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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Em tempos de layoff, perfil de liderança em tecnologia é outro

 

As demissões no setor de tecnologia continuam em alta em 2026. Com foco intenso na reestruturação para adoção de Inteligência Artificial (IA) e otimização de custos, empresas de diversos os portes e segmentos tem feito cortes expressivos.  

Um estudo conduzido no primeiro trimestre pela Wide, empresa de recrutamento e seleção, com mais de 180 profissionais das áreas de Design, Produto e Tecnologia, revela que o diferencial competitivo migrou para líderes capazes de conectar estratégia, execução e influência organizacional de forma integrada. 

Essa transformação impacta diretamente variáveis críticas para o negócio, como velocidade de execução, time-to-market, eficiência operacional, capacidade de inovação e atração de talentos – fatores hoje determinantes para o sucesso empresarial. 

Em um cenário cada vez mais dinâmico, um novo perfil de liderança ganha espaço. O estudo destaca que os líderes mais valorizados no mercado possuem competências que vão além do domínio técnico.  

É preciso desenvolver também atributos como conexão consistente entre estratégia e execução; tomada de decisão em ambientes ambíguos; capacidade de influenciar múltiplos stakeholders; agilidade com qualidade na tomada de decisão, além de formação de novos líderes e escalabilidade de times. Na prática, o diferencial competitivo está na capacidade de transformar estratégia em resultado concreto, especialmente em ambientes complexos e de alta velocidade. 

O levantamento aponta que mais de 60% dos líderes analisados têm origem em ambientes digitais, fintechs e empresas de tecnologia, onde a maturidade em Inteligência Artificial, agilidade e tomada de decisão é mais avançada. 

Por outro lado, setores mais tradicionais e regulados se destacam pela robustez em governança e controle, mas ainda enfrentam desafios relacionados à velocidade e integração. Esse cenário amplia o gap competitivo entre organizações com estruturas mais ágeis e aquelas que operam de forma fragmentada. 

Outro ponto central do estudo é a necessidade de integração entre Design, Produto e Tecnologia como motor de resultados. Nesse modelo, o Produto atua como tradutor da estratégia em execução, conectando discovery, delivery e decisão. A Tecnologia impulsiona escala, eficiência e vantagem competitiva e, o Design reduz ambiguidades e acelera decisões com foco no usuário e no negócio. 

O uso de IA aparece como elemento transversal, acelerando ciclos de desenvolvimento e apoiando decisões estratégicas. Contudo, cultura organizacional e autonomia também impactam diretamente os resultados. 

A performance das organizações está fortemente ligada à velocidade de decisão, autonomia dos times e qualidade da integração entre áreas. E, entre os principais fatores de sucesso estão a decisão clara em cenários incertos, times com autonomia real e accountability, além de comunicação fluida e execução coordenada. Modelos com baixa autonomia e decisões lentas comprometem diretamente a inovação, a eficiência operacional e a retenção de talentos. 

Com isso, o recrutamento executivo precisa evoluir. A contratação de lideranças passa a exigir uma abordagem mais estratégica. A avaliação executiva deve considerar aderência ao contexto de negócio e cultura, a capacidade de integrar estratégia, execução e influência, incluindo a qualidade da tomada de decisão em ambientes complexos e a experiência prática em cenários de alta incerteza. A ausência dessa integração resulta em decisões mais lentas, menor eficiência e perda de competitividade. Obviamente, algo que ninguém quer para sua empresa. 



Thiago Xavier - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.

Wide
https://wide.works/


1/5, Dia da Literatura Brasileira: especialistas listam 10 obras essenciais para entender a identidade nacional


Magnific

Data celebra o nascimento de José de Alencar e reforça a urgência do incentivo à leitura diante de desafios educacionais no país


O Dia da Literatura Brasileira é celebrado nesta sexta-feira, 1º de maio, em memória ao nascimento de José de Alencar (1829–1877). Considerado um dos principais autores do romance nacional, Alencar é o centro das atenções nesta data por sua contribuição histórica à literatura e por retratar, com pioneirismo, a diversidade e as raízes do povo brasileiro. 

No Brasil, porém, os desafios são grandes quando o assunto é leitura. Dados do Estudo Internacional de Progresso em Leitura (PIRLS) revelam que quase 40% das crianças do 4º ano do Ensino Fundamental não dominam habilidades básicas de leitura. E a falta de incentivo à leitura acaba impactando o futuro: levantamento do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), apontou que 50% dos alunos brasileiros de 15 anos apresentam baixo desempenho em leitura. 

Diante desse cenário, incentivar a leitura desde cedo torna-se ainda mais essencial. Segundo a bibliotecária do Brazilian International School-BIS, de São Paulo (SP), Aline Souza Silva Santos, os pais devem transformar a leitura em um momento especial, criando um ambiente prazeroso. "Ler para a criança desde cedo faz toda a diferença, em momentos de aconchego e conexão, fortalecendo o vínculo afetivo e despertando o interesse pelos livros", afirma. 

Para estudantes que estão em fase de preparação para os vestibulares, conhecer os principais autores e obras da literatura brasileira também é uma forma de ampliar a capacidade de raciocínio e argumentação, para conquistar uma boa nota e aumentar as chances de aprovação na universidade. “Para acertar as questões, o candidato precisa entender a obra como um todo, reconhecer suas marcas principais e saber interpretar o que o texto sugere, grande parte das vezes de forma implícita”, afirma Fernanda Silveira, coordenadora do Ensino Médio do colégio Progresso Bilíngue, de Campinas (SP). 

Os textos literários aparecem nos processos seletivos em perguntas que exigem análise de trechos, comparação entre autores, reconhecimento de crítica social e interpretação simbólica, seja em questões que exigem a compreensão de temas, estilos literários, vozes narrativas e relações com outros textos ou áreas do conhecimento. “O estudante não deve ler de forma passiva. É fundamental dialogar com o texto, levantar hipóteses e fazer conexões”, acrescenta Thiago Silverio Barbosa, professor de Língua Portuguesa da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP). 

