Na corrida pelas melhores promoções, muitos consumidores acabam caindo em fraudes digitais; especialista ensina a técnica dos 3 Ps — Pare, Pense e Pesquise para evitar prejuízos.
A última sexta-feira de novembro promete movimentar o comércio
eletrônico. A Black Friday 2025, marcada para 28 de novembro, deve gerar R$
13,34 bilhões em vendas, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico
(ABComm), alta de 43% em relação ao ano passado, o maior faturamento já
registrado no país.
Carrinhos virtuais lotados e consumidores em busca do melhor preço
devem dominar o dia. Mas, junto com as oportunidades, cresce também o risco de
fraudes digitais.
O dado do último ano confirma a exposição: apesar do pico de
compras ocorrer à tarde, é na madrugada que os golpistas atuam com mais
intensidade, aponta estudo da Serasa Experian. Em 2024, as ações criminosas
dobraram entre 0h e 2h. As compras se concentraram entre 10h e 23h, com pico
entre 13h e 14h, quando o fluxo ultrapassou 300 mil pedidos por hora. Já entre
0h e 2h o volume caiu para cerca de 65 mil compras por hora, mas a taxa de
ataques chegou a 2% às 3h da manhã, o dobro da média diária.
“É o momento em que o consumidor está mais vulnerável: cansado,
confiante e com pressa de não perder a oferta. O golpe perfeito acontece quando
a vítima está relaxada”, diz o perito internacional em crimes digitais e CEO da
Enetsec, Wanderson Castilho. Segundo ele, o perigo não está só nas promoções
falsas, mas na emoção que elas provocam. “O gatilho da urgência é o combustível
dos golpistas. Quando o cérebro entra no modo impulso, a razão desliga.”
Especialista elenca os golpes mais comuns — e dá orientações
práticas
Troca de QR Code no checkout. Esse tipo de fraude acontece porque
muita gente paga sem conferir o destinatário. Antes de confirmar o Pix,
verifique se o nome e o CNPJ exibidos na tela correspondem exatamente ao da
loja. Se aparecer um nome estranho, abreviado ou pessoal, cancele na hora. Essa
checagem leva três segundos e pode evitar um prejuízo de meses, explica o
perito em crimes digitais.
Phishing. O clássico que nunca sai de moda. O phishing usa uma armadilha
simples, fazendo a vítima entregar seus próprios dados. Os criminosos enviam
e-mails, mensagens ou criam cópias perfeitas de sites famosos para convencer o
usuário a digitar login, senha e dados do cartão, segundo Castilho, a tática é
antiga, mas funciona porque explora o que há de mais humano: a confiança. A
dica do especialista, é sempre acessar o site digitando o endereço no
navegador, nunca por links recebidos por mensagem, desconfiar de promoções que
exigem cadastro urgente, e reforça que nenhuma empresa séria pede dados
sigilosos por e-mail ou WhatsApp.
Links falsos no WhatsApp. Durante a Black Friday, o WhatsApp
também vira terreno fértil para armadilhas. Links prometendo cupons e descontos
irreais circulam em grupos e conversas privadas. Ao clicar, o usuário é levado
a páginas fraudulentas que roubam dados e até instalam vírus no celular. O
ideal é não clicar, e muito menos compartilhar.
Promoções irreais. Ofertas muito abaixo do mercado e chamadas de “últimas
unidades” buscam acelerar o impulso de compra. Para se proteger, compare preços
em mais de um site e verifique as avaliações e histórico do vendedor antes de
fechar.
Perfis falsos nas redes sociais. Com o avanço das compras via redes
sociais, páginas falsas também se multiplicam se passando por marcas
conhecidas. A orientação para o consumidor é simples, basta olhar os detalhes:
data de criação da conta, comentários, marcações e número de seguidores. Essas
pistas revelam se a loja é legítima ou apenas uma vitrine para o golpe.
Para fechar, Castilho resume em uma regra prática: a técnica dos 3 Ps — Pare, Pense e Pesquise. “PARE por alguns segundos antes de qualquer impulso; PENSE se a oferta faz sentido diante do preço médio; PESQUISE em outras lojas, cheque reputação e confirme o recebedor em pagamentos por Pix ou QR. Esses três gestos, feitos automaticamente, tiram o golpista do jogo.” conclui.

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