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sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Planejamento e redefinição de metas: como seguir no pós vestibular

Foto: banco de imagem
Diretor pedagógico do Colégio Anglo Leonardo da Vinci diz que reflexão e resiliência são os pontos chaves durante esse processo

 

De acordo com dados preliminares, mais de 4,3 milhões de pessoas se inscreveram para fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024. Apenas no primeiro dia de prova, realizado no último dia 3 de novembro, 73,4% participaram, um crescimento de 1,5% em relação ao Enem 2023. Já no segundo dia de avaliação, 69,4% dos inscritos marcaram presença, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Ainda, outros vestibulares nacionais e estaduais ainda acontecerão até o final do ano.
 

Mas, como seguir após? 

É comum que estudantes experimentem uma mistura de alívio e ansiedade, visto que a pressão é grande durante os meses de estudos intensos, provas e simulados. Porém, há o momento de dar lugar a uma nova fase: a espera pelos resultados e, mais importante, o planejamento para o próximo passo. Para Wagner Venceslau Dias, diretor pedagógico do Colégio Anglo Leonardo da Vinci, esse período também é essencial para reorganizar metas, rever estratégias e se preparar para o que está por vir, independentemente do resultado do exame. 

“Os vestibulares, principalmente o Enem, representa uma etapa significativa na vida de muitos jovens, então vejo que o primeiro passo após essa fase seja fazer uma análise e uma reflexão de seu desempenho, permitindo que reconheça seu esforço e visualize onde quer chegar. Pode ser uma reconexão com os sonhos e valores pessoais, algo que deve nortear todo o planejamento futuro”, destaca Wagner. 

Junto a isso, a especialista ressalta que para aqueles que conquistaram a tão sonhada aprovação em uma universidade, é o momento de começar a planejar a nova fase da vida acadêmica. Para aqueles que não alcançaram o resultado esperado, é crucial redefinir metas e traçar novas estratégias de estudos para que, então, chegue ao propósito. 

“A época de vestibulares é difícil para os alunos e aborda diversos tópicos que podem interferir direta ou indiretamente nos resultados finais. É importante lembrar que há um mundo inteiro para desbravar e que ter resiliência e determinação é fundamental. Desistir, jamais”, complementa o especialista.
 

Como manter a motivação e o foco? 

Ainda conforme Wagner, manter-se inspirado e motivado após o Enem é desafiador, mas também muito recompensador. A dica é estabelecer objetivos pequenos e alcançáveis, celebrando cada conquista no caminho. 

"Uma rotina equilibrada, que inclua momentos de estudo, descanso e lazer, contribui para que o jovem mantenha sua saúde mental e emocional em dia. O sucesso é construído passo a passo, e a jornada é tão importante quanto a chegada ao destino final. A jornada do conhecimento é contínua, e o pós Enem ou outros vestibulares é apenas mais um passo rumo ao desenvolvimento acadêmico e pessoal", finaliza o diretor pedagógico.


7 em cada dez brasileiros acreditam que o país deveria fazer mais pelo combate às mudanças climáticas, aponta Ipsos

Pesquisa “Earth Day 2024” avalia a percepção da população com relação ao meio ambiente

 

Segundo dados levantados em 33 países pelo Instituto de pesquisa Ipsos, 73% dos brasileiros afirmam que o governo brasileiro deveria intensificar seus esforços no combate às mudanças climáticas. O país se encontra em 8° lugar no ranking global, que apresenta uma média de 63%. Os líderes do ranking são Indonésia (83%), China (81%) e Tailândia (77%). Já os que menos concordam com a necessidade de fazer mais para combater as mudanças climáticas são os países desenvolvidos: Alemanha (43%), Holanda (43%) e Japão (43%).


Necessidade de equidade

Globalmente, o levantamento também revela que 63% declaram que países desenvolvidos, como os Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha e França, devem pagar mais para resolver o problema climático, dada sua maior responsabilidade histórica na produção de emissões de carbono. Mas quando questionados sobre “não podemos enfrentar plenamente as alterações climáticas a menos que todos os países trabalhem em conjunto”, três a cada quatro pessoas (74%) no mundo acreditam que, todos os países devem trabalhar juntos na resolução deste problema.

 

Percepções climáticas

A pesquisa também revela que 40% dos brasileiros acham que o Brasil já é um líder mundial na luta contra as mudanças climáticas. As nações com maiores índices de concordância são China (75%), Índia (73%), e a Indonésia (54%), enquanto os países com menores índices são Japão a (12%), Romênia (10%) e Hungria (9%).

Além disso, 63% das pessoas em todo o mundo expressam a preocupação de que, “se as ações individuais não forem tomadas agora para combater as mudanças climáticas, estaremos falhando com as gerações futuras”. A Indonésia lidera esse indicador, com 80%, seguida pela Índia (77%) e Colômbia (77%). O Brasil ocupa a 9ª colocação com 72%.

 

Pequenas ações para grandes mudanças

O levantamento aponta que globalmente, 69% das pessoas acreditam que “se todos fizessem pequenas mudanças em suas vidas cotidianas, isso poderia ter um grande impacto no combate às mudanças climáticas.” Np Brasil, o índice de concordância é de 72%. Este consenso, no entanto, varia entre as gerações e gêneros. Por exemplo, entre os Boomers, 78% das mulheres correspondem, em comparação com 69% dos homens. Na Geração X, 74% das mulheres estão de acordo, contra 69% dos homens. Os Millennials representam 71% das mulheres e 66% dos homens, enquanto na Geração Z são menos propensos a pensar assim, com os resultados sendo de 66% entre mulheres e 61% entre homens.