Segundo Renata Lima, coordenadora pedagógica da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP), ler é uma forma de construir autonomia porque amplia o repertório simbólico e oferece instrumentos para nomear, organizar e questionar o mundo. “É pela linguagem que o pensamento ganha densidade, que a empatia se complexifica e que o sujeito aprende a transitar entre diferentes perspectivas. Quanto mais cedo esse vínculo com a leitura se consolida, maior a possibilidade de formar leitores capazes de sustentar aprendizagens ao longo da vida”, afirma. 

Para marcar a celebração, a coordenadora pedagógica da Aubrick seleciona 10 obras essenciais brasileiras, que atravessaram gerações e continuam indispensáveis para quem deseja compreender melhor a literatura nacional.
 

1. A HORA DA ESTRELA (1977), DE CLARICE LISPECTOR 

Conta a história da nordestina Macabéa, uma mulher miserável, que mal tem consciência de existir. Depois de perder seu único elo com o mundo, uma velha tia, ela viaja para o Rio, onde aluga um quarto, se emprega como datilógrafa e gasta suas horas ouvindo a Rádio Relógio. Apaixona-se, então, por Olímpico de Jesus, um metalúrgico nordestino, que logo a trai com uma colega de trabalho. Desesperada, Macabéa consulta uma cartomante, que lhe prevê um futuro luminoso, bem diferente do que a espera. 

Clarice Lispector (República Popular da Ucrânia, 1920 - Rio de Janeiro/RJ, 1977) é considerada um dos maiores nomes da literatura brasileira, e hoje é amplamente traduzida e divulgada. Buscou a universalidade e a prospecção do próprio interior, produzindo uma literatura de excelência incontestável e estilo inimitável. Sua obra inclui também livros para o público infantojuvenil e um vasto número de crônicas.
 

2. AS TRÊS MARIAS (1939), DE RACHEL DE QUEIROZ 

Conta a história de três amigas inseparáveis, da infância em um colégio de freiras à vida adulta. Maria da Glória dedicou-se à maternidade e à família; Maria José, sempre devota, voltou a morar com a mãe e virou professora; e Maria Augusta, diferente das amigas, determinou-se a construir o próprio caminho: trabalhou como datilógrafa em Fortaleza e, lá, apaixonou-se. O livro retrata o processo de ajustamento ao mundo pelos olhos das meninas e convida o leitor a acompanhá-las desde os medos e as incertezas da juventude até o amadurecimento. Assim, a autora vai mais fundo na perspectiva social e na agudeza da observação psicológica. 

Rachel de Queiroz (Fortaleza/CE, 1910 - Rio de Janeiro/RJ, 2003) foi escritora, jornalista, tradutora e dramaturga brasileira, a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras. Sua obra tem raízes autobiográficas e aborda temas como a emancipação feminina; e questões sociais como a seca, a miséria e a luta pela sobrevivência do povo nordestino.
 

3. CAPITÃES DA AREIA (1937), DE JORGE AMADO 

Obra clássica sobre a infância abandonada, conta a história crua e comovente de meninos pobres que moram num trapiche abandonado em Salvador. O livro torna o leitor íntimo dos personagens, cada um deles com suas carências e suas ambições: do líder Pedro Bala ao religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas ao aprendiz de cafetão Gato, do sensato Professor ao rústico sertanejo Volta Seca. Com a força envolvente da sua prosa, o autor nos aproxima desses garotos e nos contagia com seu intenso desejo de liberdade. 

Jorge Amado (Itabuna/BA, 1912 – Salvador/BA, 2001) foi jornalista, político, e um dos mais populares escritores brasileiros do século XX. Sua obra retrata os costumes, cultura e lutas sociais da Bahia do século XX. Seus livros receberam inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão.
 

4. GRANDE SERTÃO: VEREDAS (1956), DE JOÃO GUIMARÃES ROSA 

Um mergulho profundo na alma humana. Neste clássico arrebatador, as paisagens percorridas pelos jagunços ganham uma dimensão universal e profundamente humana. Ao narrar o mundo através dos olhos de Riobaldo, o autor constrói um romance fascinante, que mescla sofrimento, luta, alegria, violência, amor e morte em uma prosa extremamente inventiva – reinventando a língua e elevando o sertão ao contexto da literatura universal, compondo o cenário de uma narrativa lírica e épica, uma lição de luta e valorização do homem.

João Guimarães Rosa (Cordisburgo/MG, 1908 - Rio de Janeiro/RJ, 1967) foi contista, novelista, romancista e diplomata. A obra do autor faz uso de material de origem regional para uma interpretação mítica da realidade, por meio de símbolos e mitos. É um dos escritores mais aclamados da língua portuguesa.
 

5. IRACEMA (1865), DE JOSÉ DE ALENCAR 

Um texto básico da cultura brasileira, romance que construiu uma representação mítica do Brasil. O livro retrata a expressão nacionalista que estava em voga no século XIX, época em que os escritores buscavam construir o nativo brasileiro sob a ótica do ideal romântico. Assim, o autor mostra o encontro da natureza, personificada pela índia Iracema, a "virgem dos lábios de mel", com a civilização europeia, representada pelo navegante Martim, resultando no “nascimento do primeiro cearense”. A história do amor dos protagonistas é uma metáfora do encontro entre civilização e cultura autóctone. 

José de Alencar (Fortaleza/CE, 1829 – Rio de Janeiro/RJ, 1877) foi advogado, jornalista, político, orador, romancista e teatrólogo. Foi chamado de “o patriarca da literatura brasileira”, tendo contribuído para a nacionalização da literatura no Brasil e para a consolidação do romance brasileiro. Sua obra é reconhecida pela qualidade literária e retrata temas nacionalistas, históricos e da cultura popular, tendo inovado também por criar protagonistas femininas fortes e questionadoras.
 

