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sábado, 10 de maio de 2025

Feng Shui no quarto do bebê: saiba como aplicar

As arquitetas Bel e Tef ensinam como criar um ambiente seguro, aconchegante e energeticamente saudável, beneficiando toda a família.

Quando um bebê chega, cada cantinho do lar passa a ter um novo significado. No Feng Shui – técnica milenar chinesa de harmonização dos ambientes – projetar o quarto infantil envolve muito mais do que escolher cores delicadas e móveis fofos. Para as arquitetas Belisa Mitsuse (Bel) e Estefânia Gamez (Tef), sócias do BTliê Arquitetura, um ambiente pensado de forma consciente pode influenciar diretamente no sono, no bem-estar emocional e até no desenvolvimento cognitivo da criança.

Segundo Bel, “o quarto de bebê é o primeiro universo que a criança conhece. Um espaço equilibrado traz paz para o sono e protege a energia vital do pequeno”. Tef complementa: “Ao planejar, levamos em conta não só o bebê, mas também a mãe — em fase de fragilidade hormonal — e a família, que precisa circular com conforto e tranquilidade.” 

Freepik


Materiais e layout que acolhem 

No Feng Shui, cada escolha de material e cada centímetro livre contam. “Evite berços de metal”, orienta Tef. “O metal conduz a energia e pode deixar o bebê mais agitado. Prefira móveis em madeira ou revestidos em tecido, que agem como isolantes e promovem aconchego.” Bel reforça a importância de uma cabeceira fechada no berço: “Ela funciona como um escudo protetor para a cabeça do bebê, criando um ponto de descanso seguro.” 

Ainda de acordo com as sócias, o layout deve favorecer a circulação. Sugere-se deixar pelo menos 80 cm de passagem ao redor do berço e do trocador, evitando corredores estreitos e móveis excessivamente grandes. “Quando a mobília bloqueia o fluxo, a energia fica estagnada — e isso se reflete em noites mal dormidas e irritabilidade”, explica Bel.

E nada de colocar o berço em frente à porta do quarto. De acordo com as especialistas em Feng Shui, essa é uma posição que pode afetar a saúde do bebê. “Uma das primeiras coisas que consideramos em um projeto de quarto infantil é a posição do berço. E o local menos indicado é em frente à porta, pois o fluxo do “Chi” (a energia vital, segundo os chineses) vai direto para o bercinho, e essa intensidade pode prejudicar a saúde da criança”, alerta Bel.

 

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Detalhes que fazem a diferença

 

Quando o assunto é decoração, a atenção deve ser redobrada. Pequenos itens decorativos podem gerar “setas invisíveis” — quinas pontiagudas que sinalizam perigo ao cérebro, elevando o estresse. Tef recomenda arredondar cantos de cômodas e armários ou afastá-los do berço e da poltrona de amamentação. “Uma quina seca apontada para quem passa horas em um mesmo lugar mantém a mente em alerta, mesmo que inconscientemente”, afirma a arquiteta. 

Da mesma forma, não é recomendado pelo Feng Shui instalar prateleiras e nichos acima do berço. “Esse é um importante ponto de atenção. Além de representar um risco real de queda, tanto da prateleira quanto dos objetos que ficam nela, a posição desses elementos pode causar uma sensação de ameaça e insegurança ao bebê, atrapalhando o seu sono e desenvolvimento”, avisa Tef. 

Móbiles e babás eletrônicas também exigem atenção: pendurá-los diretamente sobre o bercinho pode criar bloqueios de energia e dificultar o manuseio prático. “Posicione esses acessórios fora da linha direta de visão do bebê e em locais de fácil alcance para os pais”, sugere Bel.

A proteção contra mosquitos e a segurança em janelas, muitas vezes atendida com grades e mosquiteiros, é necessária, mas pode ser suavizada. “Escolha telas translúcidas e modelos que permitam a entrada de luz natural e ventilação, minimizando o impacto na circulação da energia vital”, orienta Tef. 

A iluminação natural é considerada um dos principais aliados: posicionar o berço de modo a receber a luz do sol da manhã, mas sem incidência direta, ajuda a regular o ritmo circadiano da criança. À noite, luminárias com luz quente e difusa garantem um ambiente acolhedor e propício ao relaxamento.

Por fim, a cor e a textura das paredes e dos tecidos completam o equilíbrio. Tons suaves de terra e madeira evocam elementos naturais, enquanto tapetes e cortinas limpas evitam acúmulo de poeira e facilitam a renovação do ar. “Cada detalhe do projeto — do material do berço ao posicionamento das janelas — reflete na harmonia e no conforto de toda a família”, finaliza Bel. 

 

Bel e Tef: Belisa Mitsuse (Bel) e Estefânia Gamez (Tef) são arquitetas formadas pela FAU Mackenzie que encontraram, na união entre técnica e espiritualidade, uma maneira inovadora de atuar no mercado. A amizade profissional das duas começou em um escritório de arquitetura, onde trabalharam lado a lado, e se transformou em uma parceria que culminou na criação do BTliê Arquitetura, em 2014. Inspiradas por sua ascendência japonesa e com uma curiosidade latente pela cultura oriental, Bel e Tef mergulharam no universo do Feng Shui, integrando seus conceitos aos fundamentos sólidos da arquitetura. Esse diferencial permitiu que a dupla desmistificasse práticas supersticiosas e trouxesse uma abordagem prática e transformadora para o mercado brasileiro, rompendo com a visão cética tradicional. Além dos projetos personalizados, voltados para promover harmonia e bem-estar, as sócias expandiram sua atuação com a criação do curso Projetando com Feng Shui, a primeira formação reconhecida pelo MEC nessa área. Com ele, impactaram não apenas a vida dos clientes, mas também a carreira de outros arquitetos e designers que buscam integrar propósito e técnica em seus projetos.



