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sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Por que nem todo ‘desconto’ é um bom negócio para o seu bolso

 Do cartão de crédito às promoções relâmpago, conheça os riscos disfarçados de economia que podem comprometer suas finanças

 

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da CNC, a proporção de famílias brasileiras com dívidas a vencer subiu para 79,2% em setembro de 2025. Nesse mesmo período, a inadimplência atingiu o maior patamar da série histórica, com 30,5% das famílias com contas em atraso. É justamente nesse contexto de orçamento apertado que a tentação por um falso desconto se torna mais perigosa. A pressão para "economizar" a qualquer custo pode, ironicamente, funcionar como um combustível para a inadimplência, criando um ciclo em que a busca por alívio imediato no caixa gera mais dívidas no futuro.

 

O desconto que leva a uma compra por impulso, que você não precisava e não estava no seu planejamento, não é economia – é gasto. Como explica Ricardo Malaquias, Diretor de Estratégia, Cobrança e Operações da Simplic, "a atração por um preço baixo pode ofuscar nosso julgamento, nos levando a comprometer o orçamento com algo que, em circunstâncias normais, nem consideraríamos comprar".

 

Armadilhas disfarçadas de oportunidades 

Um dos exemplos mais comuns são as promoções relâmpago e os cupons de desconto, especialmente durante eventos como a Black Friday. A empolgação do momento pode mascarar uma realidade menos atraente. Muitas vezes, o produto em "oferta" teve seu preço artificialmente inflacionado dias ou semanas antes da promoção, para que o "desconto" o trouxesse de volta ao seu preço habitual, uma prática que especialistas em defesa do consumidor alertam. “A tática mais eficaz para se blindar desse tipo de prática é acompanhar a variação do valor do produto desejado ao longo de semanas e, ao mesmo tempo, compará-lo com de outras lojas”, aconselha o especialista.

 

Outra armadilha perigosa é o crédito rotativo do cartão, que se tornou um dos principais vilões do orçamento familiar. Dados do Banco Central mostram que a taxa de inadimplência no rotativo do cartão ultrapassou 60%, em agosto de 2025. Ao optar por pagar o valor mínimo da fatura, o consumidor aceita implicitamente juros que podem superar 400% ao ano, transformando uma dívida pequena em uma bola de neve. "O cartão é uma ferramenta de conveniência, não de crédito de longo prazo. Usar o rotativo é como tomar um empréstimo com a taxa de juros mais alta do mercado", adverte Malaquias. Esse comportamento defensivo com o crédito é confirmado pela própria CNC, que observa uma migração dos consumidores para modalidades como carnês, na busca por prazos e custos mais previsíveis.

 


Cultivando uma postura financeira consciente

 

Para navegar com segurança em um mar de ofertas, adote uma postura mais consciente. O primeiro passo, segundo Malaquias, é sempre planejar as compras, fazendo uma lista do que é realmente necessário e estabelecendo um limite de gastos claro. Desconfie de preços muito abaixo do praticado pelo mercado, pois podem ser iscas para golpes ou produtos com qualidade duvidosa. 

 

A saúde financeira é o resultado de pequenas decisões conscientes tomadas todos os dias. "Educação financeira é sobre conhecer seus limites, planejar seus gastos e entender que o verdadeiro desconto é aquele que não compromete suas contas", finaliza.

 

Simplic


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