6. MACUNAÍMA (1928), DE MÁRIO DE ANDRADE 

A obra apresenta o herói sem nenhum caráter. O protagonista, que ora é índio negro ora é branco, até hoje é considerado símbolo do brasileiro em vários sentidos: o do malandro esperto, amoral, que sempre consegue o que quer; e o do povo perdido diante de suas múltiplas identidades. Macunaíma foi forjado a partir de lendas indígenas e populares, colagens de histórias, mitos e modos de vida que, nele somados, deram existência a um tipo brasileiro ideal. Um ser mágico, debochado e zombeteiro, que viaja pelo país de Roraima a São Paulo, descendo o rio Araguaia, do Paraná aos pampas, até chegar ao Rio de Janeiro, acompanhado de seus irmãos, Jiguê e Maanape, numa aventura para recuperar seu amuleto perdido: a muiraquitã. A obra surge no contexto da primeira geração do modernismo, que buscava uma identidade nacional, rompendo com os padrões artísticos europeus ao valorizar a cultura popular brasileira. 

Mário de Andrade (São Paulo, 1893 - São Paulo, 1945) foi um dos mais importantes escritores brasileiros do século XX, tendo também se destacado como crítico literário, musicólogo, folclorista e produtor cultural. Figura central da Semana de Arte Moderna de 1922, sua obra tem como pilar a valorização da identidade e da cultura brasileiras.
 

7. MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS (1881), DE MACHADO DE ASSIS 

O finado Brás Cubas decide contar sua história por uma ótica bastante inusitada: em vez de começar pelo seu nascimento, sua narrativa inicia-se pelo óbito. Enquanto rememora as experiências que viveu, o defunto-autor narra as suas desventuras e revela as contradições da sociedade brasileira do século XIX, por meio de uma análise aprofundada de seus personagens. O livro retrata o período do Brasil Império, especialmente a elite burguesa do Rio de Janeiro, marcada por mudanças sociais e ascensão de novos valores.

Machado de Assis (Rio de Janeiro/RJ, 1839 – Rio de Janeiro/RJ, 1908) foi jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo. É apontado o maior escritor da literatura brasileira. Seus livros têm como principal característica o diálogo entre o autor e o leitor, com uso de ironia e humor, explorando os aspectos psicológicos dos personagens para criticar os costumes da sociedade brasileira da época.
 

8. OS SERTÕES (1902), DE EUCLIDES DA CUNHA 

A partir do trabalho jornalístico do autor sobre a rebelião de Canudos, surge esta obra sobre o sertão, as injustiças sociais do Brasil e a violência que marcou o País. Ao narrar a violenta e exaustiva repressão sofrida pelo bando de Antônio Conselheiro, o escritor narra também a formação do homem sertanejo. O livro ainda denuncia os crimes cometidos por uma sociedade eurocêntrica, violenta, autoritária, desigual e excludente, além de desafiar qualquer resposta fácil para as questões sertanejas. 

Euclides da Cunha (Cantagalo/RJ, 1866 – Rio de Janeiro/RJ, 1909) foi engenheiro militar, jornalista, ensaísta, historiador e escritor brasileiro. É um dos principais nomes da literatura e do pensamento social no Brasil. Sua obra combina literatura, jornalismo e análise histórica para retratar a realidade do sertão brasileiro, com linguagem marcada pela força descritiva, rigor científico e tom crítico.
 

9. QUARTO DE DESPEJO (1960), DE CAROLINA MARIA DE JESUS 

Retrato do cotidiano triste e cruel de uma mulher que sobrevive como catadora de papel e faz de tudo para espantar a fome e criar seus filhos na favela do Canindé. Em meio a um ambiente de extrema pobreza e desigualdade de classe, de gênero e de raça, o leitor se depara com o duro dia a dia de quem não tem amanhã, mas que ainda assim resiste diante da miséria, da violência e da fome. 

Carolina Maria de Jesus (Sacramento/MG, 1914 – São Paulo/SP, 1977) foi uma das primeiras escritoras negras do Brasil. Peregrinou com a mãe, vinda de sua cidade natal, em busca de trabalho pelas cidades do interior paulista, quando chegou à capital do estado em 1947 e se instalou na favela do Canindé, de onde saía diariamente para trabalhar como catadora de papel.
 

10. VIDAS SECAS (1938), DE GRACILIANO RAMOS 

Conta a história de uma família de retirantes que, na planície avermelhada do sertão, enfrenta a seca, a fome, o desamparo e a violência das instituições, em busca de vida nova. Fabiano, sinhá Vitória, o menino mais novo, o menino mais velho e a cachorra Baleia caminham dias inteiros, à procura de água, comida e pouso. No trajeto, encontram figuras essenciais para compreender o contexto histórico e social dessa obra-prima, marco da segunda fase do modernismo, que se tornou registro da identidade de um povo. 

Graciliano Ramos (Quebrangulo/AL, 1892 - Rio de Janeiro/RJ, 1953) foi romancista, contista e cronista. Parte considerável da obra do autor aborda sua preocupação com os desajustes sociais e políticos do Brasil de seu tempo, além de retratarem a cultura e a vida no sertão nordestino.
 

Os especialistas
 

Aline Souza Silva dos Santos é bibliotecária, formada pela UNIFAI (2010) e pós-graduada pela FESPSP em Gestão da Informação Digital. Atuou por dez anos na Biblioteca da Aliança Francesa de São Paulo e, atualmente, é bibliotecária no Colégio BIS, onde desenvolve projetos de incentivo à leitura e acredita na biblioteca como um espaço vivo de aprendizagem e formação de leitores sensíveis, críticos e reflexivos.
 

Fernanda Silveira é pedagoga e psicopedagoga, com 10 anos de experiência na gestão pedagógica do Ensino Médio, com atuação voltada ao acompanhamento acadêmico dos estudantes e ao fortalecimento de suas trajetórias rumo ao vestibular e às suas escolhas para o futuro. Atua como coordenadora pedagógica do Ensino Médio das unidades do Progresso Bilíngue em Campinas (Cambuí e Taquaral).
 