Ser mãe: os desafios humanos de um amor divino


A história da salvação começou a partir do sim de uma mulher. Na minha experiência pessoal, a maternidade é um ponto de virada fundamental. O meu “sim” à vida é celebrado a todo o tempo, em cada instante ao lado dos meus dois filhos. Tenho o privilégio de vê-los crescer com saúde e acompanhar suas particularidades, apreciando a beleza que a intensidade materna proporciona.

 

Eu diria que o maior encanto está nos pequenos e mais simples detalhes do dia a dia, como quando nos abraçamos de pijama toda a manhã, no momento em que sorrimos a cada nova descoberta ou na cabecinha que se ajeita no meu colo durante uma soneca.

 

Tudo faz parte de uma rotina intensa e amorosa, o que não quer dizer que a maternidade não possua desafios. Sim, eles existem e são muitos. Já na gestação, a mulher é chamada a abrir mão de si em prol daquele ser humano que se desenvolve a cada dia no seu ventre. Após o nascimento, as adversidades permanecem na rotina da mãe, que, normalmente, se empenha em fazer tudo com zelo e carinho.

 

No segundo domingo de maio, o dom da maternidade é exaltado. A data teve início no século XX, nos Estados Unidos, quando o Dia das Mães foi estabelecido como conhecemos hoje. Todos os anos, o comércio se apropria da data, que é considerada a segunda mais importante para o varejo brasileiro. A grande maioria das mães recebe um mimo e retribui com um sorriso. Mas muitas ainda escondem o cansaço da privação do sono, das inquietações emocionais e das incertezas de quem é responsável, às vezes, sozinha, por outro ser humano.

 

Por tudo isso, o dia em que as mães são celebradas não pode ser como qualquer outro. A data também pode ser motivo de reflexão, tanto para quem assiste a maternidade alheia, quanto para quem participa deste dom ou para as mulheres que assumiram a tarefa de ser colo e abrigo.

 

Nesta sinuosa estrada estão as mães que permanecem em casa, dedicando-se aos cuidados dos filhos e da família, e aquelas que conciliam casa e trabalho. Em ambos os casos, há desafios e percalços. Em muitas trajetórias Brasil afora, sobram demandas e falta ajuda. Algumas mães até diriam: “há muitos pratinhos para equilibrar”. E há mesmo!

 

Eu, particularmente, faço parte do segundo time e sei o quanto a rotina é exigente, por vezes, cansativa. Tenho aprendido a lidar com a culpa, admitindo que nem tudo pode ser feito, e está tudo certo. O importante é fazer o melhor e ser inteiro em tudo o que se propõe.

 

Para tratar o peso com leveza, é preciso mais que uma boa saúde mental ou até mesmo rede de apoio. Para vivenciar um dom celeste, é necessário ter fé! Não é por acaso que Deus nos fez capazes de gerar, seja no ventre ou no coração.

 

Voltando à história da Salvação, é importante destacar que Ele escolheu uma mulher para cuidar do Seu filho, e Ela, concebida sem pecado, está pronta a interceder por todas nós, e pelo nosso maternar.

 

A verdade é que não é fácil, mas é divino. E por tudo isso, é a melhor e mais sublime experiência da vida. Se me perguntarem, não hesito em responder: ser mãe é o que me preenche. Não há lacunas quando estou ao lado deles. Em tudo, há amor. Seja no sorriso do meu caçula de dez meses, ou no “eu te amo” do meu pequeno de três aninhos. Com eles, sem dúvidas, sou minha melhor versão. E, graças a eles, sou resgatada de tudo aquilo que me impede de ser uma boa mãe. É que este tipo de amor, tudo pode curar e transformar.

 

O mundo vai celebrar o Dia das Mães, e a gente merece!


 

 

Fernanda Ribeiro - repórter do Telejornal Canção Nova Notícias.

 

"Todo mundo tem um sonho buzinado"

Como disse certa vez a atriz Denise Fraga, todo mundo tem um sonho buzinado. Você lembra qual é o seu? Chacrinha, até a década de 80, buzinava no show de calouros para sinalizar que um candidato estava eliminado. Assim, o sonho de cantar na TV e virar uma estrela se acabava diante de uma buzina.  

Ao longo da vida, todos se deparam com buzinas; o “não” para um sonho. É certo que alguns mais, em decorrência de questões sociais e raciais, por exemplo. Mas a buzina toca um dia para todo mundo. Lidar com frustrações é inerente à vida, e é necessário lidar com elas desde a infância, ainda que alguns pais tentem conter essa experiência para os filhos. 

“Se os pais não souberem fazer as crianças lidarem com esse sentimento, com certeza a frustração será maior, o que pode transformá-las em adultos que não conseguem receber um ‘não’ como resposta”, afirma a professora, doutoranda em Educação e coordenadora do curso de Pedagogia da Estácio Interlagos (SP), Fernanda Arantes.  

Um amor não correspondido, uma viagem planejada por meses que vira um grande perrengue, um curso tão desejado, mas que se revela uma furada, aquela casa ou aquele carro que você não conseguiu comprar, aquele concurso que você não passou ou simplesmente não te chamaram.  