 

Pessimismo masculino

Outra informação que a pesquisa “Earth Day” traz é sobre o pessimismo dos jovens e adultos homens, em que concordam com a afirmação “não haver sentido em mudar seu próprio comportamento para combater as mudanças climáticas porque isso não fará diferença de qualquer maneira”. O levantamento global também aponta que quase um em cada três se sente particularmente impotente, sendo 31% são jovens da geração Z, e outros 31% da geração Millennial.

 

Sobre a “Earth Day 2024”

Realizada em 33 países durante o período de 26 de janeiro a 9 de fevereiro de 2024, a pesquisa “Earth Day” teve a participação de 24.290 entrevistados, com cerca de 1.000 deles, no Brasil. A margem de erro para o país é de 3,5 pontos percentuais.


Campinas Shopping abre 540 vagas temporárias para o fim de ano

Divulgação
A maioria das vagas é para contratação imediata. São diversas funções para iniciantes e pessoas com experiência 

 

O clima de fim de ano chegou ao Campinas Shopping com uma excelente notícia para quem busca emprego: estão abertas 540 vagas temporárias em diversas áreas, em mais de 180 operações. As vagas são para contratação imediata, com contratos de 45 dias, coincidindo com o aumento de movimento típico das festas de fim de ano.

As oportunidades abrangem funções variadas, como vendedores, auxiliares de loja, recreadores, estoquistas, ajudantes de cozinha, caixas e atendentes, e estão disponíveis para perfis diversos – de jovens aprendizes a profissionais mais experientes. Algumas contratações podem se estender até janeiro, aproveitando o aumento de movimento durante as férias e o período de volta às aulas.

Os interessados podem entregar o currículo diretamente nas lojas ou enviar para o banco de talentos do shopping por meio do e-mail atendimento@campinasshopping.com.br.

Para José Carlos Ceryno Macorin, coordenador de marketing do Campinas Shopping, essas vagas representam mais do que uma chance de trabalho temporário: “As contratações de final de ano são uma excelente porta de entrada para o mercado, especialmente para quem está buscando uma primeira experiência ou deseja retomar às atividades. Em muitos casos, o emprego temporário se transforma em uma oportunidade fixa, algo muito valorizado pelos lojistas. Estamos confiantes de que, além de ajudar a compor a renda para as festas, as vagas proporcionarão aprendizado e desenvolvimento pessoal para os novos colaboradores.”

Além da remuneração média que varia de R$ 2.000,00 a R$ 3.800,00, com benefícios a serem discutidos com os empregadores, é essencial que os candidatos tenham boa comunicação, gosto pelo atendimento ao público e disponibilidade de horários para o trabalho aos finais de semana.

"A temporada de fim de ano no Campinas Shopping, além de encantar o público com sua decoração e programação especial, traz a chance de um 2025 ainda mais próspero para quem busca novas oportunidades", finaliza Macorin.


Empresas: planejamento e metas para 2025

Avaliar áreas como vendas, qualidade dos produtos ou serviços, desempenho financeiro e satisfação do cliente fornece informações essenciais para ajustar os planos futuros 

 

Com o ano chegando ao fim, a definição de metas para 2025 ganha relevância nas empresas que buscam crescimento e melhores resultados. O momento é propício para refletir sobre os acertos e desafios de 2024 e traçar estratégias que fortaleçam a operação e o posicionamento no mercado. 

 

André Minucci, mentor de empresários, destaca que um planejamento bem estruturado faz toda a diferença para que as empresas cresçam de maneira sustentável. Em entrevista, ele compartilha orientações para uma abordagem estratégica e realista no desenvolvimento de metas empresariais.

 

Análise dos resultados anuais 

“Planejar para o próximo ano exige, antes de tudo, um olhar atento para o ano que se encerra,” explica Minucci. Ele recomenda que as empresas revisem suas metas de 2024 e analisem o que foi atingido”. 


Avaliar áreas como vendas, qualidade dos produtos ou serviços, desempenho financeiro e satisfação do cliente fornece informações essenciais para ajustar os planos futuros. “A análise de desempenho deve ser abrangente para que o próximo ano seja bem fundamentado e sem ilusões sobre os desafios.”

É importante que cada meta seja detalhada e que todos compreendam sua importância,” afirma. Metas que incluem detalhes de prazo e indicadores de sucesso são mais fáceis de monitorar e atingem maior comprometimento por parte de todos os envolvidos.

 

Estratégias empresariais para 2025 

Após a definição das metas, é necessário planejar as estratégias que orientarão a empresa ao longo do próximo ano. Minucci recomenda três frentes prioritárias para 2025: inovação, flexibilidade e capacitação da equipe.

 

Ele ressalta que investir em inovação tecnológica, mesmo de forma gradual, pode gerar grandes retornos em eficiência e competitividade. “O mercado evolui rapidamente, e as empresas que não se adaptarem ou implementarem novas soluções correm o risco de ficar para trás. Nesse contexto, uma mentoria empresarial é fundamental para guiar essa adaptação, alerta.