Renata Lima é coordenadora do Ensino Médio, leitora ávida e entusiasta da cultura, com mais de 20 anos de experiência na educação básica e internacional. Ao longo de sua trajetória, liderou projetos acadêmicos que articulam currículo, competências socioemocionais e experiências de aprendizagem de excelência conectadas à vida real, à cultura popular e ao território. Atuou em instituições de renome, nas quais desenhou e implementou programas inovadores voltados ao protagonismo juvenil, à dupla certificação e à formação integral.  



Thiago Silvério Barbosa - mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), onde atuou como bolsista CAPES, e graduado em Letras pela mesma instituição. Com 16 anos de experiência docente, atualmente leciona Língua Portuguesa e Convivência Ética na Escola Internacional de Alphaville. Sua trajetória é marcada pela versatilidade pedagógica, incluindo passagens por cursos pré-vestibulares e preparatórios para o Enem. No campo da pesquisa, integra o grupo "Psicanálise e Teoria Crítica: Teorias da Subjetivação" (CEBRAP/Núcleo Direito e Democracia). Complementando sua formação interdisciplinar, possui especialização em Psicanálise e Análise do Cotidiano pela PUC-SP, além de formação clínica em Psicanálise.
International Schools Partnership – ISP
Para mais informações, acesse o site


MEI e Imposto de Renda: quando o pequeno empreendedor precisa declarar e como evitar erro com a Receita

Todo ano, uma dúvida se repete entre os microempreendedores individuais: afinal, quem é MEI precisa declarar Imposto de Renda Pessoa Física? A resposta curta é: não necessariamente. Mas é justamente essa aparente simplicidade que costuma levar muitos contribuintes ao erro.

 O ponto central é entender que o MEI tem duas dimensões fiscais diferentes: uma como empresa, vinculada ao CNPJ, e outra como pessoa física, vinculada ao CPF. A Declaração Anual do Simples Nacional do MEI, conhecida como DASN-SIMEI, é obrigatória para todo microempreendedor individual e deve ser entregue até 31 de maio de cada ano, mesmo que a empresa não tenha tido faturamento no ano anterior. 

Já a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física depende das regras aplicáveis ao titular do MEI. Para o IRPF 2026, referente ao ano-calendário de 2025, está obrigado a declarar quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00, rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil, possuía bens e direitos acima de R$ 800 mil, realizou determinadas operações em bolsa, obteve ganho de capital, teve receita bruta da atividade rural acima de R$ 177.920,00, entre outras hipóteses previstas pela Receita Federal. 

Para o contador tributarista e educador financeiro André Charone, esse é um dos pontos que mais confundem o pequeno empreendedor.

“O erro mais comum do MEI é achar que a declaração do CNPJ substitui a declaração da pessoa física. Não substitui. A DASN-SIMEI informa o faturamento da empresa. O IRPF informa a vida fiscal da pessoa por trás do negócio. São obrigações diferentes, com finalidades diferentes”, explica Charone.”

 

Ser MEI, por si só, não obriga a declarar IRPF 

A própria Receita Federal esclarece que o simples fato de ser MEI ou participar de uma empresa não obriga automaticamente a pessoa física a entregar a declaração de Imposto de Renda. A obrigatoriedade surge quando os rendimentos, o patrimônio ou outras situações do contribuinte se enquadram nos critérios legais. 

Na prática, isso significa que um microempreendedor pode entregar apenas a DASN-SIMEI e não precisar entregar o IRPF, desde que não ultrapasse os limites de obrigatoriedade como pessoa física. Por outro lado, um MEI com faturamento maior, outras fontes de renda, investimentos, bens relevantes ou rendimentos tributáveis acima do limite poderá ser obrigado a declarar. 

Segundo Charone, o problema é que muitos microempreendedores olham apenas para o faturamento bruto do CNPJ e não fazem a separação correta entre receita da empresa, despesas do negócio, lucro isento e rendimento tributável. 

“O MEI precisa parar de pensar que todo dinheiro que entrou na conta é automaticamente renda tributável da pessoa física. Mas também não pode fazer o oposto, que é achar que todo faturamento do CNPJ está protegido pelo pagamento mensal do DAS. Existe uma conta a ser feita”, afirma.”

 

DASN-SIMEI não é Imposto de Renda 

Outro erro frequente é acreditar que o pagamento mensal do DAS-MEI já resolve todas as obrigações fiscais do empreendedor. O DAS é a guia mensal simplificada do MEI, enquanto a DASN-SIMEI é a declaração anual de faturamento do CNPJ. Nenhuma dessas obrigações elimina, por si só, a necessidade de declarar IRPF quando o titular se enquadra nas regras da Receita. 

A lógica é simples: todo MEI deve entregar a DASN-SIMEI; apenas alguns precisam entregar o IRPF. 

A DASN-SIMEI informa à Receita Federal quanto o CNPJ faturou no ano anterior. Já a declaração de Imposto de Renda informa a situação econômica e patrimonial da pessoa física: rendimentos, bens, direitos, dívidas, investimentos e outras informações relevantes.

 

Como calcular a parte tributável do MEI

Para saber se o MEI precisa declarar Imposto de Renda, o primeiro passo é apurar o lucro do negócio. De forma simplificada, calcula-se:

 

Faturamento bruto anual - despesas comprovadas = lucro líquido do MEI

Depois, é preciso identificar a parcela de lucro considerada isenta, conforme a atividade exercida. Em regra, para o MEI que não possui escrituração contábil regular demonstrando lucro superior, utilizam-se os percentuais de presunção aplicáveis à atividade:

 

Atividade do MEI | Parcela presumida como lucro isento 

Comércio, indústria e transporte de cargas | 8% da receita bruta 

Transporte de passageiros | 16% da receita bruta 

Prestação de serviços em geral | 32% da receita bruta 

A diferença entre o lucro líquido apurado e a parcela isenta será tratada como rendimento tributável da pessoa física. 

