Não
é incomum abrir o feed do LinkedIn e se deparar com posts de desabafos e
críticas entre candidatos e recrutadores. De um lado, profissionais relatam
processos seletivos cansativos frustrantes (como muitas etapas, exigências
absurdas, falta de transparência e retorno). Do outro, gestores de RH expõem
reclamações com candidatos despreparados ou com expectativas fora da realidade.
Segundo
o professor Marcelo
Treff, especialista em gestão de carreira da Fundação
Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), essa “guerra de posts” é
reflexo das transformações sociais e emocionais no mercado, e revela um novo
fenômeno no ambiente de trabalho: a necessidade de falar — e ser ouvido — sobre
as dores do mundo corporativo. Além disso, nunca é demais ressaltar que as
relações de trabalho são um reflexo das relações sociais, em qualquer lugar do
mundo.
“Os
desabafos no LinkedIn são sintomas de um ambiente corporativo tensionado, em
que as pessoas se sentem exaustas e pouco escutadas. Quando recorrem às redes,
buscam um espaço de acolhimento e visibilidade que muitas vezes não encontram
dentro das organizações”, explica o docente.
Treff
observa que, embora a exposição possa gerar empatia, e contribuir para o
networking, ela também traz riscos para a reputação profissional. “É importante
lembrar que, embora o LinkedIn seja uma vitrine, é uma rede social
profissional. Portanto, a forma como alguém se posiciona ali pode fortalecer ou
fragilizar sua imagem no mundo do trabalho. O desabafo pode ser legítimo, mas
precisa vir acompanhado de responsabilidade e autocrítica”, orienta o
professor.
De
acordo com o especialista, o cenário aponta para um problema mais profundo: a
falta de diálogo entre empresas e profissionais. “Cada post viral é um sinal de
que a relação entre gestão e colaboradores precisa ser revista. As empresas que
souberem interpretar esses desabafos como indicadores de insatisfação poderão
repensar suas práticas de liderança, feedback e reconhecimento”, afirma Treff.
Para
o professor da FECAP, o ideal é que o debate se desloque das redes para dentro
das organizações. “As redes sociais podem abrir conversas importantes, mas o
verdadeiro progresso acontece quando a escuta ativa se torna parte da cultura
interna. É isso que transforma um desabafo em aprendizado coletivo”, conclui.
Boas práticas para se posicionar no LinkedIn
O
professor da FECAP lista, abaixo, dicas para se posicionar na rede social sem
comprometer sua imagem profissional.
1. Tenha clareza de propósito antes de postar (a comunicação é irreversível)
Pergunte-se:
por que estou publicando isso? Se o objetivo for compartilhar conhecimento,
inspirar ou construir diálogo profissional, o conteúdo provavelmente é
adequado. Se for apenas um desabafo impulsivo, vale repensar.
2. Mantenha o tom profissional, mesmo em temas pessoais (o Linkedin é
uma rede profissional)
É
possível falar de frustrações e aprendizados de carreira sem adotar um tom
agressivo ou acusatório. Foque em reflexões e soluções, não em ataques ou
generalizações.
3. Evite expor pessoas ou empresas (você não controla como as pessoas
decodificam mensagens)
Relatar
uma experiência é válido, mas citar nomes de recrutadores, colegas ou
empregadores de forma negativa pode ser interpretado como falta de ética e
profissionalismo, além de acarretar problemas legais.
4. Cuide da linguagem e da forma (Linkedin não é WhatsApp)
Revisar
o texto antes de publicar é essencial. Erros de português, tom sarcástico ou
frases ambíguas podem distorcer sua mensagem. No LinkedIn, a forma comunica
tanto quanto o conteúdo.
5. Compartilhe aprendizados, não apenas críticas (demonstre maturidade
emocional e profissional)
Um
bom post é aquele que gera valor para a rede. Ao invés de apenas apontar
falhas, destaque o que você aprendeu com a experiência ou como pretende agir
diferente.
6. Construa uma narrativa coerente com sua imagem (alinhamento é
fundamental)
Pense
no LinkedIn como um portfólio público. O conjunto de suas publicações deve
reforçar sua identidade profissional — seus valores, competências e área de
atuação.
7. Interaja com respeito e empatia (demonstre consciência social)
Evite discussões acaloradas nos comentários. Discordar faz parte, mas o modo como se faz isso pode definir sua reputação. Demonstre escuta ativa e respeito às opiniões diferentes.
8. Valorize conteúdos originais e éticos (evite clichês digitais)
Evite
copiar ideias ou frases de outros profissionais sem dar crédito. Autenticidade
é um dos ativos mais valorizados em ambientes profissionais digitais.
9. Aposte em exemplos e histórias reais (evidências e fatos são
valorizados)
Cases
pessoais humanizam o perfil, desde que compartilhados de forma ética e sem
expor terceiros. Uma boa história, contada com propósito, pode gerar grande
engajamento positivo.
10. Pense a longo prazo (tenha visão de futuro)
Postagens
impulsivas podem render curtidas no curto prazo, mas desgastar sua imagem no
futuro. Reputação se constrói com constância e coerência, e o LinkedIn é um
espelho fiel dessa trajetória.
O especialista: Marcelo
Treff é professor de Gestão de Pessoas da Fundação Escola de Comércio Álvares
Penteado (FECAP). Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP e Mestre em
Administração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atua com
os seguintes temas: Gestão da Carreira, Gestão de Competências, Gestão de
Pessoas e Comportamento Organizacional.
Fundação Escola de
Comércio Álvares Penteado - FECAP

Nenhum comentário:
Postar um comentário