Compositores e artistas devem ser remunerados por todos aqueles que utilizam música nos tradicionais festejos
As programações de festas juninas já começam a movimentar o
Brasil e, no próximo mês, diversos eventos, como quermesses, arraiás,
quadrilhas, shows e atrações musicais, serão realizados em todas as regiões do
país. Essa também é uma época do ano em que compositores e artistas se preparam
para ver suas músicas animarem esses eventos juninos. Por isso, o Ecad
(Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) lança sua campanha de
conscientização sobre o pagamento de direitos autorais para combater a
inadimplência.
Em 2024, o Ecad distribuiu um total de R$ 5,9 milhões em
direitos autorais no segmento de Festas Juninas para mais de 10,2 mil compositores
e artistas que tiverem suas músicas tocadas nos festejos juninos em todo o
país.
A expectativa, no entanto, era de alcançar um valor 50%
maior para remunerar os autores, mas, diante da inadimplência de prefeituras,
governos estaduais e promotores, que realizam grandes eventos de São João em
todo o país, o Ecad enfrenta dificuldades para arrecadar os valores que seriam
devidos à classe artística.
“A tradição junina no país é enorme e a música é fundamental
para o sucesso de todos os eventos. Infelizmente ainda enfrentamos resistência
por parte de organizadores de eventos das iniciativas pública e privada que
insistem em se manter inadimplentes e desrespeitar a legislação brasileira.
Todos os anos, intensificamos nossa campanha de conscientização para ampliar as
informações sobre o pagamento dos direitos autorais e a importância de
reconhecer o trabalho dos compositores e artistas”, afirma Isabel Amorim,
superintendente executiva do Ecad, referindo-se à Lei dos Direitos Autorais
(9.610/98).
Inadimplência no país
A inadimplência em Festas Juninas é uma questão que se
repete há, pelo menos, 20 anos e isso ocorre, principalmente, no Norte e
Nordeste. O Ecad fez um levantamento com top 10 dos estados e municípios mais
inadimplentes neste segmento, considerando os últimos três anos de realização
deste tipo de eventos no país. A Bahia lidera o ranking por estados, seguida
por Pernambuco e São Paulo.
No caso dos municípios inadimplentes no país, muitas
Prefeituras continuam sem pagar o licenciamento das festas, como Petrolina (PE)
e Campina Grande (PB).
Bons exemplos
Apesar do cenário de inadimplência, diversas festas juninas
em todo o Brasil vêm demonstrando que é possível conciliar celebração e
responsabilidade legal. Eventos tradicionais estão em dia com os direitos
autorais e fizeram o licenciamento no último ano, reforçando que a legislação
deve e pode ser respeitada.
Entre eles estão São João de Caruaru (PE), Forró Caju (SE),
Arraiá de Barueri (SP), Pararraiá – São João da Amazônia (PA), o Arraiá de
Itumbiara (GO) e o Maior São João do Cerrado (DF).
“Esses exemplos positivos mostram que o cumprimento da lei é possível e necessário. Diversas prefeituras insistem em alegar que seus eventos são gratuitos e não seriam obrigados a fazer o licenciamento, mas essa questão já está ultrapassada e a legislação garante que a cobrança é um direito dos compositores. O pagamento de direitos autorais é um reconhecimento ao trabalho intelectual e criativo de milhares de profissionais que nos encantam com suas criações”, ressalta Isabel Amorim.
Top 10 estados inadimplentes no pagamento dos
direitos autorais de execução pública musical em Festas Juninas
|
Posição |
UF |
|
1 |
BA |
|
2 |
PE |
|
3 |
SP |
|
4 |
RN |
|
5 |
PB |
|
6 |
AM |
|
7 |
AL |
|
8 |
RJ |
|
9 |
PA |
|
10 |
GO |
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