Há também quem passe a vida toda fazendo planos de uma velhice tranquila, mas que quando chega lá descobre que precisa continuar trabalhando, ou que a saúde não lhe permite usufruir daquilo que construiu. E quando isso acontece no momento que se entende que já não há mais tanto tempo, o que fazer? Será que vale adotar como estratégia para evitar frustrações não sonhar mais?  

Sonhar pode ser a última coisa que nos reste. Aquilo que irá nos entreter na solidão, fazer sorrir com as visitas na sala da UTI, ou mesmo com os funcionários da limpeza do hospital. O que vai nos trazer esperança e talvez até alguma paz mesmo nos momentos mais difíceis. Por isso, sonhe. Mesmo que a buzina toque, "é um barato o cassino do Chacrinha". 

 


Thiago Prado - escritor, artista visual, cineasta e escritor. Na mais recente publicação “Que será, será”, ele aborda o ser e o sentir no mundo contemporâneo.


"O sábio nada faz, e ainda assim tudo é feito"


(Reflexão sobre o Tao Te Ching)

   

Essa frase já me irritou muito.

Porque ela parece dizer o oposto do que me ensinaram a vida inteira: que é preciso fazer, correr, resolver, controlar. Que se você não estiver puxando as rédeas, tudo desmorona.

E então vem esse Tao milenar, com seu ar enigmático, e solta essa: o sábio nada faz, e ainda assim tudo é feito.

Como assim?
Faz nada?
E os boletão pra pagar?
E os filhos, os projetos, a bagunça da vida?

Mas aí, num dia qualquer, depois de bater a cabeça mais uma vez na parede do controle, essa frase começa a fazer sentido.
E não como alívio — mas como desmonte.

Porque você percebe que fazer tudo não é o mesmo que realizar.
E que a ação que mais pesa nem sempre é a que mais transforma.

O sábio não é inerte.
Ele só não interfere no fluxo daquilo que já está em movimento natural.

Ele observa.
Sente.
Age quando é hora.
Mas, acima de tudo, não atrapalha.

Não empurra rio.
Não força flor a abrir antes da hora.
Não tenta transformar cada pequeno desconforto em tarefa, projeto, plano de ação.

Ele não faz... no sentido de fabricar o inevitável.

E ainda assim... tudo acontece.

O que o Tao chama de “não fazer” não é passividade.
É confiança.

Confiança de que há uma inteligência maior do que o seu esforço.
Confiança de que o mundo não depende da sua hiperatividade para continuar girando.
Confiança de que algumas coisas se resolvem melhor quando você sai da frente.

É um fazer que não vem do medo.
É um fazer sem tensão.
Sem prova.
Sem luta contra o que é.

E isso é o mais difícil de aprender.

Porque a gente cresceu acreditando que descansar é fracassar.
Que se você não estiver se esforçando até quase quebrar, então não está fazendo o suficiente.
E, por dentro, uma voz sussurra:
se eu parar, tudo desmorona.

Mas o sábio... para.
E observa.
E espera.
E age apenas no exato momento em que o mundo pede sua ação — nem antes, nem depois.

Essa é a diferença.

Enquanto o tolo age por desespero, o sábio age por alinhamento.
Enquanto o mundo grita “faça mais!”, ele pergunta: isso precisa mesmo ser feito agora? Por mim? Desse jeito?

E muitas vezes, a resposta é não.
E ele deixa passar.

E o mundo, veja só...
continua se fazendo.

Talvez essa frase do Tao não seja um mandamento, mas um lembrete.

De que a vida tem um ritmo que não depende da nossa pressa.
De que nem tudo precisa de controle.
E de que o nosso valor não está na quantidade de coisas que fazemos — mas na qualidade da presença que colocamos em cada coisa.

O sábio não se ausenta do mundo.
Ele só não briga com ele.

E nesse “não fazer”, há uma ação mais profunda acontecendo:
a de deixar a vida fazer o que ela sabe fazer —
sem a nossa interferência neurótica, sem a nossa ansiedade de provar algo, sem o nosso medo de não ser suficiente.

Talvez o “nada fazer” seja, no fim,
o ato mais difícil e mais revolucionário de todos.

Porque ele exige fé.
E presença.
E coragem de confiar que a vida se move — mesmo quando você não empurra.

Agora me diz, com sinceridade:
o que você tem feito que, na verdade, só está atrapalhando?

Eita.

 

 

Com amor,
Paula 
 

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Relações sociais e familiares sob o olhar sistêmico: um convite à cura

Vivemos cercados de relações e elas não existem no vazio. Desde o momento em que nascemos, somos inseridos em um sistema familiar onde os primeiros vínculos moldam não apenas a nossa forma de estar no mundo, mas também o nosso modo de sentir, reagir e nos conectar com o outro. Com o passar do tempo, esse campo de vínculos se amplia: amigos, parceiros, colegas de trabalho, vizinhos. Todos fazem parte de um emaranhado que, mesmo sem percebermos, está interligado.

Segundo o conceito de “sistema”, cada família é um sistema onde cada membro ocupa um lugar específico e desempenha um papel importante. Os conflitos ou traumas de um único indivíduo podem reverberar por todo o sistema. Por exemplo, uma exclusão ou até uma perda mal resolvida dentro de uma família pode gerar comportamentos ou bloqueios em outras gerações, o que chamamos de emaranhado sistêmico. E, muitas vezes, a manifestação de dificuldades, doenças e/ou relacionamentos disfuncionais veem de problemas ocultos no inconsciente do sistema.

Compreender o sistema, significa entender que não somos seres isolados, mas profundamente conectados às nossas famílias, grupos e à história que os compõe. Ao reconhecer essas influências, podemos trazer clareza e abrir caminho para novas soluções na vida pessoal e coletiva.

