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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Trastuzumabe no SUS: a metade do caminho



O direito a mais tempo de vida agora está ao alcance das pacientes que enfrentam o câncer de mama metastático HER2 positivo em todo País. O Ministério da Saúde aprovou, no começo de agosto, a incorporação do trastuzumabe no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento da fase mais avançada da doença. O medicamento mudou a forma como o câncer de mama HER2 positivo é tratado no mundo e figura na lista básica para combater o câncer da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Esse avanço para pacientes do SUS é fruto, sobretudo, do árduo trabalho da sociedade civil organizada, como a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas e de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA), suas 66 ONGs associadas e instituições médicas e não médicas parceiras da FEMAMA que atuam em todo o território nacional e se dedicam diariamente a buscar acesso rápido e adequado no diagnóstico e tratamento do câncer à população brasileira. As associadas FEMAMA são formadas por grupos de mulheres e homens que sentem na pele os danos causados por um sistema de saúde público desatualizado em relação a outros países, cuja oferta de alternativas terapêuticas limita qualidade de vida e prognóstico de vários tipos de câncer.

A batalha ainda está longe de terminar, tendo em vista a necessidade essencial da aprovação também do pertuzumabe para o mesmo tipo de câncer de mama. No entanto, graças ao trabalho consistente da sociedade civil organizada, baseado em evidencias científicas, o Brasil dá passos rumo à melhoria na assistência dessas mulheres. A luta pelo medicamento acontece desde 2008, quando o trastuzumabe ainda não tinha sido incorporado no SUS, mas já estava disponível desde 2003 para pacientes com planos de saúde. Em 2012 foi incorporado ao SUS para tratamento do câncer de mama na fase inicial e localmente avançado, excluindo seu acesso para as mulheres com doença metastática.

Naquele ano, participamos ativamente da Consulta Pública aberta pela Comissão Nacional de Avaliação de Tecnologias no SUS (CONITEC), realizamos campanhas e mobilizações de advocacy. Desde então, a FEMAMA realiza ciclos de debates com parlamentares e audiências públicas em todos os estados brasileiros, levando dados científicos e histórias de vida, demandando acesso ao atendimento eficaz, moderno, completo e capaz de dar mais tempo de sobrevida às pacientes.

A terapia combinada – trastuzumabe e pertuzumabe somados à quimioterapia –, é capaz de estender em até 56 meses a sobrevida média global das pacientes, segundo o estudo publicado em 2013. Porém, de acordo com levantamento da FEMAMA, 36% das pacientes brasileiras têm acesso apenas à quimioterapia, enquanto 21% não passa por qualquer tratamento. Ou seja, para 57% das mulheres que enfrentam câncer de mama metastático não são disponibilizadas metodologias efetivas contra o avanço da doença.

Estima-se que 2008 mulheres foram diagnosticadas com câncer de mama metastático HER2+ no Brasil em 2016 e que 768 delas morrerão até 2018 caso não recebam a terapia combinada. Esses números baseiam-se em dados do estudo "Estimativa de Mortes Prematuras por Falta de Acesso à Terapia AntiHER2 para Câncer de Mama Avançado no Sistema Público de Saúde Brasileiro”, de 2016, do qual sou coautora.

Segundo pesquisa da FEMAMA, a maioria das pacientes que utilizam a terapia combinada tem prolongamento da vida (90%), diminuição do tumor (70%), melhor prognóstico geral (60%) e melhora na qualidade de vida (60%). Essas pacientes não deixam de perceber os efeitos colaterais desse tratamento (70%), no entanto 100% delas estão dispostas a enfrentar esses efeitos.

Conhecendo de perto esse cenário, a FEMAMA luta para construir uma realidade melhor e com desafios possíveis. A aprovação da incorporação do trastuzumabe é o mínimo para que o Brasil alcance a recomendação internacional para enfrentamento do câncer de mama metastático HER2 positivo. Contudo, a terapêutica mais efetiva é composta pela combinação de trastuzumabe e pertuzumabe, que também foi colocado em consulta pública e aguarda parecer final do Ministério da Saúde.

