O receio é reflexo de uma cultura
corporativa que associa sucesso à permanência e não à adaptabilidade ou
movimento estratégico de carreira, diz especialista em RH
A verdade é que o medo existe
Envato
Embora o recurso “Open to Work”, criado pelo LinkedIn em 2020,
tenha como proposta facilitar conexões entre profissionais em transição de
carreira e recrutadores, muitas pessoas ainda sentem um certo desconforto em
ativá-lo publicamente. Há quem tema que a exposição com a moldura verde ao
redor da foto de perfil seja vista como um sinal de fragilidade, desespero ou
até mesmo de incompetência. Mas será que esse receio tem fundamento?
A verdade é que o medo existe — e é legítimo —, mas nem sempre se justifica. Dados da própria plataforma mostram que profissionais que usam o selo publicamente têm 40% mais chances de receber mensagens de recrutadores e 20% mais chances de respostas da comunidade. Mesmo assim, o estigma de parecer “em baixa” ainda pesa para muita gente.
“Ainda existe uma ideia equivocada no mercado de que o profissional que se mostra disponível é menos valorizado do que aquele que está empregado. Isso é reflexo de uma cultura corporativa que associa sucesso à permanência e não à adaptabilidade ou movimento estratégico de carreira”, analisa Luciane Conrado, especialista em Recursos Humanos e CEO da TalentSphere.
Segundo ela, não há nada de pejorativo em se posicionar como alguém aberto a novas oportunidades. Muito pelo contrário. A iniciativa demonstra clareza de objetivos, transparência e disposição para crescer profissionalmente. Expor a disponibilidade ou procura através do selo é usar um recurso visual da rede social, e não faz ninguém ser menos competente.
“O selo não diminui ninguém. Buscar uma recolocação ou novos desafios não é um ato de desespero, é uma atitude proativa. É importante ressignificar esse olhar para que as pessoas se sintam seguras em utilizar os recursos disponíveis a seu favor. Pode, inclusive, fazer com que as conexões façam indicações a novas oportunidades”, destaca Luciane.
Além da opção pública, o LinkedIn também permite que o sinal de
interesse por novas vagas fique visível apenas para recrutadores, o que é uma
alternativa para quem busca descrição. Mas independente da escolha, o que
realmente faz diferença é o posicionamento coerente e estratégico dentro da
rede. “Mais importante do que usar ou não o selo é saber como se mostrar para o
mercado. O LinkedIn é uma vitrine. Tudo o que você posta ali comunica algo,
inclusive sua confiança e autoestima profissional”, completa a especialista.
No fim das contas, ativar o “Open to Work” não faz ninguém parecer
menos competente. Ao contrário: pode ser o primeiro passo para atrair
oportunidades que, sem essa sinalização, sequer saberiam da sua
disponibilidade. Usar o recurso com inteligência e sem medo é, na maioria das
vezes, um diferencial, e não uma fraqueza.
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