A abordagem sistêmica é importante porque nos convida a olhar para essas relações compreendendo que ninguém está isolado e que todo comportamento carrega uma história, uma origem — muitas vezes marcada por feridas emocionais e padrões que se repetem de geração em geração.

Sob a perspectiva sistêmica, quando nos deparamos com conflitos persistentes em nossas relações — sejam familiares ou sociais — é comum que, por trás do incômodo, existam histórias mal resolvidas, sentimentos não expressos, segredos familiares ou papéis inconscientemente assumidos dentro do sistema.

Padrões repetitivos, por exemplo, são um dos sinais mais visíveis dessa herança invisível. É aquela sensação de estar vivendo o “mesmo problema” com diferentes pessoas, ou de atrair sempre os mesmos tipos de relacionamentos. Esses ciclos, muitas vezes, têm raízes em lealdades inconscientes ao nosso sistema familiar — como se, ao repetir a dor dos nossos pais ou avós, estivéssemos pertencendo, honrando ou tentando, de alguma forma, consertar o passado.

As feridas emocionais que carregamos — como rejeição, abandono, traição, injustiça ou humilhação — também moldam a forma como nos relacionamos. Elas se tornam lentes que distorcem a realidade: um simples gesto de alguém pode acionar memórias antigas, fazendo-nos reagir com intensidade desproporcional. Muitas vezes não estamos apenas respondendo ao presente, mas revivendo dores do passado.

Ao trazer consciência para essas dinâmicas, começamos a abrir espaço para a cura. O processo terapêutico sistêmico não busca culpados, mas sim elucidação, compreensão e reconexão. Quando compreendemos o lugar de cada um no sistema, quando acolhemos nossas dores e as dos nossos ancestrais, permitimos que o amor, muitas vezes encoberto por mágoas e repetições, volte a fluir.

Cuidar das relações é cuidar de si mesmo. Através do olhar sistêmico, somos convidados a sair do papel de vítimas das circunstâncias e, no papel de adultos, assumir a responsabilidade por nossa história com mais amorosidade e maturidade. Curar as feridas emocionais não é apagar o que foi vivido, mas reconhecer e dar um novo significado às experiências, acolhendo a dor com respeito e escolhendo caminhos diferentes.

Quando um membro do sistema inicia seu processo de cura, ele também influencia os demais. É como se, ao curar uma parte, todo o organismo se reorganizasse. No fundo, todo o nosso desejo por pertencimento, amor e reconhecimento pode ser acolhido com mais consciência quando entendemos que não estamos sozinhos — fazemos parte de algo maior, um sistema de relações. E é nesse todo que, pouco a pouco, podemos encontrar cura, reprogramar nossas emoções e viver conexões mais plenas em nossa vida. 



Camila Ribeiro - psicanalista, terapeuta comportamental, mentora de mulheres e fundadora da Clareia Desenvolvimento Humano
@camiribeirok
@clareia.dh


"Feminicídio: um sintoma social"

Com o aumento de casos no Rio Grande do Sul e em todo o Brasil, confira o que a psicanálise pode contribuir sobre este assunto. Psicanalista afirma que o feminicídio vai além da violência física: revela uma crise simbólica profunda nas relações entre os gêneros.

 

O Brasil registrou 1.450 feminicídios em 2024, o maior número desde a tipificação do crime em 2015, com uma mulher assassinada a cada 6 horas — geralmente por companheiros ou ex-companheiros. No Rio Grande do Sul, 72 mulheres foram vítimas desse tipo de crime no ano passado e, até 31 de março de 2025, já se somavam 17 feminicídiosApenas no feriado da Páscoa, que foi em abril, 10 foram cometidos em 9 cidades do estado. Os dados escancaram uma ferida coletiva que vai além da violência física: eles revelam o colapso da capacidade de simbolização e elaboração do sujeito.

Segundo a psicanalista Camila Camaratta, essa capacidade de elaboração é o que nos permite transformar impulsos em palavras, conflitos em negociação, desejo em diálogo. “Quando essa capacidade falha, o sujeito age — age para destruir, calar, eliminar aquilo que não consegue elaborar. O feminicídio é justamente isso: uma passagem ao ato que denuncia uma falência profunda na possibilidade de lidar com o outro”, explica.

Para além das estatísticas, o feminicídio é um sintoma social — uma expressão violenta e desesperada diante do colapso de estruturas simbólicas que, até então, sustentavam os papéis de gênero e os modos de se relacionar. “É mais que um dado criminal. É um fenômeno psíquico, histórico e cultural que expõe o desamparo do sujeito frente à perda de referências sobre o que é ser homem, o que é ser mulher e como coexistir com o desejo do outro”, pontua Camaratta.

Desde Sigmund Freud, a psicanálise entende que a civilização opera como um freio às pulsões destrutivas. Mas quando as instituições — como a família, a escola, a cultura — falham em oferecer contornos simbólicos, essas pulsões encontram vazão. “A destrutividade e o ódio não são uma falha de caráter, é parte do que nos constitui humanos. O que nos civiliza é a capacidade de simbolizar e conter esses impulsos. Sem isso, sobra o ato bruto”, diz a psicanalista.


Por que tantos homens estão matando mulheres?

A pergunta que assombra famílias e atravessa os noticiários ganha contornos ainda mais densos quando observada sob a lente da psicanálise e das estatísticas globais. Segundo a ONU Mulheres, quase 89 mil mulheres foram mortas de forma intencional em 2022 no mundo, e cerca de 60% desses crimes ocorreram dentro de casa, pelas mãos de parceiros íntimos ou familiares.