A partir da data de publicação do decreto no Diário Oficial da União, 3 de agosto, o Ministério da Saúde tem 180 dias para efetivar a oferta do medicamento no SUS. Seis meses de espera para receber tratamento de qualquer doença avançada é perigoso e irresponsável. Seis meses de espera para receber tratamento contra o câncer de mama metastático HER2 positivo pode ser fatal.

A FEMAMA continua na luta pela vida de mulheres do Brasil, levando as reinvindicações aos governos municipais, estaduais e federal. A incorporação o trastuzumabe foi uma vitória, porém agora acompanharemos de perto para ver a efetividade da inserção da terapia em todo o País. Nosso trabalho só termina quando todas as pacientes tiverem acesso a mais tempo e qualidade de vida.


 

Maira Caleffi - presidente voluntária da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA) e Chefe do Serviço de Mastologia do Hospital Moinhos de Vento




Como o Brasil sagrou-se campeão em corrupção e devastação ambiental?



Brasil: quinto maior país do globo em extensão territorial, com números de primeira grandeza. De um lado, abriga a maior floresta tropical do mundo, que garante o usufruto da maior reserva de água doce do mundo, com 12% do total disponível no planeta. De acordo com a Organização para Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO), esse porcentual é 42% superior ao da Europa. De outro, concentra maior produção de gado comercial do planeta – com mais de 215 milhões de animais – e a maior produção mundial de soja, revezando a primeira colocação com os EUA.

No gerenciamento das leis que regem a coexistência dessas grandiosidades até aqui, claramente paradoxais – floresta e água versus animais e soja –, temos outro expoente: a classe política brasileira, que responde pelos maiores crimes de corrupção mundiais.

O Brasil segue sendo o que parece ter sido programado para se tornar desde o princípio: uma terra que se arrasa e de onde se extrai rapidamente todas as riquezas por uma casta de privilegiados. No início, era a corte portuguesa que se fazia representada por exploradores enviados pelo império lusitano. Outros, como franceses, holandeses e espanhóis, tentaram o mesmo, mas nenhum, no entanto, foi páreo para a classe dominante que aqui já se instalara.

Fosse pela agricultura de subsistência, mineração, pecuária, exploração de madeira e afins, todas as atividades econômicas brasileiras foram, por séculos, “solodependentes”. Do pau-brasil ao café; do ouro à cana-de-açúcar, nosso território tem por mais de 500 anos servido aos senhores da terra. Desse período, pelo menos quatro séculos e meio, aproximadamente, solidificaram nossa cultura no trinômio extração mineral, desmatamento e plantio.

A maioria das famílias de imigrantes que nos séculos posteriores aqui chegaram também tirou da terra o sustento e seguiu com o mesmo comportamento destruidor aqui encontrado. Alemães, italianos e seus descendentes aniquilaram as florestas do Sul do Brasil no século passado. Nada mudou desde então; seguimos aprisionados no mesmo trinômio, reféns de um sistema político montado não para nos servir, mas para ser servido.

Quem poderia evitar a catástrofe se omitiu. Governantes eleitos e o Poder Judiciário foram historicamente omissos, quando não coniventes, na questão ambiental. E continuam sendo. De acordo com a revista Exame, estima-se que 80% da madeira comercializada no Brasil seja ilegal, ou “falsamente legal”. Na prática, o produto fornecido ao mercado vem de madeireiras que burlam os sistemas de controle do governo.

Mas como é possível tamanha falta de controle? Na verdade, é muito simples a resposta: Brasília governa para Brasília. A bancada ruralista que passou a dominar o governo (40% dos 513 deputados) enxerga o Brasil com o mesmo olhar espoliativo-extrativista secular. Mais do que isso: trata as autarquias públicas como se fossem uma extensão de seus negócios agrossilvopastoris. Vale deixar muito claro que não se faz aqui nenhuma crítica a partidos de direita ou de esquerda, já que o partido desses senhores seria melhor descrito como PPP, “partido do meu pirão primeiro“. O que aqui se critica é o descumprimento e a manipulação das leis ambientais.

