detecção precoce de
tumores. “Quanto mais cedo descoberta a doença, melhor o prognóstico, com
resultados positivos às terapias e maiores chances de cura”, finaliza Carlos
Gil.
Oncoclínicas&Co.
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