 

Além disso, Minucci diz que empresas invistam em capacitação e desenvolvimento contínuo da equipe. “A evolução da empresa depende do crescimento dos colaboradores,” explica. Cursos, workshops e treinamentos ajudam os funcionários a desenvolver habilidades que podem contribuir para um melhor desempenho e engajamento.

 

Monitoramento e flexibilidade 

Outro ponto importante, segundo Minucci, é a necessidade de monitoramento constante e ajustes periódicos nas metas e estratégias. Ele destaca que o cenário econômico pode mudar, e que a adaptabilidade é fundamental.

 

“As empresas precisam adotar uma abordagem flexível, adaptando-se a novas oportunidades ou desafios que surgirem,” afirma. Realizar reuniões trimestrais para acompanhar o progresso das metas e adaptar o plano de ação é uma prática recomendada.

 

Cultura de resultados e aprendizado 

Por fim, Minucci incentiva as empresas a desenvolverem uma cultura de resultados e aprendizado, na qual a equipe se sinta motivada a crescer e enfrentar desafios de forma colaborativa. “A construção de uma mentalidade de aprendizado constante é fundamental, especialmente em um ambiente tão competitivo”, completa. 

Para encerrar, o mentor ressalta que o planejamento é mais do que um simples documento; ele deve ser uma base viva, com metas sólidas, estratégias adaptáveis e uma equipe motivada para crescer. Esse foco em uma estrutura planejada e resiliente prepara a empresa para um 2025 de resultados consistentes.


A 19ª edição do Festival de Cinema Italiano chega de forma gratuita ao streaming À La Carte

São mais de 25 títulos entre inéditos e clássicos que ficarão disponíveis na plataforma até o início de dezembro

 

Até 08 de dezembro, o streaming dos melhores filmes leva  para a sua casa a 19º edição do Festival de Cinema Italiano no Brasil, gratuito para assinantes e não assinantes do À LA CARTE! Embarque em uma programação com mais de 25 títulos, entre filmes inéditos e uma especial Retrospectiva de clássicos do humor na cinematografia italiana. Entre os destaques desta semana estão o premiado “Um Mundo à Parte” (2024), comédia divertidíssima de Ricardo Milani,  que marcou a maior bilheteria da Itália em 2024 com mais de 1 milhão de espectadores; o astro Toni Servillo protagoniza o drama “Caracas” (2024), segundo filme do ator Marco D'Amore como diretor, e obra baseada no romance "Napoli Ferrovia" de Ermanno Rea.

 

Como parte da Retrospectiva, destaque para um clássico de  Ettore Scola “A Viagem do Capitão Tornado” (1990), filme de época espetacular com grande elenco; além de “Totò a colori”  (1952), de Steno - o primeiro filme italiano rodado em cores -, “O Homem da Caixinha” (1950), de Carlo Ludovico Bragaglia; “O Ouro de Nápoles” (1954), de Vittorio De Sica e “Confusões à italiana” (1954), de Mario Mattoli, todos os longas estrelados por uma das figuras mais emblemáticas do cinema italiano: Totó, conhecido como “o homem do rosto de borracha” pela habilidade de se transformar com excelência em cada um de seus variados personagens. Confira também “O Pequeno Diabo” (1988), dirigido e estrelado por Roberto Benigni (A Vida é Bela) e “Eu, Capitão”, de Matteo Garrone, que compõem a programação do Festival como uma homenagem ao diretor italiano. O filme foi o escolhido da Itália para concorrer ao Oscar® 2024 de Melhor Filme Internacional.

 

Sobre o À LA CARTE 

O À LA CARTE é um streaming de filmes pensado para quem ama cinema de verdade. Seu catálogo inclui filmes de todos os cantos do mundo e de todas as épocas: contemporâneos, clássicos, cults, obras de grandes diretores, super premiados e principalmente aqueles que merecem ser revistos e que tocam o coração dos cinéfilos. Outros diferenciais do À LA CARTE são as séries e as mostras de cinema, como os especiais dedicados à cinematografia francesa, italiana, coreana, japonesa, espanhola, holandesa, suíça,  da Macedônia do Norte e da Geórgia! 

 

Serviço:

Planos de assinatura com acesso a todos os filmes do catálogo em 2 dispositivos simultaneamente. 

Valor assinatura mensal: R$ 12,90 | Valor assinatura anual: R$ 141,00

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Cresce a violência no Brasil

 

A violência no Brasil, que antes se concentrava em contextos específicos, ganhou novos contornos nos últimos anos. A partir da ascensão de movimentos de extrema-direita que a campanha e, mais ainda, a eleição de Jair Bolsonaro deram palco e luz, o país entrou em uma fase de polarização aguda, onde a intolerância deixou de ser um fenômeno apenas político para se espalhar por outros setores da vida cotidiana. No trânsito, nos estádios de futebol, nas residências e até mesmo nas interações cotidianas no trabalho, escolas, praças o ódio tornou-se uma presença crescente, ameaçando o tecido social brasileiro.

A violência no trânsito é um exemplo claro. Casos emblemáticos, como o do motorista de um carro de luxo que matou um motoboy por um choque no espelho do carro, ganham as manchetes e refletem uma crescente impaciência e desrespeito às leis de convivência. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) mostram um aumento significativo de mortes no trânsito nos últimos anos, muitas das quais motivadas pela agressividade, pela imprudência e pelo preconceito social. O perfil de vítimas e agressores revela, em muitos casos, uma divisão de classes e uma falta de empatia por parte dos motoristas de veículos de luxo.