Imagine, por exemplo, um MEI prestador de serviços que faturou R$ 80 mil em 2025 e teve R$ 15 mil em despesas comprovadas. O lucro líquido seria de R$ 65 mil. Como a atividade é de serviços, a parcela isenta presumida seria de 32% sobre o faturamento, ou seja, R$ 25,6 mil. A diferença, R$ 39,4 mil, seria rendimento tributável. 

Nesse caso, como o valor supera o limite de R$ 35.584,00, o contribuinte estaria obrigado a entregar a declaração de IRPF em 2026. 

Para Charone, esse cálculo é essencial porque muitos microempreendedores confundem faturamento, lucro e renda pessoal. 

“Faturamento não é lucro. E lucro da empresa não é automaticamente renda tributável da pessoa física. O MEI precisa entender essa diferença para não declarar errado, nem pagar imposto indevido, nem deixar de declarar quando estiver obrigado”, afirma.”

 

Onde lançar os valores na declaração

Quando o MEI estiver obrigado a declarar, a informação deve ser separada corretamente. 

A parcela isenta do lucro deve ser informada na ficha de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, geralmente como lucros e dividendos recebidos pelo titular. Já a parte tributável deve ser informada como Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica, tendo como fonte pagadora o próprio CNPJ do MEI. 

Para Charone, essa separação é essencial para evitar inconsistências fiscais.

“O MEI costuma misturar tudo: conta da empresa, conta pessoal, compras do negócio e gastos da família. Na hora do Imposto de Renda, essa confusão aparece. O ideal é manter controle mensal de receitas e despesas, guardar comprovantes e separar o dinheiro da empresa do dinheiro da pessoa física”, orienta.”

 

E a nova faixa de isenção do Imposto de Renda?

Um ponto importante é não confundir as regras da declaração atual com mudanças futuras na tabela do Imposto de Renda. 

O IRPF 2026 trata dos rendimentos recebidos em 2025. Portanto, os limites de obrigatoriedade aplicáveis à declaração deste ano são os divulgados para o ano-calendário de 2025, como o limite de R$ 35.584,00 em rendimentos tributáveis.

Eventuais mudanças na faixa de isenção aplicáveis a rendimentos recebidos a partir de 2026 terão reflexo, em regra, na declaração entregue em 2027, referente ao ano-calendário de 2026. 

Essa distinção é importante porque muitos contribuintes confundem o ano da entrega da declaração com o ano em que os rendimentos foram recebidos. 

“Quando falamos em IRPF 2026, estamos falando da declaração entregue em 2026, mas referente aos fatos ocorridos em 2025. Essa diferença de datas parece simples, mas causa muita confusão na prática”, explica Charone.”

 

Prazo e multa por atraso

A declaração do IRPF 2026 pode ser feita pelo Programa Gerador da Declaração, pela plataforma online ou pelo aplicativo Meu Imposto de Renda. A declaração pré-preenchida exige conta gov.br nos níveis prata ou ouro. 

O prazo de entrega vai de 23 de março a 29 de maio de 2026. Quem está obrigado e perde o prazo fica sujeito à multa de 1% ao mês-calendário ou fração de atraso sobre o imposto devido, limitada a 20%, com valor mínimo de R$ 165,74.

Já a DASN-SIMEI deve ser entregue até 31 de maio, independentemente de o titular do MEI estar ou não obrigado a entregar o IRPF.

 

A informalidade dentro da formalização

O MEI foi criado para simplificar a vida de pequenos empreendedores, mas a simplificação não significa ausência de controle. Para André Charone, esse é o ponto mais sensível. 

“O MEI é uma porta de entrada importante para a formalização, mas muitos empreendedores continuam administrando o negócio de forma informal. A pessoa tem CNPJ, emite nota, paga DAS, mas não sabe quanto lucrou, não separa despesas e não entende o impacto disso no CPF. O risco não está em ser MEI; está em tratar o CNPJ como se fosse uma extensão desorganizada da carteira pessoal”, diz.” 

A recomendação é que o microempreendedor mantenha um controle mínimo: faturamento mensal, despesas pagas, notas fiscais emitidas, comprovantes de compra, extratos bancários e retirada efetiva para uso pessoal. Esse cuidado ajuda não apenas na declaração, mas também na gestão do próprio negócio. 

Para quem está começando, uma planilha simples já pode evitar grandes problemas. O ideal é registrar mês a mês o valor faturado, as despesas do negócio, o lucro estimado e quanto foi efetivamente retirado pelo titular. 

O MEI não precisa declarar Imposto de Renda apenas por ser MEI. Mas pode ser obrigado a declarar se os rendimentos tributáveis, os bens, os rendimentos isentos ou outras situações ultrapassarem os limites definidos pela Receita Federal.

A principal diferença é esta: a DASN-SIMEI é uma obrigação do CNPJ; o IRPF é uma obrigação do CPF. Uma não substitui a outra. 

“O pequeno empreendedor não precisa ter medo da Receita, mas precisa ter método. Quem organiza os números ao longo do ano declara com tranquilidade. Quem deixa tudo para a última hora transforma uma obrigação simples em um problema fiscal.” Finaliza André. 



André Charone - contador, professor universitário, Mestre em Negócios Internacionais pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA). É sócio do escritório Belconta – Belém Contabilidade e do Portal Neo Ensino, autor de livros e centenas de artigos na área contábil, empresarial e educacional. Seu mais recente trabalho é o livro "Empresário Sem Fronteiras: Importação e Exportação para pequenas empresas na prática", em que apresenta um guia realista para transformar negócios locais em marcas globais. A obra traz passo a passo estratégias de importação, exportação, precificação para mercados externos, regimes tributários corretos, além de dicas práticas de negociação e prevenção contra armadilhas no comércio internacional.
Disponível em versão física: https://loja.uiclap.com/titulo/ua111005/
digital: https://play.google.com/store/books/details?id=nAB5EQAAQBAJ&pli=1
Instagram: @andrecharone

 

Família, escola e plataformas digitais: quem protege nossos adolescentes?

