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terça-feira, 10 de junho de 2025

Especialista aponta maturidade emocional como base do amor adulto

Mês dos namorados é uma oportunidade de enxergar o amor
não apenas como desejo de fusão, mas como um vínculo
 que se constrói dia a dia
Especialista explica por que relações duradouras exigem aceitação da incompletude e desapego de idealizações infantis.


 Em junho, mês dos namorados, o amor costuma ser celebrado em sua versão mais romântica, com jantares, declarações e imagens idealizadas de felicidade a dois. Mas especialistas alertam: longe das fantasias de completude, o amor que sustenta relações na vida adulta é mais realista, imperfeito e, justamente por isso, mais maduro.

“Amar, na vida adulta, é aceitar que ninguém nos fará sentir tão especiais quanto nossos pais fizeram na infância, e que tudo que vivemos agora no amor é construção, movimento e escolha”, afirma a psicóloga Laís Mutuberria, especialista em neurociência do comportamento. 

Segundo ela, o amor não é apenas um sentimento, mas uma necessidade vital. Desde o nascimento, a sobrevivência humana depende do vínculo afetivo, do toque e do cuidado. “O hormônio da ocitocina, conhecido como hormônio do amor, é liberado em grandes quantidades no corpo da mãe logo após o parto. É o que impulsiona o cuidado e o afeto necessários à sobrevivência do bebê.” 

Essa experiência inicial de ser amado estrutura o modo como cada pessoa vai se relacionar ao longo da vida. Na infância, o amor tem contornos absolutos: os pais preveem as necessidades, oferecem proteção e colocam os filhos no centro de suas atenções. “É um amor total, incondicional, que transmite a sensação de que somos o centro do universo”, explica Laís. 

O problema, aponta a psicóloga, é quando essa expectativa infantil é transferida para o amor romântico. “Muitos adultos buscam em seus parceiros a mesma intensidade, acolhimento e centralidade que um dia receberam na infância. E se frustram ao perceber que o amor adulto não tem esse papel — nem deveria ter.”

O amor maduro, diz Laís, é aquele que reconhece a finitude. “É saber que tudo pode acabar, que o outro tem limites, falhas, dúvidas. Ele exige trabalho emocional, entrega e aceitação da incompletude.” Para ela, essa é uma das maiores lições emocionais da vida adulta.

A psicóloga sugere que o mês dos namorados seja também um convite à reflexão. “É uma oportunidade de enxergar o amor não apenas como desejo de fusão, mas como um vínculo que se constrói dia a dia”.


Laís Mutuberria - psicóloga possui mais de uma década de experiência em psicoterapia clínica e supervisão profissional, atendendo adultos e adolescentes no modelo online. Graduada pela UFU, especializou-se em Análise Transacional (Unat Brasil) e Neurociência do Comportamento (PUCRS), além de acumular formações em Psicologia Positiva, Hipnose Ericksoniana, PNL, TCC e Educação Sistêmica. Sua abordagem transteórica e humanizada combina diferentes técnicas para adaptar os tratamentos às necessidades individuais de cada paciente. Além da prática clínica, ministra cursos, palestras e eventos voltados ao bem-estar e à saúde mental.

 

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