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segunda-feira, 6 de julho de 2020

Pesquisa do LinkedIn mostra o novo cenário de vendas no Brasil reescrito pela COVID-19


70% dos vendedores disseram que a retenção de clientes se tornou uma prioridade maior desde a pandemia


A retenção de clientes se tornou prioridade entre os vendedores do mundo todo desde o início da crise do coronavírus. Dados da pesquisa do LinkedIn, o Cenário de Vendas, mostram que 70% da força de vendas acredita nessa medida para sustentar seu negócio de agora em diante. Essa sustentação vem com um grande desafio decorrente da nova realidade dos negócios: uma queda na taxa de resposta dos clientes, apontada por 44% dos profissionais de vendas.  Esse cenário impõe uma mudança de comportamento dos vendedores que precisam ser mais parceiros e consultivos nos seus relacionamentos com os clientes, tendência que já vem sendo sinalizada pelo aumento de 40% no volume de abordagens mais amigáveis por parte de representantes de vendas após o início da crise do COVID-19.

No Brasil, o fluxo de vendas foi reescrito pela Covid-19 enquanto o país tem lidado com as consequências sociais e econômicas da pandemia. Essa disrupção dos últimos meses acelerou o uso de novas táticas nos negócios. Algumas mudanças que os vendedores e suas organizações planejavam ao longo de meses ou anos ocorreram em poucas semanas. Dados da pesquisa do LinkedIn mostram que, antes da pandemia, o planejamento de aumentar o investimento em tecnologia de vendas era mais intenso no Brasil do que em outros países, como Estados Unidos,  Reino Unido, Alemanha, França e México. Além disso, os vendedores brasileiros estavam mais propensos a descrever as ferramentas digitais como críticas para o seu sucesso do que os vendedores de qualquer outro lugar. 57% das empresas consultadas já planejavam aumentar o investimento em tecnologia de vendas em 10% ou mais. 

“As empresas precisaram responder a desafios imediatos, colocando uma nova perspectiva nas tendências duradouras de vendas e dando uma nova urgência a mudanças nos negócios que já estavam ocorrendo. Em 2019, o tempo que os vendedores do Brasil passaram aprendendo novas habilidades no LinkedIn Learning foi 3,5 vezes mais do que outras profissões no país. Isso nos mostra que os vendedores já estavam desenvolvendo muitas das competências necessárias para construir relacionamentos com compradores de forma remota, e que as organizações de vendas já estavam priorizando o investimento em conhecimento associado à capacidade de gerenciamento de mudanças”, explica Ana Almeida, gerente de Marketing do LinkedIn.


Nova Realidade

1. As organizações de vendas devem se adaptar a orçamentos reduzidos e ciclos de vendas mais longos, o que poderia conduzir a uma mudança em como o desempenho dos vendedores é avaliado.

2. Fortalecer os relacionamentos com os clientes é ainda mais vital, à medida que os vendedores se adaptam a processos de compra mais longos e interrupções nas suas principais contas. 

3. Vendas remotas significam vendas digitais e elas vieram para ficar, com os vendedores se apressando para aprender novas competências e compradores descobrindo que, em alguns aspectos, preferem as interações digitais.


E como ficam os compradores?

Com o confinamento, as atividades comerciais e a confiança caíram drasticamente e isso tem um impacto direto nos planos de despesas dos compradores:

·  O otimismo entre os compradores B2B (business to business) no Brasil caiu mais de 20% em um mês, entre abril e maio, de acordo com a esse estudo da McKinsey

·  O mesmo estudo da McKinsey aponta que 55% dos negócios brasileiros cortaram seus orçamentos e 47% planejam cortar despesas no futuro

·  Por outro lado, os compradores B2B no Brasil estão 2,7 vezes mais dispostos a preferir a interação digital a conversas de vendas tradicionais.

·  Isso provavelmente levará a ciclos de vendas mais longos, exemplificado pelos 44% dos vendedores nos Estados Unidos relatando que agora leva mais tempo para fechar negócios

·  Dentre estes profissionais, 55% esperam que seu ciclo de vendas diminua, com 14% prevendo uma queda significativa

No mundo, 60% dos profissionais de vendas esperam fechar menos negócios em decorrência da crise. No Brasil, isso poderia acelerar as mudanças quanto a como as empresas avaliam o desempenho de equipes de vendas. A pesquisa do LinkedIn mostra que a satisfação do cliente e a utilização do produto vêm se apresentando como indicadores tão importantes quanto mensurar exclusivamente cotas individuais de vendas. “Com a capacidade dos representantes de vendas de fechar negócios restrita, é provável que essa ênfase em outras formas de avaliação de valor aumente”, destaca Ana.

O estudo do Cenário de Vendas no Brasil do LinkedIn mostra ainda que os profissionais de vendas se beneficiam dos níveis de confiança e trabalham para que esta seja mantida agora num ambiente digital, que substituiu negociações físicas por atendimentos remotos. De acordo com 89% dos compradores, os profissionais de vendas do país têm uma reputação positiva, sendo que 49% a descrevem como muito positiva. Também, 63% dos profissionais de vendas do Brasil consideraram uma relação de confiança como um dos dois principais fatores que ajudam a fechar uma venda. O desafio está justamente em manter esse índice agora no universo digital, uma vez que a natureza da profissão sempre esteve direcionada ao fortalecimento de habilidades  nas relações presenciais. 

Classificada fortemente em segundo lugar dentre os fatores mais importantes para fechar negócios foi a capacidade de demonstrar o ROI (retorno sob investimento, em português) de uma transação, listada por 49% dos vendedores como um dos dois principais fatores. Com a confiança nos negócios baixa, é provável que esse seja um fator ainda mais importante no futuro.


A revolução das vendas

O cenário de vendas no Brasil passou por uma rápida transformação nos últimos anos, à medida em que as redes sociais emergiram como um canal dominante de vendas e as organizações de vendas aumentaram seus investimentos em tecnologia e profissionais de vendas capacitados tecnologicamente. Agora os vendedores devem se preparar para uma mudança ainda maior.