Opinião 

Vivemos um raro ponto de convergência em uma sociedade polarizada: a preocupação com os efeitos das redes sociais sobre crianças e adolescentes. Pais, educadores e legisladores divergem em quase tudo, mas compartilham a mesma inquietação: como protegê-los?

Alguns países discutem ou adotam a proibição de redes para menores de 16 anos, como Austrália e Reino Unido. Este último lançou a campanha “You Won’t Know Until You Ask”, incentivando o diálogo entre pais e filhos sobre conteúdos inadequados. Restrição e conversa parecem opostas, mas podem ser complementares.Como diretor de escola, defendo que o caminho mais consistente e formador é o diálogo sustentado pela corresponsabilidade entre família e escola. 

A proibição ampla seduz pela simplicidade: se há risco, elimina-se o acesso. Mas soluções simples para problemas complexos acarretam efeitos colaterais. Primeiro, a eficácia é limitada: jovens burlam os bloqueios com VPNs e outras ferramentas. Em segundo lugar, podem migrar para ambientes menos regulados e mais perigosos. Terceiro, há o risco de censura quando o Estado exclui um grupo de um espaço central de informação, cultura e convivência.

Redes sociais não são apenas ameaça. São também espaços de pertencimento para jovens isolados por questões geográficas ou identitárias. São fontes de informação — ainda que misturem qualidade e desinformação. Interditar esse universo ignora sua complexidade. Isso não significa relativizar riscos reais: automutilação, distúrbios alimentares, pornografia, desafios perigosos e cyberbullying exigem resposta firme das plataformas e regulação responsável do Estado. Mas regular não é interditar indiscriminadamente.

A campanha britânica parte de um dado inquietante: muitos pais nunca conversaram com os filhos sobre o que consomem on-line. O problema não é apenas tecnológico; é relacional. Nenhuma lei substitui uma conversa honesta. Nenhum filtro desenvolve senso crítico. Nenhum bloqueio automático constrói maturidade — ao contrário, pode estimular o desafio clandestino.

Educação digital é educação moral e emocional. Acontece em casa, nas conversas cotidianas, e se fortalece na escola, com projetos estruturados e orientação pedagógica. Precisamos ensinar os jovens a questionar o que consomem, como isso os faz sentir, se a informação é confiável e por que a acessam. Essa competência nasce do diálogo, não da proibição.

Completou-se um ano da lei que proibiu celulares no ambiente escolar. Sou favorável à restrição no contexto escolar. A escola é espaço de foco, convivência presencial e construção intelectual. É onde se aprende a sustentar atenção, desenvolver disciplina interna e interagir sem mediação constante de telas.

A restrição não nega a tecnologia; organiza seu uso. Ensina que há contextos que exigem concentração e atividades que não podem competir com notificações infinitas. A distração nem sempre é bem-vinda. Essa é uma aprendizagem para a vida adulta: saber alternar momentos de concentração profunda e uso produtivo da tecnologia. Maturidade é transitar entre esses ambientes.

Proibições devem ser pontuais. Crianças pequenas não têm maturidade cognitiva e emocional para navegar sozinhas: limites rígidos fazem sentido. Na adolescência, o desafio deixa de ser afastar e passa a ser ensinar a usar. Blindar integralmente pode comprometer a autonomia; expor sem orientação é irresponsável. O caminho do meio é educar para o uso consciente. A proteção real não virá de uma decisão isolada, mas da soma de três movimentos: diálogo consistente nas famílias; escolas que ensinam uso crítico da tecnologia; plataformas responsabilizadas por seus algoritmos e designs viciantes, sob regulação e auditoria.

Preparar adolescentes para o futuro não é excluí-los do mundo digital, mas capacitá-los para habitá-lo com consciência. Entre a proibição ampla e a permissividade irrestrita, há um caminho mais exigente — e mais eficaz: o da educação compartilhada.

  

Celso Hartmann - diretor executivo dos colégios da Rede Positivo.

 

Instabilidade geopolítica no estreito de Ormuz prejudica produção de arroz em Santa Catarina

Sindicato prevê redução da oferta de arroz no mercado nacional durante a Safra 2026/27, impactando no bolso do consumidor

 

Devido aos bloqueios e a tensão geopolítica instalada em uma das principais rota marítimas do mundo, o estreito de Ormuz, insumos como o óleo diesel e fertilizantes agrícolas ficaram mais caros em relação ao ano passado. O aumento de preços impacta diretamente a cadeia produtiva do arroz em Santa Catarina, que em maio colhe os últimos grãos da Safra 2025/26 e deve se preparar para o próximo plantio, em agosto.


O cenário preocupa o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), uma vez que o setor enfrenta, há um ano, uma crise econômica ocasionada pela superoferta do grão no mercado nacional e a queda no consumo. Segundo o presidente do SindArroz-SC, os itens que compõem a tabela de custos fixos para produção e beneficiamento do arroz tiveram aumento médio de 20%, demonstrando que todos os elos da cadeia produtiva estão sofrendo as consequências do conflito em Ormuz.


“Todos os elos da cadeia produtiva estão sendo afetados. O setor de embalagens aplicou reajuste acima de 40%, a tabela da Agência Nacional de Trânsito e Transportes (ANTT) reajustou o valor dos fretes, excluindo a livre negociação e causando aumento nos custos fixos tanto dos produtores, quanto das indústrias beneficiadoras de arroz. Isso é um agravante e tanto para a situação econômica que estamos enfrentando desde 2025”, detalha Rampinelli.

Crise pode impactar bolso do consumidor

O produtor de arroz de Forquilhinha (SC), Israel Alexandre, afirma que na colheita da Safra 2025/26 o litro do Diesel s500 usado por ele custava em torno de R$5,50, mas hoje já passa dos R$7,00. Além disso, conta que os compostos do adubo mineral NPK (Nitrogênio, Potássio e Fósforo) também foram um dos principais insumos que tiveram alteração no valor, junto à ureia, elementos essenciais para a manutenção da sua lavoura.