Entre os principais fatores apontados por organizações internacionais como a OMS e o United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC, Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime) estão: normas patriarcais enraizadas, sentimento de posse, ciúme patológico, histórico de violência na infância, falhas institucionais na prevenção e uma cultura que ainda tolera agressões masculinas como forma de reação.

Camaratta observa que, em muitos casos, o homem que mata tenta desesperadamente reaver um senso de controle e posse do que perdeu. “É como se o sujeito dissesse: ‘não suporto que o outro exista sem ser meu’. Quando falta a capacidade de elaboração da perda do ser amado, falta também a mediação. O impulso vira ação sem filtro, e o feminino vira ameaça concreta a ser eliminada.”Essa lógica é sustentada por discursos propagados por comunidades em diversas plataformas online — como os incels, redpill e grupos como os “legendários” — que reforçam a ideia de que a mulher deve pertencer ou obedecer ao homem, negando-lhe o direito à autonomia.

Ela acrescenta que a rigidez das imagens de masculinidade — ligadas ao poder, controle e honra — contribui para que homens experimentem a autonomia feminina como afronta. “Essa construção ideológica produz sujeitos vulneráveis à angústia do abandono, da frustração, do não saber lidar com o desejo do outro. Ao invés de elaborar o luto pelo desenlace, eles agem.” Muitos desses homens ainda veem as mulheres como extensão de sua propriedade — um reflexo de valores patriarcais que associam a posse à identidade masculina.

Além disso, fatores psíquicos individuais se somam a esse contexto. O uso nocivo de álcool, traços de personalidade antissocial e histórico de vínculos primários que não transmitiram a confiança básica necessária, compõem o cenário de risco. Embora esses fatores possam influenciar o comportamento, nem a bebida, nem o uso de drogas isentam a pena ou a agravam judicialmente. “É uma bomba-relógio que estoura quando nenhuma instância simbólica — nem social, nem afetiva, nem psíquica — funciona como barreira”, diz Camaratta. Os homicídios cometidos sob violenta emoção podem ter a pena reduzida. Embora o ciúme não seja reconhecido como violenta emoção, também não é considerado motivo fútil. Como esses casos vão a júri popular, o preconceito contra mulheres ainda pesa nas decisões. Somente recentemente o STF vetou o uso da "legítima defesa da honra" — argumento que, por muito tempo, levou muitos acusados à absolvição.

A contribuição do pediatra e psicanalista Donald Winnicott também ilumina essa questão. Segundo ele, quando o ambiente falha — especialmente nos primeiros vínculos afetivos — o sujeito pode não desenvolver recursos psíquicos para suportar frustrações. Em um mundo em que vínculos estão cada vez mais frágeis e afetos são mal elaborados, o outro vira ameaça, não companhia. “O feminicídio, então, surge como um gesto radical para reestabelecer um suposto controle que na verdade nunca existiu”, analisa Camaratta.

A historiadora e psicanalista Élisabeth Roudinesco, por sua vez, relaciona essa violência ao vazio simbólico deixado pelo declínio do patriarcado tradicional. Em obras como A Família em Desordem e O Eu Soberano, ela aponta que a queda das estruturas de autoridade não foi acompanhada por novas formas de subjetivação. Resultado: uma geração de sujeitos desorientados, ressentidos e sem referências sólidas.

“A ausência de novas narrativas para a masculinidade gera um vazio perigoso. Sem uma resignificação simbólica, o sujeito se defende da angústia com atos concretos — como o assassinato. O feminicídio é a encenação trágica de uma subjetividade em ruínas”, interpreta Camaratta.

Ela enfatiza que a solução não está apenas no campo penal ou legislativo, embora esse seja um pilar essencial. “Precisamos criar espaços de escuta, de elaboração e ressignificação simbólica de novos sentidos. A psicanálise nos ensina que o sintoma carrega uma mensagem. Escutá-lo é o primeiro passo para mudar.”conclui a psicanalista.

Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (RASEAM 2025) confirma a gravidade do cenário nacional: além dos 1.450 feminicídios registrados, outros 2.485 homicídios dolosos de mulheres ou lesões seguidas de morte foram computados em 2024. Ainda que isso represente uma leve queda de 5,07% em relação a 2023, os números continuam altíssimos.

“O número pode cair, mas o trauma permanece. O que precisamos é uma mudança de cultura — e isso só será possível se passarmos a ver a mulher não como ameaça, mas como interlocutora legítima de um mundo mais plural, mais feminino e consequentemente menos violento”, finaliza Camaratta.



Camila Camaratta - psicóloga e psicanalista, formada em Psicologia pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Gaúcha, possui formação em Psicanálise pelo Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre (CEPdePA), onde é membro pleno. É também membro associado da Federação Latino-Americana de Associações de Psicoterapia Psicanalítica e Psicanálise (FLAPPSIP). Sócia-fundadora da Associação Piera Aulagnier, Camila atua como supervisora clínica e coordenadora de seminários.
www.camilacamaratta.com.br


Dormir no avião: R3 Viagens reúne estratégias essenciais para transformar o descanso a bordo em produtividade

Agência especializada em viagens corporativas apresenta guia com técnicas práticas, acessórios e recomendações para executivos descansarem melhor durante o voo


Viajar a trabalho envolve mais do que embarques e reuniões. Para muitos executivos, a capacidade de descansar durante o voo pode impactar diretamente a performance nos compromissos que os aguardam no destino. Pensando nisso, a R3 Viagens, uma das líderes em gestão de viagens corporativas em São Paulo, acaba de lançar um guia completo com orientações práticas para ajudar profissionais a dormir melhor no avião — mesmo em condições desafiadoras como longos voos noturnos ou deslocamentos em classe econômica.