“A crise do coronavírus impôs vários meses de venda remota, onde as reuniões presenciais são extremamente limitadas. É preciso explorar formas de demonstrar criatividade e conhecimento do negócio em chamadas de vídeo e plataformas de redes sociais. No entanto, eles também precisam da capacidade de criar relacionamentos virtuais por meio de insights e um entendimento mais profundo das necessidades dos clientes. Os vendedores de maior sucesso do Brasil sempre se concentraram em ganhar a confiança de seus compradores. Eles precisam adotar novas formas de fazer isso”, alerta a executiva.

Para entender como esse cenário está mudando, o LinkedIn reuniu no estudo Cenário de Vendas 2020, dados de sua pesquisa com mais de 500 profissionais de vendas e 500 compradores B2B no País, que ocorreu em dezembro de 2019 e que fornece um panorama detalhado de como as organizações de vendas estavam evoluindo antes da pandemia. O resultado foi associado a outros estudos do mercado que dão um panorama em tempo real da situação econômica e dos negócios no Brasil, assim como estatísticas sobre o engajamento de usuários na plataforma do LinkedIn durante a pandemia. Em meados de março, 200 profissionais da área comercial foram questionados sobre como viam o impacto da pandemia nos negócios. O mesmo questionamento ocorreu novamente no início de abril com 511 vendedores. Embora essas últimas pesquisas não sejam focadas no Brasil, elas forneceram um contexto importante sobre os desafios que as equipes de vendas provavelmente enfrentarão.





LinkedIn


Setor que gera mais de 320 mil empregos volta a funcionar nesta segunda (6) na capital


Bares e resurantes poderão funcionar com horário regulado e capacidade reduzida


A partir desta segunda-feira, 6 de julho, bares e restaurantes da capital poderão prestar atendimento presencial ao público. O protocolo de reabertura do setor foi assinado pelo prefeito Bruno Covas no último sábado, 4 de julho, liberando a retomada desde que sejam seguidas as medidas de sanitização do ambiente e prevenção do coronavírus. O setor emprega mais de 372 mil pessoas na capital e tem um faturamento médio anual de R$ 31,9 bilhões.

“A reabertura deste setor, que totaliza 23 mil estabelecimentos, será fundamental para impulsionar a economia da capital e de diversos paulistanos que utilizam a gastronomia como forma de geração de renda”, declara a secretária de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Aline Cardoso.

Os bares e restaurantes da capital estavam funcionando de portas fechadas desde o início quarentena, sendo permitido apenas a oferta de alimentos por meio dos serviços de delivery e retirada. De acordo com pesquisa do Observatório da Gastronomia, órgão colegiado da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, as regiões do Itaim Bibi, Moema e Pinheiros são as que mais têm bares e restaurantes, totalizando mais de 3.200 estabelecimentos e mais de 42 mil pessoas estavam empregadas antes da pandemia.

Antes de retomar as atividades, os estabelecimentos deverão submeter todos os ambientes a um processo intenso de higienização e desinfecção. Funcionários que apresentarem sintomas de gripe precisarão ser testados antes de voltar ao trabalho e, os que fazem parte do grupo de risco, ou têm acima de 60 anos, deverão seguir o regime de teletrabalho. Após a reabertura, todos os colaboradores devem fazer aferição de temperatura e triagem rápida diariamente.

As recomendações de marcação no piso para filas, não realização de eventos, evitar aglomerações, instalação de barreiras acrílicas nos caixas, disponibilização de álcool em gel, higienização de maquininhas de cartão de crédito a cada uso e utilização de máscaras são as mesmas dos estabelecimentos abertos nas fases 2 e 3.

Os estabelecimentos também são responsáveis por treinar e orientar seus funcionários para que todas as medidas sejam seguidas, bem como os clientes, evitando assim a proliferação do vírus na capital e nestes ambientes.

Os colaboradores que não tenham quem cuide de seus filhos ou dependentes no período em que estiverem fechadas as creches, escolas ou abrigos, se não for possível o teletrabalho, o empregador deverá acordar com o empregado uma forma alternativa de manutenção do emprego, podendo utilizar os recursos previstos na legislação federal vigente.


Confira as medidas de prevenção que o setor deve tomar:

O estabelecimento deve dar preferência para as vendas on-line, evitando ao máximo a presença de clientes no local. A capacidade de ocupação precisará ser reduzida a 40% enquanto a capital estiver na classificação amarela do Plano São Paulo e a 60% na classificação verde. Durante a fase amarela, está proibido o atendimento a clientes que estejam consumindo os produtos nas calçadas.

As mesas, que não poderão ser ocupadas por mais de seis pessoas, devem ter 2 metros de distância entre elas e as cadeiras de pelo menos 1 metro. Os clientes só poderão consumir os alimentos dentro dos estabelecimentos se todos estiverem sentados, seguindo corretamente as recomendações de higiene.

As portas e janelas deverão estar preferivelmente abertas, privilegiando a ventilação natural e minimizando o manuseio de maçanetas e fechaduras. Em caso de ambientes climatizados, garantir a manutenção dos aparelhos de ar condicionado, conforme recomendação da legislação vigente.

Os cardápios deverão ser disponibilizados por meio de plataformas digitais (site do estabelecimento, menu digital via QR Code ou aplicativo) ou cardápios de grande porte e visibilidade dispostos nas paredes do estabelecimento, como lousas, quadros e luminosos.

Os restaurantes que atuam com a opção de self-service e com sistema de pedidos para consumo no interior deverão disponibilizar garçons e colaboradores para servir os clientes devidamente paramentados com equipamentos de proteção individual.

O horário de funcionamento dos estabelecimentos deverá ser de seis horas diárias, respeitando o limite das 17h, em função de determinação estadual.