Esse mesmo espírito de confrontação é evidente nos estádios de futebol, onde torcedores de diferentes clubes transformam as arquibancadas e os arredores em arenas de violência. O ano de 2023, por exemplo, registrou um número alarmante de mortes e agressões nas brigas entre torcidas organizadas. O Observatório da Violência no Futebol (OVF) revelou que as mortes relacionadas a confrontos entre torcedores aumentaram em cerca de 30% nos últimos anos, levando a uma onda de pedidos por medidas mais rígidas de segurança e punições.

Assim como os regimes autoritários do passado, a ultradireita se vale do discurso de ódio e da desumanização do adversário político, que considera inimigo, para manter sua base de apoio mobilizada. No caso brasileiro, essa retórica violenta não se restringe à esfera política, mas permeia todas as esferas da sociedade. E a crescente onda de violência alcança outras parcelas da sociedade, atingindo mulheres, pretos, LGBTQIA+, imigrantes, indígenas – enfim, seres humanos que merecem nosso respeito.

Ao agir com arrogância e desdém por valores como respeito e ética, os radicais não apenas aumentam o número de conflitos diretos, mas também legitimam um comportamento agressivo que desestabiliza as relações sociais.

Como nos ensina a história, os regimes autoritários muitas vezes se valem da violência como meio de controle. Na atual conjuntura, as autoridades brasileiras precisam refletir sobre o papel que cumprem ao não combaterem a violência com rigor e sobre o tipo de país que desejam construir. A violência não é um indicador de avanço, mas de retrocesso. Ao ignorar os direitos humanos e incitar a intolerância, o Brasil corre o risco de se tornar refém de uma escalada de ódio que ameaça tanto a segurança pública quanto a dignidade de seus cidadãos.

A ultradireita não é apenas perigosa; é também ineficaz e contraproducente. Em vez de oferecer soluções para os problemas reais do país, ela aposta em uma política de divisão que enfraquece a nação. E, como observou Norberto Bobbio, o uso indiscriminado da violência é uma arma que, no longo prazo, tende a virar-se contra aqueles que a manejam. Combater a violência exige não apenas políticas públicas eficazes, mas também uma sociedade disposta a dialogar e respeitar as diferenças.

 

Ricardo Viveiros - jornalista, professor e escritor, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura; autor, entre outros livros, de A vila que descobriu o Brasil, Justiça seja feita e Memórias de um tempo obscuro.

 

BOLETIM DAS RODOVIAS


FERIADO DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

                                      15 DE NOVEMBRO 

 

A ARTESP - Agência de Transporte do Estado de São Paulo) informa as condições de tráfego nas principais rodovias que dão acesso ao litoral paulista e ao interior do Estado de São Paulo às 13h desta sexta-feira (15). Cerca de 759 mil veículos já circularam pelas principais rodovias do Estado. 

 

Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) 

Operação descida 7x3  - A Rodovia Anchieta (SP-150) registra congestionamento no sentido capital do km 42 ao km 40, no sentido litoral há congestionamento do km 27 ao km 42. Na Rodovia dos Imigrantes (SP-160), o tráfego está congestionado no sentido litoral entre o km 27 ao km 53, sentido capital tráfego normal. Já circularam cerca de 196 mil veículos pelo SAI.

 

Sistema Anhanguera-Bandeirantes

A Rodovia Anhanguera (SP-330), sentido interior, apresenta lentidão do km 50 ao km 61 e congestionamento do km 20 ao km 23, no sentido capital, o tráfego é lento do km 62 ao km 60. Já a Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), tráfego congestionado no sentido interior do km 46 ao km 50 e lento entre o km 23 ao km 27, no sentido capital o tráfego está congestionado do km 56 ao km 50. O sistema já recebeu cerca de 324 mil veículos. 

 

Sistema Castello Branco-Raposo Tavares

A Rodovia Raposo Tavares (SP-270) tem tráfego normal nos dois sentidos. Na Rodovia Castello Branco (SP-280), há congestionamento no sentido interior do km 30 ao km 54 e do km 19 ao km 34, entre o km 57 e 58 o motorista encontra lentidão. No sentido capital, a lentidão segue do km 15 ao km 13+700. Cerca de 200 mil veículos já trafegaram pelo sistema.  

 

Rodovia Ayrton Senna/Carvalho Pinto

O motorista encontra congestionamento no sentido interior do km 72 ao km 85 e do km 35 ao km 51, sentido capital o tráfego é normal. O corredor já recebeu cerca de 39 mil veículos.

 

Rodovia dos Tamoios 

A rodovia tem congestionamento no sentido litoral do km 70 ao km 81, no sentido São José dos Campos, tráfego normal.


Nova meta climática brasileira acelera economia verde e convida jovens à liderança dessa transformação


Durante a COP29, o Brasil anunciou sua nova meta climática: reduzir em 67% as emissões de gases de efeito estufa até 2035. Esse compromisso, embora significativo, ainda está aquém de metas mais ambiciosas, como a do Reino Unido, que projeta uma redução de 81%. No entanto, essa decisão marca um passo importante em direção a um desenvolvimento econômico mais sustentável e resiliente. Trata-se de uma transição urgente e transformadora que impactará não apenas o meio ambiente, mas também o mercado de trabalho, ao impulsionar a criação de uma economia forte, baseada em sustentabilidade, inovação e equilíbrio ambiental. 

