Especialista
em comportamento animal explica como garantir segurança, bem-estar e equilíbrio
emocional durante as férias em família
Com o crescimento
da adoção de animais de estimação e a naturalização dos pets como parte da
família, é cada vez mais comum levar cães e gatos nas viagens de férias.
Hospedagens pet-friendly, transportes adaptados e o desejo de dividir momentos
especiais com os pets têm impulsionado esse movimento. Mas, para que a
experiência seja realmente positiva, é essencial que os tutores se atentem não
só aos cuidados físicos, mas sobretudo ao bem-estar emocional e comportamental
dos animais.
“Assim como nós,
os pets também sentem ansiedade diante do desconhecido. Viagens envolvem
mudanças de rotina, estímulos novos, ambientes diferentes e até interações
inesperadas. Quando o tutor entende como o pet se comunica emocionalmente, toda
a experiência se torna mais leve e segura”, afirma Cleber
Santos, especialista em comportamento animal e CEO do Grupo Comportpet.
Recentemente,
estudos têm reforçado a importância da convivência com animais para o
equilíbrio emocional dos tutores, o que evidencia que cuidar bem dos pets,
inclusive em viagens, beneficia toda a família.
A seguir, Cleber
apresenta cuidados essenciais para uma viagem tranquila ao lado dos pets:
1.
Prepare o pet emocionalmente antes da viagem
Antes de sair de
casa, o pet precisa entender, emocionalmente, que algo novo está por vir, mas
que sua base de segurança continuará sendo a família. Exercícios simples ajudam
muito: trajetos curtos de carro, contato prévio com a caixa de transporte e a
caminha sempre acessível criam familiaridade com o processo. Levar itens com o
cheiro da casa, como um cobertor ou brinquedo preferido, reforça ainda mais a
sensação de continuidade da rotina mesmo em outro ambiente.
“Quando o pet
reconhece elementos conhecidos durante a viagem, ele se sente emocionalmente
amparado. Manter horários parecidos de alimentação, descanso e passeios traz
previsibilidade e previsibilidade é segurança. O emocional do pet precisa estar
estruturado antes de chegar ao destino para que ele viva a viagem como uma
experiência positiva, e não como um desafio”, explica Cleber.
2.
Respeite o ritmo de socialização em novos ambientes
Quando o pet chega
em um lugar novo, tudo é estímulo: cheiros, sons, pessoas e espaços diferentes.
Para que isso seja positivo, é importante permitir que ele explore no próprio
ritmo, sempre com o tutor por perto como referência. Ter um cantinho fixo, como
a caminha ou uma manta, ajuda a criar um ponto de segurança e compreensão do
ambiente.
“Nada deve ser
forçado: o ideal é permitir alguns minutos de observação para que ele processe
o ambiente e só depois comece a interagir. A presença tranquila do tutor
diminui o risco de ansiedade, medo ou reatividade. Socialização saudável é
sobre conexão emocional e segurança, não sobre exposição intensa”, diz.
3.
Previna fugas com vínculo e presença ativa
Ambientes abertos,
como praias, parques e locais turísticos, podem despertar curiosidade ou até
desconforto em alguns pets. O tutor deve se manter como referência de
tranquilidade e conexão durante todo o tempo. Caminhar junto, brincar junto e
incentivar que o pet explore sempre ao lado da família cria uma relação segura
que reduz drasticamente o risco de fugas.
“A fuga não é
sobre desobediência, é sobre desconexão. Quando o pet está emocionalmente
ligado ao tutor, ele não busca se afastar. Verificar a coleira, manter
identificação atualizada e evitar sobrecarga de estímulos fazem parte do
cuidado, mas o principal é o vínculo: é ele que mantém o pet perto, mesmo em
lugares com muitas distrações”, reforça o especialista.
4.
Identifique sinais de sobrecarga e faça pausas estratégicas
Em destinos
movimentados, o pet pode ficar eufórico, até que essa euforia se transforme em
estresse. Bocejos em excesso, inquietação, chorinhos, respiração acelerada,
lamber o focinho repetidamente e buscar refúgio próximo ao tutor são alguns dos
sinais de que o pet está passando do limite emocional.
“Quando o pet
demonstra esses sinais, a pausa não é opcional, ela é essencial. Parar alguns
minutos, oferecer água, sombra e um toque de afeto restabelece o equilíbrio
emocional e previne reatividade ou mal-estar físico. O pet sempre avisa quando
precisa de ajuda. O tutor só precisa aprender a escutar o que o comportamento
está dizendo”, analisa.
5. No
calor, diversão deve caminhar com segurança
O ambiente praiano
ou de verão traz situações específicas que afetam diretamente o bem-estar do
pet: superfícies quentes, água salgada, estímulos intensos e o risco de
desidratação. Ajustar horários de passeio para períodos mais frescos e garantir
hidratação constante ajudam a tornar o lazer mais seguro.
“Os coxins queimam
muito rápido na areia quente, e o mar pode gerar irritações na pele e incômodo
se não houver enxágue depois. A regra é simples: se está desconfortável para
você, está ainda mais para o pet. Diversão com responsabilidade é entender que
o descanso e as pausas são tão importantes quanto a brincadeira”, finaliza
Cleber Santos.
Para Cleber, a chave
para uma boa viagem é manter a estrutura emocional do pet. “Quando
o pet percebe que a família continua sendo sua base, mesmo longe de casa, ele
relaxa, aproveita e se comporta de maneira muito mais equilibrada. O tutor
garante segurança e o pet devolve em forma de afeto, parceria e boas memórias
de verão", finaliza o especialista.