Bares e restaurantes: 5 dicas para organizar seu estabelecimento durante a reabertura


Com o afrouxamento do isolamento social, estabelecimentos do setor de food service, como bares e restaurantes, poderão abrir respeitando regras de saúde e segurança em combate ao covid-19; especialista explica como se organizar


O setor de Alimentação Fora do Lar (AFL) foi um dos mais afetados pela crise do coronavírus. Segundo estimativas do IBGE, o ano de 2019 foi marcado por mudanças nos hábitos de consumo. Prova disso é o crescimento do percentual dos recursos destinados à alimentação, que subiu de 31,1% em 2008-2009 para 32,8% no ano passado. Com a maioria dos estabelecimentos fechados ou operando apenas por meio de entregas ou até mesmo drive-thru, os pequenos e médios empresários precisam se organizar para a abertura de seus negócios. 

A expectativa para recuperar o prejuízo é grande. Leonardo Almeida, CEO da Menu - startup que abastece os restaurantes conectando os principais distribuidores e indústrias do mercado food service -, alerta para a necessidade de negociar. “Para minimizar os impactos causados pelo fechamento de bares, pizzarias e restaurantes, os estabelecimentos precisam enxugar as suas contas. É importante que o comerciante busque por concessões de crédito e, principalmente, renegocie seus custos fixos como o aluguel. Ele pode pedir ao locatário para adiar o pagamento do mês atual. Após esse período, as pessoas voltarão a comprar, em consequência o fluxo de caixa vai aumentar”, comenta.


1. Entenda a real situação das suas dívidas

Durante a crise é comum ter contas atrasadas e gastos inesperados. Com isso, logo as dívidas se acumulam.Por isso, o controle efetivo do fluxo de caixa é essencial e capaz de evitar um cenário ainda pior. Organize-se, coloque no papel quanto você está devendo, há quanto tempo e para quem, incluindo até mesmo os pequenos débitos.


2. Aumente a preocupação com a higiene

O segmento de alimentação fora do lar já possui uma série de cuidados relacionados à alimentação segura, que compreendem o manuseio e a higiene de alimentos. Reforce isso ainda mais no seu estabelecimento, na utilização de álcool em gel na entrada e saída de clientes, na limpeza de mesas, cadeiras e balcões. Evite também o uso de suportes, como saleiros e outros itens que ficam sobrepostos à mesa.

3. Garanta serviços futuros 

Receber antecipadamente pelos serviços pode ser extremamente útil neste momento em que você precisa aumentar seu capital. Construir uma estratégia de voucher, cartão-presente e até cartão fidelidade pode ser uma saída interessante para o seu negócio. Pense em formas criativas de chamar atenção do cliente para a causa em si e se organize para realizar esses atendimentos futuramente de forma a não impactar sua estrutura.


4. Continue vendendo por meio de delivery 

Mesmo com a reabertura dos estabelecimentos, muitas pessoas não se sentirão seguras em frequentar esse tipo de espaço público. Por isso, as entregas são fundamentais para garantir o atendimento daqueles que ainda vão preferir pedir comida de casa.


5. Controle seu estoque de insumos 

Invista em tecnologias que agilizam processos e libere seu tempo para dedicar a outras atividades. Com a Menu é possível melhores negociações com seus fornecedores, sofrendo menos interrupções para recebimento nas lojas. A startup oferece um sistema de gestão de pedidos integrado aos fornecedores e operadores logísticos. Além disso, outro diferencial está relacionado ao abastecimento. A Menu centraliza o estoque e a entrega de seus clientes em até 48 horas. 

Beleza e estética: 5 dicas para ajudar na gestão dos estabelecimentosa retomada dos negócios


Especialista do setor de beleza explica como organizar as clínicas de estética e manter a segurança dos clientes


Com a quarentena, o setor de beleza sofreu baixas significativas nos faturamentos desde março, mês em que se iniciou o isolamento social no Brasil. Segundo pesquisas realizadas pela Nielsen Media Research, o setor de beleza teve queda de 36% na renda, apenas no mês de março. 

João Dória, governador do estado de São Paulo, decretou em pronunciamento oficial realizado em 26 de junho, que salões de beleza e clínicas de estética poderão reabrir a partir do dia 6 de julho, em retomada gradual às atividades e respeitando os protocolos de segurança. Aline Caniçais, fisioterapeuta dermato funcional da HTM Eletrônica - empresa pioneira na fabricação de aparelhos estéticos - dá dicas de como ajudar na gestão dos estabelecimentos com a volta dos serviços de beleza e estética. 


1. Respeite os protocolos de segurança

Os protocolos de segurança variam de acordo com cada região do país, porém são essenciais para manter o negócio em funcionamento, além de, é claro, manter todos os funcionários e clientes saudáveis. Algumas das recomendações são: capacidade de apenas 40% da lotação, distância de dois metros entre os ocupantes e funcionários e clientes com com os equipamentos de proteção individuais, chamados EPIs, como máscaras, luvas, jaleco, entre outros. 


2. Mantenha a higienização do local e dos frequentadores

A limpeza do estabelecimento é um dos tópicos mais importantes. Para a segurança de todos, recomenda-se uma limpeza há cada duas horas. Também é indicado o fornecimento de álcool gel para os frequentadores do local. O álcool 70% é o indicado, pois é atua na prevenção da COVID-19. 


3. Mantenha o contato com os clientes por canais virtuais

Como a retomada do setor será gradual, com apenas 6 horas de funcionamento e capacidade de 40% de clientes, é importante continuar estimulando quem necessita dos serviços, por canais de comunicação virtuais. Dessa forma, o usuário dos serviços segue estimulado a realizar os procedimentos e se programa de forma segura e acessível, tanto para ele, quanto para o estabelecimento. 


4. Estimule a base de clientes

Com as medidas de segurança e a dificuldade em atingir novos públicos de modo presencial, clientes fidelizados podem ser ótima solução para as contas não fecharem no vermelho. Estimular que eles continuem consumindo os serviços oferecidos, atraindo-os não só pela qualidade e pelo o que já conhecem, faz com que a divulgação seja positiva e, quando a situação acalmar, novos clientes poderão aderir aos serviços. 