De acordo com a agência, que atende empresas de todos os portes com soluções em viagens e eventos corporativos, dormir durante o voo não é apenas uma questão de conforto, mas uma necessidade estratégica. “O sono de qualidade em deslocamentos corporativos não pode ser deixado ao acaso. Ele afeta foco, humor e produtividade — principalmente quando o viajante precisa sair do aeroporto direto para uma reunião importante”, afirma Wilson Silva, diretor de marketing e tecnologia da R3 Viagens.

O conteúdo do guia é baseado em recomendações especializadas e experiência acumulada no atendimento a gestores de viagens e viajantes corporativos. Ele inclui desde dicas de preparação antes do embarque até técnicas de relaxamento e seleção de acessórios, como travesseiros ergonômicos, fones com cancelamento de ruído e máscaras de dormir com blackout total.

Entre os destaques do material estão:

  • Escolha estratégica do assento: lugares junto à janela oferecem menos interrupções e permitem apoiar a cabeça; assentos próximos à saída de emergência oferecem mais espaço para as pernas;
  • Roupa adequada: tecidos confortáveis e respiráveis ajudam na regulação térmica e na circulação sanguínea;
  • Alimentação inteligente: evitar cafeína e priorizar alimentos leves e ricos em triptofano favorece o relaxamento;
  • Acessórios indispensáveis: kit com máscara de dormir, travesseiro de pescoço, meias quentes e garrafa de água contribui para um descanso mais profundo;
  • Técnicas de respiração e relaxamento: práticas como a respiração 4-7-8 e o uso de sons relaxantes têm impacto direto na indução do sono;
  • Atenção ao jet lag: o guia também aborda como minimizar os efeitos do fuso horário com ajustes de rotina e exposição à luz natural no destino.

O guia é especialmente útil para empresas que buscam otimizar a experiência de seus colaboradores em trânsito, reforçando o bem-estar como parte da política de viagens. Segundo Wilson Silva, a melhor agência de viagens corporativas em São Paulo é aquela que entende que a performance começa no planejamento — e isso inclui dormir bem.

“Quando oferecemos soluções de ponta em gestão de viagens, não estamos apenas falando de logística e economia. Cuidamos da experiência de ponta a ponta, para que cada colaborador possa entregar seu melhor resultado no destino. Dormir no avião é parte dessa equação”, complementa o executivo.

A R3 Viagens destaca ainda que esse tipo de conteúdo orientativo faz parte de sua missão de educar o mercado e oferecer mais do que serviços: oferecer inteligência de viagem. O material está disponível no blog oficial da empresa e pode ser compartilhado com departamentos de RH, gestores de viagens e colaboradores que viajam com frequência.


“Profeta mirim”: o que está por trás do caso Miguel? Psicóloga aponta riscos emocionais e alerta sobre adultização precoce

Danny Silva analisa o impacto psicológico da exposição midiática de um adolescente de 14 anos e propõe caminhos terapêuticos para preservar sua saúde mental.

 

O caso do “profeta mirim” Miguel, de apenas 14 anos, repercutiu em todo o Brasil e reacendeu debates sobre religiosidade, infância, responsabilidade familiar e limites da exposição pública. Enquanto muitos discutem a postura do adolescente, a psicóloga Danny Silva chama a atenção para um ponto essencial: os riscos emocionais invisíveis por trás da fama precoce e da superexposição digital.

Segundo a especialista, o jovem não tem maturidade psicológica para lidar com tamanha visibilidade e críticas, e pode estar sofrendo impactos profundos em sua construção de identidade.

 

Consequências emocionais da fama precoce

A psicóloga Danny Silva, especialista em desenvolvimento humano e saúde emocional, vem acompanhando com preocupação a comoção em torno do jovem Miguel. Tornado conhecido nacionalmente como “profeta mirim”, o adolescente tem sido alvo de debates intensos, memes e opiniões divididas nas redes sociais — mas pouca atenção tem sido dada ao que essa experiência pode estar gerando internamente.

“Apesar dos fatos que envolveram o caso, é preciso lembrar que estamos falando de um adolescente de apenas 14 anos, que ainda não possui maturidade emocional para absorver tamanha carga de responsabilidade, elogios ou críticas”, analisa Danny Silva.

Entre os principais riscos apontados pela psicóloga estão:

  • Prejuízo ao desenvolvimento cognitivo e emocional: a ausência escolar e a dedicação exclusiva ao ministério religioso podem ter comprometido áreas essenciais de sua formação pessoal e social.
  • Distorção da autoimagem: a hiperexposição midiática, aliada a elogios desproporcionais no passado e à rejeição atual, dificulta a construção de uma identidade saudável.
  • Consequências psíquicas graves: Miguel pode enfrentar sentimentos de confusão, ansiedade, baixa autoestima, medo de ser esquecido e cristalização precoce de um papel que não deveria ocupar tão jovem.

Danny destaca que os últimos acontecimentos, como a proibição do exercício do ministério religioso pelo Conselho Tutelar e a viralização de conteúdos ridicularizando o menino, podem causar traumas significativos.

“Ele passou de ‘idolatrado’ a motivo de escárnio. Isso pode gerar humilhação pública, fobia social, retraimento e até risco de depressão”, alerta.

