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Quem
nunca presenciou uma criança dando “aquele show” em algum lugar, após receber
um “não” de seus pais? Quem já passou por isso sabe que, enquanto a criança
reage dessa forma, sentimos um misto de emoções.
Sentimos
os olhares alheios “cravarem” nas nossas costas e o julgamento “gritar” na
nossa cabeça mais que a própria criança:
“Que
criança malcriada!”
“Que
mãe é essa que não sabe colocar limites nos filhos?”
Essas são algumas das frases usadas muitas vezes por pessoas que também passaram pela mesma situação.
“Nesse cenário, é normal que os pais sintam raiva da criança que resolve medir forças no lugar e na hora errada. Há, também, um cansaço físico, mental e emocional nessa missão de cuidar e de manter o equilíbrio”, afirma Yafit Laniado, psicanalista e hipnoterapeuta, criadora da Relacionamentoria, consultoria especializada no relacionamento entre pais e filhos.
Yafit destaca que, em muitos casos, a falta de segurança dos pais em dizer não para os filhos oferece o ambiente propício para desencadear estas reações e dar início ao “show”.
“Devemos ser capazes de dizer tanto o não como o sim com a mesma segurança. E isso não significa ter essas respostas prontas na ponta da língua, mesmo antes da criança dizer o que quer. É preciso entender o que nós pais queremos transmitir para nossos filhos.”
Yafit
orienta que tanto a negação quanto a afirmação devem ter consistência com as
regras definidas em casa. “A depender da situação, pode-se, inclusive,
aproveitar o momento para trabalhar questões comportamentais. Em vez de somente
negar o pedido de compra de um brinquedo, por exemplo, os pais podem aconselhar
os filhos que coloquem numa lista e assim, ajudar os filhos a organizarem seus
desejos. Quando essa condução se transforma em regra da família, a criança se
habitua a ela”, diz a especialista.
A criadora do Relacionamentoria reforça, contudo, que a mensagem deve ser transmitida com convicção e segurança. “Quando os pais dizem não e por dentro estão inseguros, cansados e se sentindo culpados, a criança percebe e se aproveita da situação para tentar impor sua vontade de um jeito ou de outro. Aí, vai continuar insistindo, até conseguir o que quer.”
“Agora, quando os pais entendem que estão fazendo o que é certo aos próprios olhos, e que esse é o seu papel, não há espaço para a dúvida. Assim, o sim e o não surgem da posição de liderança que os pais assumem e os filhos aceitam a decisão”, destaca Yafit.
A especialista conclui: “devemos trabalhar dentro de nós a plenitude como pais, a coluna vertebral emocional, a capacidade de conduzir a casa de acordo com o que acreditamos ser o melhor para todos nós. Quando pai e mãe estão inteiros, seguros, plenos, tudo funciona diferente com os filhos.”

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