“A cadeia produtiva sofre com ciclos de alta oferta e pouca demanda, e alta demanda e pouca oferta, mas esses ciclos nunca são lineares à escassez de insumos e isso descapitaliza o produtor. Se acrescentarmos a baixa no consumo do grão e o impacto dos conflitos geopolíticos mundiais no valor dos produtos que utilizamos, não resta uma alternativa senão a de reduzir a área plantada e diminuir o uso de fertilizantes e maquinários”, explica Israel.


Santa Catarina é o segundo estado que mais produz arroz no país, sendo responsável por mais de 10% do abastecimento nacional. A diminuição de áreas plantadas e a escassez de insumos necessários para manter a performance da lavoura em níveis elevados pode ocasionar a pouca oferta do grão após a Safra 2026/27, elevando os preços do arroz no mercado nacional.

Medidas de contenção

O SindArroz-SC, juntamente com a Câmara Setorial do Arroz, está buscando alternativas para conter a crise econômica do setor junto ao Governo Federal. Uma das ações envolve um pedido de reunião com o vice-presidente, Geraldo Alckmin, para debater possíveis caminhos para a redução dos custos de produção no território brasileiro e a redução de impostos.


“Entendo que com a prolongação desta crise os produtores devem reduzir significativamente a área plantada devido ao alto custo de produção. Entretanto, essa redução ocasionará no aumento dos preços do arroz e na redução de oferta do nosso produto nos supermercados, e isso vai atingir o bolso das famílias brasileira”, pontua o presidente do sindicato.

 

Sindicato das Indústrias do Arroz de Santa Catarina - SindArroz-SC
Texto: Shaiane Corrêa/Foto: Monique Amboni


Dados não bastam: por que a data literacy se tornou estratégica para as empresas

Com dashboards e métricas por toda parte, o verdadeiro diferencial competitivo passa a ser a capacidade das pessoas de interpretar informações e aplicá-las ao contexto do negócio 

 

Nos últimos anos, as empresas nunca investiram tanto em dados e, ainda assim, muitas continuam tomando decisões como se eles não existissem.

Disputam dados, ampliam suas infraestruturas de informação e incorporam inteligência artificial aos processos com o objetivo de tornar as decisões mais rápidas, mais precisas e mais alinhadas às transformações do mercado.

Com o amadurecimento dessa infraestrutura, porém, surgiu um paradoxo. Nunca houve tanta informação disponível e, ainda assim, muitas decisões continuam sendo tomadas com base em percepções individuais, experiências passadas ou leituras superficiais de indicadores.

O problema não é a falta de dados. É a incapacidade de transformá-los em decisões de negócio.

Para que informações analíticas se tornem úteis, é preciso interpretá-las dentro do contexto do negócio e transformá-las em insights capazes de orientar escolhas estratégicas. É justamente nesse ponto que a data literacy, ou alfabetização em dados, deixa de ser uma competência técnica restrita a especialistas e passa a ocupar um papel central na estratégia das empresas.


O desafio de transformar dados em decisões

Data literacy é, essencialmente, a capacidade de compreender, interpretar e comunicar informações de maneira significativa. Vai muito além de acompanhar dashboards ou indicadores. Envolve a compreensão de como os dados foram produzidos, quais fatores influenciam seus resultados e quais perguntas precisam ser feitas para extrair valor real das análises.

Quando bem interpretadas, essas informações ajudam a identificar oportunidades, otimizar processos e antecipar movimentos do mercado. Isso se reflete diretamente em eficiência operacional, redução de custos e maior capacidade de resposta às mudanças do ambiente competitivo.

Quando analisadas de forma superficial, podem levar a conclusões equivocadas e decisões mal direcionadas.

Esse desafio se torna ainda mais evidente em um ambiente em que o volume de dados cresce de forma exponencial. Dashboards, relatórios e métricas se multiplicam dentro das organizações, mas a capacidade de transformar essa abundância em conhecimento aplicável ao negócio nem sempre evolui no mesmo ritmo.

Por isso, a data literacy vem se consolidando como prioridade para empresas que desejam se tornar, de fato, orientadas por dados. Para extrair valor real de iniciativas de analytics e inteligência artificial, é fundamental garantir que a capacidade de interpretar informações esteja disseminada por toda a empresa — e não restrita a um pequeno grupo de especialistas.

Na prática, isso significa transformar dados em uma linguagem comum dentro das empresas. Profissionais de diferentes áreas passam a utilizar indicadores não apenas para acompanhar resultados, mas para formular hipóteses, questionar premissas e orientar decisões com base em evidências.


Como desenvolver data literacy nas organizações

Para que a data literacy se torne parte da cultura corporativa, muitas empresas têm investido em programas estruturados de desenvolvimento de competências analíticas. Mais do que adotar novas ferramentas ou ampliar o acesso a dashboards, o desafio é preparar as equipes para compreender e utilizar informações de forma consistente no dia a dia das decisões.

Isso envolve iniciativas como trilhas de capacitação voltadas à interpretação de indicadores, disseminação de boas práticas analíticas e estímulo constante ao uso de evidências na tomada de decisão. À medida que essas habilidades se disseminam entre profissionais de diferentes áreas, as organizações ampliam sua capacidade de identificar oportunidades, responder com agilidade às mudanças do mercado e extrair valor de suas iniciativas de analytics.

Esse movimento ganha ainda mais relevância diante do avanço recente da inteligência artificial. A IA amplia significativamente a capacidade de análise, mas também expõe, de forma ainda mais evidente, o gap entre gerar insights e tomar decisões com base neles.

Modelos analíticos e sistemas preditivos já conseguem identificar padrões e gerar análises em uma escala e velocidade que seriam impossíveis há poucos anos. Mesmo assim, transformar essas análises em decisões relevantes continua sendo um desafio humano.

