Yuri Trafane,
consultor empresarial, compartilha técnicas para exercer a pressão positiva
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Muitos líderes caem em uma armadilha ao se tornarem mal-educados, agressivos e até tóxicos quando, na verdade, o que estão querendo é exercer uma pressão positiva sobre seus liderados, bucando transformar desafios em motivação para o desempenho.
Segundo Yuri Trafane, consultor empresarial, CEO da Ynner Treinamentos e autor de “Os Quatro Papéis”, isso acontece pois o cérebro humano tende a simplificar julgamentos para economizar energia.
"Ele utiliza atalhos mentais (heurísticas) para ser mais eficiente e muitas vezes acaba produzindo viéses cognitivos: tendências sistemáticas do pensamento que levam nossa mente a interpretar a realidade de forma distorcida, fazendo com que tomemos decisões ou formemos julgamentos sem análise totalmente racional", detalha.
Um desses viéses é conhecido como Efeito Halo, que acontece quando uma característica ou comportamento é automaticamente associado a outro, mesmo sem relação real entre eles. "Na prática, muitos gestores acabam acreditando que para criar senso de urgência ou motivar suas equipes, precisam adotar comportamentos hostis", explica.
Trafane reforça que um líder pode ser ao mesmo tempo gentil e exigente, respeitoso e desafiador, e educado enquanto exerce pressão sobre seus liderados. William Ury, professor de Harvard e autor do livro de negociação mais vendido no mundo (Como Chegar ao Sim) traduz isso de uma forma quase poética: “seja duro com as coisas e suave com as pessoas”.
Abaixo, o consultor lista algumas das técnicas mais
efetivas para incentivar os liderados e exercer uma pressão positiva na busca
por resultados.
Melhores técnicas para cobrar
resultados da sua equipe sem ser tóxico
1. Estabeleça objetivos ambiciosos (mas atingíveis)
que fazem os liderados entenderem que o líder tem alta expectativa com relação
a eles.
2. Acompanhe o atingimento dos objetivos acordados
atrase de conversas sistemáticas, deixando claro quando eles foram ou não
atingidos e discutindo os motivos com os liderados.
3. Dê feedbacks corretivos com franqueza, mas
sempre com respeito e educação.
4. Estimule um clima em que os liderados dão
feedbacks uns aos outros com transparência, deixando claro que o foco deve
estar nas ações e não nas pessoas.
5. Crie senso de urgência, mostrando quais são os
riscos das coisas darem errado caso os resultados não apareçam.
6. Tome providências rapidamente quando um liderado
faz algo que afronta um valor importante de forma deliberada.
7. Deixe que os liderados enfrentem fracassos
controlados (de preferencia de baixo impacto objetivo) sem tentar
protegê-los das consequências.
Pressão não é sinônimo de toxicidade
Trafane destaca que apesar de todas essas técnicas serem ações que exercem pressão sobre os liderados, nenhuma delas implica em falta de respeito, educação ou toxicidade.
"Isso porque os profissionais das novas gerações, principalmente os de alto desempenho, estão cada vez menos tolerantes com chefes agressivos e hesitam muito menos antes de ir embora", comenta.
"Hoje também as leis estão mais exigentes e um processo por assédio moral pode custar bem caro tanto em termos financeiros, quanto de imagem", completa.
O especialista destaca ainda que é responsabilidade de todos trabalhar por um ambiente organizacional que preze pela saúde mental das pessoas, em que ninguém se sinta subjugado ou maltratado.
"Precisamos construir um ambiente em que as pessoas possam ser
produtivas, sentindo-se bem ao mesmo tempo. Melhor, onde possam ser produtivas,
entre outras, por que estão se sentindo bem", defende.
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