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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Desempenho em matemática aumenta em até 70% com o uso de jogos digitais, segundo professores



De acordo com pesquisa da Matific com 537 docentes no Brasil, as plataformas educacionais melhoram a percepção e estimulam o envolvimento dos alunos na disciplina

O desempenho dos alunos da ensino fundamental em matemática aumenta em até 70% com o uso de jogos educacionais. É o que revela recente pesquisa realizada pela Matific, empresa que atua com gamificação em cerca de 250 colégios públicos e privados no País, desde a educação infantil até o sexto ano, com 537 professores do ensino fundamental entre junho, julho e agosto deste ano.

De acordo com a pesquisa, 93,8% dos entrevistados afirmam que o uso das tecnologias educacionais contribui para o aprendizado da matemática. E 69,3% deles avaliam que o desempenho dos alunos na disciplina melhorou de alguma forma com a utilização de tecnologias.

Para 87,5% dos professores, o uso de jogos digitais em salas de aula tira ideia de que a matemática é “chata e difícil” e aumenta o envolvimento dos alunos na disciplina. Segundo a pesquisa da Matific, 64,8% dos entrevistados afirmam que a tecnologia também reduz a ansiedade dos alunos em relação à matéria.

 De acordo com o estudo, 87,3% apontam que os jogos digitais melhoram a percepção da disciplina e, para 87,7%, as plataformas mostram que a matemática não é só teórica e tem aplicação prática no dia a dia.
  
A pesquisa mostra ainda que 98,3% dos professores aceitariam usar mais plataformas tecnológicas para complementar o cronograma de aulas, embora 42,3% afirmem não receber treinamento algum do colégio. Porém, apenas 8% dizem ter dificuldade em utilizar sistemas digitais em salas de aula.

Do total de professores pesquisados, 58,3% atuam na rede pública de ensino, 35,4% são do setor privado e 6,3% dão aulas em ambos.


Melhora no desempenho em matemática com plataformas digitais, segundo professores


- Entre 10% e 20%: 9,3 % das respostas

- Entre 20% e 40%: 25,9 % das respostas

- Entre 50% e 70%: 27,4 % das respostas

- Acima de 70%: 10,8 % das respostas

- Não uso plataformas digitais: 26,6 % das respostas


“Tecnologias como a da Matific promovem uma aprendizagem mais profunda, pois, além de engajá-los em situações cotidianas, estimulam a curiosidade, a exploração, o raciocínio lógico e a aprendizagem pela descoberta, em um ambiente lúdico e interativo”, comenta a psicopedagoga Ana Paula Carmagnani, consultora da Matific Brasil.

“As plataformas de jogos educacionais fornecem dados de desempenho de dos alunos em tempo real, o que permite que ao professor personalizar as atividades de acordo com o momento de aprendizagem de cada aluno”, conclui Ana Paula.








O JUIZ ERROU SIM, DOUTOR



       Há anos venho denunciando a perigosa propagação de um certo modo de aplicar a lei penal. Por motivos ideológicos que não vale a pena repisar, setores cada vez mais influentes do Poder Judiciário e Ministério Público criminalizam a sociedade e inocentam o bandido. Os atos praticados por este último seriam produto de circunstâncias existenciais tão fortemente determinantes de seu agir que dele seria inexigível outra conduta. Pronto. Solte-se todo mundo!  Desencarceramento já! E dane-se a sociedade que paga o salário dessas autoridades para agirem ao sabor de seus arrebatamentos e paixões político-ideológicas.

        Talvez pela percepção que bem cedo tive da natureza desse problema e pelo tanto que já escrevi a respeito, fui convidado para prefaciar o livro "Bandidolatria e Democídio - ensaios sobre garantismo penal e criminalidade no Brasil", obra conjunta dos promotores Leonardo Giardin de Souza e Diego Pessi, cuja segunda edição acaba de ser lançada. Move-me, enfim, continuadamente, a esperança de reverter esse quadro que tanto afeta nossa segurança física e patrimonial.