5. Invista em promoções

A crise causada pela pandemia, afetou diversos setores da economia e, por isso, muitas pessoas estão passando por dificuldades financeiras. Promoções podem atrair público que sente necessidade de realizar os procedimentos, porém não tem condições de pagar muito por isso. Entretanto, essa ação tem que ser feita com cuidado para que não prejudique o estabelecimento. 





HTM Eletrônica


O novo marco legal do saneamento e a nova tentativa de universalização


Prevista como uma necessidade básica para a sobrevivência humana com dignidade, a universalização do saneamento é ainda uma meta distante de ser alcançada. Diariamente, nos deparamos com cenas de completo abandono e descaso do poder público para com a sociedade. A situação dramática de muitos municípios brasileiros é fruto de vários anos de gestão pública ineficiente que resultaram em falta de acesso à água, esgoto a céu aberto, sistemas de drenagem urbana ineficientes. As consequências desse cenário ficam ainda mais evidentes ao longo da pandemia do novo coronavírus. Em algumas regiões mais vulneráveis, nem o princípio básico de prevenção, que é a higienização das mãos, pode ser aplicado em virtude da falta de acesso à água tratada.

Para compreendermos a extensão do descaso, precisamos nos ater inicialmente à abrangência do Saneamento Básico, anteriormente definido pela Lei 11.445/2007. Oferecer saneamento básico à uma região envolve o abastecimento de água potável, o esgotamento sanitário, limpeza urbana (com manejo dos resíduos sólidos) e a drenagem com o manejo das águas pluviais. A mesma lei ainda menciona como princípio fundamental a universalização do acesso a esses serviços. Entretanto, mesmo após 13 anos da promulgação das diretrizes nacionais para o saneamento, ainda enfrentamos graves problemas estruturais para a implementação. Estima-se, por exemplo, que 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada e metade da população vive sem a coleta e o tratamento de esgoto. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) para cada um real investido em saneamento básico, são economizados quatro reais em saúde pública. Portanto, falar em saneamento e na sua respectiva efetividade é urgente para o cenário brasileiro.

Segundo o Governo, a solução para a problemática está no Projeto de Lei 4.162/2019, que regulamenta o Marco Legal do Saneamento Básico. A nova diretriz se baseou na Medida Provisória 868/2018 que não foi avaliada no Congresso Nacional e perdeu a validade. Basicamente a nova regulamentação define como meta o ano de 2033 para garantir que 99% da população tenha acesso à água e 90% à coleta e tratamento de esgoto. Para que essas metas sejam factíveis, a lei prevê o incentivo à concorrência para a prestação de serviços relacionados à água e esgoto. No atual modelo de contratação, os municípios contratam os serviços das companhias de saneamento em acordos diretos. Com as mudanças no setor, os municípios devem abrir licitações para que empresas públicas ou privadas demonstrem capacidade técnica e financeira para ofertar os serviços. Dois pontos importantes para a escolha da prestadora são a viabilidade econômica e a garantia do comprometimento com as metas de universalização até 2033. Outro aspecto considerado no projeto de lei é o encerramento da destinação final de resíduos em lixões. O prazo vai até dezembro de 2021 para capitais e até 2024 para pequenos municípios ou para aqueles que realizaram a previsão em planos de saneamento básico firmados anteriormente.

O fato é que, assim como todas as diretrizes, o marco legal do saneamento básico apresenta aspectos positivos e negativos que devem ser avaliados.  Com a estrutura pensada pelo projeto de lei, há um nítido caminho para aumentar investimentos no setor e com eles a geração de empregos, especialmente aos profissionais do saneamento. Outro ponto positivo está em privilegiar a efetividade na gestão, por meio de contrato somente com empresas que possam comprovar a capacidade de oferecer o serviço e se auto gerir. Por outro lado, a abertura ao setor privado pode trazer vulnerabilidade às garantias de qualidade de vida e de acesso à serviços pela população. Empresas privadas existem pela viabilidade econômica e, levar abastecimento de água e tratamento de esgoto a pequenos municípios, pode não ser vantajoso deixando os interesses da sociedade em segundo plano. Desta forma é necessário regulamentar e fiscalizar cuidadosamente para que os interesses comuns sejam predominantes em relação aos interesses privados. Nesse contexto, se considerarmos que a Agência Nacional de Águas, a nova responsável por regulamentar o setor, não possui as estruturas para fiscalizar tarifação e fornecimento, torna-se especialmente preocupante a condição dos mais vulneráveis socialmente.

Apesar do inegável avanço e dos grandes investimentos que a lei pode proporcionar, a meta de universalizar água e esgoto até 2033 é praticamente impossível de ser alcançada, pois resolver várias décadas de problemas estruturais crônicos do saneamento no Brasil em 13 anos demanda mais investimento do que é possível conseguir neste tempo. Pensando sob a perspectiva da contribuição do projeto de lei, o simples fato de discutirmos essas questões já é de grande valia e, com a fiscalização e efetivação do marco regulatório, temos novamente a chance de voltar a caminhar em direção a condições mais dignas para a sociedade.  

Augusto Lima da Silveira - coordenador do Curso Superior Tecnologia em Saneamento Ambiental na modalidade a distância do Centro Universitário Internacional Uninter e Doutorando em Ecologia e Conservação.

Rodrigo Berté - diretor da Escola Superior de Saúde, Biociências, Meio Ambiente e Humanidades do Centro Universitário Internacional Uninter e Pós Doutor em Educação e Ciências Ambientais.


Idec cobra da ANS redução de prazo para exames de Covid-19


Instituto solicitou que autorização da operadoras de planos de saúde para a realização dos testes para diagnóstico da Covid-19 seja imediata

O Idec, ONG de Defesa do Consumidor, solicitou para a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que tome providências para acelerar o processo de autorização, por parte das operadoras de planos de saúde, da realização dos testes indicados para o diagnóstico da Covid-19.