Os comportamentos patrimonialistas e criminosos perpetrados pela classe política são a maior expressão do desprezo total pelos conceitos de cidadania, patriotismo e legado. O que lhes importa é o carpe diem da corte, como testemunhamos, estarrecidos, no caso da ruína financeira do Rio de Janeiro. Pedir que essa gente tenha escrúpulos com a natureza neste país é quase risível. Evidentemente que farão de tudo por seus interesses e o das suas bancadas que, ironicamente, se mantêm no poder graças aos seus “currais eleitorais” – termo duplamente adequado, pois, para eles, os eleitores não passam de gado. E, se somos todos gado, agro é realmente tudo neste país.

Enganam-se aqueles que julgam ser o Sul do Brasil uma ilha de ética e prosperidade. Veja-se, por exemplo, a irresponsabilidade e falta de consciência ecológica do governo do Paraná e da Assembleia Legislativa do estado, que desejam reduzir a Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana em 70%. Em Santa Catarina, uma medida provisória quer reduzir a área do Parque Nacional de São Joaquim em 20%, ou 17 mil hectares. Estamos falando de regiões com incidência das últimas áreas de Floresta com Araucária e Campos Naturais do planeta. Essas formações vegetais estão extremamente ameaçadas pela extinção e erosão genética e contam com menos de 1% de remanescentes em bom estado de conservação. Ironicamente, no Paraná, a mais alta honraria pública amplamente utilizada é chamada de Ordem do Pinheiro, uma referência à tão explorada árvore nativa, que enriqueceu muitas famílias tradicionais brasileiras.

Infelizmente, não são preocupações públicas que movem a maioria dos parlamentares. São objetivos de cunho privado que visam tão somente favorecer uma casta de privilegiados num país cujo sistema político faliu. Enquanto as reformas não vêm, é preciso que a Justiça brasileira ocupe seu lugar de maneira exemplar, não apenas em Curitiba, mas em todos os municípios e em todas as instâncias.

Fosse cumprido o artigo 225 da Constituição Federal – que trata do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado –, certamente não estaríamos aqui lamentando um dos piores tipos de corrupção: aquela que nos rouba direitos inalienáveis e intergeracionais como nossa identidade cultural, qualidade do ar, da água e do clima.






 Giem Guimarães - empresário e diretor-executivo do Observatório de Justiça e Conservação







Tudo reflete no todo



Em que país você vive? Brasil. E não adianta nem tentar fugir. Também não adianta você reclamar, nem se esconder.


O Brasil não tem leis. Bandido é protegido no Brasil.  Brasil está violento. Brasil tem estupros. Brasil mata adolescentes. Brasil tem políticos desonestos. As ruas estão sujas. Não matem a Amazônia. As coisas não andam neste país. Só pode ser aqui no Brasil, mesmo. 


Já ouviram ou leram pelo menos UMA destas frases. Isso se não falaram algumas delas!


Deixa eu te contar: Brasil é você e você é Brasil. Como assim, você está louca? 


Vou te mostrar: Como você interfere nas leis? Você já criou ou participou de algum tipo de campanha a favor da mudança de leis?


Qual é a sua contribuição para a diminuição da violência no país? Você se lembra em quem votou? E qual era a plataforma deste candidato? Você manda e-mail, cobra seu candidato? O que você já fez a favor da Amazônia ou das árvores do seu bairro? De quantos abaixo assinados, que demoram 30 segundos para assinar, você já participou? 


Fácil julgar e apontar o dedo. Difícil e desconfortável é FAZER algo para mudar o que deve ser mudado. 


Não se consegue, obviamente, mudar tudo sozinho. Entretanto, fazer sua parte é fundamental. Essencial parar para refletir para onde você está caminhando.


Ajude o próximo, os próximos. Faça com que eles reflitam também sobre os caminhos que estamos tomando politica, econômica e socialmente.


Desemprego, violência e corrupção são as palavras que dominam nossas manchetes. Precisamos mudar isso, agora. O processo pode ser lento, mas o começo precisa ser rápido. Ação


É por isso que sempre acabo tocando no mesmo assunto. Se questionar e agir. Essa é a raiz do Coaching. Essa é a Revolução do Coaching. 






Tália Jaoui - Master Coach Trainer da Prime Talent Brasil. É apresentadora do programa Conexão Comportamento no Youtube, psicóloga e palestrante comportamental. É autora dos livros A Revolução do Coaching, Quando! Quando…Quando? e co-autora de A Elite do Coaching – volumes 1 e 2 






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