Além disso, a psicóloga observa que o papel desempenhado por Miguel pode estar regulando emocionalmente não apenas a si mesmo, mas também sua família e a comunidade religiosa à sua volta — algo que extrapola sua capacidade de compreensão e gestão emocional nessa fase da vida.

“O dom espiritual de Miguel pode estar sendo usado como regulador emocional da família e da igreja, colocando sobre ele uma responsabilidade que não cabe ao seu estágio de desenvolvimento. O sintoma não está em Miguel, mas nas estruturas que reforçaram seu papel precoce e deixaram de protegê-lo como criança e adolescente”, explica Danny Silva. 

 

Recomendações terapêuticas: um caminho para o reequilíbrio

A psicóloga propõe ainda um plano de suporte psicológico que pode contribuir com o reequilíbrio emocional de Miguel, com foco na reestruturação dos papéis familiares e na recuperação de sua infância:

  1. Terapia Familiar Sistêmica – reorganizar os papéis dentro da família e devolver a Miguel o lugar que lhe cabe como adolescente.
  2. Terapia Individual com foco em identidade e trauma – reconstrução da autoimagem e superação de experiências traumáticas como a humilhação pública.
  3. Reinserção escolar com apoio psicopedagógico – promover o retorno ao convívio com jovens da mesma idade e atividades fora do contexto religioso.
  4. Orientação a pais e líderes espirituais – sensibilização sobre os riscos da adultização precoce e reforço da importância da proteção integral.

 

Mais do que fé, é sobre infância 

O caso Miguel escancara a urgência de refletir sobre os limites entre fé, fama e infância. Mais do que discutir se o adolescente deve ou não exercer o ministério, é preciso garantir que ele seja, acima de tudo, protegido em sua integridade emocional e desenvolvimento como ser humano

 

Educação Infantil tem papel central no desenvolvimento do cérebro nos primeiros anos de vida

 

Muito além de funcionar como rede de apoio para as famílias, a Educação Infantil é uma etapa decisiva no desenvolvimento das habilidades cognitivas das crianças, é neste período que surgem as bases da linguagem, da memória, da atenção, do raciocínio lógico e da capacidade de resolver problemas.

 

Muito além de uma rede de apoio para as famílias durante o horário de trabalho, a Educação Infantil é uma etapa fundamental para o desenvolvimento das crianças, especialmente no que diz respeito às habilidades cognitivas. Nessa fase, que abrange desde o nascimento até os seis anos de idade, ocorre o período mais intenso de formação das conexões neurais, conexões essas que são responsáveis pelas capacidades de pensar, comunicar, aprender e solucionar problemas. 

Estudos apontam que, quanto mais cedo a criança tiver acesso a experiências educativas de qualidade, mais preparados estarão seus circuitos cerebrais para lidar com os desafios futuros da vida acadêmica e social. No período em que a criança está na Educação Infantil, o cérebro está em pleno desenvolvimento, e os estímulos certos, que podem ser oferecidos por meio de brincadeiras dirigidas, interações com colegas e atividades planejadas são cruciais para a formação das funções executivas, atenção, linguagem, memória e raciocínio lógico. 

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que entrou em vigor em 2018, reforça esse papel ao estabelecer 6 direitos de aprendizagem na Educação Infantil: conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. Esses princípios norteiam práticas pedagógicas que respeitam o tempo e o modo de aprender de cada criança, reconhecendo que o aprendizado acontece de forma integrada e significativa a partir das experiências do cotidiano. 

“Na Educação Infantil, o brincar não é apenas uma atividade recreativa. Ele é o principal instrumento de aprendizagem, é onde a criança desenvolve sua linguagem, sua lógica, sua capacidade de imaginar, argumentar e resolver problemas. Cuidar é educar e educar é oferecer vivências que ampliem o repertório da criança e estimulem sua curiosidade sobre o mundo”, afirma Sheila Bancovsky, psicóloga e sócia proprietária da Escola Koala.

 

O que é desenvolvimento cognitivo e qual a sua importância na educação infantil? 

O desenvolvimento cognitivo diz respeito ao modo como a criança adquire conhecimento e processa as informações recebidas, ele envolve aspectos como percepção, atenção, memória, linguagem, raciocínio, solução de problemas e criatividade. Esses aspectos estão diretamente ligados ao sucesso escolar ao longo dos anos e às competências adquiridas para a vida em sociedade. 

Segundo a teoria do psicólogo Jean Piaget, o desenvolvimento cognitivo acontece em etapas, sendo a Educação Infantil o período que abrange as fases sensório-motora (até os 2 anos) e pré-operatória (dos 2 aos 7 anos). Nessas etapas, a criança aprende com o corpo, com os sentidos, com a repetição de ações e com a exploração do ambiente ao seu redor. Por isso, o ambiente escolar precisa ser rico em estímulos, seguro e planejado por profissionais especializados. 

É nessa fase que as crianças começam a desenvolver habilidades como: 

·         Raciocínio lógico;

·         Memória;

·         Linguagem oral e escrita;

·         Pensamento simbólico;

·         Atenção e concentração;

·         Capacidade de abstração e imaginação. 

Sheila reforça ainda que é durante esse período que surgem os primeiros indícios de como a criança aprende melhor e quais são seus interesses e dificuldades: “Conhecer bem cada criança é essencial. Só assim conseguimos identificar suas potencialidades e oferecer os estímulos certos. A Educação Infantil tem um papel importantíssimo de observação e intervenção precoce, inclusive para identificar sinais de atrasos no desenvolvimento, dificuldades de aprendizagem ou outras necessidades específicas”, explica.