A medida foi tomada após a entidade receber reclamações de consumidores relatando demora na autorização ou negativa injustificada no acesso a testes para a detecção da doença. O ideal seria que neste período de pandemia o prazo para a autorização desses exames fosse imediato.

“Existe um período ideal para a realização do procedimento. Se o paciente procura o médico no segundo ou terceiro dia de sintomas da doença e o plano de saúde autoriza só após 3 dias úteis, esse período pode pode ser superior ao período ideal para o diagnóstico”, alerta a coordenadora do programa de Saúde do Idec, Ana Carolina Navarrete.
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De acordo com o guia de manejo de pacientes de Covid-19 do Ministério da Saúde, o período ideal para a realização do exame RT-PCR, o mais indicado para diagnosticar a presença do vírus no organismo, é entre o quarto e sexto dia de sintomas. Com a demora das operadoras, quando o exame é autorizado já não está mais no melhor período para coleta. Isso gera problemas nos processos de diagnóstico para o consumidor e também desperdício para o sistema, causado pelas próprias operadoras.

Além disso, os dados da própria ANS mostram que o problemas com teste de Covid-19 estão em segundo lugar do reclamações da agência. Em uma análise feita pelo Idec nesses números revelam que em 90% as queixas dos consumidores era procedentes, ou seja, que a demora ou a negativa eram indevidas.


Especialistas em consultoria contábil e tecnologia dão dicas sobre como implantar o Home Office permanente na sua empresa


Soluções tecnológicas, como ter um sistema que registra jornada de trabalho à distância, e medidas para prevenir multas e processos trabalhistas, ajudam a controlar os gastos do seu negócio


As recomendações de isolamento social obrigaram muitas empresas a aderir ao home office. Embora adotado às pressas, esse sistema tem mostrado resultados positivos, tanto no aumento da produtividade de colaboradores, quanto no corte de gastos de manutenção do espaço físico, aspectos importantes para que empresários repensem o trabalho remoto como algo permanentemente.
Outro ponto a ser considerado é que, após a pandemia, os custos com espaço físico serão ampliados. Haverá a necessidade de pontos comerciais maiores para comportar o distanciamento entre pessoas, conforme as recomendações das autoridades de Saúde.

A tendência é chancelada por um estudo da Fundação Dom Cabral. A pesquisa aponta que 70% das empresas brasileiras têm a intenção de manter o home office de forma parcial ou integral após a quarentena. E um levantamento realizado pela Cushman&Wakefield, uma empresa global de serviços imobiliários comerciais, indica que 40% das empresas que não atuavam em regime de home office antes da quarentena vão passar a adotá-lo de maneira definitiva.
Mas de que outras formas o home office permanente pode ser vantajoso para os negócios?

Péricles Ferreira Porto Júnior, sócio-diretor da Auditora Brasileira, escritório de contabilidade com o registro ativo mais antigo no Estado de São Paulo, e Rogério Rodrigues, project manager da Ponto Móvel, criadora do PMóvel.com, especialistas em consultoria contábil e em tecnologia, respectivamente, dão quatro dicas para auxiliar nessa decisão.


1) Ofereça uma infraestrutura ao colaborador

Para que os colaboradores tenham bom desempenho e produtividade durante o expediente, eles precisam de um ambiente adequado, similar ao do escritório. É importante ter um espaço iluminado, confortável, com boa conexão à internet e telefone. Por isso, caso o empregado não tenha a estrutura necessária, a empresa deve investir em equipamentos, móveis e contribuir com parte das despesas. Do contrário, ele pode ter o rendimento prejudicado e até prejuízos. Deve-se considerar isso como um investimento, não como gasto.

“Sobre o modelo de trabalho remoto, a CLT não especifica quem deve se responsabilizar pelos gastos como computadores, telefone, luz e internet. No entanto, a MP 927, de 2020, determina que caso o empregado não tenha equipamentos tecnológicos ou infraestrutura adequada para realizar o trabalho remoto, o empregador deve fornecê-los em regime comodato e pagar pelos serviços utilizados, sem caracterizar como verba de natureza salarial”, complementa Péricles Ferreira Porto Júnior.


2) Controle a jornada de trabalho

Para facilitar o cálculo de pagamento referente à jornada trabalhada e evitar processos trabalhistas, o investimento em um controle de ponto móvel é a melhor solução. Esses sistemas registram a jornada de trabalho à distância e permitem à empresa a redução do passivo trabalhista em até 50% no ano, em comparação às companhias que não utilizam nenhum tipo de controle de jornada. Para os colaboradores, a vantagem é a precisão dos cálculos de horas trabalhadas e auxílio no autocontrole das atividades.

“O controle móvel é ainda mais eficiente do que no regime presencial e evita pagamento de horas extras desnecessárias e banco de horas a mais. Nosso software, por exemplo, atende à legislação trabalhista brasileira, tem ABNT, está em conformidade com as portarias do Ministério do Trabalho e pode ser integrado à folha de pagamentos, cadastros e arquivos fiscais", afirma Rogério Rodrigues. O software da Ponto Móvel, por exemplo, fornece detalhes de localização por meio de internet em celulares, computadores ou por telefones fixos, e todas as informações de entrada e saída dos funcionários ficam registradas em um sistema de nuvem que gera relatórios automáticos para o gerente da empresa ou o RH.



3) Realize auditoria trabalhista periodicamente

Outra forma de reduzir o passivo trabalhista é realizar uma auditoria com frequência. A análise de documentações permite a verificação dos riscos de ações trabalhistas, multas e autuações. É uma forma de garantir os direitos tanto do colaborador quanto do empregador.

Por meio da auditoria também é possível reduzir custos operacionais, melhorar a estabilidade financeira do negócio e minimizar problemas com fiscalizações externas. “A realização da auditoria nos permite ter um panorama melhor e nos proporciona mais tempo para verificar possíveis problemas e resolvê-los antes que seja irreversível”, ressalta Porto Junior.