        No entanto, o noticiário não cessa de fornecer maus exemplos. Foi o que aconteceu recentemente no caso do homem que, dentro de um coletivo, ejaculou sobre uma passageira e foi preso em flagrante por estupro. No entanto, a Polícia Civil não pediu a prisão preventiva do suspeito; o Ministério Público requereu à Justiça o relaxamento da prisão; e o juiz entendeu que Diego não usou de violência ou de grave ameaça para constranger a vítima.  Ou seja, misericórdia divina: "Vai em paz, meu filho, e não tornes a pecar". 

        Ninguém levou em conta o fato de que o abusador já respondia a processos por estupro e registrava 13 casos de ato obsceno e importunação ofensiva ao pudor. Solto por determinação do magistrado, três dias mais tarde o tarado voltou a praticar ato semelhante. E mais uma mulher passou pela terrível experiência devido à provável doença mental do agressor e à leniência das instituições e poderes que o deveriam conter preventivamente para proteção da sociedade.

        Infelizmente, há quem discorde e dê razão ao juiz. Ainda hoje (05/09), em Zero Hora, um advogado assina artigo com o título "Falha ou não, é essa a nossa lei", sustentando que o juiz agiu adequadamente e que a exigência por prisão é "mais um sintoma da tão em voga 'resposta violenta a todo custo' ".  Está aí o "garantismo" penal.

        No entanto, o juiz errou, sim, doutor. O tarado voltou a atacar. Será preciso haver mais e mais vítimas? Felizmente, desta vez, houve um sopro de bom senso. Face ao alentado prontuário do agressor, foi pedida e concedida sua prisão preventiva por reiterada prática do crime previsto no art. 213 do Código Penal. Ainda existem autoridades que compreendem sua função pública numa perspectiva de proteção social, não revolucionária.




 Percival Puggina - membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.




Liberdade e civismo



Foi em 7 de setembro de 1822 que o Brasil conquistou autonomia política, ao ser declarado independente por D. Pedro I – que viria a ser o primeiro imperador do país. A separação de Portugal custou aos cofres públicos dois milhões de libras esterlinas. Como não tinha dinheiro em caixa, foi feito um empréstimo à Inglaterra, o que deu origem à dívida externa brasileira.

A Independência não provocou rupturas sociais. A escravidão e a estrutura agrária mantiveram-se. Uma das principais causas para a independência foi a insatisfação da elite rural em relação à falta de liberdade econômica e às altas taxas de impostos exigidas pela metrópole. É bom lembrar que todo o comércio internacional deveria ser realizado com Portugal, o que chegou a causar uma grave crise de abastecimento.

O certo é que, em relação aos nossos vizinhos, o Brasil foi um dos últimos a conseguir emancipação política: Colômbia (1810); Venezuela (1811); Argentina (1816); Chile (1818) e Peru (1821). Esse atraso, de certa forma, afetou vários setores, especialmente o processo educacional. No período colonial, a educação básica esteve sempre atrelada à ação jesuítica. Só no século XIX, com a chegada da Família Real ao Brasil, criaram-se os dois primeiros cursos superiores, de medicina e engenharia. 

Mas a educação continuou em segundo plano, gerando uma população com altas taxas de analfabetismo e carência de profissionais de nível superior, diferentemente do que ocorria nas colônias espanholas. Em 1538, foi criada a Universidade de São Domingos, na República Dominicana, e em 1551, a do México e a de Lima, no Peru. A Universidade Federal do Amazonas, considerada a primeira do Brasil, só surgiu em 1909. E a de São Paulo, a mais importante do país, apenas em 1932, fruto da iniciativa de lideranças paulistas, entre os quais Júlio de Mesquita Filho, mandatário do jornal O Estado de S. Paulo. 

Apesar de ter criado um gargalo no ensino – ainda não resolvido até hoje –, o legado da Independência insere na sociedade uma mensagem de liberdade e civismo, tão importante para que a população enfrente as mazelas sociais e siga seu caminho rumo ao desenvolvimento sustentável.





Luiz Gonzaga Bertelli - presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH).




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