Na prática, vemos que as organizações que conseguem avançar nesse modelo são aquelas que integram dados, tecnologia e processos de decisão de forma estruturada, conectando analytics diretamente aos objetivos do negócio.

Com a evolução da tecnologia, fica cada vez mais evidente que o diferencial competitivo não está apenas na sofisticação das plataformas ou no volume de dados disponível. Ele está na capacidade das equipes de interpretar informações, formular as perguntas certas e conectar as análises ao contexto do negócio.

No cenário atual, a vantagem competitiva já não está em ter acesso aos dados, mas em saber o que fazer com eles, no momento certo.

  

Filipe Cotait - CEO da Stefanini Data & Analytics.


Para cada mãe, um parque: destinos pelo Brasil viram alternativa de presente

Os parques podem oferecer experiências memoráveis de bem-estar, descanso e conexão com a natureza, além de fortalecer vínculos entre mães e filhos

 

No Dia das Mães, celebrado em 10 de maio em 2026, flores, perfumes e cosméticos são presentes bem populares. Mas uma tendência tem ganhado força, inclusive na hora de presentear: a busca por experiências significativas, capazes de criar memórias e promover bem-estar. Nesse contexto, a visita a um parque — natural ou urbano — surge como uma alternativa oportuna, afinal, trata-se de um presente fora do convencional, que combina lazer, autocuidado e contato direto com a natureza. 

A proposta pode ser transformar o Dia das Mães — ou qualquer outra data — em uma oportunidade para estar ao ar livre, em meio a trilhas, áreas verdes, lagos, mirantes ou espaços de convivência, por exemplo. Mais do que um passeio, a visita a um parque se apresenta como uma forma de reconexão — consigo mesma, com a família e com o ambiente natural. 

Uma pesquisa do Semeia revela que o contato e a contemplação da natureza estão entre os principais motivos que levam as pessoas para os parques, junto ao desejo de apresentar esses ambientes para filhos e filhas, o que reforça o papel desses espaços como ambientes ricos em qualidade de vida.

"Aproveitar o Dia das Mães para conhecer um parque pode ser um presente cheio de cuidado e memória, também capaz de despertar o desejo nas pessoas por novas visitas.”, afirma Bárbara Matos, gerente de estruturação e gestão de parcerias em parques do Instituto Semeia — organização que atua para incentivar a visitação nos Parques do Brasil, fortalecer a gestão dessas unidades e apoiar o desenvolvimento socioeconômico das regiões onde estão inseridas.
 

Onde visitar? Parques para diferentes perfis de mães

Seja para relaxar, se aventurar ou contemplar a natureza, os Parques do Brasil oferecem experiências para todos os perfis de mães. Confira algumas sugestões:
 

Para as mães que querem relaxar — ideais para quem busca tranquilidade e opções com infraestrutura urbana.

Esses parques também são ótimas opções para as mães que querem passear com seus filhos. Eles possuem playgrounds e boa estrutura para os pequenos.
 

Para mães aventureiras (e famílias cheias de energia) experiências com mais adrenalina e atividades ao ar livre.

  • Parque Estadual do Utinga (Belém, PA)
    Além das trilhas e ciclovias, o parque oferece atividades como tirolesa e caiaque. Entrada gratuita, funcionamento de terça a domingo (das 6h às 17h). Possui opções de alimentação dentro de suas instalações.


Para mães contemplativas (que adoram apreciar uma vista de perder o fôlego) — ambientes ideais para desacelerar e apreciar a natureza.

  • Parque Nacional do Itatiaia (Itatiaia, RJ)
    O mais antigo parque nacional do Brasil oferece trilhas, cachoeiras e áreas de contemplação. Entrada paga em algumas áreas, com funcionamento diário (a Parte Baixa abre de terça a domingo, das 8h às 17h, enquanto a Parte Alta funciona diariamente, das 7h às 18h). Há centros de visitantes e serviços básicos.
  • Parque Estadual do Ibitipoca (Lima Duarte, MG)
    Conhecido por suas paisagens e trilhas cênicas, é ideal para quem busca tranquilidade. Entrada controlada e paga, com agendamento prévio (Terça a Domingo - o horário de funcionamento é das 7h às 17h). Estrutura simples, com apoio no entorno.


Para mães curiosas (que gostam de histórias e cultura) parques que unem natureza e narrativas marcantes.

  • Parque Nacional do Iguaçu (Foz do Iguaçu, PR)
    Além das famosas cataratas, o parque abriga histórias e lendas da região. Entrada paga, abre diariamente às 9h e fecha às 16h. Conta com excelente infraestrutura – com algumas opções de restaurantes e transporte interno.
  • Parque Nacional de Sete Cidades (Piracuruca, PI)
    Possui formações rochosas cercadas de mistérios e inscrições que despertam a imaginação dos visitantes. Funciona diariamente, geralmente das 8h às 17h, com entrada gratuita. Conta com centro de visitantes, mas a oferta de serviços dentro do parque, como restaurante, ainda é limitada e está em processo de aprimoramento.

Bônus: para mães que querem experiências únicas na natureza — vivências que fogem do comum e criam memórias inesquecíveis.

  • Parque Nacional Marinho dos Abrolhos (Caravelas, BA)
    Um dos melhores pontos do país para observação da vida marinha, incluindo tartarugas e baleias. O acesso é feito exclusivamente por embarcação, com visitação guiada, funcionando diariamente das 8h às 18h. Mergulhos e passeios exigem agendamento prévio com operadoras de turismo. É recomendado levar água, lanches leves e protetor solar.

“A experiência de visitar um parque no Brasil é extraordinária, esses locais guardam além de uma natureza exuberante, histórias incríveis. São mais de 600 parques no nosso território, entre naturais e urbanos, sendo que os parques aqui listados são exemplos para aguçar o interesse. Com certeza, tem um parque para cada um desses perfis perto de você. Vale muito a pena a experiência”, completa Bárbara. 



Instituto Semeia
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