4) Invista na segurança de dados

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que regula as atividades de tratamento de dados pessoais, passa a valer a partir de agosto deste ano. Empresas que tiveram vazamento de informações sigilosas terão que pagar multas de até R$ 50 milhões ou 2% do faturamento total. Por isso, dependendo do segmento em que a empresa atua, vale investir na área. Há programas específicos para proteger informações e até restringir acesso a determinadas planilhas e ferramentas com informações sigilosas.





Ponto Móvel

Com quarentena, varejo e serviços registram os piores resultados para um mês de abril


A estimativa da FecomercioSP é de que, em 100 dias do comércio não essencial de portas fechadas no Estado, o prejuízo tenha chegado a R$ 43,7 bilhões


Com a maior parte dos estabelecimentos de portas fechadas durante o mês de abril e impedidos de realizarem atendimentos presenciais, a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) do Estado de São Paulo registrou baixa de -22,8% e a Pesquisa Conjuntural de Serviços do município de São Paulo apresentou retração de -33,4%. O faturamento do comércio atingiu R$ 46,7 bilhões no mês, R$ -13,8 bilhões abaixo do valor apurado em abril de 2019.         Já o setor de serviços alcançou R$ 29 bilhões, R$ -14,6 bilhões a menos, se comparado ao mesmo período do ano passado. A maior perda de suas séries históricas, iniciadas respectivamente em 2008 (PCCV) e 2010 (PCSS).

Em 100 dias de quarentena no Estado de São Paulo, de 24 de março a 30 de junho, a FecomercioSP estima que houve queda de -21,9%, ou seja, um prejuízo de R$ 43,7 bilhões ao comércio varejista.

As pequenas empresas de serviços, enquadradas no Simples na capital, foram ainda mais prejudicadas, houve baixa de 66% em suas receitas, na comparação com abril de 2019, perda de R$ 2,9 bilhões no mês. Grande parte dos bares e restaurantes estão nesse grupo e, mesmo com as entregas por delivery, não conseguiram manter seus rendimentos nos mesmos patamares.

Com a alta do desemprego e o encolhimento da renda das famílias, a Entidade estima uma retomada bem lenta da economia. Dessa forma, a expectativa é de queda de 10% no fechamento do semestre do setor varejista, com perdas de R$ 35,8 bilhões, e retração de 7,1% no fechamento do ano, com prejuízo de R$ 53,7 bilhões.

Segundo a Federação, com as restrições impostas para contenção da pandemia, os consumidores estão focados na compra de itens essenciais, apenas os segmentos de farmácias (3,4%) e supermercados (1%) tendem a mostrar aumento de venda anuais.


Dica ao empresário

A recomendação é que os empresários monitorem diariamente as ações do mercado e sejam cautelosos, para resguardar seus negócios, tentando manter os custos operacionais viáveis. Assim, é preciso buscar liquidez e canais alternativos para geração de receita, equilibrar o fluxo de caixa, controlar rigorosamente o estoque e evitar endividamento em excesso, procedimentos essenciais na gestão de crise.


Principais resultados

Das noves atividades pesquisadas do varejo, sete sofreram queda em seu faturamento real no comparativo anual em abril, com destaque para lojas de vestuário, tecidos e calc
̧ados (-77,8%), concessionárias de veículos (-70,8%), outras atividades (-32,4%) e lojas de eletrodomésticos e eletrônicos (-43,9%). Em conjunto, o impacto negativo gerado foi de -23,7 pontos porcentuais (p.p.).
 
Em contrapartida, as atividades de supermercados (9%) e farmácias e perfumarias (3%) obtiveram alta em seu faturamento de abril. Somadas, contribuíram para o resultado geral com 3,4 p.p.

Já no setor de serviços, das 13 atividades, dez registraram retração em relação ao mesmo mês do ano anterior, com destaque para: Turismo, Hospedagem e Eventos (-82,9%); e Simples Nacional (-66%). Causando impacto negativo de  -8,1 p.p.

Por outro lado, agenciamento (28,5%) e representação (6,7%) apresentaram altas em abril. Contribuíram para o resultado geral com 2,1 p.p.
  

Juros baixos e inflação estável amenizam impactos da crise no setor imobiliário


Cenário atual confere oportunidades e é favorável a aquisição de imóveis

Mesmo em meio à crise econômica provocada pela pandemia, o segmento imobiliário está buscando meios para se manter aquecido. Algumas medidas já existiam com o objetivo de fomentar setor, enquanto outras foram tomadas recentemente para mitigar os efeitos da crise, como o adiamento de parcelas do financiamento imobiliário.

A concorrência entre os bancos e a pressão para a redução das taxas de crédito imobiliário devem crescer com os recentes movimentos da Caixa Econômica Federal (CEF) e com a nova queda histórica da Selic, de 3,75% para 3% ao ano, anunciada pelo Copom.

Com os juros caindo e a inflação estável, o cenário é favorável para novos financiamentos imobiliários e até antigos, que podem se beneficiar da portabilidade. A queda estrutural da Selic ajudou a intensificar a competição entre os bancos e a destravar a portabilidade do crédito imobiliário, além de acelerar a entrada de mais fundos e fintechs nesse mercado.

Para quem quer comprar um imóvel, seja para morar ou investir, além de ter reserva financeira para manter os planos, as condições de financiamento hoje são vantajosas e há oportunidades a serem avaliadas.  Além da queda da Selic, o Brasil apresenta hoje um cenário de baixa rentabilidade da poupança e da renda fixa, alta volatilidade no mercado de ações e subida dos preços dos imóveis em ritmo abaixo da inflação.




Yslanda Barros - Consultora de negócios, especialista no mercado imobiliário, esteve em uma das maiores construtoras de capital fechado, a Plaenge. “Ysla” é sócia e diretora da Ética Soluções Imobiliárias, reconhecida por oferecer uma assessoria imobiliária completa. Profissionalismo, dedicação e exclusividade são os três pilares prezados pela equipe, com capacidade de interpretar com clareza os objetivos e expectativas dos interessados no mercado imobiliário.


