Especialista
explica por que relações duradouras exigem aceitação da incompletude e desapego
de idealizações infantis.
Mês dos namorados é uma oportunidade de enxergar o amor
não apenas como desejo de fusão, mas como um vínculo
que se constrói dia a dia
Em junho, mês dos namorados, o amor costuma ser
celebrado em sua versão mais romântica, com jantares, declarações e imagens
idealizadas de felicidade a dois. Mas especialistas alertam: longe das
fantasias de completude, o amor que sustenta relações na vida adulta é mais
realista, imperfeito e, justamente por isso, mais maduro.
“Amar, na vida
adulta, é aceitar que ninguém nos fará sentir tão especiais quanto nossos pais
fizeram na infância, e que tudo que vivemos agora no amor é construção,
movimento e escolha”, afirma a psicóloga Laís Mutuberria, especialista em
neurociência do comportamento.
Segundo ela, o amor não é apenas um sentimento, mas uma necessidade vital. Desde o nascimento, a sobrevivência humana depende do vínculo afetivo, do toque e do cuidado. “O hormônio da ocitocina, conhecido como hormônio do amor, é liberado em grandes quantidades no corpo da mãe logo após o parto. É o que impulsiona o cuidado e o afeto necessários à sobrevivência do bebê.”
Essa experiência
inicial de ser amado estrutura o modo como cada pessoa vai se relacionar ao
longo da vida. Na infância, o amor tem contornos absolutos: os pais preveem as
necessidades, oferecem proteção e colocam os filhos no centro de suas atenções.
“É um amor total, incondicional, que transmite a sensação de que somos o centro
do universo”, explica Laís.
O problema, aponta a psicóloga, é quando essa expectativa infantil é transferida para o amor romântico. “Muitos adultos buscam em seus parceiros a mesma intensidade, acolhimento e centralidade que um dia receberam na infância. E se frustram ao perceber que o amor adulto não tem esse papel — nem deveria ter.”
O amor maduro, diz Laís, é aquele que reconhece a finitude. “É saber que tudo pode acabar, que o outro tem limites, falhas, dúvidas. Ele exige trabalho emocional, entrega e aceitação da incompletude.” Para ela, essa é uma das maiores lições emocionais da vida adulta.
A psicóloga sugere que o mês dos namorados seja
também um convite à reflexão. “É uma oportunidade de enxergar o amor não apenas
como desejo de fusão, mas como um vínculo que se constrói dia a dia”.
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