Médico e membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) explica que um único doador falecido pode ajudar até dez pessoas que estão na fila de transplante.
Em um balanço apresentado nesta quarta-feira, o Ministério da
Saúde anunciou que o Brasil bateu recorde de transplantes realizados pelo SUS,
atingindo um número histórico de mais de 30 mil procedimentos, um crescimento
de 18% em relação a 2022.
Segundo o governo, os órgãos mais transplantadores foram: córnea (17.107), rim (6.320), medula óssea (3.743) e fígado (2.454). Os dados também apontam que atualmente, 78 mil pessoas aguardam por doação de órgãos, sendo o rim a maior demanda de 2024, (42.838), seguido de Córnea (32.349) e Fígado (2.387).
Em abril, a Central de Transplantes de São Paulo,
da Secretaria de Estado da Saúde (SES), divulgou que o estado de São Paulo
também registrou crescimento no número de transplantes de órgãos realizados.
Nos primeiros três meses de 2025, o levantamento apontou um aumento em
praticamente todos os tipos de procedimentos, com destaque para o transplante
de pâncreas, que passou de 11 para 26 intervenções, uma alta de 136% em relação
ao mesmo período de 2024.
Também foram registrados aumentos nos transplantes de coração, que
subiram 34% (de 32 para 43), de rim, com crescimento de 16% (de 329 para 406),
de pulmão, com 12% a mais (de 25 para 28), e de fígado, que tiveram elevação de
9% (de 127 para 139).
Para o Dr. Lucas Nacif, cirurgião gastrointestinal e membro da
Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), os números de São Paulo
representam um avanço importante, mas o cenário nacional ainda exige atenção.
“O crescimento registrado no estado é bastante positivo, mas, em todo o Brasil,
os índices de doação ainda estão aquém do necessário. Como dependemos 100% de
doações, é fundamental fortalecer, cada vez mais, a cultura da doação no país.
Esse movimento é essencial para ampliar o número de transplantes efetivos. Um
único doador falecido, por exemplo, pode beneficiar até dez pessoas que
aguardam na fila”, destaca.
E como funciona a fila de espera?
Quando um paciente precisa de um transplante, é comum surgirem dúvidas sobre como funciona a fila de espera. Segundo o membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), Dr. Lucas Nacif, o processo é nacional, rigoroso e segue critérios técnicos bem definidos.
“A lista é única, séria e, acima de tudo, criteriosa. Ela reúne
todos os pacientes que aguardam um transplante, independentemente de estarem em
hospitais públicos ou privados, com ou sem convênio. A ordem de prioridade é
determinada por fatores como gravidade da doença, tempo de espera, tipo de
órgão necessário e compatibilidade. Muitas vezes, quem parece ‘passar na
frente’ está, na verdade, em situação clínica mais grave”, explica o
especialista.
E a doação em vida?
A doação em vida também é possível e ocorre em casos específicos, como a doação de órgãos duplos principalmente rins ou de parte do fígado e pulmão. A doação de medula óssea é outra alternativa bastante comum.
Para ser um doador em vida, a pessoa precisa estar em perfeito
estado de saúde, já que o procedimento não pode colocar sua integridade física
em risco. “Todo doador passa por uma avaliação completa para garantir que a
doação será segura tanto para ele quanto para o receptor”, reforça Nacif.
Como manifestar o desejo de ser doador
No caso da doação após a morte, é fundamental que a pessoa
manifeste sua vontade em vida, principalmente aos familiares, já que são eles
os responsáveis por autorizar o procedimento. Além disso, ele explica que a
avaliação do potencial doador é feita por equipes especializadas, considerando
diversos critérios técnicos. “Pacientes internados há até sete dias, por
exemplo, são considerados ideais para a doação. Mas isso não significa que
casos além desse prazo sejam descartados. Cada situação é analisada
individualmente. E fatores como idade avançada, histórico de tabagismo, uso de
drogas ou consumo excessivo de álcool podem ser limitadores”, finaliza Dr.
Lucas Nacif.

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