A sustentabilidade, o homem e as estrelas nos tempos de pandemia



Sempre que o Homo sapiens opera em seu modo habitual, naquela zona de conforto vendida como “natural”, o desconforto acaba sendo das outras espécies. Mas e quando acontece o contrário? Quando é a nossa espécie que precisa se reinventar, com a economia e seus movimentos sendo desacelerados à força, a situação muda de figura: aí é a vez da flora e da fauna reclamarem seus espaços de origem.
       
Quer um exemplo? Em tempos de Covid-19, centenas de registros vêm mostrando a bicharada aparecendo em ambientes urbanos: vimos uma medusa nos canais de Veneza, coiotes em uma praia de São Francisco, crocodilos andando pelas ruas da Carolina do Sul, cangurus em Adelaide, leões marinhos em Mar Del Plata e por aí vai. Bastou um momento de desaceleração para que bichos e plantas pudessem dizer “estamos aqui, olhem!”.

Ao contrário, parece oportuno dizer que brotam, também, nas redes sociais, milhares de cliques que se voltam ao céu colorido pelo pôr do sol, visto de dentro das nossas “gaiolas”. Afinal de contas, seja como for, quem é que está preso agora?
       
Independentemente do coronavírus, em algumas regiões do estado de São Paulo, onde os ciclos econômicos tradicionais se esvaíram, a Mata Atlântica – tão devastada nos últimos séculos – vem ressurgindo e dando oportunidade para o desenvolvimento de novos negócios mais sustentáveis. Mas também é tempo de retrocessos: a publicação do novo atlas do bioma, realizada recentemente pela Fundação SOS Mata Atlântica, mostrou, após anos de esperançosa redução, significativo aumento de 27% no índice de desmatamento. Na Amazônia, o crescimento foi ainda maior: 55% nos primeiros quatro meses deste ano, comparado ao mesmo período de 2019, segundo o INPE. “O tempora! O mores!”, bradaria novamente Cícero.

Assim, processos evolutivos, a ocupação dessa ou daquela espécie, estão permanentemente em movimento, embora não os percebamos de maneira tão evidente como agora, quando fomos praticamente obrigados, por um microrganismo, a desacelerar. A vida é mesmo uma grande e constante transformação.

A chegada da nossa espécie no planeta, espantosamente recente se levarmos em conta a idade da Terra, coincidiu com o seu momento de maior biodiversidade, mas parece não termos exata noção do privilégio que esse acaso nos proporcionou. Prova disso é que, com os destemperos comportamentais da humanidade, somos os responsáveis por uma gigantesca onda de extinção.

Vide números alarmantes do aumento contínuo no desmatamento das nossas florestas e, consequentemente, do lar de milhões de espécies – das 10 milhões de espécies que estima-se existir na Terra, mais da metade está nas florestas tropicais. E isso, evidentemente, não é exclusividade do Brasil. Dados da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês), apontam que as taxas de extinção da fauna e da flora estão se elevando em ritmo acelerado em todo o mundo: avalia-se que, em média, a quantidade de espécies nativas na maioria dos principais hábitats caiu cerca de 20% nas últimas décadas.
       
Quando a pandemia se tornar uma mera recordação, acreditem, voltaremos a acelerar a economia, essa admirável entidade que a quase todos controla. No rastro desse impulso, a humanidade novamente avançará e chegará nas bordas dos últimos refúgios selvagens. Será mais um golpe na biodiversidade, nas águas, nas relações com os povos tradicionais. E, mais cedo ou mais tarde, contra todos nós!

Como resultado, nesse conturbado contato na fronteira também levaremos nossos animais domésticos, misturando-os com a fauna silvestre. Nesse ambiente, um humano faminto ou chegado a excentricidades, resolverá comer algo de gosto duvidoso, como um morcego ou um pangolim, e contrairá um dos milhares (ou serão milhões?) de tipos de vírus que estão quietinhos em seu selvagem recanto.

Esse contato, claro, sempre existiu. A diferença é que, no passado tribal, a nossa baixa densidade populacional e o isolamento restringiam a magnitude dos eventos e das epidemias. Empresas e governos não quebravam, simplesmente porque ainda não existiam. Quantos morreram jamais saberemos ao certo, mas a conta agora é mais fácil (e dolorosa) de ser feita.

Do mesmo modo, também é certo que já existiam líderes que atribuíam as mortes por doenças aos espíritos do mal. Sempre existiram charlatães e suas curas ditas milagrosas. Deste processo ninguém sai feliz. Advém a pandemia, peste, flagelo. No rastro do sinistro vem a crise, ou crash, ou quebra, ou falência. E mais flagelo.

Aí vem aquilo que, como espécie pretensiosa que somos, denominamos de recomeço. E o nosso avanço é retomado, assim como a dança dos índices do mercado, reflexo maior do nosso falso domínio sobre o natural. Mas quem sabe agora estejamos mais abertos ao aprendizado, não é?

A esperança é que desses tempos tão desafiadores emerja, enfim, um mundo melhor, que nos ofereça alguma noção do privilégio que é viver no único planeta que sabemos existir vida. Que a sociedade clame para que cessem o desmatamento, a grilagem e os garimpos ilegais. Que nossas escolhas se fundamentem naquilo que é equilibrado e justo – para todas as vidas e não apenas para nossa própria existência. No qual o conhecimento científico seja valorizado acima das crendices e dos desvarios políticos.

Que possamos fundamentar a economia em negócios lucrativos e verdes, com carbono neutro, com rios e mares limpos, com menos produtos de fontes fósseis e com menos pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Um mundo no qual a biodiversidade, os recursos e a beleza estejam disponíveis para quem nos suceder. A isso damos o nome de sustentabilidade.

Ah! Quanto as estrelas, elas reapareceram também, mas quase sempre estiveram lá. Seus ciclos de vida e morte não estão nem aí para os altos e baixos do Homo sapiens.





Paulo Groke -| Diretor Superintendente do Instituto Ecofuturo, organização que, há 20 anos, atua para conservação ambiental e promoção da leitura.