Essa transição promoverá o crescimento de empregos verdes em setores estratégicos para nossa economia, como energias renováveis, tecnologias limpas e eficiência energética. Além disso, exigirá um nível mais elevado de consciência ambiental em toda a cadeia produtiva global. Vamos aprender técnicas que aliam geração de renda à conservação ambiental, ao equilíbrio ecológico e a uma visão de neutralização, ainda que não eliminemos completamente o uso de combustíveis fósseis. Contudo, para que essa transformação seja justa e inclusiva, é indispensável investir em educação e formação técnica. 

Na Demà, por exemplo, a capacitação de jovens é uma prioridade inegociável. A organização, com mais de três décadas de atuação, transforma realidades por meio da educação e do trabalho, preparando jovens pelo Brasil para que sejam protagonistas no desenvolvimento de uma economia de baixo carbono, alinhada às demandas do futuro. Além disso, trabalhamos com iniciativas de capacitação comprometidas com justiça social e empoderamento econômico, que oferecem ferramentas para que os jovens possam não apenas se adaptar, mas liderar a transição para uma economia verdadeiramente verde e inclusiva. 

Essa nova meta climática também reforça a necessidade de adaptar o sistema educacional às demandas de um mercado que valoriza práticas sustentáveis. É preciso criar um ambiente em que os novos talentos possam se desenvolver e inovar, garantindo um equilíbrio entre crescimento econômico e preservação ambiental. Ainda que haja incertezas sobre como ou se o Brasil alcançará a meta estabelecida, uma coisa é certa: investir em educação e formação técnico-profissional será decisivo para construir um futuro mais sustentável, em que jovens talentos liderem a transição para uma economia equilibrada e resiliente.
 


Vinicius Tondolo - Diretor Executivo de Educação da Demà, Mestre em Comunicação, docente e especialista em Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pelo curso de formação internacional MAIA.


Detran-SP traz dez dicas importantes para quem está viajando no Feriado da Proclamação da República

O Departamento Estadual de Trânsito paulista indica como fazer um passeio seguro, tranquilo e com atenção à segurança viária

 

Em um ano de poucos feriados prolongados, chegou o último grande feriado para todo o Estado antes de Natal e Réveillon: em homenagem à Proclamação da República, amanhã, sexta-feira, dia 15. Com isso, aumenta o número de turistas e, consequentemente, de veículos circulando por praias do litoral e cidades do interior do estado de São Paulo.

 

Pensando em um trajeto seguro para todos os condutores, sempre tendo em vista o objetivo de coordenar a convivência pacífica no trânsito e preservar vidas, o Detran-SP lista dez dicas e orientações importantes para que todos curtam suas viagens de uma maneira tranquila:

 


Confira as dicas do Detran-SP para o feriado:

 

Bebida e direção não combinam: O álcool reduz os reflexos e a capacidade de reação do motorista, podendo gerar sinistros. Dirigir exige máxima atenção, portanto, lembramos que a mistura de bebida e direção não combina. A tolerância é zero. Além disso, motoristas flagrados embriagados ou que se recusam ao teste do bafômetro recebem multa de quase R$ 3 mil e respondem a processo de suspensão da CNH. Quem apresenta mais de 0,34 miligramas de álcool por litro expelido no sangue, além dessas penalidades, também responde na Justiça por crime de trânsito.

 

Segurança na estrada: O veículo só pode transportar até a capacidade máxima de passageiros permitida pelo manual. Todos os ocupantes devem usar o cinto de segurança ou, em caso de crianças, o sistema de retenção equivalente.

 

Atenção aos limites de velocidade: As estradas trazem diferentes limites de velocidade segundo o seu traçado viário. É extremamente importante que os condutores de veículos estejam atentos à sinalização das pistas. Além disso, dirigir acima do limite máximo permitido pode aumentar o risco de envolvimento em sinistros, por vezes graves, e gerar multas. Mantenha uma distância segura do veículo da frente para evitar colisões. Não se esqueça que dirigir em rodovia é diferente do que dirigir em cidade. Uma distração pode ser fatal.

 

Descanso é essencial!: O descanso antes da viagem é fundamental para que o motorista faça uma viagem tranquila e segura, principalmente em trechos de longa distância. Uma noite de sono bem dormida faz com que o motorista esteja atento durante todo o trajeto.

 

Documentos em dia e celular carregado: O motorista deve portar habilitação dentro da validade e o licenciamento em dia. A falta do licenciamento, por exemplo, é uma infração gravíssima, que pode acarretar uma série de problemas para o proprietário, como apreensão do veículo, multa de R$ 293,47 e sete pontos na carteira. Ambos os documentos estão disponíveis de forma digital; portanto, não se esqueça de deixar o celular devidamente carregado, caso seja abordado em alguma fiscalização. Porém, não faça uso do aparelho enquanto dirige. 

 

Celular longe do volante: Só é possível usar o telefone celular quando o veículo estiver estacionado e o motor desligado. Ele pode ser utilizado na função GPS, desde que o aparelho seja fixado no para-brisa ou no painel dianteiro. Quando estiver ao volante, não faça selfie, foto ou vídeo da paisagem. Segundos de distração são suficientes para o envolvimento em um sinistro de trânsito. Principalmente na estrada, isso pode ser fatal.