 

A Educação Infantil é muito mais do que uma preparação para os próximos anos escolares, ela é a base sobre a qual se constroi a capacidade de pensar, criar, comunicar, conviver e aprender. Quando oferecida com qualidade, por profissionais preparados e com o envolvimento das famílias, ela garante o desenvolvimento pleno da criança em todas as suas dimensões. “O papel da Educação Infantil é respeitar essa individualidade, estimular o que cada uma tem de melhor e, acima de tudo, proporcionar uma infância rica em experiências”, finaliza a sócia proprietária da Escola Koala. 




Escola Koala
https://escolakoala.com.br/

 

Como lidar com as dificuldades de concentração nos estudos?

24 milhões de jovens entre 9 e 17 anos estão na internet; educadores explicam como jovens podem estudar de forma mais dinâmica

 

A dificuldade de concentração nos estudos é uma realidade cada vez mais presente na jornada educacional de crianças e adolescentes. Em um mundo repleto de estímulos e distrações, manter o foco nas tarefas escolares tornou-se um desafio complexo que exige a atenção de educadores, pais e dos próprios alunos. 

Uma pesquisa realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil aponta que 89% dos jovens entre 9 e 17 anos estão na internet, ou seja, cerca de 24 milhões de crianças e adolescentes. Diante disso, vem sendo debatido os impactos do uso da internet, especialmente do celular, no processo de aprendizagem desses jovens, especialmente com técnicas como o uso de vídeos no TikTok para aprender conteúdos de forma resumida.

Rafael Galvão, Diretor Pedagógico do Ensino Fundamental Anos Finais e Ensino Médio da Rede Alfa CEM Bilíngue, ressalta a importância de adaptar as estratégias à faixa etária. “Nos Anos Finais do Ensino Fundamental, o foco deve ser em equilibrar estrutura com estímulo, considerando a imaturidade emocional e a crescente necessidade de autonomia dos alunos. Não existe atalho para o estudo.Vídeos online podem ser um complemento, mas não substituem outras formas de estudar”, comenta.

Entre as técnicas específicas, Galvão destaca a implementação de rotinas visuais com cronogramas simples e coloridos, dividindo o estudo em blocos curtos com metas claras. O Método Pomodoro (25-5), com 25 minutos de estudo focado seguidos por 5 minutos de pausa, também se mostra eficaz para essa faixa etária. 

“Para alunos com perfil cinestésico, o estudo com movimento, permitindo o uso de fichas, mapas visuais ou até mesmo uma leve caminhada durante a memorização oral é o mais indicado. Além disso, ensinar os alunos sobre metacognição, ou seja, a pensar sobre como aprendem melhor, é apontado como um diferencial importante”.

A identificação de alunos com problemas de foco passa pela observação atenta dos professores. Sinais de alerta incluem a dificuldade em manter a atenção por mais de alguns minutos, o esquecimento recorrente de tarefas e materiais, agitação excessiva, dificuldade em organizar ideias e a manifestação de procrastinação e frustração. Ações pedagógicas eficazes envolvem observar padrões recorrentes, conversar individualmente com o aluno para entender suas dificuldades, criar combinados claros com metas pequenas e elogiar os progressos.

“Especialmente para aqueles com dificuldades de concentração, Galvão sugere o uso de quadros-resumo e fichas ilustradas, a gravação de áudios com explicações próprias, o estudo em duplas ou trios com funções definidas e a implementação de uma rotina de autoavaliação ao final de cada bloco de estudo”, ressalta o educador.

A escola também pode incentivar atividades que melhorem a concentração, como pequenas pausas regulares, o uso de músicas relaxantes (com escolha criteriosa) e práticas como a respiração consciente no início das aulas, alongamentos entre blocos e atividades de escuta atenta.

“O papel dos pais nessa faixa etária continua sendo necessário. Estabelecer rotinas de estudo em casa, apoiar sem cobrar excessivamente, monitorar o uso de telas, observar sinais emocionais e buscar ajuda profissional quando necessário são atitudes importantes para o sucesso dos estudantes”, comenta Galvão.


Educação Infantil: retirar as telas é o primeiro passo

Na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, a abordagem para lidar com a dificuldade de concentração possui suas particularidades. Karla Lavrador, Diretora Pedagógica dessas etapas na Rede Alfa CEM Bilíngue, é enfática ao afirmar que é preciso sair das telas.

"Primeiro, retire as telas. Essa é a maior distração do momento. Com isso, para os pequenos é necessário determinar pequenos tempos de estudo inicialmente para poder ir aumentando gradualmente, além de criar metas alcançáveis”, reforça a educadora.

Para identificar alunos com problemas de foco, Lavrador ressalta a importância do acompanhamento individualizado. "Se não conheço o meu aluno, não tenho como avaliá-lo e, por conseguinte, não consigo adaptar estratégias. Compreender como cada aluno retém conhecimento e qual o seu processo mnemônico é essencial”, ressalta ela.

A combinação de estratégias pedagógicas inovadoras, a atenção individualizada dos professores, o apoio ativo dos pais e a criação de um ambiente de aprendizado saudável e livre de distrações são elementos-chave para ajudar os alunos a desenvolverem a capacidade de focar e, consequentemente, a alcançarem seu pleno potencial acadêmico. 

“A busca por métodos de estudo eficazes é uma jornada contínua, e a colaboração entre escola e família se mostra como o caminho mais promissor para o sucesso dos estudantes”, finaliza Lavrador. 



Rede Alfa CEM Bilíngue
alfacembilingue.com.br


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