Flexibilização da quarentena exige atenção



Nos últimos dias, ouvi de alguns médicos que a contaminação do novo coronavírus vem, aos poucos, diminuindo a ponto de determinados hospitais estarem com algumas vagas em seu centro de terapia intensiva (CTI). E há levantamentos que corroboram com esta visão. Segundo uma pesquisa realizada pelo IESPA (Instituto de Ensino e Pesquisa na Área da Saúde), desde o fim de maio, houve uma queda de 15% nos casos de Covid-19 nos hospitais particulares.

O surgimento de novos casos pode até não estar em um crescimento exponencial  como antes, há alguns indícios de que a situação se estabilizou, mas devemos ficar atentos às experiências já vividas por outros países, que após um período de  estabilidade os casos voltaram a crescer.

É preciso ser levado em conta alguns pontos importantes com a flexibilização da quarentena, como o controle da pandemia, a capacidade do sistema de saúde de enfrentar um eventual surto de novos infectados e do sistema de vigilância em saúde para detectar esses casos, incluindo assintomáticos. Os hospitais públicos ainda estão cheios, e os particulares podem voltar a lotar.

Quando falamos dos hospitais públicos, existe uma superlotação histórica. Um levantamento realizado pelo Tribunal de Contas da União mostrou que 60% dos hospitais públicos estão sempre superlotados. Com a Covid-19 esse problema se acentuou. 

Devemos considerar também que o retorno ao trabalho, principalmente para a população mais carente, ainda é arriscado. Além de ser um País populoso, muitos não têm acesso a um saneamento básico adequado, utilizam de transporte público para locomoção, sem contar os impactos psicológicos que já estão afetando muitas pessoas. O retorno deverá ser gradativo e as empresas precisam tomar certas medidas para assegurar a saúde e bem-estar de seus colaboradores e clientes.  Profissionais que podem exercer suas atividades normalmente de casa devem continuar atuando de forma remota para ajudar a garantir a segurança de quem necessita sair para trabalhar. 

Todos os cuidados que já temos tomado, como o uso de máscara, higienização das mãos e uso contínuo do álcool em gel, deve permanecer por muito tempo. A conscientização das pessoas em olhar pra sua saúde e cuidá-la com atividade física, produtos que melhoram o sistema imunológico também deve aumentar ainda mais. O Brasil está longe de ter uma imunidade coletiva que possa garantir o desaparecimento da transmissão desse vírus. 

Assim, por mais que a taxa de novos casos nos hospitais particulares tenha caído e que tenhamos uma estabilidade na curva, os impactos sobre o sistema de saúde ainda são preocupantes. É momento de sermos extremamente cuidadosos para voltarmos e focados na medida de distanciamento. Se continuarmos unidos e cautelosos, poderemos controlar essa doença com sucesso e, aos poucos, conseguiremos retornar às nossas atividades com maior segurança.





Dr. Sérgio Giro - co-fundador, sócio e Diretor Administrativo e Financeiro da OFFICILAB e DERMATUS.

sábado, 4 de julho de 2020

Como a espiritualidade é importante no combate à pandemia


Momento de dúvidas e medo relacionado como novo coronavírus propõe mudanças na maneira de ver a vida

Com o avançar da pandemia de Covid-19, a maioria dos países adotou medidas rígidas de prevenção, incluindo o isolamento social. O impacto da crise também foi sentido na economia, forçando milhões de pessoas a mudarem a maneira de trabalhar. Apesar de essa nova realidade induzir o desequilíbrio emocional em grande parte da população, também ressalta a importância da espiritualidade em momentos desafiadores como o que estamos vivendo. Historicamente, as epidemias levam os indivíduos a reflexões existenciais profundas, como observamos no livro: A peste, de Albert Camus.
Segundo o Dr. Walmick Bezerra de Menezes, coordenador da Clínica Médica do CHN, é inegável a influência da mente sobre o corpo. Quando estamos sob efeito constante de estresse, por exemplo, tendemos a apresentar cefaleia, hipertensão, insônia e arritmias cardíacas. Não por acaso, especialistas indicam a prática de exercícios físicos e hobbies para promover o relaxamento e diminuir o estresse, visando à preservação da saúde.
“Em um momento atípico como o que estamos vivendo, é comum que episódios de ansiedade, insegurança e até mesmo depressão surjam no dia a dia, comprometendo a qualidade de vida. O sofrimento tem sido intenso para os pacientes com Covid-19 e os profissionais de saúde que os atendem”, explica o médico.
Mesmo que o medo surja, é importante manter a espiritualidade e o pensamento positivo, com a esperança de que dias melhores virão. Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu os efeitos positivos que as crenças religiosas e os bons pensamentos têm na saúde das pessoas, razão pela qual inseriu a espiritualidade oficialmente como um conceito de saúde. Segundo o Dr. Walmick, o efeito benéfico é percebido, principalmente, em pacientes em situações mais complexas, como aqueles em estado terminal.
“Estudos epidemiológicos conduzidos pela Universidade de Duke, nos Estados Unidos, evidenciaram diversas correlações entre saúde e espiritualidade que impactaram diretamente na recuperação de pacientes. Isso resultou em menor tempo de permanência hospitalar, taxas menores de depressão e ansiedade, índice reduzido de doenças cardiovasculares e maior longevidade”, afirma o médico. Outro estudo da Universidade de Harvard sugeriu uma possível relação “dose-dependente” dos benefícios da espiritualidade sobre a saúde: quanto maior e mais sincera a devoção, maiores os benefícios. Foram observadas também vantagens para os profissionais de saúde que cuidam de pacientes graves.
Manter o pensamento positivo e a crença na espiritualidade durante uma pandemia pode ser desafiador, mas a tranquilidade trazida pela devoção e o otimismo pode fazer a diferença no dia a dia e ajudar a suportar melhor as tribulações inevitáveis da vida. Ocupar o tempo livre com momentos diários de meditação, oração ou leitura edificante são recursos para refazer as energias e o ânimo para o bom combate. combate. ânimo para o bom combate.



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