 

Cinto e cadeirinha sempre: O cinto de segurança é item indispensável para o motorista e para todos os passageiros. O condutor ou passageiros não devem retirá-lo, nem mesmo em casos de engarrafamento ou quando o sinal estiver vermelho. Crianças com idade inferior a 10 anos ou que não tenham 1,45m de altura deverão, obrigatoriamente, ser transportadas no banco traseiro, utilizando o cinto de segurança e equipamento de retenção apropriado.

 

Capacete sim, viseira também: Motociclistas costumam reclamar do capacete na época do verão, porém, o calor não deve ser motivo para andar sem o equipamento ou com a viseira levantada, pois o item protege a visão contra pedras e insetos, por exemplo, que podem atingir o olho do motociclista. As mesmas regras valem para os passageiros das motos. Vale lembrar que crianças menores de dez anos ou que não tenham condições autônomas de se manterem estabilizadas no veículo não podem trafegar em motos.

 

Chinelo só fora do veículo: O clima de feriado ou férias são convites para dar um descanso aos pés dos tênis e sapatos do dia a dia. Mas, ao dirigir durante a viagem, nada de usar calçados que não se firmem nos pés ou que comprometam a utilização dos pedais, como chinelos, sandálias sem amarração e tamancos – o que pode gerar multa. Nessa situação, o melhor é dirigir descalço.

 

Chuva: Em caso de chuva na hora de pegar estrada, a velocidade deve ser reduzida, os faróis deverão permanecer acesos e a distância de segurança entre os veículos precisará aumentar.

 

Foco constante na conscientização


Desde o início de 2023, foram realizadas 15 campanhas educativas pelo Detran-SP. Uma das mais recentes é sobre o respeito à faixa de pedestres e à maior civilidade na convivência nas ruas. 

 

O Detran-SP trabalha para aumentar a segurança viária, por meio da educação da população, fiscalização e criação de políticas públicas. Em outubro, nas operações pela conscientização do respeito às leis de trânsito e contra a alcoolemia, o Detran-SP fiscalizou 16.916 veículos durante 31 operações em todo o Estado. As Operações de Direção Segura Integrada (ODSI) do mês resultaram em 593 autuações por alcoolemia, sendo 560 recusas ao teste do bafômetro, 28 por direção sob influência de álcool, quatro por crime de trânsito e uma recusa com crime. Nesta última situação, o motorista recusou-se a fazer o teste do bafômetro, mas a embriaguez ficou evidente para os agentes fiscalizadores.

 

Para a efetiva redução de sinistros e óbitos no trânsito, é fundamental a participação de cada cidadão - seja ele pedestre, ciclista, motociclista ou motorista - na observação à legislação e priorização da vida nas vias paulistas. Outro ponto importante é o desenvolvimento do Sistran - Sistema Estadual de Trânsito, para fomentar a organização do trânsito e as iniciativas de segurança viária nos municípios.


‘É uma dor insuportável’, diz vítima de acidente de moto que perdeu o namorado e o movimento dos braços

Dia Mundial em Memória às Vítimas de Trânsito, que ocorre sempre no terceiro domingo de novembro, é oportunidade para lembrar as vidas perdidas e chamar todos à responsabilidade individual para a segurança viária

 

A memória vem em lampejos. O corpo sobre a grama, um rosto conhecido, a dor, o hospital, a notícia da morte. Ainda hoje, catorze meses depois do sinistro que levou o namorado, Gabriel Rodrigues, a esteticista Grazielly Santos, 21, não recuperou toda a sequência dos acontecimentos. Nem o movimento dos braços, prejudicado por uma lesão na coluna cervical causada pela tragédia. Grazielly foi arremessada da garupa da moto de Gabriel, que se chocou contra uma carreta na rodovia Santos Dumont, em Campinas, em julho de 2023. Teve fratura exposta na perna e ainda uma lesão no rosto, junto à pálpebra. Levada ao hospital, passou mais de sete horas em cirurgia, a primeira de muitas. Ele morreu na hora. 

Grazielly e Gabriel, então com 19 e 20 anos, fazem parte da parcela da população que mais pressiona as estatísticas do sistema viário, e que evocará mais lembranças neste domingo, 18 de novembro, Dia Mundial em Memória às Vítimas de Trânsito (DMMVT ou WDR, na sigla em inglês). Instituída em 1995 pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data cai sempre no terceiro domingo do mês de novembro, e tem por objetivo humanizar as perdas no trânsito, tanto como forma de homenagear as vítimas como de chamar a todos para a responsabilidade pela segurança nas vias públicas. 

De janeiro a setembro de 2024, quase 2.000 motociclistas foram mortos no trânsito no estado de São Paulo, de acordo com dados do Infosiga, o Sistema de Informações Gerenciais de Sinistros de Trânsito do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP). Mais precisamente, 1.925 perdas, volume que representa 42% do total de mortes no período e um aumento de 20% sobre o número de motociclistas que perderam a vida no mesmo intervalo do ano passado. Na capital, o aumento foi ainda maior, de 30%: morreram 355 motociclistas, 45% do total de óbitos no trânsito.  

