O Carnaval é um dos maiores eventos culturais do Brasil sinônimo de festas, calor, fantasias e corpo à mostra. Junto com a celebração, cresce também a procura por procedimentos estéticos que prometem “resultados rápidos” para melhorar o contorno corporal, reduzir gordurinhas, corrigir imperfeições e aumentar a autoestima em pouco tempo.
Dados internos de
clínicas de cirurgia plástica em todo o país revelam uma tendência consistente:
nos dois meses que antecedem o Carnaval, a procura por procedimentos estéticos
pode aumentar entre 25% e 40% em comparação com períodos normais do ano.
Na Clínica Libria, cada vez mais pacientes chegam ao consultório entre dezembro e fevereiro buscando soluções “last minute” e isso preocupa especialistas.
Segundo o Dr. Hugo Sabath, cirurgião plástico da Clínica Libria, esse movimento não é apenas um reflexo da exposição física, mas também da pressão estética amplificada pelas redes sociais e pela cultura digital.
> “Estamos
vivendo uma época em que a estética das redes sociais contagia diretamente as
decisões de saúde e bem-estar das pessoas. O Carnaval amplifica essa pressão
porque o corpo fica mais exposto. O problema é quando essa busca por estética
imediata se sobrepõe à segurança do paciente”, explica o especialista.
A pressão estética e a cultura do resultado instantâneo
O Carnaval intensifica a sensação de que “o corpo precisa estar perfeito agora”. A digitalização da imagem, os filtros e a comparação constante com padrões irreais contribuem para um comportamento impulsivo.
> “Muitos pacientes chegam dizendo que querem operar ‘para o Carnaval’, sem compreender que o corpo não responde como uma maquiagem que pode ser retirada à noite. Cirurgia plástica é medicina e medicina tem tempo de recuperação e limitações”, pontua Dr. Sabath.
Essa busca por
tempo recorde leva a um tipo de consumo médico guiado pela ansiedade, e não
pela indicação clínica. A consequência pode ser complicações que vão desde
resultados aquém do esperado até problemas sérios de saúde.
Procedimentos mais procurados no pré-Carnaval
Nos dois meses que antecedem a folia, os procedimentos com maior aumento de procura incluem:
- Lipoaspiração:
entre os procedimentos cirúrgicos, é uma das mais procuradas, com aumento de
até 30% nas agendas.
- Abdominoplastia
associada: também registra alta, especialmente em pacientes que buscam melhora
do contorno corporal.
- Preenchimentos
faciais e toxina botulínica: normalmente disparados pela pressão estética das
redes sociais crescimento de aproximadamente 40% nessa época.
- Tratamentos corporais minimamente invasivos (coolsculpting, radiofrequência, bioestimuladores): alternativas populares que conseguem resultados rápidos, embora com limitações próprias.
> “Esses dados
indicam um padrão claro: as pessoas querem mudança… mas muitas vezes querem sem
paciência e sem avaliar as consequências”, reforça Dr. Sabath.
Por que a pressa pode ser um risco?
O principal equívoco está na expectativa de resultados imediatos e pessoais para um evento de curto prazo. Uma cirurgia plástica envolve não apenas a técnica em si, mas também:
- Avaliação
clínica completa
- Exames
pré-operatórios detalhados
- Esclarecimento
de riscos e expectativas
- Período de recuperação biológica
> “O corpo
precisa de tempo para cicatrizar, lidar com inflamação e adaptar-se às
mudanças. Isso não acontece da noite para o dia, e muito menos em poucas
semanas. Ignorar esse ritmo biológico em nome de um evento pode trazer
consequências sérias”, alerta o especialista.
Riscos mais comuns na busca por resultados rápidos
Entre os principais riscos associados à pressa por procedimentos estéticos antes do Carnaval, o Dr. Sabath destaca:
- Infecção de
feridas cirúrgicas
- Cicatrização
inadequada
- Hematomas
persistentes
- Necrose em casos
extremos
- Insatisfação
estética
- Complicações sistêmicas em cirurgias extensas
> “Não existe
cirurgia plástica sem risco. O que existe é técnica adequada, paciente bem
informado e ambiente seguro. Quando um ou mais desses pilares faltam, o risco
aumenta exponencialmente”, afirma.
A importância do pós-operatório no verão e no Carnaval
Além da pressão
estética, o verão e o próprio Carnaval impõem desafios adicionais ao
pós-operatório. Entre eles:
- Calor intenso
que pode aumentar o inchaço
- Maior exposição
solar que pode prejudicar cicatrização
- Transpiração excessiva
que pode favorecer infecções
- Festividades e bebidas alcoólicas que não combinam com a recuperação
> “O
pós-operatório bem-conduzido é tão importante quanto a cirurgia em si. Evitar
sol, manter hidratação, repousar e seguir orientações com precisão fazem toda a
diferença. Não adianta ter feito a cirurgia se o paciente compromete o resultado
por descuido no pós”, reforça Dr. Sabath.
Dicas
práticas para quem pensa em fazer procedimentos antes do Carnaval
Dr. Hugo Sabath destaca orientações essenciais:
- Planeje com
antecedência cirurgias com tempo adequado entre operação e Carnaval
reduzem complicações
- Avalie
expectativas reais o corpo humano tem limites de resposta e cicatrização
- Atente-se ao
pós-operatório descanso, hidratação e proteção solar não são opcionais
- Escolha um
especialista qualificado formação, histórico e referências médicas importam
- Não confie em “resultados milagrosos” aparência natural exige tempo e disciplina
> “A estética é
uma ferramenta que pode fortalecer a autoestima, mas não pode ser usada de
forma irresponsável. Decisões impulsivas trazem riscos concretos”, conclui o
cirurgião.
Conclusão
O Carnaval é um evento de celebração, energia e convívio não um prazo médico. A pressão estética gerada por comparações sociais e a busca por resultados rápidos podem levar a escolhas equivocadas, que envolvem riscos físicos, emocionais e até de saúde.
> “Antes de
pensar em operar para um evento, o paciente deve perguntar: ‘Isso é pelo meu
bem-estar ou pela validação externa?’ Quando a resposta é consciente,
responsável e orientada por um especialista, a cirurgia plástica pode trazer
resultados transformadores. Quando a resposta vem da pressa, os riscos superam
qualquer benefício estético”, finaliza o Dr. Hugo Sabath, cirurgião plástico da
Clínica Libria.