“Ao lado dos pedestres, foco de uma nova política de estado e de campanha do Detran-SP, os motociclistas são hoje as maiores vítimas do trânsito, e requerem atenção. Nos dois casos, os elos mais frágeis do sistema viário, nosso esforço é para conscientizar sobre a importância do respeito ao próximo e reforçar as fiscalizações para evitar que se percam mais vidas”, afirma Anderson Poddis, diretor de fiscalização e educação para o trânsito do Detran-SP.

 

Juventude no radar

As vítimas, como no caso de Gabriel e de Grazielly, são na maioria jovens. A faixa etária de 20 a 24 anos é a mais atingida, oscilando em torno de 20% a 22% das vítimas fatais com motocicleta nos últimos cinco anos. De janeiro a setembro deste ano, 22% dos mortos por sinistros com moto estavam nesta faixa. Em segundo lugar, vem a faixa de 25 a 29 anos, que responde por cerca de 16% do total de motociclistas mortos. 

"Os jovens motociclistas estão entre as maiores vítimas da violência no trânsito, uma realidade que deixa marcas profundas em famílias e comunidades”, diz Diogo Lemos, coordenador executivo da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global (BIGRS, na sigla em inglês), braço da Bloomberg Philanthropies, organização filantrópica com sede na cidade de Nova York, que, por meio da BIGRS, tem como objetivo apoiar governos a adotar e implementar políticas e ações de segurança viária para reduzir o número de vítimas fatais e gravemente feridas no trânsito. A organização é parceria do Detran-SP na busca por soluções para um trânsito mais seguro e acessível para todos.

 

“O plano era agora estarmos na nossa casa, com nosso bebê. Falamos em nos casar no ano passado, não deu tempo”, conta Grazielly. Ela e Gabriel moravam juntos fazia cerca de dois anos, estavam comprando um carro. No dia em que tudo aconteceu, Gabriel passou a tarde mexendo na moto para encontrar amigos à noite. Grazielly diz ter se sentido mal e pedido que ficassem em casa. A vontade de encontrar os amigos, a juventude, falou mais alto.  

“Eu era sonhadora, gostava de viver a vida. Depois do acidente, passei a viver em uma bolha. Não estou mais estudando nem trabalhando. Eu amava o meu trabalho, com sobrancelhas, cílios e maquiagem. Minha mãe também deixou de trabalhar para cuidar de mim, e não há previsão de quando poderei ir sozinha até a esquina. Eu não consigo comer sozinha, escovar os dentes, trocar de roupa”, conta Grazielly. “Consigo ficar de pé, mas não por muito tempo. Tenho crises convulsivas e desmaios. Ainda está tudo de cabeça para baixo. Tudo o que eu quero é poder pentear meu cabelo.” 

De acordo com o último balanço da Rede de Reabilitação Lucy Montoro, criada pelo Governo do Estado de São Paulo e referência no atendimento a pessoas com deficiência física pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a lesão medular, que no caso da esteticista limita o movimento dos braços, é a principal consequência dos sinistros de trânsito. É registrada em 53% dos casos em que as vítimas se tornaram paraplégicas ou tetraplégicas. Amputação (26% dos casos) e lesão encefálica (15%) são outros desdobramentos frequentes. 

Em reabilitação, Grazielly se aproximou ainda mais dos sogros, os primeiros rostos que viu ao abrir os olhos, sobre o gramado da rodovia Santos Dumont. Enquanto eles acompanham seu tratamento, ela convive com o desalento dos dois. “Eu vejo quanto é grande o sofrimento de uma mãe, de um pai. É uma dor insuportável, que não tem fim.” 

 

‘Meu único irmão’


Se a alta velocidade permitida em rodovias – na Santos Dumont, o limite é quase sempre de 110 km/h – contribuiu para o desastre de Grazielly e Gabriel, o motoboy Wander Pascucci Nogueira, 46 anos, foi vítima de uma dupla infração de trânsito cometida por outro condutor, enquanto fazia o seu trabalho. De Guarulhos, ele circulava pela cidade para fazer uma entrega, quando um motorista parou o automóvel em uma faixa de ônibus da avenida Brigadeiro Faria Lima e abriu a porta. Pai de três meninas, Wander não teve tempo de desviar.  

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) interdita tanto o tráfego de automóveis por faixas destinadas ao transporte público como a abertura de portas sem antes verificar se não afetará ninguém. Trafegar por uma faixa exclusiva de ônibus é infração gravíssima, segundo o artigo 184 do CTB, justamente por colocar veículos em risco de colisão, além de prejudicar o fluxo do trânsito. A penalidade prevista é multa de R$ 293,47. Já a possibilidade de parar na faixa depende da sinalização presente no local. Quanto a abrir a porta voltada para a via, o artigo 49 veda que o motorista ou o passageiro o faça antes de se certificar de que não há perigo para si mesmo ou para outros. E o artigo 169 qualifica como infração leve, passível de multa, dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança viária.       

“Um amigo passou pelo lugar do acidente e viu o Wander no chão. Ele foi me buscar no trabalho. Quando eu cheguei, tive um choque. Meu irmão estava consciente, mas mal conseguia falar de tanta dor. Ele teve o pulmão dilacerado, quebrou todas as costelas, perdeu um pedaço do pâncreas, sofreu ruptura no baço e hemorragia interna”, conta Adriana, quatro anos mais nova. Wander foi encaminhado para um hospital e passou por cirurgia, mas não resistiu. Morreu dois dias depois, no último 6 de setembro. 

“Ele era o meu único irmão. As pessoas têm de lembrar que todos que saem às ruas têm família. Antes de pensar em si mesmas, é preciso pensar no próximo, que é o que mais falta à humanidade. Se cuidamos do outro, cuidamos de nós, também, porque criamos um ambiente melhor para todos”, diz Adriana. 

Motoboy desde os 20 anos, Wander tinha o sonho de comprar uma casa para viver com a família. Ele deixa a esposa, agora em tratamento psiquiátrico, e três filhas de 14, 13 e 11 anos. Em quadro depressivo, a mais nova também tem sido acompanhada por um profissional de saúde mental. “Minha sobrinha não dormia direito, não queria comer. Até o gato da casa adoeceu. Teve depressão, complicações hepáticas, foi preciso mandar para o veterinário, pagamos R$ 2.000.” 

No dia seguinte ao Dia Mundial em Memória às Vítimas de Trânsito, Adriana planeja procurar a polícia para ter informações sobre o caso, passível de punição. “Não vou descansar. Meu irmão foi vítima do erro de outra pessoa.” 

 

Homens, as maiores vítimas

Sem a proteção de uma carroceria, um motociclista fica extremamente vulnerável à imprudência de outros condutores. De janeiro a agosto deste ano, segundo dados do Ministério dos Transportes, os sinistros com moto foram responsáveis por 38% das mortes no trânsito em todo o país – 3.305 vidas perdidas. No estado de São Paulo, o ritmo assusta: são sete mortes a cada dia.  

Com 46 anos completados em julho, Wander por pouco não se enquadra no perfil mais comum na Rede Lucy Montoro. Dos pacientes acolhidos pelo instituto, metade procura atendimento depois de uma ocorrência com motocicleta, 76% têm até 45 anos e 88% são homens. Quando se trata apenas das vítimas de sinistros com moto, o número desses recortes sobe: 91% têm até 45 anos e 89% são do gênero masculino.  

Dados do Detran-SP confirmam a prevalência masculina. Em 2024, 88% dos motociclistas mortos no trânsito, no estado de São Paulo, eram homens. Porcentagem que pouco variou nos últimos anos: foi a mesma em 2019, subiu para 90% em 2020 e ficou em 89% de 2021 a 2023. Na capital, os números são ligeiramente mais altos: a participação masculina entre motociclistas mortos, de 90% neste ano, chegou a 94% em 2020 e a 95% em 2021.

 

Ainda não me achei’


Black Friday: como aproveitar as promoções na internet sem transtornos

Especialista em Direito do Consumidor do CEUB alerta para as regras, avaliações e prazos de entrega dos produtos em oferta

 

Para aproveitar os descontos da Black Friday sem prejuízos, os consumidores devem conhecer seus direitos e agir de maneira responsável. Professora de Direito do Centro Universitário de Brasília (CEUB) e especialista em Direito do Consumidor, Daniella Torres, garante: com cautela é possível garantir que a experiência seja satisfatória e dentro dos parâmetros legais. Segundo ela, o planejamento e o conhecimento são os maiores aliados nesse período.  

Tanto para fornecedores quanto para consumidores, o planejamento é fundamental, recomenda Daniella. Lojistas devem escolher os produtos a serem oferecidos, a plataforma de vendas (online ou física) e as opções de entrega. “Da mesma forma, os consumidores devem se planejar com antecedência, pesquisando os produtos que desejam adquirir e verificando os preços antes da Black Friday em si. É importante não se deixar levar pelo impulso no dia”, afirma.

 

Ao fazer compras pela web, a docente do CEUB indica: 

1. Suspeite de preços excessivamente baixos: se um produto está sendo ofertado por um valor bem abaixo da média, isso pode ser um sinal de alerta. Produtos com preços muito baixos levantam dúvidas quanto à sua procedência e qualidade. “Embora descontos de 50%, 40% ou até 60% sejam comuns na Black Friday, cuidado ao encontrar ofertas que pareçam excepcionalmente baixas”, indica. 

2. Entenda condições e possíveis avarias: durante a Black Friday é comum as lojas oferecerem produtos com pequenos defeitos, como arranhões ou amassados. No entanto, o defeito não pode comprometer a funcionalidade do produto. Certifique-se de que a loja informe claramente qualquer defeito e que se comprometa a corrigi-lo. 

3. Garanta uma compra segura: faça pesquisas sobre os sites. “Isso inclui consultar recursos governamentais, como o site 'consumidor.gov.br,' para verificar se existem reclamações em relação a determinado site, loja ou fornecedor”, reforça. 

4. Verifique a segurança do comércio eletrônico: confira se o site possui certificado de segurança, geralmente indicado por um cadeado no navegador. Também se certifique de que a URL do site de vendas comece com 'HTTPS,' o que indica uma conexão segura. 

5. Cuidado com ‘combos promocionais’: a prática da venda casada é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor. Portanto, se um site exige a compre de outro produto para obter um desconto, denuncie. “Fique atento à publicidade enganosa, como a indicação de preços de produtos em conjunto com valores unitários em letras pequenas”, completa. 

6. Confira os prazos de entrega: se informe sobre o prazo de entrega antes de finalizar a compra, seja na Black Friday ou em outra época. Certifique-se de que o prazo atenda às suas necessidades e expectativas, evitando surpresas desagradáveis.

 

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